isclamer: Saint Seiya e seus personagens obviamente não me pertencem. Esta fic obviamente também não tem fins lucrativos. O nome Carlo DiAngelis para designar o Máscara da Morte também não me pertence, créditos a Pipe que gentilmente cedeu seu uso. Ficam aqui os meus agradecimentos.
Comentários da Autora: . Mil e uma desculpas pelo atraso, mas andei completamente sem inspiração. Espero ao menos que este capítulo seja agradável. Eu gostaria de fazer um agradecimento especial a Áries Sin e Keisuke Kurozaki por me ajudarem a terminar este capítulo.
Milo e Camus – Retratos de uma vida
A primeira noite
- NÃOOOOOOOO!!!!!
- Como assim não?
- Não vou contar, não vou, não vou! – batendo o pé no chão, cruzando os braços e fazendo bico.
Camus posta-se ao lado de seu birrento namorado e compartilha com ele o mesmo sentimento.
- Jen, querida, não acho que seja uma boa idéia entrar em pormenores sobre nossa primeira noite...
- Claro, você tem toda razão, cunhadinho...
- Eu não disse, Milucho, que ela ouviria a voz da razão?
- Não é uma boa idéia, é uma ÓTIMA idéia.
Camus senta desolado no sofá, Milo não agüenta e cai na gargalhada.
- Camus, até agora, depois de tantos anos de convivência, você ainda não aprendeu que ela é da minha família? Não se deixa convencer por argumentos lógicos...
- Priminho, isso não foi simpático da sua parte... Vocês dois estão me enrolando. Já temos quase uma página deste capítulo da vida de vocês e vocês nem começaram...
Bom, como eles não começam, começo eu! Todos já sabem como eles se conheceram, como deram o primeiro beijo, como conheceram "os doze" , e o dia seguinte... a grande ressaca...
- Peraí, não foi tão grande assim! Eu estava bem!
- Jura, priminho... Aquela gosma toda sobre o lençol e sobre Camus foi só alucinação coletiva então?
- Aquilo foi um pequeno distúrbio do meu sistema digestivo...
- Comumente chamado ressaca. Mas você está novamente me desviando do assunto. Não vou cair na sua conversa não! Nem adianta tentar.
- Droga! Eu estava indo bem!
Camus riu.
- Creio que dessa vez não teremos chance, ela é tão ou mais teimosa que nós dois juntos quando quer alguma coisa.
Como eu ia dizendo antes de ser completamente interrompida e desviada do assunto, todos já conhecem o início do relacionamento dos dois, mas, quando foi que eles realmente começaram a namorar? Quando foi a primeira noite? E o melhor, como foi a primeira noite? Eu, biógrafa oficial deste tão distinto casal que está aqui a me lançar olhares assassinos, vou revelar tudo, nem que para isso precise usar de técnicas de tortura medievais ou modernas. Tudo pela informação fidedigna!
Camus acabou ficando em nossa casa todo aquele dia, apenas curtindo a ressaca e vendo filmes na minha maravilhosa companhia, além de Deba e, claro, Milo.
- Quem disse que a sua companhia é maravilhosa?
- Eu! Vocês querem parar de me interromper? Isso já está ficando chato! Não consigo escrever uma frase coerente, um parágrafo com sentido. E podem ir preparando a garganta, quero ouvir tudo, com todos os detalhes sórdidos!
- E você acha que vou me lembrar de tudo, depois de dez anos?
- Camus!!!! Eu lembro de cada detalhe! De cada toque! De cada Beijo! Mesmo depois de dez anos. Você não me tem em conta?
Jeanne riu. Camus deu um pequeno tapa na testa de Milo que ficou olhando para eles com a mais perfeita cada de "estão-completamente-loucos- não-estou-entendendo-nada".
- Milucho meu, às vezes você é tão inocente... Será que não percebeu que eu estava tentando evitar ter que contar os nossos detalhes, bobinho?
- Ops.. Acho que dei mancada, né?
- Das grandes, só pra variar...
- Está bem, eu começo a falar então...
De volta ao apartamento de Milo e Jeanne, dez anos antes.
