Verdade ou desafio

Harry Potter é somente mais um adolescente problemático com vicio em drogas, porem quando ele encontra com Draco Malfoy, no dormitório da faculdade, sua curiosidade o leva a procurá-lo. Problema sempre atrai mais problema.

Atenção: Essa é uma fanfic não-magica, ou seja nossos queridos personagens de Harry Potter são seres humanos comuns, simples troxas!

Atenção 2: Se você é incapaz de lidar com grandes emoções, não aconselho a leitura desta. Afinal, alem de relacionamento homem com homem, essa fanfic oferece também tremendas doses de tristeza, depressão, drogas, sexo fácil, abusos, e desespero pessoal


Capitulo 7

Draco não apareceu no bar na terça-feira. E, mesmo com a promessa de que esperaria uma hora para que o loiro aparecesse, Harry já estava bêbado após meia hora de espera. O menino não iria realmente se atrasar se viesse; ele não era desses.

Mas Harry tentou não se importar com aquilo. Passou o resto da semana encarando as paredes do quarto e brincando com o cachorro do padrinho, um imenso "lobo" negro chamado Padfoot, e quando o fim de semana chegou, e ele pôde levar suas malas de volta pra Hogwarts, seu peito estava quase explodindo de tanta animação.

"Você realmente pegou tudo?" Sirius perguntou uma última vez, checando as malas.

"Eu estive fora por duas semanas, eu nem sei por que eu levei tanta coisa para casa." Ele pegou o único malão, que era gigante, e foi até o padrinho para abraçá-lo.

"Tem certeza que nada de moto?" Sirius perguntou curioso.

"Não é como se tivesse muito uso aqui dentro." Harry sorriu; tinha optado por deixar a moto na casa do padrinho, achando que seria muito mais seguro e utilizável. "E não é como se eu não pudesse passar lá e pegar a qualquer momento."

"Entendo. Bom, eu cuidarei bem dela, agora aproveite seus amigos e até o próximo feriado." Sirius entrou no carro com uma última piscadinha e partiu.

Harry foi até o quarto, cumprimentando a todos os conhecidos pelo caminho, e saudou animado os colegas de quarto, que pareciam tão felizes quanto ele. O moreno notou pelo canto do olho que a última cama ainda estava vazia, mas recusou-se a perguntar.

O dia passou rápido, assim como o fim de semana. E a cabeça loira que ele tanto desejava ver não apareceu. Harry sentia-se dividido entre perguntar a Blaise se ele sabia de algo ou manter seu orgulho intacto, já que suas tentativas de oferecer sua amizade a Draco pareciam cada vez mais frustradas.

Achava que o loiro estava mais caloroso com ele no telefone, talvez pelos presentes, mas, ainda sim, parecia que ele sentia-se diferente, e isso era um avanço.

A semana passou rápida, com o começo das aulas deixando a cabeça de Harry ocupada em tentar acordar para as aulas e anotar as matérias. Sua preocupação realmente só surgia quando sentava-se na cama e encarava aquele lugar vazio onde Draco deveria estar. Ele não poderia ter ido embora, afinal ainda havia algumas roupas em suas gavetas. Mas onde exatamente ele estaria?

O fim de semana o alcançou, e Harry se manteve afastado do quarto pelo máximo de tempo que conseguiu, não querendo ser obrigado a encarar a cama vazia. Estava voltando para o dormitório no domingo de manhã, com o andar cansado de quem tinha passado a noite fora e acordado, quando um cabelo loiro chamou sua atenção.

A cidade estava enfrentando uma onda de calor fora do comum, e, por isso, vários alunos se encontravam deitados em lençóis em volta do lago ou da pracinha central. A visão de pessoas jogadas nos chão não era incomum, mas aquele cabelo era impossível de não ser notado.

Harry aproximou-se meio temeroso, porém suas dúvidas foram respondidas quando viu Blaise deitado no chão, escondendo o rosto, e uma garota sentada na frente de um Draco de óculos, conversando.

"Eu estou com tanto sono." Blaise murmurou por entre o tecido da camiseta que escondia seu rosto.

