Acabado.
Darien, (finalmente!) deitado em sua cama, sentia todos os músculos latejarem ao mesmo tempo.
Não conseguia se mexer para cobrir-se com o cobertor, não conseguia mover a mão poucos centímetros para pegar o controle remoto e mudar o canal daquela novela insuportavelmente chata. Nada. Só queria fechar os olhos e conseguir dormir.
Mas algo o impedia.
A lembrança viva de um dia mais agradável do que há muito ele não tinha. Um dia recheado de sorrisos bobos, palavras ditas sem nenhum sentido ou propósito, sorrisos sem motivo lançados ao acaso.
E uma deliciosa sensação de "proibido" possuindo-o por dentro.
Ela não o olhava nos olhos, nem lhe dirigia a palavra, a não ser que fosse muito necessário ou inevitável. Mas caso se encontrassem sozinhos, ou até mesmo caso ele forçasse a privacidade, o tom de voz autoritário e decidido dava lugar ao tímido e confuso, dando espaço pra que ele se aproximasse e os dois acabassem aos beijos.
Ela não o queria, era lógico. A impressão que ele tinha era que ela estava... Carente demais para recusar seus carinhos. Ora, ele também estava carente! Bom, certo, não carente. Talvez estivesse sentindo falta de algum sorriso que não fosse falso, uma atitude natural que não tivesse o único intuito de chamar a atenção dele. Era bastante difícil arrancar um sorriso do rosto de Serena, mas sempre que, com muito esforço, conseguia fazê-la achar graça de alguma coisa, era bem diferente dos sorrisos que ele sempre recebia de qualquer outra garota que não fosse sua irmã, Rita, sua mãe e suas tias.
Se bem que ele não queria que Serena sorrisse como sua mãe lhe sorria. Mas ele ia conseguir conquistar todos os tipos de sorrisos que existiam para conquistar. Pelo menos os 10 que ele sabia que ela podia sorrir. Demoraria um pouco, mas não importa.
É, bom, tudo bem. Era um pouco estranho que ele estivesse disposto a gastar tanto tempo para conseguir a atenção dela. Uma caloura.
Desde cedo, Darien havia se acostumado a ter a atenção de mulheres que os amigos de sua idade nem sonhavam em ter. Exceto Andrew. Quando tinha 10 anos, era o xodó das garotas mais velhas da escola, da aula de natação, da rua inteira onde morava.
Aos 15, foi ao baile da escola com uma garota que terminaria a escola naquele verão, e ela, quando passou para a faculdade, realmente o convidou para conhecer o dormitório dela. Bom, foi naquele dia que ele conheceu uma mulher pela primeira vez. E gostou. Bastante.
Depois, aos 17, na festa de formatura da escola, foi eleito Rei do Baile, e na votação secreta entre os alunos, o garoto mais bonito, mais legal e mais popular.
E com a namorada mais bonita, mais legal e mais popular. Além de Rainha do Baile.
Na faculdade não havia sido diferente. Desde que chegara, conquistou o lugar. Professores o adoravam, colegas o idolatravam, amigos o admiravam, e concorrentes o odiavam.
E as garotas o amavam. Todas elas.
Menos uma, como ele descobrira há pouco tempo atrás.
Era a primeira vez em sua vida que lhe acontecia algo assim. Que não lhe davam total atenção, que não faziam tudo o que ele pensava em pedir, que não estavam prontos para satisfazer qualquer desejo seu. Qualquer um mesmo.
Serena havia conseguido chamar a sua atenção por se diferenciar de todos que o rodeavam. Conseguira prender a atenção dele ao se tornar um desafio, e o desafio era conquistá-la, como todas. E conseguira fazê-lo não querer prestar atenção em mais nada todas as vezes que lhe lançava aquele olhar de puro ódio, como se quisesse vê-lo muito, muito longe. E quando revirava os olhos para qualquer coisa que ele dizia. Ou quando ignorava-o categoricamente. Ou quando tentava não olhá-lo. Ou quando acabava olhando, e quando passava os dedos pelos cabelos dele, quando ele acabava beijando-a.
E, bom, aquilo estava lhe tirando o sono.
E agora ele tinha o estranho vício de passar duas gotas do perfume dela no próprio travesseiro todas as noites.
Isso não era muito saudável.
E foi para espantar esse mesmíssimo pensamento e tentar desviar a mente de determinados olhos azuis que naquela manhã ele se levantara decidido a treinar como nunca havia treinado antes. Quer dizer, ele iria competir num torneio internacional e não estava se preparando direito.
E foi isso o que fez. Dirigiu até a faculdade e nadou por umas quatro horas, parando quatro vezes para beber água e recuperar o fôlego.
Terminou o treino com a maioria dos músculos doendo, implorando por qualquer chute que servisse de massagem. Deitou-se no banco do vestiário para tentar descansar um pouco quando ouviu o barulho de vozes.
-Viu, Lita? Eu disse que não ia estar ocupado num Domingo. Vamos poder treinar.
-Tá, tudo bem, vamos logo com isso. Quem quer treinar num domingo, afinal?
-Ah, eu estava com saudades daqui. Odeio fraturar o pé.
-Então não deveria ficar correndo no meio de um monte de pedras, não é?
-Você sabe como correr em pedras tonifica os músculos, Lita. E eu preciso dos meus músculos tonificados.
-Tanto faz. De qualquer forma, estou surpresa de não haver ninguém aqui.
-Como assim? Você acabou de se perguntar quem é que treinaria num domingo!
-O pessoal da natação, quero dizer.
