CAPITULO 6 – A SEPARAÇÃO
Numa manhã em que Tsubaki chegara ao hospício foi logo ao quarto da garota lhe levar o café da manhã, ao colocar a chave na fechadura percebeu que a porta estava aberta, estranhou o fato pois sempre verificava se a porta estava trancada antes de sair. Ao entrar no quarto viu a garota ainda sonolenta, se virando na cama, se aproximou colocando a bandeja na cabeceira e escutou-a resmungar o nome de uma pessoa, mas não conseguiu entender direito de quem se tratava. As suspeitas de Tsubaki começaram a crescer notava que a jovem passara a dormir durante o dia, e não estava tão irritada como costumava a ficar, algumas vezes até a surpreendia cantarolando e ficava horas olhando pela janela devaneando; alguma coisa estava muito errada.
Naquela noite Tsubaki resolver espionar o que acontecia, ela pediu para Hatuki dizer que ela já havia saído, mas permaneceu de vigia; quando era próximo das 11 da noite, viu um vulto se movimentar pelo jardim em direção ao corredor de acesso ao quarto. Escondendo-se atrás das pilastras do hospício e tendo a manta da noite para encobrir sua figura, Tsubaki viu quando alguém entrou no quarto da garota. Ela permaneceu ali encostada na pilastra durante horas até que próximo das 4 horas da manhã viu alguém deixando o quarto, com o dia amanhecendo e a noite se tornando mais clara pode por fim identificar a pessoa que estava visitando Sango, era o jovem residente Mirok.
Naquela manhã Tsubaki foi conversar com o diretor sobre o que estava acontecendo, mas o diretor fez pouco caso do assunto, aquela interna não lhe interessava nem pouco além de lhe dar muito trabalho com seus familiares, aceitou apenas por causa da doação que a família da jovem ofereceu para o hospício, a qual boa parte foi para a conta pessoal do diretor do Hospício Municipal. Ainda assim prometeu que falaria com Mirok para que ele não fosse mais visita-la. No final da tarde Kaede foi chamar Mirok a pedidos do diretor, e o rapaz foi imediatamente vê-lo.
entre – disse a voz grave do diretor
Com licença, disse que queria me ver – disse Mirok tentando não aparentar estar nervoso com a situação.
Meu caro recebi uma reclamação sua, parece que tem visitado a garota do quarto 3.
Senhor isso não tem fundamento, uma vez que ela não é uma interna regular.
Meu caro não precisa mentir para mim, Tsubaki o viu na outra noite.
Mirok ficou sem reação ao descobrir que Tsubaki o vira.
O senhor a conhece?
Isso não vem ao caso.
Sabia que ela não é louca?
Meu caro, a família a internou aqui com um vários atestados médicos que confirmavam distúrbios psicológicos e agressividade. Inclusive certa vez ela atacou a enfermeira que cuida dela com a bandeja do café. Existem certos distúrbios de personalidade que são difíceis de serem identificados especialmente por um jovem inexperiente como você; por isso não acredite em tudo o que vê.
Eu vejo uma garota perfeitamente normal trancafiada num quarto – Mirok estava aparentemente irritado.
Meu caro, não vou prolongar esse assunto com você. Essa paciente não está aos seus cuidados por isso não tem motivo para visita-la.
Mas... – foi interrompido pelo diretor
Se insistir nessa questão terei que cancelar sua residência e proibir sua entrada no hospício. Não vale a pena arriscar tudo o que tem por ela, em breve irão transferi-la e ela não será mais problema nosso.Tenha uma boa tarde.
Mirok não insistiu mais, saiu da sala do diretor e foi para casa. Sentou-se no sofá e começou a refletir sobre o que diretor havia dito, "Não vale a pena arriscar tudo o que tem por ela", será que não valia mesmo? Prometeu que ia ajuda-la mas se o diretor o expulsasse o que ele faria? E agora não poderia mais visita-la, com certeza colocariam mais vigia e segurança no quarto de Sango.
Tudo isso lhe causava um aperto muito grande no peito, não sabia o que faria para ajuda-la, precisava que o um especialista a consultasse e desse um diagnóstico verdadeiro, mas a única pessoa que lhe vinha a mente era seu pai, entretanto esse jamais o ajudaria. Ainda se lembrava do seu último encontro com seu pai.
Mirok tem que ser mais responsável, como pretende se tornar um homem de família com tais atitudes – o homem parecia bem irritado ao sacudir as mãos e gesticular enquanto falava com o filho - e quanto a sua carreira, quem vai querer um médico bêbado e irresponsável.
Já chega pai, essa é minha vida.
Ah sua vida olhe para você, o que tem na sua vida? Um belo apartamento, um carro esportivo, uma farta conta bancaria e uma vadia na sua cama. Tirando a vadia o restante não foi mérito seu.
O que quer que eu faça? Que volte para aquele fim de mundo e me case com uma caipira?
Talvez a caipira lhe fizesse mais feliz do que o vejo agora – disse olhando o filho de cima a baixo.
Pois saiba que eu sou feliz com a vida que levo. É a minha vida e gosto de vive-la assim.
