Autor: Lady Bogard
Título: Ice RomancerBeta: Samantha Tiger Blackthorn
Sinopse: Ele nunca imaginara encontrar sua alma gêmea, muito menos que precisasse passar por um teste que provasse seus sentimentos. Mas, agora que o encontrara, nada os manteria afastados. Nada nem ninguém!Banda: the GazettE
Pairing: AxK, U+A (talvez aconteça UxA), RexK
Orientação: yaoi
Classificação:18 anos
Gênero: angust, drama, romance, dark, darklemon
Observação: Universo Alternativo, pra variar... Título baseado na música "Ice Romancer" do Sadie (banda muito boa, por sinal). Fic presente para Aislyn, porque, em troca, ela vai me encher de TxSa... 8D
Ice Romancer
Lady Bogard
Capítulo 07
Apesar de espreitar como um predador, Kouyou só conseguiu falar com Shiroyama no domingo à noite. Estava saindo para tomar um ar, quando deu de encontro com Yuu no corredor. Durante a rápida troca de olhares, o loiro notou como o outro estava abatido e parecia cansado.
– Yuu! – chamou pelo primeiro nome sem se importar.
O moreno parou de andar e sorriu:
– Olá.
– Não quer tomar um café? – convidou esperançoso.
– Arigatou, demo...
– Você parece precisar. – Uruha cortou a recusa. Estava dando um passo ousado, mas que trouxe resultado. Aoi hesitou um pouco e o mais jovem continuou. – Um café apenas, que mal pode fazer...?
– Tem um Cyber rua abaixo.
– Pra mim está ótimo. – Kou sorriu de forma contida, tentando manter a explosão de felicidade em seu interior. Finalmente. Depois de todos aqueles anos, depois da angústia e da procura... Teria o seu primeiro encontro com Shiroyama Yuu.
Não seria na Torre de Tokyo, nem mesmo teria um ar romântico. Mas diante de tudo que passara, preferia aceitar de bom grado.
Ambos caminharam silenciosamente pela rua, lado a lado. Era uma oportunidade tão boa...
Uruha olhou para cima e observou o céu escuro e alto da noite. O ar fresco tocou sua pele e trouxe uma sensação agradável a ponto do loiro devanear com o moreno ao seu lado, imaginando que Aoi não mais era um desconhecido compromissado, o rapaz cuja vida mandara investigar e de quem conhecia detalhes íntimos que provavelmente nem Kai conhecia.
Ousou admirá-lo pelo canto dos olhos. Yuu caminhava distraído, com uma expressão mais amena na face até então preocupada. Parecia num momento bom, talvez o primeiro desde quarta-feira, pelo que Uruha descobrira espionando-o.
Chegaram ao Cyber Café e logo conseguiram uma boa mesa, pedindo capuccinos. Assim que a moça se afastou, Takashima mirou o companheiro:
– Não temos intimidade bastante para isso, mas... Me atrevo a dizer que você não parece bem.
Aoi não se ofendeu:
– Muito trabalho. Você sabe...
Deixou a frase de forma reticente. Uruha não insistiu. Já era um triunfo que estivessem ali, juntos, prontos para saborear uma bebida quente. O primeiro passo para conquistar o coração do moreno finalmente fora dado.
– Hn. – Uruha respondeu – Espero que possamos ser amigos. Não sou apenas um vizinho, Yuu. Se precisar de ajuda é só falar.
– Obrigado. Você é muito prestativo. – afirmou admirando o loiro de forma meio surpreendida – Isso é difícil hoje em dia.
A moça retornou com os pedidos. Quando ela se afastou, o mais jovem revelou:
– Só fiquei preocupado, porque você parece com problemas.
– É uma fase ruim... – o moreno soou reticente outra vez, como se não desejasse entrar em detalhes.
– Tomara que passe logo! – Uruha desviou o assunto – Da próxima vez podemos tomar uma raspadinha na Torre de Tokyo. – lançou na maior cara de pau, sondando a reação do mais velho.
Aoi não sofreu nenhuma mudança perceptível, não pareceu se lembrar de nada, ou achar aquilo familiar. Continuou bebericando o capuccino.
– Quem sabe... Quando as coisas melhorarem.
Não era um sim. Mas tampouco era um não. A resposta evasiva fez Uruha sorrir e provar da própria xícara. Um passo de cada vez. Esse era seu plano, aproximar-se aos poucos, sem forçar a barra, sem fazer Yuu desconfiar de nada. Rodear até conseguir entrar em seu coração.
