CAPÍTULO 7 - O DIA DE SORTE DE NICK
Quando Hermione entrou na enfermaria, Ginny estava se vestindo, cantarolando uma melodia. Parecia bem feliz.
Esse não era o tipo de comportamento que Hermione esperava da amiga. Ela esperava vê-la deprimida, envergonhada, patética. Ela encontrou a bem o oposto.
- Oi, Ginny. - ela a cumprimentou.
- Oi, Hermione. Como você está?
- Não muito bem... desde que li o jornal de hoje?
Os olhos de Ginny se arregalaram.
- Por quê? O que tinha lá?
- Você. - Hermione devolveu. - E sua gravidez. Mas... você não era a 'sensação' do artigo. Era Harry, claro... vai haver um terrível escândalo... bem, já houve...
Ginny se deixou cair na cama.
- Ah, não. Pobrezinho. - ela disse. - Ele sofreu tanto. Você não acha que desta vez esses tormentos não deveriam chegar ao fim?
- Como... como você pode falar assim dele... depois do que ele fez com você? - Hermione disse.
- Como? - Ginny sorriu. - Eu o amo, é por isso.
- E você não se importa o que as pessoas vão pensar sobre esse relacionamento... seu filho ilegítimo, e tudo?
- Nosso filho não vai ser ilegítimo. - a garota ruiva levantou com um sorriso bravo no seu rosto delicado. - Harry me propôs casamento noite passada e eu aceitei. E você pode ser minha dama-de-honra... e mais tarde talvez...
- E? - Hermione levantou as sobrancelhas. - O que mais tarde?
- Você pode ser minha cunhada, o que faz cunhada do Harry também. - Ginny devolveu com uma risada.
Hermione corou.
- Por que você está dizendo uma coisa impossível dessas, huh?
Ginny gargalhou.
- Porque Ron te ama, não ama? E você ama ele, certo?
- Oh, bem... talvez.
- Mione, Mione, não se faça de garota modesta! Vocês dois foram feitos um para o outro, e ficarei feliz de ter você como minha cunhada!
- Obrigada. - a outra garota deu a ela um sorriso triste. - Mas seu irmão não quer Harry como cunhado.
Ginny levantou as sobrancelhas.
- Por que?
- Porque... porque... ele... ele engravidou você... sem o... um, consentimento dele.
- Você pode me imaginar pedindo o consentimento dele? - Ginny riu. - Imagine: oi, Ron, eu decidi dormir com Harry, mas nós vamos esquecer sobre preucações. Bem, você gostaria ter um sobrinho ou uma sobrinha? - e então ele diz: se realmente for Harry, você tem minhas benção... não é hilário, Hermione?
- Eu acho que não. - Hermione respondeu. - Um, Ginny, você realmente esqueceu de tomar as precauções... ou fez de propósito...
- Oh, não, é claro que não fiz de propósito. Nós estávamos... só estávamos... não estávamos pensando, foi o que aconteceu.
- Tá bem. - a outra garota riu. - E, uh... ele é bom de cama?
- Não tenho idéia. - Ginny riu. - Nós não fizemos na cama.
- Onde, então? - uma clara curiosidade apareceu no rosto de Hermione. - No banheiro dos monitores? - Ginny ficou vermelha.
- O qu...Wow, você tinha que... santos elfos-domésticos, Ginny, como pode... e como você sabia a senha?
- Ah, Harry ouviu você dizer a outro monitor. - Ginny riu.
- Então... intencionalmente eu contribui para a concepção do seu bebê. - Hermione disse. - Bem, queria saber..." ela balançou a cabeça com descrença. - Foi sua a idéia de encontrá-lo lá?
- Não, foi dele.
Hermione olhou chocada.
- Harry teve a intenção de te seduzir então no banheiro do monitores? Não posso acreditar que ele fez isso!
- Então não acredite... porque ele não fez.
- Não fez o que?
- Me seduziu. Eu que seduzi ele.
Hermione engasgou. Ginny? A super-modesta, super-timida Ginny - seduzindo Harry Potter? Por Voldemort, era inacreditável!
- Surpresa? - Ginny perguntou. - Eu posso entender. Mas por favor, não diga que não vai mais ser minha amiga!
- Por que eu diria isso? - Hermione disse. - Eu não sou como Ron.
- Oh, Ron. - Ginny disse. - Ele vai ter que se acostumar com a idéia de ter Harry na família. - Ginny disse. - E não acho que essa raiva vai ser permanente. Ele só está fingindo que está magoado.
- Espero que você esteja certa... cunhada. - Hermione deu a ela um riso, e as duas se abraçaram.
