Card Captors Sakura e seus personagens não me pertencem e sim a CLAMP.

Essa fanfiction não possui fins lucrativos.

Conteúdo YAOI. Se você não gosta, não LEIA.

Desculpe o atraso na atulização... Em compensação postarei um super combo de capítulos!

Boa Leitura!


Sakura bateu as costas da mão contra a madeira, esperando pacientemente a resposta do dono do quarto. Alguns segundos se passaram, pontuadas por mais batidas na porta, até que Touya respondesse.

- Pode entrar.

A cantora fez o que ele pediu, localizando o homem deitado sobre a cama assim que colocou os pés para dentro. O Kinomoto mais velho descansava nos lençóis alvos, despido da camisa que outrora lhe cobria o torso. Ele ergueu parcialmente o tronco, encostando-se na cabeceira da cama.

- Daijoubu, Touya? – indagou a imouto, sentando-se na beirada do móvel.

O moreno apenas balançou a cabeça em sinal positivo, olhando-a. Depois da discussão que tivera com Li Syaoran na empresa, nada parecia ganhar sua concentração. Mas a jovem que viera lhe ver merecia sim toda sua atenção. Principalmente porque ele também tinha algumas perguntas a fazer a ela.

- Sakura... Etto, Você e o Li almoçaram juntos hoje, não é? – indagou, tentando mostrar-se desinteressado.

- Hai. – A cantora abriu um largo sorriso. O que fez Touya cerrar os punhos – Ele me convidou depois da reunião.

- Aquele cara. – rosnou, sentindo a raiva lhe subir. – Você não devia ter aceitado, Sakura! Ele não tentou algo, não é? Ele não se atreveria. – completou mais para si mesmo do que para a mulher.

- Não aconteceu nada demais, Touya! – ela suspirou, sentindo que esse seria o começo de uma discussão que já conhecia muito bem. – Você e seu ciúme idiota!

- Eu não estou com ciúmes! – retorquiu, com dentes rangendo.

Impaciente o mais velho levantou-se da cama, dirigindo-se até a janela do quarto. Apoiou a mão direita contra a parede, olhando a rua do lado de fora. Soltou pesadamente o ar, pensando na insistência de Yukito em relação aos sentimentos dele para com o chinês e Yue; as palavras do mais magro fizeram-lhe questionar se o sentimento que nutria pelo gêmeo Tsukishiro não passava de uma obsessão construída ao longo daqueles anos.

"Não poderia", pensou. Tinha certeza daqueles sentimentos fortes. Fortes a ponto de nunca lhe deixarem.

E o que sentia por Syaoran? Uma atração provavelmente. Ou talvez algo mais do que isso surgiria. Poderia ser mais forte do que seu sentimento para com Yue? Touya não sabia. Estava confuso.

- Foi por isso que vocês estavam lutando com os olhos? – Sakura voltou a falar, tirando Touya de seus pensamentos. – Vocês brigaram? Pelo jeito que você está, parece que sim.

- Esquece isso, eu me resolvo com ele. – disse displicente, tirando as mechas negras que insistiam em cair sobre seus olhos.

- É ridículo, Touya! Esse seu ciúme e o modo como age! – ditou Sakura um pouco alterada, ignorando o 'eu não tô com ciúmes' que o irmão resmungara. – Eu não sou mais uma criança, nii-chan! Você não precisa mais me proteger.

- Sakura... – o moreno murmurou, sentido com as palavras. Ela era sua irmãzinha caçula e ele sempre teria que zelar pelo seu bem.

- Syaoran não faria nada que eu não quisesse!

Uma nova onda raivosa tomou conta do empresário. – O que vocês fizeram?

- Eu já falei que nada! Somos apenas amigos. – a jovem encarou-o, uma expressão determinada na face. – Ele é um homem honrado, meu irmão. Pelo pouco tempo que conheci, já tenho certeza disso. Você deveria saber.

Touya mirou bem nos olhos esmeraldinos que brilhavam em sua direção, e acalmou-se um pouco após analisá-los. No fundo ele sabia que ela estava sendo sincera e que estava certa; conhecia Li há três anos, o chinês nunca faria nada desrespeitoso logo contra sua irmã.