-Ah, o Darien e o pessoal dele?
-É. Ele vai competir com o tal do francês em um mês, acho que deveria estar treinado, não?
-Sei lá, vai ver está, só que não aqui. E por falar em francês... Ai, você já viu o cara?
-Já, uma vez.
-Duas palavras: Oh, uau!
-Isso nem chega a ser palavra, Rey.
-Tanto faz, é a única coisa que descreve o cara. Um deus!
-Pensei que Darien é que fosse o deus.
-Oh, bom, ele continua sendo, é claro. E por falar nele, você já reparou na atenção excessiva que ele tem dado a Serena?
-Já, mas só os vi perto do outro uma ou duas vezes.
-Uau, agora eles tipo, vivem grudados. E ela está sempre sendo uma grossa. Eu já disse a ela que se ela continuar sendo rude assim, ele vai embora rapidinho.
-E o que ela disse?
-Que era essa a intenção. E mesmo assim, ele continua dando caronas a ela. Eu não o que foi que ela fez para chamar a atenção dele de repente.
-Seja lá o que for, está dando certo. Seya também já está dando bastante atenção a ela. Ele estava realmente convidando para visitá-lo na França um dia, quando Darien chegou e a levou, junto com mais cinco garotas, para tomar sorvete.
-Bom, pra mim o Seya pode ser lindo e tal, mas o Darien... Ah, sei lá. É ele. É ele quem vai ficar com Serena no final.
-Você acha? Acho que Serena não está disposta a ceder tão cedo. Ela não gosta muito dele, de verdade. E além do mais, acho que ainda está muito recente para ela namorar alguém desde que o Chad foi para os Estados Unidos.
-Ah, é verdade. Ela ainda está um pouco abalada com isso. Se bem que eu acho que alguma coisa já aconteceu entre ela e o Darien.
-Porque diz isso?
-Bom, foi estranho. Lembra, da vez quando Andrew pediu que ela fosse deixar aquele livro para o Darien na casa dele?
-Lembro.
-Então, nós íamos ao cinema depois, e ficamos de nos encontrar na casa da Amy. Além de ela ter demorado umas cinco vezes mais do que demoraria para entregar o tal livro, quando eu perguntei se ela havia feito a entrega ela ficou toda tipo "Eu fui lá entregar, não fui? Está vendo algum livro aqui comigo?". Toda nervosa. E quando eu perguntei se ele estava gostoso ela me mandou calar a boca e, juro, jogou um sapato na minha cabeça!
-Um sapato?
-É!
-Uau!
-Quer dizer, não é óbvio?
-É... Mas também acho difícil acreditar. Serena não é do tipo que deixa... Acontecer algo tão facilmente.
-É, eu sei. E é exatamente por isso que eu acho que ela estava tão zangada. E você se lembra daquela vez em que estávamos assistindo os filmes na casa da Mina, quando nós dormimos lá e brincamos de "Verdade ou Desafio", e eu perguntei pra ela se ela achava o Darien o cara mais gostoso da faculdade, e ela respondeu que sim! Mesmo que ela só tenha respondido porque ela sabe que sabemos quando ela está mentindo. Lembra?
-Lembro. Mas mesmo assim, uma coisa é ela admitir que ele é gostoso, outra coisa é ela acha-lo suportável.
-Mesmo assim. Acho de verdade que ele ainda vai conseguir dar uns beijos nela.
E então ele foi tomar banho, gostando mais de Rey naquela manhã do que gostava antes.
Quando entrou no carro para voltar pra casa, ele estava tão feliz com a conversa que havia ouvido, e tão satisfeito com a opinião de Rey, que resolveu ir fazer uma visita, esquecendo totalmente o plano de tirar Serena do pensamento.
Chegou à casa do melhor amigo e encontrou-o lavando o carro.
-É a terceira vez que você lava o carro em uma semana. – ele disse, tomando o cuidado para ficar longe do balde de água. Andrew não era o que se podia chamar de cuidadoso.
-É, bom, você sabe. Rita está viajando, então eu não tenho muito que fazer.
-Quer ajuda? – ofereceu por educação, torcendo para ele recusar.
-Não, obrigado. Estou acabando. O que veio fazer aqui?
-Ué, não posso mais passar na sua casa para visitar? Quer dizer, você é o meu melhor ami...
-Veio ver Serena, não foi?
-É. Ela está aí?
-Está, no quarto dela. Mas eu acho que ela não vai ficar muito feliz de ver você.
-E porque?
-Ah, sei lá, ela nunca fica feliz quando vê você, não é?
-Cale a boca.
-Você é quem sabe. Só não vá irritá-la muito, certo? Depois sobra pra mim, que tenho que aturar o mau-humor.
-Não pretendo faze-la ficar irritada. Avise-me quando estiver livre, podemos sair pra comer alguma coisa com os caras.
-Certo.
E ele entrou na casa.
Subiu as escadas e achou a porta aberta e uma Serena sentada na cama, com um monte de papéis espalhados por cima do edredom cor-de-rosa.
-Andrew, você sabe onde eu... – ela olhou-o. –Ai, meu Deus, tão cedo? Você não tem mais nada pra fazer não?
-É, na verdade eu tenho. Mas são coisas chatas, e a sua companhia é bem melhor.
A loira revirou os olhos.
-O que está fazendo? – ele perguntou ao entrar no quarto e sentar-se ao lado dela na cama, notando que ela não se afastou como normalmente faria.
-Não que seja da sua conta, mas estou tentando organizar minhas gavetas e meu guarda-roupa.
