Harry acordara um pouco mais tarde aquele dia. Era seu décimo segundo aniversário e dera-se o privilégio de levantar a hora que bem quisesse - não que fosse obrigado a despertar ao raiar do sol, mas um Malfoy costuma levantar cedo -. Espreguiçara-se como um gato e rumou em direção ao banheiro que tendia para a cor roxo escuro. Resolveu usar o chuveiro, apesar da banheira que caberia quatro adultos folgadamente. De volta ao quarto, abriu o closet e escolheu vestes escuras e blusa de mangas e colarinho compridos. Era verão, mas a Mansão era sempre fria.

A Mansão estava silenciosa, exceto pelo barulho do vento. Enquanto andava, podia ouvir alguns murmúrios dos quadros da casa – a maioria provinha dos parentes já falecidos e que não aceitaram muito bem a idéia de terem um Potter na família -, alguns o cumprimentavam e outros simplesmente o ignoravam. Passou em frente a biblioteca e decidiu entrar, talvez Lucius estivesse lá dentro.

"Pai?" Chamou abrindo e afastando a enorme porta pesada. "Pai?" Tentou novamente, mas só ouviu o próprio eco e nenhuma resposta.

Olhou em volta e, além dos milhares de livros, claro, bateu os olhos na mesa onde Lucius costuma ficar. A cadeira estava afastada, havia alguns papéis espalhados, uma pena e um tinteiro. Contudo, também havia um livro pequeno, de capa dura e preta. Harry o pegou e o folheou, mas não havia nada escrito. Olhou novamente para a capa quando sentiu um formigamento em sua cicatriz.

"Harry." Chamou a voz assustando-o e o fazendo largar o livro no chão. "Desculpe. Não queria assustá-lo."

O moreno pegou o livro e o colocou sobre a mesa, então virou-se e viu Remus alguns passos atrás de si sorrindo gentilmente. Não pôde evitar de sorrir também. O lobisomem tinha algo que acalmava e alegrava à todos a sua volta.

"Olá, Remus."

"Olá." E estendeu-lhe um embrulho vermelho com dourado. "Feliz aniversário."

"Obrigado." Pegou o embrulho e o abriu. Era um livro de um conto clássico trouxa e um cd trouxa. "Wow. Obrigado mesmo, Remus."

"Alguém tem que lhe ensinar sobre os trouxas, certo?" Deu de ombros. "Só não mostre o cd ao seu pai. Escute-o no cd player que lhe dei no natal passado." E piscou-lhe.

"Pode deixar." Disse sorrindo marotamente enquanto voltava a embrulhar o cd e o livro. Remus os diminuiu com um feitiço simples para que o moreno pudesse guarda-los no bolso da calça.

"Harry. Remus."

"Olá, Lucius." Cumprimentou Remus num acenar de cabeça.

"Pai." Cumprimentou Harry.

"Narcisa e Severus nos esperam para o café."

Remus acenou mais uma vez indo na frente. Lucius voltou o olhar para Harry que retribuiu sem desviar.

"Venha." Chamou-o indo em direção ao interior da biblioteca.

Harry ficou confuso, mas sem dizer uma palavra o seguiu. Foi somente naquele momento, enquanto tentava acompanhar Lucius, que percebeu o quanto ele andava ligeiro. O moreno tinha que praticamente correr para acompanha-lo. Não somente isso, Lucius nunca olhava para trás para certificar-se de estar sendo seguido ou não. Parou de pensar no andar do pai e se focar no caminho que faziam.

Passavam por entre as inúmeras prateleiras e Harry pensava se Lucius iria lhe mostrar algum livro. Talvez um bem grosso e antigo contendo feitiços esquecidos e lhe pedisse para memoriza-los. Só após chegarem no final e Lucius murmurar um feitiço numa língua estranha fazendo a gárgula sobre a coluna abrir passagem, que Harry percebeu não se tratar de livro algum. Lucius iria mostrar o subsolo da Mansão, a parte escondida. Harry sabia que existia aquela parte, conhecia algumas das passagens que levava até lá e já fora lá uma vez quando tinha cinco anos.

Andaram mais um pouco. O corredor era estreito, escuro, frio e úmido. Somente o barulho dos passos deles era possível de serem ouvidos. Andaram pela o que pareceram horas e após virarem num corredor, o lugar ganhou alguma luminosidade por causa de alguns archotes nas paredes. No final desse novo corredor, era possível ver uma porta simples de madeira. Não possuía maçaneta.

"Escute, Harry." Começou Lucius virando-se para encara-lo nos olhos. "Com o que aconteceu ano passado, fiquei pensando sobre o que pode ocorrer daqui pra frente."

"Como assim?" Franziu o cenho.

"Não é nenhum segredo que fui um Comensal no passado."

"O senhor não é mais."

"Não, mas ainda há aqueles que acreditam que eu seja. Que eu possa estar somente esperando o melhor momento para voltar à atividade. Posso ter adotado você para tentar transforma-lo num Comensal ou coisa pior. As pessoas têm uma imaginação fértil e gostam de comentar."

"Não acredito nelas."

"Sei que não e isso é bom."

"Então qual o problema?"

"Não é exatamente um problema, Harry." Pausou pensando na melhor maneira de falar. "Severus me disse que havia suspeitado dele. Não somente por tudo parecer apontar contra ele, mas ele ter servido Voldemort pesou bastante no seu julgamento."

"Eu sinto muito." Murmurou sentido-se corar de vergonha.

"Tudo bem. Ele já o desculpou. Além disso, entendemos. Severus realmente seria um ótimo vilão."

"Eu nunca duvidaria do senhor."

"Tem certeza?"

"Claro que tenho! O senhor cuida de mim, me protege, me ensina.. É um ótimo pai!"

"É ótimo ouvir isso, Harry, mas não se esqueça do que eu lhe disse. Há quem ache que ainda sirvo Voldemort e que só espero o melhor momento para.. demonstrar de uma maneira mais explícita minha lealdade à ele. E se essas pessoas estiverem certas?"

"O que quer dizer?"

