Disclaimer: Nina, Ian, Paul e os outros personagens não são meus, se fossem eu não estaria escrevendo nada sobre eles. Com certeza meu tempo seria dedicado a mil coisas diferentes, menos escrever sobre a vida dos meus amigos, então. E como minha mãe me ensinou: Ninguém é propriedade de ninguém.

Beta: Já ouviram a famosa frase: Ninguém me ama, ninguém me quer? Eu estou dentro desses padrões.

Shipper: Ian Somerhalder e Nina Dobrev. Nian. Ian/Outos. Nina/Outros.

Spoilers: Não que eu saiba.

Avisos: Palavrões e qualquer outra coisa que eu decida colocar. Caso seja importante eu aviso no início do capítulo.

Segundo: Essa fic vai ser uma experiência totalmente nova e diferente do que estou acostumada a escrever. Preparem-se pro angust e possíveis lágrimas por aqui, não vai ser tão fluffy como costumo ser. Quero testar meus limites.

N/C: Boa leitura. Escutem a música e vocês vão chorar o tanto que chorei quando escutei pela primeira vez. É linda, simplesmente perfeita. E com esse vídeo é melhor ainda.
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Tirem os ( )

Capítulo VII: H.A.T.E.U

– Quem diria que um dia trabalharíamos juntos. – Uma voz diferente da que esperava, soou atrás dela.

Nina se virou automaticamente pra identificar quem falava com ela com tamanha intimidade. Era Matt Bomer. Ela piscou lentamente até que seus olhos projetassem a imagem dele da forma mais perfeita. Como se fosse possível ficar mais perfeito que isso.

Ela e Matt haviam se conhecido anos atrás em um evento e ainda mantinham um contato, vez ou outra se encontravam em outros eventos, até mesmo trocavam mensagens ou ligavam para bater um papinho.

Não que fosse com freqüência, mas ambos conseguiram uma empatia imediata.

Matt era um cara muito bonito, daqueles que você fica sem fôlego quando foca naqueles tremendos olhos azuis e era bem capaz de seu coração dar um solavanco. Nina não tinha o menor interesse nele. Primeiro: Ele era gay e muito bem resolvido com sua condição. Segundo: Ela só o via como colega, de qualquer forma. Mesmo assim não era como se Nina fosse cega.

Ela o abraçou imediatamente:

– Céus, o que você está fazendo aqui?

Até os dentes brancos dele pareciam perfeitos quando ele sorria.

– Você não sabe? Sou seu co-star, então você deve realizar o sonho de me beijar.

– Mal posso esperar. – Nina deveria corar, mas agora só achava graça e uma pequena parte sua estava curiosa.

Eles colocaram a conversa em dia, falaram sobre a expectativa de trabalharem juntos pela primeira vez depois de uns bons anos que se conheceram. Estavam ansiosos porque era bem mais fácil transmitir amor na tela quando você já tinha alguma ligação com o outro ator. Era mais fácil tornar real, até porque amizade é um tipo de amor.

Mais tarde Tom apareceu com uma cara de poucos amigos e tocou levemente o ombro de Nina para lhe chamar a atenção.

– Sua professora já chegou e está esperando para sua aula diária. – E entregou um copo de café na mão da atriz.

– Obrigada, Tom. Você pode me fazer um favor? – Ele apenas acenou a cabeça enquanto mexia na freqüência do seu rádio de comunicação com outras áreas do set. – Sei que não é sua função, mas eu ficaria muito agradecida se você ajudasse o Matt a se organizar.

Tom ergueu os olhos e pareceu muito eficiente e frio:

– O senhor poderia me acompanhar?

Matt desapareceu com Tom pelo meio da bagunça comum de um set de gravações.

–-

Uma semana depois a temperatura estava subindo e todos só queriam que uma piscina fosse posta nos sets.

No Texas sempre fazia um calor horrível, mas Nina até gostava de vez ou outra não sentir apenas frio. Hoje suas cenas eram apenas vislumbres de um flashback e então ela passara praticamente o dia inteiro à toa. Ela havia feito suas aulas de pintura. Estudou seu texto. Conversou com quem estava de bobeira como ela, mas não tinha tanta gente disponível.

Tom entrou em seu trailer enquanto ela assistia a um filme que tinha trago na bolsa por via das dúvidas e agora era sua única companhia.

– Sua mãe chega sábado de manhã, você quer que eu mande um carro para buscá-la? – Ele perguntou antes de ter uma crise de tosse.

Só nesse momento Nina realmente parou para olhar Tom parado à sua frente com um rosto visivelmente abatido, olheiras horríveis e aparentemente um pouco mais magro.

– O que aconteceu com você? – Ela perguntou com uma preocupação de que ele estivesse doente.

