E se eu fosse você?

por Miss Dartmoor

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Disclaimer: Sam, Dean, e Supernatural não me pertencem!

Sinopse: E se Dean fosse Sam e Sam fosse Dean? Como seria estar no corpo do seu irmão e ter o seu irmão no seu corpo? Mesmo para eles, aquilo parecia ser inexplicável, mas tinha que ter uma saída. Até porque eles não poderiam ficar daquele jeito para sempre.

Beta: Os erros são todos meus, eu não tenho Beta. Por mais que eu releia sempre tem aquele errinho que escapa.

Shipper: Sam e Dean Winchester – Isso mesmo, Wincest!

N/A: Eu descobri que o nome do filme é "Se eu fosse você", e não "E se eu fosse você?". Certo que não faz lá muita diferença, né...


Capítulo 6.



O caminho até a cama não demorou mais que alguns minutos para ser completado. Dean caiu por cima, e Sam por baixo, e eles não paravam de se beijar um segundo sequer. Mesmo que suas mentes gritassem que aquilo era errado, não era como se eles estivessem em condições de pensar direito agora.

Dean quem interrompeu o beijo, mantendo-se sentado no quadril de Sam enquanto recobrava a respiração. Sam abriu os olhos e o encarou, e foi estranho observar seu corpo, seu próprio rosto naquele estado.

- Isso não tem volta, Sammy. – Dean disse num sussurro de voz, permitindo que seu cérebro digerisse tudo o que havia acontecido agora a pouco. Ele estava esperando ser odiado pelo irmão, e nunca ter aquele sentimento insano correspondido.

Sam apenas sorriu de leve, um sorriso genuíno que não combinava muito com Dean, e talvez não combinasse exatamente porque ele quase nunca sorria dessa forma.

- Eu sei.

Sam continuou meio sentado ainda com Dean sobre seu corpo temporário. Ele fechou os olhos ao mesmo tempo em que começava a beijar seu pescoço, ouvindo Dean gemer baixo diante do toque. Dean passou a mão pelo seu cabelo curto e fechou os olhos também, tentando imaginar Sam, Sam mesmo - com as pernas quilométricas e o corpo forte e alto -, o beijando e mordiscando seu pescoço daquela forma. Quando deixou escapar um gemido mais alto, quando Sam chupou com mais força seu pescoço, naquele ponto em especial, foi que o barulho na porta chamou a atenção dos garotos.

Dean e Sam abriram os olhos na hora e se encararam num misto de surpresa e uma quase frustração. Dean, ainda em cima de Sam, olhou para a porta imaginando quem diabos estava ali há essa hora.

- Quem é? – Sam perguntou num sussurro e Dean não respondeu, ele se levantou e saiu da cama, se recompondo ao mesmo tempo em que ia até a porta. Sam tratou de se recompor também, fechando o zíper da calça que estava meio aberto e se levantando da cama. A pessoa do outro lado começava a ficar sem paciência e quando Dean abriu a porta e deu de cara com ela, a pessoa, ela não parecia nada feliz.

- Sam?! Sam, que diabos está acontecendo e por que você me ligou todo desesperado?

Sam, do outro lado - no corpo de Dean -, arqueou as duas sobrancelhas ao ver Bobby com a melhor das caras de preocupação e a pior das de irritação e falta de paciência. Dean abriu a boca, mas não respondeu. Ele tinha se esquecido completamente que, assim que Sam se trancou no banheiro, ele havia ligado para Bobby.

Claro, para quem mais ele ligaria? Ele estava desesperado, ele só queria falar com alguém mais experiente para ajudar eles naquela situação para ele poder ir embora, ter seu corpo de volta e poder ir embora, porque naquela hora parecia que era isso o que Sam queria dele, que ele fosse embora, mas agora...

- Você veio... Rápido... – Dean murmurou ainda um pouco surpreso. Então ele notou que Bobby não estava sozinho. O caçador mais velho entrou no quarto e observou o corpo de Dean, parado perto da cama e sem camisa, parecendo igualmente chocado ou tão chocado quanto Sam, ao lado da porta. – Você veio com a... Jo?

Dean encarou o caçador, agora boquiaberto de surpresa. A caçadora mais jovem, Jo, estava pegando as coisas no porta-malas do carro de Bobby, lá no estacionamento.