"Posso apenas estar encenando, Harry." Sibilou andando lentamente, o acuando na parede. "De repente, cuidar de você é minha prioridade, mas só até meu lorde retornar. Do que o serviria você morto? Há planos maiores para você, Harry." Então parou e retornou ao centro do corredor. "Além disso, seria muito óbvio se eu o adotasse e por acaso algum acidente infeliz acontecesse a você. Não somente o Ministério, mas quase toda a Inglaterra mais Dumbledore viriam atrás de mim. Sem contar no seu pseudo-padrinho, é claro."

Harry o olhava parecendo confuso.

"Vê, Harry? Já começa a duvidar, não é?"

"Não." Murmurou.

"Qual pai ensinaria Magia Negra ao próprio filho que mal sabe andar e falar? Ou o acertaria com as mesmas? Ou o faria se esforçar além do próprio limite? Admita, Harry: você é um leão num ninho de cobras."

"EU NÃO ACREDITO NISSO!" Gritou surpreendendo Lucius. "Ninguém finge tão bem, Lucius. Nem mesmo você." Disse entre dentes. "Malfoy's ensinam uns aos outros a serem fortes e resistentes. Se eu não aprendesse a ser assim, então eu não merecia ser um. Foi assim que me ensinou." Falou a última frase suavizando a expressão. "Você e Narcisa cuidam de mim como um filho verdadeiro que eu nem lembro que sou adotado. Vocês me deram a segunda chance de ter uma família. Só posso agradecer por isso... pai." E sorriu-lhe.

Lucius, de cabeça erguida, sorriu discretamente.

"Saiba que ficará uma semana sem sobremesa por ter gritado comido." Disse friamente.

"Sim, senhor."

"Vá até aquela porta e abra-a."

Harry olhou para o fim do corredor onde estava a porta. Suspirou e começou a andar em direção a porta. Imaginava o que teria do outro lado. Talvez um cachorro gigante de três cabeças, como Fofo.

Parou de frente a porta e só então lembrou de um detalhe: ela não ter maçaneta. Voltou o olhar à Lucius que o encarava do outro lado. Ele certamente sabia disso e esperava que isso não o impedisse em nada. Por não ter trazido varinha, tentaria o modo convencional: empurraria a porta e torceria que ela abrisse.

Encostou a mão na madeira e empurrou. Sentiu a mão aquecer e algo vibrar.

Então a porta abriu.

A sala, do outro lado, estava vazia.

"Mas o qu-"

"Estou lhe dando essa sala, Harry. Ela é a prova de que você é um verdadeiro Malfoy." Disse Lucius logo atrás de si com uma mão sobre seu ombro. "A porta só pode ser aberta por um. A Mansão foi enfeitiçada para nós reconhecer magicamente."

"E caso ela não me aceitasse como um?"

"Estaria morto, agora."

Harry o encarou bobamente.

"Feliz aniversário, filho."

Após o café com seus pais, Severus e Remus, Harry voltou para o quarto e deparou-se com o mesmo cheio de presentes. A maioria era de parentes que moravam longe, amigos da família e alguns que nem sabia quem era. Presentes caros e embrulhados em papéis chamativos, dos quais iriam para o lixo e o conteúdo, estes, Harry não ligava. De que lhe adiantava ganhar algo de cristal ou um livro sobre magias antigas? Já os possuía, de qualquer forma.

O que lhe interessava, estava sobre sua cama. As cartas de seus amigos de Hogwarts. Contudo, qual sua surpresa ao vê-las junto de embrulhos. Não esperava ganhar presentes deles também. Na verdade, não lembrava de ter dito a eles o dia de seu aniversário, apesar de saber as deles.

De Hagrid, ganhara um livro sobre criaturas mágicas. Hermione lhe deu um livro sobre feitiços úteis e práticos como de limpeza, arrumar a cama, lavar a louça e outros, além de algumas barras de chocolates trouxa. Os Weasley lhe mandaram um outro casaco, dessa vez um da cor verde escuro, junto de sapos de chocolates e outros doces. Juntou os presentes de Remus e de Severus, que foi um livro sobre poções avançadas, e os encarou. Percebeu que, pela primeira vez, sentiu que poderia até não ter uma festa ou mesmo não ganhar presentes. Tinha amigos que lhe escreviam, padrinhos que lhe cuidavam e ótimos pais. Não importava se era Potter ou Malfoy. Estava orgulhoso de ser Harry. Só Harry.

"FRED E GEORGE, DESÇAM IMEDIATAMENTE!" Gritou a senhora Weasley.

Passos apressados foram ouvidos e logo os gêmeos apareceram na sala onde uma Molly furiosa estava em pé com as mãos na cintura e um Draco emburrado estava sentado numa poltrona com algo piscando em diversas cores entre os fios prateados.

"POR QUE DIABOS VOCÊS GRUDARAM ISSO NO CABELO DO SEU IRMÃO?!"

"Dedo-duro." Disseram juntos olhando para Draco que os olhou friamente.

"ELE NÃO ME DISSE QUEM FOI, MAS É ÓBVIO QUE FORAM VOCÊS! AGORA QUEREM FAZER O FAVOR DE DIZEREM O MOTIVO?"

"Olhe pro tamanho do cabelo dele." Disse Fred.

"Ele já tem o rosto de menina.." Continuou George.

".. com o cabelo longo então.."

".. se ele rebolar um pouco, ninguém nota a diferença." Terminou tendo de desviar de um travesseiro que por pouco o atinge.

"Por Merlin, deixem o garoto ter o cabelo que ele quiser." Rebateu Molly. "Agora terei de corta-lo."

"O QUÊ?!" Disse Draco pulando da poltrona. "Não tem como tirar com magia?"

"Desculpe, querido, mas não. Terei que cortar, mas não se preocupe, não ficará tão diferente do ano passado. Só um pouco menor."

"Droga." Murmurou. "Vai ter volta." Disse cerrando os olhos em direção aos gêmeos.

Fred e George apenas sorriram dando de ombros. Contudo, internamente eles sabiam que tinham de se preocupar. Draco era um ótimo calculista e tão bom em quebrar feitiços de vigilância quanto os gêmeos ou os Weasley mais velhos.

