Notas do Autor

Musashi e sua mãe...

Quanto a Kojirou...

Capítulo 7 - Musashi e Kojirou

Musashi e a sua mãe adotiva ouvem um som ensurdecedor que vinha de uma das montanhas adjacentes. Instintivamente, elas viram na direção do som e ao olharem para trás ficam estarrecidas ao verem uma avalanche de neve com projeteis mortais, muitos destes visíveis, descendo violentamente em direção á elas consumindo tudo em seu caminho.

Se refazendo, a mãe puxa a sua filha para um rochedo escapado, encolhendo-se contra a parede da caverna rasa, abraçando-a para que ela não visse a avalanche que passava em volta e acima delas que se encolhiam o máximo possível no fundo da pequena caverna rasa.

A mãe de Musashi fica chocada ao ver que conforme a neve passava, havia trechos manchados na cor rubra, provavelmente sendo sangue, com ela vendo de relance corpos estraçalhados de pessoas junto a trechos de neve rubra. Ela procurava manter o rosto de sua filha de frente para o seu tórax para que ela não pudesse ver os fragmentos de corpos. Ela precisava poupá-la dessa visão extremamente perturbadora.

Então, enquanto a avalanche não parecia ter fim como se durasse a eternidade, a luz acaba sendo encoberta por completo pela neve que se acumula sobre elas e no entorno formando uma espécie de tumba de neve. Havia somente a escuridão e o mais profundo e aterrador silêncio.

A mulher agradece por não haver corpos em volta delas, apenas neve, sendo que elas estavam protegidas pela rocha que formava uma espécie de caverna rasa, embora estivessem rodeadas por paredes robustas de neve e detritos.

Musashi se afasta levemente da mãe e fala sendo visível o medo em seu rosto:

- Kaa-chan, eu estou com medo.

A mãe procura sorrir de forma confortadora, pois precisava ser forte pela sua filha. Elas só tinham uma a outra. Era essencial acalmar a criança em seus braços maternos.

Ela afaga maternalmente a cabeça da filha e fala:

- Não precisa ter medo, meu bebê. A kaa-chan está aqui. Tudo ficará bem, eu prometo.

- Promete, kaa-chan? – Musashi pergunta com lágrimas nos olhos.

- Sim, meu bebê. Por acaso a kaa-chan nunca cumpriu com o que prometeu a você?

- Kaa-chan sempre cumpre com as suas promessas.

- Ficaremos bem. Eles vão nos salvar. Você verá meu bebê. Agora, vamos ficar juntas para nos aquecer.

Musashi abraça a mãe e ambas ficam abraçadas com a genitora apoiando o queixo na cabeça da filha, orando mentalmente para que as equipes de resgate as encontrassem o quanto antes, pois não sabia quanto oxigênio elas ainda tinham naquela tumba congelante.

Após algumas horas, as equipes de resgate avançavam pela região, com pokémons que usavam no resgaste, fosse para encontrar pessoas vivas, ajudar a escavar na neve ou para remover os corpos, assim como detritos.

Eram todos pokémons treinados para situações de calamidades tal como a que enfrentavam e que eram divididos em forças-tarefas de acordo com a necessidade em virtude de suas habilidades ou poderes com os seus respectivos treinadores orientando eles no resgaste ou na retirada de entulhos.

Claro, havia maquinário presente, mas em alguns lugares era usado a força pokémon pela dificuldade das máquinas adentrarem para ajudar a remover detritos a fim de tentarem encontrar pessoas vivas ou porque seria perigoso usar o maquinário.

Afinal, o peso das máquinas poderia provocar novos colapsos, esmagando pessoas que estivessem vivas embaixo da neve por ficarem presas em espécies de tumbas de neve.

Por isso, nesses casos era preferível usar pokémons.

Os pokémons do tipo Ghost (fantasma) podiam atravessar objetos sólidos e eram usados para atravessar a neve em busca de sobreviventes. Pokémons com audição aguçada eram usados para encontrar sinais de vida. Pokémons do tipo Flying (voador) sobrevoavam a região em busca de pessoas presas na neve e os que possuíam um tamanho considerável, principalmente Pidgeot´s eram usados para transportar feridos até os hospitais, já que havia lugares que era impossível o pouso de helicópteros.