Depois da festa que Camus me ofereceu, eu voltei para casa em estado lastimável. Quando finalmente minha mente começou a ter algum tipo de pensamento coerente, eu achei que o perderia. Dei todas as mancadas permitidas e não permitidas para alguém que deseja conquistar uma pessoa.
Camus abre a boca para interromper o relato de Milo, mas este levanta a mão, em um sinal mudo, pedindo silêncio.
Não me interrompa agora. Tenho direito a fazer um mea culpa. Eu realmente tinha exagerado, mas Camus conheceu naquela noite o verdadeiro Milo. Não sei mentir, não sei burlar. Se me quer, tem que ser o pacote completo. De qualquer maneira eu precisava me redimir. Mas não pensem que usei sexo para fazer isso, nem que nossa primeira noite de amor aconteceu naquele momento.
- Milo, deixe-me falar um pouco agora...
- Vá em frente...
Bom, não posso dizer que tudo que aconteceu tenha me agradado. Seria mentira. Mas como Milo mesmo disse para querê-lo tem que ser o pacote completo. Eu estava descobrindo facetas dele que eram ao mesmo tempo irritantes e encantadoras. Milo é todo verdade, por vezes chega a ser inocente nesse tocante. Mistura a sensualidade de um homem que sabe exatamente o que quer e como alcançar seus objetivos com a inocência de uma criança que faz as coisas simplesmente por achar divertido, sem pensar em conseqüências futuras. E foi esse paradoxo em forma de gente que me fez refém. Todos os meus sentidos estavam inebriados por aquele homem. Eu queria mais. Não voltaria atrás. Minha tão famosa racionalidade foge para os recantos mais obscuros da terra no que se refere a Milo. Foi assim desde o momento em que o vi.
Milo acompanhava as palavras como se fosse um discurso de um grande guru de alguma seita obscura que hipnotiza as pessoas. Nunca ouvira Camus falar de seus sentimentos sobre ele de maneira tão crua, direta, objetiva e... romântica.
- Camus, por favor, pare. Vou morrer do coração. Deixe-me continuar a contar os fatos.
- Milo, mais uma de suas contradições... Você sempre reclama que não me expresso, que não sou romântico, que não falo de meus sentimentos, mas quando abro meu coração você me manda parar. Acho que vou passar 300 anos a seu lado e ainda assim serei incapaz de entendê-lo por completo...
- Se me entendesse por completo eu ainda teria alguma graça para você?
- Você mesmo acabou de me mandar parar então não me venha com subterfúgios para conseguir mais. Parei, entretanto vou responder sua pergunta. Se eu te entendesse você não seria o Milo e eu não te amaria como te amo.
Fiquei mais sem palavras ainda, então é melhor voltar para o passado seguro. Depois que curamos a ressaca, Camus voltou para casa dele, está certo que demoramos três dias para curar esta ressaca, acho que foi a mais longa da minha vida, mas ele é um enfermeiro maravilhoso, confesso que fiz um pouco de charminho.
Continuamos a nos falar por telefone, nos encontramos mais algumas vezes durante a semana que se seguiu para programas menos glamourosos como jantares e almoços, passeios românticos pela cidade, enfim um namoro completamente normal. A cada dia eu sentia mais e mais vontade de tê-lo de forma mais íntima. Como tudo entre nós, a primeira noite não poderia ser trivial. Vamos para casa, comemos pipoca, vemos um filme, damos um beijos, vamos para o quarto e fechamos a porta... Lógico, não podia ser assim...
Eu vou dar um aparte aqui, não resisti. Camus parece estar se lembrando de alguma coisa constrangedora pois meu cunhadinho lindo está mais vermelho que um pimentão. Bom, já disse o que queria, pode continuar, Milucho.
Depois que minha prima inconveniente interrompeu minhas lembranças eu vou tentar não me perder. Passei dias maquinando como fazer para seduzir meu lindo arquiteto e acabei sendo seduzido por ele.
