Entrei na sala observando a expressão de Tanya, ela estava tomando todo cuidado do mundo para parecer ocupada, mas eu preciso dar um jeito de fazê-la parar de me procurar, como estou sempre com o meu celular, irei solicitar que me ligue, mesmo estando dentro da mesma casa. Uma ligação é fácil de ignorar. Se ela começar a encher a porra do meu saco, seu destino será ficar no escritório, como um assistente fantasma e não presencial no meu trabalho. Parece que Bella tem razão ao dizer que Tanya parece determinada em não nos deixar sozinho, mas talvez possa ser só coincidência. Não posso sempre dar razão ao meu pau duro. Ainda não consigo pensar sobre o que poderia acontecer no escritório se ela não nos interrompesse.

Eu comeria a mãe do meu filho contra porta e isso não é exatamente o comportamento que ela merece, sendo uma egoísta ou não. Ela deu a luz ao meu menino e o ama muito. É tão bom vê-los juntos e caramba, sinto ainda mais raiva de tudo que perdi, mas acho que não poderia ter uma mãe melhor para ele do que ela. O garoto a chama mais de cem vezes podia, a cada vez com cinco "mãe" disparados na frase, ela não vacila mesmo que ele não ande e sim pule, corra, que esteja sempre falando sem parar e é incrível poder conhecer meu filho. Temos muito gostos parecidos, a preferência óbvia por doces – ainda bem que ela controla isso, minha mãe dizia que eu me tornava um pequeno diabo com açúcar correndo nas veias. Também admiro o pulso firme e a honestidade que sempre aborda em suas conversas.

Eu ainda estava saboreando o gosto dela, principalmente depois que o babaca do seu ex-namorado bateu a porta da frente da casa como uma criança mimada, quando vi que Emmett me deu um sorriso cheio de merda. Estou bagunçado, não mais tão ereto, mas só um idiota não perceberia o volume nas minhas calças. Ainda estou muito excitado. Ela tinha um gosto maravilhoso, um corpo gostoso e não consigo controlar meu tesão. Meu pau está dolorido e realmente precisando de um alívio. Eu a quero e muito.

Bella me segurou pelo braço antes que eu pudesse avançar ainda mais para dentro da sala.

- Você não está ameaçando uma criança um pouco mais nova que nosso filho, não né?

- Claro que não. – revirei os olhos. – Isso só foi uma desculpa para o babaca vir até aqui e ter a sua atenção.

- Jacob não costuma usar Seth, mas pode ser. – disse e virou para os demais. – O que temos?

- Nossa querida nova integrante da família veio da África do Sul. – Mike disse apontando para Tanya e Bella fez uma expressão engraçada "o que eu tenho a ver com isso?" e eu me segurei para não rir. Ela faz caras e bocas para tudo. – E isso me fez pensar que os isotópicos encontrados na folha do papel são da África.

- Mike. – Bella suspirou.

- Estou no meu momento, tenha paciência. – ele retrucou muito feliz de si mesmo. – Pesquisando um pouquinho mais, descobri que a folha veio de uma região pouco povoada da África do Sul e que tem seu dialeto próprio. Não há tradução no Google e devido a Guerra da Água, também não há muito sobreviventes, ninguém registrado ou que assuma ser da área, exceto um cara, um professor que desapareceu do mapa por dois anos, mas, foi visto entrando no país no mesmo dia que Laurent. – completou e apontou para tela onde tinha a foto do homem negro, usando roupas normais, no meio do aeroporto.

- Tem certeza que é ele? – perguntei incisivamente. Não estou com tempo para erros.

- Com base no programa do FBI de reconhecimento facial, sim é ele.

- Podemos pegá-lo? – perguntei olhando para o meu relógio. Ainda era cedo.

- Ele, ao contrário de Laurent, está circulando livremente pela cidade. As câmeras de trânsito captaram seu rosto em um café, meia hora atrás. – Ângela respondeu. – Pode ser uma isca.

- Ou excesso de confiança de que nós não chegamos a essa informação. – Bella disse e ficou pensativa. – Podemos traduzir sem capturá-lo?

- Não tem a opção no Google translate, mas eu posso procurar alguma forma. – Mike suspirou.

