Capitulo sete
Bebê em gestação
Harry tomava café tranquilamente quando sentiu que duas pessoas se sentavam à cada lado, sorriu para si mesmo, esperando que isso significasse que seus amigos por fim queriam voltar a estar com ele. Mas Hermione colocou um jornal em frente a ele, com os titulares:
"Grande Escândalo Social"
Não quis ler o conteúdo, tinha uma fotografia sua abarcando meia página, compreendeu que a nota seguramente estava centrada nele.
— Que querem que lhe diga? —perguntou encolhendo-se de ombros. — Não é a primeira vez que apareço no Profeta.
— Faz em uns meses, Harry… —começou Hermione com calma. —… disseste que daria tudo porque se esquecessem de ti. Desejava uma vida tranquila, sem pressões de ninguém, e agora que por fim conseguiste terminar com Voldemort, te complica a existência da maneira mais absurda.
— Não é absurdo estar apaixonado, Hermione. —assegurou olhando os olhos marrom de sua amiga. — E se leu tudo, espero que tenham mencionado o fato de que me casei. —agregou mostrando seu anel com profundo orgulho. — E casei-me com a melhor pessoa que pude encontrar.
— Não tem buscado muito. —murmurou Ron timidamente do outro lado.
— Não preciso buscar mais. —respondeu Harry girando-se para ele. — Tenho sido afortunado de que a vida me pusesse em meu caminho tão cedo.
— Não é muito cedo para ele. —assegurou agora Hermione. — Escuta, Harry, não queremos que nos mal interprete, tanto Ron como eu estaríamos felizes se achássemos que isso te daria o que merece. Mas vocês dois são tão desiguales, o Professor Snape é demasiado maior para ti, ademais está o fato de que foi comensal, que tem um passado com Malfoy e um filho com ele… são coisas que não pode ignorar.
— E que também não desejo o fazer, Hermione, todas essas coisas são o que fazem de Severus o que é hoje, o homem de quem me apaixonei.
— Acho que não é amor, é uma bonita ilusão nada mais, Harry, uma forma desesperada de querer viver rápido… e se dará conta quando deva se enfrentar a esse passado de Snape.
— A que se refere com exatidão, Hermione?
— A compartilhá-lo, Harry, e não me refiro a que te seja infiel, não. O que digo é que chegará no dia em que não poderá estar contigo por cumprir com o outro menino, chegará o momento em que terá que se ficar só em casa enquanto ele está com sua outra família.
— Não vou falar mais disto, se não querem me entender, o lamento muito… mas não abandonarei a Snape, que não se lhe esqueça que eu também espero um filho dele.
— Apressaste-te demasiado, Harry. —comentou Ron em um lamento. — Tivesse sido melhor que se tomasse seu tempo, desfrutasse de sua juventude, sair a festas conosco… Agora nem sequer poderá estudar, a escola de Aurores não admite gravidezes pelo perigo que significa.
— Estudarei depois, não me vou morrer por um ano ou dois que perca.
Nesse momento entraram as corujas levando o correio. Hermione suspirou tristemente, e tomando o jornal o enrolou para guardá-lo.
— Bem, Harry… começa agora mesmo tua nova vida, justo aquela que não querias ter.
Harry conteve a respiração, olhou a seu ao redor, muitos que estavam inscritos no Profeta já liam a notícia de primeira plana, suas exclamações de assombro não se fizeram esperar e chamavam a mais amigos às ler. Não teve quem não volteara ao olhar, escandalizado pela notícia.
Um ruído chamou poderosamente sua atenção. Draco estava tomando seu suco quando alguém lhe colocou o diário em frente a ele. Leu avidamente a notícia, e ao terminar, seus olhos cinzas fixaram-se nos verdes de Harry. Sem esperar mais, caminhou enfurecido para ele.
— Está casado com Snape?!
— Parece que não sabe ler muito bem, Malfoy… e ainda que não seja de sua conta te responderei. Sim, Severus e eu nos casamos faz em uma semana.
— Ele sai com meu pai!
