Capítulo VI

A Polícia de Osaka – O chamado de Sakura

Sakura escuta atentamente o que Hikaru e Subaru queriam realmente dela e o porquê de precisarem tanto da sua ajuda…

Depois de ficar muda desde que entrou, era a vez de Hikaru falar para Sakura o que realmente queriam dela:

– Sakura, desculpa eu interromper, Subaru. – Hikaru se voltou para Sakura e continuou – Sakura, sou Hikaru Shidou, sou uma pessoa que tem poderes mágicos como você. Aqui, no departamento de crimes paranormais, eles chamam isso de Kudan. Eu tenho um kudan de alto nível também. Sou de classe A, mas posso progredir pra classe S. Sei que é muita informação e eu não sou boa pra explicar, mas o que queremos de você, Sakura, é a sua ajuda contra essa misteriosa organização chinesa que veio tomar de você as cartas Clow…

– Porque vocês precisam de mim pra ir atrás deles? – Perguntou Sakura.

– Porque Sakura, as cartas Clow possuem um imenso poder. Pra controlá-las, é necessário muita magia, muita força de vontade. A vontade é a base da magia, mas entenda, você tem poderes mágicos e capacidade de desenvolvê-los que nem você mesma sabe… – Disse Hikaru.

– Que poderes mágicos que eu tenho são esses que eu nem desenvolvi direito?

– Infinitos, Sakura. Uma bruxa uma vez me disse, que o universo é limitado para as pessoas normais, mas pra quem o conhece ele é infinito. Eu aprendi isso usando magia, Sakura, e você vai aprender o sentido disso também… – Respondeu Hikaru.

– Gente, eu não estou entendendo nada disso; o que vocês querem REALMENTE de mim? – Perguntou furiosa Sakura, se levantando da cadeira e batendo com os punhos na mesa. Hikaru e Subaru se entreolharam se lamentando por não poder ajudar mais a cardcaptor. O Superintendente Makoto toma as rédeas da conversa e prossegue:

– Sakura, nós não sabemos nada dessa organização chinesa…

– Então trate de procurar saber e deixem a minha esposa e a minha família em paz! – Exclamou furioso Syaoran. Makoto não gostou da atitude do rapaz e continuou:

– Senhor Li, mais uma exaltação e eu o expulso daqui, ou melhor, eu prendo o senhor por desacato, tudo bem? Se não quiser ouvir a nossa explicação eu entendo, mas deixe a gente terminar! Precisamos do seu apoio também, mas vejo que o senhor não está disposto a cooperar…

– Tudo bem, não vou falar mais nada. Anda, porque vocês precisam da minha ajuda?

– Simples, senhor Li. Nós não sabemos de nada dessa organização chinesa, nem como enfrentá-la. Só sabemos que não temos agentes com poderes de alto nível para enfrentá-los. Temos o Subaru, ele é muito importante e pode lidar com eles, ele é classe S, mas é muito arriscado fazer isso sozinho e ate mesmo a família imperial e a dieta precisa dos serviços dele. Ele é precioso ao Japão. A senhora Shidou é uma boa ajuda, mas não é o suficiente ainda. Ela tem mais duas amigas com poderes mágicos que infelizmente estão muito ocupadas pra ajudar. Uma está fazendo doutorado na América, a outra está muito ocupada com os negócios da família dela e não vão poder ajudar. O que eu quero é treinar a Sakura como agente especial da polícia de Osaka.

– Agente especial? O que é que vem a ser isso? – Perguntou uma curiosa Meiling.

– Durante uns meses, a Sakura será treinada como um policial comum. Vai aprender a usar armas de fogo, vai receber lições de direito penal, direitos humanos e defesa pessoal. Durante esse tempo, ela será instruída por Subaru e Hikaru no uso da magia…

– Mas porque eu tenho que passar por esse treinamento? Eu já tenho as cartas Clow comigo agora, eu posso me virar muito bem… – Perguntou Sakura.

– Não, não pode, a senhora não tem autoridade pra isso, a senhora não é uma agente de polícia. Só depois do treinamento, eu vou enviar o seu relatório para o Chefe de polícia pedindo a sua incorporação ao nosso departamento, daí a senhora vai ter autoridade pra prendê-los. Devido à sua residência, a senhora será uma agente de meio período e somente participará das abordagens e cercos. Nós do departamento cuidamos da investigação.

– Mas porque o Subaru e a Hikaru podem participar então? – Perguntou Sakura.

– E porque vocês não fazem esse serviço ao invés de envolver a minha família nisso? Vocês tem esse onmyoujin e essa menina, não são o bastante não? – Perguntou Syaoran, sem baixar o tom, mesmo com a ameaça de Makoto.

– Muito bem. O Senhor Subaru é agente civil da polícia nacional, do também departamento de crimes paranormais. Se ele quiser, ele pode ordenar uma intervenção do governo nessa agência. A senhora Hikaru é agente civil, adestra os cães policiais do distrito de Akihabara em Tóquio. Eu não tenho nenhum agente local e nem próximo de alto nível para lidar com esse problema. Senhor Li, estou falando de uma organização que almeja as cartas Clow e invadiu o seu apartamento para isso com gente treinada que sabia o que tava fazendo. Eles são uma ameaça nacional do nível dos terroristas, as cartas Clow são uma arma perigosa nas mãos deles, por isso eu conto com a sua ajuda pra treinar a sua esposa sem o uso das cartas Clow, só com o poder mágico dela, o senhor me entende? Deixar as cartas Clow na mão dessa gente é como dar uma bomba atômica nas mãos de terroristas! – Disse Makoto, olhando firme para Syaoran.

Sakura, Meiling e Kero permaneciam em silêncio. Sakura realmente entendeu o porquê de ela ser tão necessária para a polícia de Osaka. Fechou os olhos e apertou Sholong contra o seio, pensando em si, na sua família, no seu pequeno. Syaoran, indignado com o que ouvia, respirou fundo e disse para Makoto:

– Eu preciso sair um pouco, eu preciso respirar.

Nem precisa dizer que Sakura ficou preocupada com a atitude do marido.