Oiii!! Aqui estou novamente com mais um capítulo e mais rápido do que eu esperava...

Créditos:

- Os personagens do anime "Naruto" pertencem a Masashi Kishimoto e os ooc pertencem a seus respectivos criadores. (Então o que sobra??)

- Créditos à Pisces Luna pela idéia da fic de fichas e a Mari Sushi por trazê-las para a área de Naruto.

- Por fim, mas não menos importante, créditos e agradecimentos à Mayuu-chan por betar esse capítulo com tanta eficiência.

Nota histórica e curiosidades: (Espacinho para curiosidades para os interessados)

- Tortuga foi descoberta pelos europeus em 1494, durante a segunda viagem de Cristovão Colombo para o Novo Mundo. Essa ilha faz parte das Antilhas, no Mar do Caribe, está localizada na América Central, na Ilha de Hispaníola, conhecida também como Ilha de São Domingos e que hoje é dividida entre o Haiti e a República Dominicana. Ela foi originalmente colonizada pelos espanhóis. Em 1625 colonizadores franceses e ingleses chegaram à ilha de Tortuga após inicialmente terem planejado tomar a ilha de Hipaníola. Os franceses e ingleses foram atacados em 1629 pela Espanha comandada por Don Fradique de Toledo. Os espanhóis foram vitoriosos e fortificaram a ilha, expulsando os estrangeiros. Quando as forças espanholas deixaram Hispaníola para desenraizar os colonos franceses de Tortuga, os franceses retornaram para tomar o forte e expandí-lo nas fortificações espanholas. De 1630 em diante, a ilha de Tortuga era dividida entre colônias francesas e inglesas, permitindo que bucaneiros, mais conhecidos como piratas, usassem a ilha mais freqüentemente como sua base de operações.

Espero que gostem e boa leitura!!


Estranhos acontecimentos

No Akatsuki os dias se seguiram calmos, afinal, a vida no mar é assim: composta de dias de pura monotonia e de outros nos quais os níveis de adrenalina podem chegar ao limite do suportável. Para horror dos tripulantes, eles estavam presos no primeiro caso há muito tempo. O tédio reinava entre eles.

O Sol do meio-dia parecia drenar a energia de todos. Sasori estava no leme, mais apoiado sobre ele do que o movendo, afinal não havia vento para dar impulso ao navio e seu objetivo de chegar à Irlanda o quanto antes não passava de um sonho agora. Alphonse estava deitado sobre a borda do navio e entalhava um pedaço de madeira com uma pequena faca. Deidara, Fuyu e um moreno estavam sentados na escada que levava ao leme e jogavam uma partida de cartas. Enquanto isso, Hidan limpava o convés com um esfregão e muita energia.

Deidara: - Hidan, você está esquecendo aquele pedaço ali. -- Apenas para se divertir Deidara apontou um ponto qualquer do convés.

Fuyu: - Deixe de ser chato. -- Por isso Fuyu o repreendeu com um soco no braço.

Hidan: - Obrigado. -- Hidan imediatamente pegou o esfregão e começou a limpar compulsivamente a área indicada pelo loiro.

Fuyu girou os olhos, Deidara sorriu maldoso e o moreno simplesmente ignorou.

Fuyu: - Você vai para o Inferno por explorar o trabalho dos outros.

Deidara: - É claro que não, eu estou fazendo um favor para ele. Não é mesmo, Hidan?? -- Ele elevou a voz para que o outro ouvisse.

Hidan: - Sim, as Sagradas Escrituras pregam que é importante purificar a alma através do trabalho decorrente de seu próprio suor. Quanto mais eu suar, mais próximo estarei dos ensinamentos de Deus. -- Ele disse aquilo de uma forma quase sublime e em seguida voltou ao trabalho. Fuyu apenas girou os olhos novamente.

Fuyu: - Eu duvido que a Bíblia esteja se referindo a esse tipo de trabalho ou a esse tipo de suor. -- Esse foi um comentário mais para si do que para qualquer outra pessoa. -- Não deveríamos avisá-lo?? O coitado pensa que está próximo do Paraíso, mas está cada vez mais longe. Afinal nós somos piratas, vivemos do suor dos outros.

Moreno: - Não precisa se preocupar, ele não é católico. -- Pela primeira vez o moreno se manifestou, mas sem tirar os olhos de suas cartas. -- Ele segue uma religião estranha, nem lembro o nome, mas é esse suor que o Deus dele quer. Além disso, assim sobra menos trabalho para o resto de nós.

Fuyu: - E você, Tobi??

A pergunta foi dirigida a outro rapaz que limpava o convés com muita empolgação. Ele usava uma estranha máscara laranja com uma espiral que partia de seu olho esquerdo, o único à mostra, e ela tornava impossível ler qualquer expressão em seu rosto. Vestia uma camisa branca fina e com os primeiros botões abertos na gola, uma calça preta bem desgastada e rasgada em alguns pontos com remendos de couro, além de uma bota bem velha de couro preto.

Tobi: - Tobi é um bom garoto.

Comentários são dispensáveis nesse caso...

Fuyu continuou a observar Hidan e por isso não notou que o rosto de Deidara estava contorcido em uma incomum concentração enquanto este fitava o moreno de esguelha. Mas seu calmo adversário parecia não ligar e apenas baixou as cartas.

Moreno: - Venci. De novo. -- Ele disse aquilo sem expressão nenhuma no rosto, sua voz soando como se estivesse entediado. Um contraste gigantesco com Deidara, que se levantou e parecia sentir um misto de inconformismo e raiva.

Deidara: - O que?? Não acredito. Vamos jogar de novo, eu exijo uma revanche.

Fuyu: - Você sempre diz isso... -- Fuyu falou com tédio refletido em seu tom de voz. -- Não se cansa de perder??

Deidara: - Eu ainda vou vencer o Itachi, a começar pelas cartas. -- O loiro voltou a se sentar e começou a embaralhar as cartas novamente, enquanto o moreno se manteve no mesmo lugar.

Itachi Uchiha, um rapaz de estatura alta, um pouco mais corpulento que Deidara, mas bem menos que Hidan. Dono de ombros largos, pele clara, inexpressivos olhos negros e longos cabelos castanhos que permaneciam presos em um rabo de cavalo baixo. Seu rosto de traços bem marcados era caracterizado por uma constante frieza e incapacidade de mostrar algo além disso, enquanto sua postura sempre ereta revelava sua grande confiança em si mesmo.