— Não é verdade! —gritou pondo-se de pé, todo o comedor se fez silêncio para os escutar. — Lucius Malfoy é o pai de Ayrton, mas não é companheiro de Severus, isso se terminou faz muito.
— Mas deitaste-te com ele, ainda o sabendo, sabe no que te converte isso?
— Pensa o que te dê a vontade, não vou dar mais explicações, nem a ti nem a ninguém.
— Seguramente foi sua culpa que terminassem. —disse sorrindo zombador.
— Não, Malfoy… não foi sua culpa. —assegurou uma voz chegando por um lado.
Harry não apartou a mirada de Draco, ao reconhecer a voz não tinha necessidade de voltear a assegurar da identidade desta. E nunca em sua vida se imaginou que se sentiria tão emocionado quando Severus se colocou depois de ele, abraçando pelo peito, mostrando a todos seus colegas o especial que era para ele.
— Não sei porque te interessa, Draco. —sussurrou Severus suavemente. — Segundo lembro, renunciaste a sua família sem querer saber mais.
— Não me interessa o que façam, é verdadeiro, podem seguir com suas perversões que nem me vão nem me vêm. —assegurou encolhendo-se de ombros para em seguida retirar-se.
— E todos vocês, jovens… —prosseguiu Severus dirigindo a seus alunos. —… não quero me inteirar a mais reuniões desta índole. Vão a suas ocupações e deixem tranquilo a Harry, suponho que é o menos que podem fazer por ele depois de tudo o que ele tem feito por vocês e suas famílias.
Já ninguém protestou e se afastaram a seus lugares. Harry olhou a Hermione e Ron, mas estes se mantinham distantes, compreendeu que o motivo era a intimidação que Snape provocava neles e que jamais o superariam. Suspirou tristemente, seus amigos e seu esposo não poderiam ser amigos, e creu entender o ponto de vista que eles lhe tinham expressado. Simplesmente tinham medo de perdê-lo. O mau, é que Harry não pensava renunciar a Severus por nada nem por ninguém.
— Convido-te a dar um passeio quer? —disse-lhe o professor girando-o para olhar aos olhos, e ao ver seu sorriso, Harry assentiu.
Saíram juntos para os pátios. Severus bufou, pois ao ser domingo tinha alunos por todos os lados, não queria se ir encerrar às masmorras, mas também não lhe agradava a ideia de beijar a Harry com tanto público.
Harry sentia-se igual, de modo que puxou a Severus para o bosque, aí ninguém entraria. Estiveram caminhando um momento sem adentrar-se demasiado até que chegaram às orlas de um riacho o suficientemente profundo para poder nadar. O professor surpreendeu-se quando Harry, completamente acalorado, se tirou a roupa para se meter completamente nu à água.
— Anda, veem comigo. —convidou-lhe estendendo-lhe sua mão.
— Mas…
— Ninguém virá. —afirmou divertido ao ver que Severus olhava preocupado a vereda por onde tinha chegado. — Faz calor, e aqui te poderá refrescar.
Severus duvidou um momento, mas ao final respirou fundo e aceitou.
— Está gelada, Potter! —queixou-se quando esteve junto ao garoto quem ria por sua reação.
— Não exagere… a ver agora. Segue fria? —perguntou acercando-lhe provocativo.
— Um pouco, terá que fazer algo mais que isso.
— Algo… como isto?
Harry beijou a Severus sugando poderosamente enquanto rodeava-o com braços e pernas. O homem teve que sustentar de um ramo que sobressaía para o riacho, compreendeu o que Harry queria, seu membro endurecido golpeando seu ventre era uma mostra palpável disso, não entendia como não lhe afetava a frialdade da água.
Mas ao cabo de uns segundos já se sentia igual. Harry baixou-se de Severus, e deu-lhe as costas agora apoiando sobre o ramo. O homem envolveu lhe com um amoroso abraço, e enquanto lhe beijava esfregava sua juntada entreperna entre os glúteos de seu esposo, até que pouco foi adentrando-se em busca da suave entrada que sempre estava disposta para ele.