"Você está bêbado, querido." A garota respondeu certeira. Ela era magra e esguia, usava um shorts mínimo e uma camiseta larga e, mesmo assim, parecia ter saído de uma passarela. "É um nível bem diferente."

"Quanto você bebeu ontem?" Draco perguntou, ajeitando seus óculos escuros. Ele parecia ainda mais magro, na visão de Harry, com as roupas frouxas. O rosto estava levemente encovado.

"Acho que você teria que perguntar para Harry..."

"Muito mais do que o normal." O moreno entrou na conversa, se aproximando e surpreendendo os três. Arrependeu-se quase no mesmo momento quando recebeu um olhar de curioso desprezo da garota, mas resolveu continuar. "Olá, Draco. Resolveu aparecer?" Ele perguntou animado.

"Potter. Olá." Ele comentou, desviando seu rosto; parecia meio envergonhado.

"Então, você é o tal Potter." A garota entrou na conversa e se afastou para deixá-lo se sentar, exatamente entre ela e Draco. "Sou Pansy Parkinson. Prazer."

"Ah, olá." Harry sorriu, pensando se conhecia aquele nome de algum lugar, enquanto sentava-se. "Achei que você tinha sumido, Draco."

"Somos Draco agora, é?" Pansy perguntou sorridente.

"Cala a boca, Parkinson." O loiro murmurou, pouco convincente.

"Só estou perguntando. Fazia tempo que não ouvia alguém te chamar assim."

"Harry chama ele assim desde o primeiro dia." Blaise comentou. "Estão se tornando melhores amigos."

"Amigos?" Pansy sorriu. "Eu não sabia que você ainda era capaz de fazer algum. Ohh, parabéns, Draquinho."

"Não me chame assim." Ele disse entre dentes, e Harry riu. "Você não está em posição de ficar me irritando."

"Porque se eu fizer, você vai contar para a escola toda como sou uma vagabunda terrível." Pansy disse sem nem perder o sorriso. "Claro, claro."

"Como se alguém não soubesse." Blaise disse.

"Posso dar para quem quiser, Blaise querido; ao contrário de você, meu casamento já está marcado."

"Espero que ele não tenha contatos nesta escola." Draco disse.

"Ou então vai descobrir que a bela noiva pura, na verdade, já trepou em várias cercas." Blaise riu alto.

"Por que vocês falam isso dela?" Harry perguntou curioso.

"Inveja, queridinho." Pansy disse virando os olhos pretos e maquiados em direção ao moreno. "Draco está longe de ter qualquer tipo de vida sexual, e Blaise odeia o fato de só ter um buraco para oferecer aos garotinhos." O garoto deitado riu alto, divertido.

"Com um buraco apenas, eu já ultrapassei o seu número de pessoas na cama."

"Oh, eu não estou nem um pouco interessado em saber quais são as pessoas que vocês dois levaram para cama." Draco comentou enojado. "Vocês deveriam se casar e promover orgias na sua casa."

"É uma boa idéia, Pansy." Blaise disse, colocando-se sentado. "Você quer casar comigo e viver eternamente presa a uma orgia?"

"Adorável, mas no momento a única idéia que me parece boa é ir até a loja na cidade e comprar sorvetes para rolar nua. Gostaria de me acompanhar, esposo?"

"Obviamente que sim, minha querida." E, com uma risada, os dois se levantaram e sumiram.

Harry hesitou brevemente, observando os dois se afastarem, e não pôde deixar de se perguntar se aquele tipo de atitude era comum.

"Não ligue para eles, Potter." Draco comentou, aproveitando para deitar-se e esticar as pernas.

"É sempre assim?"

"Blaise reclama da vida, Pansy xinga ele, ele xinga de volta, eu mando eles pararem, ele pede ela em casamento, eles fogem para fazer Deus sabe o quê."

"Eles têm um caso?"

"Oh, não. Nos conhecemos desde criança. Ia ser muito estranho."

"Mas Pansy... Não é a garota que dormiu com você?"

