SETE
Ok, que o chão se abra agora e me engula inteirinha. Por favor, por favor... Bah, nada! Maldita sorte.
A sala continuava cheia de gente, o sr. Andrews continua do meu lado com aquele sorriso risonho, mas, para mim, só existiam duas pessoas no mundo. Se eu realmente precisasse de ar, juro que estaria tendo um ataque de asma. Todos os meus instintos gritavam para que eu fugisse, o que me deixou completamente intrigada pois, eu sempre confio nos meus instintos, mas por quê diabos eu teria de fugir de um humano? Mesmo sendo um humano com os olhos mais azuis que já vi.
Então, respirei fundo, colei meu sorriso falso nº 5 no rosto e estendi a mão.
- Prazer, sr. Mathews! Sou Alexis Lê Blanc, mas pode me chamar só de Alexis.
Se ele me reconheceu, não demonstrou. Em vez disso, abriu um sorriso largo com belos dentes brancos e devolveu o cumprimento.
- O prazer é todo meu. E pode me chamar só de Dean.
O sr. Andrews, não se contendo até o final das apresentações, deu duas palminhas e falou entusiasmado:
- Ótimo, ótimo! Espero que se dêem bem. Mathews, porque não mostra o lugar para ela, huh? – Antes que pudesse receber uma resposta, deu meia volta e foi para o seu escritório.
O acompanhei com os olhos até a porta se fechar. Quando voltei minha atenção para o Dean, ele me olhava fixamente, me estudando, um sorriso torto escapando dos lábios.
PERIGO! PERIGO! PERIGO!
Ai, onde será eu abaixo essa vozinha chata da minha cabeça?
O cara não tirava os olhos de mim, dos meus olhos. Me perguntei se ele estava se esforçando para vislumbrar um brilho diferente neles. Então, ele havia me reconhecido? Bem, eu é que não ia perguntar.
Diminuí o nível do meu sorriso falso, saindo do nº 5, o estonteante, para o nº 3, o tímido com direito a risinhos, e tentei engatar uma conversa para sair dessa situação incômoda.
- Então... Dean! – como se fosse uma esplêndida observação, mas me dá uma folga, ta. – Parceiros, huh? Você andava com alguém antes?
- Sim, mas fomos separados para que eu pegasse esse caso. – Opa! Comecei mal. – Venha, vou te mostrar o local.
Sem que eu respondesse, ele me pegou pelo cotovelo e me direcionou para a porta. Não pude deixar de notar que suas mãos grandes envolviam todo o meu braço, irradiando um calor que parecia me queimar. E não precisava ter a minha sensibilidade olfativa para perceber o cheiro de almíscar da sua loção pós-barba e o cheiro amadeirado dos seus cabelos loiros que estavam grandes o bastante para se virarem no colarinho da camisa social branca fazendo pequenos cachinhos. Me deu uma vontade louca de enrolar os meus dedos naqueles cachos.
Balancei rapidamente a cabeça tentando me focar na realidade. Foi aí que percebi que a mão dele ainda estava me segurando. Não de um jeito forte, mas com força suficiente para que eu não me soltasse, se eu fosse uma pessoa normal, claro. Seguíamos por um longo corredor com várias portas de ambos os lados.
- Eu não deveria conhecer alguns desses lugares? – perguntei.
Não houve resposta.
Dobramos num outro corredor e após alguns passos percebi que não tinha saída. Só havia uma portinha com a placa "ALMOXARIFADO" escrito com tinta preta. Dean abriu a porta e me empurrou para dentro.
O lugar era minúsculo, cheio de caixas e produtos de limpeza com um pequeno basculante perto do teto para a entrada de ar. Dean entrou, fechou a porta atrás de si e se recostou nela, cruzando os braços sobre o peito. A camisa se repuxou nos cantos, ficando colada em seu peitoral que parecia ser tão incrível e viril como o resto do dono. Meus instintos só faltaram me chutar, pois sabia que estava encurralada e só conseguia pensar em como os pêlinhos que escapavam por debaixo das mangas dobradas eram tão loiros como ele. Oh, mas o quê que eu podia fazer? Uma garota tem de saber apreciar as coisas boas da vida, ou pós-vida no meu caso.
- Hum... É aqui que o pessoal do RH manda as novas duplas para se entrosarem? – falei dando um risinho e esquadrinhando todo o local para saber quais eram as minhas opções.
- Se entrosar? – Dean descruzou os braços e veio na minha direção. Seu andar demosntrava que não tinha nenhuma pressa, fazendo com que eu ficasse mais nervosa ainda.
