CAPÍTULO VI
Na quarta-feira, Liliam finalmente decidiu procurar o Sr. Dumbledore e lhe dizer que estava disposta a pedir um empréstimo no banco para comprar a livraria.
A reação do Sr. Dumbledore não poderia ter sido mais estranha.
Liliam ficou perplexa. Ele havia garantido que lhe venderia a loja assim que ela tivesse condições de lhe pagar. Já havia repetido mais de mil vezes que estava cansado e que não via a hora de se aposentar.
O plano original de Liliam era esperar mais alguns meses, talvez um ano, para comprar a livraria, prazo que considerava suficiente para engordar sua conta bancária e diminuir o montante do empréstimo.
Mas, as circunstâncias ditaram uma alteração no plano e ela preferiu enfrentar uma dívida a continuar trabalhando na Potter Internacional e correr o risco de encontrar seu dono pelos corredores.
Agora, não sabia mais o que pensar nem o que fazer.
O Sr. Dumbledore nunca fora um homem de muitas conversas. Após sua proposta, ele se tornou praticamente mudo.
Preocupada com isso, Liliam demorou alguns dias a perceber que seu período estava atrasado.
Abriu a agenda e conferiu a data da última menstruação. Estava uma semana atrasada. Devido ao estresse, provavelmente, e às noites mal dormidas.
Por outro lado, ela poderia estar grávida. Era jovem e saudável e estava no meio de seu ciclo quando James a levou à Grécia.
Naquela noite, ao entrar no prédio, Liliam encontrou James pela primeira vez em quase três semanas.
Ele estava se dirigindo ao hall de elevadores em companhia de três homens. Ao vê-lo, ela quis se esconder, mas não teve como. Suas pernas se recusaram a se mover e seus olhos a abandonar aquele rosto lindo e aqueles cabelos que pareciam azuis sob as luzes.
- Como vai, Lily?
Liliam pestanejou.
- Está parecendo um fantasma diante de um exorcista - James caçoou.
Ela viu os três homens observando a cena, estupefatos
- Afaste-se de mim! Depressa! - pediu, corada. - Não deveria ter se aproximado e me dirigido a palavra. Céus! Você é o dono da empresa e eu sou uma simples funcionária!
- E por que eu não deveria me dirigir a você? - sorriu. - Por que as mulheres são tão preconceituosas?
- E por que os homens não têm bom senso?
Liliam se afastou como se estivesse sendo perseguida.
Como se não bastasse o testemunho dos homens, ela viu duas colegas olhando em sua direção e cochichando.
No intervalo para o café, Liliam pensou que talvez fosse melhor não ir ao refeitório. Se lhe fizessem perguntas sobre seu encontro com James, não saberia o que dizer. Depois, pensou que sua ausência daria ainda mais na vista.
Assim que entrou no recinto, Liliam soube que as fofocas já haviam se espalhado por todos os andares. Em vez de olharem para ela e se comportarem como acontecia todos os dias, as colegas evitavam fitá-la.
O burburinho e as risadas haviam sido substituídos por um incômodo silêncio.
Para aumentar seu desconforto, as mulheres retomaram as conversas assim que ela lhe deu as costas e se afastou um passo da porta.
Não as culpava. Se James tivesse se limitado a cumprimentá-la com um gesto de cabeça, o gesto poderia ser interpretado como uma gentileza. Mas não. Ele havia se afastado grupo, deixado os homens esperando à porta do elevador e caminhado até ela.
O que dera em James? Não lhe ocorrera que seu procedimento a deixaria exposta à maledicência?
Dulce foi a única que teve a sensibilidade de procurá-la e ser franca.
- Achei melhor esperar que estivéssemos a sós para lhe falar.
Liliam respirou fundo e assentiu com um gesto de cabeça.
- Lily, o pessoal somou dois e dois e chegou ao resultado de quatro. Todos sabem que você trocou de lugar comigo naquela noite e que não veio trabalhar nos dias subseqüentes.
- Não pensei que fossem se importar comigo.
- Não teriam se importado em circunstâncias normais, mas a notícia de que James Potter esteve acompanhado por uma ruiva parecida com você em sua viagem à Grécia despertou suspeitas. E essas suspeitas se tornaram certeza esta noite quando você foi abordada por ele.
Fosse outra pessoa, Liliam teria tentado negar a evidência, mas respeitava Dulce demais para isso.
- Não me importo com fofocas, Dulce – ela murmurou.
A colega suspirou.
- Há duas semanas, o Sr. Potter passou por mim e me cumprimentou pela primeira vez. E não foi um simples gesto de cordialidade; de repente, ele sabia meu nome.
