Capítulo VII

Após ter recebido os devidos cuidados da senhora Sue Clearwater, Bella foi apresentada ao resto da criadagem. Ela conheceu e saudou a todos de forma muito educada e se agradou em saber que a família Denali trabalhava na fazenda a gerações.

A esposa de Eleazar, Carmem, era bastante carismática, diferente de sua irmã mais nova, Irina, que parecia sempre de mau humor. Mas quem realmente não agradou a marquesa, foi à irmã do meio, Tanya Denali. A loira morango era uma jovem de beleza estonteante, que sempre lançava olhares suspeitos para Edward quando achava que ninguém a estava vendo, o que enfurecia Bella de um modo inusitado.

Para concluir, ainda havia a irmã mais jovem de Eleazar, Kate Denali, que mesmo sendo três anos mais jovem do que Bella, fora a que melhor se deu com esta. Outra criada que a marquesa conheceu foi Leah Clearwater, uma jovem de caráter fechado que ajudava Carmem na cozinha.

Fora isto, os três primeiros dias após o casamento seguiram uma rotina freqüente, onde ela e o marido passavam a maior parte da noite lendo na biblioteca e logo depois iam recolher-se em seus respectivos quartos.

Por sorte, o braço de Bella havia apenas sofrido uma simples torção, e agora que estava bem melhor, ela nem precisava mais imobilizar-lo. Mas ainda assim, a jovem marquesa tivera suas atividades limitadas à leituras e a passeios pela propriedade.

Entretanto, aquela noite prometia ser diferente. Já fazia alguns minutos que Bella tinha abandonado a biblioteca e se recolhera em seu leito, quando ouviu leves batidas em sua porta. Sem perder tempo, vestiu o roupão de seda, e destrancou a fechadura para ver quem a incomodava.

-Edward? – Falou espantada ao ver o marido parado no corredor com um sorriso enigmático e usando um terno negro que o deixava ainda mais imponente – O que diabos faz aqui e por que está vestido deste jeito?

-Vim convidar meu bom e velho amigo Sebastian para um baile na aldeia! – Respondeu ele extremamente empolgado.

-Como disse? Só pode estar louco... Sabe muito bem que o povoado é pequeno e alguém poderia me reconhecer, mesmo estando travestida de Sebastian!

-Não se você estiver usando mascara minha cara! O baile em questão exige que os convidados estejam mascarados!

-E por que diabos alguém iria a um baile de mascaras em um fim de mundo como este?

-Oras, digamos que estarão presentes os grandes nomes da sociedade londrina! – Falou ele como se aquilo fosse obvio, mas logo percebeu a confusão nos olhos da esposa e se pôs a explicar de forma mais sucinta – Este não é um baile comum sabe... É o tipo de local onde homens e mulheres podem freqüentar sem temerem as leis da sociedade.

-O que? Quer dizer que mulheres das mais altas estirpes vão a este tipo de festa só para terem... Aventuras?

-Exatamente! Algumas viúvas que herdaram grandes fortunas são obrigadas a manter as aparências perante a corte. Mas elas não deixaram de serem mulheres, e precisam ter suas... – Ele parece pensar um pouco até achar a palavra mais adequada – Necessidades saciadas. É por isto que todos devem usar mascaras neste baile, para que não sejam reconhecidos e tenham seus nomes envolvidos com escândalos. Se quer mesmo saber, soube que até mesmo mulheres casadas vão a esta festa em busca de aventuras!

-Santo deus... Como pode querer me levar a um antro destes? – Indaga Bella parecendo ofendida.

-Por que é o tipo de lugar que o jovem Sebastian gostaria de conhecer! Você poderá ser mais livre do que em qualquer outro local de Londres. E então? Virá comigo? – Ela pensou um pouco mais... Certamente, seria interessante ver como todos se comportavam quando estavam livres dos olhos da sociedade. E que mal haveria afinal? Estaria na companhia de seu marido não estaria?

-Certo, estarei pronta em um segundo!

-Ótimo. Irei esperar-la lá nos estábulos. E não se preocupe, já providenciei as nossas próprias máscaras. Mas tome cuidado para não ser vista por nenhum criado!

Ela Fez que sim com a cabeça, e o viu indo em direção as escadas. Em questão de minutos, Sebastian estava pronto, usando seu rotineiro terno, e se dirigiu aos estábulos sem ser visto por ninguém. Edward já havia atrelado dois cavalos para eles, e disse que não poderiam ir montados em Cora e Ades, se não corriam o risco de alguém reconhecer os animais.

