Nota da autora: Primeiro eu tenho que novamente justificar a razão da demora: eu estou em final de semestre e não tenho tempo nem pra respirar direito. Além disso, com o Diretório Acadêmico, várias outras coisas estão ocupando meu tempo fora o trabalho... Então, aos que me mandaram reviews, eu peço desculpas, mas eu só vou responder no próximo tá?(Que provavelmente só virá depois do dia 9 de julho.)
Capítulo 7 - Reportagem
Miroku ficou comigo no apê até cerca de 7 horas quando terminamos de limpar tudo. Então, cansada demais para fazer qualquer coisa eu pedi oden pelo telefone e nós três comemos em silêncio em silêncio, exaustos até mesmo pra conversar. Mais tarde, meu amigo foi embora e depois de um tempo eu tomei um banho confortador e me joguei na cama.
Acordei no meio da noite com a sensação de que havia algo fora do lugar. Ainda meio adormecida estendi o braço para ligar o abajur e bati minha mão na ponta do criado-mudo. E entendi que era eu quem estava fora do lugar.
Já acordada eu sentei na cama e procurei por algum ruído estranho que explicasse o meu despertar. Não consegui ouvir nada além da Tv do meu vizinho, que provavelmente esquecera de desligar.
Apurei os ouvidos e pude divisar o barulho de Teclas. Teclas? Eu pensei e um medo irracional se apoderou de mim. Corri até a sala onde fica o computador apenas para me deparar com o lugar escuro e vazio e o computador desligado.
O meu cérebro devia estar um pouco lento ainda e eu franzi a testa pensando o porque das teclas para de repente lembrar do meu vizinho. "Talvez ele não esteja dormindo" concluí. "Ele deve estar digitando" E antes de deitar novamente me perguntei que tipo de pessoa estaria digitando desenfreadamente no meio da noite.
Diversas teorias encheram a minha cabeça e uma necessidade me impedia de dormir. Praguejando baixinho eu me levantei pé ante pé e fui até a cozinha beber água. Com o líquido transparente no meu copo eu me sentei em uma cadeira e voltei meus pensamentos a meu vizinho.
Que tipo de pessoa seria ele? Imaginei tecendo idéias a respeito enquanto sorvia a água gelada. "Quem sabe um desses executivos obcecados pelo trabalho com uma ex-mulher neurótica no outro lado do pais e dois adolescentes inconseqüentes como filhos" arrisquei primeiro para depois descartar "Não, dramático demais" pensei e formulei outra hipótese "Ele é um terrorista árabe infiltrado na alta sociedade fazendo uma bomba caseira para chamar a atenção dos japoneses para o problema da jihad palestina" eu coloquei o copo na pia balançando a cabeça negativamente "Não, fantasioso demais, parece enredo de filme americano" eu suspirei
No corredor, fiz outra tentativa. " Ele era um chauvinista desses comuns... um tanto intratável e sexy como todos os vizinhos deviam ser, separado e provavelmente mergulhado no trabalho. Só mais um bastardo normal..." Eu cheguei no quarto e me enfiei sob as cobertas meio sonolenta. "Um sexy bastardo" defini. Estranhamente a imagem que fiz dele parecia uma fusão do Inuyasha com o Sesshoumaru.
Eu acordei com a exótica imagem dos olhos de Inuyasha a me observar. Em um reflexo me afastei tentando evitar que visse meu rosto corado e virei-me na cama.
- Kagome, você pretende ficar aí o dia todo? - ele perguntou se afastando da cama.
- Hum, talvez. - balbuciei fechando os olhos novamente e de novo o olhar dele fixou-se em mim.
Incomodada eu levantei o lençol sobre meu corpo e o encarei de volta. Em menos de uma semana tive não um, mas dois encontros desastrosos com o Sesshoumaru; descobri uma rede de contrabando de armas dentro do governo japonês, conheci meu anjo da guarda e mudei de apartamento. Estava cansada, nada mais natural.
- Há alguma coisa de importante hoje pra você vir me acordar de madrugada? - perguntei
Inuyasha revirou os olhos como se fosse óbvio e me olhou como se eu fosse uma retardada.
- Hoje é sábado, Kagome.
Eu pisquei os olhos sem entender e me joguei na cama com os braços abertos perpendicularmente ao corpo."Sábado, sábado, isso deveria me dizer alguma coisa?" Me perguntei e esperei meu cérebro processar aquela informação particular que eu procurava. "Sábado" Como seu uma luz se acendesse na minha mente eu levantei a cabeça murmurando "Oh, Deus!" e ouvi Inuyasha rir.
"Anjos safado! Se divertindo com o atraso alheio..."