Teoricamente seria uma noite como outra qualquer daquele mês de sonhos. Nós iríamos jantar em casa, ou melhor, ele me convidara para jantar na casa dele. Confesso que fiquei completamente nervoso. Eu nunca tinha ido a casa de Camus, não conhecia a irmã dele. Não sabia como seria aceito, não sabia nem mesmo se seria aceito. Todos sabem que nosso relacionamento não é o que se pode chamar de tradicional, muitas pessoas não nos aceitam, é complicado essa relação familiar. O medo sempre bate...
Me arrumei nervosamente, acho que tirei todas as roupas do armário para escolher alguma coisa. Acabei por optar por algo leve e sóbrio. Uma calça jeans tradicional, uma blusa de gola pólo, sapatos de camurça pretos, esportivos, os cabelos presos em um rabo baixo. Rosto lavado, barba feita, uma colônia. Simples e casual, nada afetado.
Fui de encontro a Camus cheio de idéias mirabolantes na cabeça. Eu queria arrastá-lo para longe daquele apartamento tão logo terminasse o jantar. Mas os planos dele eram bem diferentes... Como não podia deixar de ser, eu saí de casa arrumadinho, mas os deuses parecem que gostam de me ver constrangido nos momentos em que eu devia ser perfeito. Estava andando na rua, logo após ter estacionado meu carro e um "pivete" armado com um enorme sorvete de chocolate resolve se chocar comigo. Cheguei ao apartamento de Camus com a blusa e o orgulho completamente destruídos, mais ainda quando o vi. A personificação da perfeição em pessoa abrindo a porta para mim. Camus não conteve o sorriso. Melhor dizendo, a gargalhada, ao mirar-me.
- Camus, podia parar de rir, convidar-me a entrar , de preferência, emprestar-me uma blusa limpa e curar meu orgulho com um longo beijo?
Camus respirou fundo tentando controlar o riso, pegou em minha mão e me levou para dentro de casa. Escorregou comigo para o quarto. Eu nem me preocupei em observar o recinto, de tão envergonhado que eu estava. Mas a cama de Camus me chamou a atenção. Grande, convidativa, estrategicamente colocada no meio do quarto, com o bom gosto espartano característico de Camus. Sentei-me nela e senti a maciez do colchão enquanto esperava que Camus me entregasse uma blusa limpa. Ele entrou no closet e escolheu uma blusa bem parecida com a que eu usava antes. Troquei rapidamente e me olhei no espelho. Estava quase tão bem quanto no momento que saí de casa, mas ainda assim, me sentia humilhado.
Mais uma vez, Camus interrompe minha narrativa, isso já está ficando chato, mas essa história é de dois, não é?
- Milo, eu preciso falar dessa chegada triunfal.
- Não posso impedir, posso?
- Claro que não. Já que começamos a falar, que o façamos direito. Vou tentar não me estender muito, mas tenho que falar o meu lado da história.
Eu olhava para o relógio a cada instante, já sabia por experiência que pontualidade não era exatamente um ponto forte de Milo. Minha irmã olhava para mim e percebia a minha angústia, conhecendo-me como ela me conhecia, foi para a cozinha e verificou se tudo estava de acordo com o planejado. Eu não sou homem de falar muito, mas Milo era diferente. Eu o queria. Ele não era mais um em minha vida. Um dia antes do jantar sentei com minha irmã e conversei com ela. Ela já sabia de minha escolha, nunca foi segredo para ninguém, mas Milo seria a primeira pessoa que eu levaria em minha casa. Seria a primeira pessoa a quem eu seguraria a mão com orgulho e diria, este é o meu namorado. Maïté, minha irmã, a princípio ficou me olhando sem entender. Camus, o frio arquiteto de sucesso, aquele que sempre manteve sua vida pessoal completamente afastada de sua família, sentara para conversar com sua irmã, contar que estava apaixonado.
