Capitulo 7 –

Os grifinórios estavam acostumados a ver Harry e Rony brigando, principalmente quando o ruivo estava com inveja da vida famosa de Harry, mesmo sabendo que ele dispensava a parte famosa. E mesmo agora, que todos chamavam Harry de louco e pareciam querer distancia dele ignorando o fato dele ser o menino que sobreviveu, eles brigavam.

Rony não estava satisfeito com a atenção que o pessoal da armada estava dando para ele, o tratamento como um líder.

- Para com essa besteira Rony por favor.

- É sempre assim, tudo que faço é besteira, tudo que digo é besteira, sempre besteira.

- Besteira sim. Como pode achar que faço isso para aparecer? Sabe que eu não sou assim, deveria ser a ultima pessoa a dizer uma coisa dessas.

- Eu já não sei mais quem é você Harry, você não fala com a gente, nos trata como desconhecidos, grita e se esconde no castelo e sai durante a noite para voltar de madrugada. Fica falando coisas sobre você-sabe-quem para todos os cantos, diz que ele voltou e que é preciso derrotá-lo, mas não percebe que você está cada vez mais perto de se tornar o próximo Lord das Trevas. Não para de falar língua de cobras enquanto dorme e mesmo se distanciando da gente não para de chamar a atenção de todos.

Harry não falava mais nada, as revelações do amigo o pegaram de surpresa. Rony estava com o rosto da cor de seus cabelos de tanta raiva que sentia sem saber que Harry estava com a raiva presa em seu corpo tentando sair mais era impossível deixá-la aflorar diante de quem era.

Rony era seu amigo, quase irmão, o agregou em sua família sem pedir nada mais do que sua lealdade e amizade sincera. Sua verdadeira vontade era gritar como fizera tantas vezes com ele e com Hermione, mas agora que a raiva vinha tão sincera de seu coração, tinha medo de perdÊ-lo.

Não vali a pena ficar parado ali brigando com Rony, bem ou mal ele não sabia ao certo o que estava fazendo, estava magoado, com o fato de sempre ser deixado de lado, filho de uma família de sete irmãos, usando roupas de segunda mão, não era a toa que Harry tentava não gastar seu dinheiro na frente do amigo.

Rony ainda estava falando quando Harry sentiu a visão embaçar e ficar plana e achatada como se seus olhos estivessem sendo puxados. Levou a mão a nuca, estava gelada e molhada de suor.

Fechou os olhos e jogou a cabeça levemente para trás parecendo que estava cansado, mas apenas evitava olhar para Rony, pois sabia que a cobra estava acordando dentro de si.

Ninguém percebeu quando os olhos de Harry se estreitaram e a cicatriz doeu como se sua cabeça fosse rachar ao meio.

Baixou a cabeça e olhou para Rony que ainda falava gesticulando com as mãos, no entanto Harry não ouvia um único ruído a sua volta.

Olhou uma ultima vez para os olhos intensos do amigo e deu as costas evitando a vontade de atacá-lo e ver os olhos do ruivo se apagarem. Desceu os degraus das escadas e virou em alguns corredores sem notar que estava sendo seguido, somente percebeu quando um feitiço o atingiu jogando-o dentro do banheiro feminino fazendo com que seu corpo batesse contra o espelho espalhando cacos de vidro por todos os lados.

Ficou deitado por alguns segundos no chão molhado tentando entender o que havia acontecido. Levantou a cabeça devagar e olhou ao redor, as paredes brancas faziam arder seus olhos, olhou para a porta onde Rony estava parado com a varinha em riste.

Rony trazia um olhar duro e raivoso, a mão que segurava a varinha estava branca devido a força exercida, parecia que a pele iria rasgar a qualquer momento.

" Esta vendo? Vê quem é seu amigo?"

- Por que você tem eu ser sempre assim Harry? Por que tem sempre que ser você o centro das atenções, mesmo quando você é tido como louco todos ficam falando de você.