– Isso é bom! – Kou exclamou, referindo-se ao que bebia.
– É sim. – Aoi sorriu largo pela primeira vez na noite. E ficou tão bonito que fez Uruha perder o ar, fitando-o quase embasbacado. Ele devia sorrir assim mais vezes!
A mesa caiu num silêncio confortável, como se não tivessem mais assuntos em comum e não se importassem com aquilo. Takashima levou a xícara aos lábios, observando o outro atentamente por cima da borda. Yuu nem se deu conta de que era observado. Começou a mexer seu capuccino com a colher, parecendo ter a mente longe, longe.
Takashima não se importou. Pelo contrário. Não forçaria o mais velho a dar detalhes de sua vida. Pra isso servia Amano e seu ajudante loiro. Já tinha contatado os dois naquela tarde, requisitando o detetive para uma outra investigação.
Queria um novo e recente relatório. Para o mais breve possível, não importava o quanto custasse. Mas por enquanto apenas aproveitaria a noite e a agradável companhia.
oOo
– Aqui está, Takashima. – Amano empurrou a pasta preta estilo dossiê sobre o tampo da mesa até que estivesse perto de Uruha. – Serviço completo.
Kouyou fitou o objeto antes de enfiar a mão no casaco e tirar um maço de notas. Dinheiro vivo daquela vez. Estava preparado e não fora pego de surpresa pela eficácia do detetive.
– Hn. Arigatou.
Notou Reita movendo-se desconfortável ao seu lado. Sabia que seu companheiro não estava gostando nada daquela história. Relutara muito recorrer ao estratagema e resmungava sempre que perdiam alguma aula. Porém, nunca saia do lado de Uruha. Nunca.
– Aviso uma coisa. Meu relatório é totalmente subjetivo.
– Subjetivo? – Kou perguntou estranhando.
– Hai. Baseado em deduções. – olhou agudo para o loiro andrógeno.
Uruha desviou os olhos e encarou a pasta. O que aquele detetive queria dizer? Por acaso era uma ameaça...?
– Se pensa que...
– Não penso nada. – Amano cortou, tirou um cigarro do maço e acendeu. Ofereceu para os loiros, mas ambos recusaram – Esse relatório é diferente do outro. Não tem nada que prove o que estou dizendo, além de deduções óbvias.
Takashima recostou-se na cadeira. Olhou para Reita que apenas gesticulou, dizendo para irem embora. Considerava o detetive um tipo perigoso, muito perigoso.
Ficando em pé, Kouyou reverenciou de leve:
– Arigatou. Entro em contato caso precise novamente.
– Aa. Sempre que precisar. – Shinji sorriu torto.
Quando eles saíram, Saga aproximou-se da janela e ficou observando. Tora puxou o pagamento e começou a admirar as notas. Trabalho fácil, grana fácil.
– Nee... – o rapaz mais magro murmurou.
– Hn. – Amano olhou para as costas dele, notando que seu ajudante e namorado estava tenso.
Saga viu quando os clientes entraram no carro estacionado à frente do prédio e partiram.
– Esse Takashima... Não gosto dele...
Foi a vez de Tora ficar tenso. Guardou o dinheiro na gaveta e puxou duas pastas estilo dossiê, que estavam separadas das demais. Eram cópias idênticas do material que entregara para Takashima Kouyou. Uma medida preventiva que tinha desde um certo caso que marcara sua vida e a vida de Saga.
Pois a única vez que Sakamoto falara aquilo sobre um cliente, fora a respeito daquele ruivo baixinho, mal encarado. "Esse Takanori...", Saga dissera, "Não gosto dele.". Takanori, o homem que contratara o serviço da agencia de detetives e através de Tora descobrira a infidelidade da esposa. Takanori, o homem que matara a esposa infiel e as duas filhas, e agora cumpria pena máxima.
– Vou ficar de olho nele. – Amano prometeu. Não queria o peso de mais vítimas inocentes sobre seus ombros...
oOo
Dali, Reita dirigiu até o próprio apartamento. O local era tão grande quanto o antigo apartamento de Uruha. Poderiam debater sobre a investigação sem ter a sensação de que eram ouvidos pelo vizinho...
Kouyou abriu a pasta e esparramou o material sobre a mesa. Pegou a primeira folha, enquanto Akira recolhia e examinava as fotos.
– Papai fez mesmo o pai de Yutaka perder o emprego. – Kouyou sorriu. Fora tão fácil...
