Quinn já havia terminado de organizar sua sala e estava muito cansada. Seu pai havia lhe dado muito trabalho, e Lucy passou a tarde inteira ligando para clientes, marcando reuniões e ainda mostrou como ela deveria organizar seus papéis. Elas foram almoçar juntas e passaram um bom tempo conversando. Quinn estava feliz por finalmente conversar com alguém, se distrair.

– Quinn, mas eu não entendo! Você sempre me pareceu muito de acordo com seu pai. Quando chegava à empresa estava sempre emburrada e nunca nem olhou na minha cara. Desculpe falar assim, mas eu achei que você fosse igual a ele – Lucy falava, se arrependendo logo depois e ruborizando.

– Talvez a um tempo atrás eu estivesse me tornando exatamente ele. Toda a "educação" que ele me deu foi errada. Eu não sou mais a Quinn antiga. Eu mudei e desculpa por nunca ter falado com você antes...

Ela sorriu

– Sem problemas Quinn. Depois de tudo que você me contou até posso te entender... Mas ainda não consigo acreditar que está tão sozinha! Você é linda, inteligente e tem uma personalidade tão diferente... Nunca pensou em esquecer seu pai e seguir seus sonhos? Ir atrás das pessoas que você tanto gostava mas nunca demonstrou no seu passado?

Quinn ficou extremamente envergonhada com os elogios e disse:

– Obrigada Lucy. Mas você não pode falar nada – soltou, falsamente incrédula – Porque uma garota como você perde seu tempo trabalhando com meu pai?

– Você não respondeu MINHA pergunta, mas... Eu tenho motivos. Seu pai paga muito bem, eu faço faculdade de gastronomia e preciso de dinheiro para um dia abrir meu próprio restaurante. É por isso que eu aguento tudo de boca fechada, tentando sempre ser a melhor, quanto mais eu me mostrar prestativa a ele, mais eu ganho, então... - ela deu de ombros e eu sorri.

– Uau! Eu esperava alguma resposta tipo: "sou gostosa e durmo com o patrão para ele pagar tudo que eu quero". Acho que te subestimei um pouquinho.
Ela fingiu ficar brava e me deu um tapa no braço, depois nós duas rimos.

A conversa seguiu assim, tranquila, até a volta ao escritório aonde elas continuaram o trabalho. Já estava escurecendo quando as duas resolveram ir embora, Quinn sabia que Rachel odiava atrasos, não queria se atrasar nem um minuto, e ainda queria trocar de roupa, por algo mais confortável. Lucy não tinha um carro e por isso entrou no acento de carona. Ao chegar ao prédio cumprimentou o segurança com um rápido aceno de cabeça, com medo de perder o horário.

– calma Quinn, o mundo não vai acabar!

Elas já estavam no elevador e acho que o nervosismo já estava aparecendo.
- Rach não gosta de atrasos.

– rach?... Uhn... Meu deus, por um momento eu esqueci que estou prestes a conhecer RACHEL BERRY!- Sim, ela gritou de novo - Será que eu posso pedir um autógrafo? Ou ela vai se irritar? E se ela não quiser que uma estranha participe do jantar? - Lucy roia as unhas enquanto Quinn ria do desespero da garota.

– Você esta soando como Rachel BERRY! HAHAHA... Deixa que eu peço um autógrafo, e ela não morde, é bem legal e não para de falar, acho que vocês vão se dar bem.

Fui em direção a porta do meu apartamento e coloquei a chave, Lucy me olhou indignada e parei o que estava fazendo:

– Que foi?

– Vo... Voc..Você tem a chave do apartamento dela?

Soltei novamente uma risada

– Lucy, eu gosto de você sabia? Claro que não, esse é meu apartamento... Vamos trocar de roupa rapidinho, eu te empresto uma.

– Ah... – ela sorriu bobamente e entrou.