Ele vestia uma camisa branca com as mangas dobradas até pouco abaixo do cotovelo e com vários botões abertos, usava uma calça marrom simples e um tanto desgastada, um chapéu, botas e protetores nos punhos feitos de couro. Um conjunto simples, mas prático para o cotidiano em um navio.

Fuyu suspirou frente a atitude previsível de Deidara e se levantou. Assistir àquela partida não levaria a nada, o resultado era sempre o mesmo. Depois olhou para a ponta do mastro e lançou uma pergunta ao céu.

Fuyu: - Zetsu!! Não quer trocar?? -- Uma pequena mancha pareceu se mover, mas era impossível identificar que havia uma pessoa ali, principalmente por que o Sol forte ofuscava a vista.

Zetsu: - Não. -- A resposta seca e quase inaudível já era esperada. Zetsu não é um homem de muitas palavras.

Sempre muito recluso, sério e misterioso. Vestia sempre uma capa preta, por mais quente que estivesse o dia, e não parecia se incomodar. Apenas seu rosto podia ser visto e mesmo assim, metade dele estava sempre coberto por uma estranha máscara branca que criava um incomum contraste com sua pele negra como a noite.

Fuyu deu de ombros, realmente não tinha o que fazer... Por isso lentamente passou os olhos pelo convés e apenas parou por que notou uma cena... Peculiar. O gato resgatado há alguns dias estava sentado na ponta do navio, perigosamente perto da borda e fitava o oceano com muita concentração.

Mesmo depois da chegada desse novo integrante na tripulação, tudo parecia o mesmo. A não ser talvez, pelo comportamento estranho de Alphonse com relação ao pequeno animal. Quando os dois se encontravam nos corredores internos do navio, se fitavam por longos segundos, olho no olho. Depois o gato voltava a caminhar e Al abria caminho, esperava o animal passar por ele para apenas então retomar seu rumo.

Seus companheiros estranharam aquele comportamento tão incomum, mas se tratando de Al, ser incomum era ser ele mesmo, então não fizeram um grande alarde. Mas no fundo todos sabiam que aquele gato não tinha nada de normal, já que ele reivindicou para si a cabine do capitão assim que chegou, com direito a alguns arranhões até mesmo em Sasori quando ele tentou desocupar sua cama.

O capitão quase o jogou no mar por isso, mas Al interferiu e tomou partido do gato, que no fim perdeu o direito de dormir na cama do capitão, mas ganhou o direito de ficar na cabine o tempo que quisesse. Depois de dois dias todos já sabiam que o problema dos ratos não seria solucionado, por que ninguém o via se alimentar, mas o número de roedores aumentava a cada dia.

Assim o novo morador ganhou seu espaço, sempre com seus olhos rosados presos na movimentação do navio ou então voltados para o oceano.

Fuyu: - Nossa... Que tédio. Bem que as coisas poderiam se tornar mais agitadas por aqui.

Um desejo aparentemente tão inofensivo, mas os dias de calmaria em breve teriam seu fim. Agora era apenas uma questão de tempo...

Nas profundezas do oceano, criaturas que se mantiveram escondidas durante décadas, uma a uma, despertavam de seu profundo sono. Seres naturalmente pacíficos, mas cujos olhos brilhavam agora na escuridão como se pedissem por sangue, porque suas almas queimavam por apenas um motivo: vingança.

Quem fazia as invocações era Sienna. Caverna por caverna, mar por mar... Um trabalho exaustivo que levaria semanas. Mas outros mensageiros também levavam a notícia da volta de Yuki e em breve o mar inteiro estaria pronto para receber ordens diretas da Deusa. Para Sienna havia apenas uma última missão que precisava ser cumprida, algo que apenas ela poderia fazer.

Ela estava exausta, percorrera milhares de quilômetros em apenas alguns dias e por mais que tenha recebido ajuda das correntes marinhas, não fora uma tarefa fácil. Ir do Oceano Atlântico ao Índico em três dias era humanamente impossível, e nesse caso era uma vantagem não ser humana. Depois de três dias de viagem ela estava próxima de seu objetivo: uma cadeia de montanhas submersas, não muito longe da costa da África. Mas também estava próxima de ficar sem forças, depois de dias sem descanso.

Sienna nadou lentamente e muito próxima àquelas encostas escarpadas, com seus olhos percorrendo cada falha da rocha para, quem sabe, encontrar uma que fosse familiar. Ela parecia pequena frente àquelas montanhas. Lembrava talvez um pequeno peixinho de recife perto do coral de tão insignificante, mas faltavam as cores alegres para acabar com o ar sombrio daquele lugar.

Finalmente ela encontrou a entrada da caverna, por isso foi tomada por um súbito entusiasmo e rapidamente entrou pelos estreitos túneis. Eram tão estreitos que ela acabou com vários cortes em sua calda, mas depois de cem metros finalmente recebeu sua merecida liberdade.

Ela parou em uma grande câmara levemente oval e completamente preenchida por água. O local estava um completo breu e ela não conseguia distinguir nada além da escuridão. Mas após tatear as paredes próximas à entrada do túnel, encontrou o que queria. Uma rocha em especial que ela girou como se fosse uma chave e por isso a caverna se iluminou.

Pequenas esferas de cristal ganharam um brilho azulado e misterioso que iluminou toda a câmara. Na frente de Sienna um gigantesco portal de cobre se revelou, com formato circular e mais de dez metros de diâmetro, tatuado por várias inscrições em alto relevo e com sua beleza levemente encoberta por algumas cracas.

Ela suspirou fundo uma vez antes de se aproximar, depois tirou de seu pescoço o colar que usava e segurou entre os dedos o pingente. Ele lembrava uma moeda de ouro, com uma caveira esculpida em baixo relevo no centro e com barras que partiam da caveira para as bordas.

Sienna encaixou o pingente no centro do portal, o girou duas vezes e então as grandes portas se abriram. Uma onda de água fria passou por ela, mas dentro havia apenas escuridão.

Mas ela sequer teve tempo de reagir, por que algo saiu de dentro do portal com uma velocidade impressionante, se chocou com ela e a jogou contra a parede oposta com força. A montanha estremeceu levemente e Sienna passou a lutar com um enorme tentáculo que envolvia seu pescoço e o apertava perigosamente.

