Disclaimer: Saint Seiya não nos pertence, eles são propriedade de Masami Kurumada, Toei e Bandai. Este trabalho não possui fins lucrativos.

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Um grupo de estudantes andava por uma área mais residencial da cidade de Tokyo; trajavam um uniforme tradicional, a saia de pregas preta, com uma listra fina e vermelha na barra, uma blusa branca de mangas compridas, com os punhos e a gola pretas, com o mesmo detalhe da listra vermelha e uma gravata também vermelha.

Pararam na esquina de uma rua não muito movimentada, se despediram e foram para lados opostos. Rika andou um pouco sozinha, chegando a uma casa simples, mas muito bonita.

-Tadaima! –disse, tirando os sapatos e entrando em casa. Estranhou o silêncio que obteve em resposta. Lembrou-se de que suas amigas haviam conversado sobre um assaltante que parecia rondar a região e foi até a cozinha, pegou uma vassoura e subiu devagar as escadas que davam para o quarto de seus pais. Chegando lá, a cena que viu a deixou horrorizada.

Sua mãe estava deitada na cama, somente com as roupas de baixo, os pulsos amarrados acima da cabeça e várias marcas negras ao longo de seu corpo. Ela chorava e contorcia-se de dor, tentando gritar, mas parecia que sua voz não saia.

Olhando em volta, a japonesinha viu um homem muito belo parado ao lado de sua mãe, olhando-a com os olhos tristes e úmidos. Quis gritar por ajuda, mas uma mão tapou sua boca e um braço forte segurou sua cintura, mantendo-a quieta no lugar. A respiração pesada em sua nuca causou-lhe um arrepio de puro terror.

-Shhh... Acalme-se garota, não vamos machucá-la... –Rika começou a debater-se violentamente –Ei! Pare com isso, já falei que não vamos te machucar!

Afrodite se aproximou da japonesa, que o olhava desesperada e secou uma lágrima que descia por seu rosto, tocando-o suavemente.

-Eu sei que será difícil sem sua mãe, mas você e seu pai devem ser fortes por ela e se apoiarem e ajudarem mutuamente. Desculpe-me por tudo –assoprou de leve os lábios da garota, fazendo-a desmaiar. Pediu para Máscara levá-la para o quarto e a colocou na cama, a cobrindo até os ombros.

-Parece que o Milo vai ter um pouco de trabalho... –disse Afrodite, indo para o outro quarto e observando o corpo da mãe de Rika.

-Pelo menos nós fizemos algo –respondeu Máscara simplesmente.

-... –Afrodite suspirou e prendeu os cabelos em um coque baixo –Vamos para o hotel...

-E, mais uma vez, você fica deprimido...

-Cala a boca –respondeu, meio irritado.

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Olhou para o telefone pela quinta vez consecutiva, sem conseguir se decidir se ligava ou não. Eram 4:30 da manhã, provavelmente o outro ainda estava acordado, já que a diferença de fuso indicava que deviam ser umas 23:30 em Nova York. E sabia que Kamus estava lá.

Desde as 2:00 que estava na sala do apartamento de Shaka, pensando em Kamus. Tomou coragem, levantou-se e pegou o fone, discando o número do celular. Do outro lado da linha, o telefone chamou várias vezes até cair na caixa postal. Com um suspiro, Milo começou.

-Bem... Oi...

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Kamus saiu do banho e sentou na beirada da macia cama de hotel, começando a pentear os longos cabelos. Terminada a tarefa, jogou-se de costas na cama e cobriu os olhos com o braço, protegendo-os de olhar diretamente para a luz. Não conseguiria dormir, não gostava daquele lugar. Ouviu o celular tocando e o procurou com os olhos, encontrando-o na mesinha de cabeceira. Pegou o objeto e observou o nome que aparecia no visor: Milo.

Ficou em dúvida se atendia ou não, resolvendo por colocá-lo no meio da cama e sentando de frente para ele, esperando parar de tocar.

Observou o objeto por mais alguns segundos e levantou-se, indo até o frigobar e pegando uma garrafa de água bem gelada. Voltou para a cama e checou a caixa postal, verificando que havia uma mensagem nela. Encostou o aparelho ao ouvido e fechou os olhos, apreciando a voz que mais gostava de ouvir.