–-x-

DING DONG

Rachel POV'S

Tenho certeza que estou agindo que nem idiota pra variar. É tudo que eu faço desde que Quinn chegou. Eu fui abrir a porta inocentemente e praticamente desmaiei com tanta beleza. Ok, estou sendo dramática, mas eu tenho razão! Ela estava com um shorts jeans curtíssimo e uma camiseta azul marinha de mangas compridas, tão simples, mas tão linda... Seus cabelos bagunçados e aquele sorriso lindo no rosto. Está cada vez mais difícil fingir que não sinto atração por mulheres com ela tão próxima. O que estou falando? Não sinto atração por mulheres. Não sinto nada, só admiro a beleza delas.

Mas alguma coisa sempre tem que estragar, e quando finalmente consegui tirar meus olhos das pernas dela, avistei uma garota morena, de olhos verdes e bem bonita ao lado dela. Sorri falsamente e minhas mãos apertaram mais ainda a maçaneta da porta:

– Oi Quinn... Oi, você... – escancarei a porta fazendo bico e abrindo espaço

– Calma Rach, você não quer nem saber o nome dela?

NÃO.

– Desculpe Quinn, eu acho que fui pega de surpresa!

Essa garota tinha o perfume de Quinn? Ok, isso era estranho demais. Quem é ela? QUEM É ELA QUINN?

Estendi a mão e falei:

– Prazer, meu nome é Rachel Berry, e o seu é...?

– LUCY! LUCY HAYMODS!

Eu olhei para Quinn com medo e ela estava segurando uma risada e batendo as mãos na testa.

– Lucy é uma grande fã sua Berry, já viu todas as suas apresentações na Broadway e tem pôsteres seus espalhados pelo quarto, igual a uma adolescente.

Levantei as sobrancelhas, agora eu estava mais interessada na garota. Se ela era minha fã, podia ser até que nos déssemos bem.

– Mentira! – a garota beliscou Quinn e olhou em minha direção – Eu já assisti todas suas apresentações sim, mas não tenho pôsteres!

Já estávamos todos sentados na sala, Jesse estava pedindo pizzas, com bacon para a Quinn carnívora, e vegetariana para mim.

– Mesmo? E qual foi a sua preferida? – Ok. Eu estava testando ela.

– Wicked! Definitivamente! Sua atuação foi impecável. Eu acho que fui assistir mais de três vezes quando saiu em cartaz.

Ok. Ela passou no teste.

Sorri de orelha a orelha para ela e depois para Quinn que me observava. Ai meu deus, porque ela me olha desse jeito?

Jesse se juntou a nós e como sempre foi bem inconveniente, sentando no meio entre eu e Lucy.

– Então Fabray, quem é seu novo brinquedinho? – Olhou para Lucy.

– Cala a boca Jesse – Eu disse, irritada

– Deixa Rachel – ela sorriu para mim, e ai meu deus, sua mão tocou a minha. – Eu não tenho brinquedinhos Jesse. Essa é minha amiga Lucy, secretária do meu pai.

Interrompi os dois:

– Então você trabalha com seu pai?

– Você não contou para ela Quinn? – Lucy parecia indignada

– Não...

– Não. Ela está me escondendo tudo – eu cutuquei Quinn – Me fala Lucy, o porquê disso?

Lucy tomou fôlego para falar mas Quinn a interrompeu:

– Eu só não queria falar porque eu sinto vergonha disso. Você realizou seus sonhos rach. Eu só segui aquilo que meu pai foi falando. E eu me sinto muito mal por isso.

Own, como assim?

– QUINN! Para com isso. Eu jamais julgaria você por isso. Eu me lembro muito bem que seu pai era muito assustador...

– Verdade. Eu tenho anos de experiência, definitivamente ele me assusta. – Lucy afirmava freneticamente com a cabeça – Mas então, eu estava conversando com a Quinn sobre isso hoje no almoço, e eu realmente acho que ela deveria abandonar o pai dela e seguir seus sonhos.

Quinn estava almoçando com ela? E contando sobre sua vida? Ela não quis me contar nada. Hunf.

– Quais são seus sonhos fabray? – Jesse interrompeu antes que eu fizesse a mesma pergunta, olhei para Quinn atônita.

– Acho que não te interessa Jesse – Quinn ergueu a sobrancelha, ameaçadoramente

– Por que você não conta?

– Porque não Lucy! Eu tenho vergonha... Acho que eu sonho muito alto. Eu nem contei tudo, só uma parte.