-Quer ajuda?
Desta vez ele realmente queria que ela aceitasse.
-Não, obrigada.
Ele permaneceu apenas olhando-a por um tempo, mexendo em papéis, fotos, livros e revistas, o cabelo loiro refletindo o sol que vinha da janela.
-O que você vai fazer hoje à noite?
-De novo, não que seja da sua conta, mas eu vou à festa de Mina.
-É aniversário dela?
-Não.
-Ela está grávida?
-Meu Deus, não!
-Ela vai se casar?
-Não!
-Está noiva?
-Não!
-Então porque a festa?
-Não há um motivo, Mina é uma pessoa que gosta de festas ao acaso.
-Então ela simplesmente resolveu dar uma festa?
-É.
-Bom, então acho que não vai haver problema se você faltar.
-O que? O que fazer você pensar que eu não vou à festa dela?
-O fato de que você já havia se comprometido de ir à festa de noivado da minha irmã comigo. Lembra?
-Ah, bom, eu já disse que não vou mais.
-Não disse não.
-Disse sim.
-Não disse não.
-Disse sim.
-Não disse não.
-Sim, eu disse! Mas que coisa!!
-É, tudo bem, disse, mas minha mãe continua achando que você vai.
-Então, ora, simplesmente diga a ela que eu não vou. Simples.
-E porque não vai?
-Como por quê? Por causa da festa de Mina, ora essa!
-Ora, você sabe que a sua presença lá não é fundamental.
-E o que faz você pensar que eu vou dar preferência à sua festa do que à festa de Mina?
-Bom, contando com o fato de que na festa de Mina você vai estar sozinha e que o namorado dela vai estar lá, acho que é preferível ir à festa da minha irmã, onde você vai ter toda a minha atenção.
Perfeito. Era exatamente isso o que pretendia. Apesar das feições severas e impassíveis, ele podia identificar um brilho característico nos olhos azuis.
Desde que ela fugira de seu apartamento, quase duas semanas antes, ele sempre achava uma brecha no jeito duro da loira, o suficiente para se aproximar sem ser espancado.
É verdade que ela agora tomava todos os cuidados para não ficar sozinha com ele, para não deixa-lo olha-la nos olhos.
Mas também era verdade que não mais tentava fugir quando ele conseguia, de uma forma ou de outra, quebrar as barreiras que ela criava e ficava perigosamente perto.
Como agora.
-Bom, as meninas vão estar lá também!
-Lita também vai estar com o namorado, e, pelo que eu sei, Rey e Bob vão estar se agarrando pouco tempo depois de a festa ter começado. E Amy vai ficar discutindo física com aquele garoto que gosta dela, então não lhe sobra muita opção, senão vir comigo.
Ela agora tinha o cenho franzido e mordia o lábio inferior, como se considerasse a idéia.
-Bom... Acho que o Kevin também vai estar lá...
-Kevin? Oh, vai por mim. Conheço bem o Kevin, ele vai querer ficar discutindo ficção científica com quem se aproximar dele.
A dúvida dela pareceu crescer.
-Bom, pode ser que...
-Porque você simplesmente não aceita o fato de que é melhor vir comigo?
Ela olhou-o nos olhos. Percebendo o erro, desviou-os para os papéis que continuavam em seu colo.
-Bom... Bom, tudo bem. Certo. Mas só se você prometer uma coisa.
-Qualquer coisa.
-Que nós vamos passar na festa da Mina antes, só para dizer que eu não fui porque você me obrigou a ir à festa da sua irmã.
-Combinado. Mesmo que eu não esteja forçando você. Mas você pode dizer isso.
A ameaça de um sorriso pareceu se formar nos lábios rosados, mas ela o reprimiu.
-Bom, certo. Então eu acho que vou almoçar. E depois eu vou precisar me arrumar. Aí você pode vir me buscar.
-Eu tenho uma idéia melhor. Porque eu não ligo para os meus amigos, você liga para as suas amigas, e nós e o Andrew almoçarmos todos juntos? Vai ser legal.
-Pode ser. Então vá ligar para eles, que eu ligo para as meninas.
E assim foi. Logo estavam ele, Serena, Andrew, as amigas dela e os amigos deles, todos sentados nas várias almofadas da sala de Andrew, enquanto o próprio Andrew e Kevin faziam um churrasco na cozinha, discutindo ficção científica e sociedades utópicas.
Darien havia tomado o cuidado de garantir que Serena sentasse ao seu lado. Na verdade, estava tudo muito agradável: estavam sentados, ele e Serena, perto da janela, onde os raios do sol, muito fortes aquela hora, não batiam, mas uma leve brisa passava por eles, fazendo-os refrescar. E ela havia desistido de tentar fazê-lo parar e agora deixava que ele às vezes fizesse carinho em seu cabelo. E estava até rindo das piadas que ele fazia sobre Andrew, e também das piadas que Andrew fazia sobre ele. Também havia aceitado quando ele lhe deu na boca um pedaço de carne.
Parecia até que ela gostava dele.
-E quando você tentou fazer aquela maluquice de se jogar do primeiro andar do prédio na piscina? Eu pensei que você fosse vomitar quando viu a diretora entrar! – ele comentou com Andrew.
-Você ia se jogar do primeiro andar de um prédio? O que você tinha na cabeça? – Mina perguntou a Andrew.
-Ah, você sabe, nada. Eu tinha 15 anos!
-Eu não tentei me jogar de um prédio quando tinha 15 anos! – Rey declarou.
