Uma hora e meia. Há uma hora e meia que estou no bar do hotel Golfinho Dourado à espera da Susana e nada. A imperial que tinha pedido já há muito que a bebi, mas não quero pedir outra porque não me quero embebedar e se juntar esta às que já tinha bebido com o Miguel estou no caminho certo para ficar bêbeda.

Espero mais quinze minutos, se ela não aparecer vou-me embora. Não vou ficar o resto da noite à espera dela. Se calhar até está a fazer de propósito. Se calhar ela não quer estar comigo e está à espera que eu me vá embora. Ela tinha dito que hoje não podia porque estava a trabalhar, mas nem parecia estar a trabalhar. Se calhar era apenas uma desculpa para não estar comigo. Eu sou uma idiota. Devia ter ficado quietinha no meu lugar e pronto, evitava esta situação toda.

De repente sinto uma mão a pousar suavemente no meu ombro.

- Vamos?

Susana. Afinal sempre veio.

- Claro. – Eu levanto-me e agarro na minha mala. Ela põe a mão à volta da minha cintura e dirige-me para o elevador. Quando dentro dele ela beija-me.

- Porquê que demoraste tanto tempo? – Pergunto. – Já não aguentava mais tempo à tua espera.

- Como te disse, eu estava numa reunião de trabalho.

A porta do elevador abre-se e ambas saímos. A Susana destranca a porta do seu quarto e entramos. Ela pousa a sua mala no sofá e eu faço o mesmo. Eu sento-me na cama enquanto ela abre uma garrafa de vinho e deita um pouco do seu conteúdo em dois copos. Ela oferece-me um e eu acabo por aceitar.

- Porquê que não me disseste que a reunião ia demorar tanto?

Ela encosta-se ao móvel frente a frente de mim. O seu olhar é sempre tão intenso. Só me apetece arrancar-lhe aquele vestido branco mas ao mesmo tempo sinto-me paralisada. Podia ficar assim para sempre, só a olhar para ela.

- Nem todas as reuniões têm horas de acabar e tu deves saber isso, não?

- Tens razão.

Ela sorri e eu desfaço-me em mil e um pedacinhos porque é a coisa mais adorável que alguma vez vi. Ela pousa o copo, dirige-se a mim e senta-se no meu colo.

- Então, vais ficar aqui o resto da noite a interrogar-me ou vamos fazer com que o tempo que estiveste à espera tenha valido a pena?

A sensação de adrenalina que tenho é mais ou menos a mesma que tenho que aponto uma arma a um criminoso, mas neste caso a sensação é boa. Boa não, ótima.

A minha mão encontra o fecho do vestido da Susana.

- Já sabes a minha resposta, não já?