Kinomoto voltou-se para a paisagem do lado de fora novamente, notando no entanto a movimentação da jovem; Sakura levantara-se também, indo até ele. A cantora abraçou-o pelas costas, arrependida pelo que havia lhe falado, receosa ter sido dura de mais com seu onii-san. Touya segurou nas mãos da irmãzinha, num gesto silencioso de compreensão.

- Nee, Touya, eu acho que você deveria prestar mais atenção nas pessoas que estão em sua volta. – ela murmurou depois de algum tempo, o qual os dois haviam permanecido em silêncio.

- Do que você está falando, Sakura? – indagou confuso, olhando para trás dos ombros.

- Das pessoas que se importam com você, nii-chan. – A Kinomoto tinha a voz suave, tranquila. – Talvez elas gostem de você muito mais do que imagina.

Ele já estava demasiado atordoado com seus sentimentos, para Sakura despejar em si mais um quebra cabeça para solucionar. De quem ela poderia estar falando? Syaoran? Yue? Não, definitivamente não... Ela nem sabia do passado do moreno e o Tsukishiro mais velho. Touya encontrava-se realmente perdido.

- Não demore a perceber Touya. – Sakura desgrudou-se do irmão, que sentiu-se vulnerável sem a segurança da irmã e mais perturbado que nunca. – Ou você poderá perdê-lo. – completou ela, antes de abrir a porta e sair.

Touya ficou olhando para o portal fechado, envolto pelos seus pensamentos desordenados.


Era mais um dia de trabalho duro na C-G.K, então Syaoran chegara bem cedo na empresa. Naquele dia deixaria um pouco de lado o novo RPG da companhia e daria um pouco mais de atenção aos projetos já lançados. Logo pela manhã tivera uma reunião com os funcionários do seu departamento, fazendo um balanço dos trabalhos e resultados do mês que se havia passado. Para tarde programara uma conversa com o diretor de música para discutirem o lançamento de um segundo OST para um dos jogos da empresa.

Seria mesmo um dia exaustivo, cheio de compromissos e trabalhos. Porém, não esquecera-se de separar, também, um espaço vago em seu cronograma para conversar com o presidente da C-G.K. Nada relacionados a negócios, no entanto. Queria falar com ele sobre o assunto pessoal que ambos compartilhavam. Apenas por um fim àquilo.

E por isso, após o termino da primeira reunião do dia, ligou para a sala do chefe, imaginando que este já havia chegado. Foi atendido pela secretária que confirmou suas suspeitas. Shinagawa-san, então, passou a linha para o próprio Kinomoto.

- Syaoran? – a voz do outro lado parecia sonolenta, porém nem um pouco hesitante.

- Yo, Touya. – cumprimentou normalmente, querendo, na verdade, ser o mais breve possível. – Você tem algo marcado para o almoço de hoje?

- Iie... Bem, eu estava pensando em chamar você para almoçar comigo. – Por essa o chinês não esperava, tanto que sua boca tomara um formato em 'o' silencioso. – Precisamos conversar.

- Hai. – Voltara a seu estado natural. – Eu ia mesmo te convidar para um almoço. Então está combinado?

- Certamente. Hoje o dia está sendo realmente corrido, seria melhor pedir a comida para comermos aqui mesmo. Na minha sala, pode ser?

- Pode. – Um tanto conveniente, pensara Syaoran. Logo que dissesse tudo o que desejava, afundaria a cabeça em todo seu trabalho como maneira de esquecer os problemas. – Ja ne.

- Ja ne.

Mal colocou o telefone no gancho, o aparelho tocou. Touya ainda tinha algo para falar com ele via o aparelho? Curioso, atendeu ao telefone após a terceira chamada.

- Moshi moshi?

- Li-san. – Era Mariko, sua secretária. – Tsukishiro-san está esperando para falar com o senhor. Está ocupado?

Era só o que lhe faltava para completar seu dia de puro estresse. Uma conversa com o motorista-dissimulado-destruidor-de-relacionamentos-mal-começados. Não poderia haver nada melhor para piorar seu dia.