- A Jo? – Sam perguntou da cama, não parecendo nada feliz com a novidade. Bobby olhou dele para Dean, Dean no corpo de Sam.

- Ela estava me ajudando num trabalho quando você ligou... Mas você parecia tão abalado que nem me deu tempo de dizer nada. Me diz, o que está acontecendo aqui, rapazes?

Jo escolheu essa hora para entrar no quarto, carregando uma mochila. Ela sorriu de leve para Dean - no corpo de Sam -, e então seus olhos encontraram os de Sam - no corpo de Dean -, e o sorriso aumentou. A garota desceu o olhar pelo corpo do mais velho dos Winchesters e ela não fez questão de esconder que estava gostando muito do que estava vendo.

- Whoa, Dean! Não está tão calor assim pra andar desse jeito. – Ela comentou deixando a mochila no chão. Sam sorriu amarelo para ela. Dean, ao lado de Jo, fechou a porta e aumentou seu sorriso diante da fascinação da garota em encarar seu corpo sem camisa.

- Então, Sam? – Bobby impediu qualquer um deles de fazer qualquer comentário. Ele olhava para Dean.

- É Dean. – Dean respondeu, caminhando para perto do irmão e se sentando na cama. Sam se sentou ao seu lado, isso sem antes buscar uma camisa para vestir, que ele nem notou que era uma das suas camisas. Bobby franziu a testa sem entender.

- Como?

- Eu sou o Dean. – Dean respondeu, sorrindo de lado. Isso só resultou em uma Jo e um Bobby completamente confusos.

- Você bebeu, garoto? – Bobby perguntou, sem entender nada. Dean riu e Sam, ao seu lado, suspirou com cansaço.

- Ele está falando a verdade, Bobby. Alguma coisa aconteceu e nós... Bem... Mudamos de corpo.

- Isso é algum tipo de piada? – Jo perguntou. – Porque se for, Dean, ela não é nada engraçada.

- Eu não sou o Dean. – Sam respondeu, sem paciência. – Olha, nós cuidamos de um caso esses dias e tinha um amuleto lá, ou algo assim, e é claro que o inteligente do Dean tinha que ter inventado de pegar e no dia seguinte, eu acordei no corpo dele e ele no meu.

- Isso foi irônico, Sammy?

- Obviamente que não, Dean. – Sam se limitou a responder, visivelmente sarcástico. - O fato é que nós destruímos o amuleto, mas continuamos assim. Eu tenho uma teoria a respeito de como fazer para nós voltarmos ao normal, mas se eu estiver certo, vai ser como procurar uma agulha no palheiro.

Bobby encarava os garotos com a boca entreaberta, e estava demorando em digerir a noticia. Jo parecia que estava vendo duas aberrações na cama.

- Isso é impossível. – Ela disse com a voz meio falhada. Sam sorriu novamente, um sorriso forçado.

- Foi o que eu pensei também.

- Isso é sério? – Bobby perguntou, se sentando num sofá que havia ali no quarto, porque a noticia era chocante demais para recebê-la de pé. Sam e Dean apenas acenaram positivamente com a cabeça e Jo, percebendo isso, deixou escapar um sonoro "Oh...". – Meu Deus, em todos esses anos de caça eu nunca vi nada parecido. Já ouvi falar, claro, mas nunca presenciei nada assim.

- O mais engraçado de tudo... – Dean disse, sorrindo de lado. – É que o Sammy pode ouvir meus pensamentos.

Sam corou levemente ao ouvir isso e Jo, notando que o caçula estava corando no corpo de Dean, arregalou os olhos.

- Caramba, é sério mesmo! O Dean ele nunca... Nunca corou desse jeito! – Ela comentou, apontando para o rosto de Dean que ficou mais vermelho ainda com esse comentário. Dean, no corpo de Sam, apenas riu do comentário e Sam, no corpo de Dean, quis enfiar a cabeça debaixo da Terra.

- Eu não posso mais ouvir seus pensamentos. – Sam murmurou. O que era verdade, ele não conseguia mais ouvir os pensamentos de Dean.

