Capítulo 6 – Acostume-se.
- Eu tenho uma proposta de trabalho em grupo para vocês. Se juntem em quatro ou cinco e cada grupo terá que escolher um autor da nossa literatura para fazer uma análise da obra e do autor.
Os alunos começaram a gritar uns com os outros.
- Você vem no nosso grupo?
- Mas eu e a Susana já estamos juntas, tem espaço pra duas?
- Não dá, já fechamos cinco!
A Professora Minerva bateu com a régua na lousa, atraindo a atenção de todos.
- Com esse comportamento prefiro intervir. Eu vou separar os grupos.
Um muxoxo de lamento se espalhou pela sala enquanto a professora escrevia rapidamente em pequenos pedaços de papéis e os dobrava. Passou de carteira em carteira depois de cinco minutos, distribuindo os papéis.
- Os que pegaram o número um, se juntem ali. – Disse indicando um canto da sala. – Os que pegaram número dois, ali. E assim por diante. Civilizadamente. – Acrescentou se sentando dura em sua cadeira com uma sobrancelha erguida.
- Hei! Quem pegou número quatro? – Gritou Sirius Black erguendo os braços. A professora se ergueu de um salto. – He He, brincadeirinha professora, relaxa.
Em silêncio os alunos passaram pelos colegas procurando seus respectivos números. James observava em volta.
- Cara, que número você pegou? – Perguntou Sirius.
- Um. – Respondeu James. Sirius bufou.
- Acho que o Amos também pegou um, cara. – Comentou batendo no ombro do amigo, solidário.
- James! – A voz veio de trás dos meninos, era Laura. – Que número?
- Um.
- O meu também! – Respondeu erguendo seu papel. James sorriu e segurou a vontade de rir quando Sirius fez careta atrás de Laura. – O Amos também pegou.
- É? – Maldição. - Quem mais? Falta um no nosso. – Observou James suspirando discretamente.
- Prongs? – Era Remus que indicava o fundo da sala com a cabeça. – Severus Snape também pegou um.
- Ah, maravilha! – James respondeu sarcástico sem conseguir se conter.
- Um? – Perguntou Amos se aproximando.
- Sim. – Respondeu Laura. – Eu chamo ele. – Disse para James apertando de leve seu braço.
E se afastou na direção do último integrante. James acabara de perceber o quanto constrangedor isso seria, e quando ouviu Amos fazer uma pergunta a Minerva ele percebeu que podia piorar.
- Professora? A Lily faltou. Tem como encaixá-la no meu grupo?
- Muito bem, Senhor Diggory. Quem mais está no seu grupo?
- James, Laura e Severus.
James revirou os olhos sentindo seu peito inflamar. Que cara mais patético. Será que ele não sabia das desavenças entre Lily e Severus? Na raiva que Lily sentia por Severus tê-la magoado e escolhido andar com arruaceiros? Se ele não sabia de nada disso, duvidava que sabia também do sentimento de Snape por Lily. Uma coisa que a ruiva em si não percebia e negava continuamente, com as mesmas palavras: "Tínhamos uma amizade muita íntima, Snape e eu, coisa de infância, James deixe de ser ciumento." E nessa hora ela lhe dava um selinho. Pensando melhor. Pensou James ainda carrancudo. Melhor que Amos não saiba de Snape, vai ver Lily queira lhe dar selinhos também!
Laura se aproximou em seguida com Severus a suas costas. Sentaram-se na indicação da professora. James estava entre Laura e Amos, e ambos estavam do lado de Severus, deixando-os frente a frente no círculo torto que formaram. Severus olhava de James para Amos não sabendo quem odiava mais. Amos olhava de James para Laura. James olhava levemente enviesado para todos, inclusive a garota.
A última, sentindo o estresse e a tensão decidiu iniciar.
- Bem... Que tal decidirmos qual autor vamos escolher? Eu voto em Siegfried Sassoon. – Opinou olhando os nomes no caderno.
- Sassoon era apenas um militante gay que nem ao menos foi à guerra. – Comentou Snape num sussurro, os braços cruzados. – Seria um pouco injusto homenagear um homem assim.
- Homenagear? – Perguntou James. – É apenas um trabalho escolar, não uma tentativa de inserir um feriado nacional.