Pokémons do tipo Fighting (lutador) e outros que possuíam grande força física eram usados na remoção de entulhos e para abrir caminhos, sendo o mesmo para os pokémons do tipo Psychic (pisquíco) que usavam seus poderes psíquicos, assim como telecinéticos para remover objetos e os que tinham o movimento Teleport, ajudavam a transportar equipes de resgate e vítimas ao transpassarem com o seu teletransporte grandes trechos. Os mais poderosos podiam transportar, inclusive, veículos médicos ou maquinários ao tocar neles e depois usar o movimento Teleport.

Os pokémons do tipo Ground (terra), Steel (metal) e Rock (pedra) eram usados para cavar tuneis visando abrir caminho dentre a terra ou neve em busca de sobreviventes. O movimento Dig era muito apreciado, sendo que eles eram treinados para fazerem buracos bem maiores que o convencional para a passagem de feridos, de macas e de equipes de resgate com o auxílio de outros pokémons ou cordas.

Os pokémons do tipo Normal também eram usados. Os pokémons do tipo Electric (elétrico) eram utilizados como baterias moveis fornecendo eletricidade para maquinários ou objetos. Os demais tipos eram usados também, fosse pela equipe de resgate ou pelas equipes médicas humanas ou pokémons. Mesmo os médicos que tratavam de humanos usavam os movimentos de alguns tipos de pokémons para ajudar no tratamento evitando assim que precisassem usar medicamentos, já que todo o medicamento possuía os seus efeitos colaterais. Se pudessem protelar usando pokémons, assim faziam.

Inclusive, dependendo do tipo de resgate e local, eram usados tipos mais específicos e por isso havia diferentes tipos de equipes de resgate, próprias para cada tipo de calamidade e que por sua vez possuíam em suas equipes, pokémons próprios para aquela determinada emergência, além de haver os tipos de pokémons que eram utilizados usualmente nos diversos tipos de resgate.

Afinal, todo o minuto contava e esta era a diferença entre a vida e a morte para os que conseguiram sobreviver a avalanche e agora podiam morrer por asfixia ou por esmagamento.

Ademais, havia um mutirão formado tanto por equipes de resgate, quanto por moradores das cidades vizinhas com muitos usando a sua própria força para ajudar as equipes de resgate, assim como emprestavam os seus pokémons. Treinadores pokémons que estavam naquela região e que souberam da calamidade que se abateu naquela cidade foram até o local para ajudar com os seus pokémons, recebendo orientação das equipes de resgate de como proceder.

Musashi e a sua mãe adotiva, após quase três horas de espera, observam que um Gastly atravessou uma das paredes de neve em volta delas.

Ao verem o pokémon ficaram com medo, enquanto que ele, após ver ambas, saiu e após alguns minutos, a parede de neve do lado direito foi fragmentada por um Machamp, seguindo ordens de seu mestre, para depois ele dar passagem a uma equipe de resgaste que retira a criança e a sua mãe com a mesma vendo vários pokémons trabalhando com as equipes.

Então, elas viram outros pokémons do tipo Ghost atravessando objetos e montanhas de neve com elas compreendendo que era um dos vários tipos de pokémons usados por equipes de resgaste.

Mãe e filha são envolvidas por cobertores e levadas até uma ambulância que estava ali perto para serem atendidas por um dos paramédicos enviados ao local e que tinha um pokémon ao seu lado que usava em seus pacientes.

Conforme atravessavam o trecho que levava ambas a uma das equipes médicas, elas viam pessoas e pokémons sendo resgatados, assim como macas sendo levadas por pokémons, além de verem sacos pretos enfileirados em um canto com novos sacos sendo adicionados trazidos por pokémons sobre orientação de seus treinadores.

A mãe abraça mais fortemente a sua filha, percebendo a sorte que tiveram por estarem vivas e bem.

Alguns dias depois, sendo que haviam sido enviadas a hotéis cujas diárias foram pagas pela empresa responsável pela fábrica, elas recebem uma indenização da mesma empresa.

A mãe dela pega esse dinheiro para tentar uma nova vida sem elas saberem que originalmente, nada aconteceria com aquela vila.

Portanto, na linha do tempo original, elas viveriam por vários anos nessa vila e após a mãe dela falecer, Musashi se juntaria a Equipe Rocket visando conseguir uma vida melhor.

Agora, com esse acidente, o destino delas foi alterado.

Longe dali, em uma mansão imponente, um menino de cabelos azuis curtos, chamado Kojirou (James) corria junto de seu amigo, um Growlithe, sendo que ele estava fugindo de outra menina que era cruel e igualmente perversa chamada Rumika e que estava junto de sua Oddish em seus braços.

