Maus Costumes:

Capítulo 7.

Ser, por vezes, covarde.

Penélope Beckett acordou, levantou-se de seus lençóis bordados, contemplou o quarto claro muito iluminado e olhou para o lado: Seu marido já tinha se levantado. Cutler sempre gostava de acordar cedo e correr aos empregados a fim de listar as ordens do dia. — Acho que, nem na noite de núpcias, fui acordada com um beijo. — a ex-senhorita Lane pensou antes de se pôr de pé e caminhar até a varanda. Sua camisola arrastava no chão a cada passo e, por fim, Penny escancarou a porta da sacada revelando a imensidão do mar azul que banhava Port Royal.

Há dois anos, durante todas as manhãs, Penélope repetia esse mesmo ritual. Ela acordava, ia até a varanda e contemplava aquela paisagem. Há dois anos, pensou que seria resgatada pelo homem mais corajoso dos sete mares, mas não foi. Esse não lhe prometeu nada, mas antes de descer de seu navio, rumo à Port Royal, Penélope viu nos olhos negros de Jack Sparow, a promessa de que dias melhores viriam.

— Ele não deve ser tão corajoso assim — Ela repetia a si mesma até pouco depois de se casar com Cutler. Durante toda a cerimônia ficou imaginando o capitão do Pérola rompendo à porta da Igreja e a arrancando dos braços de seu noivo... — Dois anos se passaram e ele nunca veio me resgatar.

Penélope acabou sentindo falta daquele pirata pinguço. Talvez não tanto quanto sentia de sua casa, há milhas do outro lado do atlântico, porem por trás dessa saudade estava o conforto, este vinha só do fato dela saber que, em Liverpool, tudo corria bem. Seus irmãos lhe mandavam cartas, e, da situação em que eles diziam viver, ela tinha inveja — Tudo corria bem na casa dos Lane. — O único problema era que ela jamais poderia voltar lá, pois Cutler jamais permitiria.

— Ah, Capitão Sparrow. — ela deixou-se suspirar ainda mirando o horizonte ao longe.

- -

Penélope desceu as escadas, cumprimentou alguns empregados e seguiu para o café da manhã. Sentou-se à imensa mesa retangular e, sozinha, serviu-se de um pouco do que tinha no bule. — Chá — Nada melhor do que aquela bebida para ter, novamente, um pouquinho do gosto de casa.

— Bom dia, querida — uma voz se fez atrás de si. Era ele.

— Bom dia, Cutler — ela respondeu desejando mais calor naquele cumprimento.

Porem, sendo aquele o seu esposo (e levando em conta os dois anos que já conviva com ele) Penélope sabia muito bem que fora do quartro nem um abraço se faria — És mais frio que os invernos que já passei em Liverpool, querido — ela pensou.

De pronto, Beckett se pôs do outro lado da mesa. Assim ela pôde encará-lo melhor: Ainda era cedo da manhã e ele já estava usando aquela peruca branca. — Que ridículo! — Não que ele fosse bonito, pois Cutler não era do tipo que se enchia uma sala, mas qualquer excesso de roupa no senhor sem–estatura–Beckett pareceria um exagero.

— Sem a peruca ele fica melhor. — sua jovem esposa pensava observando-o de longe — Sem essa peruca, seus olhos azuis contrastam com o raro cabelo castanho, e - - Ah! Ele é antipático de qualquer jeito, mesmo.

— Sr. Locksmith — ele falou com um dos empregados prostrados ao lado da mesa. — Feche a janela, por favor. O Sol do Caribe me irrita os olhos.

— Mas, Cutler - - — ela tentou impedir aquela ordem.

— Você não se importa, não é querida?

É claro que ela se importava. Apesar das esperanças lhe parecerem perdidas, Penélope sempre sonhava em, um dia, contemplar a aparição de um certo navio no horizonte.

— Não, meu esposo. — ela mentiu — Não me importo.

