Olá!

Eu peço imensa desculpa pela demora (acho que estou constantemente a dizer isto e lamento muito), mas confesso que estava um pouco sem inspiração para este capítulo e quando finalmente ela surgiu a minha mãe arrastou-me para fazer uma limpeza geral à casa toda!!! Depois do que se passou no capítulo anterior estava a ser uma bocadinho difícil fazer a ligação entre o ponto em que estava e os acontecimentos que pretendo que ocorram no futuro, então basicamente este capítulo é isso mesmo, um capítulo que vai interligar a anterior parte da história com o seu segmento. Então é isso, boa leitura.

6º Capítulo

Confissão

Acordei e não precisei abrir os olhos para saber que ele estava a meu lado. Conseguia sentir os meus braços ao redor do seu corpo e a sua respiração a embater suavemente sobre o meu peito nu onde ele ainda repousava a cabeça. Sentia o calor do seu corpo junto ao meu e conseguia cheirar o cheiro doce que ele libertava misturado com o meu próprio cheiro. Lentamente abri os olhos para vislumbrar o seu rosto e ele como se adivinhasse o exacto momento em que eu o faria voltou o seu rosto para mim e eu pude ver assim, pela primeira vez, o quão claros e luminosos os seus olhos ficavam à luz do sol e como os seus cabelos pareciam brilhar e brincar com a brisa que os fazia flutuar tão delicadamente em torno do seu rosto.

_Bom dia!_ Disse-me sorrindo.

_Bom…_ dia?! Sol?! Oh, não! Eu tinha adormecido!!! Já era de manhã?! Eu tinha que me apressar a chegar a casa o quanto antes!!! Levantei-me de repente e despachei-me a vestir as minhas roupas. Naruto não devia ter percebido nada porque, quando parei para olhá-lo, ele fitava-me com um olhar de incredulidade e desespero. Tolo… ele não poderia estar a pensar que eu simplesmente o deixaria depois de tudo o que se tinha passado na noite anterior, ou podia?! Abaixei-me para poder olhá-lo directamente nos olhos, uma vez que agora ele permanecia sentado sobre o seu manto não se importando minimamente com o facto de continuar sem uma única peça de roupa e os efeitos que isso provocava em mim._ Eu tenho de ir. Não avisei que passaria a noite fora, a minha mãe deve estar preocupada._ Eu vi como isso o acalmou, mas, mesmo assim, ainda podia ver que ele tinha medo de eu não voltar. Tal como eu tinha medo de um dia me ver afastado dele. Acariciei o seu rosto enquanto roçava de leve os nossos lábios._ Posso-te ver outra vez esta noite?

Agora sim o brilho tinha voltado aos seus olhos, mas depressa foi substituído por um brilho diferente, um bastante malicioso.

_Com uma condição…_Ele aproximou-se do meu ouvido e sussurrou_ Desta vez, lembra-te de avisar que não vais dormir a casa._ Ele lambeu e mordeu o lóbulo da minha orelha enquanto apertava suavemente o volume que se começava a formar de encontro às minhas calças. _Pela posição do sol devem ser perto das sete da manhã se te despachares pode ser que consigas entrar em casa enquanto todos ainda dormem._ E então com um sorriso extremamente safado no rosto distanciou-se de mim, pegando também ele nas suas roupas. No entanto cobriu-se apenas com a sua capa deixando-a deslizar sobre os seus ombros enquanto a fechava junto ao peito impedindo que caí-se completamente. Aproximou-se mais uma vez, pois durante todo aquele tempo eu tinha-me apenas levantado, ficando imóvel observando-o, e enlaçou os seus braços no meu pescoço.

_Achas que consegues achar a saída da floresta sozinho? Não estamos muito longe, basta seguires sempre naquela direcção. _disse fazendo sinal com a cabeça, indicando o caminho que deveria seguir.

_Acho que dou conta do recado._ Beijei-o intensamente, mostrando que voltaria, que não tinha nada a temer pois eu já era seu. Quando nos separamos ele afastou-se de mim e foi caminhando na direcção oposta à que eu iria seguir. Sem se voltar apenas disse:

_Não me procures, é demasiado perigoso. Deixa que eu próprio te encontro. _E então, numa velocidade espantosa desapareceu por entre o arvoredo.

