Frozen e seus personagens não me pertencem.


Capítulo 7

*A masmorra de gelo*

Com um nó bem firme, Balder prendeu o barco a um pequeno toco de madeira que ficava na beira do cais – milagrosamente, a única parte da ilha que ainda não estava tomada pelo gelo. Abrindo uma bolsa de couro que trouxera consigo, retirou duas lanternas a óleo e ofereceu uma delas ao General.

"Para o caso de conseguirmos entrar." Apontou para uma enorme barreira de gelo que escondia completamente o portão de entrada. "Acha que consegue mover aquele paredão usando a sua magia, dona? Duvido muito que Hans vai nos deixar entrar de boa vontade, então precisaremos da sua ajuda se quisermos encontrá-lo. Ele pode estar em qualquer lugar lá dentro..."

"Como assim?" Indagou o General, intrigado. "Achei que ele estivesse trancafiado."

"Trancafiado? Não, não!" Balder logo o respondeu. "Bem, talvez a princípio, mas... desde que a masmorra foi toda congelada, e sendo ele o único que vive em Suffolk, não faria muito sentido em mantê-lo confinado numa cela. O Príncipe é livre para andar por toda a ilha, mas duvido muito que o faça. Ele..."

"Ele se tornou seu próprio carcereiro... e se prendeu aí dentro." Elsa completou, suas palavras baixas e tristes sendo carregadas pelo vento. Lembrou-se de uma época em que ela fora assim também, prisioneira do seu próprio medo, e sentiu uma dor no coração ao imaginar Hans vivendo em semelhante situação, preso por grilhões que ele mesmo criara. "Foi o que você quis dizer quando nos falou que era o próprio Hans quem estava se mantendo aqui."

O homenzarrão anuiu, coçando a sua comprida barba vermelha. "Exatamente, minha senhora. E então, acha que temos alguma chance de entrar?"

Elsa estudou a construção de gelo e assentiu. Antes de responder, suspirou fundo. "Creio que sim. Se fui capaz de baixar a névoa, tenho certeza de que conseguirei controlar tudo o que Hans criou com magia." Disse num sussurro, entrelaçando os dedos enquanto caminhava. De repente, seus olhos foram atraídos para dois cestos de palha que estavam na frente da enorme barreira; um completamente congelado e, o outro, apenas parcialmente. Balder, percebendo que ela se perguntava a respeito dos dois cestos, disse antes mesmo da Rainha vocalizar qualquer pergunta.

"Como eu lhe disse, remo até aqui uma vez por dia para trazer comida e água ao rapaz. Esse aqui eu trouxe ontem." Apontou com o queixo para o cesto todo congelado e, em seguida, para o outro. "E aquele ali, trouxe hoje de manhã bem cedo, antes mesmo de vocês aportarem na Capital. Eu sempre os deixo próximos ao portão porque Hans não permite que ninguém entre."

"Mas eles ainda estão aqui fora... e cheios de comida, o que é pior, o que indica que o garoto não deixou a masmorra nos últimos dias." O General comentou.

Elsa fitou Balder com preocupação, mas o homem deu de ombros. "Não seria a primeira vez que o garoto pula algumas refeições. Desde que toda essa confusão começou, o Príncipe se tornou bastante negligente com a própria saúde." Sorriu um sorriso muito triste. "Igualzinho ao pai... ele escolheu um destino cruel..."

"Igual ao pai? O que quer dizer?" Elsa perguntou, correndo os dedos de leve por sua trança.

"É a tristeza, dona. Tristeza e desespero. É isso o que vejo em Hans... a mesma tristeza e o mesmo desespero que envenenarem o Rei por anos e mais anos." Balder murmurou. "Quando a Rainha Idalinne morreu, foi como se o Rei morresse também. Não de verdade, mas... uma parte dele se foi, e ele... ele se tornou relapso... com tudo. Parecia que nada mais importava; nem o reino, nem os filhos, e nem a própria vida. Foram tempos difíceis aqui nas Ilhas do Sul... tempos muito difíceis para todos nós, dona. Talvez mais para uns do que para outros, mas, no final, todos no arquipélago padeceram."

