Gente, feliz natal e ano novo SUPER ATRASADO!ahahahahahahaa Foi mal, é que como janeiro ainda não acabou, eu lembrei que ainda havia tempo pra desejar boas festas... :3
Enfim, voltei! Continuo escrevendo e vou ver se consigo sair do meu momento sem criatividade e quase morte de histórias e talz...
Capítulo 6 – Independente das Possíveis Divergências
***Pov. Remo
A Elizabeth não estava nada bem. Eu sabia disso!
Todo aquele comportamento estranho não lhe era comum. Ela estava agoniada com algo. E aquilo estava me matando!
Conversar sempre foi algo difícil para mim. Para falar a verdade, eu não sou o tipo de pessoa que poderia ser considerada sociável. Sempre preferia a companhia de um livro à presença de qualquer pessoa. Mas o convívio com a Elizabeth deixou tudo mais simples. Pelo menos com ela.
***Flashback On***
-Ah Remo, fico feliz que você tenha respondido ao meu pedido com tanta prontidão! – Exclamou o diretor de Hogwarts, Dumbledore, assim que entrei em seu escritório. Veio em minha direção com o braço estendo para um cumprimento e apontava para que eu me sentasse em uma cadeira em frente a sua mesa.
Apesar de não saber do que se trataria a conversa, presumi pela forma que a carta me foi entregue, que era algo urgente. Sua expressão confirmava minhas expectativas.
Depois de toda a formalidade de ''como anda a vida?'' e '' há quanto tempo não nos vemos!'', demos início à conversa.
-Remo, o que estou prestes a lhe pedir é algo importante. Não pense que se trata de um equívoco. Antes desse momento eu refleti bastante sobre que decisão tomar e, acredite, não foi fácil me decidir. Então, antes de mais nada, quando eu lhe falar o que quero, não se apresse em responder. Pondere o quanto for necessário e faça o que seu coração mandar! - Ele terminou seu breve discurso com um rápido sorriso passando por seu rosto. Não entendi o que poderia o divertir naquela cena, mas imaginei que minha expressão de extrema confusão tivesse sido o motivo.
Acho que, em um primeiro momento, se eu soubesse o que estava prestes a acontecer eu não teria permanecido sentado naquele escritório. Fico feliz por não ser vidente!
-Professor, eu não sei o que dizer e, sinceramente, toda essa cerimônia não está tornando a situação menos embaraçadora. – Confidenciei a ele, sabendo que agia de forma correta ao externar meus pensamentos.
-Desculpe-me, Remo, não imaginei que você tivesse tanta pressa. – Ele disse sorridente, no entanto pude perceber um leve tom de desapontamento em sua voz. Apesar de não saber o porque, senti-me envergonhado. – Somente creio que o assunto a ser discutido precisa ser tratado com calma e delicadeza devidos.
Suspirei derrotado indicando que ele podia prosseguir com qualquer loucura que estivesse por vir.
-Tem uma aluna do primeiro ano que está passando por certas dificuldades com sua família em função do que ela é e do que eles são. – Ele começou sua explicação, falando sobre algo que fugia a minha compreensão e não era de meu interesse. O encarei perplexo, sem saber o que esperar daquela conversa. - Não me olhe assim, Remo. Logo tudo fará sentido. – Ele exclamou de repente, quando percebeu que eu não estava a ouvir-lhe atentamente.
-Perdoe-me, Dumbledore. Acontece que eu não entendo o que o senhor pretende dizer ao me contar histórias sobre uma jovem com problemas familiares. É chato falar isso, mas eu não acho que posso resolver os problemas dela. Já basta ter que lidar com os meus. – ele se levantou de sua ostentosa cadeira e foi até sua fênix, Fawkes, e começou a acariciá-la. Imaginei que estivesse a refletir.
-Como eu disse antes, logo tudo fará sentido. – Ele comentou sem se virar e permaneceu de costas por um tempo. Preferi permanecer calado esperando que ele prosseguisse.
-A jovem de quem eu lhe falo, Lupin, é uma hibrida. – Dito isso ele pausou, talvez esperando que eu digerisse a informação. – Ela é parte vampira e parte licantropa. De acordo com seus próprios relatos, é a descendência de seus pais. Sua mãe era vampira e seu pai lobisomem, o que é irônico, visto que essas duas espécies são inimigas naturais.