— De… delicioso, Sev. —gemeu empurrando seus quadris para trás, fechando os olhos fascinado de sentir-se penetrado até o fundo.
— Amo-te, Harry —sussurrou ao ouvido do moreno.
Severus levou suas mãos ao ventre do mago mais jovem, acariciando com uma a firme ereção de seu esposo e com a outra acariciando seu ventre, onde já se gestava seu filho e que morria por conhecer. Finalmente ambos chegaram ao orgasmo.
Cansado, Harry não se moveu, continuou apoiando no ramo enquanto respirava agitado, mas sorrindo comprazido. Depois de ele, Severus não deixava de mima-lo, beija-lo repetidamente e lhe abraçando com imensa veneração.
— Quero-te… —repetiu-lhe apaixonado. —… amo-te, meu menino, não me vá deixar nunca.
— Nem pense-lo, não se livrará de mim jamais. —afirmou feliz.
— É tudo para mim, me deste mais do que jamais sonhei… Te amo, te adoro, Harry.
— Basta, Sev, é demasiado meloso para mim. —riu girando-se para abraçá-lo.
— Não me cansarei nunca de te o dizer, do importante que é, e quero que o recorde sempre, que não passe em um dia sem que saiba que me morro sem ti juro que me morro sem ti!
Harry sujeitou o rosto de Severus olhando-lhe direto aos olhos. Estava preocupado. Severus era carinhoso com ele, mas jamais a esses extremos. Não podia se queixar, mas temia que fosse por algo que não sabia. Preferiu não lhe perguntar nada e só o beijou se esforçando pelo fazer sentir seguro de seu carinho.
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O tempo que faltava para a graduação decorreu rapidamente. O escândalo foi cedendo ainda que Harry ainda escutava cochichos a seu passo, mas deixou de lhe importar, era feliz sua vida tal como era. No dia em que entregariam os diplomas, Harry notou surpreendido que a calça que tinha comprado em uma semana anterior já não lhe ficava. Rapidamente pôs-se a capa em cima e baixou correndo às masmorras.
Severus abriu ante os golpes apressados. Grunhiu pela pressa, pois ainda não terminava de se arranjar e se fazia tarde, mais todo se lhe passou quando viu a Harry chorando em sua porta. Harry lançou-se a seus braços, apertando-lhe forte pela cintura e umedecendo sua negra camisa com seu pranto.
— Harry, carinho, que sucede? —perguntou alarmado.
— Não me fica! —exclamou entre soluços. —A calça que me comprei não me fica, Severus!
— Ai Rabisco e por isso tanto alboroto?
Ao ver que Severus não captava o que queria lhe dizer, Harry se esforçou por deixar de chorar, mas não pôde, de modo que tomando a mão de seu esposo o levou à cama. Tirou-se a capa entre soluços, e depois sentando a seu lado, levantou sua camisa mostrando a calça desabrochado.
— Toca. —pediu colocando-lhe a mão em seu ventre.
— Não sinto nada.
Harry se recostou sabendo que assim poderia o notar mais, e então o rosto de Severus empalideceu ainda mais. Uma pequena protuberância podia sentir-se baixo a pele. O garoto voltou a chorar sem poder dizer nada. O Professor também não pôde articular palavra, se recostou junto a Harry abraçando-lhe feliz… Por fim estava manifestando-se a presença física de seu bebê.
Ambos se esqueceram de ir à graduação, tiveram sua própria celebração em privado que lhes deixou muitas mais satisfações.
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À manhã seguinte, Harry sentiu-se mau, nos últimos dias os sintomas de gravidez fizeram-se mais frequentes e nesse dia parecia que seu estômago se tinha convertido em uma roda da fortuna.
— Vou morrer-me. —gemeu indo deitar-se depois de ter tentado vomitar sem sucesso, seu estômago estava vazio, mas as náuseas não se iam.
— Amor, não é assim, mas se te sente muito mau ficaremos em casa todo o dia.
— Para valer?
— Sim, dormiremos um pouco mais, e quando se sinta melhor iremos dar um passeio pelos jardins, assim aproveitaremos que já não há fastidiosos alunos pululando por aí.