"Já chega. Draco, querido, venha." Disse Molly o fazendo levantar-se e seguí-la até a cozinha. "Fred e George, estão de castigo. Já pro quarto e só saiam de lá pro banheiro ou em caso de extrema urgência."

"Mas mãe.." Começaram em uníssono.

"Quarto." Repetiu apontando em direção a escada. "Sente-se aqui." Puxou uma cadeira de frente a ela.

"Mãe?"

"Sim, querido?"

"Pareço mesmo com uma menina?"

"Claro que não, Draco. Não ligue para o que seus irmãos falam. Sabe que eles só gostam de provocar." Disse enquanto separava os fios em mechas.

"É só que as vezes eu gostaria de ser mais parecido com vocês. Quero dizer.. Logo que olham pra nós é fácil perceber que sou adotado. Sou branco demais.. até meu cabelo tem uma cor diferente. Ele é prata!"

Molly ficou de frente para Draco e o encarou.

"Sei que ás vezes é difícil, querido. Sei que se sente deslocado, mas saiba que o importante não é como é por fora, mas sim por dentro. Quando seu pai e eu o adotamos, nos comprometemos em amá-lo acima de tudo. Não importando se era albino e tendo um lindo cabelo prateado. Você é lindo do jeito que é, Draco e o amamos assim. O amaremos seja como for. Assim como seus irmãos. Eles podem chateá-lo com isso, mas sabe que só estão brincando. Eles o amam."

"É, Dracalbino. Nós não nos importamos com seu cabelo prateado." Ouviram a voz de Fred vindo de algum lugar.

"Ou se você parece com uma menina." Ouviram a voz de George.

"Eu já não os mandei irem pro quarto?" Reclamou Molly.

"Estamos no quarto." Disseram juntos.

"Oh, céus." Murmurou Molly indo em direção a escada.

"Antes que mamãe chegue..."

"... saiba que você é um ótimo irmão, Draco."

"É mais esperto que Rony, ao menos."

"E não é tão mandão quanto Ginny."

"Ou babaca como Percy."

"Obrigado. Vocês também são ótimos irmãos." Disse sorrindo levemente.

Os convidados começavam a chegar. Harry, junto de seus pais, os recebia no salão principal. Não era a melhor parte da festa, mas gostava de ver os colegas estúpidos de Lucius que achavam terem o mínimo de intimidade. Ao menos só tinha de ficar lá a primeira hora. Depois estava livre para andar por entre os salões até a hora em que o jantar seria servido.

Havia outras crianças de sua idade, claro. Algumas ele lembrava ter visto em Hogwarts, mas a maioria estudava em outras escolas mágicas. Contudo, foi com grande surpresa que viu Zabini, Parkinson, Crabbe, Goyle e alguns outros pais de sonserinos chegarem. Sabia que Lucius os conhecia, trabalharam ou trabalhavam juntos, mas desde sua 'aposentadoria' como Comensal, eles não se falavam com regularidade.

Olhou para Lucius que também parecia surpreso, mas que logo tratou de disfarçar e os recebeu como se continuassem amigos. Narcisa, como boa esposa, cumprimentou a todos e logo era o centro numa roda de esposas.

"Então, esse é o garoto Potter?" Perguntou o senhor Zabini encarando Harry nos olhos.

"Malfoy, senhor. Potter-Malfoy, aliás." Disse Harry.

"Diga-me, Potter-Malfoy," Disse ironicamente. "não se sente um pouco deslocado sendo o único leão?"

"De maneira alguma, senhor."

"Eu o ensinei bem, Zachary1. Ele tem veneno próprio para se proteger." Disse Lucius.

"É bom que tenha."

"O que quer dizer?" Perguntou Lucius.

"Nada. Só estou dizendo que é importante o garoto saber se virar sozinho. Ele não terá você ou Narcisa para sempre, não é mesmo?"

"Não." Disse lentamente. "Não terá."

"Então." Deu de ombros. "Ótima festa, Lucius. Fazia tempo que eu não vinha a uma tão boa. Eu havia esquecido os ótimos anfitriões que você e Narcisa são. Com licença, preciso ir ao banheiro." E retirou-se.

"Não confio nele." Disse Harry.

"Nem eu."

Há algumas horas Remus desistira de tentar dormir e resolveu ler um livro qualquer. Quando finalmente começara a se interessar pela leitura, sentiu uma segunda presença na casa e por um segundo, a besta dentro de si sentiu-se ameaçada e quis atacar, mas logo percebeu tratar-se de Severus.

"Vista isso." E sentiu o tecido sobre si.

"O que é isso?" Perguntou erguendo-se da poltrona e olhando melhor a roupa que Severus jogara.

"Traje de gala. Iremos à festa de Harry."

"Eu nunca vou. Lobisomen, lembra?"

Num gesto rápido, Severus puxou o lupino pelo colarinho quase colado os rostos. Remus o encarou entre a surpresa e o susto, mas ainda assim teve a decência de corar.

"Lucius pediu que um elfo fosse me chamar. Há Comensais na casa dele. Coincidência? Eu acho que não. Temos que estar lá." Sibilou largando-o.

Remus foi até o quarto se trocar.

"Pedir gentilmente não custava." Murmurou Remus voltando minutos depois.

Harry costumava gostar de se exibir em suas festas de aniversário. Sempre se mostrando superior e fazendo pose de filho perfeito. Acompanhava o pai por algumas horas e o ouvia falar sobre negócios e política, mas sempre comentavam sobre o quanto o filho de Lucius parecia com ele em personalidade e que daria um ótimo líder. Quando se aproximava de Narcisa, as outras esposas se derretiam em elogios quanto sua aparência, pois apesar dos cabelos rebeldes, seus olhos verdes eram intensos e profundos e o óculos dava um charme especial. Era um ótimo pretendente. Era perceptível a inveja das outras crianças e Harry sorria internamente com isso.