- Vejo que você nunca vai mudar ao dar tão pouca importância para um trabalho acadêmico. Isso não me surpreende. Mas eu me recuso a perder meu tempo com esse poeta.
- Realmente. – James concordou, sua voz carregada de ironia. – Seu tempo tem que estar livre para coisas que importam de verdade para alguém como você.
- O que isso quer dizer? – Perguntou Snape, uma sobrancelha saltando.
- Você me entendeu muito bem.
- Que tal Rupert Brooke? – Perguntou Amos, escolhendo um nome aleatório de sua lista.
- Eu gosto dele. – Comentou James, finalmente desviando os olhos de Snape. – Ele foi um herói de guerra, não foi?
A garota abriu a boca para responder, mas Snape entreviu.
- Ele também era gay.
- E isso faz com que seus feitos sejam menos válidos? – Perguntou Amos começando a se encher.
- O que você tem contra gays? – Perguntou Laura levemente chocada.
- Nada. – Respondeu simplesmente. – Não quero fazer dele.
- Que tal então você dar a sugestão? – Amos pediu percebendo uma resposta não amigável de James em seus olhos.
- Hm... Que tal George Orwell? – Questionou.
- Discordo. – Falou James prontamente. Laura bufou.
- Por que não?
- Só não quero perder meu tempo com ele.
- Eu também não. – Concordou Amos.
- Eu concordo. – Disse Laura. – estamos empatados.
- Deixe que a Lily desempate então. – Sugeriu Amos. – Ela não está aqui, então decide depois.
- Ótimo. – Concordou Laura sincera.
- Deixe que Lily decida então. – Concordou Severus com um sorriso malicioso para James.
-xx-
- Eu juro, é como se ele soubesse de algo que eu não sei. – Comentou James uma hora e meia depois da aula desgastante de Literatura.
- E por que isso está te incomodando tanto? – Perguntou Sirius ocupado em morder seu cachorro-quente.
- Porque tem relação com a Lily. Eu sei lá, parece uma conspiração!
- Você que ta com mania de perseguição. – Apontou o moreno com a boca cheia.
Remus chacoalhou a cabeça para se distrair das batatas palhas que caíam pela lateral da boca de Sirius para responder.
- Vai ver ele só quer te provocar. Deixando você pensar em coisa que não existe. Ele faria isso de propósito, claro. Com essa rixa entre vocês.
James balançou a cabeça.
- Acho que você tem razão.
- Por via das dúvidas a gente ameaça ele um pouco. – Disse Sirius tomando um gole de refrigerante.
- Olha, todos nós sabemos que essa fase já passou. – Interrompeu Remus.
- A fase de bater sim, mas não a da palavra, Remus. Seria apenas uma conversa entre colegas.
- Sei, claro. – Disse com uma careta. – A Lily não ia gostar nada, nada de saber disso.
- Não é como se fossemos convidá-la para ver, Remus. – Respondeu o moreno.
-xx-
Amos se sentava na cadeira do computador, o qual arrastara da escrivaninha de Lily, pedindo desculpas milhares de vezes.
- Eu já disse que não tem problema, Amos! – Comentou Lily levemente impaciente.
- Se eu soubesse que você ficaria gripada eu teria programado outra coisa! A culpa foi minha.
- Não inteiramente. Não foi você que enfiou um vírus garganta abaixo. – Ela deu de ombros enquanto puxava os cobertores para mais perto. – O que teve na escola?
- O professor de Biologia passou lição. – Informou o loiro ao ler a agenda.
- Quais páginas? – A voz de Lily saiu meio rouca e fanha.
- Página 326. E temos trabalho de literatura em grupo. – Biologia e Literatura eram as únicas matérias que Amos e Lily dividiam durante a semana.
- Em que grupo eu estou? – Perguntou erguendo levemente a cabeça para olhar Amos.
- No meu. E no de James, Laura e Severus Snape.
- O que? – Lily se ajeitou na cama, se erguendo levemente.
- Por que o que? – Perguntou Amos fechando a agenda.
- James e Severus no mesmo grupo.
- Foi sorteio.
- Ah.
- Eles discutiram na aula. Praticamente não deu pra trabalhar direito.
- Consigo imaginar. – Lily se ajeitou de novo na cama sentindo sua cabeça latejar.
- Acha que vai pra escola amanhã? – Perguntou se esticando até ela e colocando alguns fios ruivos atrás de sua orelha.