— Que bom. — ele interpôs sorrindo — É a melhor esposa que eu poderia ter. É tão - -

— Cutler, por favor — ela o censurou, mencionando o empregado ao lado

— Não. Eu tenho que dizer. — ele seguiu sem se importar — Não há outra palavra para descrevê-la: você é muito submissa, Penélope. — e concluiu fazendo–a se engasgar — Isso me encanta.

Em resposta ela lhe lançou um sorriso tímido, mas na verdade queimava de ódio por dentro.

— Submissa?! — ela repetiu mentalmente — Quem ele pensa que sou? Eu sou uma ótima atriz, isso sim!

— Vai ao almoço na casa do Governador, não vai? — Cutler inquiriu, antes de acrescentar: — É incrível... Aquele Swann, assim como você, chegou aqui há três anos e já é Governador.

— Não, meu querido, eu cheguei há apenas dois.

— Ah, tanto faz. — ele bufou — Mas você vai ao almoço. Preciso que vá!

— Por favor, Cutler — ela o interrompeu — Não quero me meter em seus assuntos.

— Não me faça retirar o elogio que acabei de lhe fazer, Penny. Me obedeça

Penny? Aqui soava tão pirata... Tão - - Jack Sparrow!

— Eu só não concordo com o fato de você me querer lá dentro. — ela continuou — Por mim, você não precisava mais de nenhuma ascensão. — e perguntou: — Porque não fica com o posto que já tem, querido? Porque quer sempre mais?

Militares, militares... Estão sempre querendo subir de posto!

Cutler pareceu não tê-la ouvido; e apenas se serviu de uma torrada. Enquanto a lambuzava de geléia, proferiu a seguinte frase:

— Nasci para ser um Lorde, Lady Penélope.

— Oh Cutler! — ela lamentou, em dois anos Penélope passou a considerar tudo aqueles nomes apenas simples formalidades. Lady? Lorde? Aquilo já não fazia a mínima diferença. — Ser meu marido já lhe torna um. — entornando a xícara ela lhe disse — Não precisa brigar por esse título - -

— Vá se arrumar, — ele disparou sem querer ouvi-la — Em duas horas estaremos com o então Governador. E - - Não esqueça o espartilho.

- -

Joshamee Gibbs ainda não entendia realmente o porquê de o seu capitão tê-lo rebaixado à primeiro marujo. — Não fui um bom imediato? — ele se perguntava. Mas, sim! Pelos poucos meses, que havia ocupado aquele cargo, fora o melhor. Havia largado há três anos a carreira de marinheiro para servir ao jovem pirata Jack Sparrow, e toda essa consideração não parecia ter sido retribuída.

— Que audácia, Mestre Gibbs! — Jack exclamou — Você; me perguntar se estou apaixonado. — E usou disso para rebaixar o outro.

As esperanças de conseguir o seu posto de volta foram pro espaço quando Jack nomeou um novo tripulante àquele serviço. Hector Barbossa. Esse era um velho pirata e conhecido de Sparrow. Há dois anos, em Tortuga, o jovem capitão o reencontrou e tratou de colocá-lo navio a dentro.

Gibbs não confiava naquele espanhol. O homem estava sempre dando ordens, sempre convocando reuniões com os outros. — E, ainda teve a audácia de trazer um novo marujo para bordo. — O gorducho Pintel.

- -

Há exatos dois anos atrás, o Pérola estava no caminho o contrário do que agora fazia. Há exatos dois anos atrás, o navio de Jack Sparrow partia para longe daquelas águas, deixando parar trás uma lady maluquinha, mas agora eles estavam voltando àquele, como ela costumava dizer, pedaço de Inglaterra.

— Port Royal?! — Barbossa exclamou ao ouvir as ordens do capitão.

— Sim, Hector — Jack lhe respondeu — Eu deveria ter voltado há mais tempo, mas...

— Sparrow — o mais velho tomou a palavra — Sinto muito lhe dizer isso, mas, nós vamos ficar por aqui, meu caro. Terá de ir sozinho.