Quando chegaram ao local do Baile, cobriram seus rostos com as mascaras negras, e o marques disse a tal "senha" que o porteiro exigiu para deixar-los entrar. Aquilo incomodou um pouco a Bella. Como o marido sabia o que dizer para o porteiro? Será que ele ia em festa como aquela com mais freqüência do que ela imaginara?

Mas logo sua mente foi tomada pela onda de informações que o ambiente lhe oferecia, pois eles haviam acabado de adentrar no salão onde o baile acontecia. A marquesa ficara abismada com o ar misterioso do local, que era ressaltado graças à presença de enumeras damas e cavalheiros mascarados.

Bella nunca viu mulheres agindo daquela forma descontraída. Elas fumavam, bebiam e até mesmo tiravam alguns homens para dançar. As poucas velas que haviam no antro, mal conseguiam iluminar o local, o que dificultava ainda mais a identificação dos bailarinos.

Edward lhe acompanhou pacientemente enquanto ela desfilava pelo salão e observava cada detalhe para gravar-los bem em sua mente.

-Não posso acreditar que estas pessoas são mesmo da alta sociedade! – Disse ela boquiaberta ao ver um casal aos beijos atrás de uma figa de sustentação.

-Pois acredite em mim meu jovem... Aquele homem, por exemplo, – Edward apontou de forma discreta para um senhor extremamente gordo e de cabelos grisalhos – Mesmo estando de mascara, sei que é o governador Smith!

-Como pode reconhecer-lo estando com o rosto encoberto?

-Acredite em mim, aquela barriga enorme é inconfundível! – Disse ele rindo frouxo – Quer algo para beber?

-Oh sim, por favor. Adoraria um pouco de vinho. – Ele acenou com a cabeça e logo seguiu em direção a mesa de bebidas, a deixando no salão. Mas poucos segundos após ter ficado sozinha, Bella notou que duas mulheres que deveriam ser alguns anos mais velhas que ela, se aproximavam.

-Ora, ora! O que temos aqui! – Disse a primeira que usava um revelador vestido azul e já tinha alguns fios brancos na cabeça – Que adorável rapazote!

-Oh sim... Mas eu ainda prefiro o homem que o acompanhava há pouco! – Disse a outra que estava vestida exatamente igual à primeira, mudando apenas a cor do vestido para vermelho. Seus cabelos eram loiros, e sua voz, mostrava que era um pouco mais jovem que a amiga – Não tenho o mesmo fetiche que você tem por rapazotes!

-Menos mal querida! Assim não terei concorrência. – A dama de azul deslizou os dedos de forma sedutora pelos ombros de Bella, o que a fez rir diante da confusão – Então meu jovem... Não gostaria de descobrir um mundo de prazeres junto a mim?

-Perdoe-me milady, mas tenho que aguardar meu amigo voltar da mesa das bebidas! – Disse "Sebastian" apontando para Edward um pouco mais adiante.

-Pois não se preocupe querido! – Disse a dama de vermelho com um largo sorriso – Direi a seu amigo que você esta em ótimas mãos, enquanto ele estiver se divertindo em meus braços! – E andando de forma sensual, a loira rumou em direção a Edward.

-Então meu jovem... Não quer mesmo descobrir o doce gosto de minha língua em sua boca? – Provocou novamente a dama de azul, o que fez Bella se sobressaltar.

-O que? A senhora também usa a língua quando beija?

-Mais é claro meu querido! – Respondeu a mulher dando uma leve gargalhada mediante a ingenuidade do garoto. Mas aquilo deixou Bella constrangida, pois ela achava que apenas Edward fazia aquela caricia tão intima em sua boca – Todos usam a língua quando estamos sedentos de desejo! E posso fazer muito mais por você se quiser... Posso ensinar-lo tudo o que meu falecido marido me ensinou!

-Perdoe-me novamente milady, mas já disse que devo esperar pelo meu amigo!

-Bobagem, seu amigo está se divertindo a beça com minha amiga, não vê? – Sim, aquilo era verdade, pois Bella conseguia observar Edward rindo descontraído ao conversar com a dama de vermelho. Aquilo a encheu de fúria! Como ele podia agir daquela forma descarada na frente da própria esposa? Não que ela estivesse com ciúmes, mas ele poderia ao menos respeitar-la um pouco mais!

-E onde a senhora pretende me levar?

-Não se preocupe meu jovem, quero apenas mostrar-lo como um homem e uma mulher fazem amor! Existe um local neste salão, onde se pode observar os casais em encontros íntimos, e eu quero que você veja como a coisa funciona, pois obviamente ainda é muito inocente. Ai você poderá decidi, se vem ou não comigo!