- Não sei. Se eu melhorar, sim. – Respondeu com um sorriso cansado.
- Seus olhos estão vermelhos, o que me assusta um pouco. Sua garganta provavelmente está cheia de catarro e seu nariz cheio de meleca. Então o ato que estou prestes a fazer significa que apesar de tudo isso, você continua linda. – Ele se inclinou mais e deu um leve beijo em seus lábios.
- Hm... Quem dera remédio tivesse esse gosto. – Comentou Lily sorrindo mais. Amos riu.
- Você nem ao menos sente o gosto de remédio, sente? Você está com o nariz entupido. – Acusou ele.
- Incrível que a sopa da minha mãe não tem gosto, já o remédio em gotas... Éca. – Respondeu com uma careta genuína.
Amos riu, olhou para o relógio no pulso ansioso, antes de se afastar.
- Acho melhor eu ir. Não quero atrapalhar em sua recuperação. Fora que amanhã temos Literatura, e não sei se vou agüentar outra discussão entre Snape e James, preciso de ajuda lá, e Laura não impõem muito sua presença.
Lily acenou com a cabeça e recebeu mais um beijo de Amos antes de ele se levantar e empurrar a cadeira de volta ao seu devido lugar. Quando ele estava na porta ela se desencostou do travesseiro e abraçou os joelhos antes de chamá-lo.
- O que? – Perguntou parando no batente da porta de seu quarto.
- Não precisa se preocupar de ir antes de meu pai chegar. Ele não morde. – Com isso deu uma piscadela fazendo-o sorrir antes de se afastar.
Suspirou e se encostou novamente no travesseiro, a cabeça zunindo e sentindo o nariz congestionado. Quase deu um salto ao ouvir o barulho do telefone. Ele tocou. Tocou. E tocou.
- Petúnia? – Gritou Lily sentindo sua garganta rasgar pelo esforço. – Se incomoda em atender ao menos uma vez? – Tocou. Tocou.
- Adivinha quem é? – Perguntou a irmã aparecendo na porta de seu quarto com o telefone da sala. O identificador, Lily conseguiu distinguir dizia 'James'.
Suspirou antes de pegar o telefone de seu quarto e atender.
- Alô. – Disse levemente mau-humorada.
- Se Amos Diggory tivesse faltado na escola eu suspeitaria que teriam cabulado aula juntos pra darem uns amassos.- A frase, apesar de ser brincadeira, estava levemente grossa.
- Que? – Perguntou confusa.
- Ah,você está doente.- Isso não havia sido uma pergunta. A voz suavizara completamente naquela altura. – Posso entrar?
- Entrar onde, James? – Perguntou se sentindo cada vez mais confusa.
- Em Nárnia, Lily. Onde você acha? Na sua casa! – Lily bufou.
- Claro que pode. Que horas vai chegar?
- Cinco horas, mais ou menos.
- Mas James... – Lily se esticou para o lado observando seu despertador. – São cinco horas, agora.
- É, eu sei. – Lily não ouvia a voz apenas através do telefone. Olhou para a porta e viu James parado no batente, onde minutos atrás Amos parara também. – E ai, o que você tem? – Perguntou desligando o telefone e se sentando na cama de Lily.
- Acho que só resfriada. Ou o início de uma pneumonia letal. – James revirou os olhos antes de medir a temperatura de Lily com as costas de sua mão.
- Como que você pegou essa pneumonia letal? – Perguntou com o cenho franzido.
- Que diferença isso faz? O que realmente importa é que estou no leito de morte e ao invés de me paparicar você parece estar bravo comigo. – Disse dramática ao coçar a testa.
- Está com dor de cabeça? – Perguntou adivinhando.
- Só um pouco. – Disse dando de ombros.
- Já volto. – Respondeu deixando Lily sozinha por dois minutos.
Voltou com um copo de leite e uma cartela de comprimidos. Destacou um na mão da garota e entregou-lhe o leite.
- Não que eu me importe em tomar conta de você. – Disse ele colocando o leite no criado-mudo. – Mas o que Amos estava fazendo aqui se não isso?
- Como sabe que Amos estava aqui?
- Eu vim vê-la. O vi chegando, esperei ele sair. Achei que ficaria incomodada se eu decidisse incomodá-la enquanto estava com seu namorado...