- Eu daria todo o dinheiro na minha carteira pra ouvir os seus. – Dean disse, parecendo um pouco chateado pelo fato dele não poder ler a mente de Sam.

- Você não tem dinheiro nenhum na sua carteira, Dean. – Sam rebateu, evitando olhar para o irmão, que apenas deu de ombros.

- Okay... – Bobby os interrompeu. – Acho melhor nós ouvirmos sua teoria e vermos o que podemos fazer pra ajudá-los.

xx

O resto do dia foi passando lentamente. Bobby e Jo pegaram o quarto ao lado do quarto dos rapazes e começaram a pesquisar sobre as iniciais do amuleto, e do tipo de amuleto. Descobriam que era mesmo um amuleto de troca de corpos, e que geralmente era usado como um método de bruxaria para trocar os corpos, e as iniciais deviam ser provavelmente da pessoa que fez os amuletos, agora só restava descobrir quem era a tal pessoa. Eles combinaram de voltarem ao armazém no dia seguinte para ver se encontravam alguma coisa, e pelo visto o caso que eles estavam investigando foi uma mera coincidência. Quer dizer, a coincidência era aquele assassino ter morrido naquele lugar, porque esse caso de agora não tinha nada a ver com o antigo a menos é claro a parte em que o amuleto era encontrado no armazém.

Sam ficou absorto naquele mundinho nerd dele e Dean ficou na cama morrendo de tédio até escurecer. Os dois não falaram sobre o que tinha acontecido e Dean é que não ia comentar, e Sam também não parecia querer tocar no assunto. Pensando melhor, aquilo era uma loucura e era melhor fingir que não havia acontecido, antes que fosse tarde demais e não tivesse mais volta.

- Aonde você vai? – Sam perguntou quando observou Dean se levantar da cama e colocar uma das jaquetas pretas dele, a maior que ele tinha e que havia ficado tão bem no corpo de Sam. Dean apenas enfiou a chave do carro no bolso da calça jeans e então olhou seu irmão de esguelha.

- Sair.

- Sair? – Sam tinha deixado seu laptop de lado.

- É, sair. Eu não agüento mais ficar aqui dentro, eu preciso espairecer as idéias e...

- E nada melhor do que espairecer as idéias num bar enchendo a cara e dando em cima de qualquer mulher que surgir na sua frente. – Sam deixou escapar antes que pudesse pensar no que estava falando e isso fez Dean rir. Geralmente quando Sam dava esses surtos, esses chiliques, ele tinha aquela voz de espertinho, mas agora ouvindo da boca de Dean, ouvindo a voz de Dean dar esses chiliques era uma coisa muito engraçada. – Qual a graça?

Sam não parecia ter notado isso, ele estava muito mais interessado com o fato de Dean querer sair pra fazer tudo o que ele acabara de narrar.

- Nada não. – Dean disse, ajeitando os cabelos castanhos de Sam de um jeito totalmente não-Sam. – A gente se vê mais tarde, bro.

- Nem pensar! – Sam disse, se levantando e pegando suas coisas para sair.

- Aonde você pensa que vai?

- Nem fodendo que eu vou deixar você sair por aí sozinho com meu corpo!

Dean revirou os olhos.

- Eu só vou beber alguma coisa, jogar um pouco, eu não vou fazer tudo o que você disse aí que...

- Não, Dean. Não e pronto.

Dean cruzou os braços e ficou observando seu irmão se arrumar para sair com ele. Sam tinha vestido uma blusa preta por cima da camisa branca e ele não estava parecendo nada com Dean, não era aquele o jeito que Dean se vestia e Dean achou que ficava parecendo um mauricinho usando essas coisas. Claro, a blusa não era dele, era uma das mais antigas que Sam evitava usar porque na maioria das vezes ele perdia as roupas por causa do trabalho. Então ele deixava suas melhores roupas guardadas.

- Você pode beber demais, arrumar briga e daí quem vai terminar com o corpo todo machucado sou eu. E você tem que me prometer... Nada de garotas. – Sam, quando já estava pronto, parou em frente ao irmão e esperou pela resposta.

Dean arqueou uma das sobrancelhas.

- Ciúme? – Ele perguntou, brincando.

- É o meu corpo. – Sam se limitou a responder. – Você não vai transar com nenhuma garota enquanto estiver no meu corpo.