"Bem... Oi... Eu... Já faz algumas horas que eu estou acordado por causa de você... –suspirou- Me desculpe. Não sei exatamente pelo que, mas eu precisava me desculpar... Ahh, droga, não sei mais o que falar, eu... Eu te amo –deu uma pausa –Eu sei que você ouviu o celular tocando. Me ligue, por favor, quero muito falar com você. Beijos."

Kamus ouviu a mensagem mais algumas vezes e jogou-se novamente na cama, um discreto sorriso brincando em seus lábios.

-Hora de agir... –e levantou-se.

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Shaka acordou antes de Mu dessa vez. Espreguiçou-se e trocou de roupa rapidamente, indo para a sala, onde encontrou Milo deitado no sofá, encarando o teto.

-Bom dia! –disse o loiro, aproximando-se do outro.

-Bom... Bom dia... –disse, bagunçando os próprios cabelos.

-Quer que eu comece a preparar o café-da-manhã? O Mu deve acordar logo...

-Faça como quiser... –disse, e se trancou no quarto.

-O que um francês não faz... –comentou, indo para a cozinha.

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Mu acordou com o cheiro gostoso de café invadindo o quarto. Demorou um pouco para se levantar, espreguiçando-se de maneira manhosa. Foi devagar até a cozinha e viu Shaka terminando de preparar algumas torradas.

-Bom dia! –cumprimentou Shaka, sorrindo.

-... Bom dia... –disse, meio triste.

-Aconteceu alguma coisa? –perguntou, preocupado.

-Hã? Ahh... Não, não, tá tudo bem...

-Certo... Então, vamos –foi interrompido por uma batida na porta –Só um minuto –Shaka foi até a porta e voltou, segundos depois, com Kamus atrás de si.

-Bom dia, Mu –disse, sentando-se em uma das cadeiras da cozinha.

-Bom dia, Kamus –disse, fazendo o mesmo.

-Eu vou chamar o Milo –Shaka foi atrás do outro.

-Então, como foi o treino de ontem? –perguntou Kamus.

-Mais ou menos... Sei lá, eu me acho meio inútil...

-Por que?

-O Shaka me disse que eu sou um rastreador, mas eu não faço muita coisa, não é?

-Você me acha inútil?

-Não, de maneira nenhuma! Quer dizer, a única vez que eu o vi "lutar", você congelou aquela menina, foi incrível!

-Eu sou um rastreador.

-Ahh... Bem, eu... Desculpe. –respondeu Mu, vermelho.

-Você já tomou café hoje, Kamus? Se não, nos acompanhe, por favor –disse, Shaka, entrando novamente na cozinha e pondo quatro xícaras na mesa.

-Se não for incômodo... Você não vai entrar? –Kamus falou, enquanto punha café em sua xícara –Quem vai ficar com fome vai ser você.

Milo, que observava da porta, entrou e sentou-se na mesa. Os quatro começaram a comer e conversaram um pouco. Mu reparou que Shaka comia mais rápido que os outros dois. Entendeu o recado e começou a comer mais rápido também, acabando logo após o loiro. Retiraram seus pratos e foram para a sala, fechando a porta da cozinha assim que saíram.

Mu ficou em pé no centro da sala, enquanto Shaka sentou-se no sofá.

-O que será que fez Kamus vir até aqui a essa hora da manhã? –perguntou Mu

-Eu ouvi o Milo comentar que o Kamus estava em Nova York, então, pode haver dois motivos que trouxeram o francês aqui: o primeiro, é que ele não gosta muito dos EUA e o segundo, é que eu acho que aconteceu algum desentendimento entre eles.

-Espero que dê tudo certo entre eles...

-Vai dar, não se preocupe –sorriu Shaka e pegou uma revista que havia sido esquecida em cima do sofá. Mu reparou que ainda estava de pijamas e foi para o quarto, se trocar.

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Na cozinha, o silêncio reinava absoluto. Milo terminara de comer suas torradas e bebia lentamente o café. Kamus encarava o teto, os braços apoiados nas costas da cadeira.

-Você disse que queria falar comigo... –falou, sem sequer mudar de posição. Milo continuou em silêncio por um tempo, encarando sua xícara.

-Bem, eu queria...

-Então...?

-Eu... –mordeu o lábio inferior –Eu não sei o que dizer, na verdade...