-Mas tentou esconder uma câmera no vestiário masculino da escola! – Serena denunciou.
-Eu consegui, não consegui?
-Conseguiu, só não conseguiu recuperar a câmera depois.
-É, mas você bem que ficou animada com a idéia de ver o que tinha na fita.
E de repente Darien não gostou no rumo que a conversa tomou.
-Você não gostaria? Os melhores jogadores de basquete da escola estariam sendo gravados tomando banho. Acho que até minha avó ia gostar de ver a fita. – Serena disse ao tomar um gole de refrigerante.
-Bom, não é como se você não tivesse visto você mesma o que não pôde ver na fita. Eu me lembro daquela vez em que começou a sair com o Johnson! – Lita de repente declara.
-Que Johnson? – Andrew perguntou.
-Aquele ruivo que você pegou tentando escalar a minha janela uma vez, lembra?
-Ah, aquele infeliz?
-Ele tentou escalar a sua janela, Serena? Porque não me contou isso?! – Mina reclamou, aninhada ao namorado.
-Ah, coitado. Meu pai e Andrew gritaram tanto com ele que eu fiquei com pena de contar que ele não conseguiu. O coitado saiu lá de casa com os ouvidos doendo.
-Mas não foi pior da vez em que aquele cara, o Ted mandou flores pra você no meio da aula e depois saiu correndo de vergonha. Meu deu uma pena... – Rey falou de onde estava sentada, tomando um gole de refrigerante em seguida.
-É. Ele era um doce. Gostava de mim desde a primeira série. Fiquei feliz quando transferiu todo o afeto para Amy.
-Ah, nem me fale. Como se eu já não tivesse preocupada demais com o meu próprio namoro naquela época. Mas ele tinha um irmão, não é? Que passou a gostar de você também, e os dois começaram a nos perseguir por onde quer que a gente fosse?
E aí todas elas começaram a rir, comentando como era engraçado ficar se escondendo deles, esperando que desistissem e fossem embora.
Muito contente quando a assunto "Namorados da Serena" acabou, Darien ofereceu um pouco do sorvete que ele mesmo tomava a ela, que aceitou um pouco.
-Já contou a Mina que não vai à festa dela? – ele disse baixo, para que não o ouvissem.
-Não, ainda não. Não vou dizer agora. Só quando nós formos embora da festa dela.
-Como você quiser.
-Foi uma boa idéia, esse churrasco.
-Eu tenho boas idéias.
O sorriso que surgiu no rosto dela fez com que um bicho em seu estômago começasse a rugir orgulhoso.
E o mesmo bicho rugiu ainda mais forte quando ela se encostou nele para assistir "Guerra nas Estrelas", o filme que Kevin sempre carregava consigo e que todos concordaram em assistir. Logo depois o bicho parou de rosnar e passou a ronronar satisfeito quando ele reparou que ela havia dormido encostada nele, e que apenas se aninhou mais quando ele passou o braço por cima dela e descansou a cabeça no sofá, o filme de repente se tornando muito chato comparado ao ritmo da respiração dela.
Era um tanto difícil ficar ali, com o braço ao redor do corpo dela e não poder simplesmente virar o rosto e beijá-la o mais longamente que ele podia pensar.
Porque ela estava dormindo.
Era bastante torturante sentir a ponta dos dedos passarem pela pele das costas que a blusa dela não cobria e não poder subir a mesma blusa um pouquinho mais e esperar que a reação dela fosse boa.
Porque ela estava dormindo.
E era bem chato sentir a mão dela descansando em seu peito e constatar que ela não estava fazendo carinho.
Ela estava dormindo.
E era quase tentador acorda-la e dizer "Ei, vamos sair daqui, ir pra um lugar bem isolado e nos beijar a noite inteira.".
Porque ela provavelmente iria rir na cara dele, depois de ter dado um belo tapa por tê-la acordado.
E quase agradeceu à Minha quando ela levantou e disse que tinha que ir embora pra ajudar os vários empregados que estavam preparando a festa dela por ela.
-Quer dizer, eu preciso ir ver como está tudo, e me arrumar também. O DJ vai chegar em pouco tempo q eu tenho que estar lá para recebe-lo! Bom, não tenho que estar lá, mas seria legal.
-Oh, então se você já vai, eu vou também! – Rey disse, levantando-se.
E foi então que Serena acordou.
-Que horas são?
-Quase seis.
-Oh, ótimo. Vou me arrumar.
E, sem avisos, despedidas ou sorrisos de "Vejo você daqui a pouco", ela levantou-se e saiu saltitando para o seu quarto.
-Oh, então nós já vamos também, não? – Lita, o namorado e Amy levantaram-se também.
No final, só Kevin ainda estava deitado nas almofadas, comendo o resto da pipoca de todo mundo, com o controle remoto na mão, repetindo por muitas e muitas vezes a fala "Eu sou seu pai.". Aparentemente, era uma emoção diferente a cada vez que você ouvia.
-Bom, certo, então. Acho que encontro você na festa da Mina? – Andrew se despediu dele.
-Ah, é, ótimo.
E ele foi pra casa.
E estava deitado, com os músculos doendo pelo exercício da manhã, uma enorme preguiça de repente se instalando nele. Talvez ele não precisasse ir à tal festa. Talvez ele só ficasse em casa e dormisse.
"Oi, aqui é o Darien. Eu não estou agora, mas posso ligar depois. Então você sabe o que fazer."
-Querido? Sou eu, a mamãe! Que mensagem um tanto rude, meu bem! Você poderia mudá-la!