Por todo o discurso não pude expressar uma palavra que fosse. Realmente eu entendia a menina, mas o que eu poderia fazer? Enfrentar os mesmos problemas não significa que um poderia ajudar o outro. Ou será que...
-Enfim, sua família estava em constante guerra. Vampiros contra lobisomens e, infelizmente, a parte que aceitava tal anomalia acabou sendo dizimada. O que inclui os pais dela. – Depois dessa informação algo se agitou em meu interior, e eu percebi que sentia compaixão pela garota.
-Ela foi salva por sua avó, que sabiamente percebeu seu dom para feitiçaria e lhe explicou sobre nosso mundo pouco antes de também ser assassinada. – A cada momento eu me afeiçoava mais a menina. Sentia como se ela fosse parte da minha família.
-Nessa mesma época ela havia recebido sua carta de Hogwarts. Em meio a tanta calamidade ela se fechou durante o primeiro ano, fazendo poucos amigos e impedindo que entendêssemos melhor sua condição. Com isso Minerva sugeriu que a observássemos mais atentamente. Faz alguns dias que voltei da casa de sua família, onde ela está a passar as férias. E o que eu vi, Remo, se não for igual, é um pouco melhor que o tratamento recebido pelo jovem Potter vivendo com os tios trouxas.
Era uma pena todo o sofrimento pelo qual o Harry era submetido naquela casa horrível, mas essa era sua única opção. Afinal, a preferência sempre foi por mantê-lo vivo.
-Essa jovem não tem a necessidade de permanecer em uma família que a rejeita, que não a quer. Que não a ama! – Ele exclamou mantendo contato visual enquanto tornava a se sentar. Sua expressão indicando que algo inesperado estava por vir. – Se ao menos ela tivesse alguém com que conversar alguém que a entendesse. – Ele comentou despretensiosamente.
Eu ia esperar por mais para poder falar, até que toda aquela cena passou a fazer sentido.
-O senhor não está insinuando que ela deveria morar comigo, está? – Perguntei desesperado, querendo confirmar que minhas conclusões eram erradas.
-Eu não insinuei nada. Mas sua ideia é muito boa! – Ele respondeu com um sorriso maroto e eu percebi que, infelizmente, minhas conclusões eram corretas.
Assustado, levantei-me da cadeira em que estava e comecei a perambular pela sala do diretor. Que loucura eu ouvia naquele momento! Dumbledore achava mesmo que essa garota estaria segura comigo? Inacreditável!
-Olha senhor, com todo o respeito, eu não posso cuidar de uma menina de o que, doze anos. – Ele assentiu e ficou mudo esperando que eu terminasse. – Já é difícil me manter sozinho. Imagina mais uma pessoa. Sem contar que eu sou perigoso demais para uma criança. Eu sou um lobisomem, Dumbledore. LOBISOMEM! Nunca se sabe quando sairei do controle. – Ao terminar minha voz estava em um tom elevado, quase como um grito desesperado.
Eu não podia ficar com a menina. Será que ele tinha entendido?
Um ligeiro sorriso de canto de olho fez-me perceber que algo muito maior estava se passando pela mente do diretor. Uma torrente de ideias que me envolvia mais do que gostaria.
-Ora Remo, não há porque se exaltar. – Ele comentou perante meu nervosismo. – É uma forma de privá-la de mais sofrimento. E depois, a menina passará a maior parte do tempo na escola, com exceção das férias. Além disso, você não representa perigo a ela, meu caro. Sua licantropia é tão costumeira que você tem o hábito de isolar-se em épocas de lua cheia. Estou errado? – Perguntou retoricamente e prosseguiu. – Sabendo também que a jovem é como você, não vejo o porque dela sentir-se ameaçada. Na verdade, até imagino que vocês possam trocar certos conhecimentos. Como uma forma mutua de ajuda. – Okay, naquela hora realmente pareceu que Dumbledore estava tirando sarro comigo. Não foi intencional, mas eu me senti ofendido.
-Tudo bem. Digamos que isto funcione. – Supus buscando em minha mente uma forma de desconstruir seu argumento. – Eu sou pobre, Dumbledore. Não tenho trabalho fixo, ou seja, uma renda garantida. Seria loucura tentar cuidar de uma criança. – Constatei usando uma desculpa esfarrapada, mas a única em que conseguia pensar em meio a tanta confusão.
