Outro? *__*
VI – Again
Aquele sonho era diferente, diferente de todos que já havia tido.
Estava em casa, ninguem a vista, o doce e gelado cheiro de vampiro encheu minhas narinas.
- Blue! Saudades de você! - A sedutora voz disse bem proxima ao meu ouvido. Um arrepio de prazer percorreu meu corpo em resposta a sua voz.
- Gramps! Senti sua falta. - Disse com certo pesar na voz.
Me senti sendo abraçada por trás, por ele, que depositava leves beijos ao longo de meu pescoço. Me virei e fitei seus lindos olhos dourados e enlacei seu pescoço com meus braços.
Seus lábios desceram novamente ao meu pescoço, parando exatamente onde corria maior fluxo de sangue. Não o afastei quando sua lingua quis sentir meu gosto, ou quando aspirou profundamente meu cheiro. Ele não me faria mal algum.
Até que a cena mudou.
Seus dentes cravaram em meu pescoço. A dor excruciante da mordida em minha pele forte. Seu veneno entrava em meu sangue, deixando-o mais lento, mais viscoso, me matando aos poucos. Os olhos agora vermelhos me fitando quando seu corpo me deixou no chão, quase totalmente drenada e sem vida.
- Venci! Agora só falta a Beatriz, mas sem você, ela não é tão forte.
Ouvi sua risada sarcástica, grossa e linda. Me assustei com aquilo e vi finalmente a escuridão.
Finalmente consegui abrir meus olhos. Ofegante e molhada de suor, me sentei na cama. Minha garganta doia exatamente onde Gramps me mordera no sonho. Eu estava morrendo de sede.
Era ele, o mesmo garoto com quem havia sonhado noite passada. Gramps Volturi. Agora sabia o nome dele, e tinha certeza que ele viria.
Levantei, e de short e camiseta, saí pela janela do meu quarto para caçar. Era ótimo caçar e madrugada. Peguei meu celular e o desliguei, não queria ninguém atras de mim me procurando. Eu sabia me virar. Eram duas e meia, quase tres da manha, e o ar soprava gélido em minha pele quente. Me coloquei então em posição de caça.
Procurei sentir e ouvir todos os cheiros, movimentos e ruídos que ecoavam pelo bosque atrás da mansão Ishigoko Cullen.
A uns oitocentos metros para dentro da floresta ouvi o delicioso som de úmidos corações que batiam num ritmo suave. Minha boca se encheu dágua. O rebanho de cervos dormiam tranquilos. Eles não eram meus preferidos, mas era melhor que ir até o Canadá achar alguma coisa mais apetitosa como um leão ou um urso, as duas e meia da manhã e morrendo de sono depois de um pesadelo.
Saltei para o alto de uma arvore, fitando os animas ao longe, para não se assustarem comigo. Escolhi o maior, aliás, a maior. Uma femea, enorme e cheia de sangue. Minha boca se encheu mais ainda com minha saliva. Um dos cervos se levantou, certamente procurando o perigo, me procurando.
Mirei o grande pescoço da femea e ataquei. Cravei certeira meus dentes em sua jugular, tomando o molhado e viscoso sangue quente. Minha sede se foi na hora, a queimação cessou.
Deixei o corpo caído, abandonado.
Olhei a minha volta, os outros animais fugiram enquanto eu atacava a femea.
"É, agora eu se quem matou a mãe do Bambi." Pensei ironicamente.
Senti novamente um olhar estranho em minhas costas, e o vento me trouxe um cheiro conhecido. Conhecido em meus sonhos, das duas ultimas noites.
