Capítulo 7: Quem Matou o Matias Limão?

Passaram-se dois dias. O Clóvis tentou novamente aproximar-se da Slayra, mas ela não queria nada com ele. A Daphne foi buscar os seus exames ao médico.

André: Então, está tudo bem com o bebé?

Daphne: André, já sei quem é o pai do bebé.

O André olhou para ela atentamente.

André: Quem é o pai, Daphne?

Daphne: A minha gravidez é de dois meses. O Xander violou-me à menos de um mês, por isso...

O André abraçou a Daphne com força.

André: É meu filho! - disse ele, feliz. - Ainda bem.

Daphne: André, eu quero ir-me embora deste lugar. - disse ela. - Traz-me más recordações.

André: Sim. Vamos mudar de casa e criar o nosso filho o melhor que pudermos. - disse ele. - Agora, só falta sermos ilibados das suspeitas de termos matado o Matias Limão.

Nesse noite, na mansão Noronha...

Clóvis (pensando): Slayra, não admito que ninguém me dê para trás como tu fizeste. Vais pagar... com a tua vida!

A Dulcie pôs três pratos na mesa da cozinha. Depois pôs sopa num deles e batatas e carne nos outros dois.

Dulcie: Um de nós tem de comer sopa. - disse ela. - Não há batatas e carne que chegue para os três.

Slayra: Eu como a sopa. - disse ela.

Nesse momento, elas ouviram a Natalina a chamar.

Dulcie: Está a chamar-nos?

Slayra: Às duas ao mesmo tempo? O que quererá ela?

As duas saíram da cozinha. Nesse momento, o Clóvis tirou um frasco de veneno do bolso, abriu-o e deitou o veneno na sopa. Mexeu a sopa com a colher e sorriu. Quando a Slayra comesse a sopa, puf, iria morrer. Ele começou a comer a sua comida.

As duas empregadas demoraram a aparecer e só apareceram quando o Clóvis terminou de comer.

Dulcie: Ai, aquela mulher dá cabo de mim! – gritou ela, zangada.

Slayra: Quis que ficássemos ali à espera que eles acabassem de comer, porque podia precisar de alguma coisa e não queria ter de nos chamar outra vez. - disse ela. - Bolas, estou cheia de fome.

Dulcie: O que vale é que a comida estava bastante quente, por isso ainda deve dar para comer. - disse ela.

Clóvis: Bom, eu já terminei de comer.

O Clóvis saiu da cozinha, para não levantar suspeitas sobre ele.

Slayra: Bom apetite. - disse ela, pegando na colher de sopa.

Dulcie: Hum... agora apetecia-me mais uma coisa mais leve do que batatas e carne...

Slayra: Ah, bom, se quiseres comer tu a sopa...

Dulcie: Se não te importas.

E as duas trocaram os pratos e começaram a comer. A meio da sopa, a Dulcie agarrou-se à sua garganta.

Slayra: O que se passa?

Dulcie: N-não consigo respirar. – disse ela, aflita.

A Dulcie caiu no chão. A Slayra levantou-se rapidamente.

Slayra: Dulcie! Dulcie! Socorro! Ajudem!

Logo a seguir, o Leandro, a Estrelícia, o Miguel e a Natalina apareceram na cozinha.

Leandro: O que se passa?

Slayra: A Dulcie... não sei o que se passou! Parece estar desmaiada!

Miguel: Eu vou chamar uma ambulância. - disse ele, indo até ao telefone.

Nesse momento, a Estrelícia ajoelhou-se e tomou o pulso da Dulcie.

Estrelícia: Não sinto o pulso. - disse ela.

Slayra: Oh não!

Estrelícia: Ela... ela está morta.

Natalina: Ai! Cruzes Credo! Que horror!

Nesse momento, o Clóvis entrou na cozinha e viu a Dulcie morta no chão e a Slayra a seu lado.

Clóvis: O quê? A Dulcie...