Liliam baixou os olhos ao lembrar da acusação que fizera a James por ele nunca se dignar a olhar para seus subalternos.
- Desculpe, Lily, não gosto de me intrometer na vida dos outros, mas estou preocupada com você.
- Não se preocupe Dulce. Eu estou bem. Triste, mas bem.
- Gostaria de poder me aproximar daquele homem e de dizer o quanto você é preciosa, Lily.
- Não sou mais criança, Dulce. Sei cuidar de mim mesma.
- Não - Dulce concordou cabisbaixa. - Você não é mais criança.
Antes fosse, Liliam pensou.
Pelo fato de ser adulta e de ter ousado viver uma noite de amor agora poderia estar com problemas que durariam o resto de sua vida. Sua mãe a tivera sem ser casada e sua vida fora uma desgraça.
Um pensamento ocorreu subitamente a Liliam. E se estivesse sendo pessimista e a gravidez não tivesse acontecido?
Compraria um teste na farmácia na saída do trabalho. Seria mais rápido e mais fácil do que esperar por uma consulta médica.
Estava saindo de uma sala no oitavo andar quando a porta do elevador abriu. Olhou para lá automaticamente. Quando viu James sair e se encaminhar para ela, pensou que seu coração fosse explodir de tanto bater
Ele estava usando um terno cinza-claro. Fosse o corte ou a cor, o fato era que ele lhe pareceu um quilo ou dois mais magro. E seu rosto também parecia estar um tanto diferente. Mas sua aura de magnetismo continuava poderosa e isso a irritava. Não queria se sentir excitada cada vez que o via. E ao mesmo tempo triste e deprimida.
Liliam ligou a enceradeira. Não podia se entregar a seus problemas. O melhor que tinha a fazer era trabalhar. Mas um minuto depois, a enceradeira parou de funcionar.
Virou-se para verificar se o fio havia saído da tomada.
James estava endireitando o corpo, após desconectá-lo.
- Pare de fugir - ele disse.
Despreparada para aquele tipo de ataque, ela tentou ganhar tempo.
- Não sei de que você está falando.
-Você sabe - ele retrucou. - Está tentando me evitar porque trabalha para mim. Acontece que é tarde demais para isso.
- Eu só quero que você me deixe em paz - Liliam respondeu.
James deu um passo e lhe segurou ambas as mãos.
- Sempre que diz isso, seus olhos dizem o contrário. E suas mãos – ele acrescentou. - Elas estão tremendo.
- De raiva! - ela esbravejou e se soltou. -Sei o que quero de minha vida e você não está incluído no pacote!
- Não? O que há nesse pacote?
- Quer saber realmente?
- Sim, eu quero saber.
- Está bem. Pretendo comprar a livraria onde trabalho. E por essa razão que tenho dois empregos. Venho economizando há anos para isso. E para completar o valor, pedirei um empréstimo bancário.
- Posso lhe emprestar o dinheiro agora. Não com um favor, mas como um acordo comercial. – James resmungou alto e desapareceu no interior da sala vizinha. Quando saiu trazia um cesto para ser esvaziado.
- Você ainda não entendeu que não quero favores? Que não preciso de ajuda?
- Mas está fazendo de seu emprego uma barreira entre nós. Eu não deveria ter lhe feito àquela proposta.
- Custou a entender, não?
- Tenho sentido sua falta, pethi mou.
O sorriso que James lhe deu aqueceu como se fosse o sol. E antes que a queimasse, Liliam afastou o olhar.
- Ou seja, está cansado de ser perseguido pelas mulheres precisa de uma novidade. Já cogitou em procurar uma agencia de encontros?
- Seu expediente está por acabar. Deixe-me levá-la para casa. No caminho, poderíamos parar e tomar um lanche.
Liliam pensou em suas noites insones, olhando para o teto detestando-se por sua fraqueza, por não conseguir expulsar a imagem de James de sua mente. E agora ele estava pedindo para sair com ela.
- Após o trabalho, eu vou para a cama - ela respondeu firme.
- Podemos pular a ceia - James murmurou.
Diante da provocação ela se abaixou para tornar a ligar a enceradeira.
Queria se afastar de James sem responder. Mas, o movimento brusco lhe provocou uma forte tontura. A vista escureceu. O corredor ficou em penumbra.
A imagem de James embaçou.
Ao sentir que estava caindo como se estivesse caindo em um abismo, Liliam deu um gemido.
Quando recobrou a consciência, sentiu-se enjoada e ainda tonta. Parecia estar flutuando. Não conseguia sentir os pés. Abriu os olhos e descobriu a razão.
