SLYTHERIN
SINOPSE: Sangue puro. Arrogante. Imponente. Orgulhosa. Fria. Lily Evans era uma sonserina e James Potter estava apaixonado por ela.
[FANFIC REESCRITA - JILY]
Classificação: +18
Gêneros: Angst, Drama, Romance.
Avisos: contém cenas fortes, incluindo violência, tortura, cenas de sexo e nudez.
Disclaimer: [ESTA FANFIC ESTÁ SENDO REESCRITA]
Personagens principais pertencentes à J.K. Rowling.
Ship: James/Lily [Jily]
Notas: Olá, amores, tudo bem?
Novo capítulo por aqui e esse, diferente dos anteriores, não foi reescrito. Na verdade, esse capítulo sequer existia na versão anterior, mas achei necessário para explicar várias coisas que acontecerão nos próximos capítulos, portanto espero que gostem
[observações importantes para o entendimento do capítulo]
— Quirinus Quirrell, pela descrição dos livros, teria mais ou menos a mesma idade dos marotos, portanto me aproveitei deste fato canon para inseri-lo na história;
— Igor Karkaroff, em O Cálice de Fogo, fala ao chegar em Hogwarts "A boa e velha Hogwarts", dando a entender que conhecia a escola antes de ir para a Bulgária e virar diretor de Durmnstrang. Utilizando do mesmo princípio do Quirrell, já que, segundo especula-se, Karkaroff teria mais ou menos a mesma idade dos marotos, também o adicionei na história;
— Tabela da monitoria da fic, para vocês entenderem quem são os monitores/monitoras de cada casa e ano: imgur a/CO9Pj
Espero que gostem!
CAPÍTULO VI
Especulações (ou sobre reuniões exaustivas e favores noturnos)
[DOMINGO – 18 DE SETEMBRO, 1977]
— Terminei. — Sirius comentou, largando o último pergaminho dentro da caixa à sua frente.
— Eu terminei também. — Lily disse, suspirando enquanto fazia o mesmo. — E pensar que eu devo ter mais umas quinze caixas como essas para organizar. — Murmurou, mais para si mesma do que para o garoto.
— A minha sorte é que a detenção terminou, não é? — Ele comentou, sorrindo marotamente para ela.
Lily rolou os olhos, mas retribuiu o sorriso.
— Sim, Black, você está livre dessa tarefa. Pode ir fazer seja lá o que você faz nas horas livres. — Ela disse, mas logo se arrependeu. Franzindo os lábios, acrescentou: — Desde que isso não tenha a ver com levar detenções e trazer mais relatórios para cá. Me dê uma folga, por favor.
— Vou tentar, Evans, mas não prometo nada. — Ele respondeu e piscou para ela, erguendo-se de onde estava sentado e se espreguiçando.
Suspirando, Lily agitou a varinha e fez com que as caixas – agora cheias de detenções organizadas em ordem alfabética – flutuassem de volta para o armário. Erguendo-se da cadeira onde estivera sentada pelas últimas duas horas, voltou os olhos para o relógio que havia na parede logo atrás da escrivaninha, percebendo que faltava apenas meia hora para o início da reunião de monitoria.
— Algum problema com o horário, Evans? — Black, que ainda estava na sala, indagou, notando o cenho franzido da garota.
Lily voltou a encará-lo e então negou com a cabeça, passando a mão pelo rosto para afastar aquela mexa de cabelo que insistia em cair sobre seus olhos.
— Tenho reunião de monitoria daqui a pouco.
— Ugh, eu também não estaria muito feliz se fosse você. Francamente: monitores. — E estremeceu de forma teatral para dar ênfase.
Ela rolou os olhos para ele, bufando logo em seguida.
— Você não estava com pressa para ir embora, Black? — Indagou, arqueando uma sobrancelha para o garoto.
— Certamente, Evans. Não direi que foi um prazer, pois estaria mentindo, mas esta detenção não foi tão ruim quanto eu teria imaginado. — E, dizendo aquilo, voltou-se em direção à saída, deixando-a totalmente corada e desconcertada.
Antes, porém, que ele chegasse até lá, a porta foi aberta e, por ela, Cathus McLaggen, o setimanista e monitor da Corvinal, adentrou, parecendo surpreso ao deparar-se com Sirius.
— Black. — O garoto disse, o desprezo bastante visível em sua voz, enquanto seu olho roxo (cortesia de Sirius no dia anterior) estremecia.
— Olá, McLaggen, tudo bem com as vistas? — Black teve o descaramento de indagar, um sorriso cínico brilhando de forma maligna em seus lábios. — Espero que isso não tenha afetado o seu desempenho em campo.
— Precisa mais do que um soco estúpido para me fazer perder para vocês, Black. — O garoto praticamente cuspiu, cerrando os punhos devido a irritação.
— Pense pelo lado positivo, Cathus: ao menos agora você vai ter uma desculpa para quando perderem no próximo jogo. É só dizer que não estava enxergando direito-
McLaggen retesou-se e Lily tinha certeza de que o garoto estava prestes a partir para a violência, portanto – rolando os olhos internamente – decidiu intervir.