Harry sorriu feliz, e mais quando Severus se recostou a seu lado e lhe abraçou consolando por seus mal-estares. No entanto, muito a seu pesar, respirou fundo e retirou-se.
— Agradeço muito sua intenção, Sev, mas Ayrton está-te esperando, não pode o deixar plantado.
— Mas…
— Vá, eu fico aqui, me dormirei um momento e depois irei visitar a Remus, faz dias que quase não o vejo.
— Está seguro?
— Completamente. Vá, e desculpa-me com Ayrton por não poder ir.
Severus assentiu e pondo-se de pé continuou arranjando-se para sair. Harry sorria ao vê-lo, mais quando o homem estava a ponto de sair voltou a ter arcadas. Quis dissimula-lo mas não pôde. Severus duvidou em marchar-se, mas ante uma última advertência de Harry de não querer o ver quando saísse do banheiro, atravessou a lareira enquanto escutava como Harry voltava a vomitar.
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Harry acordou passado meio dia, instintivamente buscou a seu lado e ao encontrar o espaço vazio soube que Severus ainda não tinha voltado. Franziu o gesto infantilmente enquanto recordava a advertência de Hermione de ficar só, mas depois sacudiu a cabeça, não se ia deixar influenciar por nada que não fosse o amor de seu esposo, de modo que se deu um banho. Depois deste já se sentia muito melhor e o apetite tinha voltado. Decidiu ir ao Salão para respirar um pouco de ar e não ficar encerrado em sua habitação.
Levou-se uma grande surpresa quando viu que Draco estava sentado na mesa de Slytherin comendo em solitário. Titubeou um pouco antes de entrar, ia ocupar seu lugar de sempre, mas pensou que já estando graduados não tinha porque ocupar mesas diferentes e se sentou em frente a ele.
Draco levantou a mirada sem dissimular seu desgosto pela ousadia de Harry.
— Estando o comedor tão grande ocorre-se-te vir a estragar-me a vista?
— Também me dá gosto te saudar. —respondeu sorrindo-lhe, o loiro geralmente caía-lhe na ponta do fígado, mas agora era tão feliz com Severus que não queria mais inimigos em sua vida. — Não sabia que te encontraria ainda no castelo.
— Aqui vivo. —grunhiu voltando a concentrar em seu alimento.
— E isso?
— Sou o novo assistente de Lupin, e este verão concluirá meu adestramento, de modo que aqui ficarei… E digo-te só para que não me pergunte nada mais, sobretudo tomando em conta que também viverá aqui.
— É assistente de Remus? —perguntou intrigado. — Não sabia que tinha buscado um.
— E suponho que te ofenderá que não te tenha tomado em conta a ti primeiro, mas descuida, o mais provável é que não te oferecesse pela criança que espera.
— Não é isso, é que, não sabia que você e Remus tivessem cruzado alguma vez mais de duas palavras.
— Bom, também não é que tenhamos conversas muito interessantes.
— Remus é um dos homens mais inteligentes que tenho conhecido… claro, após Severus. —assegurou sorrindo corado.
— Pensava igual de seu conjugue, mas não é de inteligente enredar-se com homens casados. —refutou indignado.
— Draco, não seja cruel com Severus. Eu entendo que não deveu fazer o que fez, mas isso já é passado, lhe perdoa, faz favor.
— Olha, Potter, não me venha com mais atitudes de mártir, não suplique por outras pessoas que essas poses me aborrecem.
Harry sorriu apenado, compreendeu que não tinha muitos argumentos para defender a Severus nessa ocasião. Como seu prato já tinha sido servido, se dispôs a comer. Foi então que Remus chegou, e se foi sentar junto a Draco.
— Dá-me muito gosto encontrá-los juntos. —disse sorridente. — É o sinal de que todos podemos ser amigos não creem?
— E o sinal de que duas pessoas daqui não se lembram que esta é a mesa de Slytherin. —respondeu Draco sem deixar de comer sua sopa.
— Agora já devemos nos esquecer de casas, Draco. —assegurou Harry. — Temos-nos graduado, essas coisas são do passado.