Contudo, aquela festa não estava tão divertida quanto esperava. Ganhara ótimos presentes, a decoração estava perfeita como sempre, havia comida em abundância e recebera os elogios que tanto gostava, mas com o surgimento inesperado dos antigos colegas de seu pai, o moreno e seus pais não conseguiam se concentrar totalmente na festa. Sabiam que eles não haviam ido lá somente para um reencontro amigável e ver o quanto Harry crescera.

Olhou para o relógio antigo e talhado em prata que havia no salão. Quase nove. Seus pais já trajavam a segunda roupa, então achou melhor se trocar também. Logo o jantar seria servido, de qualquer jeito.

Disfarçadamente, andou por entre os convidados em direção ao final do salão. Havia a porta que ligava ao salão deixado exclusivamente às crianças. Havia uma mesa repleta de doces e alguns puffs espalhados. O lugar estava até cheio, mas a maioria estava conversando entre si, então não deram atenção quando Harry adentrou o recinto e desapareceu por detrás de uma armadura de um século perdido.

Era um corredor pequeno que levava a uma escada que por sua vez levava a uma porta. Logo que esta fora aberta, o moreno passou por entre algumas roupas. No fim, a saída dava no closet de seu quarto. Saiu deste e foi para o quarto onde sua segunda roupa para a noite já estava separa sobre a cama. Trocou-se rapidamente e saiu do quarto. Voltaria por uma passagem do quarto dos pais que dava na biblioteca. Era mais perto de onde seria servido o jantar e pelo horário, já estava atrasado.

Logo que fechou a passagem atrás de si, sem fazer barulho desceu do pedestal. Diferente do que esperava, havia alguém na biblioteca, mas não era nenhum de seus pais, Severus ou Remus. Aliás, era alguém muito baixo para ser um bruxo.

"Quem é você?" Perguntou aproximando-se.

A criatura pareceu tomar um susto e correu escondendo-se atrás da mesa. Harry parou no meio da biblioteca sem saber direito o que fazer.

"Não vou machucar você. Eu prometo. Pode sair."

Aos poucos a criatura saiu e aproximou do moreno. Possuía orelhas grandes como a de um morcego, olhos esbugalhados e verdes do tamanho de bolas de tênis. Usava algo parecido com uma fronha velha.

Era um elfo doméstico e não era um dos seus.

"Quem é você?" Perguntou novamente.

"Dobby, senhor."

"E quem é o seu dono?"

"Não posso dizer, senhor." Respondeu baixando as orelhas.

"O que faz aqui?"

"Também não posso dizer, senhor."

Harry analisou o elfo de cima a baixo e tirou sua varinha de dentro das veste. O elfo encolheu-se esperando ser punido, mas nenhum feitiço o atingiu. Quando olhou para cima, viu o moreno apontar a varinha em direção aos fundos da biblioteca.

Harry deu uma olhada rápida no recinto e não deu falta de nada. Nenhum feitiço havia sido disparado, logo nada de muito importante havia sido mexido. Teria sido burrice, caso fosse, de qualquer forma. Pensou o moreno. Assim que possível, relataria o ocorrido à Lucius para que ele desse uma conferida mais detalhada.

"Está bem. Você pode ir." Disse guardando a varinha. "Mas dê um recado ao seu dono. Diga à ele que não tente mais nos roubar. E que é bom que não descubramos quem ele seja, entendeu?"

"Sim, senhor, entendi." E fez um reverência exagerada enquanto Harry o olhava esquisito e resolveu continuar seu caminho. "Senhor Harry Potter." Chamou o elfo antes que o garoto chegasse à porta.

"Sabe quem sou?" Perguntou curioso.

"Claro que sim, meu senhor. O senhor é Harry Potter. O senhor derrotou Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado."

"Er.. Olha eu tenho que ir."

"Dobby não veio somente por causa que mestre mandar, meu senhor. Dobby veio para avisar Harry Potter."

"Avisar?" Repetiu Harry agora totalmente interessado no que o elfo tinha a dizer. "O que você veio me avisar, Dobby?"

"Dobby ouviu que Harry Potter encontrou o Lord das Trevas pela segunda vez." Harry confirmou com a cabeça. "Harry Potter muito corajoso, mas Dobby veio proteger meu senhor, alerta-lo, mesmo que Dobby tenha que prender as orelhas no forno depois." E puxou as orelhas para baixo. "Harry Potter não deve voltar à Hogwarts este ano."

"Q-quê?" Perguntou sem acreditar no que ouvira. "Por quê?"

"Há uma trama, Harry Potter. Uma trama para fazer coisas terríveis acontecerem na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts este ano." Disse trêmulo. "Dobby sabe disso há meses, meu senhor. Harry Potter não deve se expor ao perigo."

"Que coisas terríveis? Quem está planejando?" Um pensamento súbito lhe abateu. "Voldemort está por trás disso, Dobby?"

O elfo guinchou e fez um barulho como se estivesse engasgado.

"Certo, Dobby. Respire. Não precisa me dizer quem planeja. Você não pode, de qualquer jeito." Disse frustrado.

"Perdão, meu senhor." Pediu Dobby fazendo reverências seguidas.

"Tudo bem, Dobby. Pare com isso." Pediu.

"Harry Potter promete a Dobby não voltar à Hogwarts este ano?"

"O quê? Não!" Falou exasperado. "Agradeço ter vindo me avisar, mas isso não vai me fazer ficar em casa. Além disso, sabendo dos perigos eminentes não serei pego de surpreso e posso não ser pego."

"Mas meu senhor.."

"Chega, Dobby." Disse secamente. "Obrigado, por me avisar. Agora vá. Você tem um dono a sua espera e eu tenho convidados." Sem esperar resposta, retirou-se.

Ao chegar à sala em que seria servido o jantar, percebeu que todos os convidados já estavam sendo devidamente arranjados ao redor da enorme mesa. Ficou surpreso – e feliz – ao ver Severus e Remus sentados próximos ao seu assento. Com um discreto sorriso, os cumprimento e sentou-se. No instante seguinte, o jantar estava sendo servido.

"Não imaginava que viveria para ver um mestiço entrando na Mansão Malfoy." Disse Parkinson em alto e bom som chamando atenção de todos.

