Obrigada a todos aqueles que me estão a apoiar com os vossos comentários! Quero acrescentar que a Nikax deixou um monte de novas histórias na sua página (podem ver nos meus autores favoritos) e acreditem vale a pena, são todas imprevisiveis e bem escritas. Viva DHr fãs!
Beijos e vemo-nos em breve ;)
19 Novembro de 1996
A sala de estudo onde ela se encontrava escondida era fria, e se Hermione ficasse muito mais tempo poderia apanhar uma pneumonia e juntar-se ao Draco Malfoy na ala hospitalar. Mas ela queria paz e sossego, queria que a deixassem em paz com os seus pássaros, enquanto chorava.
Quando tinha entrado na sala comum para a festa que os Gryffindors estavam a organizar, a primeira coisa que ela viu foi o Ron a beijar a Lavender. Ciúmes, foi a primeira coisa que sentiu, a ideia de alguma vez estar com outra rapariga era compreensível para a Hermione, afinal não tinham feitas promessas de amor eterno, o que levou a Hermione aquela sala de aulas deserta para chorar era a mágoa, por saber que o seu amigo ruivo estava a usar a Lavender, como a Ginny lhe tinha lembrado uns dias antes, ele nunca tinha beijado ninguém.
Hermione preferiu ir para o Quartel depois de atacar o Ron com os seus pássaros. Sentou-se no sofá, agarrou as pernas com as mãos e deixou a sua mente a vaguear.
Uns momentos depois ouviu alguém a entrar no Quartel e a envolve-la dentro de um cobertor e sentarem-se ao lado dela. Uma mão estendeu-lhe um lenço de pano, Hermione limpou a cara, ela ainda estava a chorar. Olhou para o Theo, mas ficou surpreendida por não encontrar o Theo.
- Estás bem? – Perguntou colocando uma mão na testa do Draco Malfoy para ver se este tinha febre, ficou aliviada por ver que este não estava a ferver. – Não devias estar na ala?
- Deixaram-me sair há uns minutos, e não queria ir para a sala de Slytherins deprimidos por terem perdido perante os Gryffindors.
Draco Malfoy evitava olhar para Hermione, evitando qualquer tipo de contacto visual, mas Hermione queria ver os olhos cinzentos do seu ex-inimigo.
- O que te aconteceu, Granger? – Perguntou o Malfoy.
- É o Ron. – Respondeu sem grandes vontades.
Sentiu o corpo do Malfoy a ficar tenso, e Hermione percebeu que este estava extremamente perto dela. O rapaz deu-lhe sinal para ela continuar. Depois de suspirar dramaticamente, Hermione contou-lhe o que tinha acontecido naquele dia:
- Pensei que o Harry tinha posto Sorte Liquida no sumo de abóbora do Ron, tentei impedir, afinal seria batota. Mas o Ron ignorou-me, depois quando ganhou e o Harry confessou só ter fingindo por para ajudar a confiança do amigo, Ron ficou ofendido a dizer que eu não tinha confiança nele e que ele era um excelente jogador. Mas o que aquele arrogante não sabe, é que sei perfeitamente que ele é um bom jogador, e se não fosse eu ele nunca teria aquele lugar para começar. O mais frustrante é que durante anos sempre o apoiei e o ajudei, e como é que sou recompensada? Tenho de ver aquele Troll a curtir com a Lavender Brown.
- Primeiro: eww, que nojo, devem parecer larvas a acasalar, um monte de viscosidade.
Hermione riu-se com a comparação que o Draco Malfoy estava a usar, estava muito próximo daquilo que ela tinha pensado quando os viu num dos sofás da sala comum.
- Segundo: o Weasel e o Potty nunca souberam apreciar o que tinham, por favo além de inteligente fazes os melhores muffins que já comi. Terceiro: consegues melhor que o Weasel.
- Nunca disse que queria o Ron. Se calhar quero o Harry. – Defendeu-se a Hermione.