Estava em um elevador. Nos braços de James.
- O que aconteceu? - perguntou a ele.
- Você desmaiou.
Liliam franziu o rosto.
- Eu nunca desmaiei antes.
- Não foi feita para aquele tipo de trabalho. Não quero mais vê-la no escritório.
- James, coloque-me no chão.
- Se eu colocá-la no chão, tornará a desmaiar. Sua aparência está péssima. - Foi a vez de ele franzir a testa. - O que não é de admirar. Além de trabalhar aqui cinco noites por semana, trabalha seis dias naquela livraria. E na maioria do tempo, sozinha.
- Como sabe? - Liliam indagou, espantada.
- Fiz algumas investigações - James resmungou. - Seu patrão quase não fica na loja. Você irá acabar adoecendo com tanto esforço físico.
- Sou jovem e saudável. - As portas abriram e Liliam tornou a pedir; ou melhor, a exigir, que ele a colocasse no chão. - Onde está me levando?
- Para a cama.
No saguão, ela viu os guardas de segurança enrijecerem a sua passagem no colo de James. Um deles apressou-se a abrir a porta.
Liliam fechou os olhos para não ver a cena.
Na limusine olhou para James com fúria.
- Se eu não estivesse me sentindo tão mal, mataria você!
Ele se acomodou no banco ao lado dela e disse como se não tivesse ouvido:
- Precisamos esperar alguns instantes. Demetrios foi buscar suas coisas.
Liliam não se deu ao trabalho de responder. Nem de fazer perguntas.
Um minuto depois, o carro estava se afastando.
- Não me olhe desse jeito - ela protestou ao surpreender James encarando-a com satisfação.
- De que jeito?
Do mesmo jeito que um homem olhava para um carro que havia acabado de comprar após uma longa espera. Com orgulho e com posse, Liliam pensou.
- Nada mudou!
O olhar de James tornou-se, indolente e malicioso.
- Às vezes você é incrivelmente ingênua.
- Eu fui ingênua. Na ilha. Não sou mais. Se for ingenuidade que quer, tenho certeza de que não terá dificuldade em encontrar. Não com seu dinheiro.
- Onde eu poderia encontrar uma mulher com a língua como a sua?
- Em seu lugar, eu trataria de procurar outras qualidades nas pessoas - ela respondeu.
Ele sorriu.
- Você é um desafio para mim. Gosto de seu modo de ser. Você não se impressiona com o que tenho nem com o que sou. Não pode imaginar como essa qualidade é rara no mundo em que vivo.
Liliam não se deixou envolver pelo magnetismo de James.
Sabia do que ele era capaz. Em seu palacete, em meio aos familiares e conhecidos, ele conseguia estar presente e ao mesmo tempo protegido como se um escudo invisível o separasse dos outros. Ninguém, apesar das trocas de palavras e de apertos de mãos, conseguia uma aproximação mais íntima de James. Sua reserva formal os mantinha a uma distância segura.
Menos com relação a ela!
Com seu orgulho, Liliam exigira ser tratada como uma igual.
E agora teria de viver para lamentar o modo como o desafiara. Se tivesse se mantido calada, em seu devido lugar, não estaria sendo obrigada a encarar um futuro problemático.
Se estivesse grávida, como temia o que faria de sua vida?
Não tinha planos de conceber. Não teria condições de sustentar um filho. A compra da livraria significaria longas, intermináveis horas de trabalho.
- Aonde você foi? - A voz de James interrompeu os devaneios dela. - Está exausta, não?
- Devo estar grávida - Liliam disse sem pensar.
James empalideceu e ela praguejou consigo mesma por sua atitude. Não pretendia contar a ninguém sobre seu estado enquanto não tivesse certeza. Mas, não estava sendo ela mesma havia dias. Não notou nem sequer que não se encontrava onde esperava estar até que a porta do elevador fechou.
- Você disse que iria me levar para casa!
- Estava me referindo a minha casa - ele explicou.
A porta foi aberta por um mordomo grego que os acompanhou a uma sala onde não faltavam móveis finos nem quadros famosos, muito menos espaço.
- Gostaria de trocar de roupa – Liliam murmurou
James a conduziu a um quarto de hóspedes luxuosamente decorado.
Liliam se apressou a tirar o uniforme e as sapatilhas de brim. Depois lavou o rosto e as mãos e em seguida vestiu a roupa que Demetrios apanhara em seu armário: uma saia preta curta e justa, uma blusa de linha de mangas curtas e sandálias pretas.
Não guardou as peças que compunham o uniforme. Nada no mundo a faria pisar novamente no prédio da Potter Internacional.