- Não, Mariko-san. – Concentrou-se ao máximo para que amargura não escapasse pela voz. - Peça para ele entrar.

Instantes depois o homem de óculos e face bondosa surgiu defronte a si, aquele sorriso irritante e doce ao mesmo tempo brincando em seus lábios. O motorista aproximou-se mais da mesa em que Syaoran permanecia detrás.

- Será que podemos conversar, Li-san? – indagou com a voz suave, despertando no mais novo um misto de surpresa e indignação.


A mulher caminhava graciosamente pela calçada, tomando o cuidado de desviar do aglomerado de pessoas que apinhavam as ruas de Tóquio àquela hora. Os cabelos longos e negros como a noite balançavam em suas costas, seguindo o ritmo dos passos contra o piso, enquanto o vestido azul claro agitava-se com a brisa que rodopiava pelas frestas das construções.

Depois de andar algum tempo brigando por um espaço naquele meio movimentado, a morena chegou enfim a um bairro com um menor fluxo de circulação.

Daidouji Tomoyo andava rumo ao seu ateliê, lugar aonde trabalhava a maior parte do tempo. Como proprietária, se dera ao luxo de acordar um pouco mais tarde aquela manhã, então apertava um pouco o passo para não se demorar mais. Ela tinha alguns desenhos para terminar, as peças que faltavam para completar a nova coleção de roupas.

O trajeto era bastante conhecido, apesar de que na maioria das vezes percorrera-o com seu carro. Mas ultimamente vinha preferindo fazê-lo em uma caminhada; era mais saudável afinal. E naquela rua em especial, a qual passava no momento, tinha uma ótima doceria, uma loja de modas com peças razoavelmente interessantes e também aquele bar/lanchonete que ela costumava freqüentar na juventude com sua melhor amiga. Também gostava de ver vitrines como qualquer mulher normal.

Assim que passou pelo Konpeitou's não resistiu em dar uma olhadinha na fachada do ambiente, lembrando dos momentos divertidos e até mesmo tristes que passara naquele local. Com um sorriso nostálgico nos lábios percorreu o olhar pelos vidros transparentes, percolando a visão para o que havia do lado de dentro. Os orbes ametistas passeavam rapidamente pelo recinto, seguindo em proporção seus passos. E durante o passeio pararam até mesmo em um jovem colegial que segurava uma vassoura em frente ao bar, trajando um avental por cima de seu uniforme. Ao notar que ele a mirava, Tomoyo direcionou um sorriso educado para o rapaz e continuou a andar, nem notando no quanto ele havia corado com seu gesto.

Mais dez minutos de caminho, e ela finalmente enxergou seu ateliê, situado entre uma sapataria e uma loja de eletrônicos. Entrou na construção, ainda com um sorriso nos lábios, deparando-se com a sua secretária na pequena salinha que funcionava como recepção.

- Ohayo, Nakuru. – cumprimentou a mulher de cabelos castanhos, direcionado os olhos da mulher até uma folha com recados sobre a mesa da funcionária.

- Ohayo, Tomoyo-chan! Como foi o caminho? – a outra indagou com um tom divertido, pois tinha certeza que a amiga, tão acostumada a se locomover de carro, logo desistiria das caminhadas matinais.

A morena deixou o papel na mesa, não se importando com o tonzinho zombeteiro da colega. – Revigorante como sempre. – Nakuru fez uma careta. – Vou para minha sala terminar os esboços. Se alguém ligar, diga que estou extremamente ocupada.

- Ah, já ia me esquecendo! – a secretária pronunciou-se, fazendo Tomoyo parar no meio do caminho. – Tem uma mulher te esperando na sua sala.

- Cliente? – Olhou para a colega de trabalho com uma sobrancelha elevada.

- Não sei, Tomoyo. Ela apenas disse que precisava urgentemente falar com você. – Nakuru deu de ombros. – Eu disse que ela devia ter hora marcada, mas ela insistiu tanto... E eu achei que não ia ter problema... Além do que... – Saiu correndo em direção a morena, levando consigo sua agenda. – É aquela cantora que saiu na revista dessa semana!