Lentamente, de dentro do portal que havia se aberto, tentáculos surgiram um a um. O enorme corpo daquele molusco ainda demoraria para surgir, mas se aquele aperto não diminuísse Sienna não viveria até que ele saísse completamente.

Sienna: - Eu... Eu sei... Que quer... Minha morte... Mas... Não tive... Escolha... Você sabe. -- O aperto afrouxou um pouco. -- Se não nos unirmos... A história se repetirá... Podemos perder a Yuki e dessa vez... Será para sempre.

O tentáculo a libertou, mas ela sabia que não estava perdoada. Em seguida ela foi obrigada a nadar rapidamente para sair da frente, por que segundos depois os oito tentáculos partiram em sua direção em forma de círculo. A montanha estremeceu com o impacto e, segundos depois, um círculo foi aberto na rocha para que aquela gigantesca criatura pudesse sair. Sienna saiu em seguida, pouco antes da câmara na qual estava ser soterrada por rochas.

Mas quando a sereia saiu, seu resgatado já estava tão longe que não passava de um pequeno ponto preto ao longe.

Sienna: - Nem sequer para agradecer.

Um sorriso cansado e triste se formou em seu rosto. Cumprira sua missão com sucesso, mas ela sabia que isso custaria a vida de dezenas de pessoas e por isso sentiu um aperto em seu coração ao pensar em um pirata em especial. Mas o destino é assim: inexorável.

Quando dois mundos tão distintos, como terra e mar, se cruzam, o resultado pode apenas ser o desastre. E ela acabara de piorar a situação ao libertar o agente do caos: o Kraken.

Assim que o Sol se pôs o capitão do Akatsuki se recolheu para seus aposentos. Sasori suspirou fundo deixando, pela primeira vez no dia, que seu cansaço ficasse visível, mas o fez por acreditar que estava sozinho. Assim que reabriu os olhos notou que alguém o observava com muita atenção. Era o gato, ou melhor, a gata Yuki, que estava na mesa de sua escrivaninha sentado em cima do mapa-múndi que ele usava para se orientar.

Sasori: - Eu já disse para não pisar no mapa. -- Yuki não moveu um músculo, apenas o fitou como quem diz: "Eu sei, mas quem disse que você manda em mim??".

O Akasuna suspirou, vencido. Maravilha! Mais uma criatura para desrespeitá-lo. Será que alguém naquele navio seguia suas ordens??

Sasori: - Estou cansado demais para discutir com você. -- Enquanto dizia aquilo ele se jogou em sua cama. -- Vou te deixar ficar aí apenas por hoje.

Talvez apenas por birra ela saiu de cima do mapa e se sentou na madeira da mesa, voltando a fitá-lo.

Sasori: - Seu animalzinho temperamental. -- A gata estava sentada com muita elegância, seus grandes olhos róseos presos no capitão enquanto sua longa cauda, que caía fora da mesa, balançava lentamente de tempos em tempos. Apesar de nada ter mudado na fisionomia do animal, Sasori teve certeza que se ele tivesse um rosto humano, com certeza estaria sorrindo.

Sasori estava começando a suspeitar que estava doente, afinal conversar com um gato?? Que decadência. Mas o engraçado é que ele já notara que aquela pequena criatura parecia entender perfeitamente bem o que ele dizia, porém fazia de tudo para desobedecê-lo.

Como ele poderia imaginar?? Como poderia saber que aquele nem sequer era um gato?? Mas talvez fosse melhor daquela forma, assim Yuki podia observá-lo o tempo que quisesse sem correr o risco de ser descoberta. Por mais que ela negasse para si mesma, queria entender aquele estranho capitão. Talvez estivesse interessada em conhecer mais daquela estranha personalidade, mas não era apenas isso. Sempre que ficava perto do ruivo se sentia estranha, mas não de uma forma ruim, pelo contrário, sentia como se estivesse mais segura. Ela não conseguia entender seus próprios sentimentos. Se sentia bem ao lado dele, mas ao mesmo tempo era tomada por um grande vazio, como se faltasse algo e isso era angustiante.

Não demorou muito para Sasori fechar seus olhos definitivamente e se deixar levar pelo sono. Mas apenas por precaução, Yuki esperou cerca de meia hora antes de retomar sua forma verdadeira.

Yuki fitou por mais algum tempo o rosto sereno do ruivo, depois se virou para o mapa sob a mesa e o analisou detalhadamente. Com a ponta do dedo indicador tocou um ponto do oceano e fez um leve movimento circular. Exatamente naquele ponto uma nova figura surgiu, o desenho do que parecia ser uma lula, mas não era apenas uma figura por que se movia lentamente.

Em outro ponto do mapa Yuki repetiu o movimento e a figura que surgiu dessa vez foi um pequeno navio vermelho com o símbolo de Ankh nas velas. As figuras estavam muito distantes, mas de alguma forma ela mandou um comando para o monstro que mudou de direção para passar a perseguir o navio.

Yuki: - É apenas uma questão de tempo. -- Ela se virou para fitar o sono de Sasori. -- Um a um vocês vão cair. O momento do bian(1) se aproxima e eu não vou ter piedade desta vez.

A noite estava muito agradável, quente mas não abafada, graças a uma leve brisa. O brilho da belíssima Lua cheia entrava pela janela e iluminava o rosto de Sasori de um jeito quase mágico, mas o mais estranho era que aquela cena não era estranha para Yuki...

- "Yuki... Vá." -- Uma voz masculina, fraca e marcada por sofrimento ecoou em sua mente e fez um arrepio percorrer sua espinha. Por uma fração de segundo ela viu uma imagem turva e confusa, mas muito parecida com aquela situação em que estava agora. Ela chegou até a se perguntar se fora Sasori quem disse aquilo, mas isso era impossível.

O que foi aquilo?? Instintivamente ela vasculhou sua memória para encontrar uma cena parecida com sua visão, mas não conseguiu nem chegar perto. Sua memória estava muito danificada. Muitos buracos ainda precisavam ser preenchidos.

Ela se sentou na cadeira do capitão e se deixou perder em seus próprios pensamentos. Apesar de ser uma pessoa muito controlada, aquilo mexeu com ela de uma forma assustadora, porque no fundo ela sabia que o desconhecido de sua visão era importante de alguma forma. Naquela fração de segundo seu coração foi tomado por um sentimento que ela achou que nunca mais sentiria. Ela sentiu medo. Medo de perder uma pessoa querida. O problema é que ela não conseguia se lembrar de ninguém capaz de despertar isso nela.