– Nada, só um resfriado. E então vai precisar que eu busque sua mãe no aeroporto? – Tom apertou mais o casaco grosso que usava junto ao corpo.

Nina já havia comentado que estava um calor de 32º? Era impossível uma pessoa estar bem e usar aquele casaco quente. Ela se aproximou e colocou mão na testa dele, estava pegando fogo.

– Porque você está trabalhando hoje? Vai pra casa agora,tome remédios e tente dormir. – Ela quase esbravejou com o garoto que estava abusando, seja lá o que estivesse de errado com ele.

– Já tomei alguns analgésicos, vai passar.

Até a mão de Tom que segurava o café, tremia levemente.

– Porque você é tão teimoso? Está doente e vai pra casa antes que eu mande alguém te amarrar e levar.

– Se eu for embora agora, quando voltar a minha pilha de trabalho vai ser o dobro. Posso agüentar isso.

– O que eu te disser vai te convencer a ir embora? – Ela perguntou vendo que o outro era mais cabeça dura que pôde imaginar.

Ele negou com um movimento de cabeça e Nina jurou ter visto o traço de um sorriso.

– Você é meu assistente e agora vou te dar uma ordem. – Nina não falava assim com ele e com ninguém, ela sempre pedia o que desejava. Nunca mandava. – Sente nesse sofá e descanse um pouco e se você não ficar, eu juro que te amarro aqui.

Tom não tinha muita escolha a não ser sentar e ficar calado até que sua 'chefe' o liberasse. E seu corpo já pedia clemência.

Nina disparou pelo trailer procurando sua necessérie de remédios.

Entregou dois comprimidos para o garoto junto com um copo d'água.

– Você não sabe fazer outra coisa além de cuidar dos outros?

– É o que eu faço pra ganhar a vida e até gosto do meu trabalho. – Ele disse de forma humilde e era a primeira vez que Nina o via como um ser humano, sem aquela armadura de eficiência e frieza que usava na maior parte do tempo.

A morena sentou ao lado dele no sofá que não era tão grande assim, mas ambos conseguiam manter uma distância sem invasão de espaço pessoal.

– E o que mais você faz da vida? Além de cuidar de mim? Você poderia falar um pouco da sua vida. – Ela perguntou na intenção de distraí-lo antes que quisesse levantar e sair por aí correndo e resolver todos os problemas do mundo.

Nina sentiu o olhar de Tom queimar suas bochechas tamanha a intensidade, ela sentiu que ele analisava a pergunta e pensava mil vezes antes de responder. Parecia que Nina não era confiável.

– Como se você não tivesse minha ficha completa. – Ele optou por ficar na defensiva.

– Thomas Whitman, você nasceu na Califórnia, cursou Produção Cultural na faculdade local, tem 23 anos. Isso eu realmente já sei, mas não pedi seu currículo. Estava perguntando de você.

Ele deu um suspiro fraco, como se faltasse força até pra bancar o indiferente.

– Tenho duas irmãs mais novas, elas ainda moram na Califórnia com a minha mãe. Meu pai se casou de novo e é isso.

– Porque cursou Produção Cultural, e é assistente? Não que seja um trabalho ruim, mas o salário de um produtor é nas nuvens.

– Quatro anos atrás quando eu estava indo pro terceiro ano,surgiu uma chance pra começar com uns filmes independentes e eu precisava entrar no ramo de algum jeito. É preciso ser muito influente e ter contatos fortes.

– Aqui é o lugar perfeito pra isso. – Ela sorriu e pensava internamente quando os dois remédios fariam o efeito desejado. – Você já fez alguma festa que teve sua assinatura?

Ele moveu a cabeça lentamente.

– Gostaria que daqui uns cinco ou seis meses você fizesse a minha. Sei que é muito trabalho juntando com tudo que precisa fazer aqui, mas não vai ser um evento muito grande. Eu posso te ajudar no que for preciso.

Tom levantou a cabeça e ela pôde ver que ele travava uma batalha em manter os olhos abertos.

– Seria ótimo! – Ele murmurou antes de suspirar e por fim fechar os olhos.

Nina havia dado um remédio contra febre e outro para dores musculares que só poderia ser tomado quando a pessoa estiver indo para cama. Um dos efeitos colaterais era o sono.

Ela sorriu, pegou uma coberta que tinha guardado na mala e o cobriu.

O cabelo de Tom estava pior do que nos outros dias e caía sobre os olhos. Nina passou a mão para arrumá-los e se perguntou se era seu instinto maternal começando a se manifestar.

–-

Seis horas depois Nina voltava para seu trailer, terminando mais um dia de gravações e ainda não passava das sete. Ela estimou que Tom deveria estar perto de acordar e riu quando reparou no celular de que estava em cima da mesa com umas 50 ligações perdidas e por sorte ela se lembrara de colocar no silencioso.

