7º Passo: Abraçar Morgan
"Spency! Você se saiu tão bem!" Garcia o abraçou. Reid aceitou o abraço, mas não se moveu para retribuí-lo. Ele ainda não tinha tomado café.
"Obrigado," ele disse. "Agora eu posso tomar meu café?"
"O próximo passo é simples, você só tem que abraçar o Morgan."
A cabeça de Reid bateu contra a mesa num baque surdo. "Abraçar?" ele disse fracamente, sabendo que não teria a resposta que desejava.
"Sim, um pequeno abraço entre Spency e Morgan," Garcia deu umas risadinhas ao imaginar a cena.
"Você está agindo como uma garota, Garcia," Reid reclamou.
"Eu sou uma garota," Garcia falou soando apropriadamente ofendida.
"Não, você é uma mulher. Há uma diferença entre garota e mulher – uma mulher age com decoro que condiz a ela, e uma garota age como, bem, como você estava agindo agora pouco." Reid olhou para cima e encolheu os ombros.
Garcia parecia menos ofendida. "Bem, é divertido imaginar a cena. JJ e Emily concordam comigo"
"O que JJ e Emily têm haver com isso?" Reid estancou. "Você não contou para elas, contou?"
"Não, mas nós mulheres precisamos de alguma coisa para passar o tempo," ela sorriu afetadamente.
"Vocês pensam que nós somos gays?" Reid fez uma careta.
"Não, mas você e Morgan são tão lindos juntos." Reid se afastou antes que ela pudesse beliscar sua bochecha. "De qualquer jeito, você vai pensar em um modo para você abraçá-lo, e tenha certeza que você VAI ter que fazer isso."
Reid concordou com a cabeça "Agora, meu café?"
"Pode ir," ela o guiou em direção à porta.
O rosto de Reid se iluminou e ele andou rapidamente em direção a máquina de café. No entanto, ele foi parado, enquanto andava, por uma mão em volta da sua cintura. "Hey, Jane" Morgan sorriu.
"Tarzan," Reid disse, ainda querendo o seu café. Morgan, como um anjo, mostrou um copo na sua mão. "Obrigado," ele suspirou, tomando um longo gole. Reid sorriu, "Bastante creme e açúcar, nada mal."
"Eu acho que a mulher da cafeteria desmaiou quando eu comprei o café," Morgan disse. "Tanto açúcar afinal, Sweet boy. Eu acho que Jane gosta de açúcar."
Reid estava muito satisfeito com o café, para replicar. "Muito doce."
"Você vai ficar com dor de dente," Morgan disse, virando uma cadeira e se sentando com uma perna de cada lado da cadeira.
"Pelo menos eu não tenho dentofobia," Reid riu. Morgan não mostrou nenhuma reação. "Dentofobia é ter medo de dentistas," Reid explicou. Morgan esboçou um sorriso, mas Reid não sabia se era por causa da piada ou porque Reid teve que explicar a piada.
"Então, você vai sair com o time hoje?" Morgan perguntou, mantendo uma voz casual.
"Para onde?" Reid perguntou tão casual quanto.
"Eu acho que para um pequeno restaurante, há algumas quadras daqui," Morgan disse com uma voz mais interessada agora, seus olhos atentos a Reid.
Reid encontrou seus olhos, "Eu acho que vou."
"Que bom."
Reid sorriu. "Yeah, isso é ótimo."
"Meninos, caso," Emily disse e os dois se levantaram e foram em direção a sala de reunião.
O caso envolvia três mulheres assassinadas nas suas camas em Virginia com pequenos cortes em cada um dos corpos, criando um padrão que Reid reconheceu como os símbolos de segregação de raça usados pelos arianos. (1)
Era estranho que algumas horas depois, quando Reid estava prisioneiro do suspeito – o que estava rapidamente se tornando uma cena comum- com uma arma apontada na sua cabeça e alguém sussurrando na sua orelha, ele pensou no restaurante. "Você tem um rosto bonito," o homem dizia e Reid se retraiu quando uma mão golpeou sua face.
O time estava a caminho, ele sabia disso.
Eles só precisavam de tempo e ele sabia que tinha de se manter vivo até eles chegarem.
Ele não sabia como continuava caindo nesse tipo de situação. O prédio tinha sido vasculhado, mas o suspeito voltou. Se encaixava no perfil que Reid tinha feito no dia anterior, e ele sabia que o homem era instável e essa instabilidade fazia dele mais perigoso que a maioria.
Adam, John, segundo presidente dos EUA de 1797 a 1801.
"Você acha que eles vão vir te ajudar?" ele puxava o cabelo de Reid bem apertado causando muita dor por alguns segundos antes dele solta-los – uma mistura de dor e casualidade.
Adams, John Quincy, sexto presidente dos EUA de 1825 a 1829.