Ele queria se convencer de que era apenas porque Dean estava com seu corpo e isso era definitivamente como se o irmão estivesse violando ele, usando seu corpo para se divertir com desconhecidas e não porque seu corpo, ou o corpo de Dean no caso, esquentava de raiva só da idéia de Dean sair com alguma desconhecida, independente de não estar no corpo dele ou não. Dean também parecia que queria que o chilique de Sam fosse por isso, a segunda opção, mas o tom do irmão deixava claro que era só porque ele estava em seu corpo.

- Okay...

- Prometa.

- Eu prometo.

- Eu quero ouvir você dizer o que, Dean. – Sam disse, sem paciência. Dean revirou os olhos de novo, de um jeito que deixava Sam com a maior cara de desdém.

- Eu prometo não transar com garota nenhuma enquanto estiver no seu corpo. – Ele disse com tédio, e Sam sorriu, satisfeito. – Você também.

- Eu? – Isso surpreendeu o mais novo. – Eu nem saio com garota nenhuma quando estou no meu corpo, quanto mais no seu!

- Isso porque eu sou o mais bonito e consigo garotas com mais facilidade. – Dean disse ironicamente. – Agora prometa, Sammy-boy.

- Eu prometo não transar com garota nenhuma enquanto estiver no seu corpo. – Sam repetiu com tédio, e Dean sorriu de lado, completamente satisfeito.

- Uma pena para o seu corpo. – Ele disse, com aquela pontada de malícia e ironia. – Ele ia se divertir pela primeira vez na vida!

Dean deu as costas e saiu do quarto, e por isso não viu a cara que Sam fez ao ouvir isso. Era um misto de irritação, constrangimento e vontade de matar seu irmão, o que ele não podia fazer enquanto não houvesse a troca de corpos.

xx

O bar estava cheio. Era nessas horas da noite que o local ficava movimentado pra caramba e divertido. Várias pessoas estavam bebendo e conversando, algumas já completamente bêbadas arrumando briga do lado de fora. Sam e Dean entraram lado a lado no local e a primeira coisa que Dean fez foi dar uma boa olhada no bar e então sair de perto do irmão indo até o balcão, aonde uma garota morena usando um batom vermelho demais estava atendendo.

Dean não precisava olhar para trás para ver que seu irmão o estava seguindo. Ele parou no balcão e apoiou os cotovelos na superfície de madeira e deu o seu melhor sorriso. Se ele estivesse em seu corpo ele teria dado aquele sorriso de lado cafajeste que deixava bem clara as suas intenções, mas como ele estava no corpo de Sam ele se aproveitou da situação e colocou o melhor sorriso garoto-inocente que ele conseguiu fazer. Aquela sorriso de 1 milhão de dólares de Sam Winchester que conquistava qualquer alma viva no mundo e se Sam não fosse tão recatado – e Dean agradecia a Deus por isso – ele conseguiria mulheres com o estalar dos dedos.

Ou, no caso, o encurvar dos lábios até as covinhas adoráveis surgirem.

Sam parou ao lado do irmão, olhando dele para a morena que parava em frente a Dean e sorria cheia de péssimas intenções.

- O que o bonitão vai querer? – Ela perguntou numa voz sensual, e Sam quis arrastar Dean dali a pancadas. Dean apenas sorriu genuinamente, dando a idéia de ser um bom moço, embora suas roupas dissessem o oposto.

- Uma vodka pura, por favor.

Sam arqueou uma das sobrancelhas. Se fosse o habitual Dean teria aproveitado a brecha para soltar uma das suas cantadas horríveis que, magicamente, sempre davam certo. Mas hoje Dean apenas continuou com aquele sorriso e tentou parecer o mais educado possível. Sam só se deu conta do porque quando a moça sorriu de lado, piscou para ele e deu as costas, indo pegar sua bebida, e daí Dean olhou para Sam com aquele sorriso de lado completamente cafajeste que deixava o corpo de Sam, bem, meio cafajeste.

As intenções de Dean eram as piores possíveis, Sam desconfiava. O irmão estava se aproveitando dos seus dotes, como o seu sorriso e o seu olhar de filhotinho de gatinho abandonado, que Sam sabia que eram infalíveis porque ele sempre os usava quando precisava obter informações para os casos – mas nunca pra conquistar garotas e transar com elas por uma noite.