Ok, porque Lucy sabe e eu não? Eu quero saber, me conte Quinn!

Eu tive que protestar:

– Eu quero saber Q! Eu te contei tantas coisas já. Olha como eu sonhava alto na escola, eu sonhei em entrar na Broadway,e olha onde estou agora. – fiz bico.

– Verdade, mas você tem talento! E quando estava bêbada então, contou tudo!

Revirei os olhos:

– Não exagera, eu nem estava tão bêbada assim. Eu me lembro de tudo que você perguntou.

– Lembra mesmo? Até daquela parte?

– Que parte? – Será que soltei alguma coisa que não devia?

– AQUELA! Uhhh, acho que você não lembra Berry – Quinn estava brincando comigo, percebi isso quando ela revirou os olhos e riu, quando eu ia protestar a campainha tocou. Eram as pizzas.

Comemos todos conversando sobre assuntos aleatórios. Fiquei com um certo ciúmes quando Quinn chegou com essa garota, mas afinal, Quinn era hétero certo? Eu estava com ciúmes das amigas dela? Qual é o meu problema? Quando terminamos eu e Lucy havíamos começado um diálogo sobre a Broadway, sobre os musicais, ela me perguntava qual eu tinha gostado mais, qual eu ainda queria fazer parte e eu respondia tudo muito empolgada. Reparei que Quinn parecia alegre conversando com Jesse no outro canto da sala, então resolvi deixá-los se entenderem.

Depois de um tempo reparei que Quinn bebia sem parar, como se não tivesse nada melhor para fazer, ela percebeu meu olhar, se levantou e veio em minha direção, me agarrou pelo braço e nem tive chance de protestar.

Ela me arrastava para o quarto mesmo eu afirmando que ela podia conversar comigo na sala mesmo. Ela resmungava algo inteligível e fazia una cara fofinha unindo as sobrancelhas.

Ela trancou a porta do meu quarto e afinal como ela sabia que era meu quarto? Eu e ela estávamos um pouco bêbadas, nada exagerado, só um pouco alegrinhas. Acho que ela forte para bebida, pois eu havia bebido tão pouco, e já estava tontinha, ela parecia bem...

- Sua amiga é muito legal Quinn! Confesso que quando você chegou com ela fiquei um pouco irritada... – Falei, tentando quebrar aquele silêncio - Ela me olhava com cara de louca mas depois ela começou a listar todos meus musicais aos quais ela já havia assistido, e como ela admirava minha voz... A conversa com ela estava muito interessante!

– Estava Rachel? - Quinn me olhava de um jeito indecifrável, com os braços cruzados- esta se divertindo com a Lucy?
- hun... Você não esta?

- a claro, ficar sentada ouvindo sobre Jesse e seu ego gigantesco é muito divertido!

– Por que você está brava? Eu achei que você quisesse que fosse legal com ela...

– Sim, mas não precisa ser TÃO legal assim. Você mal falou comigo depois do jantar – Quinn estava batendo o pé que nem criança. FOFO.

– Quinn, Por que você trouxe ela? – Eu queria saber o verdadeiro motivo.

Ela suspirou:

– .

– O que?

– Eu queria que o Jesse gostasse dela e te deixasse em paz e ai nós duas poderíamos ficar conversando enquanto eles se entendiam. Você não queria saber mais sobre mim? Então, eu estava disposta a te responder o que quisesse. – ela passou a mão no cabelo – Mas ai eu descobri depois de convidá-la que ela era tipo a sua "fã número 1" e que ela já assistiu cada pedacinho de suas apresentações, e eu sou uma péssima pessoa que esperou todo esse tempo para criar coragem de falar com você, e eu só fiz isso porque trombei com você no corredor – ela disse num fôlego só.

Ergui as duas sobrancelhas:

– Calma Quinn. Não fala assim! E por que você tinha que criar coragem? – Eu falei, me aproximando sem motivo.

– Porque eu já te fiz muitas coisas ruins... – ela desviou o olhar.