-A jovem tem dinheiro suficiente para sustentar vocês dois. – Ele disse em resposta, contornando meu argumento. – Basta retirá-lo em um banco trouxa e trocá-lo pelas nossas moedas.
-Desculpe-me, senhor, mas esse discurso todo continua não tendo sentido para mim. Não consigo ver o porque de logo eu ter sido 'escolhido' para deter a guarda da senhorita. – Exclamei ainda perdido e quase desistindo de entender o que estava sendo sugerido.
-Não pense como se faltasse tanto sentido assim, meu caro Remo. Sinceramente, acredito que se você ponderar irá perceber que o eu estou lhe pedindo não é tão absurdo quanto você faz parecer. Somente lhe peço que tente reconsiderar suas conclusões neste meio tempo das férias e depois me dê uma resposta. – Enquanto falava um sorriso esperançoso surgiu em seu rosto. Foi tolice minha, naquela época, ver aquela ideia com absurda. No fim Dumbledore sempre soube o que estava fazendo. – É claro que a decisão final é sua, Remo, e eu não tenho a intenção de lhe obrigar a fazer nada. Acredito que, no fim das contas, você agirá de forma correta.
Quando o diretor terminou de falar eu percebi que aquela conversa também havia terminado e que, por hora, não tinha porque discutir. Estava prestes a me retirar da sala quando, de relance, notei uma foto de uma jovem menina em cima da mesa a minha frente.
-É esta a jovem, Dumbledore? – Perguntei com um misto de curiosidade e, imagino eu, um pouco de tristeza, pois na foto ela não passava de uma criança feliz com seus pais. Apesar de ser uma foto trouxa a felicidade da família era perceptível.
-Ah, sim. É a senhorita Vanderwolf há alguns anos atrás, com seus pais, Charles e Emily.
-Ela parece ser simpática. – Comentei falando para o nada. – Os pais também. – Acrescentei em seguida, analisando atentamente a imagem que se encontrava em minhas mãos. Como se, por ela, algo sobre aquela família peculiar pudesse ser descoberto.
-Reflita com cuidado, Remo. – O diretor falou saindo da sala e me deixando sozinho. Com a fotografia.
Pensativo, guardei-a em meu bolso e andei.
***Flashback Off***
-Elizabeth? Elizabeth? – Eu gritava desesperado enquanto buscava algum traço de vida no rosto inexpressivo daquela menina que hoje era como uma filha para mim.
A segurei em meus braços, impedindo o choque de seu pequeno corpo com o chão, ao passo em que ela despencava como uma boneca de pano.
Quando a tomei nos sentei no chão e logo em seguida ela pôs-se a chorar em meu ombro, envolvendo-me num abraço apertado.
-Shhh...Calma, Liz, eu estou aqui contigo. Você não está mais sozinha, meu amor. – Falei carinhosamente, afagando suas costas e ouvindo seus soluços abafados.
Com força ela me apertou e eu fiquei quieto esperando que aquela confusão diminuísse.
Minutos passaram-se em silêncio, que mais pareceram horas para mim, em que eu apenas fiquei parado aconchegando a Liz junto ao meu corpo.
Ao ouvir um suspiro cansado levantei o rosto (que havia depositado na curva de seu ombro) e a encarei apreensivo. Percebi que seus lábios se moviam, mas som algum era emitido. Algo grande acontecia dentro da minha menina e eu agoniava esperando pelo momento em que ela se sentiria pronta para falar.
-Remo... – Sua voz saiu em um sussurro arrastado, como se estivesse com medo de dizer algo. A frase incompleta pairando no ar como oxigênio não consumido.
Após uma demorada fungada na tentativa de desobstruir as vias nasais invadidas pelo muco do seu momento de tristeza (quase poético... :B), a Liz buscou sua voz mais uma vez, a fim de dar início a mais uma sentença.
-Remo, eu não sei o que... – Desta vez ela foi interrompida por um simples soluço que lhe escapuliu por seus lábios trêmulos. Imaginando que ela poderia estar com frio, apertei-a com mais força a mim, apenas querendo transmitir segurança a uma criança acuada.
-Elizabeth. – Falei segurando seu queixo e a obrigando a olhar em meus olhos. O seu azul imaculado encontrando o meu âmbar atormentado. – Leve o tempo que precisar meu anjo. – Sorri da minha forma tímida, mas com sinceridade e esperando reconfortá-la. – Eu estou aqui contigo pro que der e vier.
bjs para todos e deixem seu review *-*
