CONVENIENTEMENTE, O AFASTAMENTO DE HAMPSHIRE trouxe ao comandante Aubrey certo alívio ao coração, sua mente, porém, teimava em tornar ao chalé na colina que tanto desprezara e agora queria a todo custo ter sob seus olhos. Sua música, tocada em parceria com seu grande amigo Stephen Maturin nada mais representava e nem ao menos saía das cordas com convicção. Tinha agora, em suas mãos, uma nova embarcação, a HMS Surprise, uma bela fragata, um tanto antiga, mas veloz e bolineira, que recebera com as novas ordens: comboiar três navios mercantes até Madeira, embarcar um superintendente do governo e tornar a casa, tendo como particular intuito - já que o almirante de Portsmouth queria enriquecer um pouco mais à custa de Aubrey -, encontrar e pilhar a preciosa nau francesa que devastava aquelas águas, a Amelie, antiga Amélia inglesa, fragata de dois conveses perdida pelo almirante há muitos anos.

— Você tem que se recompor. Precisa voltar à razão, Jack. Não ganhou nada, mas também nada perdeu! A condessa...

Jack ergueu a mão, exterminando qualquer outra tentativa de Stephen para tentar animá-lo: era certo que nada conseguiria, os pensamentos do comandante eram terrivelmente teimosos. Foi mesmo a mais de duas mil milhas de distância dos Açores que, finalmente, Jack livrou sua alma de Gussie. Uma vela foi vista ao noroeste da popa, logo acima da linha d'água, branca e límpida à luz de um sol quente e instigante.

— Sr. Simons, soar às seus postos - bradou Jack de cara lavada, amarrando os louros cabelos num rabo de cavalo e metendo o chapéu de capitão-de-mar-e-guerra sobre eles. Era o que ele ansiava. Era o que ele gostava. Era o que ele precisava: um combate, o cheiro dos canhões em ação, a agitação de um convés apinhado e ativo, a exaltação dos ânimos e o brandir de espadas, quem sabe.

Era a Amelie, com certeza. O quarto de modorra foi desperto num silvo agudo e raivoso, todos, sem exceção, deveriam ficar a postos. Uma coisa Jack não entendia: o que diabos a Amelie estava fazendo nos Açores? Ela deveria estar nas proximidades de Madeira, em busca de navios mercantes, e não ali, no nada. A não ser que...

— Sim. Malditos informantes! Se algum dia eu topar com um deles, eu juro, Stephen...

— Informantes sempre existirão, meu irmão, disso não resta dúvidas.

— Por Deus, Stephen. Tudo pode se esperar de um maldito francês! Tudo! Mas não de um inglês! Que honra é essa?

— A honra pelo dinheiro. São os novos tempos, meu caro. Os novos tempos.

— Pois eu irei mostrar os novos tempos àqueles safados. E quando terminar com o navio, irei pessoalmente retirar a informação de quem quer que a tenha dentro do Amelie.

Aquele era o impetuoso olhar que Stephen tanto conhecia, e um sorriso de menino se apossou do comandante Aubrey, fazendo-o subir para o convés com outras intenções, das quais Stephen sabia que adviriam bons frutos. Quando finalmente os canhões ribombaram, na proa, e gritos de viva explodiram por todo convés, Stephen sorriu, preparando-se para exercer seu ofício ali na Surprise. O Amelie navegava com a bolina cerrada, direto para bombordo da Surprise, deixando a admiração de Jack, pelo comandante francês, em alta conta: certamente era um oponente de peso e, mais do que certamente, haveria confronto eminente. Jack sorriu, respirou fundo e berrou:

— Sr. Pullings, marcar tempo e aguardar. - Seus olhos azuis cintilantes cintilaram ainda mais quando ele pôde visualizar o rosto do comandante francês. - Só mais um pouco! Só mais um pouco... - E quando a onda ergueu a Surprise, Jack urrou: - FOGO! - Os canhões na alheta de boreste zuniram sucessivamente, como se pudessem disparar como uma metralha. Os artilheiros eram tão ágeis e precisos que espantariam até mesmo o almirante chefe. Não demorou muito mais do que cinco minutos e a Amelie já não descarregava canhonadas, a tripulação que restara ou pulava n'água ou escondia-se pelo convés. A Amelie não permaneceria na superfície por muito mais tempo, mas mesmo assim, Jack estava decidido a invadi-la e buscar as respostas para perguntas que o incomodavam.