- Cadê a linha segura? – Bella perguntou e Tanya esticou um aparelho para ela. Ela apertou uma única tecla e esperou. – Temos algum tradutor especializado em toda África? – perguntou calmamente e suspirou. – Não é nada. Projeto da escola de Jamie. Aham, claro. Tchau. – grunhiu e encerrou a chamada. – Temos como pegá-lo? – perguntou a Paul.

- Posso organizar junto com o Asterisks e Obelisks ali. – apontou para Félix e Eleazar. Paul era o único que parecia mal humorado com outro chefe da segurança junto com a sua força-tarefa. Legalmente, ele é quem manda, afinal, eles não são exatamente ilegais, apesar de não oficiais. – Acho que é uma isca, mas podemos dar uma isca de volta, se ele morder, o que tem muitas chances de acontecer...

- Reúnam-se, sem competição de quem mija mais, porque quem manda aqui sou eu. – Bella sorriu e eu suspirei, porque puta merda fiquei excitado. Ela entendeu meu suspiro errado. – Você está dez por cento atrás de mim. – piscou e eu engoli a resposta atravessada sobre o que eu faria atrás dela. – Quem te deu chocolate? – Bella gritou e virei, vendo Jamie passar com a boca suja.

- Tia Rosalie. – disse inocente.

- Fiz algo errado? – Rose perguntou.

- Só teremos a amostra de gremilin correndo pela casa. – Mike riu e meu filho saiu disparado e a mãe dele foi atrás. – Jamie é a típica criança que realmente não pode comer doce.

Paul saiu da sala com Embry, Félix e Eleazar, subiram a escada, provavelmente para o escritório. Ângela suspirou, mexendo os ombros e sentou em uma mesa, digitando algo em um computador. Rosalie sentou ao lado dela e parece que elas estavam fazendo uma pesquisa. Benjamin abriu a porta da frente, segurando diversas pastas e jogou em cima de uma mesa. Tanya automaticamente sentou e começou a folhear.

- Estão todos bem entrosados. – Emmett disse baixinho. – Mike fica na pesquisa, Rose ajuda a Ângela com as famílias das garotas desaparecidas e Benjamin fica com Tanya no trabalho do escritório e dos outros clientes que ainda estão em andamento. Eu já transferi para conta bancária dela o valor da pensão retroativa, então, é provável que ela tente te castrar em algum momento do dia.

Ela quer fazer muitas coisas com meu pau, menos castrar. Já estou aprendendo como driblar a irritadinha.

- Bem, porra! Consegui. – Mike bateu na mesa. – Só vou demorar algumas horas para chegar aos nomes. Uma médica trabalhou em um projeto de clínica lá dez anos atrás e postou na internet o seu caderno de tradução.

- Família! Cheguei! – uma mulher loira cantou da porta e Mike ficou de pé na hora – Amor! Que saudade! – ela deu um gritinho e tapei meus ouvidos. Eles se abraçaram e beijaram com paixão. – Angie! Ben! – abraçou o casal. – Edward Cullen. É um prazer conhecê-lo pessoalmente. – sorriu e esticou a mão, apertei meio hesitante. Quem é essa louca? – Você deve ser Emmett Cullen e a loira bonita Rosalie, sua namorada. E você Tanya, a assistente.

- Estamos em desvantagens.

- Jéssica Stanley. Sou uma das gerenciadoras. – sorriu orgulhosa. – Cadê a chefe?

- Está atrás do Jamie. – Mike respondeu ainda olhando para sua namorada. – Como senti sua falta, mulher.

- Emirados Árabes me deixou mais bronzeada. – riu alegremente e olhou ao redor. – Cadê meu grupo de músculos? Senti tantas saudades deles. Principalmente quando tinha que carregar minhas malas.

- Fez o que tinha que fazer, Jess? – Benjamin perguntou bagunçando seu cabelo.

- Quando eu não tenho sucesso? Tudo limpo. Tudo em perfeito estado. – piscou e olhou para as malas. – Dormi por doze horas no voo, então, estou com energia de sobra. O que temos para fazer? Atualizem-me.