No corredor, ela notou um retrato que não havia visto ao se dirigir à suíte de hóspedes.
Era de um grupo de três pessoas em trajes de noite. James estava com um homem alto e mais velho. O pai, certamente. A semelhança era incrível. A outra pessoa era uma mulher que Liliam reconheceu de imediato. Catherine Yourus.
Respirou fundo. Por que estava ali parada diante do retrato? De que adiantava adiar o inevitável?
Entrou na sala e não esperou que James a notasse para dizer:
- Não pretendia contar a você. Foi um gesto impensado. Ainda não fiz o teste.
- Marcou consulta com seu médico?
- Não
- Então eu a levarei a um.
- Não é necessário.
- Eu acho que é. A palavra de um médico é muito mais confiável. - Liliam cruzou os braços, mas antes que pudesse insistir, James continuou - O assunto diz respeito a mim tanto quanto a você.
Não dizia, Liliam pensou. E já podia sentir a distância entre eles. Tornara-se muito maior. Reconhecia que James estava se comportando com decência e que estava preocupado com ela.
- Está abafado aqui – ela murmurou. - Eu gostaria de ir ao terraço e respirar ar fresco.
- A noite esta fria.
- Feche as portas depois que eu sair - Liliam resmungou.
James apanhou um controle remoto. Assim que pressionou um botão, as portas de vidro deslizaram.
A vista do rio Tâmisa era magnífica.
Mas, Liliam não conseguiu apreciá-la. Tudo que conseguia ver a sua frente era o choque nos olhos de James.
Alguns instantes depois, sentiu que ele estava se aproximando.
Uma vontade louca de chorar a invadiu quando os braços dele a envolveram e a fizeram deitar a cabeça em seu peito.
- Você está gelada! - ele observou. - Vamos entrar.
- Eu quero ir para casa - Liliam disse apenas.
Amava-o demais e não estava suportando saber que seu amor não era correspondido.
- Não esta noite. Não quero que fique sozinha.
- Não seja tolo. Vivo sozinha há anos. Posso cuidar de mim mesma. Não sou como você que foge de problemas quando acredita que não está preparado para resolvê-los.
James suspirou.
- Está se referindo ao que lhe contei sobre a exigência de meu pai. Mas nosso caso é diferente. Não é como um problema que encaro esta situação – ele declarou e puxou-a para dentro. - Venha comer alguma coisa.
Liliam se soltou e afundou no sofá.
- Não estou com fome.
- O que tiver de ser, será, yineka mou - James declarou solene.
- Você não esperava enfrentar um problema como este, confesse.
- É verdade - ele admitiu. - Estou acostumado com mulheres mais experientes. Não computei o risco que corríamos.
- Por que usa o verbo sempre no plural?- Liliam indagou, mal-humorada. - Não existe nada entre nós, afinal de contas.
- Você continua zangada comigo - James estendeu as mãos e ela sentiu as lágrimas arderem em seus olhos. - Venha aqui.
- É tarde. Preciso ir embora. Ou então, preciso ir para a cama. Sozinha!
- Claro que irá sozinha - ele tentou brincar. - Eu não me atreveria a entrar em seu quarto sem uma cadeira e um chicote.
Ao fazer menção de se afastar, Liliam descobriu que estava relutante em deixar James.
- Imaginei que fosse esmurrar as paredes ao ser contrariado.
- Não pode imaginar quanto aprendemos no ramo comercial em matéria de autocontrole.
- Você não pára de falar em autocontrole! Não é capaz de sentir emoções? –ela indagou com os nervos em frangalhos
James a segurou pelo queixo e a obrigou a encará-lo.
- Está entrando em pânico, Lily. Por quê? Nós estamos juntos nisso. Não a deixarei sozinha. Confie em mim.
- Como posso confiar em um homem que me pediu para ser sua amante?
Ele não esperava por essa reação.
- O que minha proposta tem a ver com o problema?
- Tudo! Você só pensou em si mesmo. Não se preocupou comigo! Como posso confiar em você? Se o teste der positivo tenho certeza de que se oferecerá para pagar as despesas com a interrupção da gravidez. Exatamente como meu querido pai fez com minha mãe!
Um nó fechou a garganta de Liliam e ela não pôde prosseguir.
O olhar de James tomou-se fixo. Em seguida, ele fechou os olhos e abraçou-a.
Liliam lutou para se desvencilhar, mas acabou vencida. Os soluços sacudiam seu peito.
- Juro a você que não farei esse tipo de sugestão - James afirmou. - Por que demorou tanto a me contar o resto história?
- O final não foi feliz.
- Qual foi? - ele insistiu.