Yuki estava tão concentrada, e de certo modo desorientada, que não percebeu uma presença se aproximar do quarto, apenas notou quando esse alguém já estava na porta. Mas para sua sorte não a abriram. Apenas dois pedaços de papel foram arremessados por baixo dela e depois passos se distanciaram da cabine do capitão.

Yuki foi até a porta e leu os papéis de longe.

"Sasori,

Esqueci de avisá-lo, mas vou me ausentar por algum tempo. Volto em dois ou três dias no máximo. Mas não se preocupe, amanhã o mar estará calmo e o vento irá voltar, a viagem será tranqüila por isso, de qualquer forma, eu não serviria de ajuda. Vocês poderão ir para a Irlanda com facilidade e encontrarei vocês lá.

Assinado, Al"

Ao terminar de ler, Yuki não conteve um meio sorriso. Realmente aquele garoto era muito estranho. Em seguida passou a ler o outro papel e não demorou para seu sorriso desaparecer.

"As respostas sobre seu passado estão onde você menos espera. Um a um todos cairão se assim você desejar, mas destruir o Akatsuki será um erro sem tamanho. Eu posso garantir."

Yuki segurou o bilhete que era endereçado a ela e ele se enrugou enquanto parecia absorver água de seus dedos.

Yuki: - Um pedido original... Vou levar isso em consideração.

Esse foi um jeito estranho de pedir para que a viagem fosse segura. Yuki poderia ignorá-lo, mas uma parte de si mediu calmamente aquelas palavras. Por isso, por mais um tempo, o Akatsuki estaria seguro.

Nayuuke deixou o "Língua de Gato" logo depois da curta conversa que teve com Sasuke e Katherinne, mas não sem antes avisar que não voltaria antes de dois dias. A garota saiu do bar para a tranqüilidade da noite e fitou a Lua cheia por alguns segundos. Depois, em passos lentos, foi em direção ao porto.

O deque estava desabitado. Provavelmente os guardas dos navios estavam dormindo em um canto qualquer ou bêbados em algum bar, para ela não fazia diferença. Nayuuke parou na parte mais extrema, quando o caminho de madeira terminava, e tirou um pequeno frasco de vidro da bolsa transversal que usava. Abriu o pequeno recipiente no qual havia uma areia branca e fina, e o virou, permitindo que o vento carregasse as partículas de areia para o mar.

Elas ficaram sobre o espelho d'água sem causar qualquer ondulação anormal, até que Nayuuke ergueu seu braço de forma perpendicular ao corpo e as águas ganharam um movimento circular.

A areia se misturou com a água e o mais estranho foi que, apesar de estar em menor quantidade, ela foi capaz de tingir o azul do mar e torná-lo quase branco. Mas isso em uma pequena área, um círculo de quase dois metros de diâmetro e que agora mais parecia um redemoinho.

Nayuuke esperou até que aquele redemoinho tomasse a forma que ela desejava e sem hesitar pulou dentro dele como quem mergulha em águas calmas. O redemoinho branco ainda se manteve o mesmo por mais alguns segundos, mas aos poucos diminuiu até desaparecer totalmente.

E Nayuuke não voltou para a superfície. Simplesmente por que não estava mais ali.

O Crepúsculo continuava sua viagem sem saber dos perigos que o espreitavam sob as calmas águas do oceano. Esse era o navio de casco vermelho e velas com o incomum símbolo de Ankh grafado, cujos dias estavam contados no caso de Yuki ser bem sucedida... Mas muita coisa pode mudar em questão de dias.

A capitã Desiré Chermont, em passos lentos, desceu até o convés. Vestia por cima de uma malha fina e escura, um gibão de couro. Na mão direita usava uma luva sem dedos que chegava até metade de seu antebraço, enquanto em seu outro braço era possível notar uma elegante faixa vermelha e roxa com uma pedra púrpura, a única peça de enfeite de seu uniforme utilitário. Vestia também calças pretas um pouco coladas ao corpo e botas longas na mesma cor, com alguns detalhes em vermelho. Por fim, mas não menos importante, em sua cintura, presa a um pesado cinto, sua espada permanecia dependurada sem quebrar a beleza do conjunto.

Ela pôde sentir vários olhares recaírem sobre si e mesmo sem retribuí-los sabia que alguns refletiam apenas medo. Isso era natural. Toda a tripulação do Crepúsculo estava no convés. Seis membros dela, cada um enfileirado com um prisioneiro bem amarrado e ajoelhado a sua frente, apenas aguardando as ordens. A maioria dos presos tremeu diante da visão da capitã, ainda mais quando ela parou poucos metros antes de ficar na frente do primeiro deles.

Desiré: - Ibiki, relatório.

O homem mais truculento da tripulação se manifestou. Ele que até a pouco estava no começo da fila se colocou ao lado de Desiré com uma postura bem ereta, digna de um oficial da marinha.

Ele vestia um sobretudo preto bem alinhado sob uma camisa branca, calças pretas assim como suas botas, enquanto sua cabeça se mantinha protegida por uma bandana de cor parecida. Seu rosto era marcado por profundas cicatrizes, mas mesmo sem elas sua aparência possuía traços bem robustos e, de certa forma, assustadores.

Ibiki: - Esses foram os que conseguimos capturar, outros cinco foram mortos. Dos nossos, apenas o Genma teve um pequeno ferimento, mas nada preocupante.

Desiré: - Não esperaria nada além disso.

Ibiki: - A pilhagem dessa vez foi bem menor que as anteriores, talvez nosso informante tenha se enganado, por que esse navio com certeza não pagou os dias de espera.

Desiré: - Ou então o resto da mercadoria foi escondido em alguma ilha próxima daqui. Qual deles é o capitão??

O prisioneiro não teria se manifestado por livre e espontânea vontade, por isso um chute de um dos subordinados de Desiré o estimulou a se pronunciar. Era um senhor, provavelmente com seus quarenta anos para mais, sua pele envelhecida pelo Sol e marcada por algumas cicatrizes denunciava que passara grande parte de sua vida no mar.

Ibiki: - Onde está o resto da mercadoria??

Prisioneiro: - Não há resto. -- Ele falou com certo ar de arrogância e isso irritou seus captores. Um leve murmúrio de indignação passou pelos tripulantes do Crepúsculo, mas eles foram calados por Desiré que em passos lentos se aproximou de seu atrevido prisioneiro e parou na frente dele.

