Os dois dias seguintes, passaram-se mais rápido do que nós pudéssemos imaginar. Entre estudar, dormir, estudar, quase não sobrava tempo para a gente curtir um pouco, somente nós dois.
Quando quarta chegou, nós acordamos cedo e ficamos namorando na cama, relaxando para os exames que faríamos em poucas horas e celebrando o dia de hoje.
Fizemos o exame na biblioteca, eu em uma mesa e ela em outra.
Umas quatro horas depois eu terminei a prova, entreguei para o diretor que estava nos supervisionando, naquele momento e fui esperar Bella no corredor. Uns dez minutos depois ela saiu.
— O que você achou? — eu perguntei a abraçando.
— Não estava tão difícil assim — ela falou rodeando meu pescoço com seus braços.
Nós conversamos rapidamente sobre a prova, depois fomos para a casa de Charlie, jantamos lá.
Quando chegamos a casa, encontramos meus pais esperando pela a gente assistindo tevê, eles perguntaram como fomos nas provas, conversamos rapidamente, Emmett havia saído com Rosalie e eu queria aproveitar e ficar um tempo sozinho com Bella, depois dessa pressão das provas e ainda mais que hoje era um dia especial para a gente.
Dissemos boa noite para eles e fomos para o nosso quarto.
— Quer tomar banho primeiro? — ela perguntou, enquanto eu trancava a porta.
— Que tal irmos nós dois juntos? — falei esperançoso.
— Se formos nós dois, não vamos banhar direito.
— Eu prometo me comportar — disse fazendo um xis com meus dedos indicadores e os beijando.
Ela riu balançando a cabeça.
— Pode ir primeiro — ela falou.
Eu fiz um biquinho e ela beijou-o rapidamente antes que eu tivesse chance de aprofundar.
Com um suspiro fui para o banheiro.
Assim que sai Bella entrou nele, vesti apenas uma bermuda preta folgada não estava com frio e tinha esperanças que ela não duraria muito no meu corpo.
Sentei na cama, esperando pacientemente minha esposa sair do banheiro.
Quando escutei o chuveiro, finalmente fechar me arrumei na cama, pensando em uma maneira de convence-la de termos uma noite especial hoje.
Bella pareceu demorar mais para vestir seu pijama do que demorou para banhar.
Acho que não estava preparado para quando ela saiu do banheiro.
Quando a porta se abriu e seu corpo apareceu, sentir meu coração bater forte e descompensado.
Bella vestia uma linda lingerie azul. A parte de cima era um baby doll bem curtinho e aberto na frente, de renda, tampava somente seus seios lindo, no meio da suas pernas tinha somente uma linda, pequena e delicada calcinha de renda azul.
Seus cabelos estavam molhados e eu podia sentir o doce cheiro do seu shampoo.
— Você está... maravilhosa — eu disse engolindo em seco.
— Obrigada — ela falou corada.
— Alguma comemoração em especial? — eu perguntei, me aproximando dela, sentindo seu cheiro inebriar meus pensamentos.
— Nada de mais — ela falou, fazendo pouco caso, dando de ombros — Apenas hoje estamos completando seis anos de namoro — ela falou.
— E você não preferia que nós tivéssemos feito algo mais especial hoje?
— E o que pode ser mais especial do que passarmos a noite nos amando, no nosso quarto? — ela perguntou me olhando intensamente colocando suas pequenas mãos em minha nuca.
— Eu te amo Sra. Cullen. Obrigado por tudo que vem fazendo por mim, por sempre estar ao meu lado, por perdoar meus erros, por me amar. — falei acariciando com carinho seu rosto.
— Eu também te amo, muito Edward — ela disse me beijando.

— Isso não está bom — eu disse rabiscando pela milésima vez a partitura da musica que havia feito para tocar em Nova Iorque.
— Edward, amor, está bom sim, você que está nervoso, que tal subirmos para o nosso quarto? Posso fazer uma massagem para você relaxar — Bella disse sentando no banco do piano ao meu lado.
— BOM, Bella? Isso está horrível. Desse jeito eu vou é passar mais vergonha ainda. Já basta está subindo lá do jeito que eu estou... E você ainda quer que eu relaxe? Porra, nós vamos para Nova Iorque amanhã, vou tocar para sabe-se lá quantas pessoas, tem que ser perfeito. Não tenho tempo para relaxar, caralho — eu falei duramente sentindo meus nervos à flor da pele.
— Mas, Edward, já tem uma semana que você vive só em função de fazer essa música, você mal fala comigo.
— Eu sei, mas essa música tem que sair perfeita. Não tenho tempo para isso agora.
— Então, cuidado, talvez quando você tiver tempo para mim, você não vai ter mais eu ao seu lado — ela disse com raiva saindo dali.
Droga, me xinguei mentalmente.
Olhei para o piano e depois pela porta por onde ela tinha seguido.
Agora mesmo que eu não conseguiria terminar essa música não com ela com raiva de mim.
Levantei-me, me amaldiçoando por dentro porque eu fui um idiota com a pessoa mais importante da minha vida e ela só queria me ajudar.
Subi as escadas apressado, mas não a encontrei no quarto e nem em nenhum lugar de casa.
— Mãe você viu Bella? — perguntei quando vi que ela estava na cozinha.
— Ela passou parecendo um foguete por aqui, filho. Aconteceu alguma coisa? Ela parecia tão triste. Você brigou com ela?
— Eu sou um babaca, fui muito duro com ela, mãe. — disse triste, apertando meu nariz com força — E ela só queria me ajudar.
— Não diga isso querido, você apenas estava concentrado de mais na música.
— Droga, mãe, eu magoei minha esposa, ela não vai me perdoar, eu não vou me perdoar, prometi nunca mais magoa-la.
— Ei, um passarinho me contou que ela está lá fora no jardim porque você não vai lá falar com ela.