"Foi um favor." Ele disse rápido, corando. "E ela tinha acabado de terminar com o namorado dela e queria fazer ciúmes, ou mostrar que já tinha superado, sei lá."

"Blaise também foi um favor?"

"Sim." Ele mordeu a boca, parecendo sem graça com o assunto.

"Você desapareceu." Harry comentou.

"Estive doente. Esse frio sempre me afeta." Ele suspirou. "Pelo menos o calor veio me ajudar."

"Eu achei que você não vinha mais..."

"Como se eu fosse largar a faculdade assim..." Ele comentou, rindo nervoso.

"Ainda bem que você está de volta! Não saberia de quem encher o saco, se você saísse." Harry disse rindo e se aproximou para abraçá-lo como sempre fazia, porém notou que a reação automática do loiro foi de se afastar. Como se tivesse medo, da mesma forma que ele fazia no começo daquela amizade.

Harry hesitou, envergonhado. Era como se Draco tivesse se esquecido completamente de tudo o que o moreno lhe forçara a aprender: os toques, as brincadeiras, a proximidade. Desviou o olhar brevemente, notando que ninguém percebera aquele momento, e, somente por isso, voltou a se aproximar.

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O semestre passou voando aos olhos de Harry. Se ele tinha achado que o primeiro semestre tinha sido difícil, ele realmente não estava preparado para o segundo. Mesmo com o recém-retorno das aulas, todos os alunos à sua volta já tinham assumido uma postura diferente.

E não somente eles. Os professores pareciam ter combinado que iriam dificultar a vida dos estudantes, marcando diversos testes e entregas de trabalhos. De todos, o pior ainda era o professor Snape. Professor de estatística, ele lecionava para quase todos os cursos e, por isso, ele era extremamente conhecido no campus.

Logo no primeiro mini teste, Harry tirou um cinco. Ele achou um absurdo, já que sempre adorou matemática, mas logo ele descobriu que esse professor era o problema, então desencanou.

Também durante o semestre, ele pôde notar que Draco foi relaxando em sua companhia, até voltar à normalidade. Questionou-se por um tempo se o pai do loiro o machucava ou algo assim, o que justificaria aquela grande apreensão de ser tocado, mas logo descartou a hipótese, vendo que seria uma idéia absurda, já que, provavelmente, o homem estragaria suas roupas. Rapidamente, ele deixou de pensar nisso também, vendo que Draco, apesar de manter-se mais focado, principalmente por causa das provas, relaxara e até arriscava breves conversas com os outros companheiros de quarto.

Dessa forma, o inverno foi-se embora, e a primavera começou, e, logo, o ano letivo teve fim. Harry quase saiu dançando e pulando pelos corredores, porém se conteve como sempre, para poder acompanhar Draco até seu carro e desejá-lo ótimas férias, não antes obrigá-lo a manter contato. Não que ele fosse cumprir aquilo, obviamente.

Quase três semanas depois do fim das aulas, Harry estava jogado no gramado dos fundos da casa, enfrentando o calor com os óculos escuros que ganhara de aniversário adiantado do padrinho, enquanto imaginava onde estariam todos os seus amigos.

Draco, é claro, não tinha ligado. Blaise tinha ido passar as férias inteiras na Itália, Dean e Seamus estavam na Irlanda e Rony estava na casa de Hermione em Londres. Um tanto quanto cansado de fazer absolutamente nada, Harry tinha se jogado na grama, somente com suas calças escorregando pela cintura, e deixara o sol aquecê-lo.

Estava há horas jogado lá e tão concentrado em sonhar acordado, que deu um pulo quando um focinho surgiu gelado em seu rosto.

"Caraca, você quer me matar do coração, Padfoot!" Harry, porém, ria, enquanto se levantava.

"Achamos que você estava morto." A voz do padrinho o fez virar-se.

"Nem. Curtindo o tédio, somente isso." Ele comentou, indo em direção à cozinha junto ao cachorro.

O padrinho riu e se jogou na bancada da ilha da cozinha. Ele usava shorts e camiseta largados, como se tivesse ido correr no parque.

"Não tem mais amigos?" Ele perguntou, servindo-se de cerveja.