Talvez ele só ficasse deitado tentando achar um meio de fazer os músculos pararem de doer.
-Espero que esteja tudo certo para hoje à noite, querido! Sua irmã está tão empolgada que está fazendo todos aqui quererem estapeá-la, imagine, haha!
A presença dele não era realmente necessária. Era até insignificante, pra falar a verdade.
-Eu já disse à sua irmã que você vai trazer Serena! Ela demorou para lembrar-se dela, mas recordou-se da vez em que ela namorou Andrew por duas semanas, e Serena perguntou se eles iam casar e ela teria de ser da mesma família que você. É muito espirituosa, essa menina!
Serena. É. Ele tinha que ir. Ele havia conseguido convence-la a ir, inventando um monte de argumentos, não é? Não ia jogar tanto esforço assim pela janela.
-Bom, espero que você use a camisa se cashmiere que eu lhe dei, meu bem. Trouxe da França pra você, veja bem. E faça uma forcinha para usar os sapatos italianos que seu pai lhe deu, sim? Deixaria sua mãe muito feliz. E acho que aquela calça da Calvin Klein seria também muito apropriada. Nem pense em usar aquela jaqueta de couro preta horrível que você comprou naquela loja horrível! Aquela Armani que eu lhe dei é perfeita. Bom, são apenas sugestões. Deixaria mamãe muito feliz, querido, mas é você quem sabe.
Olhou para o relógio na parede. 20h26min. Quase na hora de ir buscá-la.
-E pense com carinho no relógio que compramos no Natal do ano passado, sim? Amo você, até daqui a pouco.
É. Era melhor que ele fosse.
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Estacionou o carro na porta de Andrew e Serena meia hora depois, vestido quase exatamente como sua mãe mandara. A não ser pelo relógio. Estava usando o que compraram em seu aniversário, não no Natal.
Desceu e tocou a campainha. Andrew atendeu, vestido em jeans, tênis e uma camisa branca. Olhou-o meio confuso.
-Um tanto sofisticado demais para a festa de Mina, não?
-Ah, bom, você sabe, houve...
-Ah, você já chegou. Bom, pensei que fosse ter de ficar esperando.
Ele deu uma olhada para a voz que vinha de trás de Andrew. Serena parecia mais bonita do que ele pensava que ela poderia ficar. Uma saia preta rodada até os joelhos, uma blusa azul marinho traspassada com um bonito e pouco revelador decote e botas pretas até os joelhos compunham o visual noite da loira mais bonita que ele já vira na vida.
-Eu estou perdendo alguma coisa? Porque vocês dois estão mais vestidos para ir a uma festa do Oscar! Era pra ir assim?
-Ah, não, não. Nós vamos a outro lugar depois. – Serena disse, passando pelos dois.
-Ah, outro lugar? – Andrew lhe lançou um olhar interrogativo.
-É. A festa de noivado de Stacy.
-Ah, sim. Ela me mandou um convite. Só que eu não consigo suportar as festas da sua irmã, sem ofensas.
-Sem problemas.
Pra falar a verdade, nem ele conseguia suportar as festas cheias de frescuras da própria irmã. Estava fazendo um esforço enorme para poder exibir Serena pra todas as pessoas que ele podia pensar, sem contar em uma chance de ficarem sozinhos, pra variar.
-Então imagino que você não vai no meu carro? – Andrew disse para Serena.
-Não, não, eu vou! – Serena meio que correu para a porta do carona do carro de Andrew.
-Ei, você não ia comigo? – Darien não pôde deixar de reclamar.
-Bom, é claro que eu poderia, mas como estamos indo para o mesmo lugar, acho que posso passar um pouco de tempo com meu irmão. Todo aquele churrasco quase não me deixou contar as novidades para ele. – Virou-se para Andrew. – Vamos?
Andrew pareceu muito satisfeito com a decisão.
E então eles foram. Andrew e Serena. E Darien. Sozinho. Ele o um fantasma no banco do carona, que ficava lhe dizendo que se ele não fosse tão burro, eles poderiam estar indo direto para a festa de Stacy naquela hora, não para a festa estúpida de Mina, e Serena estaria lá no banco carona, e não um fantasma irritante.
Chegaram à casa de Mina em pouco tempo. Uma casa bem grande, com mais empregados do que o necessário, na verdade. A música já estava alta, e já havia pessoas conversando no jardim, rindo alto demais.
Eles desceram e Darien viu Andrew e Serena rirem de uma piada da qual ele não estava familiarizado.
Que droga.
-Uau, Mina gosta de um agito, né? Os pais dela estão ok com tudo isso?
-Ah, eles não estão no país. A avó está tomando conta dela por três semanas.
-Oh, entendi. Ela fez a avó dormir e deu uma festa?
-Não. A avó dela deixou ela dar a festa se ela prometesse arranjar um lugar seguro para ela fazer uma tatuagem.
Ambos, Andrew e Darien viraram-se para ela, surpresos.
-Uma tatuagem? – Darien perguntou.
-É. O nome do marido, dos filhos e dos netos no pé. Ele tem o mesmo nas costas. Ele a convenceu a fazer a tatuagem em uma viagem que fizeram à Las Vegas.
-É... Se minha avó quisesse fazer uma tatuagem eu me mataria. – Darien disse.
E então entraram.
Não era uma festa chata. Parecia uma rave da alta-sociedade. Cheia de luzes, música eletrônica, telões com clipes musicais e uma mesa enorme de DJ embaixo do quadro de família da sala, a belíssima e sofisticada casa da família de Mina estava irreconhecível.