— Obrigado, mamãe— disse beijando sua testa rapidamente.
Segui para o jardim apressado, encontrei a sentada em baixo de uma arvore, ela abraçava suas pernas e tinha a cabeça baixa.
Martirizei-me mais uma vez, andando até ela.
— Será que você pode perdoar esse grande idiota que é seu marido? — perguntei sentando-me ao lado dela, acariciando suas costas.
Bella respirou fundo, não dizendo nada.
— Perdoa me, eu sei que fui rude com você e tenho sido um perfeito babaca nos últimos dias, essa pressão de tocar para Julliard me deixou sem pensar direito — falei inutilmente. Ela não disse nada, só continuou lá no mesmo estado, estava começando a ficar preocupado.
— Você tem, sorte de eu não conseguir ficar brava com você — ela falou dando um pequeno sorriso para mim, a beijei com delicadeza, sabendo que estava perdoado.
— Eu te amo — disse agradecendo por ela me perdoar. — Sabe aquela massagem, você ainda quer fazer em mim?

Eu andava de um lado ao outro dentro de pequeno camarim que me foi designado. Estava nervoso e sentia uma grande ansiedade no meu corpo.
Já havia tentado de tudo para relaxar, li, ouvi musica, comi, bebi agua, mas nada.
Havíamos chegado à Nova Iorque na tarde de ontem, apenas eu Bella e meus pais, meu irmão e nossos amigos virão hoje, provavelmente já estava sentados na plateia, mas eu ainda não havia tido oportunidade de vê-los.
Sentei na poltrona, olhando o relógio, faltava apenas vinte minutos para a competição começar, era no auditório de Julliard, o lugar era enorme e havia me encantado ao primeiro instante em que pus meus olhos.
Respirei fundo, tentando pensar em outras coisas, mas fui interrompido por um som da porta abrindo e fechando. Olhei para a pessoa que atravessou a porta a trancando a trás de si, soltei um longo suspiro.
Bella estava maravilhosa. Ela usava um vestido curto de renda de um ombro só, seus cabelos preso e aquele batom vermelho em sua boca estavam me deixando louco, quase que eu a agarrava quando há vi, mas ela conseguiu fugir de mim.
— Tudo bem por aqui? — ela perguntou com um pequeno sorriso no rosto.
— Não, não sei o que eu faço, estou tremendo — disse mostrando minhas mãos para ela.
Bella assentiu compreensiva sentando no meu colo. Ela inclinou e beijou meus lábios, tentei deixar o beijo delicado, mas quando a senti deslizar sua pequena e gostosa língua entre meus lábios e aprofundar o beijo, senti meu membro querendo ficar animado.
— Droga, Bella, isso não vai ajudar. Não vai ser nada legal eu entrar duro para tocar piano — eu falei soltando um suspiro, sentindo seus lábios descerem por todo o meu maxilar.
— E porque não? — ela quis saber e eu gemi sentindo suas pequenas mãos acariciarem meu membro por cima da calça social preta. — Acho que sei um modo de te relaxar — ela disse ficando de joelhos no chão.
— O que você vai fazer? — perguntei desconfiado.
— Não acha que já passou dá hora de eu brincar com ele — ela falou abrindo o zíper da minha calça.
Porra, pensei, já imaginando sua boca em mim. Ela nunca havia feito um oral em mim, eu já havia feito vários nela, mas ela nunca nem se quer fez menção de que faria um, eu claro não cobrava tudo ao tempo dela, mas nunca imaginei que seria aqui e agora.
— Isso não é uma boa ideia — falei tentando pensar racionalmente, mas levantando meu quadril para ela puxar minha cueca e calça, deixando meu membro livre para ela.
— Acho que ele pensa ao contrário — ela falou divertida, acariciando ele com a mão.
Eu gemi em rendição jogando minha cabeça para trás apoiando ela no encosto do sofá.
Bella seria definitivamente minha morte.
Olhei para ela percebendo que ela estava muito concentrada em meu membro duro em suas mãos, vi quando ela respirou fundo e colocou sua pequena língua para fora lambendo da minha glande até a base do meu membro, eu gemi extasiado.
Pegando-me de surpresa, ela abocanhou meu membro lentamente, me chupando com vontade.
— Bella... — eu gemi de prazer sentindo suas mãos acariciaram o que não cabia em sua boca gostosa e minhas bolas.
Perdi a noção do tempo com ela me chupando. Sempre quando eu chegava perto do êxtase ela diminui seus movimentos, mas quando ela brincou com a ponta da sua língua bem no meio exato da minha glande onde escorria o pre-gozo pela vigésima vez, senti que não conseguiria me segurar.
— Droga, Bella, saía eu vou gozar — avisei ofegante, ela fez ao contrário me masturbou com a mãos enquanto se inclinava recebendo todo o meu prazer em sua boca, eu cheguei ao meu orgasmo derramando meus jatos de prazer na boca dela.
Ela me limpou enquanto eu ainda tentava me recompor do recente orgasmo, senti-a subir minha cueca e calça abotoando e fechando o zíper.
— Relaxou? — ela sussurrou baixinho, sentando de novo no meu colo.
— Uhu... Eu te amo— eu disse beijando-a delicadamente — Se eu não tivesse que tocar agora... — falei deixando inacabada a frase.
— Sr. Cullen, cinco minutos — alguém falou batendo em minha porta.
— Eu também te amo não se esqueça disso, vai lá e arrase — ela falou me olhando lindamente.
Ela saiu do meu colo e se levantou indo até o espelho e deu um gemido de tristeza, fazendo eu perceber só agora que ela estava com o batom todo borrado.
— Eu estou com batom no rosto? — perguntei.
Ela riu assentindo vindo até mim e limpando meu rosto com algum lenço umedecido que ela tirou de algum lugar.