A cada passo seu, eu dava um para trás e, como o lugar não era maior do que o lugar onde se guardava vassouras em Versalhes, eu logo estava escorada na parede. Dean parou na minha frente, apoiou as mãos na parede, uma em cada lado da minha cabeça, e se inclinou para que os nossos olhos ficassem no mesmo nível.
- Mude-os para mim – ele falou.
Sua voz reverberou em mim, me deixando meio tonta, não devia estar escutando direito.
- O quê? – perguntei.
- Seus olhos. Eles são até bonitos dessa cor, mas quero vê-los mudar novamente. Mude-os para mim.
Ai, caramba! Ok, ele me reconheceu, agora era oficial. Era hora de tentar alguma indução hipnótica vampirística. Não gostava de fazer isso, mas a situação media medidas extremas. Apesar de que aquele pedido me fez, por um milésimo de segundo, pensar em atendê-lo. Será que ele também sabe hipnose? Aff, se concentra Alexis! Amaciei a voz, banhando-a de encantamento e sedução e falei num tom não muito mais alto que um sussurro.
- Não sei do que está falando. Meus olhos sempre são azuis. E, além do mais, nós só fomos nos conhecer há poucos instantes.
Ele inclinou o rosto e piscou. Ficou me observando como se eu fosse uma total estranha. Ótimo, tinha dado certo.
- Do que você está falando? Você invadiu a cena do crime ontem à noite. Eu estava lá, te peguei. Mas, de repente, você sumiu. – ele parou por alguns segundos. – Só que, antes disso, seus olhos, eles brilharam. – esta última parte ele falou lentamente.
Como é que é? Eu fiz tudo direitinho, por que ele não se esqueceu de tudo? Se o Luc estivesse no meu lugar, ele saberia fazer isso. Aliás, era ele que deveria estará aqui. Que meleca! Os meus olhos... Na verdade, eles não brilharam, mas é que em vez de relampejaram numa cor avermelhada como os outros vampiros, eles têm uma variação mais puxado para o amarelo âmbar.
Dean se desencostou da parede e se endireitou, deixando-me minúscula diante de toda a sua altura. Ele deveria ter mais de 1,90 cm, mais ou menos, e era forte, com os ombros largos ocupando todo aquele pequeno lugar e me fazendo sentir como uma menininha de dez anos, se eu ainda lembrasse como era ser uma, diante da ferocidade do seu olhar.
- Vamos! Você ainda não tinha permissão de andar na cena do crime e vi que estava mexendo em alguma coisa. Além do mais, nunca deixei ninguém escapar numa perseguição. – Deveria me sentir lisonjeada? Hum, sendo o que sou... nah, acho que não! – E agora vem me dizendo que é do FBI, de um departamento no qual nunca ouvi falar.
O silêncio imperou por alguns minutos, a expectativa pairando sobre nós. Eu é que não ia abrir a minha boca, preferiria o combate visual. Apesar de ser um pouco difícil encarar aqueles olhos, parecia que ele estava olhando diretamente para todos os meus segredos. Finalmente, foi ele quem, dando uns passos para trás, quebrou o silêncio.
- Vamos trabalhar juntos, tudo bem. Mas você está escondendo alguma coisa, garota. Eu sei que está. Mais cedo ou mais tarde eu vou descobrir.
Me estudou mais um pouco e saiu andando, batendo com a porta do almoxarifado atrás de si. Suspirei aliviada. Nas últimas vinte e quatro horas tinha sido imprensada por ele duas vezes. Isso nunca me aconteceu, e tinha a impressão que esta não ia ser a última. Vou ter problemas... Maravilha! Afinal de contas, qual seria a graça de deixar a Alexis fazer o seu trabalho quietinha no seu canto, não é? Maldita sorte! Até parece que eu cuspi na cruz. Bem, o Abrahamn possa ter feito isso... talvez seja uma vingança coletiva do cara lá de cima. Tanto é que eu nunca ouvi falar de um vampiro sortudo. Nenhum de nós nunca ganhou na loteria. E olha que podemos passar muito tempo apostando.
Deixando minha sorte de lado, me esgueirei até a porta e espiei o corredor. Tudo limpo. Agora o jeito era tentar descobrir por mim mesma o caminho até os laboratórios.
N/A: Hello gentem!! Nyaaaa, ganhei o livro "Lua Nova" no evento de lançamento do livro na minha cidade, lero! Lero! Lero!
Sim, please, please, please, continuem comentando e dizendo o que vcs querem ver na história, ok! Fora cenas nc, isso eu sei q todo mundo quer! Hehehe!!
Ah, outra! Fiz a comu pra fic. Se chama "After Twilight Comes the Dawn" (ñ deu pra colocar o outro "the" ¬¬). Entrem!
BJocas para todas!!