Mike puxou Jéssica, provavelmente sua namorada, para o canto e explicou tudo que tinha acontecido. Aparentemente, ela já sabia da morte de Sam, mas não de todos os detalhes. Sem nem parar para descansar, deixando suas malas no hall de entrada, mergulhou na tradução da lista com Mike e não houve mais assunto e interrupções. Eu também tinha trabalho a fazer, por isso, subi até meu quarto, peguei meu computador e todos os relatórios do escritório e segui para o escritório da casa. Bella estava lá dentro, com fones de ouvindo, assistindo algo e digitando aleatoriamente. Ela olhou para cima quando me viu e bufou.

- Tenho que dividir meu trabalho, meu filho e agora meu escritório? O que mais você quer?

- Melhor não entrarmos nesse assunto. – rebati com uma risada. – Não vou te incomodar.

- Sua respiração me incomoda.

- Você parece a minha irmã adolescente reclamando. – disse ocupando uma mesa próxima a uma parede de livros. Liguei meu computador, digitei a senha e abri o primeiro arquivo que Tanya me enviou por e-mail, comparando com os relatórios que tinha em mãos. Bella bufou e recolocou os fones de ouvido.

Fiquei bem distraído com o trabalho quando a porta abriu num estrondo. Nós dois saltamos. Jamie entrou de sunga.

- Mãe! Eu preciso nadar! Estou com um calor...

- É fevereiro, está frio como polo norte lá fora, por que nesse mundo você está circulando só de sunga? – ela perguntou num tom que me deixou preocupado com a vida do meu filho.

- Ele está com calor porque está agindo como um demônio. – Embry respondeu. – Vou jogá-lo na piscina aquecida e praticar natação.

- Como foram suas aulas?

- Ela me liberou para praticar esportes. – Jamie respondeu pulando sem parar. Olhei-o querendo saber se a mistura de chocolate com Coca-Cola realmente o deixa agitado.

- Tudo bem, mas somente por uma hora. Quero você sentado para almoçar e comendo tudo. – Bella disse em tom conciliador e ele saiu, correndo como sempre. – Falo sério quando digo que não é para dar doces a ele. Jamie tem um grau de imperatividade.

- Eu tenho três. – disse com um encolher de ombros.

- Que bom que sabemos que todas as qualidades da criança saíram de mim. – Bella sorriu, voltando a colocar os fones de ouvido, sem chance de resposta.

Ela atribui os defeitos dele a mim, mas é o que veremos com a convivência. Voltei a digitar um e-mail solicitando uma série de correções nos arquivos que Tanya me enviou online e informando que havia feito as correções nos contratos físicos, também coloquei uma nota que enquanto ela está aprendendo o ritmo do trabalho, deve repassar os documentos para Rosalie, assim ela poderá aprender melhor. Eu realmente não tenho tempo de ficar ensinando tudo nos mínimos detalhes para minha assistente. É desgastante. Às vezes tenho a sensação de que se faz de burra para ter atenção. Seus erros eram bobos. Emmett acha que ela tem um fetiche comigo, que eu saia da minha sala e a castigue com meu cinto por seus erros. Essa porra não vai acontecer mesmo.

Uma coisa dura bateu na minha cabeça e virei para minha agressora. Ela parecia bem irritada tal como a todo instante.

- O que foi agora, criatura psicótica?

- Quem te deu o direito de depositar dez milhões na minha conta?

- Esse é o valor exato da pensão retroativa de Jamie. – encolhi os ombros. – Fiz o cálculo com todos os meus ganhos, ainda deixei de fora a minha herança que recebi de um tio e outra do meu avô. Não vai ser justo se eu tiver outros filhos. – pisquei e ela jogou um porta-caneta na minha direção. Desviei. – Para de jogar coisas em mim. Você pediu.

- Eu retirei o pedido, lembra? – reclamou ficando de pé. – Jamie não precisa desse dinheiro todo.

- Tudo bem, guarde-o para o futuro.

- Nem no futuro. Eu tenho dinheiro o suficiente para que os meus netos criem bem seus bisnetos. – disse ainda muito irritada.

- Ele é meu filho, tem direito a receber a minha participação também e isso me lembra que temos que conversar sobre os gastos dele. Será minha responsabilidade agora.

- Não precisamos do seu dinheiro.

- Bella! Não é uma questão de precisar ou não. Qualquer outra mulher estaria aliviada que o pai da criança estivesse disposto a ajudar financeiramente.