- Ele não é meu namorado.
- Em casa. – Concluiu fingido não ter sido interrompido. - Falando nisso, o que seu pai acha dele?
- Não tem nada pra achar. – Disse Lily. – Não somos nada.
- Ainda.
- Quanta perseguição. – Comentou ela sentindo uma discussão a caminho. – Qual é a sua?
- Nada. – Disse irritado. – Só parece que Amos não se importa com você estar doente.
- É um resfriado, pelo amor de Deus! – Disse Lily batendo a mão na perna. – E outra coisa, ele não é meu namorado, ele não é obrigado a cuidar de mim. Eu não quero que ele cuide de mim.
- Ah, mas você quer que eu cuide? – Perguntou defensivo, se levantando. – Adivinha, Lily? Eu também não sou mais seu namorado, também não preciso cuidar de você.
Lily pareceu atordoada.
- Eu estava brincando. – Informou ela lentamente, ele começou a andar de um lado para o outro. – Ou você é bobo o suficiente pra achar que eu falava sério? É um res-fri-a-do. – Repetiu impaciente. – O que há com você? Brigou com a Laura e decidiu descontar em mim?
- Como que a Laura veio parar nessa conversa?
- Do mesmo modo que o Amos, aparentemente. Fora que a Laura está mais perto de sua namorada do que o Amos de ser o meu namorado.
- Você não faz sentido nenhum. – Comentou balançando a cabeça. – Laura e eu não estamos namorando.
- Ah, mas é o que pretende, não é? – Lily estava prestes a falar sobre o anel que encontrara no quarto de James.
- Se você for falar naquele bichinho de novo, eu juro que ai eu dou o anel pra ela! Eu já disse, ele está lá desde a época em que estávamos juntos. Aquilo era pra ser seu.
- E por que ainda está lá? – James se refreou antes de dizer a verdade. Suspirou ao passar as mãos no cabelo. Lily também pareceu voltar a si, coma voz mais calma e agora mais rouca perguntou. – Isso é por causa de Snape?
James ergueu o olhar com um leve sorriso que ameaçava em seus lábios.
- Estamos no mesmo grupo. Eu, você, ele, Laura, Amos. E é incrível como ele tende a despertar esse ódio insano em mim. – Ele se aproximou de novo e se sentou, agora mais próximo do corpo de Lily quanto as leis da física permitiam. Pegou em sua mão e enlaçou seus dedos. – Desculpe.
Lily sorriu.
- Snape... – Começou ela. E por um instante, James imaginou que ela diria o mesmo discurso de quando James dava seus ataques de ciúmes. Por um instante. – É estranho. Ele mudou. Acho que não vale a pena ficar se estressando por causa de um trabalho, James.
- É. – Disse James esfregando o braço de Lily carinhosamente. – De qualquer maneira. Tem lição de trigonometria. – Lily bufou.
- Por que você não me traz uma novidade boa? – James riu.
- Bom, deixe eu pensar. Como você faltou não recebeu os resultados da votação para representantes do terceiro ano.
- Ah, sei. Os pobres coitados que vão ter que participar da organização dos bailes e de todo o resto? – James segurou o riso.
- Nós mesmos. Parabéns para nós.
Lily se ergueu, pela enésima vez, do travesseiro.
- Por favor diz que ta brincando. – Pediu sincera.
- Não. – Disse cruzando os braços. – Vencemos, foi quase unânime.
- Ah não. – Se jogou de costas no travesseiro com mais força que o necessário, batendo a cabeça na parede. –Ai. – Comentou passando a mão na parte machucada.
James revirou os olhos ao balançar a cabeça.
- Essa não é a melhor parte. Temos uma reunião amanha. Portanto, prepare-se tigresa, não vai poder faltar. – Lily ia soltar uma exclamação de protesto mas James a interrompeu lançando um olhar para seu despertador. – Que horas sua mãe ou seu pai chegam, hoje?
A mãe de Lily era advogada de direitos humanos, e o pai era advogado administrativo, ambos haviam se conhecido na faculdade, portanto, seus horários eram instáveis.
- Mamãe está com um caso importante, acho que só chega no horário da janta, mas meu pai está redigindo umas petições, então daqui a pouco.
- Bom, eu fico até um deles chegar. Chega pra lá. – Pediu empurrando Lily para um lado da cama e se sentando com ela.