Depois do susto inicial, minha irmã ficou muito feliz por poder participar um pouco de minha vida. Apoiou-me e ficou altamente curiosa em relação ao homem que mexera tanto comigo. Ele deveria ser muito especial para me fazer ter vontade de levá-lo a minha casa. E era, e é. Milo chegara a minha casa pontualmente, quando a campainha tocou, não resisti, virei meu olhar em direção à janela a procura de grossas nuvens de chuva que trariam o temporal que certamente viria. Abri a porta e me deparei com um Milo todo sujo de sorvete e a cara mais desolada que eu já havia visto naquele semblante. Eu sei que não foi muito educado, mas foi impossível não rir do conjunto da obra. Ele ficou desconcertado com meu ataque de risos, e, quiçá um pouco magoado. Precisei de alguns segundos para me recompor e o levei diretamente a meu quarto antes que minha irmã o visse daquela maneira e ele ficasse ainda mais sem graça. Eu sei o quanto é difícil conhecer a família de alguém como eu. Afinal, se todos forem iguais a mim... Procurei em meu armário uma blusa semelhante a que ele vestia. Eu havia gostado do visual. A minha roupa era um pouco menor que a dele e ficou mais justa. Preciso confessar, ficou extremamente sensual e a minha vontade era não deixá-lo sair daquele quarto. Controlei-me, eu sempre me controlo. Esperei que ele terminasse de se arrumar mexendo em meu closet, como se tivesse organizando algo, mas para ser realmente sincero, estava mesmo era tentando colocar meus hormônios em seus devidos lugares.
Quando ele terminou de vestir-se abracei-o com carinho e dei um longo beijo em seus lábios. Sem mais nem menos desvencilhei-me dele. Acredito que talvez ele tenha interpretado errado o meu afastamento, mas, se não me afastasse naquele momento, talvez não mais tivesse controle sobre todos os meus atos...
- PÁRA TUDOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!! Camus!!!!! Repita isso!!!!
- Repetir o que???
- O que acabou de falar. Até hoje sou traumatizado. Você me empurrou. Eu quase cai sentado sobre sua cama. Pensei que tinha feito algo errado. Só não fui embora em respeito a sua irmã.
- Me admira você, Milo, que sempre foi tão seguro de si, não saber o poder de sedução que seu beijo tem.
- Eu sei o poder de sedução do meu beijo sim, entretanto eu estava completamente apaixonado e você sabe tão bem quanto eu como a paixão pode nos deixar inseguros.
- É verdade, tem razão, desculpe-me. Eu não queria alimentar a sua insegurança, mas eu realmente precisava me afastar.
- E levou dez anos para me contar isso!!!!!
Meu priminho emburrou completamente agora. Seu bico é capaz de ser longo o suficiente para rodar o mundo. Estive o tempo todo tentando me mater alheia, mas essa enrolação já está me dando engulhos.
- Queridos, não é hora de lavar roupa suja, que tal os dois continuarem agora??????
Como Milo continua em silêncio monástico, eu vou continuar. Depois de afastar-me dele com delicadeza...
- Delicadeza o cassete!
- Quieto! - Jeanne e Camus gritaram juntos.
Eu fui até a cozinha e avisei à Maité que Milo chegara. Minha irmã, que sempre foi uma anfitriã perfeita, ensta noite superou-se. Não vou entrar em detalhes acerca do jantar. Mas vale salientar que Maité também caiu nas teias de Milo. Ela encantou-se com ele. Quando levantei-me para pegar a sobremesa – mousse de chocolate, o preferido dele – ela seguiu-me até a cozinha para avisar-me que, se um dia eu não o quisesse mais ela ficaria de bom grado com os meus restos.
- Minha cunhada é um amor. Acho que escolhi o irmão errado da família Lenoir.
- Ainda vai ficar de gracinha? Pode fazer a troca agora se quiser.
- Muito tarde.
É melhor eu o ignorar ou nunca chegarei onde quero. Acabamos de jantar e ainda ficamos conversando por algum tempo na sala. A minha vontade era chutar o traseiro da minha irmã para o lugar mais longe possível. Podem estranhar as minhas palavras, talvez achar que Camus nunca falaria desta maneira, mas creiam-me, não é pelo fato de ser controlado, até mesmo frio, que eu não sinto, que eu não tenho desejos e vontade de fazer loucuras. Apenas mantenho-os no prisma do pensamento, do hipotético. Exatamente por esse motivo, continuei calmamente sentado no sofá bebericando meu licor.