Ele tinha razão ainda devia ser muito cedo, pois as ruas da cidade estavam praticamente desertas, se não fosse por uma ou duas pessoas que despertavam lentamente para um novo dia e começavam preguiçosamente os seus afazeres. Mas não tinha tempo para ficar a observar a vida citadina (não que algum dia me tivesse interessado sobre aquilo que os outros fazem ou deixam de fazer). Andei apresado pelas ruas até casa não chegando a correr, pois não queria chamar demasiado a atenção. Era sábado por isso a minha família só deveria de acordar por volta das oito o que me dava uma hora para chegar a casa. Quer dizer, meia hora porque a outra metade tinha sido gasta para sair da floresta. Não é que tenha sido difícil encontrar o caminho, de facto bastou-me seguir em frente, o difícil foi percorrê-lo já que não estava habituado a caminhar por entre arbustos e raízes assustadoramente grandes que se levantavam do chão prontas a fazer-me cair. Mas tinha-me saído melhor do que na noite anterior, já que agora, sempre conseguia ver onde punha os pés. Cheguei a casa ofegante mas, tentando acalmar a minha respiração, fui entrando, fazendo o mínimo de barulho e rezando para que ninguém ainda tivesse acordado ou pior, para que não tivessem ficado à minha espera. Com uma destreza de ninja fui para o meu quarto sem fazer barulho e relaxei um pouco quando percebi que não estava ninguém barricado na sala à minha espera e que a porta do quarto dos meus pais estava fechada sinalizando que ainda deveriam estar a dormir. Entrei no meu quarto e quando fechei a porta pude finalmente respirar de alívio. Mas isso durou pouco, pois assim que olhei para a minha cama encontrei o meu irmão sentado nela à minha espera.

_Eu disse aos pais que ontem tinhas chegado com dores de cabeça e que pediste para não ser incomodado. A mãe queria ver-te à mesma mas eu disse que já estavas a dormir e que era melhor deixar-te descansar e ela acabou por desistir._ Provavelmente teria sido muito mais difícil convencer a minha mãe que não precisava de se preocupar do que Itachi me estava a dizer mas ainda bem que ele havia conseguido. Ele continuou a encarar-me por um longo tempo à espera que eu dissesse algo, há espera que eu dissesse o porquê de não ter passado a noite em casa sem qualquer aviso, mas o que é que eu poderia dizer? "Pois querido irmãozinho, eu não voltei a casa porque passei a noite com outro homem que por acaso também é um demónio." Não, de maneira alguma eu lhe iria contar. Por isso, continuei calado encarando-o com mesma intensidade como só um Uchiha poderia fazer. E ele, entendendo que eu não lhe diria nada, levantou-se e caminhou para a saída do quarto._ Toma cuidado Sasuke, não voltarei a encobrir-te. _ Abriu a porta mas antes que a fechasse…

_Itachi, Obrigado._Então ele fechou-a deixando-me sozinho com os meus pensamentos.

...

Mas não tive tempo nem para respirar pois assim que o meu irmão fechou a porta tive que me apresar a tomar um banho e trocar de roupa para estar pronto para descer para o pequeno-almoço, antes que me viessem chamar, e aparecer com a máscara de frieza perfeita que só um Uchiha consegue usar, como se tivesse acabado de acordar de uma boa noite de sono entre os meus perfumados e caros lençóis que perto do cheiro e da suavidade da pele de Naruto perdiam todo o seu valor. Quando desci já todos me esperavam em volta da mesa mas nenhum deles à excepção de Itachi demonstrou qualquer sinal que revelasse ter dado pela minha ausência.

_Bom dia. _disse tomando o meu lugar junto deles.

_Bom dia. Sasuke já te sentes melhor?_perguntou a minha mãe inocentemente.

_Sim, estou muito melhor. _"Melhor do que nunca"

_Nesse caso não te importarias de ser tu a dizer a oração?

_Claro, pai. Meu Deus, muito obrigado por mais esta refeição. Abençoa as mãos daquela que a preparou e ilumina o caminho destes vossos filhos para que a comida nunca lhes falte e para que vivam na tua graça, Ámen.