Depois retocou sua maquiagem. Saímos de mãos dadas do camarim, mas tivemos que nos separar ela foi em direção aos lugares e eu para trás do palco.
Tive que aguardar ainda alguns minutos enquanto outros concorrentes se apresentavam, hoje era o dia de apresentações musicais, amanhã seria de dança.
Finalmente ouvi meu nome ser chamado. Meu coração batia acelerado, não sei como cheguei até o palco, tentava não olhar para as pessoas na plateia, que em sua maioria era familiares e amigos dos participantes.
Lembrei que tocar publicamente estava na minha lista de coisas para fazer antes de morrer, não estava lotado o auditório, e eu sabia que muitas pessoas ali torciam para que eu fosse ruim, mesmo assim meus olhos procuraram pela minha família e eu dei um pequeno sorriso, a confiança crescendo em mim.
Olhei para os juízes que estavam sentados também na plateia, fazendo um gesto de comprimento para eles. Sentei-me no banquinho do piano. Respirei fundo fechando meus olhos, a música tomou conta do meu ser.
Meus dedos deslizavam pelas teclas com cuidado, as apertando suavemente e no momento certo, eu havia decorado todas as notas então eu não precisava abrir meus olhos para olhar na partitura e sabia perfeitamente qual tecla apertar. Pensei em tudo que vivi até aqui, eu sentia a musica em mim.
Não sei quanto tempo passou, quando a música terminou, eu me levantei fazendo uma reverência para a plateia, minha família, que aplaudia entusiasmadamente.
Eu sabia que tinha algo errado, a princípio pensei que o suor que estava se formando no meu corpo fosse só por causa do nervosismo, mas mesmo depois de ter terminado, eu me sentia fraco e calafrios começaram a percorrer meu corpo, meu coração batia tão rápido e forte que era capaz de ouvi-lo, não duvidava nada que se estivesse em um local silencioso também poderiam ouvi-lo. Acho que estava chegando a minha hora.
Em meio a tudo isso, procurei os olhos cor de chocolates que me encaravam assustados, eu dei o seu sorriso torto, mas acho que não passou de uma carata. Cambaleei me apoiando no piano, sentindo tudo rodar.
Ouvir meu nome ser chamado.
Eu te amo. Me perdoe, foi a última coisa que pensei, olhando para a minha mulher, antes do meu corpo cair ao chão e eu perder a consciência.

Minha consciência foi voltando pouco a pouco.
Meus olhos arderam e eu os fechei rapidamente, voltando a abri-los, a visibilidade ficando mais clara agora. Tentei me concentrar.
O que tinha acontecido? A onde eu estava?
Eu podia ver uma porta de madeira escura, as paredes em tons pasteis, o som incessante de um bip deixava claro a onde estava, é claro que também um soro ligado em mim ajudava.
— Querido, você acordou. Como você está? — minha mãe disse parecendo aliviada abrindo a porta do quarto.
— Bella, onde ela está? — eu perguntei sentindo minha voz rouca, minha garganta ardia.
Minha mãe percebendo me entregou um copo com agua que eu bebi sem recusar.
— Oh, ela vai ficar tão brava porque não estava aqui quando você acordou. Ela não queria sair do seu lado nem para comer. Foram duas horas de discussão até que Alice e Rosalie conseguiram fazer ela ir comer algo.
— O que aconteceu?
— Oh, querido. Você quase teve taquicardíaco, sua pressão ficou muito alta, você desmaiou tivemos que te levar para o hospital de Nova Iorque as pressas, fizeram vários exames e sedaram você, voltamos para Seattle, estamos aguardando os resultados dos exames saírem.
Ela me explicou com a voz embargada.
— Vai ficar tudo bem, mamãe — eu disse, mesmo não sentindo isso. Não precisava ver ninguém sofrendo comigo.
Ela assentiu vindo ficar ao meu lado, deu um beijo em minha bochecha.
— Eu te amo, meu amor — ela disse amavelmente.
—Eu também te amo, mamãe — falei.
— É melhor eu chamar Eleazar para verificar você — ela disse limpando suas lágrimas.
— Eu quero ver minha mulher — eu disse angustiado, me sentia ainda mais mal só de imaginar o que ela deve ter passado.
— Claro, vou passar no refeitório.
Mamãe saiu me deixando sozinho, perdido em meus próprios pensamentos. Doía só em imaginar como Bella deve ter se sentido com isso, era só eu me colocar no lugar dela e ela no meu lugar que eu poderia imaginar.
— Edward — ouvi a voz de Bella dizer meu nome e ela entrar correndo ao quarto.
— Hey — eu disse dando um fraco sorriso para ela que ainda vestia a mesma roupa que havia visto pela ultima vez, só com um casaco preto por cima que eu percebi ser meu, eu estava apenas com aquelas roupas ridículas de hospital.
— Edward — ela falou de novo, meio chorosa, aproximando-se de mim e deitando sua cabeça no meu peito. Respirei fundo sentindo o cheiro dela me invadir abraçando do jeito que a posição na cama me permitia.
— Eu estou aqui, minha tigresa. Vai ficar tudo bem — falei acariciando suas costas com carinho, a ouvindo soluçar baixinho.
— Eu pensei... que... você fosse... me deixar — ela disse chorando.
Eu não disse nada, queria prometer que eu nunca a deixaria, mas não podia prometer algo que eu não tinha certeza que conseguiria cumprir.
— Nós, vamos encontrar, Edward, nós vamos encontrar um — ela disse me deixando confuso.
— Um o quê? — eu quis saber.
Ela levantou seu rosto para olhar para mim, limpando suas lagrimas.
— Eu te amo, nunca deixarei de te amar — ela disse e se inclinou para me beijar.
Correspondi ao beijo me perdendo nas sensações que sentia, mas cedo de mais ouvimos a porta ser aberta e alguém pigarrear, me separei a contra gosto da minha mulher.
