Por mais que Emma Swan quisesse prolongar ao máximo todo aquele contato que estava tendo com Regina, ela tinha consciência de que uma hora a morena despertaria. E foi isso que aconteceu. Regina acordou e agiu como se nada tivesse acontecido. Passou suas mãos por entre seu cabelo e deu uma bocejada. Como ela era adorável em tudo o que fazia. Ela conseguia levar a loira à loucura até com aquela cara amassada de sono.

Ela sentiu falta do calor de Regina, principalmente quando inconscientemente a morena se aconchegou a ela quando estava dormindo. E Emma cada vez mais se via apaixonada e sem ter ideia de como iria lidar com todos os sentimentos que nutria por sua cliente.

Enquanto estava deitada na cama sua mente funcionava a todo vapor. Ela precisava conquistar Regina, só não tinha ideia de como faria isso. Só que cada vez a ideia de conviver longe da morena a deixava desesperada. Era como Regina fosse o ar que ela precisava para respirar.

"Que merda é essa?" Emma se questionava, por não estar se reconhecendo. Nunca fora do estilo romântico nem nada, por isso esses pensamentos realmente a estavam assustando. Ela repetia a mesma frase para si mesma. "Regina, você ainda será a minha perdição. Ou a minha salvação."

Ela estava em conflito. Óbvio, tudo o que envolvia tomadas de decisões deixava a loira neste estado. Seu passado não tinha sido tão generoso com ela e só a possibilidade de se arriscar rumo ao desconhecido lhe enchia de medo.

Emma fora desperta de seus pensamentos por Regina devidamente arrumada andando pelo quarto. Vestida com suas usuais roupas sociais, e maquiagem impecável. E seu olhar incógnito, que faria Emma se perder neles quase ao ponto de ficar parada, apenas observando todos os passos de Regina.

– Eu não sei por que ainda te contrato para passar as noites comigo. – disse Regina do nada encarando Emma com seu olhar felino.

– Talvez porque você goste de viver perigosamente. Ou só agora encontrou alguém capaz de te desafiar. – respondeu Emma na mesma moeda.

Elas ficaram se encarando em silêncio. Ninguém se atreveu a falar nada por minutos. Elas poderiam ficar horas uma olhando dentro do olho da outra. Uma tentando desvendar o que a outra pensava.

Emma sentou-se na cama e uma parte da colcha caiu revelando parte do seu corpo nu.

– Eu sempre tive vontade de algo... – disse Emma provocantemente. – Um segundo round.

E dizendo isso, puxou Regina em sua direção. Em contrapartida Regina quis protestar, mas em questão de segundos ambas as mulheres já estavam nuas, curtindo a proximidade dos corpos colados uma da outra.

Por mais que Regina não quisesse admitir, ela já conhecia os detalhes do corpo de Emma. Foram meses de encontros furtivos. E sempre acontecia algo novo que acabava a surpreendendo. Como esse segundo round.

Emma que já havia sido atrevida por demais, não quis arriscar tudo ao dar um beijo em Regina. Apesar de ser o que mais quisesse fazer naquele momento ela tinha que se conter. Quem sabe em outra ocasião ela teria oportunidade de beijá-la. Agora ela só queria aproveitar mais um pouco da companhia de Regina.

Os lençóis da cama revirados. As respirações ofegantes proveniente do orgasmo das mulheres.

E Regina se levantou. E seguiu todo o seu ritual, e caçando suas roupas caídas pelo chão entrou no banheiro para se arrumar novamente. Perto da saída do quarto enquanto deixava o dinheiro na mesinha ela disse para a loira deitada na cama.

– Eu gosto de desafios Senhorita Swan. E você me desafia todos os dias. Mas, as regras ainda são minhas. – e saiu do quarto.

A única coisa que Emma poderia escutar era o som dos saltos de Regina ecoando pelo corredor.


Emma tentou lidar com tudo sozinha, mas ela precisava de conselhos. E só tinha uma pessoa que ela confiava. Sua melhor amiga Ruby Lucas. Ou lobinha, como Emma a apelidava. Era a única pessoa que sabia de tudo sobre a vida de Emma. Que dava conselhos e puxava a sua orelha quando necessário.

Pena que Ruby não morava em Nova Iorque. Por sorte, assim que Emma entrou no skype viu que a amiga estava conectada. Mandou uma mensagem para ela perguntando se ela podia conversar, e quando Emma mandava qualquer tipo de mensagem séria, sem ao menos fazer algum tipo de brincadeira e nem se referir a amiga como lobinha, Ruby já sabia que a amiga estava confusa. Logo Emma reparou que Ruby tinha iniciado uma conversa em vídeo com ela, e logo aceitou.