"Blaise viajou, Dean e Seamus também, Rony está fora da cidade até amanhã, acho, e Draco não atende o telefone." Comentou, fazendo carinho no cachorro negro e carente.

"Você precisa de novos amigos, Harry. Ou, então, poderia começar a levar Padfoot para caminhar, né?"

"Eu sou incapaz de segurá-lo numa coleira. Cadê aquele filhotinho?" Harry perguntou. O padrinho e seu namorado tinham decidido no começo das férias que precisavam dar um amigo para Padfoot, para tentar acalmá-lo.

"Deve chegar a qualquer momento. Queríamos comprar um filhote bem parecido com Padfoot. Até já decidimos o nome."

"Do filhote? E qual vai ser?"

"Moony." Sirius riu, fazendo carinho no cachorro. "Eles serão melhores amigos e vão gastar toda a energia juntos e nos deixar em paz né, Pady?"

"Quero só ver. É capaz do Moony ser influenciado..." Harry disse, rindo, e se levantou. "Vou tomar um banho. Que tal pizza e aqueles filmes novos que você comprou?"

"São todos de terror."

"Ok, ficamos só com a pizza." Ele comentou com uma careta, fazendo o padrinho rir, e, com isso, foi em direção ao seu quarto.

A Mansão Black era uma casa muito antiga e, na realidade, não muito grande a ponto de ser considerada uma mansão. Por fora, ela tinha um estilo antigo, com pedras e plantas trepadeiras. Porém, a primeira coisa que Sirius fizera ao se mudar fora renovar a parte interna. A sala principal tinha uma belíssima cor azul e seus móveis eram claros e variados. Aquele era um dos poucos lugares que nunca havia ninguém, já que o próprio Remus, o namorado de Sirius e, curiosamente, o professor de Latim de Harry, achava que ela deveria ser mantida limpa e intacta, no caso de alguma visita surpresa. A cozinha ficava passando a sala e de frente para a escada. Ela era grande e toda branca. A ilha no centro dela servia como mesa para café da manhã, almoço e jantar, já que os três homens eram preguiçosos demais para arrumar uma mesa propriamente dita. Havia também uma imensa porta de vidro, deixando o enorme jardim à vista. Harry ficara sabendo que antigamente ele era enfeitado com flores e mesas para o chá da tarde, porém, com o tempo, simplesmente se tornara um gramado inútil e muito verde, o qual nem o cachorro aproveitava direito.

O segundo andar era grande também, e, logo na saída da escada, havia uma sala de TV com sofás de couro preto e um telão recém-instalado. A cama de Padfoot ficava escondida entre a parede e os sofás, já que o animal só dormia ali. A primeira porta à direita era o quarto de Sirius e Remus, porém Harry tivera pouquíssimas chances de vê-lo, visto que a porta estava sempre bem fechada. Havia também mais dois quartos, um de frente para o outro, e um último no fim do corredor, que, por ter pertencido aos pais de Sirius, era mantido trancado.

O quarto de Harry era o da esquerda; tinha pouquíssimos móveis, já que seus dons de decoração eram mínimos. A janela era logo acima da cama, que ficava encostada na parede oposta à porta. O armário ficava ao lado da porta do banheiro, aos pés da cama, e a escrivaninha, entulhada de cadernos, roupas e coisas inúteis, na parede ao lado da cama.

Harry adorava a simplicidade do ambiente, mesmo sabendo que a sua conta e a de Sirius juntas provavelmente eram mais cheias que a do Governo de Londres. Com moleza, ele se jogou na cama. Era isso que fazia todos os dias desde o começo das férias: deitava-se de um lugar para outro. Ou então, se escondia no telhado da casa e fumava um baseado, rezando para que o padrinho nunca sentisse aquele cheiro.

Estava remexendo a gaveta em busca de seu fumo, quando o celular tocou, assustando-o.

"Oi."

"Ei, cara." A voz animada de Rony o surpreendeu.

"Ei! Achei que você estivesse viajando."

"Voltei anteontem. Tentei te ligar, mas ninguém atendia."