— Edward, como você está? — Dr. Eleazar perguntou, contendo um risinho, meus pais, Emmett, Jasper e as meninas atrás deles.
— Vou ficar, assim que me explicarem direito o que aconteceu. — eu peço, sentindo que havia alguma coisa escondida. Pela frase de Bella, eu desconfiava o que era.
— Filho... — meu pai começa a dizer, mas eu o interrompo.
— O que é? — insisto.
Eles trocam um olhar e eu sinto Bella apertar minha mão. Finalmente ele volta seu olhar para mim, solta um suspiro, antes de pronunciar as palavras que definitivamente poderiam ser minha morte.
— Você não está mais respondendo ao tratamento quimioterápico, Edward — ele disse com uma calma que me enerva.
— O que isso quer dizer? — eu pergunto, mesmo já prevendo a resposta.
— Isso quer dizer que temos que encontrar um doador de medula óssea para você — ele responde.
Eu aceno com a cabeça, respirando pesadamente.
— Nós já fizemos exames, maninho — Emmett pronuncia — Estamos só esperando o resultado.
— Vocês podem me deixar sozinho? — eu pergunto sem olhar para eles.
— Eu não vou sair daqui — Bella disse teimosamente, olhando para mim magoada.
— Vou voltar em alguns minutos para examinar você, Edward e conversarmos melhor — Eleazar disse, eu apenas assinto.
Eles saem em silêncio nos deixando a sós no quarto.
— Edward... — ela começa a dizer, mas balanço a cabeça.
— Só me abraça — peço me sentindo vulnerável. Ela não diz nada, mas faz o que eu peço.
Seus braços me envolvem, eu descanço minha cabeça em seu peito sentindo uma lágrima solitária escorrer pelo meu rosto.
Ficamos longos minutos em silêncio, seu abraço é reconfortante, as batidas que consigo ouvir de seu coração me acalma, mas sinto que ela chora baixinho.
— Não chora — eu digo limpando suas lágrimas — Vai ficar tudo bem.
Ela funga assentindo beijando minha testa.
— Você não fez esse exame fez? — eu pergunto.
— Claro que fiz, porque não faria? — ela pergunta franzindo seu cenho.
— Eu não quero que você passe por isso, caso você seja compatível— eu digo, mesmo sabendo que a chance era pequena, mas eu tinha esperança. Eu tinha que ter isso, não iria me entregar sem lutar, não mais.
— O quê? Que absurdo é esse que você está dizendo — ela diz abismada. Droga! Não quero brigar com ela.
— Eu não quero que você sofra, eu sei que odeia agulhas.
Ela rola seus olhos para mim.
— Por você eu faço qualquer coisa, Edward. Você não faria por mim, se fosse o oposto? — ela pergunta.
— Claro que sim — digo sem nem pensar duas vezes — Por você eu doaria, minha vida, meu coração Bella. Ele é seu.
— Então, não vamos mais discutir isso — ela diz, colocando um ponto final nesse assunto.
Eu respiro fundo roçando levemente meus lábios aos dela.

O Dr. Eleazar volta minutos depois, acompanhado por meus pais. Ele me explica rapidamente todo o processo envolvido e explica que eu tenho que ficar internado no hospital por que minha imunidade é muito baixa e o risco de infecção é muito grande já que o numero de plaquetas no meu corpo está quase nulo, e as plaquetas são responsáveis pela coagulação do sangue.
— E quem pode doar medula óssea? — eu pergunto, mais por curiosidade mesmo.
— Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar medula óssea. O resultado dos exames da sua família e seus amigos, vão sair em instantes, mas também algumas pessoas vieram aqui se oferecendo para fazerem o exame e verem se são compatíveis.
— Oh — eu fico surpreso.
— Emmett, Jasper, Rosalie e Alice conversaram com algumas pessoas na escola e elas vieram fazer o exame e nem que não seja para doar para você, elas vão doar se encontrarem alguém compatível a eles. — Bella me explica.
— Isso é bom — eu digo, imaginando quantas pessoas vivem o mesmo drama que eu, alguns casos bem pior, que não tem ninguém em que se apoiarem e simplesmente se entregam.
Eu percebo o quanto sou sortudo, e agradeço mentalmente a Deus por isso.
— Sim, alguns professores também vieram — meu pai disse.
— Eu falei com meu pai também, ele disse que vai colocar todos os policias para virem e que assim que tiver um tempinho de folga também vai vim. Nós vamos encontrar um — Bella falou com um sorriso confiante.
— Vamos sim — eu digo dominado pela confiança que ela tinha — Agora por favor, vá para casa, tome um banho e descanse — eu digo notando como suas pálpebras demoravam para abrir quando ela pisca — Aposto como você não dormiu nada.
— Isso é verdade — mamãe concordou — Ela não quis sair nem tomar banhar.
Bella deu um suspiro de rendição.
— Você vai estar aqui quando eu voltar?
— A onde eu poderia ir, Bella? — brinco seriamente.
Ela se inclina e me dar um beijo, mamãe também faz o mesmo. Com um último olhar de eu não quero ir, ela se vira e caminha para fora do quarto.
— Bom, é melhor você descansar também, Edward — meu pai.
— Sim, qualquer coisa é só apertar o botão — Dr. Eleazar diz apontando para um botão ao lado da minha cama.
Eu fecho meus olhos apenas para relaxar, mas acabo adormecendo.
Acordo apenas três horas mais tarde. Encontro Bella sentada em uma cadeira próxima à cama, sua mão estava entrelaçada a minha, na outra ela tentava equilibrar seu livro, Os morros dos ventos uivantes. Percebi que ela estava tão concentrada no livro que nem notou que eu acordei. Fiquei durante alguns segundos apenas observando ela, podia ficar assim pela eternidade, apenas admirando em silêncio, mas não tínhamos a eternidade e cada segundo que passava menos tempo nós tínhamos juntos.