A compreensão do meu atraso me atingiu como um raio, e eu levantei de uma vez correndo pelo quarto a procura de roupas sem nem lembrar que estava apenas de baby doll. A risada de Inuyasha subitamente cessou.
Quando já tinha separado uma roupa, sapato e lingerie é que finalmente parei para tomar ar e notei o dito anjo parado na porta do quarto. Como se seguisse uma ordem fora dos meus propósitos meu rosto enrubesceu e eu baixei a cabeça envergonhada.
- Eu vou tomar banho - disse constrangida e só pude ver que ele usava apenas uma samba canção antes de entrar no banheiro.
"Eu vou enlouquecer" falei encostando meu corpo na porta do banheiro e deixando-o deslizar até o chão. Ignorando o fato de estar atrasada pensei no quanto eu havia mudado desde a chegada dele. Era quase como ter um pedaço da minha família de volta.
Pensar nele trouxe à minha cabeça a imagem de agora ha pouco: ele em pé no quarto usando apenas aquela samba canção. Meu corpo se arrepiou e eu suspirei tentando afastar aquela imagem mental. Meu Deus, o que estava acontecendo comigo? "Eu não devia pensar nele dessa forma!" Entrei no banho para acalmar meu corpo e desanuviar minha mente o que não adiantou já que pensamentos traidores começaram a formar imagens dele molhado à minha frente, os cabelos prateados colados em suas costas, os fios dágua escorrendo por aquele peito torneado. Mais uma vez sacudi a cabeça. "Quantas mulheres no mundo pensam esse tipo de coisa com seu anjo da guarda?" Não impedi um sorriso sarcástico. "Mas também, quantas têm a oportunidade de vê-lo apenas de cuecas?" E agora eu já estava falando sozinha e achando a água quente demais.
- kagome, está tentando se afogar? - a voz meio rude de Inuyasha me gritou lá da sala e eu lembrei que estava atrasada, agora mais ainda.
Enxuguei-me com a felpuda toalha branca e vesti as roupas que tinha pegado sem prestar muita atenção. Um pouco de maquiagem e pronto! Saí do banheiro deixando os cabelos soltos para enxugarem.
Cheguei na cozinha e engoli o café mastigando algo que lembrava bolo de chocolate. Depois de um rápido escovar de dentes e posterior retocada no batom eu simplesmente peguei minha bolsa e me encaminhei para a porta.
No caminho Inuyasha me parou. "Vou com voc" ele disse e voltou, segundos depois, já pronto. "Como ele consegue fazer isso?" Me perguntei e coloquei a chave na fechadura.
Eu abri a porta mecanicamente e projetei meu corpo para fora. Não demorou a meu cérebro perceber a figura que estava fechando a porta do apartamento ao lado. Chocada eu ouvi o click da chave virando e ele retirando-a da fechadura.
Saindo do estado letárgico eu obriguei meu corpo a retornar e, como um raio fechei, a porta ignorando o rosto espantado de Inuyasha. Ele coçou a cabeça e franziu o cenho, perguntando:
- Nós não estávamos saindo?
Eu apenas encostei o corpo na porta fechada aturdida demais com a minha falta de sorte até mesmo pra falar. A cor começav a a voltar para a minha face e eu não podia acreditar... Eu havia visto meu bastardo e sexy vizinho.
- Sesshoumaru. - falei baixinho encarando o nada
Inuyasha me olhou sem entender
- Estamos atrasados, Kagome. - ele andou até mim e me ajudou a levantar como se isso encerrasse a questão.
Não posso deixar de dizer que fiquei furiosa com a lerdeza dele. Eu mudava de apartamento com medo do serviço secreto e ia morar ao lado do diretor geral do SIJ! Deus era muito irônico comigo...
- Não, Sesshoumaru, Inuyasha, - eu falei com veemência - Meu vizinho, o terrorista. - eu respirei fundo terminando de me acalmar.
Estava ferrada.
Inuyasha apenas riu com o canto da boca e me olhou ironicamente:
- Bem, acho que isso facilita o meu trabalho.
Eu franzi a testa irritada com o comentário. Será que ele não podia deixar a maldita missão dele um pouco de lado? Eu estava com medo! A matéria mais perigosa da minha vida sairia hoje e envolvia muita gente importante. Gente que não se importaria com a simples vida de Kagome... Gente que não se importara com a vida do seu pai ou do seu irmãozinho Souta. E eu, mudava para o apartamento vizinho ao chefe do Serviço de Inteligência Japonês.
- ótimo. - Grunhi e acrescentei mentalmente "É claro que o fato de eu ser completamente apaixonada por ele não fazia a menor diferença...".