"Ah, é?" Harry tinha abandonado o celular na cabeceira da mesa depois da primeira semana de solidão.

"Claro. Você vai fazer algo hoje?"

"Tenho um encontro com a minha cama, mas, claro, eu posso adiar."

"Ótimo, estou louco para sair. Hermione ficou com os pais em Londres e só parece na última semana de férias. Enquanto isso, vamos para um bar descansar?"

"Olha, Rony, não sei se te contaram, mas o bar não é exatamente o melhor lugar para se relaxar. Mas estou dentro, claro."

O ruivo riu e, dizendo o nome do lugar, desligou com a promessa de que o encontraria às oito. Finalmente as férias de Harry estavam ficando animadas.

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Os dois se encontraram no bar naquela noite, assim como em todas as outras noites da semana. Rony realmente se mostrou um companheiro muito mais besteirento na distância da namorada. Eles se refugiavam no Três Vassouras, o melhor bar da região, e, enquanto conversavam sobre qualquer assunto polêmico, bebiam vários copos de chope, sempre voltando bem tontos para casa.

O ruivo parecia não se importar com o hábito de se drogar de Harry, porém não o acompanhava. E, no começo da semana seguinte, o moreno já passava tanto tempo junto ao amigo, que estava sabendo de toda a sua vida.

Rony vinha de uma família grande, que dividia uma casa no centro da cidade. O lugar era simples, com uma sala de jantar grande e quatro quartos, nos quais toda a família Weasley teve que se espremer para crescer. Os três irmãos mais velhos do ruivo dividiram um quarto enquanto moravam na casa. Bill, o mais velho deles, trabalhava agora como banqueiro em Paris junto à sua mulher Fleur. Charlie estava agora na Indonésia e estava prestes a se tornar o maior conhecedor de Dragões de Komodo da face da terra, de acordo com Rony. Percy trabalhava no Governo, em Londres, e Harry ficara sabendo que ele tivera uma imensa briga com a família, e, por isso, eles não mantinham contato há mais de três anos.

Rony dividira o quarto com mais dois irmãos, os gêmeos Fred e Jorge. Eles tinham abandonado a faculdade no penúltimo ano, para desespero da mãe, e tinham se tornado comediantes. Curiosamente, a carreira deles começava a deslanchar rapidamente. Rony era o último homem da casa e, agora que todos os irmãos tinham ido embora, curtia um quarto imenso e somente dele.

O ruivo ainda tinha uma irmã, a mais nova dos sete filhos, e incrivelmente bonita, Harry descobriu quando convidado para visitar a casa dele. Gina estava viajando, aproveitando e atrasando um ano inteiro de faculdade. O fato de trabalhar como modelo a ajudava e muito nessa empreitada, já que os pais de Rony eram completamente contra.

Molly e Arthur Weasley eram tão ruivos quanto os filhos e extremamente carinhosos. Harry não estava familiarizado com muitos pais, mas decidiu que aqueles estavam entre os mais simpáticos e divertidos. Quando os dois garotos não estavam no Três Vassouras, eles se refugiavam no quarto gigantesco de Rony e ficavam fazendo coisas inúteis, como quebrar novos recordes no vídeo game ou fofocar sobre algum professor.

A semana passou rápida, e logo Dean estava de volta, se juntando a eles na completa latência das férias. Apesar da completa e inadequada descrição da sua temporada com a família de Seamus, os dois ficaram contentes ao saber que o irlandês só voltaria no final das férias, então não precisariam ver os dois fugirem dos lugares escondido, para se divertirem.

Estavam na sexta semana de férias, e o fato de que as aulas começariam daqui a duas semanas começava vagarosamente a pesar sobre eles.

"Eu espero realmente que eu consiga aquele horário de Latim com o Lupin." Dean comentou quando Rony entrou no assunto em uma noite em que eles estavam confortavelmente jogados no gramado da casa Weasley.

"Sério que Latim é tão disputado assim?" Harry bocejou, alcançando o copo de limonada que Dean batizara com Vodka.

"É. Ainda mais se você fizer Direito." Rony disse, coçando os olhos.