Bella pensou por alguns instantes sobre aquilo. Claro que não seria nem um pouco aconselhável ir ver o que aquela mulher queria lhe mostrar, seja lá o que fosse. Mas então viu seu marido aos risos com aquela loira assanhada, e decidiu ir com a dama de azul!

A mulher a levou por uma passagem por trás da grande cortina de veludo que ornamentava o salão. E logo depois, passaram por uma porta estreita, que levava a um corredor escuro cujos buracos na parede deixavam passar tênues feixes de luzes amareladas.

Ela não entendia o que poderia ver em um local tão claustrofóbico como aquele, mas então a dama de azul lhe disse para olhar por um dos buracos, e Bella só pode soltar um gritinho de espanto com o que viu!

Do outro lado daquela parede, havia um quarto pequeníssimo, no qual mal cabia uma cama de solteiro. Mas não foi isto que lhe chamou a atenção, e sim um casal usando apenas roupas intimas e que se abraçava e acariciava de uma forma nada descente.

A dama de azul então a puxou para mais longe, e mandou que ela olhasse por outro buraco. Desta vez, o que Bella viu foi ainda mais revelador! Havia um homem praticamente nu de costas para ela de forma que a pele de suas nádegas era visível. E bem na frente dele, estava uma mulher ruiva ajoelhada, que fazia algo com as mãos e com a boca que Bella não pôde ver, pois o homem a encobria.

-O que aquela mulher está fazendo? – Perguntou o inocente "Sebastian".

-Ela está dando prazer aquele cavalheiro meu jovem. O tipo de prazer que estou disposta a lhe oferecer.

-Mas como ela faz? Não posso ver direito...

-Ela esta massageando-o, beijando-o e sugando-o! – Disse a dama de azul enquanto deslizava as hábeis mãos pelo abdômen de "Sebastian".

Aquela explicação não foi de muita ajuda afinal. Como assim beijando e sugando? O que havia no meio das pernas de um homem para se sugar? Bella já vira alguns bebês nus, e sabia que os meninos tinham algo parecido com um pequeno dedo entre as pernas. Mas era algo tão flácido e diminuta... Foi então que ela se lembrou da rigidez que sentiu no marido quando ele a beijou na biblioteca da mansão Cullen em Londres, e no dia em que ela cavalgara em sua garupa quando torcera o braço. Será que havia uma correlação entre aquela rigidez e o prazer?

-E então meu jovem? – Falou a mulher a seu lado – Não está disposto a aprender tais "brincadeirinhas" ao meu lado? Adoro bancar a professora e você seria um ótimo aluno...

-Não, muito obrigado, – Respondeu Bella enquanto se afastava da dama de azul e saia do estreito corredor – É realmente uma proposta tentadora, mas tenho que voltar para meu amigo!

E após isto, o pobre e desorientado "Sebastian" regressou ao salão, onde encontrou Edward que já não estava mais na companhia da loira oferecida.

-Por deus Sebastian, por onde andou? – Perguntou o marquês parecendo preocupado – O procurei em todos os lugares...

-Oh, desculpe-me milorde. – Respondeu ela parecendo chateada – Mas não queria incomodar-lo enquanto o senhor se divertia tanto com aquela mulher exibida!

-Oras, então foi isto? – Concluiu Edward com um irritante sorriso nos lábios – Você ficou com ciúmes!

-Não fale bobagens, e tire-me daqui! Já vi o suficiente por esta noite.

-Como queira meu jovem! – Santo deus, como Bella gostaria de dar um soco naquele maldito sorriso!

Rapidamente, ele a guiou pela multidão e em questão de minutos saíram do sufocante salão. Os cavalos de ambos já os aguardavam na entrada, e logo, puseram-se a cavalgar em regresso a Masen Parque.

Bella passou a maior parte do tempo calada, refletindo em tudo o que vira pelos buracos do corredor. Em sua mente inocente, nada daquilo fazia sentido, mas ela sabia muito bem que Edward já deveria ter experimentado quase todos os tipos de prazeres que uma mulher poderia oferecer-lo.

Afinal, ele era um libertino convicto, e tão atraente que não seria difícil imaginar uma dama resistindo a seu chame. Foi então que Bella percebeu em seu intimo uma vontade enorme de submeter seu marido aquele tipo de controle que ele exercia sobre ela! Ela queria saber se Edward também sentia-se desorientado quando a tocava, se seu coração disparava ou suas pernas perdiam as forças.