— Daqui a pouco esse livro vai soltar as paginas — eu digo finalmente, fazendo ela me olhar. Bella faz uma careta, mas dar um pequeno sorriso.
— Eu colei algumas paginas mês passado, espero que demore um pouco para cair de novo — ela falou fechando o livro.
Eu rio fraquinho.
— O que aconteceu com a apresentação? — eu pergunto.
— Bom você era o antepenúltimo a se apresentar, depois que nós fomos com você para o hospital, a competição continuou normalmente.
— Eu fui desclassificado?
— Você está brincando? Edward quando você tocou... eu nem consigo descrever o que senti, foi... mágico. Quando chegamos aqui seu pai ligou para lá e eles disseram que você ganhou o concurso — ela diz com um sorriso enorme agora — Parabéns, alias você têm até julho para ir lá e efetivar a matricula.
— Será que vamos ter encontrado um doador até lá?
— Espero que sim.
— Você vai ficar comigo? — eu pergunto admitindo que preciso dela ao meu lado.
— Claro que vou — ela responde rolando seus olhos para mim, acariciando meu rosto com carinho.
— Me desculpe está sendo egoísta te pedindo isso, mas eu preciso de você ao meu lado.
— E eu preciso de você também, Edward. Na saúde e na doença, lembra?
— Nunca vou esquecer nenhum detalhe do dia mais feliz da minha vida.
— Vamos ter certeza disso, quando você tiver velhinho e com perda de memoria — ela brinca.
Uma vida inteira passa por minha mente. Nós indo para a universidade, nos formando, comprando uma casa, trabalhos, tendo filhos, um cachorro. Mas é claro que não seria exatamente assim que as coisas aconteceriam.
— Eu adoro você, minha tigresa — digo a olhando intensamente. Seus belos olhos de chocolates.
— E eu a você, fofinho.
Nós nos beijamos suavemente.

Meia hora depois, estão todos no meu quarto. Bella, meus pais, meu irmão, as meninas e Jasper, o resultado dos exames já haviam saído e nenhum deles foi compatível comigo. Percebo pela primeira vez, que não são só eles que precisam me dar esperanças, eu também tenho que dar esperanças a eles. Então desde que saiu o resultado, eu não havia parado para me lamentar, mas sim, como um mantra na cabeça não paro de repetir que vai aparecer um doador logo mais. Ainda não havia os resultados das pessoas que fizeram o exame lá da escola e alguns colegas dos meus pais, Charlie com mais dois policiais haviam acabado de sair do quarto para retirar sangue para fazerem o exame, fora que ainda eles verificavam a compatibilidade com os doadores que já tinha no banco de dado deles, mas até agora nada.
Não perca a esperança, não perca a confiança, não perca o amor, não perca a fé. Esse era meu mantra nos dias que se passaram.
Eu estava deitado na cama com Bella deitada em cima de mim. Milagrosamente, havia a convencido de fazer isso, estamos só nós dois no quarto. Era de manhã e nossos amigos estavam na escola, meus pais em algum lugar do hospital.
Separamos nossos lábios afoitos, quando ouvimos uma batida na porta. Bella se levantou rapidamente se arrumando na cadeira ao meu lado. Antes que eu murmurasse um entre, mas era só olhar para seus lábios e suas roupas amarrotadas que estava claro o que nós estávamos fazendo, estávamos em um amosso bem gostoso. Poxa, nós estávamos quase cinco dias sem nenhum contato, mas intimo e sem falar que a cada dia que passava o próximo podia ser meu ultimo.
— Pai, o que o senhor faz aqui? — Bella perguntou confusa vendo seu pai entrar no quarto. Ele não estava vestido com seu uniforme, vestia uma calça jeans, uma blusa cinza e um casaco de frio.
— É bom te ver também, Bells... — ele brincou sua voz tinha uma estranha emoção.
— Pai — ela suspirou e foi abraça-lo — Aconteceu alguma coisa?
— Nada, apenas quero conversar com seu marido em particular, posso? — ele disse, o seu nada soou meio irônico ao meio ouvido.
— O que você quer falar que você não pode dizer a minha frente? — ela perguntou desconfiada.
— Bella, seja boazinha e me espere ao lado de fora, ok? — ele pede, seu tom de voz era autoritário. Ela suspira me olhando e eu aceno com a cabeça, ela beija rapidamente meus lábios e se vai, nos deixando sozinho.
— Algum problema, Charlie? — pergunto enquanto ele se senta na cadeira que antes Bella ocupava.
Ele me olha demoradamente, seus olhos depois percorrem o quarto e eu começa a me sentir ansioso com o quer que seja que ele vá me dizer.
— Eu não sei se você se lembra, mas eu me lembro disso muito bem. No dia em que Bella ficou muito gripada, vocês tinham cerca de dez anos de idade, se não menos. Eu tive que ligar para sua mãe dizer que ela não poderia ir a sua casa, participar do caça aos ovos de pascoa que seus pais haviam feito para as crianças. Nem uma hora depois de eu ter batido o telefone, um pequeno garoto assustado e tremendo de frio batia na minha porta com força e desesperado, quando abrir a porta você gritou o nome da minha menina e correu para o seu quarto angustiado, seus pais me ligaram desesperados e contaram que você havia fugido e vindo para cá andando, no meio de uma tempestade. Quando eu cheguei ao quarto, encontrei você lá, ajoelhado ao lado da cama segurando a mão dela, você chorava baixinho e ela estava adormecida, o olhar de seu rosto..., você estava apavorado, pensado que ela iria morrer. Você ficou aquela noite comigo, me ajudando a cuidar dela e eu me lembrei o que Renée quis me dizer quando ela falou comigo depois de morrer.
— Como assim? — eu perguntei confuso e olhando para o homem que falava comigo emocionado.