- Huh, Kagome? - Inuyasha se aproximou hesitante e tocou de leve meu cabelo em um gesto que transmitia conforto. - A matéria não devia estar na redação às oito horas?
Maquinalmente, olhei pra ele e saí correndo do apartamento feito uma louca. Só eu mesma para me atrasar nas horas mais impróprias! Tá certo, que eu nunca soube de uma hora própria para atrasar-se...
Quando virei o corredor Inuyasha me alcançou com a chave do apartamento na mão.
- Tome cuidado com as suas coisas, baka. Você deixou a porta aberta.
- Eu sabia que você iria trancá-la, baka. - retruquei me segurando na parede pra não passar direto do elevador, mas a porta acabara de se fechar.
Xingando todos os bastardos chauvinistas do mundo eu parei para tomar fôlego e ouvi Inuyasha rindo junto de mim
- Eu conheço um modo mais rápido, lerda. - ele murmurou em meu ouvido e sem esperar resposta me pegou no colo descendo comigo as escadas.
Em um primeiro momento eu só senti o vento bater na minha face e esvoaçar meus cabelos. Não tive consciência da velocidade absurda até que o vi descer um lance inteirinho de escadas com apenas um pulo. Mas era bom então eu simplesmente encostei meu corpo no dele e fechei os olhos. Em alguns segundos eu estava ao lado do carro.
"Uau!" Foi a primeira coisa que eu pensei quando em um gesto gentil ele me pôs no chão e eu tentei recuperar meu equilíbrio sob seu riso de escárnio. Não obstante o ignorei, um segundo pensamento já aflorando. "O que eu preciso fazer pra ganhar outro passeio desses?"
- São quinze para oito, lerda. - a voz ainda divertida dele me tirou novamente do devaneio.
"Ow, eu preciso me controlar hoje."
A redação estava surpreendentemente calma quando eu cheguei, o que prenunciava uma tempestade. A única ação a qual meu corpo estava apto a fazer era correr então assim eu o fiz, invadindo a sala da editora-chefe, Kaede, com o disquete na mão.
Sem perder tempo ela o inseriu no computador fazendo upload do arquivo via ftp até o servidor através de um prompt do DOS. Só quando a matéria estava devidamente diagramada no servido é que eu me permitir respirar soltando o ar de uma vez e largando-me na cadeira. Kaede me encarou com um olhar de censura e meu estômago se remexeu de forma desagradável.
- Gomen Kaede-sama - eu comecei, mas ela me interrompeu.
- Dessa vez você quebrou todos os recordes, Kagome. - ela sentou na cadeira ainda um pouco arfante. - Será que apenas uma vez na vida você não pode chegar no horário? E o que aconteceu com o telefone de sua casa? O diagramador quase teve um treco!
Eu olhei para baixo um pouco envergonhada e mordi o lábio. Eu havia esquecido de comunicar minha mudança à Kaede por isso ela deve ter sido atendida por Sango.
- Gomen de novo Kaede-sama. Eu me mudei. Eu sei que já conversamos sobre isso, mas eu sinto que isso vai acabar ficando perigoso.
Baixei a cabeça, derrotada, expressando pela primeira vez o meu temor em voz alta.
- Eu estou com medo, Kaede-sama. Estou mexendo com gente importante demais e - parei com os olhos cheios de lágrimas e encostei minha cabeça na mesa.
- E? - kaede me incentivou.
- Eu não quero perder tudo de novo. Eu não quero terminar como meu pai. Está tudo muito parecido, sabe, o mesmo esquema, os mesmos contatos. Eu só não quero ficar sozinha de novo e ter a minha vida virada de ponta-cabeça...
Kaede me abraçou como quem acalenta uma criança e levantou meu rosto.
- Talvez seja a hora de procurar ajuda, criança. Que tal aquele moço do sobretudo? - eu corei levemente diante do olhar malicioso dela e desviei o olhar.
- O Miroku me disse a mesma coisa. - eu não queria admitir a minha falta de coragem
- O Miroku disse? Então finalmente aquele fotógrafo tarado teve uma idéia aproveitável... - kaede riu pra mim e eu sorri de volta enxugando as lágrimas.
- Acho que está na hora de eu ir trabalhar. - eu ouvi batidas discretas na porta e me levantei.
- É, você está certa. - kaede me respondeu séria e, em seguida, abriu um largo sorriso.
- E, Kagome? Por favor, passe um pente nos cabelos.
Eu abri a porta para dar de cara com Miroku sorrindo pra mim
- Bom dia deusa! - ele cumprimentou distraidamente e eu respondi, passando pela porta.