- Dean, o que significava isso? – Sam perguntou baixo, segurando o braço do irmão com um pouco de força demais. Dean franziu a testa, se fazendo de desentendido.

- Isso o que, Sammy?

- Você prometeu!

- Eu prometi não ir pra cama com garota nenhuma enquanto estivesse no seu corpo. – Dean retrucou, e ele sorriu maldosamente antes de completar a frase num sussurro pirracento. – Não disse nada a respeito de flertar...

- Seu filho da puta! – Sam deixou escapar mais alto do que pretendia.

- Isso aí bro, já está pegando o meu jeito. – Dean retrucou, irônico. Sam abriu a boca para dizer outra coisa, que ele desconfiava que era um palavrão bem feio que faria seu pai lavar sua boca com sabão, mas a garota morena os interrompeu entregando um copo a Dean com vodka pura e deixando a garrafa ao lado.

- O garotão tem planos pra hoje a noite? – Ela perguntou sugestivamente. Sam sentiu o rosto esquentar de raiva e pensou em responder por Dean, acabar com o barato daquela garota, mas então ele se parou. Se Dean queria brincar, bem, eles iam brincar conforme Dean queria.

- Hum... – Dean tomou um gole da bebida e a sentiu descer pela sua garganta. – Nenhum interessante, por quê?

Sam apenas saiu de perto do irmão, o deixando conversar com a morena que parecia bem interessada em ter planos com Dean hoje à noite. Sam olhou o bar todo. Ele pensou em ir até alguma garota e dar em cima dessa garota do melhor jeito Dean Winchester possível, mas daí ele pensou que talvez Dean não fosse se incomodar, fosse só achar engraçado e fazer piadas do gênero "Só no meu corpo pra você se dar bem, Sammy", e isso fez o mais novo se remoer de raiva antes mesmo da coisa acontecer.

Então ele viu, um homem forte jogando sinuca mais à frente, na parte mais isolada do bar. Ele jogava muito bem e estava ganhando uma grana preta. Era um homem alto, loiro, usando uma jaqueta de couro e com aquele jeito "homem macho de ser", e daí Sammy sorriu da maneira mais maldosa possível. Porque, logo quando os dois entraram no bar, ele reparou que o homem tinha desviado o olhar da mesa de bilhar para dar uma checada em Sam, ou no caso Dean, já que o corpo era do seu irmão mais velho.

Sam olhou para o irmão uma última vez, vendo ele todo risos com a garota. Depois ele rumou sentido a mesa de bilhar e parou em frente a ela, a tempo de ver o homem acertar uma jogada e ganhar o jogo. O cara que estava jogando com ele, que parecia meio bêbado, começou a resmungar, mas diante do olhar frio do homem loiro, ele se deu por vencido, entregou o dinheiro da aposta e saiu de perto.

Então o loiro, guardando o dinheiro no bolso, ergueu o olhar para encarar o homem mais jovem que o encarava de volta feito um adolescente ingênuo. Sam até cogitou agir mais como Dean, mas ele desconfiava que aquele cara, aquele tipo de cara, iria preferir lidar com um Dean mil vezes mais recatado, que só poderia agir inocentemente enquanto Sam estivesse em seu corpo.

- Topa jogar uma comigo? – Sam perguntou. O homem passava o giz na ponta do taco enquanto olhava Sam dos pés a cabeça.

- Claro, por que não?

Sam sorriu, satisfeito consigo mesmo. Ele retirou a blusa que estava usando, ficando apenas com a camisa branca que ele sabia que realçava o corpo de Dean, e ele percebeu – fingindo que não tinha percebido, claro – o homem passar a língua pelos lábios ao dar uma boa olhada no corpo de Dean. Sam agradeceu a si mesmo por ter colocado aquele jeans mais justo, rasgado em certas partes abaixo do joelho propositalmente.

Ele pegou um dos tacos.

- Ah, eu sou Dean Winchester. – Sam se apresentou, sorrindo levemente e esticando sua mão para apertar a do homem.

- Como o rifle? – Ele perguntou.