Murmúrios foram ouvidos por toda a mesa. Harry teve ganas de empunhar a varinha contra o pai de Pansy, mas não quis começar uma briga. Além disso, ainda tinha de agir civilizadamente, afinal. Olhou para Remus que possuía as feições levemente acerejadas por ser o centro das atenção e, logo em seguida, para Lucius que continuava a comer tranqüilamente assim como Narcisa e Severus.

"Não anda lendo jornal nos últimos onze anos, suponho." Falou Lucius na sua voz arrastada de como quem comenta o tempo. "Desde a vinda de Harry, Remus vem aqui." E levantou os olhos para encarar o lupino. "E é muito bem vindo, aliás." Completou fazendo o outro sorrir e Parkinson olha-los irritado.

"Adotando um Potter e tendo um lobisomen como amigo. Sinto muito, Lucius, mas não creio que a tão digna honra de sua família continue por muito tempo."

"Terei que discordar, Zachary." Disse Lucius ainda em sua voz tranqüila. "Mas se todos aqui presentes, ainda estão presentes e se novos convidados me apareceram esta noite, alegremente, devo acrescentar, acredito que seja porque gostam da minha família. Ou da minha comida. De qualquer forma, ainda freqüentam minha casa."

Lucius dois, Comensais zero. Pensou Harry orgulhoso.

"E sua esposa concorda?" Perguntou Crabbe.

"O que quer dizer?" Sibilou.

"Ela também vem de uma família sangue-puro. Sabe das nossas tradições. É uma ótima esposa ou Abraxas não teria concordado com o casamento. Ela concorda que a casa onde mora seja maculada pela plebe? Que o marido esteja sujando o nome a qual serve?"

"Claro que concorda." Para espanto de todos, fora Goyle quem respondeu. "Uma irmã que fugiu com um trouxa e um primo que casou justo com quem?" Comentou fazendo alguns rirem. "Devem ser os genes Black."

"Dobre sua língua ao falar de minha esposa." Ameaçou Lucius quase num sussurro fazendo todos se calarem.

"Não temos medo de você, Lucius. É só um covarde que abandonou a nossa causa." Disse Parkinson.

"Não abandonei nada. Só passei a ter novas prioridades."

"Você acolheu o inimigo!" Falou Zachary.

"Isso está saindo do controle." Murmurou Severus à Remus que concordou com um acenar de cabeça.

"Não irei discutir isso agora, Zachary. E, sinceramente, não sei o que você e seu bando vieram fazer aqui. Estão arruinando a festa do meu filho. Ou se portam de maneira civilizada ou terei que pedir para se retirarem."

"Pois que tente me tirar." E levantou-se abruptamente sendo seguido por Parkinson, Crabbe, Goyle e os outros.

Harry, talvez por instinto, levantou-se quase na mesma hora e agilmente pegou a varinha dentro das vestes e apontou para Zachary. Seu gesto fez com que os outros Comensais apontassem suas varinhas para ele. Por Lucius permanecer sentado, ninguém mais se levantou ou fez qualquer outro movimento.

"Burrice da sua parte, garoto." Disse Zachary. "Somos muitos e você é só um. Nem seu pai fez menção de ajuda-lo."

"Se ele não fez menção, é porque não preciso." Rebateu. "Agora, foi burrice da sua parte vir até aqui para nos ofender. E não interessa em quantos esteja."

"Harry." Chamou Lucius. "Baixe a varinha." Mas o moreno continuava com a varinha em punho.

"Escute seu pai, garoto."

"Harry." Repetiu Lucius e dessa vez o moreno cedera.

Logo que Harry baixou a própria varinha, todos os outros baixaram as suas e voltaram a sentar. Harry e Zachary ainda estavam se encarando.

"Que bom ouviu seu pai." E sorriu cinicamente sendo fuzilando com um olhar.

A cena a seguir foi rápida. Enquanto Harry encarava Zachary raivosamente, Dobby apareceu no recinto embaixo da mesa sem que ninguém percebesse. Estalou os dedos fazendo as luzes piscarem e todos os copos da mesa se estilhaçarem. Logo em seguida, sumiu. Todos levantaram-se sem saber ao certo o que aconteceu e Narcisa deu a festa por encerrado.

"Pro quarto." Disse Lucius friamente ao moreno.

Dessa vez, não foi preciso repetir. Harry foi quase correndo para o quarto enquanto seus pais, Severus e Remus davam atenção aos convidados. Chegando ao quarto, Dobby pulava folgadamente em sua cama. Sua vontade foi de enforcar o elfo, mas contentou-se em puxar a colcha e derruba-lo no chão.

"Foi você, não foi?"

"Perdoe Dobby, meu senhor." Pediu o elfo escondendo-se embaixo da colcha no chão. "Mas Dobby tem que fazer com que Harry Potter não volte à Hogwarts."

"Meus pais podem até me castigarem, mas não irão me prender em casa." Disse convencido. "Sinto muito, Dobby, mas voltarei à Hogwarts você querendo ou não."

O elfo tremeu levemente e num estalar de dedos sumiu. No instante seguinte, Lucius adentrava seu quarto. Sua expressão era fria, mas podia ver a fúria escondida em seus olhos.

"O que deu em você? Apontar a varinha para um Comensal no meio de todos? Se descontrolar a tal ponto de fazer as luzes piscarem e os copos quebrarem?" Sibilou. "Quase começou uma briga sem necessidade, Harry. E ainda descontrola a magia como se fosse um bebê!"

"Me desculpe, pai."

"E outra coisa, quando eu mandar-lhe fazer algo, faça." Disse entre dentes. "Me expôs ao ridículo ao me fazer repetir que baixasse a varinha. Sabe que não repito ordens. Principalmente ao meu filho."

"Sim, pai. Me desculpe. Não acontecerá de novo."

Lucius deu as costas e retirou-se. Harry sabia tê-lo decepcionado. Não cumprira uma ordem – o que é uma ofensa das piores, por menor que seja a ordem – e, de fato, quase começara uma briga sem motivo. Contudo, ao ver Zachary levantar, algo em si soou e lhe fez levantar e, não o bastante, empunhar a varinha. Quanto a Dobby, não falara nada para não preocupar seus pais. Além disso, o elfo parecia falar sério sobre os tais perigos. Se falasse algo, poderia ser possível que realmente o proibissem de voltar. Ter Comensais na sua casa aquela noite não deve ter sido somente uma coincidência.