Desiré: - O senhor se mostrou merecedor do meu respeito. Admito, estivemos a sua procura durante semanas sem sucesso e apenas um grande capitão seria capaz de me dar tanto trabalho. Por isso vou perguntar mais uma vez, mas peço que reflita com cuidado antes de responder, por que posso garantir que se o senhor não me responder por bem, Ibiki terá o prazer de ajudá-lo a reconsiderar.

O olhar daquele senhor involuntariamente recaiu sobre Ibiki e apesar de seu rosto não ter revelado nada, Desiré notou medo sob aqueles olhos castanhos.

Desiré: - Onde o resto da mercadoria foi escondido?? -- O senhor hesitou, olhou mais uma vez para Ibiki, depois se empertigou.

Prisioneiro: - Eu não vou dizer nada, não tenho nada a temer de um homem que recebe ordens de uma mulher. -- Ele disse aquilo sem olhar nos olhos de Desiré e em seguida passou a falar diretamente com a tripulação do Crepúsculo. -- Vocês todos não passam de lixo, não honram nem o fato de serem homens.

Aquele experiente comerciante esperava despertar alguma rixa interna da tripulação e assim se livrar de seus captores. Mas ao contrário do que ele esperava, nada aconteceu, a tripulação do Crepúsculo não se manifestou. Desiré o fitou com um resquício quase imperceptível de pena, mas nem por isso impediu que Ibiki segurasse o prisioneiro pela gola e o arrastasse para a escada que levaria para as partes internas do navio. Depois que os dois desapareceram dentro do navio, Desiré suspirou e se voltou para analisar com mais cuidado os outros presos.

Desiré: - Kairi, estamos próximos de alguma ilha?? -- A garota estava atrás da linha de prisioneiros, sentada na borda do navio e assim que ouviu seu nome se pôs de pé.

Kairi: - Existe uma alguns quilômetros a Leste.

Desiré: - Vocês têm sorte que estamos no mar do Caribe e eu estou de bom humor hoje. -- Estar de bom humor significa apenas que eles não seriam mortos no navio, mas sim abandonados em uma ilha deserta sem comida e uma garrafa de água doce para todos. Se a tripulação fosse bondosa.

Desiré estava prestes a dar as costas e voltar para sua cabine, mas um dos prisioneiros chamou sua atenção por sua situação deplorável. Kairi seguiu os olhos da Capitã e pareceu ler seus pensamentos.

Kairi: - Esse homem era prisioneiro no navio que capturamos, provavelmente seria vendido como escravo. -- Para surpresa de seus homens Desiré se aproximou do prisioneiro.

Não passava de um rapaz, que pelo porte físico deveria ter por volta de seus vinte e cinco anos, dono de ombros largos porém magros graças ao período de cativeiro. Seu rosto estava levemente abaixado e não podia ser visto por estar coberto por seu cabelo longo, desgrenhado e de uma estranha cor laranja. Ele vestia roupas muito largas, que claramente não foram feitas para ele. Eram uma camisa de manga longa preta e calças na mesma cor, mas apesar do tom escuro era possível notar a sujeira impregnada nelas.

Desiré: - Solte as mãos dele. -- Para não desobedecer, o pirata responsável por ele rapidamente desembainhou a própria espada e cortou as cordas com um único movimento. -- Levante-se.

O prisioneiro não moveu um músculo, por isso dois dos homens de Desiré o colocaram de pé à força. E mesmo antes de olhar o rosto do preso, Desiré puxou a mão direita dele, arregaçando a manga da camisa para ver melhor as costas da mão dele. Um murmúrio de surpresa passou pelos tripulantes do Crepúsculo, por que uma cicatriz em forma de "P" marcava a pele daquele rapaz e o único meio de se ter uma marca como aquela era uma queimadura com ferro quente. Sempre que um pirata era capturado recebia essa marca, assim ele jamais seria aceito na sociedade novamente, estaria fadado a carregar o fardo de seu passado pelo resto da vida sem nunca encontrar um lugar seguro para morrer. Pelo menos era assim que a marinha das nações queria que os aspirantes a piratas pensassem. Assim, quem sabe, mudassem de idéia. Mas no fim ter essa marca era motivo de orgulho.

Desiré: - Sinto por não tê-lo reconhecido antes, mas os dias não foram muito gentis com você, Pein.

O rapaz levantou a cabeça lentamente, revelando um rosto de pele clara e feições bem marcadas, mas impossíveis de serem lidas, com vários detalhes de metal incrustados na pele. Seus olhos eram de um estranho e enigmático cinza, mas também não refletiam nada. Apenas um finíssimo meio sorriso denunciava um traço de sentimento.

Pein: - Seria melhor se você não tivesse me reconhecido.

Desiré: - O que te aconteceu??

Pein: - Prefiro não tocar no assunto. -- Ele passou a massagear seus pulsos, doloridos graças às horas que passaram presos.

Desiré: - Eu tão pouco tenho real interesse em ter essa informação, por isso não perguntarei os detalhes. Mas se bem me lembro você deixou o mar para ter uma vida normal e agora retorna com a marca de um pirata. Posso apenas supor que seu plano sofreu uma grande reviravolta.

Pein: - Onde quer chegar??

Desiré: - Você não tem nada, é apenas um prisioneiro moribundo que eu resgatei por mero acaso. -- Ela passou a andar em volta dele enquanto falava. -- Sua cabeça deve valer alguns milhões na Inglaterra, não é?? Eu poderia te entregar e conseguir mais dinheiro do que com qualquer outra mercadoria. Sua sorte é que para mim você tem mais valor vivo... Eu quero sua experiência como pirata em meu serviço. -- Pein apenas deu uma leve risada cheia de deboche.

Pein: - Você sabe que eu posso muito bem voltar para o Akatsuki e reivindicar meu lugar como capitão.

Desiré: - Sei, por isso eu disse tudo isso. Você foi o capitão do Akatsuki, mas no momento você não passa de um prisioneiro e por isso seu destino está em minhas mãos. E, como dona do seu destino, dou apenas duas opções: se tornar meu sub-capitão ou morrer aqui e agora. A decisão é sua.

Pein: - Você chama isso de opções??

Desiré: - É, talvez tenha me faltado uma palavra melhor, mas não mudaria em nada o sentido.

Pein: - Nesse caso o que você quer?? Meu juramento?? Devo avisar que não acredito muito nessas coisas.