Mas aquilo era pouco provável. Nas poucas vezes em que os dois trocaram caricias, era ele quem geralmente colocava um ponto final naquela louca onda de prazer. E esta constatação a deixou frustrada e furiosa, pois gostaria de ter ao menos uma fagulha de controle sobre os atos de seu marido. Ela queria que Edward se sentisse tão dominado quanto ela vinha sentindo-se.

-Por que está tão calada? – Perguntou o marquês quando a mansão Cullen já podia ser vista a longe.

-Estava apenas pensando... – Respondeu ela tentando parecer calma.

-Pensando em quem?

-Em... Bem, eu... – Como ela teria coragem para falar o que estava em sua mente? – Eu acho que não há mal algum em você usar a língua quando me beija...

-O que? – Perguntou Edward de forma repentina enquanto descia do cavalo e a ajudava a desmontar, pois ambos já haviam chegado ao curral.

-Disse que quando quiser me beijar novamente, pode usar a língua... Como fez nas outras vezes!

-Por que veio com isto agora?

-Oras, será que você simplesmente não poderia concordar e por um ponto final nesta conversa bizarra que estamos tendo? Estou tentando ser mais amorosa em nosso relacionamento e você não esta ajudando muito sabia? – Ele tentou prender o riso, pois sabia que estaria morto caso caísse na gargalhada.

-Tudo bem. Agora tire esta peruca, pois se os criados te virem vestida assim irão ficar aterrorizados!

Com um grunhido de raiva pela atitude indiferente do marido diante da sua péssima tentativa de seduzir-lo, Bella removeu a peruca e a enrolou no terno para que ninguém a visse caso houvessem criados acordados naquela hora. Mas ao adentrarem na sala principal da mansão, tiveram uma grande surpresa ao verem Sue e metade da família Denali acordada e aparentemente agitada.

-Oh, graças a deus que os senhores chegaram! – Disse a senhora Clearwater ao correr na direção do marquês – A biblioteca do primeiro andar pegou fogo!

-O que? – Disse Edward ficando pálido e estreitando os belos olhos verdes – Mas como isto aconteceu?

-Parece que alguém deixou uma vela acesa... – Disse Tanya que estava sentada ao lado de Irina. Ambas estavam encharcadas – Eu vi o fogo quando estava indo trancar as portas e com a ajuda de Irina o apaguei!

-Quem teve a irresponsabilidade de deixar a maldita vela acesa? – Perguntou Edward exasperado – Poderia ter gerado uma catástrofe!

-Sim senhor, mas a última pessoa que esteve na biblioteca foi Lady Cullen... – Disse Leah que acabara de entrar na sala trazendo um copo de água com açúcar para a mãe.

-Mas eu apaguei todas as velas quando sai de lá! – Proferiu a marquesa indignada por está sendo acusada de por fogo na parte da casa que mais gostava.

-Bella, querida, talvez você tenha esquecido alguma...

-Não Edward! Eu não esqueci! Tenho certeza de que apaguei todas! – Ela estava ficando furiosa. Por que seu marido não podia simplesmente acreditar nela?

-Todos cometemos erros Bella...

-E alem disso, – Falou Tanya tentando amenizar a situação enquanto se punha ao lado de Edward – Ninguém se feriu e o fogo destruiu apenas uma estante de livros, pois graças a deus Irina e eu conseguirmos conter as chamas antes que elas se espalhassem.

-Sim, e eu serei eternamente grato por sua coragem! – Falou o marquês com um olhar de aprovação para a criada ruborizada. Aquilo fez Bella querer arrancar aqueles malditos cabelos loiros morango e fazer uma enorme fogueira com eles!

-Ótimo, então todos já estão convencidos de que sou a culpada sem se quer terem provas concretas contra mim não?

-Querida, sabemos que você não fez por mal, mas errar é humano...

-Cale-se Edward! Se não confia em mim, então não quero ouvir o que tem a dizer! – E após isto, ela se retirou da sala e trancou-se em seu quarto. Por deus, o que custava alguém lhe dar o beneficio da duvida?

Mas ela provaria a todos que cometeram um grande engano! E faria Edward engolir cada maldito livro daquela biblioteca, juntamente com sua querida Tanya!


Espero que tenham gostado...

Foi um capítulo pequeno, mais o próximo será maior

Obrigada pelas reviews Mah 288, HiNessie, brunamarcondes e Yuki S. Cullen!

É bom saber q a fic está sendo lida ;*