-Será que eles gostaram da sobremesa? – disse Sherlock um tanto preocupado no que Molly riu e deu um beijo nele.

-Estava ótimo, amor... melhorou muito na cozinha – disse ela sorrindo.

As crianças logo estavam brincando na sala.

-Se eu ficar maior que você vamos nos casar – falou Hamish ficando na ponta dos pés,já que Ray era mais alta que ele.

-Até parece, haha haha – disse ela mas sentou no sofá meio tristinha e logo foi abraçada por seu amigo que sentou ao seu lado.

-Por que está triste? São seus tios de novo?- Hamish perguntou.

-Também – confessou a menina – é que mamãe vai ter outro bebê e não vai dar atenção pra mim – disse ela com um biquinho fofo – a Claire, minha irmã mais velha já parece gostar mais do bebê mais novo e ele nem nasceu.

-Não se preocupe Ray, não vou deixar seus pais esquecerem de você, eu prometo – Hamish disse solenemente.

A menina sorriu e abraçou o mais novo dos Holmes. Beijou-lhe a face.

-Obrigada Hamish – ela sorriu – também tem meus outros tios que não deixam a mamãe falar pros meus outros tios quem ela é.

-Sua família é muito confusa Ray – o menino comentou pensativo.

-Hamish – sua mãe o chamou – me ajude a tirar a mesa e depois vá se preparar pra dormir, está quase na hora.

-Sim mamãe – sorriu o menino e se desvencilhou devagar da amiga – eu já volto Ray – disse o garoto rindo em direção à cozinha e Ray saiu à procura de Joan, que desenhava uns círculos, no seu diário.

-O que é isso? – perguntou a menina distraindo Joan por uns segundos.

-Não sei – confessou a mais velha – eles só vem... quer ver uns desses desenhos legais que eu fiz? – quis saber Joan e após a pequena concordar, ela colocou na página da figura de uma caixa escrita "Police Public Call Box" e uma luz aparecendo na porta.

Na outra página tinha uma sala um tanto estranha com algumas prateleiras e outras coisas que nem a própria Joan podia explicar, parecia... mágico.

-É muito bonito – Ray disse sorrindo admirando os escritos.

A mulher passou a mão por alguns círculos do lado da figura.

-Às vezes acho que eles querem me dizer alguma coisa, mas eu não sei... – ela deixa uma lágrima escapar e borrar a tinta no caderno junto com outros borrões.

Ray a abraça, pois nunca vira a tia chorar assim.

-Eu odeio não saber – dizia a mais velha em soluços virando as páginas e passando a mão nas figuras como se tentasse lembrar de alguma coisa, ,as só conseguia chorar mais e mais, fazendo grossos trilhos salgados mancharem seu rosto como as gotas manchavam a tinta no lívido papel.

-Joan! – Mary se assusta ao ver seu estado – o que aconteceu?

-Eu não sei Mary – a mais velha fungou – não consigo entender nenhum dos meus sonhos nem porque fico fazendo esses rabiscos eu... tenho dúvidas de quem eu realmente seja.

-Ora você é Joan Smith, minha prima – Mary enxugou suas lágrimas – doutora em ufologia e noiva de Mel Williams.

-Mas... não importa, você se importar com isso minha pequena... tem razão eu deveria te proteger, não te dar trabalho - ela não sabia o porque, mas ela tinha uma vontade enorme de proteger Mary, ela deixou ser abraçada pelas duas – vocês são tudo que a guerra não me levou, até minha sanidade foi embora... obrigada.

-De nada – Mary sorriu – agora se alegre, em breve Mel vai vim vê-la, que tal se começarmos a planejar logo o casamento ?

-Excelente ideia – Madame Smith forçou um sorriso – acho que vou dormir.

-Isso, descanse – a sra. Watson disse – boa noite.

-Boa noite – Joan respondeu e se retirou.

Logo Mary pôs Ray para dormir e Joan não conseguiu pegar no sono tão fácil. Mal sabia ela que as respostas que queria estavam mais perto que imaginava.