Me desculpem pela demora! Além de eu ter tido alguns compromissos, quando eu tive tempo acabei optando por Herança de Grego porque é a fic que parece ter mais gente acompanhando, que tem mais comentários e tal.

Espero que curtam o capítulo. Se puderem, me falem... Bjinhos cheios de glee...


Era bem cedo ainda, quando Finn e Kurt chegaram à escola, na segunda-feira. Como era o primeiro dia de aula para os dois, eles teriam que passar pela sala do Diretor Figgins, com quem haviam falado apenas rapidamente na festa, para pegar os quadros com seus horários e salas de aula. Eles haviam feito suas escolhas, em relação às disciplinas não obrigatórias, pela Internet, mas o diretor fazia questão que a grade horária de cada aluno não fosse disponibilizada online, e sim entregue pessoalmente por ele, por um professor ou por sua secretária, a Srta. Emma Pillsbury. Era uma maneira de começar a criar uma relação mais pessoal entre os alunos, e os professores e funcionários.

O contato com a Srta. Emma, como ela afirmou preferir ser chamada, foi mais rápido do que os meninos imaginavam, então sobrou algum tempo para que os dois caminhassem pela escola e conhecessem os espaços que não tinham visitado no dia da festa. Algum tempo depois, outros alunos começaram a chegar e os corredores foram se enchendo de conversas animadas, risadinhas, além do barulho familiar da batida das portas dos tradicionais armários das escolas americanas.

Finn e Kurt receberam senhas para utilizar armários em um mesmo corredor, ao qual se dirigiram, para se livrar de grande parte do material que tinham trazido à escola, ficando apenas com o caderno que iriam usar na primeira aula do dia. Já em relação às salas de aula de cada um, para o primeiro tempo, estas ficavam distantes uma da outra. Kurt foi para a aula de Desenho Artístico, que ficava perto do corredor onde se despediu do irmão, e Finn atravessou alguns corredores para chegar à sala em que assistiria História da Arte.

Enquanto andava pelos corredores, Finn reparou que vários grupos de meninas o olhavam e comentavam sobre ele. Não estranhou, visto que já estava mais do que acostumado a chamar atenção. Ele era, certamente, um dos meninos mais altos do colégio em que estudava antes e, pelo que tinha visto até agora, seria um dos mais altos entre seus colegas do McKinley também. As meninas, no entanto, não estavam reparando em sua altura. Ela era apenas um dos muitos predicados com os quais as garotas estavam encantadas, pelos quais estavam hipnotizadas.

Ele viu, entre as garotas, uma das meninas que ele tinha conhecido na festa. Infelizmente, era aquela com quem ela não tinha aguentado passar muito tempo, em razão da necessidade da criatura de falar sobre fatos da vida dela que não interessariam a ninguém que tivesse acabado de conhecê-la. Também infelizmente, quando ele percebeu a presença dela, isso não aconteceu a tempo de conseguir fingir que não a tinha visto. A garota se despediu das amigas e se pendurou no braço dele, perguntando que aula ele teria e em que sala seria e, depois de descobrir que a aula para a qual estava indo era em uma sala próxima à dele, fazer questão de ir até lá ainda perdurada no rapaz.

Ele não se lembrava do nome dela e também não fez questão de perguntar. Ela, por outro lado, o chamava de Finny, como se o conhecesse desde sempre. Isso o deixava ainda mais irritado e louco para chegar à porta da sala de um dos dois, se livrando dela. Era nesses momentos que lamentava ter absorvido muito bem toda a educação que Carole e Burt lhe tinham transmitido, porque o que ele queria, de verdade, era dizer para ela não usar nenhum apelido, ao falar com ele, ou, ainda melhor, para ela simplesmente não falar com ele, nem com nem sem apelido.

Se perguntava, enquanto a quase desconhecida falava sem parar, por que não tinha tido a sorte de encontrar uma certa garota mais morena, mais baixa, mais linda, mais misteriosa. Dessa, sim, ele queria saber o nome. Essa, sim, ele queria conhecer. Desde o momento em que ela o tinha deixado sozinho na cabine de fotos, na noite da festa, o pensamento dele pertencia a ela, os sonhos dele giravam em torno dela. Ele não se lembrava de nenhuma menina jamais ter mexido tanto assim com ele, apenas com uns beijos. Pensando melhor, ele não se lembrava de ter ficado assim, nem em relação a meninas com quem ele tinha transado e isso era algo muito louco.

Ele finalmente se despediu da loira que estava agarrada nele, percebendo que para ela a despedida era uma decepção tão grande quanto o alívio dele, e entrou na sala de aula. Alguns alunos já ocupavam suas posições e outros estavam de pé, conversando. Ele escolheu uma das mesas do fundo, que ainda tinha as três cadeiras desocupadas, e sentou na do meio, ainda pensando na baixinha espevitada cujo desprezo, em vez de simplesmente irritá-lo, só tinha feito crescer seu interesse por ela.

Pensou nisso durante a entrada da professora na sala, e enquanto a mesma escrevia algumas coisas no quadro branco, só tendo sido despertado de seus pensamentos quando alguém sentou perto dele, já falando.

"O que você tá fazendo aqui?" A voz que o despertou soava nada satisfeita com sua presença.