- É, como o rifle. – Sam sorriu mais ainda, um sorriso mais de lado enquanto soltava a mão do homem.

- Eu sou o Steve.

Eles começaram o jogo. Steve era bom naquele jogo de sinuca, mas com certeza não era melhor que Sam que tinha aprendido a jogar com o melhor dos professores, Dean. E por falar em Dean, Sam olhava, vez ou outra, para o irmão que tinha tirado completamente a sua atenção da garota para observar seu irmão jogando sinuca com aquele homem. Ele não era idiota, e não precisou de 1 minuto para sacar o que estava acontecendo.

Sam estava rindo, se divertindo e flertando com o homem a cada oportunidade possível, e as cantadas eram aceitas numa boa. Não, pior ainda, o homem tocava Sam em cada oportunidade, esbarrava nele e roçava seu corpo no dele, e o momento maior foi quando Sam foi fazer uma jogada e o homem ficou atrás dele observando-o se curvar para matar as bolas restantes na mesa.

Dean buscou todo o seu autocontrole e tentou por tudo no mundo ignorar o irmão e voltar a flertar a garota que ele descobriu que se chamava Stacy, mas ele só conseguia observar o irmão e sentir a raiva lhe subir a cabeça, não estava nem ouvindo o que a tal Stacy falava.

Ele sabia das intenções de Sam, e Sam estava conseguindo completar seu objetivo com sucesso, porque se a idéia era deixar Dean puto da vida, ele estava conseguindo deixá-lo e com êxito. Dean só não sabia dizer se a sua raiva maior era de Sam estar usando seu corpo para aquilo, ou se era porque era Sam mesmo.

Dava na mesma. Provavelmente era pelos dois motivos.

- Você me dá licença um instante, Stacy? – Dean pediu, sorrindo para a garota que sorriu de volta. Ela respondeu com um aceno de cabeça e observou Dean ir até onde estavam os dois caras jogando sinuca.

- Você é muito bom nisso, garoto. – Steve disse, quando eles já tinham terminado de jogar. Sam tinha ganhado, o que não era surpresa nenhuma para ele.

- É a prática.

- Podia jurar que ia ganhar de você com facilidade.

- As aparências enganam, não é? – Sam respondeu, sorrindo daquele jeito mais Dean. Steve sorriu também, olhando demais para a boca de Dean, a boca obscenamente perfeita de Dean que se curvava num sorriso malicioso agora. Steve tinha se aproximado, o suficiente para seus braços se tocarem, e Sam não quebrou o contato visual que estava fixo. Steve aproximou sua boca da orelha de Sam e o que ele disse em seguida fez Sam corar automaticamente, mais porque ele não estava tão acostumado a ouvir essas obscenidades do que por qualquer outro motivo. Era algo a ver com a boca de Dean envolta de uma parte em especial do corpo de Steve que todos os homens amavam em si mesmos.

Dean escolheu essa hora para chegar e interromper os dois. Ele puxou Sam para longe do homem que o olhou com surpresa e indignação também. Ele se pôs na frente do homem e encarou Steve dos pés a cabeça com mais desdém que o necessário. Ele notou, com um pouco de orgulho, que Sam era mais alto do que o cara, mas não muito. Bem, a altura sempre ajudava, não é? Embora Dean fosse bom de briga, era sempre injusto brigar com alguém mais alto do que ele, agora pelo menos as coisas estavam mais justas.

- Qual é a sua? – Steve perguntou, já em modo de agressão.

- Quer um conselho, cara? – Dean disse. – Fica longe dele.

- É, e por que eu deveria te obedecer, moleque?

Sam tentou fazer um sinal para Dean deixar aquilo para lá e os dois saírem, mas Dean o ignorou completamente.

- As únicas mãos firmes que ele aqui precisa são as minhas. Se encostar nele de novo, juro que vou arrebentar a sua cara. – Dean não estava brincando, a raiva tinha lhe subido a cabeça.

- Dean... – Sam murmurou, agora se arrependendo de ter feito aquela provocação, e ele se arrependeu mais ainda quando o homem puxou Dean pela gola da jaqueta, e daí Dean o empurrou grosseiramente, e daí os dois começaram a brigar e todo mundo no bar tinha voltado suas atenções para assistir a luta. O homem tentou socar Dean, mas Dean desviou e o jogou em direção a mesa de sinuca socando seu rosto e arrancando sangue da boca do homem. Ele estava segurando o cara pela gola da camisa e ia dar outro soco nele quando Sam o barrou.