Os pais de James faleceram em um acidente e desde então, ele vivia uma vida infernal com os seus avôs por eles apoiarem a Rumika que queria se casar com ele. Ela era cruel, assim como a avó dele que mantinha uma sala de BDSM, deixando claro que montou para a Rumika se divertir com ele.

James, na época era muito pequeno e por isso não conseguia se lembrar dos seus pais, mas sentia que fora feliz com eles e sabia que foram eles que deram de presente o seu amigo Growlithe que o defendia.

Quando ela consegue se aproximar dele, Rumiko manda a sua oddish ataca-lo para paralisá-lo:

- Oddish, use Stun spore!

Então, Kojirou ordena ao seu amigo:

- Growlithe, use Ember!

Ele libera um ataque de chamas que dissolve o pólen do Stun Spore, além de atingir as folhas da Oddish, fazendo-a ficar inconsciente, enquanto caía no chão.

- Que maldade, Kojirou! – Rumika exclama irada.

- Você é louca! Não quero brincar com você! – ele exclama virando para trás sem abrandar a sua velocidade.

Irada, Rumiko deixa a Oddish caída, somente parando momentaneamente para olha-la, para depois voltar a correr atrás dele.

Naquele instante, Kojirou corre em direção ao portão, pois sabia de um local que podia se esconder com o seu amigo.

Ele comemora o fato de que conseguiu chegar ao seu esconderijo que ficava atrás de um arbusto frondoso. Ele chegou até lá se esgueirando pelo chão, enquanto usava as flores do jardim para ocultá-lo.

O menino suspira aliviado ao ver que a menina perversa julgou erroneamente que ele saiu, uma vez que o amigo dele teve a ideia de deixar o portão semiaberto ao se esgueirar até o mesmo, para depois forçar a abertura com o seu corpo, voltando em seguida para junto do seu mestre e amigo, simulando assim que ambos saíram.

Claro, Koujirou não podia ter uma licença pokémon e as crianças menores de dez anos só podiam ter um pokémon se alguém devidamente licenciado "guardasse" o mesmo até essa criança crescer. No caso, era um tio dele que nunca conheceu e que detinha a propriedade da pokeball de Growlithe, que foi passada a ele pelo pai de Kojirou, sendo que o menino poderia manipular a pokéball do pokémon.

Ele e seu amigo Growlithe observam que os avôs de Kojirou se aproximavam do portão, provavelmente para conversar com a Rumiko.

Três dos sobreviventes do navio que na linha do tempo original teriam morrido estavam passando ali perto, sendo que um deles era pedófilo, enquanto que os outros dois que o acompanhavam preferiam mulheres mais velhas. Um deles dirigia, fumando um cigarro fedido, enquanto que os outros bandidos procuravam vítimas.

Um dos criminosos e que era pedófilo avista Rumiko e se aproxima sorrateiramente com a van que eles haviam roubado mais cedo naquele dia. Ao se aproximar o suficiente da menina, pega ela abruptamente, puxando-a para dentro.

A avó de Kojirou que estava junto dela acaba sendo pega ao tentar libertar a menina das mãos do bandido, não percebendo que havia um segundo criminoso que consegue rendê-la, puxando-a para dentro.

Então, ambas são jogadas dentro da van que fecha a porta para depois se afastar velozmente dali com eles amarrando as duas, visando praticar atos hediondos com ambas.

Kojirou observa uma movimentação do lado de fora e não compreende o que acontecia. Só conseguia ver o seu avô desesperado chamando o mordomo e após alguns minutos, ele avista viaturas da polícia correndo velozmente, enquanto que o seu avô arrancava os cabelos mostrando desespero extremo em seu semblante e inclusive chorava, enquanto olhava para a esquerda.

Mesmo que estivesse curioso, o menino não sentiu confiança de sair de seu esconderijo para descobrir o que acontecia. Ele preferiu se encolher ainda mais, abraçando o seu único amigo naquele local, Growlithe, enquanto observava a movimentação frenética de vários funcionários.

Após alguns minutos, longe dali, carros de polícia conseguem se aproximar da van onde se encontravam os criminosos e as vitimas, sendo que os sequestradores afundam o pé no acelerador o máximo possível, gerando uma perseguição intensa pelas ruas da cidade até que eles tomam uma estrada que sai do perímetro urbano.

A estrada que eles tomaram consistia de um trecho que tinha no seu lado direito um precipício profundo, sendo que a estrada de rodagem somente permitia duas mãos e não havia uma segunda faixa suplementar ou um acostamento.