"Eles não vão te ajudar, sabia? Doutor Reid," ele zombou do nome. "Você não importa porra nenhuma." A arma pressionada com mais força no pescoço de Reid.
Arthut, Chester Alan, vigésimo primeiro presidente dos EUA de 1881 a 1885.
"Eles estão vindo," ele disse ofegante, "E você vai ser pego. Coloque a arma no chão, você não conseguirá escapar."
Buchanam, James, décimo quinto presidente dos EUA de 1857 a 1861.
"Os outros gritavam, sabe, não paravam de gritar." Reid sentiu algo molhado na sua orelha e não pode esconder seu medo. "Você não grita muito, não é?"
Bush, George, quadragésimo primeiro presidente dos EUA de 1989 a 1993.
"Grite," o homem ordenou, a arma pressionada contra o seu queixo dolorosamente.
Carter, Jimmy, trigésimo nono presidente dos EUA de 1977 a 1981.
Reid deixou escapar um grito baixo, baixo demais para ser considerado um grito. O homem riu e pressionou a arma com mais força. "Se esforce mais, você tem uma namorada, não, você não tem, você tem um namorado em casa que te faz gritar?"
Clevand, Grover, vigésimo segundo e vigésimo quarto presidente dos EUA de 1885 a 1889 e de 1893 a 1897.
"Grite, garoto, grite!" Ele estava gritando na sua orelha. Garoto. Reid se lembrou de Morgan. Onde ele estava? Morgan deveria estar aqui, o salvando. Ele deixou sair um gemido de dor, mas não gritou, talvez ele não conseguisse gritar.
Clinton, Bill, quadragésimo segundo presidente dos EUA de 1993 a 2001.
Uma faca cortou o seu estômago e Reid sabia que ele seguiria o padrão dos últimos crimes e deixou escapar um grito baixo. "Melhor," o homem disse e Reid sabia que ele estava sorrindo, ele podia sentir isso contra sua face. "Bem melhor," ele puxou os cabelos de Reid "Agora, tente mais alto."
Coolidge, Clavin, décimo terceiro presidente dos EUA de 1923 a 1929
O homem já havia tirado a sua camisa e havia mais cortes sendo feitos na lateral de seu corpo. Ele deixou sair pequenos gemidos, mas nada mais que isso, sem dar ao homem mais nada. Ele traçou o perfil dele, ele gostava do som do medo e da dor, seria como dar munição a alguém armado.
Eisenhower, Dwight D, trigésimo quarto presidente dos EUA de 1953 a 1961.
Os presidentes eram muito úteis para acalmá-lo. "Grite mais alto," o homem disse como se fosse uma sugestão. Reid segurou sua boca fechada, a faca fez mais cortes acima e próximo à suas costas. O homem estava apenas causando cortes superficiais até agora, entretanto Reid sabia que eles passariam a ser mais profundos a medida que ele continuasse – ele havia estudado os outros corpos por horas a fio – ele sabia que se isso continuasse, ele iria morrer.
Filmore, Millard, de 1850 a 1853-
Houve um barulho.
Os olhos de Reid se dirigiram aonde ele ouvira o barulho. Ele reconheceu o som do time, ele era inconfundível e ele sabia como eles estariam. Morgan estaria liderando, Hotch e Emily estariam cada um de um lado de Morgan, ele iria sinalizar para eles entrarem e a qualquer segundo eles abririam a por-
A porta foi escancarada. Morgan entrou, a arma antes dele e ele olhou em volta.
Reid sabia o instante no qual Morgan percebeu o estado em que estava porque os olhos dele escureceram e a postura dele mudou para uma mais ameaçadora, todo o corpo dele pareceu mudar. Não era o Morgan que ele conhecia e amava, apesar de se recusar a admitir isso, mas um Morgan diferente.
"Carl Parker," Morgan falou bem alto, "Aqui é o FBI, solte a arma."
O homem sorriu largamente e Reid sentiu uma mão deslizando pelo seu rosto, parando no seu estômago, protegendo o seu refém do policial.
Aconteceu rápido, no momento que o homem se mexeu houve um som que ele sabia que era de um tiro e então, o homem estava no chão e Reid continuava na mesma posição. Ele piscou, "Você o matou."
Morgan caminhou na direção dele, "Nós precisamos sair daqui." Hotch estava perto dele e Emily também e Reid também pensou ter visto Rossi.
Reid sorriu, Morgan o levantou e falava alguma coisa, mas Reid desmaiouno puro branco.
Quando abriu os olhos de novo ele reconheceu um hospital e viu Morgan, sentado numa das cadeiras desconfortáveis de hospital, sorrindo para ele. "Hey, como você está se sentindo?"
"Bem," Reid disse e sorriu para Morgan. "Você me carregou?"