- Meu pai era casado com outra mulher. Minha foi sua amante por dezesseis anos.
Foi como se uma corrente elétrica passasse pelo corpo de James. Ele apertou Liliam com força de encontro ao peito e demorou um longo tempo antes de tornar a falar.
-Você esta certa. Quando eu pedi que fosse minha amante, só pensei em mim mesmo. Queria-a de volta em minha cama e nada mais me importava.
Liliam havia lutado consigo mesma durante semanas. Naquele instante, porém, seu autocontrole a abandonou.
- Não quero ser sua amante, James, mas ficarei com você esta noite.
James não conseguiu esconder sua surpresa.
- Eu não mereço você - ele declarou após alguns instantes e ergueu-a nos braços.
Liliam deixou-se embalar. Mais tarde se arrependeria do que estava fazendo, mas naquele momento, estar com o homem que amava era tudo que queria no mundo.
Ele a deitou em uma cama em outro quarto e tirou imediatamente suas sandálias. Em seguida, pôs-se a tirar as próprias roupas.
Ao vê-lo, Liliam fez menção de tirar a blusa.
James a impediu.
- Não. Eu quero fazer isso!
Liliam sentiu o boca secar ao vê-lo se deitar a seu lado, rijo de desejo.
- Eu não deveria estar tratando-a assim - ele murmurou, ao mesmo tempo em que lhe tirava o sutiã e acariciava eroticamente os seios. - Mas serei gentil. Não tenha medo.
No minuto seguinte, James a fez sentar em seu colo e a beijou com carinho e com paixão ao mesmo tempo. Depois mergulhou o rosto entre os seios e beijou-os.
- Pethi mou...
Liliam mergulhou os dedos entre os cabelos macios e o fez afastar-se de seus seios para beijá-la na boca mais uma vez.
Lentamente, ela deslizou os dedos pelo peito de James até alcançar os pelos que cobriam seu baixo ventre.
Ele parou de acariciá-la e sorriu diante da nova experiência.
Liliam corou quando seus olhos encontraram os dele, cheios de malícia.
Então, James a fez deitar sobre seu corpo e ensinou-a a acariciá-lo de outras maneiras, ainda mais ousadas.
Alguns instantes depois, afastou-a e reassumiu sua posição.
- Adoro ensiná-la - murmurou após outro beijo -, mas você aprende depressa demais.
A excitação brilhava nos olhos de Liliam. Incapaz de traduzir o que estava sentindo em palavras, ela sorriu. Nada mais importava naquele momento a não ser James e o desejo que a dominava.
- Por favor...
Ele não prolongou mais a espera. Posicionou-se e penetrou-a. Os gemidos de prazer se misturaram. E foram aumentando à medida que as investidas se tornavam mais rápidas e mais profundas.
Alucinada de paixão, Liliam abraçou-se a James com força e estremeceu à aproximação do êxtase.
Quando voltou a si, estava com os olhos cheios de lágrimas de amor e de emoção. James continuava em cima de seu corpo. Ela segurou-lhe a cabeça com intenso carinho e beijou-o muitas vezes no ombro.
- Você me faz sentir especial. - murmurou.
Era verdade. Pela primeira vez em sua vida, ela estava se sentindo especial.
O telefone tocou.
Não foi o som repentino que a assustou, mas o modo como James reagiu. Ele se levantou de um salto. A expressão estava séria ao atender. No transcorrer da conversa, em grego, tornou-se grave.
Liliam franziu o rosto. O que teria acontecido para James ficar daquele jeito?
Dois minutos depois ele desligou, virou-se para ela e avisou que precisaria tomar um banho rápido e ir para o escritório.
- Algum problema? - ela indagou, preocupada.
- Nada com que você deva se preocupar.
O modo frio com que foi tratada depois do que acabara de acontecer entre eles a deixou zangada.
- Talvez fosse melhor se eu desaparecesse no ar, não?
James passou as mãos pelos cabelos e respirou fundo em uma tentativa de controlar a irritação.
- Lily, deite-se e procure dormir.
- Eu quero ir para minha casa!
- Eu quero que fique aqui!
- Não é o que parece!
- Se eu não estivesse sendo sincero, acha que insistiria em meu pedido, yineka mou?
O tom de voz continuava irritado, mas as palavras acalmaram Liliam.
A alegria, contudo, havia desaparecido. Tanto James quanto ela estavam tensos.
Por que James não se abria com ela? Se ele lhe contasse razão de sua súbita necessidade de deixá-la, seria mais fácil. Eles se despediriam e ela ficaria esperando uma, duas, três horas, o tempo que fosse necessário, sem reclamar. Mas, ele preferia ignorar seus anseios a lhe confiar seus problemas, sua intimidade.