— Mas do quê está falando? Eu sou o capitão! — Sparrow bradou — Eu dito as ordens! Vamos para Port Royal!

Barbossa engoliu seco, e apesar de querer, naquele momento, se voltar contra o inexperiente Jack Sparrow, ele não podia. Aquele era o seu capitão e acabava por lhe dever respeito — Mas, não farei isso por muito tempo — Ele dizia a si, fantasiando em um dia ser o capitão daquele navio.

— Você sabe como aquelas águas são vigiadas... — Hector explicava — Talvez, há dois anos atrás, fossem mais calmas, mas hoje em dia nenhum pirata pode navegar por ali.

— Não importa como - - — Jack disse, sentindo-se fraquejar diante do pulso forte do outro — - - Eu tenho que voltar. Aliás, eu deveria ter feito isso há muito mais tempo, mas Tortuga me pareceu tão mais acolhedora... Eu fui um cov - -

— O que andou perdendo por lá, Jack? — seu imediato disparou com ar de riso — Um inimigo, uma garota, ou um tesouro?

— Hã - - — Sparrow deixou-se pensar — Pode ser os três?

- -

Usando um vestido muito parecido, porem em bom estado, com aquele que havia deixado em sua cela a bordo do Pérola Negra, Penélope caminhava pela faixa de praia a frente da casa do Governador. Mais adiante estavam os jardins da propriedade, e nele uma comemoração acontecia.

Só agora fora condecorado Governador, mas, Weatherby Swann havia chegado da Inglaterra há exatos três anos. O homem trouxe consigo a sua filha, a simpática Elizabeth, uma garotinha que nesse exato momento corria pelo gramado, acompanhada por um menino de mesma idade. Esse, por sua vez, era órfão e fora encontrado por eles na vinda à Port Royal.

— Ser órfão me parece algo bastante satisfatório — Penny pensou observando os dois ao longe. — Se eu fosse órfã talvez não tivesse de assumir tantas responsabilidades pela minha família.

Se ela fosse órfã, não teria se casado duas vezes. E, ainda por cima, não teria se casado duas vezes com homens frios e vaidosos.

— Sra. Beckett?! — uma voz a chamou.

— Sim?! — ela respondeu desviando o olhar para quem se anunciava. Era James Norrington, um jovem oficial protejido do Governador. — Capitão Norrington! — ela exclamou se aproximando dele. — Como vai?

— Com saudades do nosso país.

— Ah... Todos os sensatos daqui sentem falta de lá. — Penélope disse de pronto — Há dois anos não sei o que é não sentir saudade.

— Deixou a família pra trás? — ele interpôs

— Não — ela respondeu secamente — Deixei Liverpool! Para nós, os Lane, aquela terra é única coisa que interessa.

— Ah! Me desculpe se - -

— Ah, tudo bem. — Penélope lhe disse

— Todos por aqui têm os nervos à flor da pele. — ele disse sorrindo — Mas, já que mencionou, eu conheço a sua família. Peter Lane não é o seu pai?

— Era. — ela disparou — Sabe que ele está morto.

— Sim, sim... — James respondeu com pezar, antes de acrescentar: — Seus irmãos foram grandes oficiais... É uma pena ver o que a guerra faz: Arruína famílias.

— Estão vivos, na Inglaterra, e, graças ao Cutler, estão bem de vida. — ela contrapôs — Tenha pena de mim, Norrington.

— Bem de vida? — o futuro comodoro repetiu — Não chamaria a situação deles de bem de vida, mas - -

— O quê?! — ela deixou-se exclamar — Não que eu me importe, mas o que se passa com eles?

James ergueu o olhar na direção da mansão e voltou-se à Penélope com um ar de riso.

— Seu marido a chama, cara senhora.

— Penélope, venha até aqui! — Beckett a chamava como se fizesse a uma criança.

E, tal qual uma, ela o obedeceu colocando-se ao seu lado como a esposa submissa que era.