- Se preferir, Petúnia pode cuidar de mim. –Os dois se entreolharam apenas por um segundo antes de cair na gargalhada.
- Tenho uma novidade, não sei se é exatamente boa, ou o que você vai achar. – Disse James ansioso.
- Qual é?
- Voltei com a Laura. Ontem a noite. – Informou. Lily permaneceu em silêncio. – Mas sabe o que ela me disse? – Ela negou. – Me disse que fazia aquelas coisas com você por medo de me perder... pra você, sabe. Disse que tem ciúmes de nós.
Lily sabia que era idiota e que não devia. Era estupidez levando em conta que ele acabara de contar que voltara com ela, mas ela perguntou.
- E o que você disse? – James pareceu surpreso com a pergunta.
- Bem eu... – James tinha duas opções. Ele podia contar a verdade. Dizer que ele havia a beijado e dito que ela era a escolha dele, e não Lily. Ou ele poderia mentir. E foi o que ele fez. - Respondi que dava pra entender. Mas que nós dois fizemos escolhas diferentes.
Lily concordou em silêncio.
- Ela meio que... Bem... Se arrepende do que fez com você.
- Tudo bem. – Disse Lily dando de ombros. – Relaxe, James. Estou confiando em você, e já que você confia nela eu não tenho o que contestar.
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- Lily? – Uma voz grossa acompanhada de passos vinha do corredor. – Como está se sentindo? Ah, olá James.
- Sr. Evans. – Disse James se erguendo da cama despreocupadamente e apertando a mão do homem. – Como vai? – Perguntou colocando a mão nos bolsos.
- Bem, muito bem. E você? Faz um tempo que não o vemos.
- É, vou bem. Vim dar uma olhada na Lily e passar os deveres. – Disse dando de ombros.
- Essa foi boa. – Comentou o pai dela sorrindo amistosamente para James e batendo em seu ombro amigavelmente.
- Oi, pai. – Comentou Lily.
- Ah, querida. – Disse se virando de costas para James que fez uma careta para Lily como se dissesse: Seu pai não acredita em mim. No que ela deu de ombros. – Está melhor?
- Um pouco. Só que minha dor de cabeça ainda não passou.
- É. – James complementou. – Eu dei o remédio que ela normalmente toma e não adiantou, talvez seja crise de enxaqueca.
- Eu só comecei a ter crises de enxaqueca depois que conheci sua mãe, garota. – Disse ele. – Espero que James não seja o motivo de você começar tão cedo.
- Ai pai... – Disse Lily nervosa, mas os dois coraram muito. James não pode evitar rir.
- De qualquer maneira é melhor eu ir. – Disse apontando para a porta do quarto de Lily. – Estive aqui por tempo demais e não quero mais causar problemas de saúde a Lily.
Ao ver que ela ia xingá-lo, James bateu de leve nas costas do pai de Lily.
- Até mais, Sr. Até amanhã, Lily.
Saiu do quarto com um sorriso e se retirou da casa da garota. Dirigiu calmamente até em casa e quando colocou um pé além da porta de entrada, um Sirius bravo estendia o telefone em sua direção.
- Eu juro que se ela ligar mais alguma vez, eu vou te dar um pé na bunda, Prongs. Liga pra ela, liga pra ela agora!
- Pra ela quem? Eu acabei de sair de lá! – Defendeu-se James, Sirius pareceu confuso.
- Que?
- É, eu deixei ela com o pai dela!
- Você já conheceu o pai da Laura?
- Você também já, Sirius! O advogado loiro... Ah! – Disse arrancando o telefone da mão do amigo e correndo escada acima. Sirius logo atrás.
- Perai, você tava falando do pai da Lils?
- Shh! – Pediu. – Alô, por favor a Laura.
- Você tava na casa dela? – Perguntou Sirius se atacando na cama de James.
- Shh! – Repetiu. – Oi, Laura.
Sirius ouviu a voz um pouco alterada de Laura e se levantou de um salto, postando-se ao lado de James e puxando o telefone um pouco para si para conseguir ouvir a conversa.
- Quer dizer, eu não consegui falar no seu celular, era sempre o Sirius que atendia. Você podia ao menos ter mencionado onde ia.
- Eu sei, Laura, me desculpa.
- Mas então?
- Então o que?