"Lucius." Chamou Severus após longos minutos vendo o louro absorto nos próprios pensamentos.

Depois de terem se despedido de cada convidado, Narcisa deu ordens expressas de como arrumar o salão e agora estava vendo o que sobrou da louça. Lucius fora falar com o filho e desde que voltara, sentou-se numa das poltronas da biblioteca e lá ficou em silêncio sendo observado por Severus e Remus.

Isso já fazia vinte minutos.

"Pare de nos ignorar, Lucius." Disse Severus impaciente.

"Mostrei a sala do subsolo à Harry hoje." Falou num tom baixo.

"Há várias salas no subsolo." Disse Severus rolando os olhos. "Vai nos dizer qual exatamente ou quer que adivinhemos?" Perguntou recebendo um olhar irritado em resposta.

"A Inherited Room2."

"Ela o aceitou?" Perguntou Remus surpreso recebendo um aceno positivo em resposta. "Como é possível? Harry não possui sangue Malfoy realmente."

"Narcisa também não, tecnicamente, mas a Mansão a reconhece como uma." Rebateu. "Não é questão somente de sangue, Lupin. Você, mais do que ninguém deveria saber disso. Acaso esqueceu da Mansão Black?"

"Não." Murmurou. "Só achei que por se tratar da sua família, a Mansão fosse levar em consideração Harry ter o sangue dos Potter."

"Não pense que a Mansão Black é tão diferente daqui."

"Podemos mudar de assunto?" Pediu exasperado.

"Também não quero discutir seu casamento." Murmurou Severus. "O que irá fazer, Lucius? Com certeza Zabini e os outros não vieram à toa."

"Eu sei, mas não farei nada por enquanto. Nenhum feitiço da casa foi ativado, o que não me deixa mais tranqüilo."

"E Harry?" Perguntou Remus.

"Já conversei com ele."

"Estranho ele ter descontrolado-se daquele jeito." Disse Severus.

"Não é normal na idade dele. Ainda mais com todo o treinamento que recebeu de Lucius. Zabini deve tê-lo abalado muito."

"Não, Harry só agiu como um Potter." Disse Severus chamando a atenção. "Mesmo ele sabendo esconder as emoções como lhe foi ensinado, ele ainda é como Potter e vez ou outra segue o tipo 'agir primeiro para depois perguntar'."

"Isso não tem como negar. James era sempre muito impulsivo, principalmente se fosse para proteger quem amava." Falou Remus sorrindo com a lembrança.

"Outro impulsivo era seu maridinho."

"E lá vamos nós de novo." Suspirou Remus cansado.

A manhã começou tranqüila e ensolarada. Harry acordara cedo esse dia e já estava pronto antes dos primeiros raios de sol entrarem por sua janela. Estava disposto e, apesar da noite anterior, sentia-se descansado. Desceu as escadas indo juntar-se aos pais para tomarem café. Todos já estavam à mesa, inclusive Severus e Remus. Cumprimentou à todos e sentou-se no lugar de costume.

"Harry, querido. Conversei com seu pai ontem." Começou Narcisa atraindo o olhar do moreno para si. "Você terá suas férias normalmente. Irá para a casa de Remus está tarde." Esperou alguma reação dele e, satisfatoriamente, o viu apenas acenar com a cabeça e olhar rapidamente para o lupino. Então continuou. "Mas ficará sem sua varinha até seu retorno à Hogwarts."

O moreno pareceu abater-se um pouco, mas em instantes suas expressões voltaram a ser indiferentes e olhou para Lucius que o encarou de volta e voltou a olhar para Narcisa.

"Eu entendo." Então voltou a comer.

Depois de ter as malas já prontas e de despedir-se dos pais, entrou na lareira logo após Remus e em segundos já estava na casa deste.

A casa ficava distante de qualquer cidade e era no meio de uma floresta. Possuía dois andares sendo embaixo a sala, cozinha e a área de serviço e em cima os dois quartos cada qual com banheiro. Harry gostava de lá, mesmo não lembrando em nada a gigante Mansão, mas era confortável e acolhedora. Tudo lá gritava a personalidade do lupino. Havia muitos livros, pergaminhos com anotações de feitiços em diversas línguas, muitos utensílios trouxas como televisão, rádio, torradeira e outros, além fotos espalhadas pela sala e alguns álbuns antigos guardados.

"Deixe suas coisas no quarto, Harry. Depois desça e veremos o que faremos em seguida."

Harry subiu até seu quarto e deixou suas coisas lá. Sobre sua cama, havia uma mala pequena de cor verde musgo. A abriu e dentro havia quatro compartimentos: um para comida – o que tinha bastante e de todos os tipos, enfeitiçados para que não estragassem e coubessem lá dentro, claro -, um para kit de primeiro socorros, outro para uma barraca e um para um canivete multifuncional trouxa. Guardou tudo no lugar e desceu com a mala. Remus estava na sala em pé, esperando-o.

"O que é isso?" Perguntou Harry confuso.

"Antes de Lucius tomar sua varinha, eu ia ensinar-lhe algumas coisinhas sobre sobrevivência ao estilo trouxa. Bom, não tão trouxa já que só o canivete é trouxa. De qualquer forma, você está sem varinha mesmo, então é uma boa oportunidade."

"Com Lucius me ensinando tudo sobre feitiços, Severus sobre poções e você sobre sobrevivência, sinto que serei largado no meio da Floresta Proibida." Disse erguendo uma sobrancelha.

"Precaução, Harry. Só queremos que esteja pronto para tudo. Venha. Aproveitaremos enquanto está claro."

Nas duas semanas seguintes, Harry aprendera como armar uma barraca, a fazer primeiros socorros, usar um canivete trouxa, conseguir fogo com pedras ou gravetos, distinguir cogumelos venenosos dos possíveis de se comer entre outras técnicas de sobrevivência. O moreno sabia que Remus era um profundo conhecedor desse tipo de coisa, além de um excelente bruxo, mas não imaginava que ele fizesse o estilo aventureiro.