Finalmente, Draco olhou Hermione nos olhos, castanhos a observaram os olhos cinzentos que brilhavam intensamente, algo que Hermione nunca tinha possibilidade de reparar visto que o seu sorriso trocista geralmente deforma a sua cara, que é bastante atraente.
Hermione desviou o olhar dele, aqueles olhos eram demasiados bonitos para o seu próprio bem.
- Consegues melhor – repetiu o Draco com mais firmeza.
Hermione decidiu não acrescentar mais nada com medo de dizer alguma coisa que pudesse trair a confusão que ela estava a sentir. Despediu-se do Draco como se fosse o Harry e o Ron, com um beijo de boa noite na bochecha. Levo as mãos aos lábios, o beijo tinha sido mais instinto do que razão.
- Desculpa. – Pediu em voz baixa.
Draco Malfoy ficou uns momentos a olhar para ela, escrutinando-a com o seu olhar, o sorriso trocista voltou a cobrir a sua cara dando um ar repulsivo as suas funções.
- Não consegues resistir-me, é perfeitamente normal.
- Exacto, é melhor ir embora antes que o meu cérebro seja privado de oxigénio devido ao espaço que o teu ego ocupa.
Saiu da sala com um sorriso nos lábios, por momentos tinha medo que ele a insultasse por estar a aproximar-se demasiado dele, mas a reacção tinha sido inesperada e bem-vinda.
30 Novembro de 1996
Desde o dia do jogo de Quidditch que Hermione se recusava a falar do Ron, Harry tentava passar cada vez mais tempo com ela, sendo cada vez mais difícil encontrar-se com os Slytherins.
Ainda não tinham feitos grandes progressos em arranjar o armário, aumentando a frustração dos três. Agora estavam a planear o próximo atentado, Hermione não estava a gostar muito da ideia, mas tanto Malfoy como Theo achavam isso uma excelente ideia.
- Mas Hermione, assim nós temos a certeza que ninguém para além do Dumbledore recebe a garrafa. Até tem o nome dele escrito na garrafa. – Argumentou o Draco Malfoy.
Hermione parou de escrever, pena que ela estava a usar deitava gotas sobre o pergaminho dela, ela observava o Malfoy com um sorriso, e este olhava com esperança para ela, nem se tinha apercebido que era a primeira vez que usava o nome dela.
- Não te esqueças de avisar o Dumbledore, Draco. – Respondeu Hermione, dando ênfase no nome do feiticeiro.
Este desviou o seu olhar para outra coisa qualquer que não fosse a feiticeira a frente dele, enquanto Theo se ria internamente da atitude dos dois.
Theo tinha pedido a Dumbledore a ajuda de Hermione Granger por ela ser mais do que capaz de os ajudar, mas essencialmente por saber que Draco só conseguiria confiar nela, afinal desde que tinham entrado na escola, ela tinha sempre provado a sua coragem e lealdade. Para Theo era importante o Draco perceber que existem pessoas que podem ser leais e amigos sem nunca pedir nada em troca.
De inicio, Theodore Nott só queria apaziguar um pouco a guerra existente entre a Princesa dos Gryffindors e o Príncipe dos Slytherins, mas a cada dia que se passava, conheciam melhor a rapariga que os ajudava, e ela era excepcional.
02 Dezembro de 1996
Draco e Theodore encontravam-se no Quartel quando Hermione apareceu, como um tornado destrui tudo na sua passagem até a cozinha, de lá podiam ouvir imensas coisas a serem destruídas, durante cinco minutos puderam ouvir a horrível sinfonia de vidros e loiça a partir.
Depois veio o silêncio, e este silêncio de um certo modo era ainda pior para eles, já não sabiam o que esperar, nem queriam tentar descobrir, com medo de serem tratados como um miserável prato.
Momentos depois ouviram armários a fechar, e viram a Hermione a emergir da cozinha, estava vermelha, mas felizmente para eles não estava chorar. Sem murmurar uma única palavra, a jovem feiticeira arranjou tudo o que tinha destruído com um simples movimento de varinha.
- Impressionante, dominas na perfeição os feitiços não-verbais.
O Theo estava realmente impressionado.