— Como diga, Potter. —respondeu indiferente.
— E Severus, Harry?
— Foi a ver a Ayrton precisava algo?
— Minha poção, esta noite é lua cheia.
— Oh, bom, não deve demorar, seguro que já a tem preparada.
— Isso quer dizer que tenho a tarde livre? —perguntou Draco interessado.
— Sim, pode fazer o que queira. Parece-me que estarei um pouco indisposto por um par de dias.
— Perfeito! —exclamou Draco sorrindo pela primeira vez.
Remus e Harry trocaram uma mirada divertida, pelo menos suas desgraças alegravam no dia de Draco. A porta do comedor abriu-se outra vez, e quando Harry volteou, sorriu amplamente, Ayrton estava aí, com os braços estendidos correndo para ele e Severus caminhando mais sereno, mas igual, sem ver a ninguém mais que a seu esposo.
— Harry! —gritou o menino, feliz quando o garoto o carregou para o abraçar sentando em suas pernas. — Papai trouxe-me a ver-te!
— Que menino tão inteligente! —exclamou Draco com um falso sorriso. — Se não nos diz, eu seguiria com a dúvida.
— Draco! —exclamou agora o menino descobrindo ao loiro do outro lado da mesa.
Sem dar-se conta do gesto de incomodo de Draco, Ayrton abandonou a Harry e atravessando a mesa por em cima, derrubando pratos e copas, saltou aos braços do outro garoto. Draco abriu os olhos desorbitadamente quando se viu apresado pelos bracinhos do menino que tinha ficado sentado sobre seu colo.
— Não sabia que estaria aqui… Sou seu irmão se lembra de mim?
— Desafortunadamente. —respondeu o loiro ainda aturdido.
— Que significa isso?
Severus enviou uma mirada de advertência a sua afilhado, e ainda que este não estava muito contente com seu padrinho, não se atreveu o desafiar e como pôde, conseguiu esboçar um pequeno sorriso a seu irmão menor.
— Quis dizer, que sim me lembro… Ayrton, verdade?
— Sim… quer brincar comigo e com Harry?
— Meu sonho feito realidade, jogar com meu irmãozinho e com Potter… yuju. —respondeu sarcasticamente aborrecido, sem importar-lhe se o menino entendesse ou não, ainda que este estava demasiado entusiasmado para o notar.
— Genial! Vamos lá fora… Olá, Remus! —saudou inclinando-se para dar um beijo ao licantropo.
— Olá, Ayrton, dá-me gosto ver-te.
— Obrigado. Quer vir a brincar conosco?
— Agradeço-te, mas acho que sou mais de ficar-me a conversar com seu pai, preciso pedir-lhe algo.
— Entendo. —interveio Severus. — Já tenho pronta sua poção, se quer vamos para te entregar de uma vez. Harry pode encarregar-te de Ayrton?
— Claro, atinges-nos nos pátios vale?
Severus assentiu e depois de dar-lhe um beijo nos lábios, saiu acompanhado por Remus para as masmorras. Draco pensou que era um bom momento para se escapar, mas Ayrton o tomou da mão e a Harry com a outra, puxando para os pátios.
— Que grande é o castelo! —exclamou quando saíram e pôde o ver em toda sua extensão. — Me mostrarão?
— Claro, quando regresse Severus te daremos um percurso completo. —respondeu Harry. — Agora caminhemos um pouco.
— Melhor atinjam-me!
Ayrton soltou-os para sair correndo, Harry deu um par de passos, mas deteve-se ao ver que Draco não tinha movido nem um músculo para ir depois do menino.
— Pensas-te ficar aí sem fazer nada?
— Oh bom, é isso, ou quiçá espero pacientemente a que me saiam raízes.
— Draco, escuta, sei que está enfadado pelo que passou entre Severus e seu pai, e entendo que te sinta indignado pela ofensa a Narcisa… mas esse menino é seu irmão e não tem culpa absoluta! —terminou com profunda moléstia ante a atitude fria do loiro. — Deixa de autocompadecer que não vontades nada atuando dessa maneira! Tens duas opções, ou renúncia a desfrutar de um menino encantador ou admite que Ayrton te simpatiza mas é tão orgulhoso que prefere continuar nessa pose estúpida de orgulho infantil!
