Sam fingiu não perceber o que Dean falara e continuou ensaboando o irmão. Estava adorando sentir seu corpo definido sob suas mãos. Estava adorando os toques, o atrito... Não sabia o que era aquilo que sentia dentro de seu peito. Estava mais acariciando Dean do que o ensaboando. E Dean sabia disso.

Colocou as mãos nos ombros do mais novo e sorriu levemente. Encostou-se na parede e olhou para Sam. Estava pensando um monte de bobagens ao ver o mais novo dentre a fumaça, estava num estado de leveza profunda da alma. Quanto mais rápido seu coração batia, provavelmente prevendo qualquer coisa, mais leve ele se sentia. Parecia estar sendo acolhido por toda aquela fumaça.

Sam pegou a esponja branca e felpuda, esfregou-a no sabonete e continuou esfregando Dean. Esfregava o seu tórax levemente, mais acariciando do que fazendo o que tinha que fazer. Dean estava seguindo as mãos do mais novo com os olhos. E elas foram abaixando, abaixando... Esfregaram sua barriga, a região abaixo de seu umbigo e quando Dean pensou que o mais novo fosse continuar e sentiu o coração falhar, Sam se ajoelhou e passou para a perna direita. Dean jurava que podia ver um sorrisinho na sua face.

A boxer branca que o mais velho vestia estava transparente e guardava nela algo que Dean não queria mostrar. Estava envergonhado por isso. Sabia do seu estado e sabia que Sam estava o provocando. Saiu de suas divagações quando teve o ímpeto de agarrar Sam pelos cabelos e... Olhou para o teto. Que diabos estava fazendo Sam fazer aquilo? Deveria ser muito forte, porque o seu Sammy tímido não era aquele que estava ali. Aquele era o Sam-Demônio-Sem-Vergonha, que chegou o rosto bem perto do problema de Dean e olhou para cima, encontrando o mais velho corado e ofegante, olhando para o teto. Estaria Dean rezando? Certamente, pois mantinha as mãos em punhos fechados ao lado do corpo e "aquela coisa" dentro da boxer pulsava. Sam sorriu. Estava se divertindo demais! Hoje iria "abduzir" ao menos mais uns quantos comprimidos daquele. Vez ou outra sua vista turvava, mas "no problem". Ele estava se divertindo mesmo assim. E muito!

Passou para a perna esquerda depois de praticamente massagear o pé direito de Dean, que ao contrário de sua perna, não tinha mais espuma devido a água que caía bem entre eles. Esfregou o interior da coxa do mais velho aproveitando para deixar suas unhas pequenas exercerem um pequeno atrito com a pele de Dean, o que fez o mais velho gemer e olhar para baixo, encontrando o olhar lascivo de Sam bem no seu "problema". Não resistiu em alfinetar:

― Tá gostando do que vê?

Sussurrou baixo, mas foi o suficiente para que Sam ouvisse e olhasse dentro de seus olhos, respondendo mais pra si mesmo, tão baixo que Dean mal ouviu:

― Como adivinhou?

Abaixou o olhar e continuou o que fazia, esfregando levemente a perna de Dean e massageando seu pé esquerdo como havia feito com o outro.

Dean sabia que se Sam continuasse tão perto, seria capaz de, de verdade, agarrá-lo pelos cabelos, olhar bem pra cara dele e dizer "me chupa". Só o fato de pensar nisso fez Dean gemer e fechar os olhos. Teria que continuar suas "invocações divinas" se não quisesse perder a linha.

Sam olhou para Dean assim que escutou aquele gemido. Olhou lascivo e parou o que fazia. Estava muito, mas muito mesmo, excitado. Chegava à quase doer. Olhou para os lábios entreabertos e sentiu uma vontade, não, um desejo profano de delineá-los com a língua e traçar um caminho por seu pescoço, seus ombros, seus mamilos, sua barriga, seu umbigo e...

Gemeu. Aquilo estava o deixando ansioso por contato. Queria de toda forma tocar Dean, lambê-lo, mordê-lo...

"Deus..." Se levantou, olhou na cara de Dean e disse:

― Dee.. ― Abaixou o rosto e respirou fundo, após tentar clarear a voz ― Tô... Saindo...

Nem pegou nada para se enxugar. Saiu do banheiro. Estava mais confuso do que o necessário. Sabia que Dean não estava assim por causa dele. Ou ao menos pensava isso. Mal conseguia respirar. Estava quente por dentro. Não queria nem pensar se tivesse ficado ali mais um minuto. Iria agir como um selvagem e Dean com certeza lhe quebraria a cara. Não seria nada legal. Foi bom enquanto durou. "Ah tentação..." Queria voltar ali e prensar Dean na parede, atacar seus lábios, encostar seus corpos, fazê-lo gemer seu nome...