"Eu mal sei o que eu vou fazer..." Harry não pôde deixar de se lembrar do horário mal feito em sua mesa. "Achei que só teríamos que ver isso quando as aulas começassem."

"Os horários são feitos pelo professor, mas as matérias são escolhidas por você." Dean explicou. "Quantas matérias você pegou, Harry?"

"Seis. Esse era o mínimo. Deveria ter pegado mais?"

"Se você quiser terminar mais cedo. Hermione, apesar de estar só no terceiro ano de faculdade, está quase se formando em Administração; ela pega catorze matérias por semestre." Rony contou com uma careta.

"Eu juro que não sei como vocês fazem para fazer sexo..." Dean comentou, encarando-o curioso.

"Ela não tem aulas à noite." Ele explicou.

"Safado!" Dean riu divertido.

"Então, quantas matérias vocês pegaram?" Harry perguntou.

"Seis." Eles responderam em uníssono.

"Estou na média, então?"

"Basicamente. Seamus pegou 10 matérias esse ano. Blaise acho que sempre pega 10."

"E Draco?"

"Malfoy gosta de disputar com Hermione." Rony comentou preguiçoso. "Ele é sempre um dos primeiros da sala, mesmo freqüentando mil aulas."

"Por isso que ele nunca aparece no quarto."

"Isso e o fato de que ele odeia a todos nós."

"Ele não odeia vocês..."

"Harry, eu sou gay, e Rony... Bom, é um Weasley." Dean comentou.

"O pai dele odeia vocês, mas ele já falou que não se importa."

"E você acredita?"

"Por que não?"

"Olha, Harry, acho que já tá na hora de começarmos a mostrar algumas coisas pra você." Dean levantou brincalhão. "Pode parecer que não, mas Malfoy só está interessado nele mesmo."

"Não é verdade."

"Claro que é." Dean disse, ficando sério. "Olha, ele entrou no primeiro ano, e todos queriam ser amigos dele, ainda mais com todo aquele dinheiro que ele tem, mas o Malfoy nem olhou para o lado e seguiu sua vida. Ele destrata as pessoas e passa em cima de quem for."

"Ele não me trata mal."

"O que só demonstra que ele é super interesseiro." E antes que Harry pudesse defendê-lo, Dean continuou. "A única pessoa com quem ele sempre foi educado era o Blaise. E agora você. Harry, você é bonito, e Deus sabe como você mantém o olho nesse menino. Vai ver ele te quer por perto para continuar alimentando o ego dele."

"Por que ele faria isso?"

"Porque ninguém tentou se aproximar desesperadamente dele desde a metade do primeiro ano."

"Hã?"

"O Malfoy é igualzinho ao pai. Ele quer atenção e os holofotes. Se ninguém estiver olhando para ele ou correndo atrás dele, não compensa o seu esforço. E, como ele desprezou muita gente, o pessoal da faculdade passou a desprezar ele de volta."

"E você acha que ele me quer por perto só por isso?"

"Eu tenho certeza."

"Olha." Harry disse, se levantando. "Odeio ser o portador de más noticias para vocês, mas Draco não está interessado em me ter por perto por causa de uma besteira dessas. E eu não acredito que vocês estão falando mal dele para mim!"

E, bufando, Harry se virou mal-humorado, indo embora.

Não acreditava realmente que Draco pudesse ser capaz de tamanha besteira e, por isso, saiu da casa de Rony e caminhou quieto pela noite.

Tinha ido a pé e voltaria com Dean, mas, naquele momento, não estava realmente se importando, por isso só virou em direção à sua casa e saiu rápido. Ele e os Weasleys moravam a uns 40 minutos de distância, talvez mais, mas Harry não dava a mínima.

Como morara com os tios em Londres, acabou aprendendo a se virar e a andar pela cidade sozinho. Graças a Deus, nunca fora assaltado em nenhum desses momentos, mesmo normalmente estando bêbado e drogado. Desde que se mudara para Hogsmeade e ganhara a moto, porém, passara a viver uma vida mais "segura", de certa maneira.