— Olha quem fala.
— Não seja néscio! Ayrton precisa-te.
— A mim?... Tem a meu pai, tem a Severus, tem-te a ti, e inclusive até vai ter um irmãozinho.
— Bem, então admite que quem precisa ao menino é você!
— Eu? Sim, ja!
— Sim, você. —respondeu tentando acalmar-se. — Anda, deixa por um dia de esforçar-te em ser odioso… Ayrton espera-nos para brincar. —agregou assinalando ao menino uns metros colina abaixo ainda correndo. — Ademais, agora que estou grávido não posso correr muito, me canso facilmente… só você poderia lhe seguir o jogo.
— Bem, o farei. —respondeu ao cabo de uns segundos, enquanto olhava ao menino que justo então se detinha ao ver que ninguém ia depois dele. — Mas só porque está a dois segundos de ser uma pelota!... e advirto-te que não me estarei divertindo.
— De acordo, não te divirta se não quer.
Draco começou a correr, e o sorriso que Ayrton tinha perdido se recuperou ao instante, voltou a correr para evitar ser atingido. Harry foi depois deles, mas como ele disse, não tinham passado nem cinco minutos quando teve que se parar já sem ar nem para respirar.
— Sente-te bem? —perguntou Ayrton acercando-lhe preocupado.
— Sim, só me cansei um pouco.
— Vamos, Ayrton, deixa que Potter siga com seus achaques e segue correndo ou te atraparei.
Ayrton aceitou o repto de Draco e voltaram a corretar-se pelos prados. Harry sorriu forçadamente ante o cansaço que tinha. Santo céu —pensou divertido. — E pensar que mal vou começando com isto"
Acariciou sua pequena barriguinha enquanto olhava feliz como Draco ria já esquecendo de sua intenção de não desfrutar do jogo.
— Isto é um milagre. —comentou Severus chegando nesse momento. Sentou-se a seu lado abraçando-lhe emocionado. — Sente-te bem?
— Sim, corri um pouco e fatiguei-me, mas já me sinto melhor.
— Obrigado por tudo, Harry. É um anjo. —assegurou beijando-lhe na testa. — Não tenho nenhuma dúvida de que foi por ti que Draco está jogando com Ayrton.
— Malfoy só queria um pretexto que lhe disse, não é a grande coisa.
— Amo-te.
— E eu a ti.
— E amo a nosso bebê. —suspirou acariciando a prominência no ventre de seu esposo.
— Eu mais.
Severus sorriu apaixonado. À distância, Draco olhou-lhes dissimuladamente, por um segundo desejou ter a alguém que lhe abraçasse como Severus fazia com Harry, que lhe olhasse como eles se olhavam.
— Segue jogando, Draco… ou também já te cansaste? —apressou-lhe Ayrton desde o alto de uma pedra.
— Eu nunca me canso, pequeno demônio, agora verá!
Draco ia seguir o jogo quando viu que alguém desaparecia depois da porta do colégio. Sabia quem tinha sido, seguramente Remus esteve-lhe olhando desde longe, não seria estranho, quiçá só desfrutava do formoso dia de verão, mas não entendeu porque se tinha escondido quando se sentiu descoberto.
Voltou a olhar para o casal de esposos que não deixavam de beijar-se caramelados. Em outra ocasião essa cena tivesse-lhe dado náuseas, mas agora até se surpreendeu de sorrir… ainda que o que quase lhe paralisou o coração foi que a imagem de Remus apareceu então em sua mente.
Rapidamente sacudiu sua cabeça, tanta melosidade estava-lhe afetando suas faculdades mentais… Melhor seguia jogando, de modo que esquecendo o que passava a sua ao redor, correu depois de Ayrton, era preferível seguir se sentindo menino quando a vida se começava a voltar complicada.
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Nota:
Mais um capitulo e a vida segue andando!
Vejo vocês nos reviews
Ate breve