_Uma oração linda como sempre.

_Obrigado, minha mãe. _ Agradeci enquanto todos nos sentávamos para começar a comer. E não podia deixar de sorrir ao ver a felicidade espelhada no rosto da minha mãe. Ela era sem dúvida uma pessoa muito religiosa mas não fanática como o meu pai. Ao contrário dele era bondosa e benevolente para com todos e estava sempre disposta a dar a outra face e a defender aqueles que achava que mereciam compaixão para verem perdoados os seus erros. Talvez por isso eu tivesse tanto medo de que um dia a pudesse vir a magoar porque sabia que ela iria sempre tentar defender-me e doía-me pensar que pudesse também ela vir a pagar pelos meus pecados. Mas eu não achava que aquilo que sentia pelo Naruto fosse um pecado apesar de saber que mais ninguém pensaria o mesmo. E mesmo que fosse não havia nada que eu pudesse fazer. Tinha-me perdido. Tinha entregado a minha alma para um demónio e estava feliz com isso e não queria voltar atrás. Só rezava para que se um dia fosse castigado por isso que Deus (ou os homens em nome dele) descarregassem toda a sua fúria em mim e não deixassem sofrer aqueles que eu amava, mas sabia que isso era impossível.

Era sábado e como tal estava livre de grande parte das minhas responsabilidades. Não iria ter aulas e felizmente naquele dia o meu pai não me pediu para o ajudar com algum assunto relacionado com a inquisição, o que era sinal que não estava planeada nenhuma execução para breve o que me fez relaxar um pouco.

Agora via as coisas de maneira diferente e não sei como reagiria da próxima vez que me encontrasse com um demónio que fosse ser executado. Eu confiava no Naruto, mas será que deveria confiar em todos os outros? Ele tinha-me falado naquela criança demónio que tinha sido morta apenas por pertencer àquela "raça" sem que no entanto tivesse feito o que quer que fosse para o merecer. Mas e todos os outros? Todos aqueles que revelavam ser verdadeiros demónios e que não se importavam minimamente em matar quem quer que se atravessasse no seu caminho? Como aquele maldito demónio que eu odiei todos os dias da minha vida e que tinha sido o responsável pela morte dos próprios pais. Será que eu o poderia perdoar? Será que eu o deixaria de odiar, só porque agora estava apaixonado por um outro demónio? Não, claro que não. Odiei-o e continuava a odiá-lo. Poderia até ser que alguns não merecessem morrer mas isso não me iria impedir de fazer justiça sobre aqueles que mereciam. A única diferença é que agora achava que eles deveriam ser julgados apenas pelos seus crimes e não por aquilo que eram.

"… as minhas mãos já estão cobertas de sangue."

"Todas as pessoas com quem eu já partilhei algum laço acabaram por se magoar por minha causa."

"Eu tenho medo que,… seja eu um dia a condenar-te à morte!"

" Tenho medo que… eu possa magoar alguém de quem gosto…outra vez."

Foi então que me lembrei. Estas palavras ressoaram na minha mente, e eu lembrei-me do desespero nos olhos de Naruto quando ele as proferiu. E então eu percebi que não sabia de nada. Não fazia ideia daquilo que ele tinha passado. Não imaginava o que o pudesse ter magoado tanto. Confiava cegamente nele, mas desconhecia o porquê de ele próprio afirmar que as suas mãos estavam sujas de sangue. Na altura em que ele me tinha dito isso não me tinha importado, queria apenas que ele fica-se ao meu lado e que eu pudesse arrancar toda a tristeza que ele estava a sentir. Mas agora percebia que não o poderia fazer enquanto não soubesse o que realmente se passou.

Não me importava com o que ele pudesse ter feito pois eu sabia o que via quando olhava para ele e isso era tudo o que eu precisava para acreditar nele, para confiar, para o conhecer mesmo sem saber o seu passado. Mas importava-me saber que isso ainda o consumia, que ele ainda vivia com medo e que talvez eu não pudesse fazer nada para mudar isso. Mas talvez se eu soubesse o que tinha acontecido…talvez de alguma forma… Não sabia se deveria perguntar-lhe mas eu queria saber o que tinha se passado. Queria saber o que é que poderia ser tão grave que fosse até mesmo capaz de corromper um anjo.