Morgan riu, "Sim, e Pretty Boy, você não é tão leve como aparenta."
Reid riu e se sentou, "Eu te disse que não precisava de mais 'carne'."
"Você estava certo," Morgan se levantou e colocou alguns travesseiros atrás de Reid, este sorriu agradecido. Um silêncio reconfortante permaneceu no ar e Reid não sentiu necessidade de quebrá-lo.
"Obrigado," ele disse após algum tempo.
"Sem problemas, cara," Morgan disse. "Hey, você pode sair daqui quando quiser."
Reid desceu da cama e olhou para a fina roupa de hospital. "Eu tenho alguma roupa aqui?"
"Eu acho que ela está aqui," Morgan apontou para a cômoda. Reid foi até lá e tirou as roupas, mas ele congelou ao olhá-las.
"Elas estão cheias de sangue." Ele olhou para Morgan, "Eu não posso vesti-las."
Morgan sorriu, "Eu tenho de algumas roupas dereserva, mas você não quer realmente usar minhas roupas?"
"Eu acho que serei obrigado a usar." Reid congelou.
"Aqui," Morgan jogou para ele algumas roupas. "Não me culpe por você ser tão magro e não poder usar roupas de verdade." Houve uma batida na porta e Hotch entrou com uma mala.
"Você pode usar as minhas," ele sorriu para Reid. "Espero que esteja se sentindo melhor."
"Sim, obrigado," Reid disse, pegando a mala, agradecido. "Essas ficarão enormes."
"Elas não ficarão pequenas," Morgan disse com um super sorriso (2). "Isso é vantagem, certo?"
Reid sorriu a brincadeira, "Eu acho que sim." Ele olhou em volta. "Onde é o banheiro?"
"Naquela porta," Morgan apontou. Reid trancou a porta e tirou sua roupa, jogando-as na mala. Ele se olhou no espelho, se virando lentamente. Sua pele estava cicatrizada com cortes superficiais já que o homem foi parado antes que algo pior pudesse acontecer, mas ainda demorava alguns dias para sumirem completamente. Esses eram do lado direito, Reid virou a cabeça para poder ver melhor suas costas.
Ele não ficou com medo.
Ele colocou a roupa do Hotch e riu perante seu reflexo. As roupas ficaram soltas no seu corpo, o cobrindo completamente, eram enormes. Ele abriu a porta e saiu do banheiro, a conversa entre Hotch e Morgan parou. Hotch teve o tato de esconder sua risada, mas Morgan não fez o mesmo.
"Pretty Boy, você parece um idiota."
Reid mandou um olhar de escárnio na direção dele.
"Você está" Hotch cobriu sua risada com um tossido, "bem, Reid." Ele tossiu- riu- de novo. "Morgan vai te levar para casa."
"Oh, não precisa, eu posso pegar-"
"Cala a boca, Gênio," Morgan disse, passando um braço pelo ombro dele. "Eu vou te levar em casa. Sinta-se sortudo, a maioria das mulheres não tem esse prazer." Reid deu uma cotovelada no estômago do Morgan sem muita força.
"Obrigado," Reid disse sarcástico, então se virou para Hotch, "Obrigado pelas roupas, eu vou devolvê-las assim que lavar."
"Não se preocupe com isso," Hotch disse, saindo com eles, "Você tem dois dias de folga, até mais." Hotch foi embora e Reid se virou para Morgan.
"Dois dias?" ele estava surpreso.
Morgan encolheu os ombros, "Sim, todos do time têm dois dias de folga." Ele parou de repente e Reid o olhou.
"O que foi?"
Morgan caminhou em sua direção e por alguns segundos Reid imaginou que ele ia- os braços de Morgan estavam na sua volta e as mãos de Reid se moveram automaticamente para retribuir o abraço. Ele cheirou Morgan – um forte traço que ele reconheceu como uma mistura de colônia, café e pimenta – e sentiu o calor dele – o envolvendo como se fosse algo tangível- e ele podia ouvir Morgan – suaves sopros da respiração dele perto da orelha de Reid- e, então tudo se foi.
Reid sentiu falta do contato imediatamente.
"O que- porque você fez isso?" Reid perguntou, gaguejando um pouco.
"Apenas," Morgan balançou os ombros.
Reid pensou que essa era razão suficiente.
Nota da tradutora:
(1) Acho que parecidos com o da 2ª Guerra, os nazistas eram os arianos e pregavam que eram superiores a todas as outras raças.
(2) Só para ter uma idéia (sim, ainda não uso a nova regra u.u) a autora usou no original a expressão "a megawatt grin", vocês têm idéia quanta luz um megawatt fornece? Sim, eu queria um sorriso desses do Morgan. rs
Obrigada por acompanharem a fic! Reid e Morgan cada vez mais próximos, ansiosos pelo próximo passo?