Na terceira semana, Harry recebera uma carta de Rony. Nela o ruivo o convidava para passar o final do verão em sua casa. Hermione também fora convidada.

"Claro que pode ir, Harry." Disse Remus sorrindo-lhe. "Você é um ótimo aprendiz. Além disso, nos vemos todos os dias, praticamente. Também acho acho importante que passe um tempo com seus amigos."

"Acha que Lucius vai deixar?"

"É possível que ele faça um pouco de drama, sabe como é seu pai, mas acredito que ele deixe. Já está sem sua varinha, de qualquer jeito. Para um bruxo, não vejo qual seria um castigo pior que esse."

Remus tinha razão, Lucius quase teve uma síncope quando seu filho pediu para passar as últimas semanas de férias na casa da família Weasley. Não por eles serem traidores do sangue e pobres, como diria no passado, mas por ser a família com o maior índice de reprodução do mundo bruxo. Além disso, Lucius conhecida Artur. Sujeitinho estranho que tem uma fixação por trouxas, como disse.

"Deixe-o ir, Lucius. São os amigos dele." Pediu Narcisa.

"Achei tê-lo colocado de castigo."

"Já tirou a varinha dele."

"Harry nunca dormiu na casa de amigos antes. Aliás, ele nunca teve amigos antes. Não da idade dele." Completou Remus.

"Está bem." Disse Lucius cerrando os olhos. "Mas você irá acompanha-lo até o trem. Estarei ocupado no dia."

"Não se preocupe." Disse Remus sorrindo.

"Obrigado, pai." E desconectou a lareira. "Não foi tão ruim." Disse dando de ombros. "Só preciso confirmar com Rony e arrumar minhas coisas."

"Enquanto faz isso, irei preparar panquecas."

"Se Narcisa souber que me deixa comer panquecas, faria um casaco de você." Disse divertido.

"Eu sei." Piscou-lhe marotamente indo em direção à cozinha.

Era início da tarde quando Harry foi levado por Remus através da floresta. Não seguiam uma trilha especificamente, mas o lupino ia na frente e facilitava a passagem do moreno. Após andarem por alguns minutos, Harry percebu que a paisagem começou a mudar. Antes as árvores eram mais densas e o clima mais úmido, agora chegaram a um campo aberto e cercados por morros pequenos. Seguiram em frente até uma área sem mato algum onde havia um trenzinho de brinquedo. O moreno olhou o lobisomen sem entender.

"É uma Chave do Portal. O pai dos seus amigos, Artur Weasley, me arranjou. Lucius tinha razão quando disse que ele gostava um pouco demais dos trouxas." Explicou-lhe olhando para o relógio de bolso rapidamente antes de voltar a guardá-lo. "Temos só mais um minuto. Segure, rápido." Pediu segurando também em algum lugar do brinquedo.

Harry obedeceu e instantes depois sentiu como se um gancho puxasse seu umbigo e que seus pés deixavam o chão. Fechou os olhos não gostando nenhum pouco da sensação. Ainda podia sentir Remus perto de si, pelo menos.

De repente, não sentiu mais nada, só o baque da queda e a dor de ter o corpo lançado bruscamente contra a terra dura.

"Você está bem, Harry?" Perguntou Remus ajudando-o a levantar.

"Sim." Respondeu aceitando a ajuda do outro. "Obrigado."

"Ele chegou!" Harry ouviu a voz de Rony ao aproximarem-se a da casa. E logo em seguida três cabeças ruivas saíram de dentro e foram ao encontro deles. "Espero que tenha feito boa viagem."

"Está com fome, Harry? Mamãe preparou biscoitos." Disse Fred ou, talvez, George.

"E temos suco de abóbora." Completou o outro gêmeo.

"Preparamos algumas coisas para fazermos durantes esses últimos dias." Disse Rony animado.

"Algo que envolve enlouquecer nossa mãe, claro." Falou Fred.

"E Percy." Completou George.

"Talvez papai."

"Alguns trouxas."

"Quem sabe o Ministério."

"Deixem o garoto respirar!" Ralhou Molly saindo de dentro usando um avental florido por cima da roupa. "Olá, Harry, querido." E o abraçou fortemente para logo depois voltar a olhá-lo carinhosamente como se fosse um de seus filhos. "Sou Molly, mãe desses diabinhos."

"Prazer, senhora Weasley. Harry Malfoy." Disse educadamente, mas um pouco constrangido por ser tratado com tanta intimidade por um quase completa desconhecida.

"Remus Lupin, suponho." Disse Molly encarando o lupino.

"Exato." Acenou.

"Prazer conhece-lo pessoalmente, senhor Lupin."

"O prazer é meu, senhor Weasley. E, por favor, me chame de Remus."

"Então me chame de Molly, Remus."

"Harry!" Disse Hermione alegremente correndo até o garoto e o abraçando fortemente. "Que bom que veio." Falou separando-se.

"Vamos todos entrando." Disse Molly. "Venha você também, Remus." Chamou.

"Não quero incomodar. Vim somente trazer Harry."

"Não será incômodo." Disse praticamente o empurrando em direção à cozinha junto dos filhos, Hermione e Harry.

A cozinha era pequena e um tanto apertada. Havia ao centro uma mesa de madeira muito escavada e cadeiras, e Harry se sentou na beirada de uma, espiando à sua volta. O lugar lembrava-lhe a casa de Remus. A diferença era que ali moravam várias pessoas, então era natural não ser tão organizado quanto a casa do lupino.

O relógio na parede em frente só tinha um ponteiro e nenhum número. Havia escritas em torno do mostrador coisas assim: hora de fazer chá, hora de dar comida às galinhas e você está atrasado. Havia livros arrumados em fileiras triplas sobre o console da lareira e, a menos que Harry estivesse vendo coisas, havia um rádio de pilhas trouxa próximo à pia.

"É verdade que você é um lobisomen?" Perguntou George logo após estarem todos sentados e se servindo.

"Poderia nos morder?" Pediu Fred.