- Adivinha só? Eu não sou qualquer mulher e definitivamente não preciso de um homem para me ajudar a sustentar meu filho e nem para criá-lo.

- Que ótimo! Já sei que você é egoísta o suficiente, mas não fez essa criança sozinha. Eu tive muita participação, inclusive lembro que você gritou bastante quando gozou.

- Por que você foi um babaca que abriu a camisinha com os dentes!

Eu bufei.

- Essa discussão é ridícula. Eu vou pagar as despesas do Jamie.

- Nos seus sonhos. – ela adicionou docemente e deu as costas, saindo do escritório.

- Ainda não terminei de falar com você. – gritei e ela subiu a escada mais ainda. Eu vi que tanto Tanya quanto Lauren estavam paradas no primeiro vão da escada, provavelmente subindo. – Isabella!

- Eu não tenho mais nada a falar com você sobre isso. Não tem discussão. – retrucou e eu subi em passadas largas. Abri a porta do seu quarto.

- Estou procurando meu celular, deixa-me em paz. – disse secamente. Fechei a porta atrás de mim.

- A guarda é nossa. Compartilhada. Você assumiu tudo até agora, deixe-me fazer alguma coisa pelo meu filho. – disse em um tom de voz mais calmo.

Bella ficou de pé na minha frente. Ela era baixinha, mesmo de saltos e eu tinha vontade de jogá-la naquela cama.

- Ele é meu filho, tudo que fiz foi por amor e responsabilidade. Não é justo você chegar agora e querer tomar tudo de mim.

- Não estou tomando tudo de você e só cheguei agora porque você escolheu não me contar sobre ele. – rebati e ela suspirou, como se estivesse cansada daquele assunto.

- Tudo bem que não o fiz sozinha, mas ele está dez milhões mais rico, podendo pagar pela sua educação, comida e de mais cem crianças de olhos fechados. – piscou e percebi que ela soava doce quando queria me tirar do sério.

- Não vou discutir os cálculos dos meus ganhos. Minha família é rica há gerações, nobres esnobes do Reino Unido até chegar a um grande Clã em Chicago. – respondi e ela grunhiu. Essa conversa não estava indo a lugar nenhum. - Por que nesse mundo não posso sustentar meu filho?

- É uma visão machista de que só você está capacitado para isso. Ganho bem, tenho um apartamento, essa casa, um monte de dinheiro que veio dos meus avós, do escritório, de Aro... – respirou fundo e sentou na beiradinha da cama. – Estou ficando com torcicolo de olhar para cima. – reclamou e eu ri. – Meio a meio. É tudo que posso conceder.

- Dividir as despesas? – perguntei confuso. Não lembro quando foi a última vez que dividi qualquer coisa com uma mulher. – Você é daquelas que paga a conta no encontro?

- Qual o problema nisso?

- Os caras que você sai aceita que pague a conta no encontro? – perguntei e ela mordeu o lábio inferior. Meu pau que ainda estava saudoso da nossa aventura mais cedo começou a manifestar seu interesse. – Querida, você precisa sair com um homem de verdade. Não que pagar a conta seja um problema para mim, porque realmente admiro mulheres que são independentes, tanto financeiramente quanto emocionalmente, mas assim como há mulheres interesseiras, também há homens. – pisquei e ela revirou os olhos.

- Está querendo me dar conselhos sobre encontros agora? Você está solteiro e só teve um relacionamento na vida.

- É verdade. Estou meio ocupado no momento. E você?

Bella me deu um chute forte e eu ri, prendendo suas pernas com minhas mãos, separei-as com meu joelho e ajoelhei na cama, ficando entre elas. Bella me deu um olhar de aviso que sabiamente ignorei, chegando ao meu objetivo, que era beijar seu pescoço.

- Sua assistente vai chegar aqui. – murmurou contra meus lábios e empurrei sua bunda para cima, deitando em cima do seu corpo enquanto aprofundava o beijo que foi interrompido. Eu sorri. O olhar de Tanya assustado com meu grito era o indicativo que ela não viria aqui. – Se eu começar a gemer alto, ela vai abrir a porta com uma foice. – continuou falando enquanto eu trabalhava em abrir a sua blusa. – Nós estávamos discutindo sobre o suporte financeiro para Jamie. – gemeu e eu abaixei seu top. Seus seios eram lindos. – Edward! O que estamos fazendo?