Nakuru mostrou uma das folhas adornadas por gatinhos de sua agenda, e Tomoyo pode enxergar a assinatura da convidada. Instantaneamente seus olhos adquiriram um brilho emocionado e ela não esperou mais nem um minuto para subir para sua sala.

- Tomoyo-chan?!

- Estou ocupada!

Passou pelo corredor afobada, contado os poucos segundos que levaria para chegar até o cômodo. Quando abriu a porta, em que podia se ler 'Daidouji Tomoyo', uma mulher sentada sobre sua mesa sorriu travessa para si. Os olhos verdes completavam o ar divertido da japonesa, olhando atentamente a recém-chegada.

- Okaeri, Tomy.

Tomoyo ficou alguns instantes parada no mesmo local, ainda pega pela surpresa. No entanto, logo recobrou-se e correu em direção a sua querida amiga, sem conseguir conter algumas lágrimas silenciosas.

- Sakura-chan! – Abraçou-a, com ela ainda sentada na mesa. – Como você está? Você voltou e nem me disse nada?!

- Eu estou bem, Tomy. – respondeu, correspondendo o carinho da outra. Sakura sentira muita falta de sua melhor amiga. – Eu queria fazer uma surpresa, mas infelizmente os jornais e revistas não deixaram, não é mesmo?

Ambas riram, e a estilista acabou se afastando da amiga. Olhou, então, a mais nova analiticamente de cima em baixo.

- Tsc... Que roupas são essas, Sakura? – indagou um pouco desgostosa, sentindo na ponta dos dedos o tecido da blusa rosa de alças que a cantora usava. – Onde estão as roupas que eu sempre mando para você?

A jovem ruborizou-se levemente. – Você sabe que eu só uso-as nos meus shows.

- Mas eu te mando uma quantia suficiente para os shows e para o dia-a-dia. – reclamou a morena, fazendo um bico. – Eu só comecei a desenhar peças porque eu gostava de vestir você, Saki. Se não fosse você eu não teria inspiração.

- Por isso eu só uso-as nas apresentações. Por que elas são especiais. – Sorriu, apesar de constrangida.

Tomoyo murmurou um 'ok', e sentou-se atrás de sua mesa. Sakura por sua vez desceu de cima do móvel e acomodou-se na cadeira ante a amiga.

- Não vou insistir no assunto, por que eu estou muito feliz que você tenha voltado. – comentou a morena, procurando algo em meio ao monte de revistas que estavam sobre a mobília. – E por que... – Ela abriu uma das publicações e logo a imagem de Sakura e Li correndo no aeroporto entrou no campo de visão da cantora. – Pelo menos você saiu nos meios de comunicação com um vestido da minha grife. – Deu uma piscadela.

Sakura riu. Olhou novamente para imagem, corando em notar que estava de mãos dadas à Syaoran. Reação que não passou despercebida por Daidouji.

- Estou chateada com você de novo. – comentou, vendo Sakura olhá-la surpresa.

- Por que?

- Você está namorando e nem me conta? – explicou Tomoyo, com um tom de falsa tristeza.

- Eu não estou namorando ele, Tomy. – A cantora sorriu, e pegou a revista das mãos da outra.

- Mas você gosta dele? – Quando tratava de Sakura, Tomoyo era só expectativa.

- Eu acabei de conhecê-lo! – As duas riram cúmplices. – Mas não nego que ele é muito bonito, inteligente... Algumas vezes é impaciente e mal humorado. Mas até isso é atraente nele.

A morena sorriu maliciosa, enquanto Sakura olhava o empresário na foto.

- Por que ele foi te buscar no aeroporto? - indagou a estilista, cada vez mais curiosa com o chinês que fazia as esmeraldas brilharem.

- Ele trabalha na empresa do meu irmão. É o diretor de marketing. – Sakura voltou a mirar Tomoyo. – Chama-se Li Syaoran. Por que você está sorrindo assim, Tomy?

O sorriso maroto nos lábios da morena era assustador para a cantora.

- Sinto cheiro de amor a primeira vista. – murmurou a mulher de olhos violetas, apoiando o queixo na mão direita. O suspiro que ela soltou a seguir foi demais para a cantora.