Rachel tinha cumprido todo o seu ritual matinal. Encontrara as meninas no estacionamento, entrara com elas na escola, andara com elas pelos corredores, pegara um caderno em seu armário, dera um beijo protocolar no namorado, e cumprimentara Noah e Sam, que também tinha se juntado às respectivas namoradas. Como o primeiro tempo de Jesse era em um corredor diferente daquele onde ela iria assistir à aula da professora Shannon Beiste, caminhou com Sam e Quinn, que estavam indo para a aula de Imunologia, em um laboratório próximo à sala para onde ela estava indo.

Não estava propriamente atrasada, mas, quando chegou a seu destino, a professora já fazia algumas observações no quadro que, aparentemente, ela esperava que fossem copiadas por seus alunos. Rachel, então, se apressou em escolher um lugar, o qual estava quase ocupando quando seus olhos avistaram uma figura conhecida. Não podia ser! Seus olhos tinham que estar lhe traindo. Ela nunca o tinha visto na escola e aquela não era a primeira aula de História da Arte.

Mas não, seus olhos não estavam lhe pregando uma peça. Era mesmo o garoto com quem ela tinha ficado na festa e que ela pensara que jamais voltaria a ver na vida. Era ele e ela precisava falar com ele. Tinha que tentar entender o que estava acontecendo, como ele surgira em uma de suas salas de aula, que tipo de piada a vida estava fazendo às suas custas. Tinha que garantir que ninguém saberia que os dois haviam se beijado, afinal tinha sido por isso que ela escolhera a cabine fotográfica para o segundo beijo deles.

Desistindo do lugar em que pretendia se sentar antes, ocupou um que estava vago ao lado dele e, sem nem ao menos terminar de acomodar a si mesma e às suas coisas, já foi perguntando o que ele estava fazendo ali. Não obteve resposta e sim um olhar de total surpresa, de espanto, susto.

"O que você tá fazendo aqui, garoto?" Repetiu, exasperada.

"O que se faz numa sala de aula?" Devolveu a pergunta, irônico.

"O que você tá fazendo aqui, no meu colégio?" Tinha vontade de gritar com ele, mas não podia, então falava em um tipo de grito sussurrado.

"Eu estudo aqui." Esclareceu, indiferente.

"Desde quando?"

"Desde hoje." Fez uma pausa, mas viu que ela não se daria por satisfeita com a resposta. "Não que te interesse, mas eu me mudei pra Lima na sexta-feira. A gente não conseguiu chegar antes, por isso eu perdi as aulas da semana passada."

"É. Realmente não me interessa nada disso!" Afirmou, antipática. "Só o que me interessa é que você saiba que ninguém pode saber..." fez uma pausa e falou bem mais baixo "o que aconteceu."

"E o que aconteceu?" Questionou, irônico.

Aquela baixinha podia ser uma delícia, mas o jeito dela não estava agradando o rapaz. Naquele momento, ele sequer sentia vontade de beijá-la de novo. Queria que ela sumisse dali com aquele tom autoritário, que o deixasse copiar a matéria em paz. Ou melhor, não queria que ela sumisse, o que queria era ensinar umas boas lições a ela, mostrar que ela não era a dona do mundo e muito menos mandava nele.

"Você sabe muito bem do que eu to falando. Não me irrita, garoto!"

"Você se acha muito, garota! Pra que eu ia comentar com alguém que eu dei uns beijos em você?" Falou, conseguindo convencê-la de que era indiferente ao que tinha acontecido e ela se surpreendeu com o quanto a indiferença dele a chateava. Isso, no entanto, não mudava nada. Ela tinha um namorado e ninguém deveria saber do que tinha se passado na festa.

"Ótimo!" Ela se ajeitou na cadeira, mas achou que não custava nada dar uma reforçada em sua demanda. "Porque se você falar alguma coisa, garoto... eu juro... eu não só vou negar, eu vou fazer você passar a maior humilhação da sua vida."

Debochado, ele apenas bateu continência, como quem indica reverência a ordens superiores e, no mesmo momento, se ouviu a voz grave da professora, que havia acabado de escrever no quadro e olhava na direção deles.

"Rachel, eu acho ótimo que você queira ajudar o aluno novo a se enturmar... e, Finn, eu fico feliz que você já esteja fazendo amigos, em seu primeiro dia..." Shannon sabia o nome de Rachel porque a menina tinha sido sua aluna também em Artes Plásticas, no ano anterior, e o de Finn porque ele tinha sido apresentado a ela e a alguns outros professores, durante a festa de início de ano letivo. "... mas, por favor, deixem essa conversa para a hora do intervalo. Vamos retomar o que estávamos falando na aula passada sobre a influência francesa, ok, turma?"

Não havia conversa alguma para retomar na hora do intervalo. Os dois já tinham se entendido muito bem. O combinado era fingir que não se conheciam e, se a tal de Rachel queria assim, Finn agiria assim. No final das contas, talvez tivesse sido mais sorte não reencontrar a menina com quem vinha sonhando. Ela era bem mais agradável em seus pensamentos e em seus sonhos.

Talvez, qualquer hora dessas, Finn devesse tratar de perguntar o nome da tal loirinha gostosa de olhos claros que apreciava tanto a companhia dele.