Stephen tapara seus ouvidos com pedaços de pano, mas a algazarra no convés continuava muito acima do tom, o que não o impedia de continuar seu trabalho, mas o deixava um tanto atento ao que acontecia por lá. Stephen ganhara certo gosto pelas canhonadas e excitava-se em ver um combate em tempo real, mas seu dever como médico o afastava de tal recreação. Um estouro violento o tirou do prumo, fazendo-o cortar uns dois ou três centímetros a mais do que deveria o corpo do marujo, do qual tentava tirar um estilhaço. Executou rapidamente aquela operação e correu para cima a tempo de ouvir o capitão-tenente gritar:

— Largar vela grande! Velames! A todo pano!

E então viu um grupo arrastando um grande homem para baixo. Stephen se sobressaltou ao ver as botas dele e correu com eles para a enfermaria.

— Coloquem-no aqui - disse Stephen abrindo espaço sobre os baús nos quais acabara de costurar um homem. - Jack... - murmurou ao passar a mão sobre os cabelos empapuçados de sangue grosso. Mas então, ao procurar por ferimentos, não os encontrou. Jack abriu os olhos e sentou-se atordoado.

— Mas, hein?

— Amigo! - exclamou Stephen. - Achei que o tivesse perdido...

— O que está havendo?

— O desgraçado do francês destrocou nosso leme e de trás dele surgiu o enorme Baptiste - disse Pullings branco como neve, mas ao ver Jack pôr-se de pé, a cor tornava as suas bochechas.

— Dez pés de água, senhor, e subindo - o mestre do navio falou ao espiar para dentro do consultório improvisado.

— Todos os homens que não estiverem no convés, em conserto, para baixo, Sr. Pullings.

— Sim, senhor comandante - e Pullings saiu em disparada, feliz como se seguisse o caminho de casa.

— Relatório, Sr. Bleuder.

O capitão-tenente explicou a situação, depois da surpresa revelada, o Baptiste, navio de segunda classe e eminentemente de fogo superior ao da Surprise, não restava muito a se fazer, era manter o curso reto e fugir com o vento a favor para consertar a mezena e os rasgos na linha d'água, que agora se revelavam perigosamente mortais. Ainda atordoado pelo golpe da bala do canhão de proa do Baptiste, que surgira do nada e cortara em três pedados o pobre Raven, 3º sargento que estava no timão ao seu lado, Jack subiu até a popa e olhou para baixo, onde podia ver os marujos empenhados na restauração mágica da Surprise. Agora sua memória voltava e ele acreditara ter visto nova vela além do Amelie, mas onde estava o homem do cesto da gávea?

— Tragam esse filho de uma égua para cá! Imediatamente!- A voz de Jack soou poderosa e impiedosa, e tanto os ombros quanto as cabeças de toda tripulação baixaram em respeito e medo. - Onde é que você estava com a cabeça?! - quis saber Jack quando já diante do pobre marujo.

— Senhor - ele gaguejou a palavra sem conseguir dizer outra qualquer.

— Sr. Bleuder, tire esse homem da minha frente! E lhe dê o devido castigo.

Navegaram a bolina cerrada - ao jeito de uma Surprise decadente, enquanto os reparos tomavam reta final. E ao chegarem a Madeira pareceu um alívio a seus olhos ver todo aquele verde e terra.

Assim que tocou as águas da entrada do porto de Portsmouth, a Surprise foi saudade com salvas de balas. Os canhões ribombavam por todo o ancoradouro e urras e vivas eram ouvidos pela Surprise conforme ela passava pelas embarcações. Lorde Richmond, novo governador de Hampshire, foi o primeiro a dar um grande jantar ao comandante Aubrey, muito pomposo e exótico. Os jantares e a vitória transportaram Jack para longe de todas as preocupações e ele se embebedou e se divertiu em meio aos seus.