Elsa ficou em silêncio por um tempo e, em silêncio, caminhou até parar a centímetros da barreira de gelo. Fechando os olhos, tentou afastar a aflição e a tremenda perturbação que as palavras de Balder lhe trouxeram e estendeu as mãos a frente, obrigando-se a pensar apenas na magia enquanto dedilhava a grossa camada de gelo. E então, pressionou as palmas abertas contra a barreira, como se empurrando-a, e a muralha congelada rangeu e se moveu com uma facilidade inacreditável sob o comando da Rainha, o barulho estridente o gelo se retorcendo rompendo por toda ilhota.

"Nossa, incrível!" O carcereiro exclamou, admirado ao testemunhar o paredão de gelo se curvar ao poder da pequena mulher, e o General sorriu ao ver a expressão meio que abobalhada estampada no rosto de feições grosseiras do gigantesco escandinavo.

"Você não viu nada ainda, meu caro." Dando um tapinhas no ombro de Balder, acendeu a lanterna e a ergueu a frente do rosto, andando em direção a Elsa. "Vamos entrar. Quanto antes encontrarmos o garoto, melhor."

~ Frozen ~

Entrar na masmorra de gelo foi uma experiência estranha e, ao mesmo tempo, assombrosa. Se por fora a construção já tinha um aspecto ameaçador, do lado de dentro, era muito mais sinistra.

A prisão parecia ser bem maior quando vista por dentro do que por fora. Ela se assemelhava a uma gigantesca torre de base circular, com um primeiro piso amplo e vazio e uma escadaria em espiral que conduzia aos vários pisos superiores, onde estavam localizadas as dezenas de celas. Havia algumas pequenas fendas nas paredes, mas que eram estreitas demais, o que dificultava a passagem da luz, e, por isso, o lugar todo estava imerso numa escuridão densa e terrível. Todavia, não foi a escuridão que reinava ali dentro que assustou Elsa. Foi a própria atmosfera, tão carregada de angústia e desolação.

E medo.

À sua frente, Elsa viu o Duque erguer a lanterna um pouco acima da cabeça, a luz amarelada da chama oscilante vencendo até onde podia a escuridão densa, bruxuleando pelas paredes congeladas e criando sombras e espectros que pareciam brincar pelos cristais de gelo que cobriam absolutamente tudo ali dentro. Aproveitando aquele momento para olhar um pouco ao seu redor, a Rainha de Arendelle viu com um terror fascinado alguns pilares de gelo retorcido que nasciam no solo e subiam até o teto, enormes e apavorantes estacas de gelo que cresciam e pendiam do teto como estalactites no interior de uma caverna sombria, e viu também verdadeiras lanças de gelo que pareciam brotar do chão e apontar em todas as direções, suas pontas afiadíssimas sussurrando promessas de uma morte certa e muito sangrenta.

Tensa e também um tanto quanto amedrontada pela aparência grotesca do lugar, Elsa exalou um sopro de ar entrecortado.

"Está tudo bem, majestade?" O Duque a perguntou, mirando-a com o canto do olho.

"Sim, claro." Ela mentiu, forçando um sorriso e esfregando uma mão na outra, fazendo o possível para se ver livre da sensação de formigamento que não queria deixá-la em paz. "É que... esse lugar..."

Ela não concluiu a frase, mas o General entendeu bem o que a Rainha queria dizer e assentiu em concordância. "Exatamente o que eu estava pensando. Lugarzinho muito... hospitaleiro, para não se dizer o contrário." Murmurou, lutando contra um arrepio. "Você realmente morou aqui por... humm... quanto tempo mesmo, Balder?"

"Trinta e um anos! E alguns meses... mas quem está contando?!" Balder o respondeu com um sorriso nos lábios, todavia, seus olhos levemente acinzentados estavam sérios e muito atentos à redondeza. "Aqui é um pouco assustador, mas a gente até que se acostuma com esse ar sombrio. É só dar tempo ao tempo, General!"