— Eu não sei direito, se foi um sonho, verdade ou apenas imaginação da minha mente. Mas quando ela...morreu, eu não aguentava mais viver em Forks, tudo lá me lembrava ela, eu sabia que tinha que sair dali, mas não sabia para onde ir. Quase que fui parar no Arizona, mas em uma noite eu sonhei com Renée, ela disse que eu precisava ir para Seattle, que eu e Bella tínhamos uma missão lá que era muito importante, que eu teria que escolher entre a vida da nossa filha ou a minha própria vida, no mês seguinte nós nos mudávamos para Seattle e dois anos depois, você chegou à cidade. Eu vi com meus próprios olhos o relacionamento de vocês evoluírem, a amizade que vocês ainda têm um com o outro, o companheirismo, essa amizade se transformar em amor. Eu posso te dizer o dia exato que você pulou a janela do quarto dela, pensa que eu não ouvir o barulho da arvore balançar? Confesso que fui até a porta do quarto com a arma na mão, meus ciúmes de pai louco para te expulsar dali, mas eu ouvir vocês conversando, você só queria ficar perto dela, só isso, eu confiei nela e em você, eu sabia que você não iria fazer nada com minha filha daquele jeito, naquele momento eu percebi que havia perdido minha filha. Quando eu li o seu diário, quando eu percebi o quanto você a ama e o que você tem, eu pensei que ela não aguentaria te perder.
— Charlie, eu...
— Deixa-me terminar — pediu — Ela pensa que eu não percebi, mas eu vi como ela sofreu quando vocês ficaram separados, o olhar no rosto dela era vazio, Edward. Doía em mim ver isso, quantas vezes eu pensei em um modo de te torturar, mas eu sabia que não podia fazer nada. Bella sempre aparecia com um sorriso no rosto, tentando ser forte, mas eu sabia que por dentro ela estava... despedaçada. Quando vocês se acertaram, minha filha voltou a viver, não vi mais nenhum olhar de tristeza no rosto dela nem mesmo com tudo isso que vocês estão passando. Mas quando eu encontrei minha filha na sala de espera desse hospital — ele balançou a cabeça querendo afastar a recordação ruim — Ela vai morrer Edward, se você morrer, ela vai morrer.
— Não, Charlie, ela não vai. Ela me prometeu, que vai ser feliz, que não vai fazer nenhuma burrice — eu disse com uma dor no peito, só em imaginar essa possibilidade.
— Talvez. Talvez ela não se mate, não desse jeito, mas ela não vai ter forças, não vai querer lutar para viver, você é a força dela, eu preciso de você vivo. Na noite em que eu cheguei do hospital, depois de fazer o exame, eu sonhei de novo com Renée, na verdade acho que foi a lembrança da parte do sonho daquela noite ainda em Forks que não lembrava. Ela me contou de você, ela me contou sobre minha vida, sobre Sue, sobre Seth, apenas não me lembrava, não podia me lembrar, para eu não alterar o futuro — ele deu um grande suspiro limpando suas lágrimas — Ela disse que eu vou morrer depois do transplante, não dar para mudar isso, mas que eu posso escolher salvar você e minha filha, ou me salvar, você pode imaginar o que eu escolhi não é?
— Acho que eu não entendi, Charlie. — perguntei querendo ter certeza que ouvir bem.
— Eu sou compatível, posso doar minha medula óssea para você, Edward, mas ao salvar você eu vou ter que morrer. É uma vida em troca de outra, ou melhor duas. É loucura eu sei, mas eu sinto que isso verdade, isso vai acontecer.
— Não, você não pode fazer isso — disse atordoado.
— Edward eu quero que entenda, eu sonhei com Renée novamente, ela me contou muitas coisas. Se eu não fizer isso, você vai ao meu lugar e logo depois Bella, mas para ela vai ser bem pior, porque ela não vai para o mesmo lugar que você. Não vou fazer isso por você, por mim, ou por ela, mas sim para salvar a alma dela.
— Charlie, isso... isso. Eu não sei o que pensar.
— Imagine como eu fiquei quando acordei, pensei que estava louco, mas quando seu médico me ligou ontem avisando que eu sou compatível com você eu acreditei nisso.
— Mas não... por que você tem que morrer?
— É a vida, meu filho. Todos nós temos que morrer um dia, eu já vivi muito, já amei e fui amado, tive dois filhos lindos e duas mulheres maravilhosas. Vocês ainda estão apenas no começo.
— Mas e, Sue e Seth?
— Eu sei que eles vão ficar bem, eu conversei com Sue, ela está desolada, mas ela me apoia, faria a mesmo coisa por Seth e eu tenho um seguro de vida, eles vão ficar bem.
— Isso é loucura! Você não pode fazer isso.
Ele riu sem humor.
— Eu não posso, mas eu tenho que fazer isso. Por favor, não conte para Bella, não agora, eu escrevi uma carta para ela. Prometa que a fará feliz, não quero ter que voltar para cortar suas bolas e eu vou fazer isso se a fazer sofrer.
— Eu não vou deixar você fazer isso, você não pode doar nada a mim, você não precisa morrer.
— Por favor me prometa — ele insistiu.
— Eu prometo, mas isso não pode acontecer. Eu vou ficar me sentindo culpado para o resto da vida.
— Sinto muito, mas as coisas acontecem como tem que ser. Não quero que se sinta culpado, é uma escolha minha, Edward. Não quero que fique se martirizando para o resto da vida, quero que aproveite a vida ao máximo com minha filha.
— Ela não vai conseguir superar isso, Charlie — eu disse angustiado, sofrendo.
— Vai, sim, porque você vai estar ao lado dela vivo.
— Charlie, isso... isso... você não pode...