- Vou continuar um pouco daqui. Acredito que esteja um pouco chato ou confuso para os leitores, mas nós dois sentimos os mesmos acontecimentos de formas completamente diversas, e precisamos nos expressar para que seja o mais perto da realidade possível.
Eu suei frio durante todo o jantar. Maité durante todo o tempo foi de uma delicadeza ímpar. Aos poucos fui me ficando à vontade. Quando terminamos e nos sentamos para conversar trivialidades eu já estava me sentindo em casa. Apesar de estar louco de vontade de arrastar Camus para aquela cama macia, eu sabia que teria todo o tempo do mundo para fazer isso e estava aproveitando o momento família.
- Pára!!!!!!!!!!! Tem alguma coisa errada aqui? Quer dizer que era Camus que estava com os hormônios à flor da pele, e não Milo? Não entendo mais nada.
Vou ignorar minha prima. Esta interrupção não é digna de comentários. A noite avançava, já estava ficando tarde. Resolvi que era hora de voltar para minha casa. Despedi-me de Camus e Maité, entrei no carro e saí em direção ao meu santo lar. A noite acabaria assim se não fosse a obra do acaso. Alguns quarteirões adiante meu carro simplesmente se recusou terminantemente a prosseguir. Não pensei duas vezes. Liguei para Camus e solicitei resgate ao meu paladino.
Quando Milo saiu de minha casa, eu me senti o pior dos homens, o pior dos sedutores. Ele sempre fora um homem que deixava claro o que sentia e o que queria e não me dera nem mesmo um pequeno sinal de que desejava esticar aquele jantar. Minha irmã ria descontroladamente do meu semblante emburrado. Pouco tempo depois o telefone tocou. Eu desfilei uma série de palavras que não devem ser reproduzidas aqui, a maioria delas aprendi com Milo; foram muito úteis naquele instante, até o momento que atendi o maldito telefone e ouvi aquela voz tão desejada do outro lado da linha me pedindo ajuda.
Não pensei duas vezes. Peguei os itens necessários para uma missão daquela monta, carteira, celular, chaves do carro e saí. Em poucos instantes encontrei Milo parado, capot do carro aberto, chutando o pneu enfurecido. Parei a seu lado e perguntei se ele desejava uma carona. Ele fechou seu carro e sentou-se a meu lado, agradecendo a carona. Neste instante ele me olhou e riu. Chorou de tanto que riu. Eu nada entendia e ele não conseguia me explicar o porquê daquela gargalhada estrondosa. Ele apenas apontava-me e ria. O que teria de errado comigo? Olhei para mim mesmo e percebi que estava usando pijamas e, para minha desgraça suprema, este era estampado com o Pikatchu.
Antes que continuem a gargalhar preciso explicar algo. Eu sempre odiei este personagem e minha irmã para me irritar, me deu este pijama. Quando Milo saiu de minha casa tirei a roupa que vestia e peguei o pijama que estava dobrado na gaveta, sem olhar exatamente para o que vestia. O resultado não podia ser pior. Sempre que faço algo sem racionalizar uma tragédia acontece. Desta vez não poderia ser diferente.
Dirigi em silêncio até a casa de Milo. Ele convidou-me para subir, me ofereceu uma muda de roupa. Decidi aceitar. Era o melhor que eu tinha a fazer. Ao entrarmos no apartamento, um bilhete.
"Priminho Querido, fui dormir na casa do Deba, não se preocupe comigo."
Nem tudo estava perdido. Esta foi a frase que meu cérebro formou imediatamente. Agradeci silenciosamente aos deuses por aquela pequena dádiva em forma de bilhete. Milo abraçou-me beijando meu pescoço enquanto sussurrava:
- Acho melhor tirar esta roupa horrorosa.
Vou parar de falar por enquanto. O som das gargalhadas não me deixa raciocinar decentemente.
- Jen, querida, será que poderia parar de rir?
- É impossível!!! Camus vestido com um pijama estampado de Pikatchu?!!?!?!?!?!?! Vocês querem me matar de rir???? E nunca me contaram isso!!!!!
- Eu disse que não ia dar certo.
- Camus, você realmente estava engraçado. Jen, querida, respire fundo e beba um gole de água, depois eu te mostro as fotos.