– Não me parece um bom motivo para esperar tanto tempo... Qual o verdadeiro motivo? – Eu precisava saber o por que daquilo tudo. Porque ela queria se aproximar de mim, e descobrir se lá no fundo ela sentia o mesmo que eu agora. Eu não tinha certeza do que era, mas desde que Quinn voltou, tudo pareceu fazer sentido. Isso é tão clichê, eu não sei, simplesmente não entendo o que está acontecendo.

Quinn se aproximou de mim, eu podia sentir sua respiração batendo no meu rosto e minhas pernas tremeram. O que eu estava fazendo? Eu sei que Quinn é maravilhosa, e que corpo... Mas eu jurei que nunca mais beijaria uma garota, eu não posso!

Mas ela tem um cheiro tão bom...

Mas é Quinn Fabray! Ela supostamente me odeia! Ou não... Ela já disse que não, e que quer se redimir...

Mas se redimir não significa ir pra cama comigo!

Sai de meus pensamentos quando ela começou a enrolar uma mecha do meu cabelo no seu dedo, nossas testas estavam muito próximas e eu nem havia percebido. O silêncio era tão confortável, eu queria beijá – la agora, eu preciso... Mas nunca que vou tomar a iniciativa. Não queria ser rejeitada por ela.

Quinn ainda brincava com meu cabelo e foi quando Jesse berrou:

– Ei Rach, meu amor, vamos assistir a um filme?

Nenhuma de nós se mexeu, Quinn agarrou minha cintura possessivamente e disse num sussurro:

– Manda eles irem embora Rach, por favor.

Mordi meu lábio enquanto todas as partes do meu corpo derretiam. Seu hálito tão próximo estava me matando, e todo meu corpo se arrepiou.

– Não posso fazer isso! É falta de educação, e eles não entenderiam nada!

Ela bufou, me largando:

– Então eu vou.

Em um segundo estávamos quase nos beijando e agora ela procurava a porta do quarto, que estava todo escuro.

Fiquei parada.

Não deixa ela ir.

Sinto falta de seus braços na minha cintura. Eu preciso sentir ela, agora.

Balancei a cabeça e vi que Quinn havia achado a porta e a estava destrancando.

Corri até ela e segurei sua mão em cima da maçaneta, batendo – a com força, um pouco desesperada.

– Não! Você não pode ir!

– Por que não? – Ela estava me desafiando, eu conhecia bem esse olhar.

– Porque eu preciso fazer isso.

E então eu a beijei.

FIM RACHEL POV'S

QUINN POV'S

Eu não sei quanto tempo passou desde que começamos a nos beijar. Ela me agarrou! E era tudo que eu mais queria. Eu não estava aguentando mais ficar tão próxima dela sem tocar naqueles lábios, seu perfume era delicioso e eu quase perdi os sentidos. Mas ela me beijou, então acho que nós duas queríamos isso.

Agora eu estou na cama dela, minha camiseta foi arremessada em algum lugar do quarto, e seu vestido está subindo cada vez mais. Depois de ela me beijar eu não tive mais controle sobre mim. Sem aviso nenhum coloquei minha língua na sua boca e quando elas se tocaram senti uma eletricidade diferente de qualquer coisa, percebi que ela tremeu e suas pernas fraquejaram, eu a puxei pela cintura e a joguei contra a porta, me concentrando em seu pescoço. Fui descendo minhas mãos até chegarem a sua coxa. Deixei-as ali apertando de leve e ela enlaçou suas pernas na minha cintura soltando um gemido. Não pude deixar de apreciar tudo aquilo, Rachel em meus braços. Depois de tanto tempo! Subi meu olhar em busca de seus olhos tão profundos, mas eles estavam fechados, ela mordia o lábio e aquela era a visão do paraíso para mim. Quando ela percebeu que eu estava olhando abriu os olhos e começou a rir.

– Que foi anãzinha?- eu ria junto.

– Nada, volte a fazer o que você estava fazendo fabray! – E ai ela me jogou na cama, subindo em cima de mim, colocou uma perna de cada lado da minha cintura e começou a beijar meu pescoço e foi subindo até o lóbulo da minha orelha. Suas mãos viajavam pela minha barriga, arranhando de leve. Aquilo era tão bom...