Desiré: - Vamos fazer um acordo. Você fica no Crepúsculo pelos próximos três anos e depois nossa dívida está paga.

Pein: - Razoável... -- Ele hesitou um pouco, mas provavelmente não conseguiria uma oferta melhor que aquela. -- Temos um acordo.

Desiré: - E para garantir que você cumpra os três anos... Kairi. -- A garota estava atrás da capitã e um pouco distraída, por isso respondeu um pouco sobressaltada.

Kairi: - Hai.

Desiré: - Eu confio em você, a partir de hoje será a responsável por garantir que ele não tentará fugir. E Pein, você irá seguir todas as ordens de Kairi.

Kairi: - Mas...

Desiré: - Essa é minha palavra final, não me decepcione. -- Kairi ficou sem reação e apenas acompanhou com os olhos Desiré dar as costas para ela e ir em direção a sua cabine. O que mais ela poderia fazer??

Pein: - Então... Isso quer dizer que faço parte da tripulação agora. Posso pegar uma espada emprestada?? -- Ele procurou por Kairi com os olhos e a garota foi mais uma vez pega de surpresa.

Kairi: - Pode. -- Que mal haveria nisso?? Pein pegou uma das espadas que foram tiradas dos mortos e começou a cortar o ar com ela com a alegria de alguém que há muito tempo não empunhava uma.

Mas para surpresa geral, depois da espada dar um giro no ar, ela passou pela fila dos prisioneiros e cortou o pescoço de um deles. Segundos depois o corpo daquele homem bateu no chão com um baque forte.

Kairi: - Por que fez isso??

Pein: - Ele era meu carcereiro, apenas retribuí o favor. -- Ele limpou a espada na roupa já suja, embainhou-a e foi na direção do interior do navio.

Kairi: - Eu não acredito nisso... – Kairi deu um suspiro longo e cansado, mas mal sabia ela que esse era apenas o começo de muita dor de cabeça.

A Lua cheia em breve chegaria ao ponto mais alto do céu, mas seria difícil alcançar uma beleza maior. Ela lançava seus raios brancos sob a imensidão negra do oceano de uma maneira quase mágica, enquanto uma brisa quente e acolhedora se arrastava do continente para o mar sem levantar a areia fina e branca da praia.

Enquanto mantinha seus olhos fechados Alphonse apenas acompanhava o som das ondas a quebrar na praia. Não que não o conhecesse, mas por viver em alto mar raramente o ouvia. Mas por isso perdia uma cena belíssima, o que seria uma pena se ele já não tivesse visto centenas de noites iguais àquela.

Ele estava de pé com as costas apoiadas em um coqueiro próximo à orla, com as mãos nos bolsos e a cabeça um pouco abaixada. Mas quando seus olhos azuis safira se abriram, foram voltados para o ponto distante em que a costa fazia uma pequena curva, e mesmo sem haver nada de especial ali, se mantiveram no mesmo lugar, apenas à espera.

Poucos segundos depois, o motivo de Al ter deixado o Akatsuki finalmente se revelou. Nayuuke lentamente apareceu, caminhando sem pressa, com seus pés nus sob a areia fofa e a brisa a balançar seus longos cabelos negros. Como Al estava protegido pela sombra do coqueiro ela sequer poderia suspeitar que estava sendo observada e talvez isso tornasse a cena ainda mais bela.

Nayuuke intercalava seu olhar entre o luar e seus próprios pés que afundavam na areia a cada passo. Mas por algum motivo, aos olhos de Al, ela parecia mais flutuar graciosamente sob a areia do que afundar nela. A leve brisa era o bastante para fazer a roupa de Nayuuke esvoaçar e ficar ainda mais colada ao seu corpo, realçando assim suas curvas e a tornando uma visão ainda mais tentadora.

Mas quando esse tipo de pensamento passou pela mente de Al, ele apenas deixou um leve sorriso cheio de ironia se formar em seu rosto, depois jogou a cabeça para trás para fazê-la bater no coqueiro e cerrou os olhos uma vez mais.

Alphonse: - Eu deveria ter aprendido... -- Suspiro. -- No fim, continuo o mesmo tolo de sempre...

Ele ficou naquela posição por alguns segundos, talvez até minutos, tanto que quando abriu os olhos novamente, Nayuuke estava parada a alguns metros de distância dele. Provavelmente quando chegou mais perto de onde ele estava, conseguiu enxergá-lo e agora o fitava. Aqueles belos olhos vermelhos não expressavam nada, mas Al já os conhecia e lê-los não era difícil.

Alphonse: - Parece desapontada.

Nayuuke talvez tenha se surpreendido com a forma como ele conseguiu ler seus pensamentos, mas em nenhum momento deixou isso transparecer. Aquela situação era estranha, era a primeira vez que se encontravam, mas sentiam como se já se conhecessem. E em parte, se conheciam mesmo.

Nayuuke: - Não quis ser grossa, mas aparecer em meus sonhos com uma forma que não é sua verdadeira não deixa de ser uma mentira, portanto, você foi grosseiro primeiro.

Alphonse: - É verdade... -- Ele sorriu. -- Mas acho que me entendeu errado. Se você estiver certa, acho que só não sou grosso com você.

Ela não entendeu, franziu levemente o cenho e teria perguntado, mas palavras foram desnecessárias. Al se desencostou do tronco, depois deu dois passos na direção de Nayuuke para sair da sombra do coqueiro e permitir que seu corpo fosse banhado pelos raios pálidos da Lua. A garota dessa vez não conseguiu esconder a surpresa, porque bem na sua frente aquele garotinho que não parecia ter mais de oito anos acabara de se tornar um homem, no sentido literal da palavra.

No mesmo instante em que o brilho da Lua tocou o corpo de Al ele mudou. Segundos atrás Alphonse não era muito mais alto que a cintura de Nayuuke, mas agora era quase uma cabeça mais alto que ela. Suas feições se tornaram mais maduras, talvez até duras, mas seus olhos mantinham o mesmo brilho gentil de sempre. Seus ombros se tornaram mais largos, seus braços mais fortes e pelo conjunto se mostrava um homem impressionante pela beleza que aparentava ter por volta de vinte anos.

Nayuuke: - O que exatamente é você??

Nayuuke estava acostumada a mexer com os homens, mas não o contrário e realmente estava se sentindo bem perturbada perto dele, algo irritante. Aquela era uma situação estranha, era a primeira vez que se encontravam, mas sentiam como se já se conhecessem perfeitamente bem.