Mas então, no meio do salão iniciou-se uma grande confusão, as altas gargalhadas de lorde Kipling inundavam o demais e uma alegria contagiou todos ao redor. Ao lado de Kipling estava Jake Jankins e Jack espiava por cima dos ombros para ver o que acontecia. Uma mão o impeliu para trás e o puxou para fora do salão, mas foi inevitável ouvir o brinde que Jake recebia de Kipling: o jovem comandante iria se casar. Um escarcéu se seguiu, Jack não captou de imediato, mas Stephen, muito mais letrado no quesito amor, tratou de arrastar o amigo comandante para longe. Antes que Stephen, porém, chegasse ao átrio, as palavras de lorde Kipling se repetiram nos lábios de Jack.

— Estou imensamente feliz... Não! Estou mais do que imensamente feliz em poder ser padrinho de uma união tão especial quanto esta! Um brinde a Jake e a Augusta!

Jack tornou ao seu navio a passos pesados, decididos, intimidando a todos que passaram por seu caminho. O mestre-arrais, muito acostumado com o esbravejar de seu comandante, pulou para fora do raio de visão dele, já o tinha visto naquele estado de nervos e não ficaria para saber o resultado.

— Killick! Killick! - urrou Jack e o despenseiro apareceu reclamando que o comandante nem deveria estar a bordo.

— Jack... - Stephen o chamou, mas foi atravessado.

— Como estão nossos estoques?

— Como estão os estoques? - repetiu Killick. - Vazios, como quando chegamos, senhor. O que o senhor pretende fazer? Recebeu novas ordens? Achei que estavam, o senhor e o doutor, no jantar de lorde Kipling...

Foi então que Jack desabou. Sentou-se de qualquer jeito sobre o baú, tapou o rosto com as mãos e prendeu a respiração. Stephen fez sinal para que o despenseiro saísse e se sentou ao lado de Jack. Bem que tentou, naquela noite e na seguinte e nas que vieram, mas Stephen não conseguiu alcançar seu amigo, Jack havia se fechado em si mesmo e Ashgrove Cottage pareceu tão imensamente longe como se Jack não pudesse se lembrar de como chegar até lá.

Ele evitou a cidade o máximo que pôde, mas na quarta-feira, logo depois do ano novo, foi convocado a comparecer ao Almirantado. Subiu a escadaria devagar, apesar de saber que receberia honrarias pelo que fizera - em outros tempos teria subido os degraus pulando-os de dois em dois, para alcançar seu topo em menos tempo. Ao chegar ao hall, no segundo piso, alguns oficiais o saudaram e deixaram-no sozinho, pois já tinham recebido suas ordens. Ele esperou paciente, sem conseguir se concentrar muito bem no que iria dizer, pensava em Gussie, pensava na notícia que recebera de forma tão abrupta nas Madeiras, mas conheceu os desejos dela na noite em que deixou Portsmouth, não fazia idéia, porém, que ela fosse se casar com Jake. Não o via com bons olhos, não o via como o marido apropriado para ela.

Jake Jankins cruzou o portal em direção ao corredor que o levaria até o hall. De longe sorriu para Jack e cumprimentou-o com a mão no chapéu, mas estava com tamanha pressa que não o permitiria parar para conversar. Quando estava para passar por Jack, este impediu o caminho com a massa muscular que era. Os dois se fitaram e Jake sorriu, dando um passo para a direita, para que Jack pudesse passar. Jack, contudo, também deu um passo para a direita, postando-se diante de Jake com um estranho olhar. Jake, muito simpático, continuou a sorrir, achando graça da coincidência, e deu outro passo, desta vez para a esquerda. Jack fez o mesmo, a expressão no rosto enrijecendo e distorcendo. Ficaram nesse entrave por alguns instantes, até Jake se encostar à parede e estender o braço, dando passagem ao comandante. Jack não se moveu, tinha os olhos fixos no outro, mal piscando. Jake percebeu que algo não estava certo e fechando o cenho, perguntou educada e polidamente:

— Algum problema, comandante?