Quando eu passei por ele,todavia, eu pude vê-lo franzir a testa e olhar fixamente pra mim.
- Kagome! - ele me chamou e eu voltei-me.
- Nani?
- Você fez alguma coisa no cabelo? - ele observou meu rosto e eu dei de ombros. - está esquisito. - ele completou e virou-se para entrar na sala.
Meu sangue ferveu e eu pude ouvir a risada de Kaede dentro da sala e de Inuyasha na minha mesa. Se mais alguém mencionar aquele cabelo novamente eu juro que, tá, eu não juro nada, devia estar horrível mesmo. Anotei mentalmente para nunca mais dirigir a 100Km por hora com a janela aberta.
Certo, a matéria estava no ar. Faltava então torar uma cópia do Cd traduzido e falar com Sesshoumaru. Suspirando eu sentei em frente ao computador e inseri o Cd de dados e o outro que eu havia comprado. Gravei-o e comecei a trabalhar na segunda matéria da série. Realmente o contato na receita federal era bem influente. Eram milhões qeu saiam dos cofres do governo e, de repente, apareciam em contas de pessoas físicas de bancos da Europa. Eu não precisava adivinhar o nome: Ijeko Naraku, o maior responsável pela morte do meu pai.
Deus, isso devia ser alguma brincadeira cruel. Eu, que por tantos anos fugira do meu passado de repente me encontrava frente a frente com ele... Eu me apoiei na mesa fria, o estômago se revirando de náuseas. Havia imagens em 3D dos protótipos das armas. Alta tecnologia que podia fritar miolos a uma enorme distância, com precisão, a serviço de quem pagasse mais. E o pensamento de que a qualquer momento uma belezinha dessas podia estar esperando para fritar os meus miolos não era nada encorajador.
As últimas descobertas acabaram por vencer minha resistência. Eu realmente precisava de ajuda. Já era quase meio dia e meu estômago doía de fome então chamei Inuyasha para almoçar e guardei os Cds na bolsa. Refleti um pouco sobre o que fazer com a cópia traduzida: era absolutamente perigoso andar com as duas na bolsa mas também necessário que eu tivesse uma para minha própria segurança. Optei por guardar a original e andar com a tradução. Antes de sair, então entreguei a chave do carro a Inuyasha e fui procurar meu fotógrafo preferido.
Encontrei Miroku no setor de diagramação envolvido em uma conversa com a nova estagiária. Completamente sem-graça eu disparei para fora da sala rezando para não ter sido notada, mas minutos depois Miroku me acompanhou, ligeiramente descabelado.
- Você não perde tempo, viu! - Brinquei para desfazer o clima constrangedor.
- Eu estava mostrando a ela os aparelhos da redação. - ele me respondeu com a cara mais cínica do mundo.
- Eu sei bem os aparelhos que você queria mostrar. - eu respondi e ele, quem diria, corou.
- Então, ela aceitou posar? - perguntei curiosa com o jeito dele.
- Eu... não perguntei. - ele me respondeu meio hesitante e resmungou mal-humorado. - Droga! Você me conhece bem demais.
Não entendia a razão do comportamento dele. Miroku nunca ficava sem-graça comigo em relação às conquistas dele e eu mesma já o tinha pegado em situações bem piores, vivido inclusive.
- Olha, Kagome, minha dama agora só tem olhos para uma pessoa - ele me respondeu e divaguei na resposta. Será que.. De repente minha cabeça deu um estalo. Sango! Será possível, o Miroku, apaixonado? - Eu lhe dei um olhar espantado e só então percebi que as mãos dele estavam ao Sul demais nas minhas costas.
Com um resmungo de Sai hentai! eu tirei a mão dele rindo internamente. Ele não tinha mudado tanto assim...
- Então, Kagome, o que você pede?
- Eu queria que você guardasse isso em algum lugar, tipo, um cofre... - eu entreguei o pequeno CD a ele.
- Certo. - ele me olhou e riu ao visualizar o meu cabelo devidamente domesticado pelo Hashi. Eu lhe presenteei com um olhar mortífero e mudei de assunto:
-Então, o que tem feito?
Em silêncio ele me conduziu à sala de revelação tirando de dentro do envelope a foto de Hust Iukimata, chefe do departamento de comércio exterior. Eu trataria de sua participação na próxima reportagem. Além desse havia Yu Ikari, general do exército, Naraku da fazenda. Fechando a ponta havia apenas o Inominável, como eu havia apelidado, a ponta solta. A reportagem de estréia tinha uma foto de uma arma e um Cd montados, uma idéia genial de Miroku.
Boquiaberta com a rapidez dele eu o parabenizei e fui para o carro onde Inuyasha me esperava impacientemente.