Slayra: Morreu...

Clóvis: Não pode ser! Devias ter sido tu! Tu não comeste a sopa! – gritou ele, apontando para a Slayra.

Todos ficaram a olhar para ele.

Slayra: Foi a Dulcie que a comeu... tu puseste alguma coisa na sopa!

Leandro: Clóvis, o que fizeste?

Clóvis: Era para a Slayra morrer! A Slayra!

Natalina: Credo, Clóvis, você matou uma pessoa. - disse ela, horrorizada.

Clóvis: Pus veneno na sopa. Mas era para a Slayra morrer, não a Dulcie!

O Miguel pegou novamente no telefone.

Miguel: Estou, é da polícia? Têm de vir depressa. Temos um assassino aqui em casa!

Em pouco tempo, a polícia apareceu e levou o Clóvis preso. A Estrelícia escondeu-se no seu quarto para não ser descoberta.

Três dias depois da morte da Dulcie, ela já tinha sido enterrada, o Clóvis estava definitivamente preso e as coisas estavam a voltar ao normal.

Natalina: Que tragédia!

Leandro: Pois é, pobre Dulcie...

Natalina: Não é isso. É que agora ficámos sem mais uma empregada e sem o motorista também.

Leandro: ¬¬

Algum tempo depois, a campainha da porta tocou e a Slayra foi abrir a porta. Era a Aki.

Aki: Bom dia.

Slayra: Bom dia.

Aki: O Leandro está?

Slayra: Está sim. Está na biblioteca.

Aki: Ah, então vou ter com ele.

Slayra: Espere! - disse ela e a Aki voltou-se. - Peço desculpa, mas... ainda gosta mesmo dele?

Aki: Eu amo o Leandro. Íamos casar. - disse ela, tristemente. - Não acredito que ele me tenha deixado de amar sem mais nem menos...

Slayra: Ele agora está com outra pessoa...

Aki: Eu sei... se a última decisão do Leandro não for ficar comigo, eu vou afastar-me.

A Slayra, apesar de ser prima da Estrelícia, conseguia ver para além dos laços de família.

Slayra: Se gosta mesmo dele, lute por ele.

Aki: Obrigada, Slayra.

A Aki bateu à porta da biblioteca e entrou.

Leandro: Aki...

Aki: Leandro, diz-me, tu já não me amas? Esqueceste-te de mim rapidamente, foi?

Leandro: Aki... eu...

Aki: Responde ao que te perguntei!

Leandro: Eu ainda te amo, mas estou confuso.

A Aki aproximou-se dele.

Aki: Nós íamos casar, Leandro. Nós adorávamo-nos. Porque é que isso mudou?

Leandro: Porque... porque agora eu estou com outra pessoa...

Aki: E é com ela que vais ficar?

Leandro: Eu... já não sei, Aki.

Nesse momento, a Aki beijou-o.

Aki: Eu amo-te Leandro. Se ainda me amares, deixa a irmã Marina dos Santos e volta para mim. Eu perdoo-te tudo.

E foi-se embora, deixando o Leandro muito confuso.

Mais tarde, o Inspector Ivo apareceu na mansão, para falar com a Slayra.

Slayra: O que quer de mim agora?

Ivo: Quero saber onde esteve na noite em que o Matias Limão foi morto.

Slayra: Eu estive a trabalhar no café do meu tio.

Ivo: Nunca saiu de lá?

Slayra: Ausentei-me no máximo dez minutos, para ir à casa de banho.

Ivo: E o seu tio, ele disse-me que esteve ausente durante algum tempo e você ficou no lugar dele.

Slayra: Bom… não me lembro bem, mas é possível que ele se tenha ausentado.

Ivo: Ele disse que estava com dor de cabeça.

Slayra: Ah, já me lembro! Sim, ele foi para casa durante uns vinte minutos para tomar um comprimido e descansar um pouco e depois voltou para o café.

O Inspector Ivo olhou atentamente para a Slayra.

