Capítulo novo, cheio de emoções! Espero que gostem.


Fred sentiu os braços de Hermione ao se redor e os cabelos dela fazendo cosquinhas em seu nariz. Com uns segundos de atraso, correspondeu ao abraço com força a tirando do chão e escondendo seu rosto na curva do pescoço cheiroso, aquele perfume que lembrava baunilha. Seu coração batia descontrolado,... Ele sentiu tanta falta desse contato.

- Hugo está reagindo maravilhosamente bem! - Informou entusiasmada. – Obrigada, ruivo. - A voz engasgou de emoção.

O homem soltou uma risada estridente, mistura de alívio e felicidade. - Eu sabia que ele ficaria bom. Fred afastou levemente seus corpos e segurou o rosto dela. - Eu sabia! - E a beijou. Era um beijo firme, quente e cheio de saudades. Beijou os lábios da mulher como desejou todos aqueles dias. Todos aqueles anos.

Hermione o empurrou após algum tempo, seu rosto corado, o cabelo bagunçado e a respiração descompassada. Deu um passo para trás analisando a expressão confusa e quebrada de Granger.

- Você não devia ter feito isso. - Sussurrou e correu para fora do quarto.

George entrou um minuto depois preocupado, ele tinha trombado com Hermione e pela reação dela algo grave tinha acontecido. Ela estava histérica e balbuciava palavras sem sentido. Angelina e Irina estavam tentando acalmar a bruxa.

- O que você fez? - George foi direto.

- Ela... Ela... - Fred respirou fundo irritado. - Eu a beijei. - Sentou na cama, desolado. - Droga!

- Você está bem? - O irmão questionou tenso, as coisas definitivamente estavam saindo do controle.

- Ela contou como Hugo está melhorando e sei lá... - O ruivo passou as mãos pelo cabelo, frustrado. - Eu não resisti, é de Hermione que estamos falando! - Sua voz estava cada vez mais nervosa. - Ela me deixou, escondeu um filho, destruiu meu coração e cá estou feito um idiota! Eu sou incapaz de superar essa maldita mulher. - Fred queria azarar alguém ou socar uma parede de tanta frustração, aflição e raiva.

- Calma, cópia. - O gêmeo sentou ao lado do irmão e o abraçou com força até sentir as lágrimas molharem seu suéter... - Vocês precisam de tempo, só isso.

Com uma batida na porta Irina entrou. Ela aparentava uma firme tranquilidade e pegou uma cadeira colocando na frente do ruivo choroso e nervoso.

- Eu sou a Dra. Irina Sabackov, fui psiquiatra de Hermione no período em que ela esteve internada no Instituto de Psiquiatria Dobruja. - Apresentou-se formalmente. - Também sou cunhada de Viktor Krum. - Ficou satisfeita que conseguiu prender a atenção do ruivo. - Você fez descobertas dolorosas nesses últimos dias, uma mudança extremamente brusca de seu cotidiano. O seu psicológico devem estar em desordem, pois é realmente difícil digerir que a mulher que ama foi capaz de abandona-lo grávida.

- Dra. Sabackov, eu não acho que isso está ajudando. - George comentou ao notar maxilar tenso do irmão.

- Fique quieto, Weasley. - Exclamou indiferente. - Fred, o passado não vai mudar. Vocês vão precisar lidar e pensar nas consequências daqui para frente... - Ela suspirou perdendo o ar profissional. - Acontece que eu tratei Hermione e sei os limites dela,... Então não se ofenda quando digo que você errou ao beija-la tão abruptamente.

- Ela está bem?! - Fred tremeu, um pânico instalado em sua voz.

- Não. - Irina foi objetiva. - Hermione teve uma crise nervosa. Ela esteve sendo muito pressionada nos últimos tempos e todas as descobertas sobre o passado de vocês... A euforia com o sucesso do transplante de Hugo e o último contato contigo foi à gota d'água necessária para ela ter um surto, entenda minha amiga é frágil emocionalmente, ela aguentou por muito tempo...

- Por Merlin! - O bruxo levou as mãos trêmulas à cabeça. - Onde ela está?

- Eu ministrei algumas poções para ela estabilizar e descansar. Então Mione está no quarto ao lado dormindo. - Informou séria. - Eu vou contatar o terapeuta dela e juntos vamos ajuda-la a sair dessa crise. - A bruxa inspirou cansada e o analisou brevemente. - Fred, eu estou aqui para pedir que deixe Hermione se recuperar sem a pressão da sua presença, ela necessita urgentemente não se estressar.