Harry foi as estufas onde os Grifinórios onde teriam aula de Herbologia juntos com a Sonserina.
O pensamento revirava seu estomago, mas ele decidiu encarar Draco e acabar com seu sorriso malicioso. Venha o que vier.
Draco não estava na estufa, pensou. Professor Snape tinha pedido a Professora Sprout para deixar Malfoy ajudá-lo com uma poção difícil. Crabbe e Goyle também estariam ausentes, já que eles não abandonam seu precioso 'chefe', Draco.
Quando Harry entrou na estufa, ninguém olhou. Ninguém ao menos se importou com ele. Os estudantes não haviam ouvido - ou lido - as notícias ainda. Era um bom sinal - ao menos Harry poderiam ter uma hora sem ninguém o aborrecendo.
Ele andou até o canto mais longe da estufa e se sentou.
Três metros longe dele Emília Bullstrode e Pansy Parkinson estava sentadas a mesa, com as cabeças juntas.
- Então, o que você sonhou exatamente, Emilia? - Pansy perguntou.
- Foi o sonho mais estranho que eu tive. - a feia e gorda Emilia suspirou.
- Por que você está cochichando?
- Porque é um segredo. - Emilia respondeu.
- Para com isso, o que você sonhou? - Pansy a olhou impaciente.
- Bem, havia um pequeno duende me dizendo que eu ia me casar com o garoto mais desobediente da Inglaterra.
- Isso é tudo?
- Bem, sim. - Emilia disse. - Eu perguntei quem era o garoto, mas ele disse que eu ia encontrá-lo logo... logo mesmo.
- Sonho engraçado. - Pansy devolveu.
Um minuto depois, Ron entrou na estufa, seguido por Hermione. Harry o olhou. Seus olhos se encontraram.
O rosto de Ron se contorceu numa mascara de um lobisomem com sangue-nos-olhos, mas só por um segundo. Ele se virou contra Harry e se sentou no outro canto da sala.
Hermione não mantinha seu olhar muito tempo. Harry viu muitas emoções diferentes no seu rosto: tristeza, simpatia, e alguma coisa dizendo 'não desista de Ron, Harry!'
Então ela também se sentou, perto de Ron, professora Sprout entrou, e a aula começou.
Meia hora mais tarde, Professora Sprout disse a eles que ela tinha que sair por dez minutos, e que eles tinham que reenvasar o 'Cabelo de Loreley.' (era uma planta que parecia um pouco com uma lesma rosa com pele azul, mas ao menos cheirava bem.)
Harry estava quase terminando quando uma coruja voou para dentro da estufa, deixando cair um envelope na sua cabeçal. A carta caiu no chão.Harry se abaixou e o pegou.
O envelope era vermelho. VERMELHO.
'Oh, não, um berrador!' sua mente gritou. Ele não sabia o que fazer: abrir, ou não abrir? Vai explodir?
Naquela hora, os olhos de todos se viraram pra ele.
- O que está esperando, Potter? - um dos Sonserinos gritou.
- Abre! Abre! - todos os Sonserinos, e alguns da Grifinória gritavam em uníssono. Eles precisavam cruelmente de algo para fofocar.
O envelope na mão de Harry começou a fumegar.
Ele engoliu seco, e a carta abriu.
A voz afiada da Sra. Weasley encheu a estufa:
- COMO VOCÊ PODE FAZER ISSO COM MINHA MENININHA, HARRY POTTER?
Uma janela da estufa quebrou com a voz nem um pouco alta. Nem mesmo as mandrágoras podiam gritar tão alto.
- ARTHUR, EU E TODA A FAMÍLIA SEMPRE CONFIAMOS EM VOCÊ, MAS VOCÊ ABUSOU DA NOSSA CONFIANÇA! NÃO TEM VERGONHA?
Outra janela quebrou.
- EU NUNCA, NUNCA, VOU PERDOÁ-LO POR FAZER ISSO COM MINHA PEQUENA GINNY! NÓS CRIAMOS NOSSA FILHA NA HONESTIDADE E MODÉSTIA, MAS VOCÊ A CORROMPEU, E TROUXE VERGONHA A NOSSA FAMÍLIA!
Outras duas janelas quebraram.
- ESPERAVA QUE O PROFETA DIÁRIO ESTIVESSE CERTO, E QUE VOCÊ REALMENTE PROPÔS CASAMENTO PARA GINNY! NÃO OUSE DAR NENHUMA DESCULPA, PORQUE SE NÃO CASAR COM ELA, VOU TE ESTRANGULAR COM MINHAS PRÓPRIAS MÃOS! ENTENDIDO? NÃO VOU DEIXAR VOCÊ ABANDONAR MINHA FILHA COM PROBLEMAS, MEU JOVEM! SE FOR DESTINO DELA TER SEU FILHO, ENTÃO QUE SEJA, MAS VOCÊ VAI DAR SEU NOME AO BEBÊ, CAPICHE?