Alphonse: - Não é muito fácil explicar isso. -- Ele deu uma leve risada, como quem fica embaraçado com uma pergunta quase cruel como aquela, mas no fundo pouco se importava. -- Mas achei que você saberia melhor do que ninguém que nada é o que parece.

Nayuuke: - Quantos anos você tem?? -- Al fitava a Lua distraidamente, mas Nayuuke mantinha os olhos presos nele cheia de desconfiança.

Alphonse: - Quanto será... Perdi as contas depois de um tempo, mas posso garantir que tenho mais do que cem. -- Al apenas notou com o canto do olho que ela não pareceu impressionada. Em passos vagarosos ele se aproximou dela para parar a poucos centímetros de distância e se divertiu ao ver finalmente um pouco de nervosismo naqueles olhos vermelhos, mesmo que não tenha durado mais do que alguns segundos. -- Mais alguma pergunta??

Nayuuke: - Apenas uma dúvida... -- Nayuuke pareceu se recuperar da surpresa e conseguiu dominar seus sentimentos mais uma vez, voltando à sua aparente indiferença em relação a ele. -- Por que sempre me ajudou?? Como sabe tanto sobre meus poderes?? E por que pode usá-los??

Alphonse: - Em condições normais, você seria tirada de seus pais ainda bebê e teria sido criada por pessoas que conhecessem a magia antiga para aprender a controlar seus poderes, mas todos foram mortos há muito tempo. Ninguém domina mais o conhecimento dos livros antigos. Sem ajuda ou você não desenvolveria seus poderes ou perderia completamente o controle sobre eles, algo catastrófico. Eu não tinha escolha a não ser te treinar, mas demorei para conseguir te encontrar e quando cheguei, seus pais já lutavam muito por você, não poderia simplesmente te tirar deles depois de todo o sacrifício que eles fizeram para te proteger. Então o que me restou foi te ensinar a controlar seus poderes à distância, apenas em seus sonhos.

Nayuuke: - ... -- Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. -- Mas isso não responde minhas outras perguntas.

O rosto de Al ganhou uma expressão mais séria e ele a olhou diretamente nos olhos pela primeira vez.

Alphonse: - Tem certeza que quer saber?? Depois que eu contar toda a história, nada mais será o mesmo, você finalmente terá que escolher seu lado. -- Mas ao contrário do que ele esperava Nayuuke apenas riu de uma forma mais debochada.

Nayuuke: - Mas assim eu saberei qual é meu papel neste mundo, não é?? Eu sempre te perguntei sobre isso, você sabe que é o que eu mais quero saber... Mas por que teme tanto em me dar uma resposta??

Alphonse: - Por que... -- Sua voz voltou a ter um ar mais calmo e ele voltou os olhos para a Lua. -- Seu papel neste mundo não depende de mim, depende apenas da sua escolha...

Nayuuke chegou a acreditar que Al deixaria a frase no ar, mas quando ela estava prestes a se manifestar, o Lioncourt voltou seus olhos para ela mais uma vez. E para sua surpresa, eles, ao invés de gentis como de costume, mostravam um brilho um pouco mais sombrio.

Alphonse: - E dependendo de qual será ela... Eu serei forçado a te matar. -- E ela foi incapaz de duvidar disso.

(1)Bian: Em chinês, significa Renovação.


Reviews:

Suzana AKL: Que bom que gostou XD A Seiko é muito cativante mesmo... HUAhUA viu?? Até uma fic pode ser font de cultura (apesar de que nada além da nota histórica pode ser realmente levada a sério) Tudo bem, eu te perdoo, sempre me esqueço de mandar reviews também n.n HuhAuhua eu vou revelar esses duas relações bem aos poucos e acho que você vai gostar... A Salem ficou muito bem com a Teo, bem mais do que eu havia imaginado, elas tem o tipo de amizade que eu acho que daria certo em qualquer situação, acho que por que são parecidas, afinal entender uma personalidade como a delas só sendo igual... Espero que goste do capítulo ;D

Mayuu-chan: Kakashi vai ter muuita dor de cabeça isso eu posso garantir, vou dar bons motivos para ele odiar juramentos aguarde... Eu adoro a Seiko, é muuito fácil escrever as cenas dela e sempre são de impacto XD acho que já deu para perceber, e ela se encaixou direitinho com a história do Kai-chan, foi impressionante, e quem sabe eles voltam a se encontrar... Eu concordo com você, ele é muuito fofo, mas acho que ele e a Seiko não combinariam como casal, a relação deles é mais de mãe e filho ou algo assim... Nossa depois eu fiquei pensando, vou ficar até com dó do Sasuke, todo mundo quer infernizar a vida dele XDD mas vai ser divertido, já tem a Kath, mas agora vai ser dentro do seu próprio navio HAUha. Que bom que gostou da idéia da Chiyo quando eu pensei em uma dona de estalagem ela foi a primeira a vir em mente, não sei, acho que combina. Muuito obrigada por betar esse capítulo pra mim!! Eficiente como sempre n.n

Lilly Angel88: Magina se for pra receber comentários tão longos como os seus eu espero pode deixar XDD eles sempre me animam para escrever sabia?? HUahuahau que bom que você gostou da parte do palácio, me deu um certo trabalho assumo, mas foi divertido... O Kakashi tadinho, vai ter muitos motivos para odiar promessas, isso eu garanto. E não só a Beatrice, o que não falta nessa fic são garotas de fibra... Acho que você tem tudo para gostar da história do Neji e dela então XDD... Sim!! Aquela primeira aparição nem conta, foi muito superficial... Eu queria muito colocar uma cena da Jô com a Karin e consegui!! As personalidades opostas delas ficam mais evidentes assim, que bom que consegui captar o jeito da Jô n.n eu achei que seria difícil por que a personalidade dela é bem complexa, mas acho que foi o contrário XD acho que gosto de ooc´s assim. Eu amoo o Kai-chan, já deu pra notar não?? Acho que incapaz de fazer uma cena com ele que não seja muuito fofa, ainda mais perto da Seiko, não deu para evitar que eles criassem uma relação mãe e filho... A Jô é outra que vai dar muita dor de cabeça para o Sasuke, acredite, você não é a única que gosta de ver ele sofrer hauhua e eu só sigo ordens diga-se de passagem ainda que eu goste de fazer alguém tirando com a cara dele XD... Eu não sabia que vocês iam gostar tanto dos ratinhos da Seiko e como eu só sigo ordens, com certeza eles vão dar as caras mais algumas vezes não se preocupe n.n Você acertou, eu estou tentando equilibrar os capítulos em número de personagens, mas como fica sem sentido se eu quebrar a progressão, alguns personagens precisam se repetir nos capítulos como aconteceu no passado com a Jô e provavelmente vai acontecer no próximo... Na verdade se só eu os tivesse criado com certeza a enredo ficaria bem pobrezinho, você deve ter notado que eu incorporei na história muitas das histórias dos próprios ooc´s e acho que essa é a parte emocionante de uma fic de fichas usar a criatividade dos leitores hehe... Mas que bom que você pensa assim, quer dizer que não está artificial, obrigada pelos elogios n.n ... Bom... Obrigada por mandar boa sorte XD eu vou precisar, mas não se preocupe, não pretendo colocar a fic em hiatus, vou escrever até quando puder n.n Espero que goste desse capítulo também.