– Ah, finalmente a senhorita se lembrou de que tem uma amiga. – disse a morena assim que viu a loira pela tela do vídeo. – Emma, o que está acontecendo com você? Já estava ficando preocupada.

– Desculpa lobinha. – falou a loira. – Sei que não tenho sido uma boa amiga nos últimos meses...

– Desembucha logo por quem você se apaixonou. – ordenou a amiga de forma categórica.

– Como você sabe? – questionou Emma.

– Como eu sei? Olhando para essa sua cara de boba apaixonada, que fica me chamando no skype para ficar se aconselhando. Sou sua melhor amiga e te conheço melhor que todo mundo.

– Você não é nem um pouco convencida. – ficou em silêncio. – Mas, você está certa. Eu acho que estou apaixonada.

– Só acha que está apaixonada? Mas, eu tenho certeza. Quem é a sortuda? – perguntou Ruby enquanto dava uma mordida em um sanduiche. – Desculpe, estou em horário de almoço.

– Aí que está o problema Ruby. Estou apaixonada por uma cliente. – afirmou Emma olhando para o chão.

– O que? – a morena indagou com sua boca ainda cheia. – Como assim? Você disse que nunca iria se envolver com algum cliente e agora está falando que se apaixonou. Eu não quero que se machuque amiga. Você está muito longe e eu não tenho como pegar o primeiro avião e ir para aí ficar te consolando. Você sabe que as probabilidades disso tudo dar errado são enormes né?

– Eu sei Ruby. Eu sei. – Emma admitiu. – E é por isso que estou tão confusa. Não sei como lidar com tudo o que estou sentindo. E ela me contratou para ser cliente exclusiva dela. Eu nunca mais precisei fazer nenhum outro tipo de programa, e confesso que tem sido a melhor coisa para mim. – disse com um sorriso estampado em seu rosto.

– Prometa para mim que irá tomar cuidado. Não quero que se machuque por se envolver com sua cliente. Você sabe que um dia ela poderá ir embora e a única a sofrer será você. E eu não quero ver suas lágrimas através de um computador, sem poder estar aí perto de você para te abraçar.

– Eu não tenho como te prometer mais nada. E nem quero pensar na possibilidade desses programas acabarem. Eu acho que nunca estive tão apaixonada. – disse sorrindo.

– Eu sabia que um dia isso iria acontecer. E eu te avisei tantas vezes. E você nunca me escutou. Eu sentia que iria se apegar a algum deles. E sendo que você nem precisaria estar fazendo esses programas Emma. Acho que já está na hora de você largar isso tudo e retomar seus estudos. Tenho certeza que seria uma excelente advogada.

– Você sabe que eu preciso disso. Minha família precisa da minha ajuda. – elas ficaram em silêncio por alguns segundos. – Você recebeu o dinheiro do depósito esse mês? – questionou Emma.

– Eu não te entendo Emma, aliás, eu nunca entendi. – esbravejou Ruby. – Você entrou nessa vida por causa de uma família que não dá à mínima se você existe. Você se esforça o mês inteiro, vive uma vida difícil, por mais que negue para mim, para que? No final do mês mandar parte do seu suado dinheiro para ajudar uma família como a sua. Não entendo.

– É minha família. – respondeu a loira cabisbaixa. – Por mais que tudo tenha acontecido, eles são minha família. Gente do meu sangue e sinto que preciso ajudá-los.

– Emma, você tem vocação para Madre Tereza de Calcutá. Puta que pariu. Sua família nem pode saber que você ajuda. Eles não conseguem ver ninguém comentando sobre você. Eles te excluíram da vida deles.

– Eu sei. Eu sei. Não precisa me dizer o que eu já sei. – gritou Emma enquanto algumas lágrimas escorrem por seu rosto. – Mas eu os amo mesmo assim. Mesmo que eles tenham me expulsado de casa quando falei que era gay. Eu os amo. E dói tanto saber que eles não me querem mais como filha deles.

– Emma... Desculpe. – disse Ruby. – Eu não queria que você chorasse. Mas, sua família não merece todo o esforço que você faz. Eu queria estar aí perto para poder te abraçar.

– Eu também Ruby. Eu também queria te ter mais por perto. – respondeu Emma secando suas lágrimas com a palma de sua mão.

– Meu horário do almoço está terminando. Quero que me prometa que não fará nada precipitado e que pense em tudo o que te falei. Depois a gente se fala. Até mais Emma. – disse Ruby mandando beijos e Emma encerra a chamada por vídeo.

"O que eu faço?" Emma se questionou. Mas, dentro de seu coração tinha apenas uma resposta. Conquistar Regina.