- Agora vais dizer a razão dessas destruições? – Perguntou o Draco que estava a morrer de curiosidade, ele sempre esperou ver uma reacção dessas na jovem quando a chateava nos corredores, mas poder ver e não ser o causador era um desapontamento.
- É o Harry, está sempre a chatear-me por causa do Ron, depois é a Festa de Natal do Slughorn, não sei quem levar comigo.
- Podias levar-me a mim – ofereceu-se o Theo.
Hermione aproximou-se dele bateu-lhe ligeiramente na cabeça e esboçou um sorriso enorme.
- Adoraria mas acho que seria suspeito levar-te.
Sentou-se na cadeira vazia ao lado do Draco, apesar de não o querer admitir, via-se cada vez mais a girar em direcção ao loiro, como se ele fosse o núcleo e ela era o seu electrão.
Draco Malfoy tinha mais a oferecer do que aquilo que as pessoas podiam pensar, ele era extremamente inteligente, Hermione tinha a certeza que ele conseguiria arranjar o Armário sem ela, mas de certeza que não conseguiria manter-se a nível escolar se ela não insistisse no trabalho dos três. Ele era atraente sem aquele sorriso trocista, e conseguia passar horas sem pronunciar uma palavra, só a ler sem nunca ser estranho, diferente do Harry e o Ron que estavam sempre a precisar de falar quando deviam estudar.
- Nem sei porque vais. Uma perda de tempo. – Disse o Draco por detrás do seu livro, depois de a Hermione contar o seu motivo de frustração, Draco tinha voltado para o livro sobre desaparições.
- Gosto daquelas reuniões, um pouco enfadonhas, mas geralmente aprendo sempre coisas novas.
Hermione pegou num dos livros na sua pilha e começou a ler, acabando a conversa por aí.
Theo tinha ido a cozinha buscar sandes e refrescos, quando o Draco caiu da cadeira, Hermione revirou os olhos, e estava a preparar-se para lhe dizer que o tinha avisado que um dia iria cair da cadeira se continuasse a abanar-se apenas sobre as duas pernas da retaguarda. Mas o que ela viu impediu qualquer som sem ser um grito enorme de se escapar.
Draco Malfoy encontrava-se no chão a segurar no braço esquerdo, a ter convulsões os olhos completamente revirados. Hermione associou as convulsões a um ataque epiléptico, o seu primo Peter tinha imensas vezes ataques quando eles eram mais novos.
Theo veio a correr da cozinha, enquanto a Hermione ficava paralisada a olhar para o Draco. Quando este finalmente se acalmou, ela sentou-se ao lado dele segurando-lhe na mão como uma âncora para ela não se afundar na dor e medo que esta cena lhe tinha provocado.
Ao fim de algum tempo, Draco abriu os olhos e fixou-os nos dela, Hermione estava tão perdida nos olhos cinzentos dele, que não viu o Theo a arrancar a manga da camisa do Draco. Com o som do tecido a ser rasgado, o seu olhar desviou-se e viu a marca do Voldemort no braço do loiro. Os seus olhos arregalaram-se, e largou a mão do Draco para tapar a boca reprimindo um grito.
'O Harry tinha razão.'Hermione estava destroçada, ela tinha sempre defendido o Draco Malfoy, especialmente desde que começaram a trabalhar juntos, e o Harry tinha razão.
Draco continuava a olhar atentamente para Hermione, absorvendo todas as reacções desta.
- O que é que aconteceu? – Perguntou depois de conseguir recuperar a sua capacidade de fala.
- O Senhor das Trevas ataca-o usando Ligimência nele, mas o Draco estudo Occlumância e consegue bloqueá-lo, mas este não gosta da ideia de não poder ler na mente dos seus servos, então castiga-os até se aborrecer.
Hermione sabia que o Voldemort era horrível, mas daí a criar convulsões daquelas só por puro aborrecimento era simplesmente abominável, e para a morena os seus amigos não podiam sofrer sem passarem por cima do corpo dela.
Pegou nas suas coisas e refugiou-se na biblioteca.
Gostaram?