Gabihh-chan: Nossa fico muuito feliz que diga isso XD estou me esforçando para fazer uma fic bem caprichada n.n Acho que você vai gostar ainda mais desse capítulo, afinal a Nayuuke aparece um pouco mais n.n Obrigada, espero que goste desse capítulo.

Luna Stuart: Que bom que gostou, espero que continue assim. E agora está confirmado, a Kairi vai fazer par com o Pein... Já consegui imaginar uma história para esses dois n.n Aguarde.

Fafi Raposinha: O Kai-chan é sempre fofo XD acho que eu nunca serei capaz de escrever sobre ele sem ter uma parte que dê vontade de apertá-lo, é tão a cara dele... Como você conseguiu fazer um ooc tão kawaii?? HAuhuah você é má, desejar que uma coisinha tão fofa sofra... Se bem que acho que sou pior, pq sou eu que vou fazer ele sofrer o.O hehe Mas isso não vem ao caso... Pior que eu também fiquei com essa imagem de mãe e filho com ele e a Seiko, acho que assim que fiz aquela primeira cena dos dois juntos, mas acho que já deu para perceber né?? Nossa eu gostaria de saber desenhar, mas sou uma completa negação, eu também fico com vontade de ver as cenas em desenho... hUAhuhA o destino do Kai-chan é um completo mistério hoho só eu sei o que vai acontecer XD (morra de inveja) mas acho que vai gostar XDD Fico muuito feliz em saber que você gostou do capítulo e espero que goste desse também n.n

Rodrigo DeMolay: Obrigada pelo elogio n.n mas acho que é por que essa fic me inspira a escrever, é quase mágico. Sim! Agora as coisas vão ficar ainda melhores e o Al finalmente aparece mais, a personalidade dele foi um pouco mais explorada XDD Eu tenho muuitas idéias para ele e a Nayuuke, acho que já deu para perceber, não sei, eles combinam. Espero que não se importe pela mudança de aparência, mas é pra dar mais impacto... Espero que goste do capítulo n.n

Miyo Kyouhei: Minha vizinha de cursinho!! Esse mundo é realmente pequeno XD Ah! E não sei se agradeci, mas obrigada por desejar sorte, vou precisar. Nossa que bom que gostou da parte do castelo, acho que foi a primeira vez que eu fiz uma descrição desse tipo... Eu gostei do príncipe, mas ainda sou muito mais o Kakashi XDD HUAhuAH apesar dos dois serem muuito lindos... A Teo que tem sorte... Nossa é a primeira vez que eu faço a Karin, mas até que eu gostei, o que é surpreendente pq eu também não sou lá muito fã. A personalidade dela é fácil de se lidar apesar de ser até que complexa. A parte das garotas é uma questão de tempo não se preocupe n.n mas por enquanto... Se-gre-do. Finalmente dona Sienna apareceu, mas isso foi apenas uma pitada... Próximo ainda teremos mais. Espero que tenha gostado do capítulo ;D

Psycho Itachi: Magina, não me importo com a demora, afinal o resultado é o mesmo, você mandou a review. HUahuA eu não vou reclamar se você disser XD hehe é sempre bom saber que os leitores estão gostando, ainda mais em uma fic de fichas. Na verdade eu também não seria capaz de amar assim, mas não custa imaginar histórias de amor não é?? Enfim, a Fuyu apareceu!! Eu amooo idéias malucas e isso está longe de ser um problema XDD Obrigada pelo apoio (eu realmente preciso) estou tentando escrever sempre que posso e esse capítulo saiu um pouco mais rápido do que eu esperava... Não desista não, vale a pena batalhar por algo que realmente se deseja (pelo menos é isso que eu repito constantemente para mim mesma)...Aliás obrigada por aquilo desde já, mas vou manter isso entre nós por enquanto.

Aredhel Luthor: HUAhuA sempre é uma opção XDD eu gosto de história, mas assumo que essa última nota teve inspiração na minha aula de geografia. Eu adorei escrever sobre o Suleyman, foi bem fácil pegar o estilo dele, me inspirei bastante nos sultões clássicos... Nossa desde que eu li sua ficha eu fiquei com essa cena na cabeça, principalmente a parte do juramento, não sei se te falei, mas KakXTeo foi o primeiro casal que eu defini e acho que é um dos poucos que eu tenho em mente até o fim... Sim sim o amor do Suleyman é realmente uma obscessão(ele realmente ficou assustador não??), mas nosso amado Dom Juan estará sempre por perto XD até o fim da fic eu vou deixar muitas garotas suspirando pelo Kakashi HUAhua me aguarde.

Maimi Akimoto: A Temari me passa a impressão de uma treinadora rigorosa, não sei exatamente por que. Essa cena também foi pensada há muuito tempo, desde que eu li sua ficha eu acho, na verdade a história da Beatrice está praticamente completa na minha cabeça, falta só algumas melhoras, por isso é fácil escrever sobre ela... Mas não posso explorar meus planos com ela por enquanto, muita água ainda precisa correr (infelizmente) mas tenha paciência, eu não esqueci dela não. Obrigada por entender, estou me esforçando para continuar a escrever, mas às vezes nem sempre dá. Nossa você também deve ser muuito ocupada, eu só estudo e não tenho tempo pra mais nada T.T fazer o que né?? Ler e escrever fics no tempo livre XD Espero que goste do capítulo.

Obrigada por ler

Sary-chann