- Nada disso, Tomoyo. Esse negócio de amor a primeira vista é coisa de história! – Abanou as mãos em negação, olhando outra vez para a revista. – Mas não nego que Li prendeu minha atenção. Acho que posso me interessar por ele.

As duas sorriram.

- Caught up in ya spell, it's voodoo boy*. – cantarolou a Kinomoto, arrancando risos da amiga.


Os dedos mexiam impacientes sobre suas coxas, enquanto encarava o homem de sorriso irritante sentado a sua frente. Syaoran indicara a cadeira para que Yukito se sentasse e este aceitara prontamente.

- Bom, o que deseja conversar comigo Tsukishiro-san? – foi direto ao ponto, não querendo estender a visita repentina.

- Li-san, eu gostaria de conversar sobre o Touya. – explicou, olhando atentamente o empresário.

"Essa é nova", pensou o chinês, usando agora o pé direito para extravasar a impaciência.Não esperava que Yukito aparecesse ali para conversar sobre o Kinomoto. E o que ele diria? Daria a desculpa que não saíra da boca de Touya ou talvez não. Poderia ter vindo até ali para confirmar as suspeitas do mais novo, exigindo que este se afastasse do moreno.

Ah, era imprevisível! Apesar de indignado, Syaoran também estava curioso com o que o motorista tinha-lhe a dizer.

- O que tem a me dizer, Tsukishiro-san? – perguntou, mascarado em uma face neutra.

Yukito sorriu pela oportunidade lhe dada. Ele sabia que pelo bem de seu melhor amigo, precisava ter aquela conversa com o chinês. Pensara muito sobre o assunto durante a noite anterior e chegara àquela conclusão. Li precisava ter conhecimento sobre o passado de Touya.

- Primeiramente, Li-san, gostaria de esclarecer o acontecido de ontem. – começou, notando aparecer um ar levemente carregado no colega. – Não aconteceu nada demais entre mim e Touya, ontem na sala dele. Somos amigos há muito tempo e exatamente por isso que não existe possibilidade de acontecer nada entre nós.

- Ok, não aconteceu nada. No entanto... – Apoiou queixo sobre as mãos unidas, analisando os olhos por trás dos óculos do homem. – Você me dá a entender que, mesmo que você quisesse que acontecesse algo a mais entre vocês dois, isso seria impossível. Devo me preocupar com seus sentimentos? – questionou, elevando a sobrancelha.

A linha dos lábios de Tsukishiro mudou da posição gentil para uma zombeteira.

- Não precisa se preocupar, Li-san. Eu apenas quis dizer que em nossa amizade construída ao longo desses anos não há brecha para o sentimento que você parece nutrir pelo Touya.

- Acho que entendi. – Fez questão de frisar sua dúvida quanto ao que escutara.

Então, o mais velho prosseguiu. – A cena que você presenciou não foi nada além de uma demonstração da forte amizade que temos. – Syaoran fez menção de interromper Yukito, provavelmente com algo mordaz, mas o motorista evitou que ele o fizesse. – Eu acabei me excedendo em comentários ferinos contra ele e, arrependido, tentei consolá-lo.

Li rolou os olhos, mostrando-se descrente. Não passou despercebido por Yuki, mas este não fez caso e continuou um monólogo.

- Coisa que venho fazendo há algum tempo. A verdade é que eu vim aqui exatamente para lhe contar o motivo que fez Touya sofrer durante treze anos.

- Co-como? - O chinês surpreendeu-se, se aprumando mais na cadeira.

Por que Touya sofreria durante tanto tempo? Poderia confiar nas palavras do homem a sua frente?

- Eu vou lhe dizer o que há por traz da máscara de homem conquistador do Touya. – explicou, vendo o diretor arregalar os olhos.

Syaoran não pôde acreditar que havia um motivo para o jeito descompromissado do moreno com relação aos seus casos. Sempre achara que era só seu jeito playboy de ser. É, definitivamente Yukito conquistara sua atenção, estava demasiado curioso.

O homem de orbes acinzentados pareceu pressentir o estado de interesse do mais novo, começando, então, seu relato.