Os três andaram um pouco mais à frente, e Andrew logo foi engolido por um grupo de garotas que o puxou para dançar ou qualquer coisa.
Darien caminhou ao lado de Serena, procurando Mina. No caminho, passaram por uma Rey super entretida pelo que Bob lhe dizia ao ouvido, por Amy, que discutia as leis da gravitação com... Com... Bom, aquele garoto que gosta dela. Lita dançava com o próprio namorado, e nem um sinal de Mina.
-Sabe, nós não podemos nos atrasar muito. Vai haver uma anunciação e tudo.
-Certo, certo, eu só quero falar com Mina uma vez só. Espere um minuto, okay?
Só quando já estavam lá há 20 minutos, ela apareceu pelo salão.
-Ah, oi! Já estão aqui?
-Há um tempo! Onde você estava? Estava te procurando!
-Oh, desculpe! Eu estava com a minha avó! Ela fez a tatuagem! E o meu nome levou um pouco de destaque, porque fui eu que arranjei o tatuador e a ajudei a pular de pára-quedas! Ficou lindo! Eu queria fazer uma também.
Serena balançou a cabeça, como se para processar a informação mais rápido, e falou de novo.
-Veja, eu realmente queria ficar, mas Darien está me obrigando a ir a festa de noivado da irmã dele, e já estamos um pouco atrasados.
-Ah, jura? Eu queria te apresentar o Dj! É um gato, total o seu tipo!
Darien achou melhor falar agora.
-Bom, então nós já vamos. Estamos bastante atrasados para o discurso. Diga à sal avó que eu desejo que a tatuagem ela cicatrize sem maiores problemas. Certo?
-Oh, okay! – Mina deu um beijo no rosto de Serena. – Me contem como foi depois. Vou guardar docinhos pra vocês.
E foi-se.
-Vamos então? – Darien conduziu Serena pelas costas de volta à porta de entrada. Ou saída.
-Você está com pressa, não é? – ela o olhou por cima do ombro, as sobrancelhas erguidas.
-É. Vamos.
Ele se sentiu seguro quando entraram no carro dele, e ele arrancou.
A viajem foi até agradável. Conversaram sobre como seria esquisito ver sua avó fazendo uma tatuagem, ou pulando de pára-quedas. Ambos concordaram que era melhor que preferiam suas avós na poltrona da sala fazendo crochê e vendo novela, ou comprando presentes para os netos no Natal, ou cozinhando o bolo mais gostoso de todos.
Bom, ela não se inclinou para ele enquanto ele dirigia e o beijou. Nem lhe fez carinhos no cabelo e na orelha, mas tudo bem. Só o fato de ela não estar emburrada com os braços e pernas cruzados olhando para fora da janela já foi um bom avanço.
Chegaram à casa dos pais dele e foram recebidos por sua mãe à porta.
-Oh, chegaram! Que bom! Estou feliz de ver você, querida! Obrigada por ter vindo!
-De nada! – Serena sorriu para ela e aceitou os beijos nas bochechas. E então ela se virou para Darien.
-Meu príncipe! Adorei a roupa! Está lindo! Lindo como sempre! Sua irmã está ansiosa por ver você! - Ela lhe abraçou e beijou o rosto. – E está muito cheiroso também.
-Obrigado, mãe. Está linda também.
-Ah, bobagem! – ela balançou as mãos. –Vamos, entrem, entrem! Vou chamar Stacy.
Eles entraram e Darien viu uma enorme quantidade das amigas de Stacy. As que o conheciam mais tempo o cumprimentaram. As que ele não conhecia sorriram, olharam de cima a baixo, sorriram mais e lhe deram beijos no rosto, tocaram seu ombro e comentaram porque Stacy não havia mencionado que tinha um irmão tão bonito.
-Ah, aí está você! – ele ouviu a voz da própria irmã e virou-se.
-Uau! Quem é você? Onde está a minha irmã?
-Ah, pare de brincar! – ela se aproximou e lhe deu um abraço apertado. – Estava com saudades.
-Eu também. – Ele disse ao devolver o abraço. – Você está ótima! Linda mesmo!
-É, você sabe. A França faz bem a qualquer um. – olhou para o lado. –Serena! Meu Deus, como vai? – As duas se abraçaram. –Nossa! Não via você há muito tempo! E como está Andrew?
-Está bem! Mandou um beijo!
-E porque ele não veio?
-Ah, ele já tinha um compromisso. Mas mandou lembranças.
-Ele é uma graça. Você está linda!
-Ah, obrigada!
-Venham, venham! Quero apresentar-lhes o Jean Paul. Ele é o francês mais lindo que conheceram!
-Francês? Que coincidência! Eu conheci um francês que é um charme no mês passado!
E enquanto andavam para conhecer o noivo, ele foi obrigado a ficar ouvindo as duas comentarem como os franceses tem um jeito de olhar que te fazem perder o foco.
-Jean, querido? Este é Darien, meu irmão. E Serena, a... Namorada dele.
Serena olhou-a surpresa, e ia abrir a boca para esclarecer o mal-entendido quando Darien a interrompeu.
-Jean Paul, como vai?
-Oh, muito bem, obrigado. Stacy fala muito de você.
-Bem, eu espero.
-Muito bem. Disse que você já namorou metade das amigas dela. – e olhou Serena. – E devo parabenizá-lo pela escolha. Linda, sua namorada.
Ele pegou a mão de Serena e beijou-a, e ela novamente desistiu de dizer que não era namorada dele.
-Ah, obrigada.