-Então não diga. –Kamus finalmente o encarou, um brilho intenso no olhar –Venha morar comigo. Você já tem as chaves, é melhor para todos.

-Kamus, não... Não agora... Você sabe que é o que eu mais quero, você sabe disso –disse, se levantando e recostando-se na borda da pia –Eu queria pegar as minhas coisas e viver com você, como sempre quisemos, mas...

-Mas...?

-Mas se tem algo que aprendi quando vivo, é nem sempre seguir o que o seu coração deseja –falou tristemente, lançando um olhar significativo para Kamus, que se levantou e ficou frente a frente com Milo. Sabia exatamente sobre o que o outro falava.

-Seria melhor você vir comigo, mas já que tem medo...

-Não é medo!

-É o que, então? Me diga, Milo! Dê-me um motivo, um bom motivo para você sempre rejeitar o meu convite!

-Estamos em lados opostos.

-E daí? Não é a primeira vez.

-Mas eu não quero que o mesmo se repita novamente –Milo o olhou intensamente –Vamos fazer uma promessa: se continuarmos "vivos", depois que tudo isso acabar, nós vamos morar juntos. E finamente poderemos descansar e aproveitar nossa felicidade. Promete?

-Prometo –Milo sorriu e abraçou Kamus, que retribuiu, feliz –Você quer vir comigo hoje?

-Tentador... –Milo sussurrou ao ouvido de Kamus, que, mesmo não olhando para o rosto do outro, sabia que este ostentava um sorriso de canto –Mas ainda é cedo, por que não damos uma saída?

-Claro. Para onde você quer ir? –disse, encarando-o sem soltá-lo –Podemos fazer uma caminhada...

-Não... Quero algo mais... Emocionante... –um brilho perpassou os olhos de Milo –Vamos pular de bungee jumping?

-Você não tem jeito... – sorriu Kamus, balançando a cabeça e buscando os lábios do outro, quando ambos ouviram o barulho de algo se quebrando vindo da sala.

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Mu voltou para a sala vestindo uma calça de moletom azul marinho e uma blusa também azul marinho, que marcava um pouco sua cintura, parando em frente a Shaka, que ainda lia sua revista.

O loiro levantou os olhos, estranhando o silêncio do outro quando, surpreso e desesperado, viu que Mu chorava, apertando fortemente o cordão entre os dedos. O tibetano tinha os olhos arregalados e empalidecia aos poucos, tremendo dos pés à cabeça.

-Mu... –Shaka levantou-se devagar, aproximando-se do outro –O que houve? –as lágrimas aumentaram –Mu? –Shaka tocou em seu ombro, fazendo o outro levar um susto e recuar, batendo na estante atrás de si e derrubando alguns enfeites, que se espatifaram no chão.

-... Japão... –disse, escorregando pela estante e sentando-se no chão, abraçando os próprios joelhos.

-O que houve? Mu! –Milo chegava na sala com Kamus atrás de si –Shaka, o que houve?!

-Ele rastreou alguma coisa –falou Kamus calmamente.

-O que? –Shaka ajoelhou-se ao lado de Mu.

-Ele rastreou alguma coisa. Deve ter sido a primeira visão dele, algo bem chocante.

-Mu, acalme-se, eu estou aqui com você... –disse, abraçando o outro, que soluçava –Agora, me diga, o que foi que você viu?

-... sangue... lágrimas... –Shaka olhou para Kamus, que se aproximou de Mu.

-Onde você está, Mu?

-Japão... uma mulher... marcas negras...

-Afrodite –falou Milo –Kamus, você sabe onde ela está?

-Eu te levo lá –disse, se levantando –Não se preocupe, Shaka. O Mu logo vai se recuperar. Vamos, Milo.

-Você não precisa vir, Kamus. Só me diga onde é, como sempre, e nós nos encontramos na sua casa depois, certo?

-... Certo... Até mais, Shaka –e os dois deixaram o apartamento.

Shaka continuava abraçado a Mu, que apoiava a cabeça no ombro do loiro. Acariciava suas costas lentamente, de maneira terna, esperando que o outro se acalmasse.