O Duque fez uma cara de descrença e murmurou. "Aposto que sim..." Parando no meio do salão, olhou ao seu redor e se abaixou, colocando a lanterna no chão. Levantando-se, levou as duas mãos ao redor da boca. "Hans!" Gritou, seu vozeirão ecoando pela torre comprida. "Príncipe Hans! Apareça, rapaz! Estamos aqui para ajudá-lo!"

Quando a voz dele parou de ecoar pelas paredes de gelo, foi a fez de Balder gritar. "Príncipe Hans! Sou eu, seu velho amigo Balder. Lembra de mim? Trouxe algumas visitas para você, rapaz!" As palavras reverberaram por todo o lugar e, quando se fez silêncio, Balder tornou a chamar por Hans. "Tem uma moça bonita que veio de muito longe para vê-lo, Hans! Não acredito que fará essa desfeita a ela. Onde estão seus modos, garoto?"

O trio esperou por uma resposta, mas tudo o que ouviram foi o eco das palavras pronunciadas por Balder. E, depois, o silêncio voltou a imperar no interior da masmorra.

Apreensiva, Elsa andou até parar um pouco mais a frente do General. "Hans!" Chamou o mais alto que conseguiu e encolheu um pouco os ombros quando ouviu o som da sua própria voz retumbar pelas paredes gélidas. Teve a impressão de que o som era capaz de se propagar até o topo da imensa torre. "Eu sei que você está com medo... eu, melhor do que ninguém, sei que a magia o assusta, mas você não está mais sozinho! Eu estou aqui... e quero ajudá-lo! Se estiver me ouvindo, responda-me, por favor!"

De repente, ouviram o som altíssimo de gelo se espatifando, e os três ergueram os braços na frente do rosto num golpe de puro reflexo na hora em que uma gigantesca estalactite de gelo despencou do teto a vários metros de onde estavam, espatifando-se toda e espalhando pequenas lascas de gelo pelo chão.

"Acham que foi ele? Que ele está tentando nos afugentar?" O Duque perguntou, pálido feito um lençol, e Balder fez que não com a cabeça.

"Acho que nós somos os culpados por isso. Olhem lá!" Disse o carcereiro enquanto erguia a lanterna o mais alto que podia e apontava para o teto. Por toda a extensão do teto, era possível ver as estacas de gelo vibrando, como se estivessem prestes a cair a qualquer instante. "Não deveríamos ter gritado tão alto..."

"Não se preocupem. Posso dar um jeito nisso." Elsa o assegurou, dando um passo a frente, endireitando a coluna e levantando os braços rapidamente.

Um redemoinho esbranquiçado de magia fluiu das mãos da Rainha até o teto da prisão e rodopiou por entre os ameaçadores projéteis de gelo, transformando-os em inofensivos flocos de neve, que caíram vagarosamente, salpicando de branco o cabelo loiro do Duque e a barba ruiva do senhor Balder.

Frente a visão de súbita beleza e paz num ambiente tão lúgubre, Elsa se permitiu um pequeno sorriso. "Espero não termos mais nenhuma surpresa desagradável daqui para frente."

"Que boa ideia que a senhora teve!" Balder elogiou, passando a mão na cabeça careca para se livrar de um ou outro floquinho de neve. "Desse jeito, ninguém se machuca também."

Enquanto os dois trocavam breves sorrisos, algo chamou a atenção do Duque, que se afastou do carcereiro e da Rainha e andou, com muita cautela, até ficar de frente para um aglomerado de cristais de gelo que pareciam ter sido expelidos do chão. Devagar, se ajoelhou e passou os dedos indicador e médio ao longo do comprimento do maior dos cristais, que era tão afiado quanto uma navalha, e franziu a testa ao ver uma mancha negra concentrada em sua ponta. Ao olhar para baixo, estreitou os olhos ao ver a mesma mancha escura no gelo.

Sangue congelado.

"Acho que deveriam ver isso aqui." Disse com seriedade, chamando os dois.