Com apenas uma insinuação de boicote a firma onde o pai de Kai trabalhava a quase vinte anos não hesitara em despedir o homem. Graças a essa influência não encontraria outro bom emprego facilmente. A família daquele cara estava passando por dificuldades.
Leu uma parte interessante. Descobriu que Aoi estava aceitando mais traduções do que antes, principalmente de artigos científicos.
– Ele está ajudando a bancar a casa. – resmungou deduzindo o óbvio.
– Nani...? – Reita não compreendeu.
– Yuu. Está se matando de trabalhar para ajudar Yutaka. – Kouyou bateu na folha de papel, nervoso. Nunca ia esperar isso do moreno, mas devia ter imaginado. Yuu devia ser nobre demais para ver o namoradinho passar um aperto sem fazer nada. Kai já trabalhava meio período e estudava. Não tinha como trabalhar ainda mais sem prejudicar os estudos...
– Não é de surpreender.
– Igual a uma puta. Aceitar ajuda assim... – Takashima resmungou antes de se levantar e ir até o bar, pegar uma dose de uísque.
Reita deu de ombros:
– Se meu namorado estivesse em apuros eu ia querer ajudar.
– Você não tem namorado. – Kouyou afirmou antes de tomar a segunda dose. Fez uma careta – Eu tenho orgulho. Não aceitaria.
– Aceitaria sim. Qualquer pessoa aceita ajuda de quem ama.
Takashima apertou o copo na mão com força ao ouvir o que Reita tinha dito.
– Odeio você. – falou com péssimo humor.
– Não. Você me adora e... Ei, Kou. Venha ver isso.
Separou duas fotos das outras. Curioso, Takashima se aproximou e observou as imagens:
– Oh...
A primeira mostrava um senhor de baixa estatura saindo de uma empresa. Levava uma pasta na mão. O impressionante da foto era a expressão de derrota exibida pelo homem que só podia ser pai de Yutaka. Aquela era a face de alguém que enfrentara uma guerra contra o mundo. E perdera.
A segunda foto mostrava uma senhora e um menino. Ambos eram parecidos demais com Uke, evidentemente mãe e um dos irmãos do estudante de psicologia. O garoto parecia alegre na feira de artesanato, porém a expressão daquela mulher era tão triste... Tão triste... Como alguém que prevê o tempo ruim se aproximando e não pode fazer nada para impedir.
– Estão vendendo na feira. – Reita apontou a foto – Pra sobreviver.
Uruha engoliu em seco e sentou-se, puxando a foto da mãe de Kai. Ficou olhando pra imagem por um longo tempo antes de passar a mão pelo rosto e cobrir os olhos:
– O que eu to fazendo... Rei-chan?
Akira não respondeu. Nada melhor que a consciência do amigo para chamá-lo de volta a realidade. Ainda parecendo sentir muito, Takashima pegou o celular e discou para seu pai. Pela hora ele devia estar na empresa ainda, mas provavelmente encerrando o expediente.
– Tosan...? – sussurrou ao ser atendido – Eu... Eu fiz uma coisa ruim... E gostaria de consertar...
Reita ficou feliz ouvindo o outro loiro explicar rapidamente o que acontecera ao progenitor. Usava o tom de voz meio infantilizado, que sabia ser ótimo para evitar broncas.
– Eu queria que o senhor ajudasse a voltar atrás... Hai. Gomen nasai. – escutou com a cabeça baixa por um longo tempo. – Wakkata. Já que o senhor perguntou... Vou fazer as coisas do jeito certo. Uke Yutaka estuda em Konhon, né...
Dessa vez Suzuki foi pego de surpresa. Ergueu as sobrancelhas fitando seu amigo de infância, sem poder reconhecer o tom de voz em que a última frase fora dita. E um arrepio eriçou os pelinhos da nuca de Akira, quando Uruha continuou num tom maldoso:
– E ele é bolsista...
Continua...
Yo! Pessoas... Depois de uma eternidade... Aqui estou. Vou me concentrar em IR, pra acabar com ela, antes de partir pra próxima. Capitulo estranho, eu sei. Mas é só até entrar no ritmo de novo.
Pai do Uruha du mal. É... Eu nunca disse que ele era bonzinho... Alguém que faz todas as vontades do filho único é um velho que não parece ter muito caráter... Até eu me surpreendi. O.õ De onde saiu esse velho? Da minha mente? Oh, não...
Até a próxima!!