"Rapazes!" Vociferou Molly vermelha de vergonha e fúria.

"Tudo bem, Molly." Disse Remus gentilmente voltando sua atenção aos gêmeos. "Sim, sou um lobisomen e não, não posso e nem quero morde-los. Digamos que eu seja vegetariano."

"Isso não é coisa que se pergunte. Cadê a educação que dei a você? O que Remus irá pensar?" Ralho Molly.

"Relaxa, mamãe." Disse George.

"É. Não perguntamos nada demais." Completou Fred.

"Até parece que perguntamos se ele era gay." Concluiu George.

"Você é?" Perguntaram os gêmeos juntos fazendo a senhora Weasley arregalar os olhos e os demais engasgarem-se com seus sucos.

"FRED E GEORGE, AGORA JÁ CHEGA! JÁ PARA O QUARTO E NÃO SAIAM DE LÁ ATÉ EU MANDAR!" Gritou a Molly a plenos pulmões.

"Era só uma pergunta." Murmurou Fred.

"Que família preconceituosa, nós temos." Murmurou George.

"Me desculpe, Remus." Pediu Molly corada. "Eu gostaria de dizer que eles não são, mas eles são. Bons filhos, mas não entendem de limites. Me desculpe."

"Tudo bem, Molly." Sorriu compreensivo. "Na verdade, achei até engraçado. E eles me lembram dois amigos que tive quando mais novo."

"O quê que aconteceu?" Perguntou Draco ainda descendo as escadas.

"Não se pode ler um livro em paz nessa casa." Reclamou Percy.

"Não se pode dormir em paz." Reclamou Gina.

Os três entraram na cozinha e pararam ao verem Harry e Remus sentados comendo biscoitos e tomando suco de abóbora como se sempre fizessem isso ali, na casa deles.

"Olá, Harry." Cumprimentou Draco na sua voz arrastada.

"Olá, Draco." Retribuiu Harry. "Este é Remus Lupin, meu.. ahn.. padrinho."

"Prazer em conhece-lo, Draco."

"Prazer, senhor Lupin." Disse sentando à mesa.

"Estes são meus outros filhos." Disse Molly. "Percy e Gina, minha caçula e única mulher."

"Prazer." Respondeu os dois sentando à mesa também.

"Seu cabelo está diferente." Comentou Harry olhando para o cabelo platinado de Draco, mas só recebeu um resmungo em resposta.

"Fred e George grudaram goma de rastro de Streeler3 no cabelo dele mamãe teve de cortar." Explicou Rony divertido.

"Acha divertido, Ronald?" Sibilou Draco perigosamente. "Não os vi rir quando acordaram com as mãos grudadas no rosto ou quando passaram a semana vomitando caracóis. Quer que o mesmo ocorra com você?" Ameaçou.

"Chega de ameaças, Draco." Pediu Molly. "E você, Ronald, não provoque seu irmão."

"Para sua idade, conhece feitiços bem complexos." Comentou Remus.

"Pelo o que Harry dizia, senhor Lupin, o senhor era uma enciclopédia ambulante quando mais novo que eu."

"Épocas diferentes." Deu de ombros. "Além disso, sempre gostei muito de estudar."

"Draco e Percy são os mais estudiosos da família." Disse Molly com orgulho. "Não menosprezo os outros, mas bem que poderiam seguir o exemplo deles." E deu uma olhada para Rony que encolheu-se na cadeira.

A tarde passara lenta, mas para Harry foi o contrário. Estava se divertindo participando das traquinagens dos gêmeos – mesmos estes não podendo sair do quarto, tinham suas manhas -, conversando com Hermione e Percy, jogando xadrez bruxo com Rony e snap explosivo com Gina. Molly e Remus conversavam sobre diversos assuntos, até Artur chegar do trabalho e conhecer Harry e o lupino. Conversaram um pouco, a família fora novamente reunida para o jantar que fora mais tranqüilo que o lanche. Artur fez algumas perguntas sobre o mundo trouxa para Harry e Remus que divertiram-se, principalmente, em explicar a utilidade de um patinho de borracha.

"Obrigado pelo jantar, Molly. Estava realmente muito bom." Disse Remus. "Bom, obrigado pelo dia. Foi um prazer conhecer todos vocês."

"O prazer foi nosso, Remus." Disse Molly.

"Volte mais vezes. Venha nos visitar." Falou Artur.

"Claro." E voltou-se para Harry. "Até primeiro de setembro, Harry." Sorriu-lhe. "Seja um Potter no resto das suas férias." Murmurou para que só ele ouvisse.

Harry sorriu e viu o lupino sumir entre as chamas verdes.

Desculpem pelo atraso em publicar o novo capítulo, mas aqui está, o início do segundo livro. Amém! Quero dizer que começou a tortura em adaptações e que precisarei de bem mais tempo e paciência, além de criatividade e força de vontade. Enfim. Comentário, críticas, sugestões, tudo será aceito e respondido. Também quero dizer que o capítulo foi escrito e reescrito diversas vezes, pois tive grande dificuldade em como começar. Aliás, sempre tenho, mas eu não tinha idéia em como iria inserir o Dobby, em como fazer o Harry ir para na A Toca, entre outras coisinhas mais. Não saiu tão ruim, né? Deu pra encaixar. Ou não, vocês me dizem.

Zachary1, como não encontrei o nome do pai de Zabini, e olhe que procurei mesmo, então tive que inventar.

Inherited Room2, a sala precisava de um, convenhamos, então a batizei assim. Significa 'Sala Herdada'. Criativo, é, eu sei, mas gostei do nome em inglês.

Streeler3, que é realmene uma criatura mágica. Um caracol africano gigante que muda de cor de hora em hora. Como eu não queria - nem podia - usar chiclete, inventei um chiclete bruxo. Acredito que não faria muito sucesso. De fato, sou péssima para nomes de comidas e não encontrei nenhum em nenhum dos sites que busquei.

Mais uma vez, agradeço os comentários. Espero que tenham gostado do novo capítulo e continuem acompanhando a fic. Ah, feliz natal! Atrasado, é. Sorrisos!