Se é a sua vida resolva seus problemas sozinhos! – disse saindo do apartamento.
Daquele última vez que seu pai estivera no seu apartamento o encontrara depois de uma noitada, estava de ressaca e tinha uma bela mulher loira em sua cama. Seu pai tradicionalista não gostou da cena que encontrou no apartamento pois achava que Mirok estava se tornando irresponsável e mimado demais. Talvez tanto luxo estragara seu único herdeiro. Sempre que se metia em encrenca seu pai o encobria, mas da ultima vez havia deixado claro que não o faria mais.
Ainda assim seu pai era sua última esperança em ajudar Sango, talvez se ele soubesse que estava ajudando uma garota a qual todos diziam que estava louca quando na verdade não estava, se sensbilizaria. Resolveu fazer uma tentativa e telefonar, quando seu pai finalmente atendeu Mirok começou o assunto sem enrolação.
Pai, sei que ainda deve estar zangado comigo, mas preciso da sua ajuda.
Disse para resolver seus problemas sozinhos – disse firme
Não é um problema meu, e sim de uma paciente.
Mirok explicou ao pai sobre a garota e como a havia conhecido sem poupar detalhes, talvez a maneira terna com que ele se referiu a Sango levantou uma suspeita em seu pai.
Não me diga que está apaixonado por ela?
Oras, o que isso tem a ver?
Não posso fazer nada para ajuda-lo, o hospício não é meu e não sou o médico da família.
Eles querem mante-la internada como louca.
Mirok se muitos especialistas confirmaram o quadro...
O senhor não a conhece – disse irritado
Mas o conheço muito bem, existe algo além da sua boa fé em ajudar essa moça.
Não confia mesmo em mim
Não me deixa confiar com suas atitudes.
Esqueça
Mirok, não se meta em encrenca por causa dessa moça. Não queira consertar seus erros com ela...
Mas antes que seu pai pudesse terminar de falar Mirok desligou, ninguém confiava que ele estava dizendo a verdade. Ele passou a noite em claro pensando em seu pai e em Sango, não poderia visita-la essa noite, entretanto, sempre que pensava na garota um aperto lhe vinha no peito, como um pressentimento ruim, isso aumentava ainda mais a sua insônia.
No dia seguinte Mirok chegou mais cedo do que o habitual ao hospício, e logo que chegou Kaede veio ao seu encontro parecia nervosa com alguma coisa. Kaede logo puxou-o para uma sala vazia.
Senhora Kaede o que aconteceu?
Ontem a noite a levaram embora – disse a velha enfermeira quase que num sussurro.
O quê?! – disse incrédulo
Mirok não esperou que Kaede dissesse mais nada, saiu correndo em direção ao quarto onde outrora Sango estava; ao chegar no começo do corredor viu a porta aberta do quarto, não queria acreditar que havia perdido, continuou correndo até o quarto que encontrou vazio. Voltou novamente em direção a sala, e achou Kaede pelo caminho; agarrou pelos braços e perguntou aflito.
Para onde a levaram?
Não sei, meu jovem. Apenas vieram aqui e a levaram, e nada dissessaram.
Você a viu partir?
Não, eu estava cuidando de um paciente, e quando sai do quarto deste, eles já haviam a levado.
Mirok colocou a mão na cabeça, não sabia o que faria e nem como conseguiria encontra-la.
Uma clinica particular – disse uma voz em meio a penumbra
O que disse? – perguntou Mirok dirigindo-se a sombra da pessoa
Escutei um dos homens que a levaram mencionar uma clinica particular, disse que aqui não era seguro – disse o rapaz saindo da sombra.
Ao ver o rapaz percebeu que se tratava de um dos enfermeiros do hospício.
Obrigado, mas isso não vai adiantar muito tem milhares de clínicas na cidade e fora da cidade.
Sant'Marie, esse é o nome da clínica.
Mirok agarrou o jovem pela blusa suspendendo-o no ar.
Tem certeza?
Na verdade não muita; esse nome estava estampado num dos jalecos dos homens que vieram busca-la. Agora se o senhor pudesse me soltar.
Ah sim, me desculpe- disse Mirok colocando o enfermeiro no chão, e abrindo um sorriso maroto que chamou a atenção da velha enfermeira
Mirok no que está pensando? Por um acaso conhece essa clínica.
Se for mesmo a Sant'Marie, conheço o diretor dela; isso facilitará a minha entrada lá.
A família dela não vai permitir isso, mesmo que conheça o diretor – advertiu a velha enfermeira.
Sabe senhora Kaede, esse é o tipo de pedido que não pode recusar – disse saindo do hospício
Se alguém perguntar por mim diga que tenho um assunto de família muito importante para resolver.
COMENTÁRIO DA AUTORA
Quero agradecer a todos os leitores pelas reviews que me animaram a continuar essa história. Prometo que agora ire até o final!!! Essa história está ligada indiretamente a ANJO DE VIDRO (PARTE II)
Agradecimento especial a:
fruits-baskets-4ever, Maiyu .Mad.Hatter., manu higurashi, Plii-Chan, Lah-chan, Lele Tatah
adorei as reviews!!!