-Ai, que bom que se conheceram! Estou feliz! – Stacy abraçou o marido e sorriu para Darien.
-Vamos, vamos pegar uma bebida pra vocês.
A festa estava animada. Se você considera ficar andando por aí e sorrir para um monte de gente que você não conhece como diversão. Ele olhou para Serena, que agora já estava sendo apresentada a todos como namorada dele por mais de um ano e meio. Desistira de tentar explicar tudo quando o pai dele lhe disse que ela era mais bonita do que qualquer namorada que ele havia apresentado, desde o jardim de infância. Ela pareceu ficar feliz como o elogio.
Quando eles terminaram de cumprimentar um primo de segundo grau de Jean Paul, Serena já parecia tão entediada quanto ele.
-Aposto cinco sorvetes como meus primos vão aprontar alguma coisa até o final da festa. – ele comentou quando três garotos passaram correndo por eles e desapareceram pelo corredor. – Eles sempre dão um jeito de animar quando a festa está chata demais.
Ela sorriu.
-Bom... – ela sussurrou para ele – Tomara que eles ajam rápido.
-Oh, queridos! – sua mãe os chamou. –Venham, Jean Paul vai fazer o discurso agora!
Eles foram para perto da mesa do buffet, onde Stacy e Jean já estavam, e as pessoas chegavam, parecendo curiosas.
Quando todos chegaram, Jean levantou-se e ergueu a taça.
-Boa-noite novamente.
Todos responderam, sorridentes.
-Quando vi Stacy pela primeira vez, estávamos longe do lado bonito da França, no meio de uma mata, cheia de mosquitos e mato no cabelo. Estávamos os dois sujos, cheios de arranhões e folhas nas roupas e nos cabelos. Em um estado horrível. Então eu pensei: "Se ela continua linda, mesmo quando deveria estar horrorosa, então ela deve ser a mulher mais bonita do mundo!". É claro que não imaginava o quão linda ela era até encontrá-la no hotel, na mesma noite. Acho que fiquei sem fala. Ela percebeu, porque me perguntou se eu estava engasgado.
Todos riram.
-Naquela noite nós jantamos ma companhia de um grupo de mais de trinta pessoas, e entre elas se encontravam uma atriz e duas modelos, uma das quais eu já havia namorado. Mas eu não conseguia tirar os olhos dela. O cabelo negro mais brilhante que eu já havia visto, a pele mais macia do que a mais pura seda, como eu pude constatar na vez em que ela apertou minha mão quando fomos apresentados. Os olhos tão profundos quanto dois lagos da água mais pura e cristalina...
Ambos, Darien e Serena já haviam suspirado várias e várias vezes. Poderiam ser palavras bonitas, e Stacy poderia estar à beira das lágrimas de tanta alegria. Mas que era um discurso chato, isso era.
A Sra. Chiba estava de mãos unidas e sorvia cada palavra com admiração. O Sr. Chiba olhava com admiração, mas estava claramente entediado. As amigas de Stacy pareciam que iam derreter á qualquer momento. As crianças brincavam sentadas aos pés dos pais.
E ele e Serena estavam achando difícil resistir ao sono que estava chegando.
Ele percebeu quando ela levou a mão à boca para disfarçar um bocejo.
-Quer dar uma volta? Aposto que ninguém vai reparar se sairmos de fininho.
Ela o olhou com o cenho franzido.
-Ai, isso seria indelicado demais!
-Indelicado é ouvir um discurso que não acaba nunca. E eu não quero saber os detalhes da tatuagem que a minha irmã tem nas costas, por favor!
Ela olhou Jean Paul, que realmente estava dizendo como havia ficado deslumbrado quando viu a tatuagem de pássaros que Stacy tinha nas costas.
-Bom, acho que se sairmos de fininho e ninguém perceber... Acho que eu não agüento mais...
-Certo, espere. – Ele olhou para trás e viu que a porta da cozinha estava perto, se fossem por trás da escultura de Dali e corressem um pouco. –Tudo bem, venha comigo. Quando chegarmos à escultura, vamos ter que correr um pouco até aquela porta ali. Certo?
Ele a pegou pela mão e viraram-se discretamente, enquanto Jean Paul fazia uma piada sobre halterofilismo e golfinhos. Sem graça até morrer.
Quando eles chegaram à tal escultura, apressaram o passo e correram até a cozinha, que estava vazia, todos os empregados haviam sido convidados à assistir o discurso.
-Ai, graças a Deus. Esses franceses podem ser bem eloqüentes! – Serena comentou quando a porta fechou.
-É, eu bem sei. – Ele abriu a geladeira. – Quer... Hmm... Pudim de chocolate?
-O quê? Você está maluco? Não podemos comer as sobremesas dos convidados!
-Não, não, esse é pra mim! Minha mãe e Stacy não comem chocolate, muita gordura. E meu pai não gosta de pudim. Minha mãe manda fazer quando eu venho. Vê, tem até o meu nome! - ele pegou o recipiente e mostrou-o à Serena. E, realmente, havia uma etiqueta que se dirigia à ele.
Ela leu e olhou-o com as sobrancelhas erguidas.
-Príncipe?
-É, bom. Minha mãe me chama assim desde que eu fui Rei do Baile, na formatura da escola.
-Rei do Baile é?
-É. Surpresa?
-Não. É até previsível.
Ele sorriu.
-Bom, vamos comer isso aqui. Podemos fazer um passeio. Vamos, você ainda não viu a piscina, é a minha parte favorita da casa.