-Eu estou aqui, Mu, nada de mal vai lhe acontecer. Nunca. –Shaka pegou a mão do outro e a levou até seu rosto –Vamos, acorde... Acorde... –sentiu sua mão ser apertada com força e Mu esconder o rosto em seu pescoço, parando, aos poucos, de tremer. Shaka levou a mão à nuca do outro, abraçando-o com mais força.

-Foi horrível...

-Shh... Já passou... Já passou...

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Kamus adentrou o espaçoso elevador de seu prédio, sendo acompanhado por uma mulher de longos e lisos cabelos loiros, cortados em diversas camadas. Usava uma mini-saia jeans, botas de cano longo negras e uma blusa de mangas ¾ vermelha, com decote em "V".

-Bom dia, Leon –disse, retirando os óculos escuros.

-Bom dia, Elisa.

-Acabei de voltar de uma sessão de fotos em Milão –disse, apertando o botão do 11º andar –Agora, só trabalho daqui a uns dias...

-Eu também acabei alguns negócios...

-Já almoçou? –perguntou, olhando-o de maneira sensual.

-Não, vou almoçar em casa.

-Ahh... Eu estou meio cansada, sabe... Talvez pudéssemos sair de noite, dar uma relaxada...

-Eu também estou cansado... Vamos deixar para outro dia.

-Eu vou cobrar, hein? –disse, um sorriso dançando em seu rosto –Até outro dia, Leon... –e saiu, deixando Kamus sozinho. Alguns segundos depois, o elevador parou no décimo terceiro andar, onde o francês desceu.

Kamus abriu a porta de sua cobertura e ouviu o barulho de seu chuveiro sendo desligado. Colocou as chaves na mesinha de centro e sentou-se na poltrona ao lado.

-O que está fazendo aqui, Afrodite? –perguntou calmamente. Alguns segundos depois, Afrodite apareceu, secando os cabelos e vestindo um robe pérola.

-Vim fazer companhia a você –disse, sentando-se na ponta do sofá em forma de "L".

-E se eu não estivesse sozinho? –perguntou, encarando o outro nos olhos.

-Eu sabia que você estaria sozinho, já que o Milo está fazendo um tour pelo Japão –Kamus nada falou –Posso comer alguma coisa?

-Sirva-se... Onde está o Máscara?

-Não sei, deve estar procurando briga em algum beco por aí... Disse que queria se divertir um pouco. Quando eu voltei paro o hotel e vi que você não estava, não quis ficar sozinho e vim pra cá.

-E seu eu voltasse para o hotel?

-Você voltaria? –perguntou, um sorriso nos lábios perfeitos.

-Que seja... –Kamus resmungou.

-Você quer que eu prepare algo para você? –perguntou, indo em direção à cozinha.

-Não... Mas se importaria de trazer um copo de vinho?

Afrodite voltou alguns minutos depois com um belo sanduíche em uma mão e uma taça de vinho na outra. Kamus pegou a taça e deu um longo gole, saboreando o líquido escuro. Olhou para Afrodite, que mastigava feliz o sanduíche.

-Afrodite... Você já viu o Máscara quebrando um feitiço...?

-Já... –disse, estremecendo –Não foi uma visão muito bonita... –respondeu, dando um sorriso triste –Por que pergunta?

-Eu... Nunca vi o Milo quebrando um... Queria saber o por quê dele não permitir que eu o veja nessas horas...

-Olha, Kamus –Afrodite começou, mantendo um ar sério –Quebrar um feitiço exige muito da pessoa, tanto física, quanto mentalmente Ela, literalmente, dá o seu sangue para que isso aconteça. E dói. Dói muito. Provavelmente... o Milo não queria que você o visse sofrendo... –um silêncio incômodo se instalou entre os dois –Bem... vamos ver tv?

-Acho que vou dormir um pouco... Fique à vontade...

Kamus foi para o seu quarto, mas sequer trocou de roupa, apenas se jogou na cama. Sabia que não dormiria, apenas queria ficar sozinho...

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-O que foi aquilo? –perguntou Mú.

-Uma visão. Você ainda terá muitas delas, mas infelizmente eu não posso dizer quando elas virão ou o que você verá... Na próxima vez, você terá que estar mais preparado –disse, brincando com a ponta dos cabelos do outro. Shaka estava sentado no chão, com as costas apoiadas na estante e acomodava Mu entre suas pernas, recostando a cabeça do outro em seu ombro.