— Não saia de perto de mim — Cutler a censurou — Temos que ser perfeitos à frente dessa gente. E, eu não gosto de vê-la conversando com outras pessoas.

Beckett era um homem ciumento, e, além disso; orgulhoso, invejoso e mandão. Se pudesse, andaria com Penélope agarrada aos seus pés. Se orgulhava de tudo que possuía: desde a casa, presenteada pela coroa britânica, até a jovem desesperada esposa que tinha.

Porem, ele não tinha tudo o que queria. Cutler invejava os postos mais altos e sempre tentava derrubar aqueles que os ocupava — Como alguém tão baixinho pode ter a cabeça nas alturas? — Penélope se perguntava.

— James Norrington estava me dando notícias dos meus irmãos — ela se defendeu

— Não quero vê-la de conversinhas com ninguém, está me ouvindo?

— Do que tem medo? — ela disparou — Eu só queria saber sobre a minha família, Cutler! — e confessou: — Eu tento ser forte, mas acho que sim, sinto saudades!

Beckett parecia não ouvi-la, o homem apenas ficou o olhar na direção contrária e exclamou:

— Mas o que é isso?!

— Saudades, oras! — ela respondeu — Eu sinto falta de casa, e - -

— Não estou falando disso! — ele bradou, apontando para o horizonte — Falo daquilo!

Em meio ao mar aberto, uma pequena embarcação se aproximava....

— Quem havia dado permissão para que um barco com dois forasteiros atracasse naquela praia? — Cutler se perguntou.

— Suponho que sejam pescadores, meu esposo. — Penélope respondeu tentando reconhecer algum dos tripulantes — Não vai prendê-los por pescar nas "águas do Governador", vai?

E com a voz esganiçada, seu marido respondeu:

— Claro que vou.

- -

Gibbs remava, a caminho de Port Royal, calado como uma porta; sem dirigir uma única palavra ao outro ocupante do barco: Jack Sparrow.

— Porque está tão calado, Gibbs? — o mais jovem perguntou. — Gibbs? — ele insistiu.

— Bom, Jack- - — o outro começou — - - Primeiro estamos indo à Port Royal, e segundo, você acabou de deixar o Pérola aos cuidados daquela gente - -

— Olhe! — o capitão interrompeu as palavras do outro, apontando para terra. — Uma festa. Adoro festas!

— Devemos ir pelo outro lado — o homem corpulento sugeriu — Vamos acabar nos dando mal, e - -

— Não, não, não! — Sparrow disparou, tomando o que o outro tinha em mãos — Só mais umas remadas e logo estaremos lá.

************


N/A (1)

Dois anos depois, blábláblá... Datas, acontecimentos etc etc .:

Explicando o meu ponto de vista (e não o da saga):

Will foi encontrado sem origem no mar, certo? Dai teve de viver aos cuidados daquele ferreiro: Sem os pais, eu suponho... Chamo ele de orfão porque tudo o que tinha era um nome e nada mais =/
Barbossa só veio a ser capitão anos depois da vinda do Governador, pois;
Gibbs ainda era marinheiro na época da vinda dos Swann, e supõe-se que ele presenciou a mudança de capitães do Pérola Negra. Então, como um cara da marinha conheceria Jack Sparrow e Barbossa?

Por isso acredito que quando Will foi encontrado, Barbossa ainda não era o capitão do Pérola. Isso só viria acontecer anos depois; quando Gibbs já fazia parte da tripulação


N/A (2)

Obrigada pelas reviews, meninas:

JodiVIse, Tati Cullen, Taah Almeida e Kitty Pride Malfoy!!

(Kitty, é tão bom vê-la por aqui rs)

Desculpem a demora em postar esse capítulo, mas é que o ff não estava aceitando converter os ".doc"

Espero que tenham gostado do cap. XXD Até o próximo o/


N/A (3)

!!VOCÊ, LEITOR de POTC, SE INSCREVA NO FÓRUM E CONFIRA A CAMPANHA DO NFF!!


!!REVIEWS ME AJUDAM!!