A insegurança tornou a invadi-la. Por que permitira que James a levasse novamente para a cama? Por que o incentivara a levá-la? Porque precisava desesperadamente se convencer de que ele a queria?
Liliam respondeu a si mesma. Porque o amava e queria estar perto dele. Porque o medo de uma gravidez a induzira a tentar fortalecer a relação.
Não podia culpar James por não querer amarras. A única culpada daquela situação era sua fraqueza.
Liliam se levantou e apanhou suas roupas. Seguiu para o quarto de hóspedes e se deitou. Se James realmente a quisesse a seu lado, iria buscá-la.
Ele não foi.
O mordomo lhe serviu o desjejum na cama. Antes que tivesse tempo para se levantar e se vestir, James telefonou dizendo que havia marcado uma consulta para ela com um ginecologista.
- Sirius Black é meu amigo. Se você prefere consultar outro médico, basta me dizer.
- Tanto faz para mim - Liliam respondeu magoada.
- Nesse caso, passarei aí daqui a pouco para buscá-la. A consulta está marcada para o meio-dia.
Durante o trajeto, Liliam não se deu ao trabalho de reconhecer o esforço de James no sentido de entabular uma conversa.
Amava-o, mas também o detestava por exercer tanto poder sobre ela.
A tensão dela era tão grande que, ao descer do carro diante do consultório, disse que gostaria de nunca ter conhecido James.
- Não acredito em você - ele respondeu. - Tenho certeza de que gostaria de ter me conhecido muito antes. Assim como eu a você.
- Como pode saber como me sinto? - ela esbravejou - E por que está me seguindo?
- Não quer que eu entre com você?
- Claro que não! Falar com um ginecologista é algo que posso fazer perfeitamente sozinha!
Vinte minutos depois, a suspeita foi confirmada.
- Você está grávida.
- Não existe nenhuma possibilidade de dúvida? - Liliam indagou, angustiada. Ao contrário do que pensava, ela não estava preparada para receber aquela notícia. O medo do futuro manifestou-se em forma de suor frio.
-No início, as náuseas costumam ser freqüentes - continuou o médico - mas não estou gostando de seu peso.
- Eu não tenho me alimentado bem - ela confessou.
- A perda do apetite é normal com os enjôos. Procure comer pouca quantidade em intervalos menores. Isso geralmente funciona. - O médico encarou-a. - Pretende ter o bebê?
Liliam baixou os olhos, mas se apressou a concordar com um gesto de cabeça.
- Ótimo – Sirius Black murmurou.
Dez minutos depois, Liliam estava na sala de espera, respirando fundo para tentar se preparar para o confronto com James.
Assim que a viu, ele desceu da Ferrari. Havia um sorriso em seus lábios.
A verdade deveria estar escrita em seu rosto, Liliam pensou.
- Vamos comemorar então?
Liliam entrou no carro e olhou para James com o cenho franzido.
- Por que não é sincero ao menos uma vez?
- Eu estou sendo sincero. Não acha que tenho motivos para querer uma comemoração? Acabo de saber que serei pai pela primeira vez! Se você não acha que isso é motivo de alegria, não diga nada.
Liliam mordeu o lábio enquanto ele dava a volta e se colocava atrás do volante.
- Como está realmente se sentindo? - ela quis saber
- Emocionado - James confessou.
- Eu estou chocada - Liliam disse à beira das lágrimas
- Você está cansada. Vou levá-la de volta para o apartamento para que possa dormir.
- Não, por favor. Eu prometi ao Sr. Dumbledore que estaria na loja o mais depressa que pudesse.
- Eu gostaria que você aceitasse meu convite e ficasse no apartamento. Depois que sair do trabalho, é claro - ele explicou. .- Preciso viajar para Paris esta tarde e dificilmente conseguirei retornar antes de amanhã à noite.
O comunicado não poderia ter sido feito em pior hora. Ela havia acabado de ter seu pior receio confirmado e James não poderia ficar a seu lado
- Sinto-me mais à vontade em minha própria casa - Liliam respondeu.
- Você nunca aceita minhas sugestões. Quando for minha esposa, isso irá mudar.
Um longo silêncio caiu sobre eles.
Liliam não podia acreditar em seus ouvidos.
- Você está me pedindo em casamento?
- Estou.
- Mas nós mal nos conhecemos...
- Nós nos conhecemos o suficiente. Sinto afeição por você e a respeito. Desejo-a cada dia mais. Não é o bastante?
- E quanto ao amor? - Liliam murmurou.