- Eu não sei, estou com muito tesão. – respondi honestamente e ela riu, puxando a minha blusa. Tire-a e joguei longe. Ela envolveu as pernas na minha cintura e provoquei seu mamilo com meus dedos, beijando-a quando senti algo vibrando debaixo do meu joelho e um toque irritante começou a soar no quarto. – Achei seu telefone. – ri e ela me empurrou, revirando as cobertas.

- Oi pai! – atendeu ofegante e eu fiz uma careta. – Subi a escada correndo. – disse e me deu uma olhada. – Jantar aqui? Hoje? Para conhecer Edward? – praticamente gritou e eu recuei. – Eu não sei se ele tem compromisso. – disse e eu balancei a cabeça, negando. – Acho que ele tem sim. Mencionou algo que sairia esta noite. – franzi o cenho e puxei o telefone bruscamente.

- Olá Sr. Swan. – disse calmamente.

- Você está junto da minha filha?

- Acabei de entrar no seu escritório e ouvir parte da conversa. – respondi tranquilamente. Ele não precisava saber que a filha dele e eu estávamos nos pegando na cama dela. – Estou disponível essa noite. Ela se equivocou com a informação.

- Muito bom. Estarei aí às 19h com minha esposa, meu filho e sua namorada.

Encerrei a chamada e ela gritou um monte de palavrões e eu revirei os olhos, tapando sua boca com um beijo.

- MÃE! PAI! – Jamie gritou próximo à porta.

- Vá para o banheiro agora! – ela me empurrou e eu realmente não queria que Jamie me pegasse sem camisa em cima da sua mãe também seminua. Ela fechou sua blusa e eu fechei a porta do banheiro no momento que meu pestinha explodiu pela porta. – Onde é incêndio?

- O almoço está pronto. – disse e espiei que ele estava vestido com um roupão. – Fiz nado borboleta. Embry disse que se eu tiver sorte, meus ombros vão crescer com a natação. Talvez eu fique grande igual ao meu pai.

- Músculos não é tudo.

- Eu acho meu pai inteligente.

- Seu pai é panaca, mas não vamos falar sobre isso.

- Ele anda te irritando, não é? – Jamie deu uma risadinha e eu ri no banheiro. – Estou faminto. Vamos almoçar.

- Vou me ajeitar melhor para descer, vá à frente e eu vou procurar seu pai. – Bella disse e Jamie saiu. Abri a porta do banheiro. – Isso é a indicação que o destino não quer que a gente dê vazão a esse sentimento louco. – suspirou e vesti minha camisa gola polo novamente.

- Não começa de choro, você é uma mulher adulta. – bati na sua bunda e saí do quarto, descendo a escada. Ela veio atrás de mim. – Se fizermos sexo, será porque somos adultos e bem resolvidos. Não começa de drama na minha cabeça.

- Idiota. – murmurou e passou na minha frente.

A mesa já estava lotada. Bella abraçou Jéssica bem apertado e pegou um lugar. Jamie estava com o prato cheio de batatas fritas e eu peguei, tirando bem mais da metade, colocando um pouco de salada de feijão e cenoura, um pedaço de filé bem assado e molho. Ele riu, enchendo a boca de batata.

- Coma devagar. – Bella disse calmamente, pegando batatas do meu prato e pedindo que alguém lhe passasse a salada. Ela colocou uma salada agridoce de manga com cebola e kani, misturando com algumas batatas fritas e bife.

- Isso é nojento. – murmurei para o doce na sua comida.

- Não se mete. – retrucou começando a comer.

O almoço foi uma barulheira bem grande, parecia que os dois grupos estavam bem enturmados. Rosalie, Ângela e Jéssica literalmente não calavam a boca enquanto Emmett conversava com Paul e Félix. Mike toda hora mostrava algo no seu celular para Embry. Reparei que Tanya estava olhando fixamente para Bella, mas deixei lado, não ficando nenhum pouco surpreso quando Bella colocou o braço no encosto da minha cadeira e se inclinou pra cima de mim, para falar com Jamie de forma mais firme para comer devagar. Depois segurou a minha coxa. Eu sabia que seu toque deliberado tinha muito a ver com o fato que minha assistente estava se mostrando irritante sobre nós dois e eu decidi deixar para ver até onde a mãe do meu filho é capaz de ir para marcar seu território.