― Sam! Saam! Traz alguma coisa pra mim beber!

Nem tinha visto o tempo passar, mas quando chegou lá com uma coca na mão, Dean estava de toalha e a boxer branca estava pendurada na torneira do chuveiro. Olhou de lá para Dean que tomou a coca de sua mão e virou após abrir. Estava se barbeando. Caminhou até o box e abriu o chuveiro, encostando as mãos na parede e abaixando a cabeça em seguida. Só agora Dean percebera a mínima cueca preta que Sam usava. Desde quando Sam tinha largado as boxers? Preferiu pensar em qualquer outra coisa, indo até o som e o tirando do "mudo" depois de horas. Voltou para o banheiro e continuou o que fazia. Vez ou outra, pescava os movimentos do mais novo pelo espelho.

E foi numa dessas, que viu Sam o observar de esguelha, dar um sorrisinho de lado e, rodeado pela fumaça, segurar nas bordas da cueca e puxá-la para baixo lentamente. Dean ficou tão deliciado com o que via, que quando percebeu um incômodo, era seu corpo lutando com a pia por espaço. A toalha iria cair! Segurou com a mão esquerda e com a direita, adquiriu um corte na linha direita do maxilar com a lâmina do barbeador.

― Droga...

Praguejou baixinho. Ardia...

Sam riu e terminou de tirar sua roupa íntima, aproveitando a distração de Dean com o corte. Seria um suplício terminar de se barbear com Sam ali, nu, atrás de uma camada fina de fumaça atrás de uma porta de vidro...

E assim foram longos quinze minutos. Longos suspiros causados pelas mudanças de posição que Sam fazia. Ah... Dean teve vontade de fazer com ele como se fazia com uma garota. Ir até lá e deitar as mãos nele, fazê-lo encostar na parede e... nem conseguiu pensar no resto. Aquela toalha cairia à qualquer momento. Por que diabos estava ficando excitado ao ver Sam? Ele era um homem! E pelo que Dean sabia, nunca havia sentido desejo pelo mesmo sexo... Estava acontecendo algo dentro de sua mente e ele precisava consertar com certa urgência, antes que fosse tarde demais. "Pai, me ajuda..."

Suplicou, como se John Winchester estivesse ali, ao seu lado, como fazia no meio das "batalhas" quando era apenas um garoto. Não mais sabia a quem apelar nessa situação... deliciosamente confusa e constrangedora.

― Dean... Pega uma toalha pra mim?

Pediu Sam, olhando por cima do ombro, daquele jeito que Dean não podia ver justo agora. Aquele jeito inocentemente tóxico. Aquele jeito só dele.

Acenou com a cabeça que sim e saiu do banheiro. Estava com um band-aid no rosto e um olhar baixo. Sam sabia que tinha a ver com a situação toda. Só não esperava que Dean fosse voltar com a toalha e pedir:

― Onde tem daquele seu comprimido de cafeína?

Olhou para ele. Falaria? Sim. Ele pedia.

― No bolso do meio da minha mochila, em baixo de tudo.

Dean virou as costas e saiu. A primeira coisa que fez ao sair do banheiro foi caçar o frasco, achar, e sem ler ou verificar o rótulo, mandar um pra dentro com o restinho da coca-cola. Em poucos minutos, se sentiria bem, com certeza.

Caçou uma cueca vermelha e uma camisa da mesma cor pra vestir com um jeans acinzentado e com seus sapatos que mais gostava. Passou perfume e estava pronto pra outra. Completamente revigorado. Nem pensava mais no que estava embaraçando sua mente para se sentir atraído por Sam.

Quando o mais novo saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura, Dean já estava 100% bem.

― Achou?

― Sim.

Respondeu Dean sorrindo. Deu uma olhada para o corpo de Sam e voltou o rosto ao lado oposto. A droga da vontade ainda persistia em atacá-lo. Precisava se distrair com algo. Pensou, pensou e achou:

― Tô com fome...

― Eu também...

― Tem barrinha de cereais em cima da mesa da TV, você viu?

― Não... ― andou até lá e achou. Trouxe logo quatro ― Quer?

― Claro!

― Olha como responde, hein?!

Segurou o rosto de Dean de leve, forçando o contato visual enquanto dizia. Sorriu e soltou duas barrinhas no colo do mais velho. Se jogou na sua cama e olhou para o lado direito.

― Brigadeiro?!

Dean olhou na hora. Ah! Sam não ia comê-los sozinho. Não mesmo!