- E quanto a nosso filho?
Ela perdeu a cor.
- Quero me casar com você - James tornou a dizer.
- Você não quer isso realmente - Liliam protestou. - ninguém mais casa, hoje em dia, por causa de uma gravidez indesejada.
- As pessoas decentes, como eu, casam.
- Sim, mas...
- Eu costumo usar o bom senso.
- Sim, mas...
- Marcaremos o casamento o quanto antes.
Liliam hesitou.
- Pensarei a respeito.
James parou o carro diante da livraria e se inclinou para ajudá-la a tirar o cinto.
- Como pode dizer isso? Esqueceu-se de ontem à noite?
Um intenso rubor cobriu o rosto de Liliam.
E, talvez, por esse motivo, James resolveu deixar a seriedade de lado e brincar:
- Das duas, uma. Ou você me usou escandalosamente para o sexo, ou é uma mulher decente, mas incapaz de resistir a mim.
Liliam baixou os olhos e sorriu consigo mesma. Quando encontrou coragem tornou a fitá-lo.
- É verdade. Não consigo resistir a você. Algo que já é de seu conhecimento...
Estavam muito próximos. Mas, no instante que ela pensou que James iria beijá-la, ele se afastou.
- Ligarei amanhã.
Ela estava se preparando para descer quando repentinamente se virou e encarou-o.
- Não posso aceitar seu pedido.
- Daria certo, Lily - ele murmurou.
- Talvez, mas você seria feliz?
- Não foi o pedido que você esperava, por certo. Eu deveria ter sido mais romântico. Em vez de lhe falar diante do consultório, deveria tê-la levado para jantar, oferecido flores e um anel.
- Isso não é importante - Liliam o interrompeu.
- Então, não fui firme o suficiente. - Foi a vez de James interrompê-la - Eu quero casar com você. A única palavra que necessito ouvir é sim.
- Sim - ela concordou antes que a razão tentasse impedi-la.
O sorriso de James a levou às alturas.
A queda, portanto, tornou a machucá-la.
- Agora tenho de ir ou perderei o vôo - ele se despediu. - Ligarei amanhã à noite.
- Por que não esta noite?
- Porque estarei muito ocupado.
Liliam fez um movimento afirmativo com a cabeça embora não conseguisse entender o motivo da demora. Da mesma forma, não conseguia entender que tivesse acabado de ser pedida em casamento e aceitado.
No espaço de uma hora, ela havia descoberto que teria um bebê e um marido. Era demais para sua cabeça!
Contos de fada existiam? Então os homens não eram todos iguais a seu pai? Ainda havia decência no mundo?
James não a amava. Mas o amor poderia nascer em seu coração com o tempo, não podia? Felicidade era uma emoção inédita em sua vida. Não queria renunciar a essa chance. Não exigiria nada que James não pudesse lhe dar. Ele gostava dela, a respeitava e desejava E eles teriam um filho juntos.
Com sua felicidade, ela o faria feliz também. Seria a melhor esposa que ele poderia querer.
A uma hora da tarde seguinte uma limusine parou diante da livraria.
Liliam ficou radiante.
James havia conseguido voltar de Paris antes do que esperava.
Sem pensar duas vezes dirigiu e ao patrão e pediu para sair por alguns minutos.
Mal havia acabado de lhe falar, Liliam sentiu um aperto no peito. Não era James quem estava descendo da limusine, mas Catherine Yourus.
- Podemos falar em particular? - a morena indagou sem preâmbulos.
- Desculpe, mas...
- Eu a aguardo em meu carro
A mulher saiu da livraria, obviamente esperando ser seguida.
Liliam hesitou. Não era escrava de ninguém.
Por outro lado, sabia que Catherine era parente de James e que havia uma foto dela no apartamento. Além disso, para que a outra se desse ao trabalho de procurá-la, James já deveria ter dado a noticia sobre o casamento.
Liliam vestiu seu casaco e se dirigiu ao veiculo.
O motorista lhe abriu a porta.
Catherine Yourus examinou-a da cabeça aos pés e suspirou:
- Faxineira e balconista! James deveria estar realmente mal àquela noite em Chindos! O fato de ele tê-la levado ao enterro do pai me chocou, é claro, mas eu relevei a pequena indiscrição social nas circunstancias...
- Indiscrição social? Seu choque? De que falando? - Liliam perguntou tensa
- De que não sou uma mulher ciumenta nem, possessiva. De que sempre estive preparada para a noticia de que James arrumaria uma amante após nosso casamento.
O espanto de Liliam foi tão grande que a outra se pôs a rir
- Você não sabia, não é? James e eu estamos comprometidos desde que nascemos Sempre soubemos que um dia nos casaríamos...