- Onde você estava?
- Bem, na verdade eu tava na casa da Lily. Ela ta bem doente então eu esperei o pai dela chegar lá. – Laura ficou um tempo em silêncio. – Laura?
- Você conhece o pai dela? – A voz tentava sair natural, mas era difícil de convencer James.
- Sim, faz muito tempo.
- Olha, James... – A voz estava quase um sussurro, mas estava calma. – Se você mudou de idéia sobre o que me disse ontem, fale agora, porque... – James parou de escutá-la naquele momento. Odiava quando Laura falava assim, pois ele sabia o que ela esperava dele. Esperava que ele dissesse bravo: "Não pense uma coisa dessas! Você sabe que só existe você em minha vida." Nessas horas todo garoto sabe o que dizer a uma garota para acalmá-la. O problema é que James não tinha vontade de dizer isso. Ele não se sentia assim. Ele sempre ficava na dúvida quando ela o jogava na parede. – James?
- Laura, estou mantendo o que eu te disse noite passada. – James garantiu de não alongar essa sua promessa, dando a entender que não pretendia cumpri-la. Era horrível de sua parte, se sentia um canalha. Mas era sempre em Lily que ele pensava nessas horas.
- Bom... Se é assim. Nos vemos amanha?
- Claro. – Respondeu.
Depois de desligar, Sirius o olhou inquieto.
- O que? – Perguntou.
- O que você disse a ela noite passada, seu safado? – Perguntou com um sorriso malicioso que logo saiu do seu rosto quando viu a expressão miserável de James. – Vixi.
O moreno de óculos narrou o ocorrido a Sirius. Sentou-se na cadeira do quarto batucando o pé freneticamente no chão, ato que se prolongou até depois que encerrou a história. O amigo, por sua vez sentou-se no pé da cama de James, encarando-o.
- Olha cara, você falando desse jeito até da pra entender um pouco a Laura, ok? Eu admito. Você e a Lily são tipo... – Parou ao olhar para James. - Mas por que, eu pergunto, por que, você se acertou com ela depois daquela coisa toda com a Lily?
- Por que? Padfoot, qual é! Por que você tem que envolver a Lily no meio disso sempre?
- Ué, você tava na casa de quem o final da tarde inteira? Com a sua namorada, ou com a Lily?
- Laura não é minha namorada.
- E a Lily é? – James bufou. – Eu a envolvi nisso porque sei o motivo que sempre impede você de falar o que sente a Laura. Você mesmo disse que é um cara negado pela garota que gosta! Você nem ao menos colocou a sentença o passado! Eu acho que você devia falar com a Lily e falar a verdade! Tudo o que você sente!
- E de que vai adiantar? Sabe, eu to cansado de ter essa conversa com você! Ela sabe como eu me sinto.
- Você disse a ela? Você disse: "Lily, eu ainda sou louco por você e quero que você seja minha namorada de novo?"
- Não nessas palavras, mas...
- Como você espera que ela descubra, então? Adivinhação? Ou a magia enigmática dos signos, segundo a professora Sibila?
- Por que você não pode simplesmente me apoiar? – Perguntou James nervoso.
- Ok, vamos fazer o seguinte. Se você me disser a verdade, e nada mais que a verdade para uma per... Uma não, duas! Duas perguntas. Pura verdade e eu nunca mais te incomodo quando o assunto for Lily.
- O que você acha que isso é? Um reality show? É a minha vida...
- Cara, só peço a verdade. Sou seu, Sirius. – Respondeu sério.
- Ok, certo. Muito bem. Quais perguntas?
- Por que você mentiu para Lily sobre o que respondeu a Laura? – James se sentou na cama e passou a mão por entre os cabelos. Deu um longo suspiro antes de responder, honestamente.
- Eu achei que se dissesse a verdade, ela pensaria que a minha primeira e única escolha seria a Laura, e não ela. E isso seria mentira. – Ele esfregou o rosto, cansado. – E eu sou um animal, porque mesmo sabendo que ela prefere Amos Diggory, eu não consigo nem ao menos fazê-la pensar que ela seria minha segunda opção. Eu sinto que...