Depois que a mensagem da Sra. Molly Weasley terminou, todas as janelas estavam quebradas, vidros espalhados por todo o chão da estufa.
Os estudantes não notaram, pensou. Eles estavam muito desconcentrados para ouvir o berrador. Harry Potter... ter engravidado Ginny Weasley?
Depois de um minuto de silencio, todos começaram a falar de uma vez.
- É verdade, Harry?
- Você realmente a engravidou, Potter?
- Ela é boa, Potter?
- Achei que você fosse impotente, Potter!
- Aposto que não fez um garoto!
- Aposto que Ginny engravidou de propósito para conseguir sair daquela familia miseravel!
- Está feliz agora, Weasley? Você ter um parente rico!
Todos estavam gritando... todos menos Emilia. Ela estava parada ali, com a boca aberta, com uma expressão estupida no rosto.
- O que aconteceu com você, Emilia? - Pansy gritou com ela, tentando falar mais alto que a gritaria.
- É... é ele! - Emilia gritou.
- Quem? O que? - Pansy gritou de volta.
- Potter! - a garota devolveu numa voz sonhadora, apaixonada.
- O que? Não ouvi. Fale! - Pansy gritou. - O que o Potter?
- Meu futuro marido! - Emilia disse, levando as mãos ao coração.
- O que?
- Você ouviu o que ele fez! Ele é o rapaz mais desobediente da Inglaterra! Ele é aquele que o duende no meu sonho disse!
- Você tá doida, Emilia!
Os outros não ouviam a discussão das garotas. Havia um clamor muito grande que ninguém notava quando Professora Sprout entrou na sala. Ela fez um movimento de desmaio com a varinha, dando a ela arrepios. Finalmente todas a notaram.
A estufa ficou em silencio.
- Por Merlin, o que aconteceu aqui? - ela diz vendo as janelas quebradas. - Quem fez isto? Quero uma explicação!
Por um momento o silencio enorme ficou no ar, então alguém gritou:
- POTTER. - apontando os dedos para o pobre garoto no canto da sala.
- Potter? - Professora Sprout se virou para ele. - Você quebrou todas as janelas?
- Não, Professora... mas é uma longa história... - Harry disse. - Admito que foi por minha culpa.
- Então você vai ficar aqui e vai reparar tudo depois da aula. - Sprout disse a ele. - Não quero ver um unico caco aqui! Nem umzinho, entendido?
Harry assentiu.
- Classe dispensada.
Todos os estudantes saíram da sala toda destruída - menos uma.
- Um, posso te ajudar?
Harry se virou e viu Emilia Bullstrode parada na porta, com um sorriso.
- Huh? Oh, não, obrigada. Posso fazer isso sozinho. - Harry respondeu. - Mas obrigada, de verdade.
'Porque ela tá sendo tão gentil?', ele pensou.
- Então talvez uma outra hora. - Emilia disse. Quando sorriu ficou mais feia que o normal. - Te vejo no jantar.
- Claro, tchau. - Harry murmurou e esperou até a garota sair. - Que merda deu nela? - ele pensou, então riu. Se Emilia ficou doida, não era seu problema. Ele levantou a varinha, se concentrando no vidro estilhaçado, e gritou: - "Reparo!'
Depois de terminar de reparar a estufa, Harry decidiu tentar falar com Ron. Ele encontrou apenas Hermione. Ela disse a ele que Ron desceu as escadas, talvez para as masmorras.
Harry também desceu as escadas. 'O que Ron estaria fazendo aqui? É tão assustador e escuro... mas eu posso entender se o humor dele está tão escuro agora que os Sonserinos sabem de Ginny e eu. Deve ser muito difícil pra ele.'
Depois de andar por uns quinze minutos nos corredores, Harry ouviu passos. Ele virou a direita na curva e deu um encontrão com Ron.
- Estava procurando por você. - ele disse.
- Por que? - Ron perguntou a ele. - Para poder rir de mim? Pobre Weasley, ele não só não tem dinheiro, mas a irmã dele é uma puta também! Realmente, Harry, você ia adorar ouvir as pessoas dizendo isso, não é?
Os olhos dele se estreitaram.