Não sou um homem idiota. Adoro mulheres bonitas competindo a minha atenção, mas algo me faz crer que Bella não compete porque ela realmente quer atenção, mas sim para mostrar que ela pode vencer. E infelizmente ela pode. Depois do almoço, Jamie voltou para sua última aula, ela e eu trabalhamos com a equipe na tradução dos nomes para adiantar Mike e Jéssica, logo me afastei porque havia muita coisa do escritório para assinar e analisar. Tanya ficou comigo a maior parte da tarde no escritório e quando deram seis horas, eu disse que precisava me arrumar, porque receberia os avós de Jamie para o jantar e ela estava livre para fazer o que bem entendesse à noite, inclusive, era convidada para jantar conosco.

Desci rapidamente para buscar uma garrafa de água e vi que Bella e Leah estavam por todo lado na cozinha. Até Rosalie estava ajudando a cortar cebolas e Embry mexia algo na panela. Paul estava colocando as bebidas para gelar.

- Cadê Jamie? – perguntei e não me ofereci na cozinha porque tinha muita gente falando e não me sinto confortável em ambientes barulhentos.

- Mandei tomar banho, mas ele sempre enrola no celular conversando com Victória, poderia ajudá-lo nisso? Já vou subir, só vou terminar de fazer a salada. – Bella respondeu e dei as costas, subindo. Abri a porta do quarto de Jamie e ele ainda estava de cueca, lendo uma revista.

- Ei, banho. Seus avós estão chegando. – disse e ele fechou a revista, pulando da cama. – Bem que a sua mãe disse que estava enrolando.

- Ela é meio exagerada. – revirou os olhos e segurei a minha vontade de rir.

- Banho. Eu vou tomar o meu e quando sair quero você já vestido.

Entrei no meu quarto e tomei um banho rápido, vestindo-me com jeans e camiseta, nada informal. Passei perfume e desodorante, colocando meu relógio no pulso, carteira e celular no bolso, seguindo para o quarto de Jamie, penteando meus cabelos para trás com os dedos. Ele estava escovando os dentes com uma toalha enrolada na cintura e outra na cabeça. A imagem era bem engraçada. Tirei a toalha e comecei a secar seu cabelo volumoso como o meu e da mãe dele, mas era totalmente indisciplinado e bem cortado.

- Deixa meu cabelo igual ao seu?

- Ele já é. – puxei para trás.

- Minha mãe veio aqui toda cheia de ordem. – reclamou e eu ri. – Ela mandou você se virar para escolher minha roupa, mas que se eu aparecer com estampa e listras, não vai fazer algo legal com seu pinto.

Eu quis dizer que a mãe dele queria fazer muitas coisas com meu pau e todas elas muito legais para nós dois, mas deixei de lado. Virei seu ombro em direção ao quarto e abri seu armário, tirando uma calça jeans, cueca e uma blusa exatamente da mesma cor que a minha. Peguei um tênis. Ele se vestiu, também passando seu perfume e se olhou no espelho, levantando os polegares para mim. Bella abriu a porta sem bater, parando na soleira e olhou para minha roupa de cima abaixo e depois para dele. Suspirou revirando os olhos e bateu no meu braço antes de ajeitar a gola da camisa dele.

- Podemos tirar uma foto para que eu possa mandar para Victória? – perguntou e ela pegou o telefone. – Mãe, você vai aparecer nela também. Uma foto de nós três.

Reparei que ela estava com um vestido vinho bem justo ao corpo e sapatilhas. Sua bunda estava muito bem marcada com aquele modelo.

- Eu tiro, meu braço é maior. – respondi e ele subiu na sua cama, ficando de joelhos, Bella parou atrás dele e eu propositalmente segurei a sua cintura, puxando-a bem próximo ao meu corpo. – Todo mundo sorrindo. – pedi e tirei a foto quando vi que eles dois sorriram, mas eu fiz cosquinha nele.

- Ficou linda. – ela disse, olhando atentamente para o seu celular. – Quer imprimir e colocar aqui no seu quarto?

- Nós nunca mais vamos voltar para o apartamento? – Jamie perguntou curiosamente.