-Foi tudo tão... Eu fiquei muito assustado...

-Eu não deixarei mais você ficar assim, está bem? –disse, passando instintivamente os braços ao redor do corpo do outro. Mu sorriu, estava tão bom ficar ali. Sentia-se protegido. Levantou o rosto do ombro de Shaka com a intenção de falar algo, mas calou-se ao ver quão próximos estavam seus rostos. Mu sentiu o coração disparar ao encarar aquele mar azul, que o olhava tão intensamente.

Shaka tocou o rosto do outro, corando levemente com o simples toque. Estremeceu quando Mu segurou sua mão e a levou até a nuca, olhando-o nos olhos. Seu coração batia descompassado, quando Mu fechou os olhos e se aproximou, umedecendo os lábios com a língua.

Os lábios roçaram em uma carícia leve, fazendo com que um choque percorresse os corpos de ambos. Shaka puxou mais o rosto de Mu e o beijou, timidamente procurando a língua do outro com a sua, e se surpreendendo por Mu acompanhá-lo com total entrega. O beijo aprofundou-se mais e o ar começou a faltar, fazendo com que ambos se afastassem, ofegantes.

Encararam-se por um tempo, normalizando a respiração. Mu se afastou e sentou-se de frente para Shaka, encarando o chão, enquanto o loiro, ainda em um estado de meio torpor, tocava seus lábios com a ponta de seus dedos.

-Me... Me desculpe, Shaka –disse Mu, nervoso –Eu não sei o que deu em mim, eu –Shaka aproximou-se do outro, sentando-se em seus tornozelos e levantando o rosto do menor, fazendo com que ele o encarasse.

-Não tem o que se desculpar... –e o beijou novamente.

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Milo abriu a porta da cobertura de Kamus e viu Afrodite sentado na sala, vendo tv.

-Oi, Milo! –olhou para o relógio em cima da mesinha e espantou-se –Nossa, já é noite! Nem vi o tempo passar... Já vou indo, seu francês ficou a tarde toda trancado no quarto. Tchau, Milo, avisa pro Kamus que eu já fui. Beijinhos. –e Afrodite saiu, deixando Milo sozinho. O escorpiano foi até o quarto e viu Kamus deitado de costas para a porta.

-O Dite mandou avisar que já foi –disse, sentando-se na beirada da cama.

-Que horas são? –disse, também sentando.

-Acho que 20:30...

-Como você esta?

-Bem, por que? –Kamus pegou as mãos de Milo e começou a analisar a palma, vendo algumas marcas nelas. Milo retirou as mãos rapidamente, trazendo-as de encontro ao peito.

-Por que você não quis que eu te acompanhasse?

-Acho que você já sabe a resposta... Vamos mudar de assunto, por favor?

-... Você quer jantar?

-Claro! –disse, animado –Eu posso preparar alguma coisa pra gente e...

-Nem tente. Se for você quem vai cozinhar, prefiro te chamar pra jantarmos fora –disse, se levantando.

-Agradecido pela parte que me toca. –respondeu, emburrado.

-Meu anjo, você é péssimo na cozinha, tem que admitir.

-Falou o chef... –disse, se levantando e pondo as mãos na cintura.

-Obrigado pelo elogio, mas minha modéstia não permite aceitá-lo –respondeu, com uma calma inabalável.

-Se é tão bom assim, prove...

-Desafio? –perguntou, dando um discreto sorriso, ao qual foi retribuído por outro de canto, vindo de Milo –Muito bem, escolha o prato que quiser, que eu faço. Se ficar bom, eu ganho, se não ficar, você ganha.

-Se eu ganhar, você cozinha o jantar pra mim por uma semana.

-Se eu ganhar, você faz o que eu quiser por uma semana...

-Uhh... Concorrência desleal! –respondeu Milo –Ahh, assim não vale, você sabe que eu vou torcer pra que você ganhe... –falou malicioso.

-Essa é a idéia... –e puxou Milo para um beijo.

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-Então, senhores, esses são os planos para o setor 4. Espero que consigamos atingir as metas para o final do semestre. Obrigado pela atenção e tenham um bom dia. –disse Julian, fechando suas planilhas e esperando seus colaboradores saírem da sala de reuniões. Conversou mais um pouco com alguns deles e voltou para sua sala.