Eu sei que talvez nós estejamos indo rápido demais. Estamos na cama dela a quase meia hora e tenho certeza que Jesse e Lucy devem estar achando estranho... Eu nem sei como estou me controlando tanto a ponto de não arrancar sua roupa agora mesmo. Ai meu deus! Esqueci deles! Separei-me relutante e acho que Rachel não gostou, porque ficou puxando minha cabeça para baixo enquanto se agarrava mais a mim.

– Que fooooi Quinn?

– Uhhn... Jesse... – selinho – Lucy, ér – Voltei a beija - la e quando me separei, novamente ela protestou, parando de acariciar meu rosto e ficando sentada em cima de mim – Acho que eles vão notar que alguma coisa estranha aconteceu.

– Eu não ligo, eles que se virem – Não fala isso Rachel, eu vou te trancar nesse quarto para sempre – Eu não quero sair daqui nunca mais.

– Nem eu – sorri, verdadeiramente – Eu esperei tanto por isso.

– Sério? – ela passava os dedos no meu rosto e eu estava sentindo meu corpo queimar. Acho que nem preciso falar que seu centro pressionado contra o meu, mesmo nós duas ainda vestidas, me deixava muito excitada e molhada. – Quanto tempo?

– MUUUUITO – joguei meu peso pro lado fazendo-a cair e ficando por cima, dei mais um selinho nela e levantei – Muito mesmo.

Ela bateu as mãos na cama, brava por eu ter levantado. Sorri, ela era tão fofa assim. Coloquei minha camiseta e sai com ela logo atrás de mim, depois de ter arrumado seu vestido.

Quando saímos Jesse e Lucy estavam muito entretidos conversando e eu parei no corredor. Rachel veio logo atrás de mim, passando suas mãos na minha cintura e beijando meu pescoço de leve:

– Acho que seu plano deu certo. Distraiu o Jesse para poder ficar comigo.

– É, parece que sim – Sorri – Ainda bem que ele ficou longe de você, ele e ELA também!

– Está com ciúmes Quinn?

– Claro que não – eu cruzei os braços, claro que eu estava.

Lucy pareceu notar nossa presença e acabou chamando a atenção de Jesse também, os dois olharam e Rachel que antes estava com os braços em volta da minha cintura praticamente se jogou pra longe de mim.

Fiquei meio chateada com a sua reação. Qual era o problema? Mesmo que ela não quisesse que eles soubessem, nós só estávamos abraçadas, e somos amigas, então...

– Ei, você duas, o que vocês estavam fazendo? – Jesse, sempre se intrometendo.

Olhei para Rachel esperando ela responder e ela me lançou um olhar de volta. Dei de ombros, ela que era a atriz por aqui.

– Quinn bebeu um pouco demais. E acho que comeu um bacon estragado também...

Claro que ela tinha que envolver meu bacon.

– É, acho que foi isso – passei a mão na barriga fazendo uma cara falsa de dor – Preciso descansar, hoje foi um dia cansativo. Acho que vou para casa gente.

Rachel me lançou mais um olhar mortal.

– Ou talvez eu não esteja indo embora? – Ficamos trocando olhares por um tempo, os outros na sala nos olhavam, estranhando tudo aquilo.

– Eu acho que você pode dormir aqui Quinn! – Rachel estava fazendo uma voz forte. Ok, ela estava praticamente ordenando. – Sabe, vai que você não se sente bem durante a noite. Eu não quero que nada de mal aconteça com você.

– Own, que fofa você Berry, se preocupando comigo. - Eu disse, ironicamente. Jesse ergueu a sobrancelha mas resolveu ficar quieto e eu continuei – Mas acho que eu deveria levar Lucy para casa... Eu trouxe ela aqui não posso deixá-la ir embora sozinha.

– Não se preocupe com isso fabray, eu levo ela. Certo Lucy?

– Claro Jesse, sem problemas. – Lucy levantou da cadeira e pegou suas coisas, deu um beijo na bochecha da Rachel e disse um "obrigada, a gente se fala" e depois virou para mim e ficou olhando minha camiseta. O que foi? - Quinn, depois te devolvo sua roupa ok? Obrigada pela noite, eu me diverti muito com todos vocês.