"O que foi, Duque?" Elsa o perguntou e se aproximou dele. "Algum problema?"

O General se pôs de pé e inspirou profundamente antes de falar. "Sinto ser portador de más notícias, Elsa, mas acho que alguém já se machucou." Estendeu a lanterna a frente, em direção a uma trilha de manchas escuras. "É uma trilha de sangue... e ela começa bem aqui."

Elsa se sentiu empalidecer. "Tem certeza disso? Uma trilha de sangue...?"

"Ele está certo. E parece que não é recente... o sangue já penetrou no gelo." Balder confirmou, preocupado. "Isso explicaria porque não tivemos uma resposta até agora."

"Acha que Hans..." Elsa oscilou um pouco e sentiu a mão forte do Duque no seu cotovelo, amparando-a.

"Tenho certeza que ele está bem, Elsa!" O General soou otimista e ofereceu à Rainha um sorriso caloroso e muito gentil, na tentativa de tranquilizá-la. "Você verá! Isso não deve ser nada demais."

"Acha mesmo?" Balder colocou as mãos na cintura. "Me parece que ele perdeu uma boa quantidade de sangue!" Exclamou e recebeu uma encarada furiosa do General. Ao ver a expressão horrorizada no rosto bonito de Elsa, ficou todo sem jeito e fez o possível para se retratar. "Se bem que não me parece tanto sangue assim... um arranhão, no máximo!" Ofereceu um sorriso sem graça à Rainha.

O Duque suspirou e se pôs a caminhar. "Vamos. Já perdemos muito tempo."

Os três seguiram a trilha com atenção redobrada. Pelo caminho, precisaram desviar de vários aglomerados de cristais pontiagudos e perigosos, que, para aflição de Elsa, também estavam bem sujos de sangue. E então, chegaram nas proximidades da base da escadaria e viram o contorno de alguém sentado nos primeiros degraus.

"Hans!" Elsa exclamou e correu em disparada. Ouviu os gritos do Duque e do senhor Balder às suas costas – os dois pedindo para que ela tivesse cuidado –, mas não se importou e continuou até se aproximar da forma imóvel do Príncipe. Pelo caminho, sentiu alguma coisa prender a barra do seu vestido azulado, e o puxou com força, rasgando-o até a altura do joelho. "Hans!"

Parou assim que alcançou o rapaz, seus olhos arregalados e, seu coração, desenfreado. Apesar das diferenças na aparência dele, não havia dúvidas de que era Hans quem estava ali, sentado no segundo degrau da escadaria espiralada, com a cabeça tombada para frente, os braços caídos ao lado do corpo e a perna direita estendida à frente. O cabelo vermelho dele estava comprido e solto – caindo um pouco além da altura dos ombros –, e uma barba grossa e muito malcuidada escondia boa parte do rosto desbotado do rapaz. Ele estava magro, muito mais magro do que Elsa era capaz de se lembrar, e foi com um aperto no peito que ela se recordou das palavras de Balder, sobre como ele estava sendo negligente com a própria saúde. As roupas estavam rasgadas e muito encardidas, e não passou despercebido a Elsa uma mancha muito escura que ensopava o tecido da calça dele bem na altura da coxa direita.

"Hans... sou eu, Elsa... Pode me ouvir?" Num ímpeto de coragem, deu um passo a frente e, estendendo a mão, tocou de leve o ombro dele. O corpo de Hans tombou para o lado, completamente molenga e enfraquecido, caindo por sobre o degrau da escada, e Elsa se assustou tanto que deu um pequeno salto para trás e cobriu a boca com as mãos, abafando um grito de horror.

"Ei, está tudo bem." Ouviu a voz do General às suas costas, e viu, com o canto do olho, o carcereiro se agachar na frente do rapaz desacordado.