Terminou de arrumar suas roupas, conseguiu colocar algumas coisas do trailer que estavam fora do lugar, fez algumas ligações e alguém bateu na porta.

Ela imaginou que fosse Matt para perguntar se ela gostaria de jantar fora.

Abriu a porta sorrindo e sentiu o sorriso desfazer.

–-

Ian estava na porta de seu trailer e a palavra Damon, se acentuou em sua mente. Suas roupas eram escuras mesmo naquele calor. Ele levantou os óculos que usava na hora em que ela abriu a porta, sua expressão era séria e torturada.

Once upon a time
We swore not to say goodbye
Some things got a hold of us and we changed
And then you sat alone in pride
And I sat at home and cried
How did our fairy tale just end up this way?

– O que está fazendo aqui? – Ela perguntou suavemente para não acordar Tom antes da hora, porque saberia que ela teria uma crise nervosa ou a veia em sua têmpora estouraria.

– O que estou fazendo aqui? A pergunta certa seria o que vocêestá fazendo? Porque não atende minhas ligações, acho que precisamos conversar. Posso entrar?

Nina negou com um movimento de cabeça.

Como se fosse no piloto automático, ele virou a cabeça e tentou olhar dentro do trailer.

– O Tom está passando mal e consegui que ele dormisse um pouco. Não dá pra conversar aqui.

– E o Tom é seu... – Ian deixou a pergunta implícita.

– Tom é meu assistente.

Agora o toque de sarcasmo que ela tanto odiava estava impregnado na voz do moreno.

– E seu assistente dorme no seu trailer? Mais rápido do que imaginei.

Nina só não deixou a raiva vencer essa batalha porque não valia à pena. Ela não devia nenhum tipo de explicação pra ele e deixar que esse comentário maldoso a atingisse seria apenas perca de tempo.

Cruzou os braços e esperou por saber que Ian não iria à lugar nenhum antes de conversarem.

– Quando podemos conversar?

– Está hospedado na cidade? – Ian fez que sim. – Te encontro no hotel mais tarde aí conversamos. Agora eu preciso terminar de arrumar minhas coisas pra ir embora.

– Quer uma carona?

Era tão difícil desistir mesmo quando tudo estava pra lá de terminado? Ian continuava a agir como se ainda estivessem juntos ou alguma possibilidade de acontecer outra vez.

–Não precisa! Ainda preciso ver como o Tom está.

Ele não fez nenhuma oposição e saiu da porta de seu trailer assim que lhe deu o endereço onde estava hospedado e o número de seu celular, ela havia excluído de sua agenda depois de sua ultima visita ao Canadá.

–-

We went round for round
Till we knocked love out
We were laying in the rain not making a sound
And if that's a methaphor of you and I
Why is it so hard to say goodbye?

Nina encostou-se à porta do trailer com o coração na garganta e sentia o corpo tremer. Ela tinha de se preparar para interpretar essa noite. O maior papel de sua vida. Uma vilã, sem escrúpulos, mentirosa e egoísta.

Fechou os olhos e ela precisava fazer melhor do que isso pra que Ian acreditasse, mesmo que tivesse boas bases pra sustentar suas mentiras, não queria ter de usá-las. Sentiu que os olhos começavam a arder com as lágrimas forçando passagem. Até sua cabeça pesava.

De repente mãos finas seguravam seus ombros, como se a impedisse de cair. Abriu os olhos e deu de cara com íris verdes escuras que expressavam preocupação enquanto a fitava.

– O que aconteceu? – Tom perguntou enquanto ainda mantinhas mãos em seus ombros.

Ela continuou encarando Tom e sempre dizem que tudo está indo perfeitamente bem, até que alguém lhe pergunta o que tem de errado. Não deu outra...

Nina começou a chorar toda agonia e desespero que não havia demonstrado pra nenhum de seus amigos. Ela sabia que eles a mandariam desistir do plano maluco se isso a fazia sofrer, mas ela precisava ser forte.

I just wanna hold you
Touch you
Feel you
Be near you
I miss you
Baby baby baby
I'm tired of trying to fake through
But there's nothing I can do
Boy I
Can't wait to hate you

Ou talvez porque ela via algo de muito seguro, expressivo e forte nos olhos de Tom.

Tom não disse nada ou sequer teve tempo de uma reação quando Nina apenas apoiou a cabeça no peito dele, pois ele era no mínimo dez centímetros mais alto.

Nina não sabe por quanto tempo isso aconteceu, mas quando se deu conta, bom daí ela se sentiu idiota e constrangida. Limpou o rosto com as costas das mãos e respirou fundo:

– Me desculpa.