— Todos - rosnou Jack.

Jake ergueu a sobrancelha e quando estava para refazer a pergunta, recebeu um soco no olho esquerdo. O tranco o empurrou contra a parede e o fez cair sentado; Jack pulou sobre ele e os dois amigos iniciaram um luta corporal onde apenas um batia, o outro se defendia e questionava o motivo para o que estava acontecendo.

— Jack, por favor! Pare com isso. O que está fazendo? - pedia Jack. - Não vou lutar com você! - Previsivelmente Jake apanhava porque mesmo tentando se defender, os socos do amigo chegavam arrebentando, e o comandante Aubrey era duas vezes mais forte do que Jake.

Lorde Kipling apartou a briga sem precisar usar força bruta ou erguer a voz. Assim que ele disse: O que significa essa vergonha?, os dois oficiais o fitaram com respeito e embaraço. De cima de Jake Jankins, Jack saltou, pondo-se de pé instantaneamente. Jake limpou o sangue que escorria do nariz com as costas da mão e colocou-se ao lado de Jack, fitando-o.

— Se não há uma explicação plausível...

— Foi apenas um mal entendido, meu senhor - Jake disse, dando um passo adiante e, empertigando-se, continuou: - Um puta mal entendido, se perdoa a expressão da palavra.

Kipling meneou a cabeça, mas não se deu por vencido.

— Eu poderia mandar açoitá-los! Poderia mandá-los à corte marcial! Com toda certeza que sim.

— O senhor tem toda razão, meu senhor, e todo direito, o que aconteceu foi um grande desrespeito, ainda mais no prédio do Almirantado. Mas eu acredito ter sido impertinente com o comandante Aubrey... Estou um pouco além das minhas faculdades normais, como o senhor sabe. A promoção era tudo o que eu mais desejava... e minha razão de discernir se por acaso fui ofensivo para com meu amigo não me deixou ser gentil e...

— Comandante Aubrey? - não foi necessário terminar a frase, Jack nem a estaria ouvindo naquele momento, porque a palavra promoção se chocava contra as paredes de seu cérebro. Teria sido, Jake, feito almirante? - Comandante! - chamou Kipling.

— Eu e Jack aqui - continuou Jake sorrindo, com a mão no ombro do amigo -, iremos resolver a situação, meu senhor.

Kipling recebeu o sorriso como bom veredicto. Mas assim que ele se fechou em seu escritório, Jack se virou para Jake e, parecendo aumentar de tamanho, esticou o dedo em riste e lhe advertiu ferozmente:

— Você não é bom o suficiente para ela e eu não vou permitir que essa palhaçada siga adiante.

— Oh - exclamou Jake, Augusta era o problema -, então é isso?! Jack, meu caro, longe de mim roubar-lhe a melhor amiga! Eu jamais ousaria afastá-los. Você poderá tê-la quando quiser. Mas eu, eu quero dar a ela o que outro homem não pode. Você tem uma mulher maravilhosa, que encanta com a simples presença, entende do que falo. Eu quero apenas um terço, se é que me é cabível. Estou incrível e imensamente apaixonado por Augusta e eu moveria montanhas por ela.

Jack lhe deu as costas, convicto de suas idéias, repleto de insensatez, entretanto - porque seu sangue latejava - irradiava cólera, sem nenhum momento de lucidez, e andando para longe de Jankins, advertiu:

— É melhor se afastar dela.

Jake não era homem de temer outro homem, nem mesmo o homem que mais admirava, mas consciencioso de que Aubrey não se oporia se não houvesse algo entre ele e Augusta, foi até o chalé da condessa, pronto para interrogá-la se preciso. Nada do que imaginara durante o percurso até a casa dela foi necessário: Jake encontrou a condessa descansando no jardim de inverno, sobre o sofá, a barra do vestido caída em direção ao chão e as finas meias de algodão desenhavam divinamente as curvas de seus pés, parecendo terem sido desenhadas à mão por Deus. Admirou-os por alguns instantes e depois se sentou no chão, recostando as costas e a cabeça no sofá, acomodando-se ali por um longo tempo.