- FOTOS????????????????????????????????????
- Claro!!!! Não foi naquele dia, obviamente, mas teve uma outra vez que vestiu aquele pijama, muito tempo depois, eu não resisti... tive que tirar fotos enquanto dormia.
Queridos leitores, faremos uma pequena pausa enquanto Camus acaba de esfolar meu querido primo e eu me recupero do ataque de risos.
- Será que agora eu posso continuar?
- Deve, querido.
- Não, eu gostaria de falar um pouco.
- Tudo bem, Milo, vá em frente.
Depois de conseguir me recuperar do ataque de risos, fomos em silêncio para minha casa. Em minha cabeça insana passavam-se as cenas mais improváveis possíveis. Sentir a proximidade de Camus ali, no minúsculo espaço do carro, de pijamas – por mais bizarro que este fosse – estava acabando comigo. Auto controle nunca foi o meu ponto forte, mas eu desejava chegar inteiro em casa então comecei a imaginar coisas improváveis para desviar minha atenção. Cheguei até mesmo a cantarolar a musiquinha do Mágico de Oz, me lembrando de Doroty, seus sapatinhos vermelhos e a estrada de pedras amarelas.
Quando chegamos em casa e vi o bilhete de Jeanne, mandei meu pequeno e recém descoberto auto controle para o quinto dos infernos. Abracei Camus e pedi a ele que tirasse aquela aberração em forma de pijama que ele vestia.
A visão do corpo de Camus, de seus olhos brilhando, de seus lábios entreabertos acabou com qualquer resquício de sanidade que eu ainda pudesse ter. Antes eu sabia o que desejava ser dele, mas não tinha idéia do quanto até aquele momento. As peças de roupa foram ficando pelo caminho até o meu quarto. Eu o beijava, o abraçava, o acariava, o seduzia, mas no fundo estava entregue a ele. Ele tinha todo o poder sobre mim. Eu nunca me sentira assim com ninguém antes e nunca mais desejara ninguém depois.
- Milo, eu gostaria de continuar daqui.
- Esteja a vontade.
Ele me abraçou, beijou e pediu-me para me livrar das roupas, mas não foi apenas das roupas que me livrei. A partir daquele instante, daquele toque, eu não era mais dono de mim mesmo, eu não era mais dono de meu próprio corpo. Eu estava ali, desnudado em frente de Milo. Entregue. Não era apenas o fato de estar nú. Não era somente o meu corpo. Eu não era mais capaz de agir por conta própria. Meus sentidos apenas respondiam aos toques, aos beijos. Meu coração ao amor que eu sentia por ele.
Quando ele me levou para seu quarto e me amou eu senti como se fosse a primeira vez. O corpo de Milo enebriante, uma droga poderosa que foi capaz de me levar ao êxtase diversas vezes, de diversas formas. Posso fechar meus olhos agora e ainda sentir minha pele se arrepiar com as lembranças. O cheiro almiscarado dos lençóis, a textura suave dos cabelos. Não tenho como descrever cada beijo, cada toque, o momento sublime que o possuí pois foi uma experiência única e indescritível em palavras. Dia após dia, ano após ano esta experiência se renova e descubro novas maneiras de amá-lo, de desejá-lo, mas aquela noite está marcada em mim para todo o sempre.
Milo e eu estamos embasbacados com o que acabamos de ler. Estou sem palavras, então vou descrever a cena que se desnuda diante de meus olhos.
Milo está boquiaberto, se o queixo não estivesse firmemente grudado em sua face, estaria certamente no chão. Lágrimas silenciosas escorrem pelo rosto de Milo. Eu sei que são de felicidade. Eu mesma estou emocionada com o que acabei de ler. Camus está reclinado no sofá, olhos fechados, um sorriso sincero no rosto. É tão raro vê-lo sorrir assim. Sinto como se ele tivesse rememorando aquele instante. Aquela noite.
Confesso que eu esperava mais detalhes sórdidos daquela noite, mas o amor dos dois, tão explícito me bastou e surpreendeu. Mas eu ainda arranco mais detalhes deles, senão não me chamo Jeanne!