Ivo: Hum... você parece sincera e pronta no que diz, mas… - disse ele, pensativo. - Você está a esconder-me algo. Porque é que não o diz de uma vez.

A Slayra ficou bastante zangada.

Slayra: Quer saber o que é que eu escondo? Pois eu digo-lhe! Eu fiz chantagem com o Matias Limão!

Ivo: Chantagem heim? Isso é crime.

Slayra: Eu sei. Mas foi só para ele me deixar em paz! Eu não queria dinheiro nem nada... mas não resultou... e você não tem provas da minha chantagem. Se formos a tribunal e você contar isto, vai ser a sua palavra contra a minha.

Ivo: Não estou a pensar levá-la a tribunal... pelo menos por chantagem.

Slayra: Ainda desconfia que eu matei o Matias Limão, não é?

Nesse momento, a porta da biblioteca abriu-se e entrou a Estrelícia.

Estrelícia: Ah, peço desculpa, não sabia que estavam aqui pessoas.

Ivo: Você é a Estrelícia Anjos! - disse ele, olhando para ela espantado.

A Estrelícia percebeu logo que ele era da polícia, mas ele agarrou-lhe o braço.

Ivo: Não fuja.

Estrelícia: Deixe-me! Eu estou inocente!

Ivo: Ouça, eu também acho que está.

A Estrelícia parou de se debater.

Ivo: Descobri que o seu namorado Xander esteve nos escritórios do Matias Limão na noite da morte dele. Foram encontradas impressões digitais dele na parte das câmaras de segurança e uma pessoa viu-o entrar no escritório. Ele deve ser o verdadeiro assassino. Vou levar isso a tribunal e provar a sua inocência.

Estrelícia: A sério?

Ivo: Sim. Não a vou denunciar. Fique escondida aqui até tudo estar terminado, ouviu?

Estrelícia: Está bem.

No dia seguinte, a Slayra foi à prisão visitar o Xander e contou-lhe tudo.

Xander: É mentira! Eu não matei o Matias Limão!

Slayra: Xander, vão acusar-te do crime e a tua pena vai aumentar. – avisou-o ela.

Xander: Chega! - disse ele. - Não vou ser acusado de uma coisa que não fiz. Eu não o matei, mas sei quem matou.

Slayra: Quem foi?

Xander: Slayra, vai até à minha casa. Debaixo do tapete da sala há um compartimento secreto. Lá, vais encontrar as cassetes das câmaras de vigilância, que mostram o que aconteceu naquela noite. Eu tirei-as do escritório do Matias Limão e escondi-as.

A Slayra foi buscar as cassetes ao apartamento do Xander e viu-as, ficando a conhecer a identidade da pessoa que tinha matado o Matias Limão. Ela voltou à prisão e falou novamente com o Xander, para esclarecer certos pormenores. Depois, ela foi falar com o Miguel e expôs-lhe a sua ideia.

Assim, ela contactou várias pessoas e no dia seguinte eles iriam encontrar-se na mansão Noronha. A Daphne e o André foram os primeiros a chegar.

Daphne: Slayra, afinal porque é que nos chamaste? – perguntou ela, aborrecida. – Eu nem queria vir, mas o André insistiu que podia ser alguma coisa importante.

Slayra: É sim, Daphne. – disse ela. – Hoje vamos ficar a saber quem matou o Matias Limão.

Nessa altura, chegaram o Chicão, o Inspector Ivo e a Aki. A Natalina entrou na sala, acompanhada pelo Miguel e o Leandro.

Natalina: Mas o que é que se passa aqui? Quem é esta gente?

Slayra: Suspeitos da morte do Matias Limão e um polícia. – explicou ela. – Ah, também temos a Aki, que não tem nada a ver com isso.

Natalina: Quem autorizou isto?

Miguel: Eu.

A Natalina olhou aborrecida para ele. O Leandro não percebia o que se estava a passar. Nesse momento, a Estrelícia desceu as escadas da mansão.