- Não no momento.

- Então eu vou poder decorar esse quarto do meu jeito?

- O que quer colocar aqui? – perguntei não entendendo seu ponto.

- Minhas coisas. Fazer parecer um quarto que seja meu.

- Vamos pensar nisso amanhã, tá? – Bella retrucou e ouvimos a campainha. – Seus avós chegaram, então, seja um bom menino e apresente seu pai a eles.

Saímos do quarto atrás dele, ela estava estranha, quieta, sem me xingar pela roupa e cabelo do Jamie e misteriosamente me deixou fazer algo com ele sem que tenha que pedir. Jamie abriu a porta e Charlie Swan entrou de braços dados com a sua esposa. Os dois imediatamente abraçaram o neto, falando alto e com alegria por vê-lo. Jamie pulou no colo do avô e beijou o rosto da avó. Atrás dele, estava Jasper, o irmão mais velho de Bella, que me encarava sem demonstrar nenhum pingo de simpatia e ao seu lado havia uma bonita mulher morena e eu sabia que ela era Maria, namorada de longos anos de Jasper.

- Pessoal, esse é meu pai. – Jamie disse olhando nervosamente para o avô.

- Prazer em conhecê-lo, Sr. Cullen. – Charlie apertou a minha mão bem firme e Bella bufou atrás de mim.

- O prazer é meu em te reencontrar. – retruquei ciente que não finge nenhum pouco que nós não nos conhecíamos. Renée franziu o cenho para o marido. – Por favor, me chame de Edward.

- Sr. Swan. – disse entredentes. – Minha esposa, Renée Swan.

- Agora sei a quem Bella puxou toda a sua beleza, Sra. Swan.

- Ah pelo amor de Deus, Edward. – Bella reclamou atrás de mim, fazendo-me rir. – Mamãe não se derreta com essa cantada barata.

- Por que não? Você se derreteu em uma noite. – Renée respondeu e foi impossível não rir. Bella me deu um chute. – Pode me chamar de Renée. – ela piscou.

- Meu Tio Jas e a Tia Maria. - Jamie alegremente puxou o tio para frente.

Jasper praticamente rosnou e tentou espremer meus dedos, mas Bella nos afastou antes que quebrássemos a mão um do outro. Maria me deu um sorriso simpático, mas estava visivelmente preocupada com seu namorado. Bella conduziu-os para sala. Lauren veio com bebidas e havia uma música suave, quase que ambiente, tocando no fundo. Eu não sabia onde estava o restante do grupo, mas eu queria entender porque Bella estava tão nervosa, eu não ia falar para seus pais que estava com a boca no seio dela no momento que ligaram mais cedo e nem que eu planejei comê-la contra a porta horas antes.

- Então, Sr. Cullen... Parece que conseguiu fazer parte da vida de Jamie e ao mesmo tempo envolver-se no trabalho da minha filha.

- Fazer parte da vida do meu filho é o meu dever. – rebati e senti as unhas dela cravando no meu braço.

- Nós não vamos falar sobre isso essa noite. – Bella interrompeu o que eu ia continuar respondendo ao pai dela. – Papai todo mundo sabe que você tem um arquivo completo sobre Edward, incluindo Jamie, então não vamos fingir que ninguém se conhece aqui, porque Edward também tem um arquivo completo sobre todos nós. Não somos um grupo de pessoas que se apresenta pessoalmente, fazemos pesquisas, mas o fato é: Estou compartilhando a guarda de Jamie, nós estamos tentando nos acertar financeiramente e em outras questões, porém, nosso foco agora é outro no qual também não vamos discutir no jantar. – suspirou recostando no sofá. – Então, Jas. Como foi sua viagem?

Renée deu um gole do seu vinho sorrindo para sua filha. Charlie revirou os olhos e tomou sua bebida. Ela não queria que sua família se intrometesse em suas decisões. Jamie veio para sala com um copo de suco e sentou no meu colo. Eu estava exatamente do lado de sua mãe e isso nos fez parecer uma família. Uma sensação dolorosa instalou no meu peito e eu empurrei para longe. Bem ou mal, somos uma família. Jamie é meu menininho também e não posso pensar na família que eu perdi. Maria respondeu todas as perguntas que Bella direcionou ao irmão e isso era bem irritante, porque toda vez que ele abria a boca para falar, ela vinha com uma história completa e cheia de detalhes da aventura deles na Argentina.