As persianas fechadas permitam a entrada de apenas alguns feixes de luz. Sentou-se na cadeira larga e afrouxou a gravata, olhando meio de lado para seu laptop, onde uma mensagem sinalizava a enorme quantidade de e-mails que precisavam ser lidos. Fechou o aparelho, não tinha a mínima vontade de ler nenhum.

Uma luz vermelha começou a piscar dentre os vários terminais de seu telefone, chamando sua atenção. Julian apertou o botão e aguardou.

-O que foi, Michelle? –falou de forma cansada.

-Me desculpe, senhor Solo, eu não consegui detê-lo –falou nervosa.

-O que?

-O que você pensa que está fazendo?! –a porta foi aberta com um forte empurrão e Julian viu Isaak adentrar seu escritório, segurando um envelope vermelho nas mãos e sendo seguido por sua desesperada secretária.

-Sinto muito, senhor Solo, eu já chamei os seguranças...

-Tudo bem, Michelle, cancele os seguranças, eu cuido disso.

-Mas... –olhou para seu chefe, que assentiu com a cabeça –Tudo bem, com licença... –e saiu, fechando a porta atrás de si.

-O que é isso, hein?! –disse, jogando o envelope em Julian, que abriu seu conteúdo e o despejou sobre a mesa. Fotos, diversas fotos.

-Eu é que pergunto o que é isso –disse, mostrando as fotos em que estavam registradas as imagens de Isaak e um outro homem entrando e saindo de um motel e, em outras, os dois se beijando dentro de um carro.

-De repente você cancela minhas ligações, não fala mais comigo e eu recebo um envelope com essas fotos e um bilhete dizendo que você colocou um detetive atrás de mim!

-E se eu tiver mesmo posto? Você me deu motivos e depois certezas.

-Eu não acredito! O que eu fiz para você desconfiar de mim?!

-Você quase nunca estava em casa e eu sentia um perfume diferente em suas camisas!

-Eu não creio, você é inacreditável!! Eu nunca vi esse homem na minha vida!! E eu nunca te dei motivos pra desconfianças!

-E como você explica essas fotos?!

-Montagem!!

-Ahh, e o que o detetive ganharia com isso?

-Eu sou policial, esqueceu?! Investiguei o detetive Collins que você contratou e descobri que ele fez acordos financeiros com sua mãe –disse, mais sério –Aliás, não foi ela quem começou a plantar desconfianças entre nós? Você sabe que ela nunca aprovou nosso relacionamento –disse, de maneira ácida.

-Ahh, agora você quer jogar a culpa na minha mãe! –retrucou, mas sabendo que o que o outro falara poderia ser verdade.

-Não estou jogando, estou afirmando. Pergunte a ela, vamos ver o que ela responde. Você tem plena consciência de que ela é capaz disso e de muito mais. Já fiz o que vim aqui fazer. Agora cabe a você decidir em quem vai acreditar. Adeus, Julian –e saiu, deixando o outro sozinho e imerso em pensamentos.

Tomando sua decisão, Julian saiu de sua sala e foi até sua secretária.

-Michelle, cancele todos os meus compromissos de hoje. Também preciso que faça umas ligações pra mim, aqui estão os números –disse, entregando uma série de cartões para a moça –E quero jantar com esse homem ainda hoje –finalizou, apontando para um cartão em especial.

-Sim, senhor. Ahh, sim, senhor Julian? –o chamou de volta, quando este já ia se afastando –O senhor recebeu uma encomenda agora há pouco. Disseram ser de extrema urgência –disse, entregando um pequeno pacote em cima da mesa. Julian o pegou, agradeceu e desceu para o estacionamento do prédio, onde encontrou um senhor de idade, já meio calvo, trajando um uniforme preto com botões dourados.

-Bom dia, senhor Solo –disse, abrindo a porta traseira do Mercedes Classe E preto.

-Bom dia, Max –ele entrou no veículo e esperou Max sentar se no banco do motorista.

-Para onde vamos?

-Para o lugar de sempre –o carro deu partida e saiu do estacionamento, ganhando as ruas. Julian sabia que demoraria pelo menos uns vinte minutos até chegar ao seu destino, pegando então o pacote e o abrindo. Dentro havia uma carta, escrita em uma grafia forte, mas bonita e uma pequena caixinha azul. A carta não tinha remetente.