- Fred vai manter distância. - George comprometeu-se quando percebeu que o gêmeo estava incapaz de se pronunciar. - Vamos somente cuidar de Hugo.

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Ronald foi impedido de azarar Fred por Bill, que usou toda sua influência de irmão mais velho, o caçula bufava revoltado enquanto guardava a varinha.

- Você só faz merda! - Ron exclamou com raiva encarando o irmão que permanecia apático. - Se Hermione está nessa situação a maldita culpa é sua!

- Ron! - Ginny repreendeu. - Vocês não podem brigar novamente, por favor. Pediu com lágrimas nos olhos. - Estamos todos emocionalmente cansados, não foi culpa de ninguém! - Rebateu as acusações agitada.

- Gin está certa. - Bill interferiu, tenso. - É tudo muito recente, muito complicado. - Suspirou.

- Eu acredito que vocês lembrem que isso é um hospital?! - Krum questionou sarcástico e mal humorado. - Sinceramente, vocês deviam ir embora. Hugo está em repouso e só acordará amanhã e Mione não vai receber visitas por enquanto. - O búlgaro disse com uma carranca.

- Eu não vou embora. - Fred pronunciou-se após horas em silêncio, angustiado.

- Na realidade, irmão, eu acho que Krum está certo. - Bill disse tocando o ombro do irmão. - Você está péssimo, algum tempo longe daqui te fará bem.

- Você precisa do cuidado e aconchego da nossa família. - Ginny falou num tom persuasivo mas, ao mesmo tempo, carinhoso. - Eu prometo que retornamos amanhã. Você se sentirá melhor. - A ruiva afagou o rosto cansado de Fred.

- Krum, eu vou voltar para o hotel, qualquer notícia me chame. - Ronald disse secamente e foi embora. Não perdoaria Fred tão cedo.

- E vocês? - O búlgaro perguntou impaciente, ele estava furioso e só não brigou com o Weasley idiota por causa da cunhada e da esposa.

Bill tomou as rédeas da situação. - Vamos juntar o restante da família. Ginny auxilie Fred e vamos embora logo.

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A bruxa aparatou em frente ao sobrado amarelo. Com feições desgostosas bateu na porta e esperou Alicia Spinnet atender. Colocou o sorriso mais dissimulado que conseguiu no rosto, precisava ser perfeito. Mesmo que sua vontade fosse lançar um crucio na cretina.

- Angelina?!

- Surpresa! - Soltou uma risada estridente e falsa. – Desculpe, Ali, eu devia ter avisado que viria. - A negra forçou o tom mais íntimo e confidencial que podia.

- Você disse para eu nunca mais me aproximar de você. - Alicia objetou, cruzando os braços.

- E você cumpriu. - Suspirou desconfortável. – Mas, eu não tenho mais ninguém para procurar... Acontece que estou passando por momento complicado e você foi minha melhor amiga por anos e... Talvez... Eu tenha sido muito radical contigo. – Exclamou, encolhendo os ombros com vergonha.

- Eu sabia que voltaria atrás! – A loira abriu os braços num sorriso repleto de presunção. - Quer entrar? - Convidou.

A sala era excessivamente limpa, organizada e com poucos móveis. Angelina achou o local insosso. A loira apontou uma poltrona lilás para antiga amiga sentar que, após se acomodar, começou a tremer e algumas lágrimas deixaram seus olhos.

- O que houve? - Alicia não disfarçou a curiosidade.

- George. - Angelina pronunciou o nome do marido. - Ele está tão distante e eu não sei,... Simplesmente não sei o que fazer! - Deixou escapar uma lamúria frustrada. - É horrível essa sensação,... E eu vou fazer qualquer coisa para não perdê-lo! – Exclamou feroz. - O pior é que não posso desabafar com ninguém daquela família intrometida,... Foi quando eu pensei em você.

- Eu entendo completamente. - Alicia colocou sua mão sobre a da negra. - Eu tenho absoluta certeza que Fred ficaria comigo se não fosse a interferência dos irmãos.

- Fred comenta frequentemente sobre você, sempre irritado. - A ex-Grifinória comentou com um sorriso sabichão. - O seu nome não sai da boca dele. – Piscou, jogando a isca.

- Talvez ele esteja pronto para uma reaproximação. - A loira exclamou. Os olhos com um brilho obsessivo e um sorriso esperançoso.