James não evitou a avalanche que vinha, sentindo todas as palavras que engarrafara quando viu Lily aceitar se afastar de James no intervalo para ficar com Amos, quando viu que ela não estava terminando com ele, mas sim se deixando levar pela mão, sentando –se próxima a ele na grama, deixando-o beijá-la, provocá-la, quando observava ele roubar risadas dela, risadas que pertenciam a ele, James, aquela gargalhada animada que a fazia parar de respirar e procurar por ar, uma gargalhada que, juntamente com o vento, veio se engolfar ao redor de James, arrepiando-lhe os cabelos, tocando-lhe a face doce e tortuosamente, um vento que sussurrava palavras tristes e que penetrava por dentro do agasalho de James e o fazia se arrepiar dolorosamente.
– Eu preciso que ela saiba que eu sempre estarei lá. Porque é isso que eu sempre farei. Eu sempre vou estar lá. Talvez não como eu gostaria, mas o mais próximo que eu puder. Esperando só a oportunidade certa para poder... lembrá-la do que fomos uma vez. Do que perdemos. Do que acabou morrendo de repente, e eu nem sei por que.
Sirius suspirou não sabendo ao certo se ajudaria.
- Eu li uma vez, que o amor nunca morre. Ele deita nos braços da esperança.
James riu ironicamente.
- É. Você poderia resumir tudo que eu disse nessa frase. Poderia colocá-la no meu túmulo?
Sirius se limitou a sorrir para James.
- Uma última pergunta. – James acenou. – Por que você não conta ela a verdade? Por que não conta a ela tudo que acabou de me contar?
- Sinceramente?
- Sinceramente. – Concordou Sirius.
- Eu não sei. – Sirius se sentou ao lado de James. – Mas posso te fazer uma pergunta? – Sirius concordou.
- Se você fosse eu, o que você faria? Levando em conta a minha situação também. E levando em conta o fato que tem uma garota incrível que, apesar de você não ver isso, você vai ter que confiar em mim e acreditar quando eu digo que ela é demais.
Sirius demorou longos minutos para responder.
- Eu não sei o que te dizer. – Respondeu sincero. – Acho que ninguém pode te dizer o que fazer ou o que sentir. É uma pergunta que você tem que fazer a si mesmo. James, qual delas vale a pena lutar? Qual delas te faz se sentir bem? – James suspirou.
- Lily. – Respondeu.
- E você acha que vale a pena arriscar e conversar com ela? Vale a pena sofrer por ela?
- Magneto... – James disse com a voz mais baixa e mais grave, colocando uma mão pesarosa sobre o ombro de Sirius. – Por que faz perguntas, das quais já sabe a resposta?
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O salão possuía apenas dezoito alunos e todos os professores. A professora Minerva convocara a reunião dos representantes de cada série do Ensino Médio, e seus substitutos, ou "Vice-presidente" como Sirius gostava de se gabar a cada quinze minutos. Os Vice-presidentes do terceiro ano eram: Sirius, Marlene, Severus Snape e Bellatrix Black. Fora os dos segundos e primeiros anos.
- Teremos, como todos sabem, o Baile de Boas-Vindas de Hogwarts. – A mão da representante do segundo ano se levantou alta entre as cadeiras dos alunos. – Sim?
- Desculpe, professora, mas já estamos na escola faz um mês. Por que fazer o Baile agora ao invés de fazer na primeira semana como nos anos anteriores?
Nesse momento Dumbledore, sentado numa das últimas fileiras de cadeiras se ergueu, atraindo a atenção de todos.
- Bem, chegamos a conclusão que, os alunos os quais deviam ser bem-vindo a escola freqüentemente não vinham já que não conheciam ninguém daqui. Portanto se tornava apenas um Baile qualquer no qual o novato se sentia apenas mais excluído.
James e Sirius deram início a uma saraivada de palmas para Dumbledore que lhes mandou uma piscadela e se sentou novamente.
- Bom, com isso na mente de vocês precisamos informar que como representantes e substitutos...
- Vice-presidentes. – Tossiu Sirius arrancando risadas.
- Que seja, vice-presidentes, os senhores terão que dançar a valsa para dar início a cerimônia.
Um seqüência de gemidos desgostosos passou por entre os alunos. O diretor de arte se levantou com um pigarreio e falou numa voz monótona.
- Temos que dar o exemplo aos mais novos, se vocês, do Ensino Médio começarem a dançar eles se sentirão induzidos a fazer o mesmo. Afinal, a dança é uma das artes mais inigualáveis de...