- Sai daqui Rony – Pediu Harry lutando contra a vontade de pegar sua varinha e estuporar o amigo, vontade exercida pela voz de Voldemort que dominava sua mente.

- Você deveria sumir Harry – Rony falava com ódio, mas as lágrimas escorriam pelo rosto vermelho – Talvez assim eu deixasse de ser apenas mais uma sombra, to cansado Harry de ser apenas o amigo de Harry Potter.

" Você pode acabar com o sofrimento de seu amigo Harry".

- Sai daqui Rony.

- Não, tenho que acabar com isso Harry, ate mesmo a Mione dá mais importância à você do que à mim.

- Então faz logo!

" Não, faça você Harry, não deixe seu amigo com esse peso, faça. Você já queria se livrar da sua vida antes, por que não agora?"

Voldemort falava com uma voz calma e imponente manipulando os atos de Harry.

A varinha na mão de Rony tremia enquanto seu dono chorava.

" Livre ele deste fardo, livre você mesmo destes medos e angustias. Você não quer essa vida, livre-se dela."

- O que está fazendo? – Perguntou Rony parecendo voltar a si ao ver a mão de Harry fechar-se em torno de um grande pedaço de vidro.

- Livrando você desse peso.

E com uma ultima olhada para o amigo o vidro rasgou a pele do pulso por onde o sangue jorrou, misturando-se a agua do chão.

- Não – Sussurrou o ruivo olhando o sangue sair constantemente pelo corte fundo. Sua varinha escorregou de sua mão direto para o chão enquanto tentava acreditar no que estava vendo.

Harry, seu amigo, seu irmão, seu companheiro estava partindo, estava indo embora para nunca mais voltar.

- Não!

O grito saiu do fundo da alma de Rony propagando-se pelas paredes da escola acordando quadros e assustando alunos.

- Desculpa – Rony ajoelhara-se ao lado de amigo segurando em seus ombros balançando o corpo inerte – Me perdoa Harry, você não pode ir, tem que ficar aqui comigo. Harry por favor não. Acorda Harry. ACORDA! – Rony balançava o corpo mole com ódio de si mesmo.

- Estupefaça.

O feitiço atingiu Rony pelas costas deixando-o inconsciente no chão do outro lado do banheiro.

Snape ainda estava com a varinha na mão apontando para o nada tentando registrar e entender a cena que via.

- Professor! – Hermione gritou correndo na direção do professor que barrou seu caminho.

- Vá buscar o diretor, diga para me encontrar na ala hospitalar.

- O que houve? – Os olhos de Hermione já estavam cheios de agua.

- Senhorita Granger, não pergunte e vá buscar o diretor. Agora!

Hermione assentiu e chorosa saiu correndo. Snape voltou para o banheiro tentando acreditar no que via. Harry estava jogado de qualquer jeito no chão envolto em sangue e agua.

Ajoelhou-se e pegou o braço cortado do menino com tanta delicadeza e cuidado que parecia temer machucá-lo mais ainda. Apontou a varinha para o ferimento e recitava o feitiço tão concentrado que parecia estar cantando. O corte estava fechando devagar ate o ponto em que via-se apenas uma fina linha branca.

Harry respirava fracamente e abriu devagar os olhos quando sentiu ser levantado por dois braços fortes que lhe apertava contra seu corpo.

- Eu queria – Tentou dizer com dificuldades – Ver apenas suas pessoas na hora da minha morte – Harry fazia um grande esforço para não fechar os olhos – Uma dela eu não sei nem o nome e a outra era você.

Harry caiu novamente no inconsciente ficando com a cabeça apoiada no braço de Snape que observava o corpo frágil e leve do estudante. Olhou novamente para o pulso cortado pensando no que estava acontecendo na vida desse menino para ele chegar ao ponto de querer tirar a própria vida.

- O que está havendo com você Potter?