— Vai ficar tudo bem, filho. Cuide de Bella, de Seth faça dele um homem assim como você, ensine as coisas para ele, seja um irmão e um amigo para meu filho, seja um marido e um homem para minha filha, eu estou confiando em você, não me decepcione Edward.
— Mas isso não está certo, Charlie. Porque você tem que morrer? Com toda essa modernidade que temos hoje, isso não vai acontecer, você não pode... Vamos conversar com meu pai, falar para ele ter mais cuidado, ou nós podemos, eu posso esperar mais até encontrar outro doador. Além do mais isso nem é uma cirurgia, é como se fosse uma transfusão de sangue, é tão simples e tão baixa a probabilidade do doador morrer.Não é justo, você vai estar salvando a minha vida, enquanto a sua... — disse desesperado tentando faze-lo mudar de ideia
— Ninguém nunca te disse isso? A vida não é justa...
— Acho que já ouvi isso em algum lugar — murmurei amargurado — Bella, não vai me perdoar se eu deixar você fazer isso...
— Vai sim, Edward. Nós sabemos muito bem que ela não consegue ficar com raiva de você por pior que seja seu erro — ele disse calmamente, ouvimos uma batida na porta.
— Eu posso saber o que você dois tanto conversam ai dentro? — Bella disse colocando a cabeça para dentro da porta. Charlie limpou rapidamente suas lágrimas e colocou um sorriso no rosto.
— Entre, querida, tenho certeza que você vai gostar do que vou dizer — ele falou sorrindo para ela.
— O que é? — ela perguntou curiosa intercalando olhares entre nós dois.
Charlie olhou para mim, acho que ele queria que eu dissesse algo, mas eu simplesmente não conseguia.
— Acho que você prefira dizer a noticia Edward — ele falou.
Eu respirei fundo limpando minha garganta.
— Eu encontrei um doador — disse não tão animado como gostaria.
— O QUÊ? COMO? QUEM? — ela perguntou em choque parecendo não acreditar nas minhas palavras.
— Eu — Charlie falou simplesmente olhando para mim.
Bella deu um pulo e correu para abraçar o pai fortemente.
— Isso é sério, papai? Oh, meu Deus, obrigada, eu te amo tanto. — ela disse chorando forte abraçada ao pai.
— Pelo jeito já sabem das novidades? — O Dr. Eleazar disse entrando no quarto sendo seguidos por meus pais.
— Oh, Charlie — minha mãe disse chorosa o abraçando — Nem sei como te agradecer por isso.
— Ver minha filha feliz ao lado do marido dela vai ser o suficiente, Esme — ele falou a abraçando também.
Meu pai também o abraçou apertando agradecendo. Eu fiquei em silêncio, não conseguia falar, tinha medo de abrir minha boca e gritar.
Ficaram vários minutos conversando e quando Emmett, Jasper, Rose e Alice chegaram foi mais uma explosão de gritos entusiasmados e comemorações e Charlie comemorava sorrindo feliz como se não fosse morrer amanhã.

Meu Deus. Era tão difícil acreditar que isso iria acontecer de verdade, mas eu estava mais chateado porque eu estava me sentindo um ser desprezível e egoísta.
Eu estava triste porque ele iria morrer, mas era para salvar a alma da minha mulher se isso for mesmo verdade, e eu acredito que seja. Eu sempre acreditei que tem um céu e um inferno, almas e espíritos e se fosse e ao contrário eu não conseguiria viver sem Bella, não mesmo. Ela era minha vida, meu coração, meu ar, meu tudo.
Depois de alguns minutos Charlie se despediu de todos, dizendo que queria ficar algum tempo ainda com Sue e Seth, eu controlei meu choro quando nos despedimos, mas agradecendo a ele por isso. Meus pais também se foram, meus amigos foram quase uma hora depois quando uma equipe de médicos chegou acompanhados do meu pai.
Eles ficaram quase uma hora conversando comigo e com Bella, sobre o transplante de medula óssea, eu mais assentia do que perguntava Bella fazia mais perguntas que eu.
Eles explicaram que depois do transplante ainda teria que ficar internado para saber se não aconteceu o que eles chamaram de rejeição na qual as células do doador transplantadas reconhecem as células do organismo do paciente como 'estranhas' e desencadeiam uma resposta imunológica contra o organismo do paciente no caso eu.
Explicaram também que nos primeiros três meses eu deveria tomar cuidados necessários como: Usar protetor solar fator 30 ou 50 em todas as partes expostas ao sol quando sair de casa, mesmo se permanecer na sombra evitar caminhar em horários de sol forte, reduzir ao máximo o número e frequência de visitas em casa pelo menos nos dois primeiros meses após o transplante, evitar locais com um fluxo grande de pessoas, por exemplo: cinemas, shows, casas noturnas, restaurantes cheios por pelos menos 100 dias após o transplante, não manter contato com animais e entre outras recomendações. Fiz a conta mentalmente e percebi que não daria para ir para Julliard nesse semestre.
Assim que eles passaram pela porta me deixando a sós com Bella, deixei minhas lagrimas caírem livremente, chorando sem conseguir parar. Era muita informação para um dia só, me sentia esgotado fisicamente e mentalmente e mais preocupado ainda como ajudaria Bella a lidar com a morte de seu pai.
— Edward? O que aconteceu? — ela perguntou preocupada — Por que está chorando? Você está tão estranho, nem parece que encontramos um doador.
— Me perdoe, meu amor — foi tudo que eu consegui dizer a abraçando apertado.
Ela retribui ao abraço. Confusa, mas em silêncio.
— Vai ficar tudo bem, meu fofinho — ela disse beijando minha cabeça.
— Eu não vou poder ir para Julliard esse semestre — falei.
— Tudo bem, você pode ir ao próximo semestre, tenho certeza que se explicarmos para eles o que aconteceu vão deixar reservados a vaga para você.
— Mas e a sua universidade?