Mas Harry não era assim, não vivia de maneira segura; nem cogitava ao cair na cama de alguém e odiava estar se tornando esse garoto correto que sempre evitara ser. O moreno bufou e catou no bolso o papel alumínio com a maconha. Realmente gostaria de algo mais forte, que o deixasse entorpecido, porém não tinha nada ao alcance e ainda não estava familiarizado com quem vendia o que fora do campus da universidade. Ainda bem que comprara um estoque grande de erva.

O garoto continuou caminhando, enquanto acendia o baseado e deixava sua mente relaxar. Precisava daquilo para pensar.

Draco não saía de sua cabeça; estava assim desde o fim das aulas. Passava tardes cogitando ligar para o loiro e, então, desistia, sabendo que ele não se importava. Aquilo era estranho para Harry: ter alguém em quem pensar, porém o menino exercia um poder fora de série nele. Aquele jeito silencioso, o sorriso sempre contido, a aparência tão etérea e pálida. Tudo lhe atraía fisicamente, e, para piorar, a personalidade de Draco era perfeita também. Mesmo o menino se achando problemático e doente, Harry o achava completamente perfeito.

Sabia que aquilo era somente uma atração, um desejo de ter aquilo que, sabia, era tão inalcançável, e começava a se questionar se agia corretamente em manter-se longe, fingir amizade quando se tocava à noite pensando nele. Talvez, somente talvez, deveria fazer algo, algum movimento, ou demonstrar interesse, tentar descobrir se Draco, debaixo daquela máscara de frieza, estava interessado nele.

Harry coçou os olhos e decidiu-se. Estava na hora, sempre seria amigo de Draco, porém desejava algo mais, sonhava com o corpo dele e, assim que o visse novamente, tentaria dar em cima dele, deixar claro seu interesse. Não precisava ser nada sério, poderiam simplesmente dividir a cama quando precisassem.

O moreno sorriu contente com a decisão e, então, um carro branco atraiu sua atenção. Estava saindo do centro da cidade e, apesar de ainda ser meia noite, a cidade estava completamente vazia. Talvez fosse por isso que tivesse notado o carro, ou foi simplesmente por ser um maravilhoso Audi numa cidade relativamente simples.

Harry se aproximou, perguntando-se se aquela maravilha era realmente de quem achava que era, e quase deu um pulo de felicidade quando viu o garoto loiro solitário dentro do carro.

"Draco?" Ele chamou, batendo de leve na janela, e viu o garoto encará-lo de maneira vaga e destrancar as portas.

Achava pouco provável que um carro como aquele estivesse seguro nesse bairro ou em qualquer lugar do mundo, por isso rapidamente pulou para dentro.

"Ei, Draco." Ele sorriu, notando que o loiro encarava a direção.

"Como vai, Potter?"

"Excelente! E você? O que está fazendo aqui?"

"Pensando..." Ele respondeu e ergueu a mão direita para coçar a parte do rosto escondida.

"Aconteceu alguma coisa?" Harry perguntou e, inconscientemente, deixou sua mão pousar na coxa dele.

"Não..." Mas ele encarava a mão do moreno, parecendo surpreso. "Potter..."

"Que é?"

"Você transaria comigo, não?" Draco perguntou virando delicadamente o rosto, porém foi o suficiente para Harry ver que o loiro tinha um corte na sobrancelha, que fazia com que filetes de sangue escorressem pelo lado direito da face pálida. Seu coração pulou, e não foi por causa da frase.

"Draco, o que você aprontou no seu rosto?" Ele tentou puxá-lo para enxergar melhor, mas o loiro recuou, escondendo o ferimento completamente.

"Nada aconteceu. Eu tenho que ir para casa." E, como se isso selasse a conversa, ele ligou o carro e partiu sem parecer se importar que o moreno ainda estava dentro.

"Você tem que me dizer o que aconteceu." Harry disse puxando o cinto e agradeceu a si mesmo, vendo a velocidade na qual Draco saiu dirigindo.

"Nada. Nunca acontece nada."