- Caso você me ajude a reconquistar George e descobrir se ele tem outro alguém... Eu posso e vou ajuda-la com meu cunhado. - Propôs.

- Claro! - Concordou afoita. - Isso merece uma comemoração! Eu tenho um ótimo vinho dos elfos, aceita? - Alicia finalmente relaxou.

- Sim, eu acho que preciso disso para relaxar. - Angelina deu um sorriso entre a inocência e a travessura.

Alicia Spinnet saiu da sala e a outra aproveitou os poucos segundos para deixar um embrulho escondido dentro da cristaleira. Tudo estava correndo bem. Sentou-se novamente no momento em que a loira voltava com duas taças.

- Um brinde ao recomeço da nossa amizade! - A bruxa sorriu um tanto maníaca. Ambas brindaram, e riram como costumavam fazer antigamente. - Estou com fome. - Angelina exclamou levemente corada.

- Vou buscar uns petiscos. - A loira deu de ombros.

Assim que Alicia saiu, a outra bruxa despejou uma poção no vinho da mulher. Angelina por um minuto sentiu a tristeza invadir sua alma: era realmente terrível observar aquela loucura, aquela doença que a antiga amiga sentia por Fred. Então, lembrou-se de todas as armações e feridas que ela causou. Toda dor causada ao cunhado e a Hermione... Quando Alicia retornou, o sorriso de Angelina era diabólico... A mulher loira tomou um generoso gole da bebida. A esposa de George Weasley previu que aquilo seria deveras divertido...

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Harry e George tomaram suas cervejas amanteigadas num silêncio confortável, ambos aguardavam o retorno de Angelina daquela missão maluca. Fred Weasley dormia em seu antigo quarto, foi necessário uma poção de sono sem sonhos e muito diálogo para convencê-lo a permanecer longe de Hermione por alguns dias.

- Quantos dias você consegue controlar seu gêmeo? - Harry perguntou, cansado. Tudo que o moreno desejava naquela noite era abraçar seu animado filho e sua amada esposa.

- Provavelmente dois, com sorte. - George franziu o cenho incerto. - Não imaginei que Mione reagiria tão mal, afinal ela o abraçou com frequência esses dias. - Era nítida a pontada de raiva pela mulher.

- Ela estava numa situação extremamente vulnerável. - Harry exclamou defensivo. - Fred também está muito confuso, a forma que ele agia próximo dela,... Tão impulsivo, como se o tempo não tivesse passado, como se Mione ainda fosse sua namorada...

- Poxa! Eu estou tão bravo com Hermione, mesmo sabendo que não foi culpa dela. - George deu uma risada seca, as orelhas vermelhas. - Fred deveria odiá-la, só que não! - O ruivo exclamou exasperado. - Me magoa vê-lo dessa forma.

- Ao longo desses anos Fred jamais a esqueceu. - Harry tomou outro gole de sua bebida. - Eu estou receoso com o futuro deles.

- Ele teve seus casos, embora jamais tenha permitido alguém ocupar o lugar dela. - Continuou desabafando, pois aquilo estava lhe fazendo bem. - Meu gêmeo tinha esperanças, porém nunca imaginou uma reviravolta dessa magnitude. - Fez uma careta. - Estou apavorado com a ideia de Hermione quebrar definitivamente meu irmão.

- Ela não vai. Lembre-se que ela também está quebrada, ferida... - Harry retrucou com absoluta certeza. - Foi um péssimo momento de reaproximação, mas é da minha irmã que estamos falando... Hermione talvez não reate o relacionamento deles, mas vai trata-lo com respeito e afeto. Afinal, é o pai do filho dela.

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Observou o medibruxo entrar no quarto com suas típicas expressões cautelosas e tranquilas, Hermione arrumou os cabelos e sentou-se com o máximo de dignidade que conseguiu reunir.

Ela despejou sobre o Dr. Joseph toda sua ruína e glória, descreveu minuciosamente como se sentia nos últimos tempos e o quão ambivalente era tudo aquilo,... Seu passado a atropelou e a salvou. E ela não confiava no chão que pisava... Tudo parecia irreal.

A bruxa dormiu por um dia inteiro e desejou ardentemente reencontrar a bruxa corajosa e centrada dentro de si, desejou reencontrar a felicidade e ter forças para lutar por ela. Hermione desejou sua garra Grifinória novamente.

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N.A: Uau! Quantas tensões... Qual plano é esse que armaram contra Alicia? Parabéns! Bjs bjs

Fanfic postada no Spirit e Nyah!