Ele a levou até a casa da piscina, onde os amigos e convidados geralmente dormiam. Era bem confortável. Em dez minutos, os dois já estavam sentados em espreguiçadeiras, comendo o pudim direto do recipiente, cada um com uma colher.
-Ano passado... Acho que o Jake correndo pelado pelo campus. Essa foi a melhor de todas.
-Ah, é. Que idéia foi aquela?
-Uma aposta. Apostamos que ele não correria pelado na frente da ex-namorada.
-E porque vocês foram apostar isso?
-Porque aquela mulher era insuportável. Ele não podia ter um fio de cabelo fora do lugar, era escândalo na certa.
-Nossa.
-E o seu?
-Hmm... Acho que... Não sei.
-Ah, vamos! Você deve se lembrar do momento mais esquisito do ano.
-Não. Bem, acho que foi o do Jake também.
-Ah, nem vem! Você não estava lá!
Ela suspirou e comeu mais pudim.
-Conto se você prometer que não vai ser um idiota.
-Prometo.
Ela olhou para o chafariz.
-Aquele dia na piscina.
-Que dia?
-Ah, você sabe!
Ele pensou.
-Aah... O dia em que você ficou me esperando sair do treino?
-Eu não estava esperando você sair do treino! Estava com as minhas amigas!
-Eu não vi nenhuma delas lá.
-Viu? Era por isso que eu não queria contar. Você está sendo um idiota.
-Ok, desculpe, desculpe.
Ele parou para pensar. Fora um grande momento.
-Você achou esquisito?
-Esquisito no sentido de que nunca havia acontecido, e eu não esperava que acontecesse.
-Muito menos comigo.
-Exato.
-E isso faz dele um momento esquisito?
-Bom, é. Você não acha?
-Não. Acho que se qualifica mais nos momentos inesquecíveis.
-Inesquecível porque foi bom ou porque foi ruim?
Ele a olhou. Ela estava olhando para ele, a cabeça apoiada no encosto da cadeira, o cabelo solto pendendo em direção ao chão, a ponta colher cheia de pudim na boca.
-Inesquecível porque foi um dos melhores treinos que eu já tive.
-Um dos melhores? – ela adotou um tom brincalhão. –Por tudo o que aconteceu, eu classificaria como o melhor, se fosse você.
-Não, o melhor foi ano passado.
Ela o olhou de novo.
-Sério? O que houve ano passado?
-Quase a mesma coisa. Só que era a enfermeira.
-Ah, falar sério! – Ela sentou-se reta na cadeira e olhou para ele. – Você ficou com a enfermeira na piscina aquecida?
-No vestiário masculino da piscina aquecida.
-Eu não acredito que você foi atrás até da enfermeira! – o riso incrédulo descartava as possibilidades de ciúmes.
Droga.
-Não, eu não. Eu estava fazendo fisioterapia lá, eu havia distendido o músculo do braço esquerdo. Quando fui tomar banho, ela estava lá só de roupão, me esperando.
-Ah, qual é?
-Juro! E até perguntou se eu precisava de uma respiração boca a boca.
- E o que você disse?
-Você já olhou pra ela? Eu seria um idiota se dissesse que não, que estava tudo bem. É claro que aceitei. E acabei recebendo uma massagem no final.
-Você é inacreditável.
-Eu? Eu não tive culpa! Foi ela que veio até mim.
-É. Bom, tanto faz. – ela pegou mais pudim. – E o momento mais nojento?
-Ah, esse é ótimo!
Talvez ele não conseguisse terminar a noite do jeito que planejara. Talvez ela não tirasse nem as botas. E talvez ele não conseguisse convencê-la a beijá-lo de novo.
Mas aquilo já era muito, muito bom. Faze-la rir das piadas e melhor, contar piadas. Faze-la confessar que o beijo que tiveram na piscina foi o seu Momento Mais Esquisito. Esquisito por ser bom, não por ser ruim. Bom e inesperado.
Talvez ele gostasse de ficar apenas ouvindo as risadas dela. E ficar conversando sobre o tratamento dermatológico do Andrew talvez fosse bem melhor do que se apressar e acabarem fazendo algo que ela possa se arrepender.
Talvez fosse melhor conhece-la por dentro, antes de conhecê-la por fora.
É, talvez fosse melhor assim.
Bom, pelo menos ele tinha uma grande quantidade de pudim de chocolate para pelo menos fingir que conseguiu beijá-la quando ficasse com o gosto na boca, horas mais tarde.
N/A: Oh, céus. Nem acredito.
Eeeei pessoal! Como estão todos?! Espero que felizes agora xDD
Aí está. Desculpe se está um desastre, mas eu tinha que postar. Já estava me odiando por fazer vocês esperarem tanto. 21 páginaa. Até que não foi de todo ruim né?
Eu to com um pouquinho de pressa, então não vou poder responder as reviews que não tinham email aqui. Sei que ainda não respondi um monte, mas estou cheia de coisas pra fazer. Mas eu responderei, prometo! Só peço que quem não é registrado aqui no que deixe o email na review para que eu responda okay?
Mas agradeço à todas, de coração! A cada uma!
Desculpem se o cap. não está muito bom, okay? Vou caprichar na próxima, prometo!
Quando tiver tempo mando mais notícias sobre as outras fics! Prometo!
Perdoem a demora okay?!!
Beijos no coração,
Nat' fazendo uma tatuagem, ou pulando de pisito ver sua avle arrancou.
quem arranjei o tatuador e ntida po
P.S.: Perdoem os possíveis erros de concordância e afins. Nem tempo pra revisar eu tive!