Jesse ainda passou um tempo se despedindo de Rachel. Urgh. Por que esses dois tinham que ser tão iguais? Dramáticos e talentosos. E piscou para mim, saindo e fechando a porta rapidamente.

Rachel olhava para mim com a mão na frente da boca, segurando a risada.

– O que?

– Sua camiseta! Está do lado ao contrário! – Ela agora gargalhava – E seu cabelo, todo bagunçado.

– Já se olhou no espelho Berry? Você não está lá essas coisas também.

– Oh. Pelo menos eu sei me vestir – Ela mostrou a língua e saiu correndo.

Fui atrás dela e a prendi na parede.

– Pra que roupas se eu simplesmente posso me livrar delas? – Dei um sorriso torto e tirei minha camiseta. – A prensei sobre a parede e senti seu corpo macio contra meus seios. Fomos nos beijando até seu quarto e ficamos assim durante um bom tempo, nos acariciando e nos beijando. Nós estávamos nos conhecendo, nos provando. E era tão bom. Era tudo tão novo, todas essas sensações que eu estava tendo, nunca tinha acontecido antes.

Quando já estava muito tarde Rachel me obrigou a parar de beijá-la, como sempre mandando, e falou que deveríamos dormir. Ela nos cobriu e eu joguei meu braço em volta da sua cintura e a trouxe para bem perto, querendo quebrar qualquer espaço que tivesse entre nossos corpos. Depositei um último beijo na sua bochecha e vi seu sorriso. Depois de algum tempo, senti sua respiração ficando mais tranquila e eu sabia que ela tinha adormecido. Perdi mais algum tempo a observando e dormi do melhor jeito possível. Com Rachel em meus braços.

Acordei tateando a cama em busca daquela baixinha mais perfeita do mundo mas só encontrei uma bagunça de lençóis. Abri os olhos depois de um tempo, esperando encontrar ela por ali e a vi sentada na outra beirada da cama, me observando e mordendo o lábio.

– Essa é a visão do paraíso sabia? Só faltava meu café da manhã na cama, ai sim tudo estaria perfeito. Que péssima anfitriã você! – Sorri de lado, esfregando os olhos e me espreguiçando.

Ela permaneceu quieta, sem esboçar nenhum tipo de reação. Agora ela brincava com os dedos.

Eu me senti ameaçada e sentei de frente para ela, brincando com seus pés.

– Nós precisamos conversar.

Eu não sei o que era pior. O silêncio, ou isso. A voz dela estava séria e eu já temia o que ela ia dizer.

– O que... O que foi rach? – passei meus dedos no seu rosto, tentando dar um sorriso.

Ela pareceu desconfortável, colocou sua mão sobre a minha e por um segundo achei que ela fosse me afastar, mas deixou ela ali repousando e fazendo carinho na minha.

– O que aconteceu ontem... Foi um impulso certo?

Como assim, o que ela estava falando?

Ela percebeu meu rosto confuso e continuou:

– Quer dizer, nós estávamos bêbadas e você estava tão próxima... E você é muito linda Quinn, foi coisa do momento. E eu sou hétero, você também, certo?

Eu queria chorar, isso não podia estar acontecendo. Ontem tudo parecia tão bom e agora ela estava me afastando desse jeito?

Eu não consegui responder, só fiquei a observando, cada detalhe do seu rosto tão expressivo. Ela ainda aguardava uma resposta mas eu não podia dizer nada, minha garganta estava presa.

– Você está me assustando, fala alguma coisa.

– Na verdade... – Eu ia contar tudo para ela, eu não sou hétero, nem um pouco hétero!

– Não precisa falar nada, desculpa por ontem. Mas não vai acontecer de novo!

Ela não deixou nem eu terminar a frase! Fiquei tão irritada que dei um pulo da cama e coloquei minha camiseta.

– É Rachel, não vai acontecer de novo.

Sai sem olha para trás e bati com força a porta de seu apartamento. Eu não acredito que ela tinha tanto medo de aceitar o que aconteceu. Qual é o problema dela?

FIM QUINN POV'S