Chicão: Minha filha! – gritou ele, ao ver a Estrelícia.

Estrelícia: Pai!

Eles abraçaram-se com força.

Daphne: Estrelícia, estás aqui! – disse ela, feliz, abraçando a amiga.

Estrelícia: Daphne, há quanto tempo. Tive saudades tuas.

Natalina: Não estou a perceber nada disto!

Slayra: Hoje vai ser revelada a identidade da pessoa que matou o Matias Limão.

Aki: Peço desculpa, mas eu não tenho nada a ver com isso. – disse ela. – Porque é que me chamaram para vir aqui?

Slayra: Já verá. Agora, venham todos para aqui.

Natalina: Hunf, quer dizer, a empregada agora é que dá ordens. – disse ela, aborrecida.

Eles sentaram-se nos sofás da sala. Só a Slayra permaneceu em pé.

Slayra: Está na hora de eu vos mostrar a verdade.

Ouviram-se murmúrios.

Slayra: Vejam a cassete que contém o que aconteceu no momento da morte do Matias Limão. E quem o matou!

Ela pôs a cassete no vídeo e ligou a televisão. Apareceu a imagem do Matias Limão a escrever qualquer coisa. Pouco depois, a porta do gabinete abriu-se e apareceu uma mulher.

Mulher: Não vou deixar que você estrague a minha vida!

Matias: Ah, olá. Então, está zangada é?

Mulher: Você está a chantagear-me!

Matias: Porque descobri que você é uma ladra e que roubou um banco e anda a vender drogas, não é?

Mulher: Não tem o direito de me fazer isto!

Matias: Se não me der dinheiro, eu vou contar tudo à polícia e à sua família.

Mulher: Não vou deixar!

A mulher tirou uma arma do bolso.

Mulher: Você vai sair do meu caminho!

E apertou o gatilho. A bala acertou no peito do Matias Limão e matou-o.

De volta à sala, todos estavam perplexos.

Miguel: Não pode ser… - disse ele, boquiaberto.

Leandro: N-não acredito…

Natalina: Ah! Eu vi logo que ela era má pessoa!

A pessoa que tinha matado o Matias Limão era… a Estrelícia!

Slayra: Todo este tempo, a minha prima era culpada! Foi ela que matou o Matias Limão!

Estrelícia: Não! Não é verdade! – gritou ela.

Slayra: As imagens provam isto. Foi o Xander que me revelou onde estavam as cassetes que ele escondeu.

Estrelícia: Ele é um cobarde! Eu não fiz os assaltos e o tráfico de droga sozinha! Ele é cúmplice! Mas eu é que tive de acabar com o nosso problema.

Slayra: Tu mataste o Matias Limão para que ele parasse de fazer chantagem contigo. O Matias Limão não sabia que tu e o Xander estavam juntos nos negócios escuros e estava a chantagear-vos individualmente. – disse ela. – O Xander revelou-me que na noite em que tu mataste o Matias Limão, ele conseguiu tirar as cassetes de vigilância que te incriminavam, mas atraído pelo barulho, o segurança Hélio Borges, que andava a fazer a sua ronda, apanhou-te no gabinete do Matias Limão com a arma na mão, em flagrante. Não tiveste tempo de fugir, Estrelícia.

Chicão: A minha filha… afinal é culpada…

Daphne: Estrelícia… nunca pensei… - disse ela, combalida. – Afinal, todo este tempo em que eu pensei que fosses inocente… eras mesmo culpada.

Ivo: Estrelícia Anjos, você está presa pelo homicídio do senhor Matias Limão. – disse ele, algemando a Estrelícia.

Natalina: A freira afinal é uma assassina!

Slayra: Ela não é freira. Estava a fazer-se passar por outra pessoa para não ser apanhada pela polícia.

Leandro: Então… e o nosso amor?