— Bom, vou esperar também. Se eu passei nesse semestre posso passar no outro também — ela falou confiante.
— Bella, eu não queria que isso acontecesse — disse me referindo a tudo que Charlie havia dito mais cedo.
— O que? Nós irmos um semestre mais tarde para a universidade? — ela perguntou confusa.
Eu balancei minha cabeça e a puxei para um beijo, engolindo minhas lágrimas a beijei com paixão, suas mãos faziam um cafuné na minha nuca do jeito que ela sabia que me relaxava e eu acabei me entregando a inconsciência.
Acordei com a enfermeira me chamando, já estava tudo preparado para o transplante e tínhamos uma hora até a operação. Nossa, não imaginava que havia dormido tanto.
— Eu posso falar com Charlie antes? — pedi a ela, no mesmo instante, Bella entrou no meu quarto.
— Edward — ela disse vindo até mim.
— Sinto muito, querido, mas ele também já está hospitalizado.
Eu respirei fundo cruzando meus braços.
— Quer que eu passe algum recado para ele? — Bella perguntou passando a mão na minha cabeça ainda careca suavemente.
— Não precisa, mas eu quero que você vá lá e fique com ele — pedi.
— Oh, por quê? Eu quero ficar com você. Sue e Seth estão lá.
— Por favor, Bella, apenas vá para lá, depois você vai entender tudo — pedi de um jeito que sabia que ela não conseguiria dizer não.
— Tudo bem, mas volta ainda antes de te sedarem — ela falou — E eu só estou indo porque eu sei que seus pais estão vindo para cá. E por que eu não sei, mas estou sentindo uma estranha sensação de que tenho que estar ao lado do meu pai.
Eu apenas conseguir dar um sorriso fraco dizendo que a amava.
Ela saiu depois de me beijar levemente a enfermeira ainda estava no quarto.
— Será que eu posso comer alguma coisa?
— Claro, não é preciso estar de jejum para o transplante, vou providenciar algo para você — ela disse gentilmente.
Eu respirei fundo.
Meus pais e Emmett entraram, assim que a enfermeira passou pela porta.
— Querido, como você está? — minha mãe me perguntou dando um beijo na minha testa.
— Ansioso e com medo — disse honestamente.
— Vai dar tudo certo, filho — meu pai falou.
— Vai sim, maninho — Emmett falou dando seu sorriso com covinhas.
Passou algum tempo, tomei meu café empurrando sem realmente sentir prazer nisso, chegaram Alice e Rosalie, nós ficamos conversando sobre amenidades, Bella voltou quinze minutos antes da enfermeira chegar e o Dr. Eleazar.
— Como seu pai está? — eu perguntei baixinho só para ela ouvir.
— Normal — ela falou confusa dando de ombros — Ele me deu uma carta, mas pediu para eu ler só quando já tiver começado o transplante — ela falou, me fazendo notar só agora que ela segurava um envelope branco na mão.
Engoli em seco.
— Me prometa uma coisa — pedi acariciando seu rosto.
— Qualquer coisa, meu fofinho — ela falou olhando lindamente para mim.
— Me prometa que você ainda vai me amar, depois do transplante, quando ler essa carta — pedi tentando disfarçar o desespero na minha voz.
— Que pedido bobo, Edward. Eu vou te amar todos os dias, para sempre.
— Assim como eu amo você — falei fazendo um biquinho, Bella beijou meus lábios delicadamente.
Eu não tive a oportunidade de ver Charlie, mais uma vez.

Ele franziu sua testa, confuso, ouvindo um soluço alto, alguém chorava, mas quem?
Ainda meio atordoado e sem saber onde estava, ele abriu seus olhos e deu de cara, com a sua mulher.
Seria esse outro sonho?
Renée estava ali, agachada ao seu lado, chorando sem parar, mas estranhamente não saia nenhuma lagrima de seus olhos, sua mão estava em cima da dele, mas ele não podia sentir o toque dela.
— Renée? — a chamei suavemente, olhando em volta, mas não tinha nada em volta.
Nada.
Com um estalo eu entendi tudo.
— Eu morri? — perguntei já sabendo a resposta, percebendo que não sentia meu coração bater dentro de mim.
— Oh, Charlie — ela disse soluçando ainda mais alto, me abraçando.
Deixei que ela se acalmasse, abracei-a como há muito tempo não fazia.
— Eu interferi, agora vai ser pior, ela... ela vai morrer... eu não podia ter interferido, mas eu tinha que salvar a alma da nossa filha, Charlie, tinha que fazer isso.
— Bella vai morrer? — perguntei angustiado.
Não, isso não podia acontecer.
— Ao salvar a vida de Edward, você salvou a vida da nossa filha, é uma morte em troca de outra. Mas só teve uma morte Charlie, vai haver outra. E perder uma parte sua é pior do que perder um pai, uma mãe e dessa vez Edward, vai estar sofrendo muito também.
— Renée, eu não estou entendendo. Quem vai morrer? Porque?
— A nossa neta, Charlie, a nossa neta, ela não existe ainda, mas seu destino já está traçado.


Notas da Autora:

Nossa, esse capitulo foi o mais difícil de escrever em toda minha vida, nada que eu escrevia ficava bom, sem falar que não era para acontecer isso. Sempre tive em mente que Charlie doaria a medula pra Edward, só que não era para ele morrer, mas quando eu comecei a escrever, tive essa ideia e sei lá acho que queria causar um impacto não sei... Preciso que vocês sejam bem sinceros comigo e comentem, ok?

IMPORTANTE: Gente, eu só quero deixar claro que é bem mais complexo um tratamento para receber e depois que recebe a medula óssea, pelo o que eu vi em alguns sites não está muito real, eu tive que modificar muitas coisas para conseguir fazer a fic andar, então, não leve nada aqui como exemplo para alguma coisa... sei lá, ok?