A condessa acordou com uma gélida brisa de inverno sobre seu rosto, um dos vidros da janela se quebrara e os empregados não tinham visto. Ela esfregou os olhos com as mãos e identificou um cheio peculiar no ar, um cheiro conhecido e agradável, que conciliava com um bem estar extremo. Seus olhos desceram a seus pés e ela viu os cabelos claros e macios de Jake dançarem com suavidade. Sentou-se sobre as pernas e levou os dedos entre os cabelos dele, ciente de que o toque o acordaria, mas alheia a qualquer outra finalidade que não agradá-lo. Jake moveu a cabeça na direção dela e seus olhos se encontraram.

— Minha querida - disse ele colocando-se de joelhos e tomando o rosto dela entre suas mãos.

— Achei que você tivesse me dito que viria para o lanche...

— E eu lhe disse isso - ele sorriu beijando-a com respeito. - Um empecilho fez com que eu tardasse.

— Mas não há problema, há? Se não você não estaria aqui.

— Não, nenhum problema - ele foi incapaz de tocar no assunto, receava.

Assim que a serviçal entrou com as velas, porque já estava bastante escuro, e as depositou sobre a mesinha de centro, Augusta se pôs de pé, sobressaltada.

— O que aconteceu com seu rosto? - ela perguntou então.

— Esse foi o empecilho.

— Mas... o que aconteceu? Quem foi? Alguém da cidade? Ele está preso?

— Acalme-se - ele foi obrigado a rir. - Tantas perguntas revelam preocupação, suponho.

— Claro que sim! - ela respondeu quase indignada. - O que significa essa pergunta?

Ao ver que ela se alterara de forma inesperada, Jake tentou consertar o caminho da conversação, mas só fez piorar tudo.

— Foi apenas uma pergunta, nada significante...

— Então por que a fez?

— Eu só... só...

— Só, só o que? - ela foi sarcástica, ela poderia ser muito pior se quisesse. - Quer chegar a algum lugar? Pergunte e eu responderei.

Silêncio foi o que recebeu, o que ansiou, mas não o que manteve. Não gostava daquele lado de Augusta, ela era uma mulher tão formidável, mas em certas ocasiões, especialmente quando confrontada e quando tinha a razão, exaltava-se de tal forma que seria capaz de propor um duelo a quem quer que a irritasse.

— Foi Jack Aubrey quem fez isso comigo - ele confessou propositalmente, arrependeu-se logo depois porque teria de explicar o ocorrido e não tinha a certeza de que gostaria que Augusta tornasse a vê-lo, porque sabia que ela iria. Mas, surpreendentemente, ela se emudeceu, dando-lhe as costas. - Que tipo de relação você tem com ele, Augusta?

Ela se voltou e o encarou, erguendo a cabeça.

— Nenhuma - rebateu convencida.

— Nenhuma que gostaria ou... nenhuma? - As feições de Jake tinham um ar maduro, muito mais velho.

— Nenhuma. Ele foi um grande amigo - ela salientou o verbo com uma alteração de voz.

— Se ele foi realmente importante para você, talvez não haja motivo para ficarmos juntos.

— Não seja tolo. Aubrey é um homem casado e eu não sou mulher de vários homens. Já deveria me conhecer bem. Acha que estou representando um papel a sua frente para depois, às suas costas, mostrar-me outra? Vá em frente, duvide de mim! Mas siga adiante e desapareça da minha vista para sempre - ela urrou deixando a sala.

— Augusta! Espere - ele correu e barrou-lhe a saída. Mas intimidado com o olhar dela, hesitou em prosseguir com a frase.

— Jack Aubrey é um homem casado - ela pontuou e baixou os olhos.

— Ele estava tão enfurecido, achei que vocês tivessem algum envolvimento... não é possível que um homem se altere tanto por uma mulher...

— Esqueça Aubrey, ele é passado.