- Não acredito em você! James teria me contado - Liliam a interrompeu.
- Por que ele contaria a você? Nunca se importou em contar às outras. As aventuras de James não duram. Por que com você seria diferente?
Uma palidez mortal cobriu o rosto de Liliam.
Catherine Yourus não teve piedade.
- Se você pertencesse a nosso círculo social estaria ciente de que nosso noivado será formalizado a qualquer momento.
Liliam sentiu uma onda de náusea ao descobrir da pior maneira possível que Catherine Yourus não era uma simples parente, mas a noiva de James.
Agora entendia porque Gregório Potter pressionara o filho a marcar o casamento. A noiva já estava escolhida. Entendia também porque James continuava solteiro aos vinte e nove anos de idade. Ele estava ocupado demais se divertindo com as mulheres que estavam sempre prontas para irem para sua cama.
- Como pode aceitar que James tenha outras mulheres? - Foi a única coisa que Liliam conseguiu dizer.
- Você jamais conseguiria entender os laços que nos unem: classe social, origens, expectativas. Fazemos um par perfeito - Catherine afirmou com ar de superioridade. - Infelizmente, James acha que tem o dever de casar com você por causa da criança.
Apesar da vergonha, Liliam não conseguiu se calar.
- James lhe contou?
- Sim. Ele foi me ver ontem em Paris e passamos a noite juntos. Você também não sabia disso, não é? – Catherine caçoou. - Ele estava arrasado, acredite. Sua consciência não lhe dá trégua. Eu, contudo, sou uma mulher prática e acho que uma interrupção de gravidez nessas condições seria a melhor solução Estou preparada para ajudá-la. Colocaria quinhentas mil libras imediatamente em sua conta.
Liliam olhou para a outra com total incredulidade.
- Um milhão - Catherine declarou. - Sou rica e posso ser generosa também. E James não precisaria saber. Você lhe diria que foi um aborto espontâneo. E eu não me importaria que vocês continuassem juntos como amantes.
- Eu não quero seu dinheiro - Liliam respondeu com um fio de voz. — E não tirarei meu bebê.
- Mas você não pode casar com James! - a outra exclamou. - Já imaginou como serão as manchetes? James Potter casa com uma faxineira! Acredite em mim. James é um homem orgulhoso. Você o envergonhará perante a família, os amigos e o mundo. E quando a imprensa descobrir sobre sua origem sórdida e divulgar a noticia, ele passará a detestá-la.
- O que você sabe sobre as circunstâncias de meu nascimento? - Liliam perguntou surpresa.
- Sei tudo sobre você. O dinheiro compra informações. Para seu azar, apaixonou-se pelo homem prometido a mim. Agora será mais difícil fazer sua escolha. Mas lembre-se que seu casamento terminará em divórcio, caso decida não me ouvir.
- Não me casarei com James - Liliam decidiu.
- Porque é uma mulher sensata - aprovou Catherine Yourus - Casamentos realizados por dever não acabam bem. Quanto ao bebê, você deveria ter aprendido a lição com a tola de sua mãe. De que adiantou ela trazer você ao mundo? De que adiantou sua lealdade? No minuto que se livrou da esposa, seu pai casou com uma secretária que tinha idade para ser sua filha!
Atordoada como ataque brutal, Liliam tentou sair do carro.
- A porta está travada. Eu ainda não terminei - declarou Catherine. - Eu não quero que você tenha esse filho...
- Meu filho é assunto meu! - Liliam esbravejou. - Abra esta porta e pare de me ameaçar!
Catherine fez um sinal para que o motorista destravasse porta.
- Pense no que eu disse. Posso ser uma inimiga feroz se me derem motivos.
Liliam quase caiu na calçada em sua pressa de descer da limusine. Depois correu a entrar na livraria e subir para seu quarto.
Queria chorar para desabafar. Seu peito doía.
Não se sentia assim desde a morte de sua mãe.
James não fora honesto com ela.
Admitia que era a maior culpada pela situação em que se encontrava. Admitia seu erro e sua ignorância. Agora estava grávida de um homem que estava comprometido com outra mulher. Ou melhor, com uma megera. Mas eles se mereciam! Assim que tornasse a encontrá-lo e lhe diria que não precisava de seu senso de honra!
N/A: Mais um cáp que chega ao fim.
Sinceramente, quem deseja matar Catherine?Ou mandá-la para um hospicio? Só uma louca para fazer tal oferta.
Esse é um presente para as minhas leitoras fieis. Mas, como pagamento eu quero reviews.