"Apesar da diferença de classes entre mim e Touya, nós sempre fomos amigos desde a escola primária. Nós andávamos juntos, participávamos das mesmas atividades escolares, fazíamos trabalhos juntos. Eu frequentava a casa dele, assim como ele vinha a minha."

Syaoran soltou um suspiro incomodado, mas nada que atrapalhasse Yukito .

"Bom, não sei se você sabe, mas eu tenho um irmão gêmio. Tsukishiro Yue. Apesar disso, nós nunca fomos tão unidos como a maioria dos irmãos desses casos. Ele tinha amigos diferentes dos meus... Quer dizer, só Touya era um amigo mais chegado para mim. No entanto, Yue também sempre gostou do Touya, mesmo não sendo tão próximo dele como eu. Quando meu amigo vinha em casa, meu onii-san sempre era simpático e nós três brincávamos juntos."

Li já havia suspeitado que Yue fosse irmão de Yukito, suposição que aumentara com a visita dele em companhia de Sakura ao Konpeitou's. Só não questionara nada a respeito por pouco falar com o motorista e raramente ver Yue.

"O tempo se passou e nossa convivência perdurou durante ele. E por causa dessa convivência, Touya acabou se apaixonando pelo meu irmão. – Yukito não se atrapalhou com o queixo caído de Syaoran, continuando com a palavra. – Yue nunca teve interesse por pessoas do mesmo sexo, no entanto, apesar de bonito, a personalidade distante dele nunca favoreceu relacionamentos com as garotas. Isso sempre foi motivo de esperança para Touya. Mas eu sabia que isso não ia durar muito, e como esperado, Yue arranjou uma namorada."

- Eu... Eu nunca pensei... – balbuciou o chinês, cada vez mais surpreso com o rumo da conversa.

Yuki sorriu melancolicamente. – No começo o Touya ficou desiludido, mas logo teve esperanças que o relacionamento do meu irmão fosse passageiro. – Escondeu o rosto sobre as palmas das mãos, ao relembrar da amargura daqueles anos. – E quando ele ia confessar os sentimentos presos nele, Yue nos deu a notícia que ia se casar. Touya ficou muito abalado, sofreu por anos. E o onii-san nunca ficou sabendo de nada.

Um silêncio pesado instalou-se no cômodo. Yukito permanecia com o rosto coberto pelas mãos trêmulas, enquanto Syaoran observava a forma lastimada ante a si; uma mistura de sentimentos tomava conta do diretor naquele momento.

- Então, Touya não leva nenhum relacionamento a sério por causa do amor que ele tinha pelo Tsukishiro-san? – concluiu Syaoran, buscando a atenção do mais velho. – Ele não se sente seguro em entrar em um relacionamento por culpa de um sentimento mal resolvido do passado?

Yukito voltou a fitá-lo. – Na verdade Touya ainda está preso a esse sentimento. Ele acredita fielmente em seu amor pelo Yue. – Seus punhos cerraram-se espontaneamente. – Todos esses anos ele vem remoendo esse sentimento, não deixando que ele desapareça. Tornou-se uma obsessão.

- Obsessão... – repetiu Li, tentando encaixar cada informação do outro nas ações do seu chefe. – Então eu não tenho nenhuma chance com... Ele.

- Não, você tem! Li-san, você foi o único, entre muitos, que chegou perto de fazê-lo esquecer esse sentimento doentio! – Yukito fez uma pausa, segurando as mãos do colega. – Escute, você é minha última esperança para salvá-lo.

Syaoran encarou o homem a sua frente, sentindo um peso afundar em seu estômago. Todas as informações ditas passavam por sua cabeça de forma mecânica, movendo-se como engrenagens, confundi-o.

- Onde fui me meter? – foi tudo o que conseguiu pronunciar.


*Cai em sua magia, isso é vodu cara ~ Trecho da música Anything da cantora JoJo.

*o* Tomoyo-chan apareceu. E mal chegou já começou a questionar o relacionamento entre Sakura e Syaoran ahusaushuahs Adoro a perspicácia da personagem.

Haha finalmente o Syao descobriu onde ele foi amarrar o burro dele SHAUHSUAHSUAHSUA tadinho.

Obrigada por ler e até o próximo!