Estrelícia: Qual amor, meu parvo? Eu só estava contigo, para me casar e ficar com o teu dinheiro! – gritou ela.

Leandro: Não pode ser…

Estrelícia: Quando vi que tu estavas a ficar caidinho por mim, aproveitei o facto de me teres beijado para fazer com que tu e a Aki ficassem separados. Fiz uma falsa declaração de amor e bingo, estavas no papo. Mais um tempo e conseguiria casar-me contigo e ficar com metade de todo o teu dinheiro!

Leandro: Isso pensas tu! Eu já andava confuso sobre os meus sentimentos. – disse ele. – Era muito pouco provável que eu casasse contigo!

Ivo: Vamos embora. Dona Slayra, venha comigo. Por mais que tenha ajudado, ocultou uma fugitiva sabendo que ela estava fugida à polícia. Vou ter de a prender.

Slayra: Ai sim? Pois você fez o mesmo. Soube que a minha prima estava aqui, mas pensou que ela estivesse inocente e não a denunciou. Se eu for presa, acabo com a sua carreira na polícia.

Todos ficaram a olhar para o Inspector Ivo.

Ivo: Então… tenham um bom dia.

E ele levou a Estrelícia dali para fora.

Chicão: Oh, a minha filha… uma assassina, ladra e traficante…

Natalina: É assim, as famílias pobres dão sempre nisto.

Chicão: Esteja calada, sua perua velha! – gritou ele, zangado.

Natalina: Oh, que descaramento!

André: Vamos embora, senhor Chicão.

A Daphne, o André e o Chicão foram-se embora.

Natalina: Isto… foi emoção a mais. Vou ter de me ir deitar.

A Natalina saiu dali.

Slayra: Eu vou para a cozinha.

Miguel: Vou contigo.

Eles saíram da sala. Ficaram apenas o Leandro e a Aki.

Aki: Leandro, estás bem?

Leandro: Não… mas vou recuperar. Aki, peço perdão por tudo o que te fiz sofrer.

A Aki abraçou o Leandro.

Aki: Eu perdoo-te.

Leandro: Será… que ainda vou a tempo de remediar as coisas?

Aki: Sim. Eu continuo a amar-te.

Leandro: Então, casas comigo?

Aki: Sim. É o que eu mais quero.

A Slayra e o Miguel, que tinham ficado atrás da porta a ouvir, sorriram.

Slayra: Que bom que o amor verdadeiro triunfou.

Miguel: O meu amor pela Aki não triunfou, mas ela vai ser mais feliz assim. – disse ele, suspirando.

Passaram-se duas semanas desde a prisão da Estrelícia.

Daphne: André, está tudo pronto?

André: Sim, as mobílias já foram ontem e as malas estão no carro. – disse ele.

Daphne: Então, vamos embora desta cidade.

André: E… não nos despedimos de ninguém?

Daphne: Passamos pelo café do Chicão e mais nada. – disse ela. – Quero sair daqui depressa. Tenho memórias muito más deste lugar.

E assim, eles passaram pelo café do pai da Estrelícia e depois partiram, rumo à sua nova casa.

Na mansão Noronha…

Leandro: Bom, se é assim que quer Slayra…

Slayra: Sim, vou-me embora. Arranjei outro emprego, numa estalagem de uma tia minha e vou para lá.

Leandro: Muito bem. Preciso só de acertar as suas contas. Boa sorte no seu novo emprego.

Quando a Slayra saiu da biblioteca, o Miguel estava à sua espera.

Miguel: Vais mesmo embora?

Slayra: Sim.

Miguel: Quando?

Slayra: Amanhã. – respondeu ela.

Miguel: Tenho pena. Tenho a ideia de que, se nos tivéssemos conhecido melhor… sabes…

Slayra: Agora é tarde Miguel. Mas hás-de arranjar alguém que goste mesmo de ti.

E no dia seguinte, a Slayra foi-se embora, rumo ao seu novo emprego.