- Induzir? Dar exemplo não seria encaminhá-los a fazer a coisa certa? Seria mais fácil atacar um par de sapato de dança na cabeça deles e ameaçá-los com notas. – Disse Lily.
Era incrível como o diretor de arte inflamava nela uma enorme vontade de se impor e discordar dele. Assim como Lily inflamava nele uma enorme vontade de esganá-la e lhe expulsar da escola. Isso estava evidente quando ele começou a ficar vermelho, a partir de suas orelhas, se arrastando até uma veia ameaçadora saltar pela sua testa no momento em que os alunos, e no meio, Dumbledore e Hagrid soltaram risadinhas.
- Talvez eu deva ameaçá-la com notas, Srta. Evans, para encaminhá-la a fazer a coisa certa e dançar no Baile.
- É algo decidido. – Disse a diretora se levantando também. – Todos os alunos daqui irão dançar no baile e ponto final. E ainda ajudarão na organização. As primeiras provas logo começaram e os professores não terão tempo de sobra para dedicar ao baile. Vocês tem um mês.
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- Aquela idiota. – Comentou Lily mais tarde na aula de Literatura. – Ela deve ter uma espécie de queda pelo diretor de arte. Coitada, ele é gay.
- Lily! – Chamou Emmeline sem conter o riso.
- É verdade! Eu e o James o flagramos uma vez tendo uma conversa no telefone. Uma conversa da qual não quero me recordar. Até hoje tenho imagens mentais quando o vejo.
- Formem seus grupos, e eu preciso que me informem dos autores que escolheram. – Disse Minerva que esperara apenas dois minutos até dar o exato horário de sua aula para se pronunciar.
- Então, quem vocês escolheram? – Perguntou Lily agora envolvida no círculo torto de seu grupo de número '1'.
- Na verdade, a decisão é sua. – Comentou Laura mais gentil do que o normal. – Estamos num empate. George Orwell. – Disse lendo de seu caderno. – Dois contra, dois a favor.
Lily deu uma rápida olhada ao redor tentando decifrar quem era qual.
- Bem, sinceramente eu sou a favor. Adoro os poemas dele. – Severus conteve um sorriso e deixou para mostrá-lo apenas para James, instantes depois quando todos escreviam o nome no caderno.
James havia se contido bravamente para não pular por cima das mesas e atacar Snape ali mesmo. Terminaram a aula calmamente, com Lily contornando qualquer possibilidade de afronta entre Snape e James.
- Então, decidiu quando vai contar a ela? – Perguntou Sirius na hora da saída.
- Sim. – Sirius pulou no capo do carro alegremente.
- Hei! – Disse James puxando-o pela barra da calça.
- Quando vai ser? Eu posso ver? – James lhe lançou um olhar mortífero.
- Vou contar a ela no Baile de Boas-Vindas.
- O que? – Sirius estava perplexo enquanto entrava no carro, mas teve que ficar quieto pois Laura caminhava até eles e entrava no banco da frente.
James deixou-a em casa e se despediram com um selinho. Sirius pulou para o banco da frente irritado.
- Um mês, cara. Um mês, até o Baile.
- Um mês até eu ficar um tempo com a Laura, manter o que eu disse a ela. Tentar viver sem Lily na cabeça e tomar uma decisão.
- Você é um babaca. – Disse Sirius nervoso. – Um babaca de primeira.
- Você acha que meus sentimentos vão mudar em um mês? – Perguntou James. – É só um teste cara.
- Pra mim você devia ir essa noite e surpreende-la.
- Uau. – James brecou no farol e olhou para Sirius. – O que eu devo fazer: Seguir o conselho do meu melhor amigo que nunca teve um relacionamento sério, ou seguir minha intuição de quem já esteve em um relacionamento sério.
- Um relacionamento sério. E foi com a Lily. E veja como esse acabou. Cara, só sei que em um mês Amos vai ter pedido Lily em namoro, ela vai ter aceitado e você vai moscar com a Laura. E nessa hora sabe qual vai ser a pior parte? Eu vou simplesmente adorar dizer que eu te avisei.
N/A: E aaai gente, eu demorei demais? Desculpe, mas esse cap ficou realmente enoooorme! Espero qe vcs tenham curtido e qero comentarios, please! Me digam o qe estao achando!