Talvez lhe perguntasse nessa noite, ou talvez devesse esperar que ele me contasse. De qualquer das formas eu faria de tudo para que nunca mais ele tivesse que ter medo. Pois eu o protegeria até de si mesmo se fosse preciso.

Após mais um dia enfadonho e em que o tempo parecia estar a gozar literalmente da minha cara pois cada minuto parecia passar mais lentamente e eu por mais que tentasse não conseguia desviar os meus pensamentos de um certo demónio de olhos azuis, finalmente a noite resolveu dar o ar da sua graça e por fim aquela interminável tortura.

Após o jantar pedi ao meu pai se poderia ter uma conversa em particular com ele e como tal findo mesmo retiramo-nos para o seu escritório. Eu tentava manter-me calmo e transparecer toda a indiferença possível. Não poderia dar-me ao luxo de comer mais rapidamente ou de parecer com pressa se não queria que ninguém desconfia-se de nada. Para além disso tal comportamento seria ridículo. Só esses pensamentos pareciam fruto da mente de uma rapariguinha apaixonada e Uchiha Sasuke jamais se comportaria dessa forma. Mas eu sabia que deveria sair de casa o quanto antes. Ele tinha-me pedido para que não o procurasse que ele próprio me encontraria mas não podia simplesmente ficar em casa à espera que ele batesse à porta. Ele não era assim tão doido. Ou seria? Por via das dúvidas decidi que tal como era meu costume iria dar um dos meus passeios nocturnos e esperaria que ele me encontrasse. Mas antes precisava cumprir a condição que ele havia imposto.

_Então o que é que me tens a dizer?

_Eu queria-lhe pedir autorização para passar a noite fora. _ Isso mesmo eu disse pedir autorização. Noutro dia eu teria apenas informado que não viria dormir a casa mas ele continuava a ser meu pai e como tal poderia-me impedir de sair, logo não seria bom enfurecê-lo. Quando convivemos tempo suficiente com Uchiha Fugaku aprendemos a utilizar as palavras certas nos momentos certos.

_Muito bem, podes ir. _ Ele disse-me sem demonstrar qualquer sentimento. Que hipócrita. Toda aquela conversa sobre pecado e pureza, mas no final de contas um homem por vezes tem que satisfazer os seus desejos carnais. Mas se era assim que ele pensava tudo bem, afinal assim eu também conseguia aquilo que queria. Já me preparava para me retirar quando o ouvi dizer:

_Mas amanhã vê se chegas um pouco mais cedo para a missa para te poderes confessar. Estamos a chegar à Pascoa e tens que purificar a tua alma para a ressurreição do Senhor.

_Hn. _Esta foi apenas a minha resposta mas a verdade é que gargalhei internamente, enquanto caminhava para a saída de casa e me lembrava do acto de contrição que deveria dizer ao padre após a confissão (não que eu lhe fosse contar a verdade):

"Meu Deus, porque Sois tão bom, tenho muita pena de Vos ter ofendido ajudai-me a não tornar a pecar."

Talvez eu devesse modificá-lo um pouco:

Meu Deus, porque Sois tão bom, perdoai-me por não ter pena de Vos ter ofendido e ajudai-me pois vou tornar a pecar.

Continua….

A sério, não resisti. É que eu fui à confissão há uns dias atrás e achei mesmo hilariante pensar que o Sasuke se pudesse ir confessar. Quer dizer ele não poderia simplesmente chegar à beira do padre e dizer: " Os meus pecados?! Nada de mais só fodi com um demónio na noite passada". É que ficava logo sem cabeça.

Mas enfim espero que tenham gostado. Eu sei que este capítulo não está nada de mais e que demorei muito para postar esta treta mas enfim…desculpem lá.

Bem agradeço imenso os reviews a Misa-Light, Kappuchu09(agora fiquei com medo por causa da ameaça de morte, acho que ainda me vais querer matar muitas vezes), Iuga-chan, teixeirinha, loveDeidara, danyela49, Chibi Mari-chan e Lyra Kaulitz'.

E é isso, comentem por favor, que me fazem muito feliz.

Bjs, Isis.