Nesse mesmo dia, a Aki e o Leandro estavam a falar dos preparativos para o casamento. A Aki já estava a viver na mansão.

Aki: O que achas deste menu? Será que as pessoas vão gostar?

Leandro: Não sei. O que importa é que nós gostemos.

A Aki sorriu-lhe. Logo a seguir, apareceu a Natalina.

Natalina: Então, a preparar as coisas do casamento, é?

Aki: Sim.

Natalina: Olhe, livrei-me da falsa freira e agora Aki, antes do seu casamento, pode ter a certeza que me livro de si. – disse ela. – Não é mulher para o meu sobrinho.

A Aki levantou-se.

Aki: Leandro, o que achas de eu expulsar a tua tia aqui de casa?

Leandro: Hum… faz como quiseres, digo eu. – disse ele, encolhendo os ombros.

Natalina: Leandro!

Aki: Rua daqui! Você não vai arruinar a minha vida, ouviu?

E pegando no braço da Natalina, pôs a Natalina na rua.

Natalina: Seus ingratos! – gritou ela. – Eu volto!

Nos dias que se seguiram, a Natalina quis que tudo o que estava em seu nome fosse convertido em dinheiro. A sua quota na fábrica de perfumes, a sua parte na mansão, etc.

Natalina: Alfredo, ouça com atenção. – disse ela. – Eu vou de férias para o Alasca. Você vai ficar com esta mala com dinheiro. Ela contém todo o dinheiro que tenho, por isso tenha cuidado. Quero que você vá depositar o dinheiro no banco, ouviu?

Alfredo: Sim senhora.

Natalina: Depois das férias, acho que vou viver para o estrangeiro. Os meus sobrinhos são uns ingratos. Quero distância deles. Ah, o Fifiu fica consigo. Tome bem conta dele.

E assim, a Natalina partiu para o Alasca. Uma semana depois, no final das suas férias, ela foi pagar pela estadia.

Sr. da Recepção: Peço desculpa, mas não dá para fazer o pagamento.

Natalina: Não dá? Mas eu tenho dinheiro na minha conta.

Ela foi ver o extracto e viu que estava a zero.

Natalina: Não pode ser!

Ela ligou para o Leandro.

Leandro: Ora, olá tia.

Natalina: Leandro, onde está o Alfredo?

Leandro: Então não sabe tia? O Alfredo pegou numa mala de dinheiro, deixou um bilhete e fugiu com o dinheiro.

Natalina: Não! Não pode ser!

A Natalina desligou o telefone.

Natalina: Ele roubou-me! Estou na miséria!

Sr. da Recepção: Então, tem dinheiro para pagar ou não? – perguntou ele, impaciente.

Natalina: B-bom… não.

Sr. da Recepção: Ai não? Bom, está com sorte. A nossa empregada da limpeza adoeceu, por isso pode compensar os seus gatos no hotel, trabalhando aqui.

Ele pegou num uniforme que estava atrás do balcão.

Sr. da Recepção: Aqui tem. E quero tudo bem limpo, ouviu?

Natalina: Oh meu Deus… porque é que tinha de acontecer isto comigo?

E assim, a Natalina teve de ir limpar o hotel. Só que ela, tinha gasto tanto dinheiro, que teria de passar muitos, mas muitos dias a limpar o hotel para ganhar para o que tinha gasto.

E quanto ao Alfredo…

Alfredo: Oh menina, massaje-me os pés. – disse ele, enquanto estava deitado numa cadeira de praia à beira de uma piscina.

Uma rapariga foi logo massajar os pés do Alfredo.

Alfredo: Ah, isto é que é vida. – disse ele, sorrindo. – Foi boa ideia ter vindo para Cuba. E com todo o dinheiro que tenho, vou ficar aqui muito tempo… ou melhor, para sempre.

Ele riu-se. Várias raparigas estavam à sua volta. O Fifiu, ex-cão da Natalina estava deitado à beira da piscina.