Uma hora mais tarde o jantar foi servido. Apresentei meu irmão e Rosalie, que acabaram comendo conosco, o restante do grupo ficou espalhado pela casa. Charlie não estava tão ranzinza comigo, mas também não disse que era para chamá-lo pelo seu primeiro nome, enquanto isso, Renée fazia todo tipo de pergunta que passou pela sua cabeça e eu estava achando muito divertido as suas ideias sobre a minha pessoa. Ela perguntou da minha altura ao nome da minha professora do jardim de infância. Emmett contou algumas histórias minhas quando criança e houve diversos comparativos sobre Jamie atualmente. Bella mencionou suas últimas perolas.

- Posso ter sobremesa? – Jamie perguntou de olho no sorvete.

- Sim, mas só duas bolas. Eu não vou te aguentar por muito mais tempo e vou te trancar com seu pai. – Bella respondeu e ele me deu um olhar.

- Nós não estamos tendo uma festa do pijama durante a semana. – eu disse e ele riu, nenhum pouco convencido.

Depois do jantar, subi com Jamie para colocá-lo na cama, estava tarde e ele tinha aula cedo. Foi um longo dia, com muita informação e muitos momentos também. Ele estava exausto, mas demorou a dormir. Li duas histórias e conversamos sobre coisas aleatórias. Eu estava falando sobre um cachorro que tive na infância quando percebi que ele estava até roncando suavemente. Beijei sua testa e lhe cobri melhor. Bella não estava em seu quarto, a casa estava silenciosa e escura em muitas partes, provavelmente todos foram dormir. Já era tarde, fiquei muito tempo com Jamie.

Uma luz fraca e um barulho de garrafa revelou que ainda havia alguém acordado. Entrei na cozinha. Bella tinha duas garrafas de vinho e estava com uma taça cheia, virando como se fosse água.

- Olha aí, o meu problema de quase dois metros de altura. – disse bem embriagada e soluçou. – Meu bebê dormiu?

- Dormiu agora. – respondi e parei do seu lado, levantando as garrafas. Estavam vazias. – Bebeu as duas sozinha?

- Eu precisava beber. E chorar.

- Não precisava beber para chorar. O que está acontecendo?

- Como se eu fosse te falar. – murmurou virando o que tinha na taça. – Você chegou aqui querendo roubar meu filho e meus clientes, ainda assim, eu não tenho vergonha na cara e fico me agarrando com você.

- Eu queria o que era meu, somente isso. Quanto aos clientes, é uma ambição particular, mas não tenho pensado nisso agora. Estou focado em Laurent.

- Não deixa ele me pegar, por favor. – sussurrou parecendo meio perdida. – Ele matou o Sam. – disse com um encolher de ombros. – Renata morreu, você voltou, Sam morreu e o que mais pode acontecer?

- Não sei, Bella. Essas coisas não estão no seu controle. Eu lamento a morte de Sam, mas ele foi imprudente saindo do carro daquela maneira sem um colete a prova de balas. – disse honestamente e ela ficou parada me olhando. – Não quero ser insensível, mas é necessário prudência.

Ela apenas encolheu os ombros e tentou ficar de pé, quase caindo. Segurei-a tempo de não bater com a cabeça no balcão da cozinha. Ela foi andando para o quarto, mas quase caiu várias vezes e eu sinceramente estava meio puto com seu comportamento. Era muita irresponsabilidade beber daquela forma. Ela tirou a sua roupa e sentou na cama, de calcinha e sutiã, acomodando-se debaixo das cobertas e agarrou o travesseiro, começando a chorar. Esfreguei meu rosto incerto em deixá-la sozinha, mas parecia que todo álcool era para colocar lágrimas para fora. Encostei sua porta, troquei a minha roupa e deitei na cama, cansado, precisando dormir, mas não consegui. Irritado, levantei e voltei para seu quarto. Ela estava vomitando no banheiro. Revirei meus olhos e entrei lá, segurando seu cabelo e lhe ajudando. Assim começou uma longa noite com a Bella Bêbada de Estômago Fraco a Toda Potência.