"E essa pergunta nada a ver que você me fez?" Ele viu o velocímetro alcançar rapidamente 100 km/h e continuar subindo.

"É uma pergunta simples. Se você quiser transar comigo, vamos para minha casa."

"E você não gostava de sexo até três dias atrás. Dá para diminuir um pouco?"

"Eu nunca senti nada no sexo. Só dor..."

"Dor? Draco... Tira o pé do acelerador, por favor."

"Por quê?" Ele voltou a encarar o moreno, sem se importar com a rua, e Harry pôde ver o corte profundo ainda aberto logo acima da sobrancelha direita. "Não é você que gosta de usar drogas e tentar se matar lentamente?"

"Usar drogas não tem nada a ver com querer se matar! E eu não vou fazer sexo com você enquanto você não parar de correr como um lunático!" Harry se segurou na porta, começando a ficar com muito medo quando Draco cruzou um sinal vermelho a 200 km/h.

"Tudo que eu queria era sentir!" Draco disse em voz alta, somente acelerando mais. "Sentir algo mais além de dor e vergonha. POR QUE EU NÃO POSSO?"

"Draco..."

"NÃO! Você dorme com todos e usa drogas, você é feliz. POR QUE EU NÃO CONSIGO SENTIR NADA? O QUE TEM DE ERRADO COMIGO?"

"DRACO... O CARRO."

Harry viu de longe outro sinal se fechando, e, dessa vez, vários carros começaram a atravessar a rua. E, então, tudo pareceu entrar em câmera lenta.

O moreno fechou os olhos, protegendo o rosto, e ouviu o barulho de freios, o som chegando muito mais rápido não o preparou para a tão repentina virada e tentativa de freada do loiro. Ouviu gritos, mas não soube dizer de quem eram, e, então, o impulso os ergueu e os rodou. Algo acertou o seu braço, mas não conseguia se concentrar em uma única dor. Sentiu-se rodar uma vez, e então duas, e só ousou abrir os olhos ao sentir o carro parar.

Estavam de cabeça para baixo, e Harry não tinha idéia de quantos metros tinham voado, mas sentia todo o seu corpo reclamar. Forçando o braço que doía menos, apertou o cinto e se arrependeu no momento que acertou a cabeça no chão.

O mundo rodava e era uma mistura de fumaça, sangue e poeira. Ouviu pessoas gritando em volta deles, mas só pôde pensar em procurar Draco. Arrastou-se pelo chão, sentindo novos cortes se abrirem pelos pedaços de vidros. O loiro sangrava muito e estava desacordado, sendo segurado pelo cinto.

"Draco..." Ele chamou e passou a mão no rosto do menino. Nunca descobrira como verificar batimentos cardíacos e estava com medo de algo ter acontecido. Ouviu mais vozes em volta e relaxou o corpo, sentindo a inconsciência tomar conta de si antes que conseguisse lutar contra ela.


N.A. DIGA NÃO AO ASSASINATO DE AUTORAS ENROLADAS! Esse é meu novo lema!

Sorry pelo atraso, e sorry ainda mais por esse fim so awkward, mas acalmem-se jovens grilos, eu ainda gosto de vocês e vocês ainda receberam atualizações (sim, pretendo agilizar o processo agora que as provas terminaram).

Bom, eu só queria agradecer a todos os reviews, nada de particular agradecimentos, sorry, to com preguiça, e pedir muito mais reviews! E torçam e agradeçam minha Beta linda que sofre tanto nas minhas mãos. =x

Beijinhos ;**

N/B: GENTE! E esse capítulo? Meu Deus! Eu sei que vocês querem muito matar a Nathy, mas entrem na fila. Já tive um surto especial no msn com ela. Foi crueldade demais, vocês não acham? Tipo, olha onde ela colocou A FALA UAU do Draco e olha onde ela parou o capítulo. Bah, assim não dá. Fiz uma correção voando para ela postar logo, e mais pessoas se unirem ao meu completo desespero e ao meu Avada. Comentem MUITO, que talvez ela nos recompense. Ela me garantiu que agora tá escrevendo mais rápido, então...

Posso sonhar, não?

Beijão