"Ele está respirando... e o pulso me parece forte. Mas está ardendo de febre, isso sem contar o machucado na perna." Balder bafejou e tirou um pequeno canivete que trazia escondido dentro da bota. Puxando um pouco do tecido molhado de sangue, cortou um pedaço da calça de Hans e fez uma careta. Havia um pedaço de pano muito sujo amarrado à coxa dele, fazendo vez de uma atadura improvisada, que havia se colado à ferida aberta. O corte era feio e profundo, e estava todo inflamado, cheio de pus e secreção, e o homenzarrão virou o rosto, não conseguindo olhar por muito tempo para o machucado. "Eu não sei muita coisa de medicina, mas acho que não é preciso ser um gênio para perceber que ele precisa de cuidados médicos com urgência. Se continuar aqui desse jeito, é bem capaz que não viva para ver o amanhã."

"Então o levaremos de volta à Capital!" O Duque sugeriu, ajudando Balder a carregar a forma desacordada do Príncipe para fora da masmorra.

"Sim, claro!" Elsa concordou com ele, seus olhos azuis cheios de lágrimas. "Deve haver um médico que atenda a família real, não é mesmo?! Um bom médico... um que seja de confiança e que possa ajudá-lo!"

"Querem ir para a Capital? Não, não, péssima ideia!" Balder respondeu. "Longe demais, além disso, o médico da família real não vive na Capital. Nós vamos para Arhur, uma ilha a leste daqui. Não levaremos mais do que uma hora para chegar lá."

Elsa balançou a cabeça. "Tem certeza disso? Não seria melhor levá-lo de volta ao castelo?"

"Confie em mim, dona! Arhur pode ser uma ilha pequena, mas tem o melhor hospital das Ilhas do Sul. E a melhor médica também."

O Duque franziu as sobrancelhas, incrédulo. "Médica? Uma mulher? Isso seria uma novidade para mim."

Balder riu alto. "Um conselho, General: não diga isso a ela. A doutora Sigrid pode ser um tanto quanto... sensível sobre esse assunto."

"Homem ou mulher, eu realmente não me importo." Elsa falou, cansada e sem a menor vontade de começar uma discussão sexista. "Senhor Balder, acha que essa doutora Sigrid é de confiança? Ela pode cuidar dele?"

"Não se preocupe, minha senhora. Não existe ninguém melhor do que ela." Ele disse meio que sem fôlego, e, com a ajuda do General, deitou Hans com cuidado no barco. O Príncipe gemeu e estremeceu todo, e Elsa se sentou ao lado dele e acariciou-lhe o rosto suado e contorcido em dor, sussurrando palavras dóceis e apaziguadoras no ouvido dele. "Além do mais, vai ser muito bom para ela rever o rapaz!"

E então, a Rainha arqueou uma sobrancelha delicada enquanto cobria Hans com um dos mantos, a fim de diminuir os tremores que sacudiam o corpo dele como se em pequenas convulsões. "Rever?"

"Sim! A doutora Sigrid e o rapaz são bem chegados, ou, pelo menos, eram. Aposto que sentem saudade um do outro."

Elsa não soube explicar ao certo porque aquela afirmação não lhe trouxe conforto algum, apenas uma sensação de peso no peito e um gosto ruim na boca. Haviam encontrado Hans e, apesar dele não estar nada bem de saúde, estavam a caminho de um hospital... prestes a encontrar a melhor médica das Ilhas do Sul: a doutora Sigrid, que era de confiança e, pelo que Balder falara, mais do que capaz de ajudar Hans a se recuperar... além de aparentemente ser uma parte importante do passado do Príncipe.

"Olhem só!" Balder exclamou, fazendo Elsa erguer um pouco o rosto e abandonar seus pensamentos tumultuados e suas dúvidas cruéis. O homenzarrão desatou o nó que prendia o barco ao cais e pegou um dos remos enquanto se ajeitava no banco de madeira. Apontou com o remo para o leste. "O sol já está se pondo, mas, se olharem para lá, é possível ver o contorno de Arhur. Chegaremos num instante! Ah, será muito bom vê-los juntos mais uma vez! Será uma bela reunião, tenho certeza!"

E tudo o que Elsa foi capaz de fazer foi forçar um sorriso e tentar se convencer de que tudo ficaria bem.