Alfredo: Um brinde à dona Natalina, que se pensava tão esperta. – disse ele, rindo-se e levantando-se. – Um brinde a ela.

Nesse momento, ele escorregou e caiu na piscina.

Entretanto, o Leandro e a Aki casaram-se numa cerimónia simples, mas muito bonita.

Aki: Leandro, amo-te agora e vou amar-te para sempre.

Leandro: Eu também te amo Aki.

E os dois beijaram-se, indo para lua-de-mel.

Fim!

Destinos de algumas personagens:

Aki Peixeira e Leandro Noronha: Agora estão casados e felizes, sem ninguém a intrometer-se entre eles. Estão já a pensar em ter um filho.

Miguel Noronha: Ele decidiu que quer seguir a carreira de fotógrafo e está a apostar tudo nisso. Começou agora a fazer um curso de fotografia avançada.

Slayra Almeida: Está neste momento a trabalhar na estalagem da sua tia e vive uma vida completamente normal. Já esqueceu o André.

André Marquêz e Daphne Ishida: Foram viver para outra cidade, recomeçando aí a sua vida e agora estão muito entusiasmados com a vinda de um novo membro para a família.

Chicão dos Anjos: Continua a trabalhar no seu café para ganhar a vida e até já encontrou uma namorada. Todos os domingos vai levar um bolinho à Estrelícia na prisão.

Estrelícia Anjos, Xander Antunes e Clóvis Mourão: Estão todos presos. Dos três, o Xander é o que tem a pena menor, pois não matou ninguém, mas foi cúmplice de um crime. De qualquer maneira, vão passar muitos anos na prisão.

Natalina Noronha: Continua a viver no hotel do Alasca, a limpar os quartos e tudo o mais, para poder pagar a conta. Ainda telefonou ao Leandro para ele pagar a conta para ela se ir embora dali, mas ele recusou e ela teve mesmo de ficar lá até a dívida estar paga.

Dulcie Pacheco, Matias Limão e Gloriana: Estão todos mortos e enterrados.

Juiz Alberto Pulga: Continua a ser um juiz.

Policia Josefina e Policia Zé Jorge: Continuam a ser polícias, mas levaram multas por terem deixado a Estrelícia fugir.

Taxista Augusto e Taxista Barnabé: Continuam a ser taxista e pronto.

Jornalista Angelina: Continua o seu trabalho como jornalista e está cada vez mais popular no seu meio de trabalho.

Hélio Borges: Com a morte do Matias Limão, teve de arranjar emprego noutro lado e acabou por se tornar porteiro de um prédio.

Alzira e Jordana: A Alzira acabou por decidir ficar quietinha com a sua reforma e não trabalhar mais e a Jordana continua à procura de emprego, porque como não faz quase nada, ninguém a quer contratar.

Pedroso: Por causa da alergia aos perfumes, demitiu-se e agora foi trabalhar para uma fábrica de sabonetes.

Inspector Ivo: Continua a sua vida de inspector e continua junto com a Brigite da segunda história. O Inspector Ivo, apesar de tentar fazer o melhor no seu trabalho, parece que obtém poucos resultados positivos.

Sr. da Recepção do Hotel: Continua em cima da Natalina, sempre a ver se ela está a fazer tudo certo ou não.

Freira Marina dos Santos: A verdadeira Marina dos Santos acabou por sair do coma e agora foi trabalhar para a fábrica de perfumes dos Noronha. Criou óptimos perfumes, que estão a ser um sucesso para a fábrica.

Alfredo Ferdinando e Fifiu: Continuam em Cuba. O Alfredo continua um trapalhão de primeira, mas agora como está rico, tem toda a gente aos seus pés. O Fifiu está a viver uma vida de rei canino e já tem muitas pretendentes.

E assim esta história chega ao fim. Muitas coisas aconteceram. Personagens morreram, personagens mudaram, etc. Espero que tenham gostado da história. Até à próxima!