"Caro Julian,

Como está? Espero que bem. Talvez você não se lembre de mim, afinal, quando nos encontramos, você estava um pouco... bêbado. Mas isso já faz alguns dias.

Sentiu falta de algo na sua mão direita? Bem, como eu havia lhe dito, eu o estou devolvendo. Espero que seja feliz.

Boa sorte,

K."

-K? –Julian pegou a caixinha e a abriu. Lá, sobre veludo negro, encontrava-se seu fino anel de prata. Julian sorriu e o colocou em seu anelar direito –Obrigado, K.

O carro parou em frente a uma casinha simples, mas muito bonita, com um grande e bem cuidado jardim e um Renault Mégane Sedan prateado no caminho da garagem, indicando que havia alguém em casa.

Julian saiu do carro e avisou a Max que ligaria quando precisasse. Foi até a porta, pegou um molho de chaves no bolso da calça e entrou com cuidado, ouvindo o rádio ligado tocar músicas clássicas.

Foi até a sala e ouviu o barulho de uma porta sendo aberta. Olhou para trás e viu Isaac, que secava algumas lágrimas.

-Droga, esqueci que você tinha a chave...

-Não é a primeira vez que eu ouço isso... –a próxima faixa do CD começou a tocar e ambos começaram a rir –Noturno, n° 9, Chopin...

-Você lembra? –perguntou Isaac, com voz chorosa.

-Como esquecer? –aproximou-se do outro –É a nossa música... –segurou-o pela cintura e começaram a dançar lentamente, acompanhando o ritmo, um entendimento mútuo se instalando entre eles –A primeira vez que nos vimos...

-A primeira vez que nos beijamos...

-A nossa primeira vez...

-Sempre com essa música... Lembra quando éramos mais novos, que nós dizíamos que, quando nos casássemos, ia tocar essa música? –disse, tristemente.

-Lembro... E vai tocar.

-Mesmo? –Isaac levantou os olhos, um brilho de esperança se instalando neles.

-Mesmo... Eu queria pedir desculpas pra você... Acho que me excedi... Deveria ter falado com você, não te acusado... Mas eu fiquei com tanto ciúme que... –parou e encarou o menor, que lhe sorriu –Eu sei que hoje é seu dia de folga... E eu estou livre o resto do dia... Podíamos fazer alguma coisa...

-Claro. Você me espera me trocar?

-O tempo que for preciso... –e selou os lábios do outro com um beijo repleto de amor.

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Hikaru: oieee XD eu so vou começar a falar qndo a Tsuki parar de rir ¬¬

Tsuki ri e aponta

Hikaru: para de rir sua cegueta ¬¬ ... agora ela ta usando oculos XDDD

Tsuki: Sua sem graça ¬¬ E ainda por cima é macumbeira ¬¬

Hikaru: eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeuuuuuuuuuuuuuu????????O.O...q isso hihihihi

Tsuki: ¬¬ Poutz, enquanto a gente escreve, a Hikaru ta falando/lendo cada uma... Acho q o grau da miopia dela aumentou u.u

Hikaru: isso num vem ao caso ¬¬...aqui esta mais um capitulo da fic XD espero que gostem deixem suas opinioes e reviews ...se num deixarem ja sabem neh ?

Tsuki: Gente, desculpem a demora, mas eu to d recuperação ' Vai demorar p saírem os próximos caps, mas eu prometo editar o 8 o mais rápido possível Ahh, sim, por favor, não esqueçam deixar reviews com críticas, comentários ou oq quer q vcs queiram falar com a gente, isso é mt importante p nós

Hikaru: agradecemos a Anjo Setsuna, Mussha, Flor de Gelo e Kawaii Li-chan. Fikei mt contente ""-"" ... e kem sabe eu tente digitar mas se tiver erro de port oq eh provavel num reclamem ''''

Tsuki: ...enfim, espero q gostem desse cap Tb agradecemos àkeles q lêem a fic e não comentam P Mas podiam comentar, né? XD E um agradecimento especial a Virgo-chan Demorou, mas chegou XD

Infelizmente como estamos sem aulas as perolas num tao saindo . ...so umas ou outras mas esses sao mais atos q falas.