- Se eu não soubesse que você só está bravo, eu diria que você não me conhece. Eu nunca ia adorar ver você sofrendo. E acredite, estou sofrendo tanto quanto você, ou até mais.
- Oh, eu lamento por você, pobre, e infeliz Harry! - Ron gritou. - Você tem dinheiro, fama, talento, respeito, dúzias de garotas aos seus pés e agora minha irmã também! O QUE QUER MAIS?
- Eu quero sua amizade de volta. - Harry devolveu suavemente.
- Vá pro inferno! - Ron gritou e virou para sair, mas Harry agarrou seu braço.
- Espere Ron, eu amo sua irmã, amo de verdade, e...
Ron se separou dele, e instintivamente levantou sua varinha.
Harry deu um pulo pra trás, também com a varinha em prontidão.
- Ouça Ron, tenho certeza que podemos discutir isto como gente civilizada!
- Civilizada? Como ousa falar que é civilizado se seu comportamento foi como de um animal, se importando só com seus desejos carnais?
- Carnal? Não era carnal, Ron! - Harry gritou. - Posso te assegurar que meus sentimentos por sua irmã são os mais puros que pode pensar.
- Mentiroso! - Ron apontou a varinha pra ele. Harry viu que seu amigo estava no fim do limite, não podia mais controlar suas ações. Ele levantou a varinha, em posição de defesa quando ele ouviu a voz zombadora de Pirraça gritar:
- Boa, garoto acabe com ele! Ele não merece sua amizade, lembre o que ele fez com a pobre e pequena doce Ginny!
- Pirraça, seu idiota, segure sua língua! - era Nick-quase-sem-cabeça.
Mas Ron não o ouviu. A fúria desesperada e a dor por causa da traição do amigo fez ele ficar surdo e cego. Tudo o que ele poderia pensar é vingança.
- Ron, por favor, vamos conversar! - Harry pediu.
- Stabbus! - Ron gritou por último, enviando um traço de luz púrpura na direção de Harry.
- Expelliarmus! - Harry gritou apenas um milisegundo depois, jogando uma chuveirada azul de faíscas. No meio do caminho, o traço púrpura e as faíscas azuis se encontraram, se desviando do rumo original. As faíscas azuis bateram no muros dos corredores, a luz púrpura atravessou Nick-quase-sem-cabeça, voando perto do teto, jogando um candelabro no chão. Por um momento os dois garotos ficaram ali parados olhando para a mancha, nem falavas, apenas pintando pesadamente. Os olhos deles parados, suas varinhas ainda em suas mãos.
De repente uma voz os chocou quebrando o silencio.
- Olhem isto, garotos! Eu não sou mais quase-sem-cabeça. - Nick gritou, jogando sua cabeça de uma mão para a outra. - Roniquinho, você separou minha cabeça do meu corpo com sua maldição! Yupieeeee!! Vou ser membro da Caçada-dos-sem-cabeça! Sir Patrick não pode recusar em me aceitar mais! Obrigado pra sempre, Rony! - Nick abraçou e beijou o garoto, que sentiu como
se tivesse sido beijado por um iceberg. Ele ficou olhando Nick rodopiar no ar perto do teto muito feliz. - Obrigado, Rony Weasley, sou sem cabeça, não mais quase! - e com um pulo final ele desapareceu através do teto.
Ron e Harry o seguiram com os olhos, apenas se olhando de relance, quando Nick desapareceu.
Ron engasgou:
- Santa vassoura, Harry, eu poderia ter te matado. - ele disse, chocado.
- Mas não matou. - Harry devolveu com um pequeno sorriso.
- Mas eu podia. - Ron gritou. - Eu quase matei. - ele estava desesperado.
Harry deu um passo até ele.
- Ron, está tudo bem. - ele tentou alcançar a mão
no ombro de Ron. O garoto ruivo estava tremendo.
- Harry, eu... - ele murmurou. - Oh, Harry! Eu achei que você tinha seduzido Ginny, mas Hermione disse que foi ao contrário... eu fui tão tolo... - ele trouxe o amigo para um abraço. - Você me perdoa?
- Só se você me perdoar... cunhado. - Harry respondeu.
Um sorriso enorme apareceu no rosto de Ron.
- Posso ser seu padrinho?
Os dois garotos subiram as escadas. Eles decidiram conversar com Ginny juntos. Assim que eles entraram no Salão Principal, Colin Creevey correu até eles.
- Oh, Harry, eu tô procurando você a décadas! - ele estava dizendo.
- Por que? - Harry levantou a sobrancelha. Ter Colin em volta dele não significa nada de bom.
- Dumb... Dumbledore chegou... e quer te ver. - Creevey disse.
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