Ele ainda continuou com os olhos fixos em seu rosto, até que resolveu abrir a boca.

– O que aconteceu? – A morena queria poder falar alguma coisa, mas ela não conhecia Tom pra fazer esse tipo de desabafo: - Você quer falar sobre isso?

– Não, são só problemas.

Os dois caíram em um silencio constrangedor.

– Como você está se sentindo? – Ela pigarreou para melhorar a voz para que não saísse chorosa.

Ele abriu o primeiro sorriso de verdade desde que se conheceram.

– Melhor, com vontade de deitar de novo e muita dor de cabeça. Você me dopou? – Ele perguntou com um tom divertido e Nina se perguntou se ele estava se esforçando para fazê-la se sentir um pouco melhor.

– Não, mas esse remédio só pode ser tomado quando você está indo dormir. O que não era seu caso. – Ela esticou a mão sobre a testa de Tom, a febre tinha diminuído. – Vai pra casa e tente dormir um pouco mais, se você piorar não vai poder trabalhar por uns dias. Estamos combinados?

– Tudo bem. O que fez com meu celular? Não escutei tocar nenhuma vez.

Nina tirou o celular do bolso da calça jeans.

– Tocou umas cinqüenta vezes, mas ficou no silencioso o dia inteiro.

– Amanhã com certeza vão querer a minha cabeça numa bandeja de prata.

– Pode deixar que te protejo. – A morena comentou como se ela não fosse a frágil da história, mesmo sendo em sentidos diferentes. – Onde você mora?

Conforme Tom ia explicando, ela ficou surpresa – mesmo que não tenha demonstrado -, que era um bairro de classe média e ótimas casas.

Provavelmente seu assistente estava muito doente ou havia se assustado com a reação de Nina, porque aceitou a carona sem resistência.

– Maia é loira de olhos castanhos. É bastante agitada e teimosa. Ela puxou a minha mãe. A Lauren parece bastante comigo, mas é muito artística, então acho que isso canaliza a maior parte da energia e ela consegue ser mais calma.

– Quantos anos elas tem? – Nina perguntou realmente interessada já que conseguira que Tom conversasse com ela.

– Maia tem quinze, uma idade horrível. Lauren tem dezessete.

– Você parece se entender melhor com a Lauren. – Em poucos comentários dera pra perceber que ele se entendia perfeitamente com a irmã mais velha.

– Nós somos amigos. Já a Maia está numa idade que não consigo dizer três palavras sem irritá-la em pelo menos duas delas, depois eu sei que passa. Ninguém é um adolescente insuportável pra sempre.

– Elas passam as férias com você?

– Eu tento ir pra casa nessa época, mas algumas vezes é um trabalho atrás do outro e fica complicado. Então elas passam um mês comigo, acho que só aceitam porque assim podem ficar zapeando pelos sets e isso é legal pra adolescentes. Você só tem um irmão, não é? – Tom perguntou pela primeira vez algo pessoal.

– O Alex e eu não nos vemos muito por causa do trabalho. E ele está preste a casar.

– Eu fico nessa casa verde no final da rua.

Nina observou a pequena casa verde de dois andares. Parecia ser aquele tipo de casa que tinha muitos livros, filmes e também muito solitária.

Estacionou o carro e esperou que ele pegasse sua pasta com milhares de papéis.

Nina foi pega de surpresa pela reação seguinte:

– Obrigado Nina.

Ele sorriu de leve, mas parecia muito sincero. Tom ficava mais bonito e parecia realmente ter 23 anos e não 30 como aparentava no seu dia-a-dia.

– Foi apenas uma carona. Você pode me levar um café depois, eu aceito.

– Não digo pela carona, mas por hoje mais cedo. Te vejo amanhã. – Ele acenou com a cabeça e já ia saindo do carro.

– Espero só te ver daqui dois dias. – Ela puxou a pasta que ele segurava na outra mão. – Minha ordem de hoje é que você terá dois dias de folga, se aparecer por lá... Faço da sua vida um verdadeiro inferno. De acordo?

Ele ficou meio sem ação e não deu resposta alguma.

– Me empresta seu celular. – Ele esticou o aparelho na direção da morena, provavelmente não esperava nenhuma ação louca da parte dela. – Ele é meu nesse tempo. Pare de trabalhar um pouco e se você tentar trabalhar no seu notebook, mando alguém vir cortar sua energia e tirarem sua internet. Boa noite, Thomas!

Ela retornou com o carro e seguiu pela noite de céu azul e sem muitas estrelas.

Tom continuou olhando para o carro até que sumisse de vista, então daí se virou e entrou na casa sem pasta e celular. Era quase como estar pelado.

Anônimo: Obrigada por vir acompanhar a fic por aqui. Desconfio de quem seja.