- Dean, para! – O mais novo gritou, segurando o braço do irmão. Dean parou no mesmo instante, e o homem escolheu essa hora para atacá-lo de novo e Sam observou horrorizado a briga sendo levada para aonde havia mais pessoas e Dean sendo jogado contra uma das mesas enquanto o homem dava um soco em seu estômago. Então Sam pensou que, ninguém batia nele, no seu corpo e, principalmente, ninguém batia em Dean. Porque mesmo que fosse seu corpo era Dean quem estava lá apanhando.

Dean nem precisou ter tempo de reverter a situação, Sam chegou por trás do homem e o tirou de cima do irmão o empurrando para longe. O homem pareceu assustado com o movimento, mas não fez nada além de encarar Sam.

- Ninguém faz nada contra o meu irmão, entendeu? – Sam praticamente gritou, olhando intensamente para o homem como se isso fosse fazer seu cérebro se derreter.

- Irmão? – O homem perguntou surpreso, se lembrando das palavras meio sugestivas de Dean pouco tempo atrás. Se ele ia fazer alguma coisa contra Sam ou Dean, ele pensou melhor a respeito disso quando viu que o rapaz maior tinha uma arma guardada parte por dentro da calça e parte para fora. Sam não disse nada quanto a pergunta, ele apenas puxou o irmão para fora do bar, ignorando completamente os olhares curiosos.

- Por que você tem que sempre partir pra porrada? – Sam perguntou quando já estavam lá fora, indo em direção ao Impala. Dean passava a mão pelo maxilar, sentindo-o doer mais do que costumava doer quando ele levava um soco em seu corpo, parecia até que o corpo de Sam era mais frágil pra essas coisas.

- E por que você ficou dando em cima daquele cara? – Dean perguntou, parado ao lado do carro. – Pensei que a gente tinha chegado a um acordo!

- É, que incluía não sair com garotas, não tinha nada dizendo que eu não podia sair com homens. – Sam resmungou, abrindo a porta e entrando no carro junto com Dean.

- Então ficou a fim daquele cara? – Dean perguntou, ligando o carro para saírem dali o mais rápido possível. Sam mantinha os braços cruzados e o olhar fixo na estrada. – Sam?!

- Não, eu só queria...

- O que?

- Ia ser engraçado o Dean Winchester mulherengo pra caramba ser fodido por um homem, ou pelo menos todo mundo pensar que foi. – Sam respondeu, visivelmente mal humorado, e ele sentiu a irritação aumentar quando Dean riu. Sam não tinha noção, até hoje, do quão sua risada forçada e desdenhosa era irritante.

- Você é quem ia ser o fodido na história. Agüentaria o tranco só pra me fazer ficar mal visto?

- Por que você tinha que dar em cima daquela garota? – Sam retrucou, olhando o irmão. Dean desviou o olhar, se concentrando na estrada. – Dean?!

- Vamos esquecer isso, ta legal? Vamos nos concentrar no nosso maldito caso de troca de corpos pra voltarmos ao normal logo.

Dean deu o assunto por encerrado e ligou o rádio, e Sam, muito a contragosto, se limitou a ficar calado e o silêncio tomou conta do carro o percurso todo até o Motel.


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N/A²: Olá pessoal! Desculpem mesmo pela demora em atualizar essa fanfic. Eu tive um problema com o computador recentemente que atrasou mais ainda meus planos de atualizar "E Se Eu Fosse Você?", na verdade todas as minhas fanfics, mas eu vou tentar não demorar tanto assim, não!

Ah, reviews são muito bem-vindas! Um beijo e até a próxima!

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L – Espero que você não tenha tido um piripaque! O.o Muito obrigada pela review e pelo elogio! :D Beeeeeijos ;*

Carol – De repente acabou xD Acho que esse capítulo também ficou curto, mas fazer o que, eu tive que parar aí. Muito obrigada pela review e pelo elogio, girl! Um beeeeeeijo ;*