— Garotos. — Ela disse de forma suave, embora o perigo fosse bastante visível em sua voz. — Tenho certeza de que vocês são maduros o suficiente para saber que isso não vai levar a nada, não é?
— Você certamente não está falando do Black, Lily, se tem uma coisa que ele não é-
— Certo? — Ela insistiu, ignorando a argumentação irritada do corvinal.
Muito relutantes, os dois garotos assentiram, embora Sirius tivesse um sorrisinho estúpido em seus lábios, como se houvesse ganhado a discussão. Lily estreitou os olhos para ele, em um claro sinal de "você-não-vai-me-dar-mais-relatórios-de-detenções-para-preencher-Black", mas ele simplesmente deu de ombros.
— Ótimo. — Lily disse e então voltou a atenção para a sua mesa, abrindo a primeira gaveta e puxando os relatórios que havia feito para utilizar na reunião, imaginando que faltava pouco para que os outros colegas chegassem e eles pudessem dar início àquele encontro.
Estava tão perdida em pensamentos, revisitando tópicos mentais – principalmente os que envolviam os ataques à nascidos trouxas e o fato de que tudo estava calmo naquele início de ano, o que era muito suspeito – que demorou a dar-se conta de que Cathus estava bem à sua frente, encarando-a com olhos expectantes.
Franzindo o cenho, Lily encarou-o, indagativa.
— O que foi, Cathus? Precisa de alguma coisa?
— Na verdade, sim. Lily... ah, certo... eu vim mais cedo para a reunião porque eu queria mesmo falar com você e- — O garoto se interrompeu, suas bochechas tingindo-se de um tom rosado forte, fazendo com que Lily ficasse ainda mais confusa.
— Queria falar sobre o quê...? — Ela insistiu, levemente impaciente por conta de toda aquela hesitação.
O garoto corou ainda mais, mas, parecendo encher-se de coragem, prosseguiu:
— Eu estava pensando... estava me perguntando... se... hm, bem, você sabe que o Slughorn vai dar aquela festa daqui suas semanas, não é? E, bem... queria saber se... se você não gostaria de ir comigo? Você sabe, para relembrar os velhos tempos? — As palavras dele se atropelavam, tornando bastante difícil para que Lily as compreendesse.
Por alguns instantes, ela apenas o encarou, confusão estampada em seu rosto enquanto tentava processar o que ele havia dito. E então, ela entendeu.
Ah, sim, os velhos tempos, ela pensou; quando ela e McLaggen trocavam alguns amassos pelos armários de vassouras da escola, o que havia durado por mais de um ano, tendo iniciado no começo do quarto e findado na metade do quinto, na ocasião em que o interesse de Lily pelo garoto havia simplesmente deixado de existir. Não que ela tivesse dito aquilo para ele, é claro. Fora mais como "o problema não é você, sou eu", entretanto, vendo-o insistir naquilo depois de tanto tempo, fazia com que ela se perguntasse se não teria feito melhor se tivesse sido um pouco mais firme na hora do "término".
Sentindo o rosto esquentar de tal forma que parecia prestes a derreter, Lily buscou palavras com as quais pudesse responder, embora nada convincente aparecesse em sua mente.
— Ah, Cathus... eu... ah... bem- — Interrompeu-se, odiando o fato de estar tão hesitante quanto o garoto. Por Merlin, ela simplesmente detestava aquele tipo de situação: em que precisava dar o fora em alguém. — Eu... não posso, porque... bem porque-
— Ela vai ir comigo. — A voz de Sirius interrompeu a desculpa esfarrapada de Lily, fazendo com que ela e Cathus se voltassem em sua direção, sobressaltados, e se deparassem com o garoto encostado contra a porta, observando-os com um sorriso divertido.
— Black, o que ainda está fazendo aqui? — Lily indagou, uma pontada de histeria (e constrangimento) transparecendo em sua voz. — Você não estava com pressa?
Desencostando-se da porta, o garoto caminhou até perto de onde ela estava, encarando-a com uma expressão ilegível que a fez sentir-se enervada.
— Você esqueceu de me dizer a hora que eu devo te encontrar amanhã, querida. — Ele disse e então piscou para ela, deixando bastante claro que ela deveria seguir no seu embalo. Sem saber porque estava fazendo aquilo, mas fazendo mesmo assim, Lily viu-se respondendo:
— Amanhã, antes do período duplo de Poções. — Respondeu, fazendo-o sorrir de modo apreciativo.
— Certo. — Ele assentiu e então voltou-se novamente para Cathus, arqueando uma sobrancelha de modo arrogante. — Desculpe, cara, mas acho que você chegou tarde. — E, sem esperar por uma resposta, finalmente saiu da sala, deixando uma Lily Evans extremamente corada e um Cathus McLaggen totalmente mortificado.
Por alguns instantes, eles ficaram em silêncio, completamente abismados com o que havia acabado de acontecer ali, contudo, Cathus recuperou-se o suficiente para voltar-se para Lily – a expressão de incredulidade estampada em sua face – e questionou:
— Você e o Black...?
— Não. — Lily respondeu, fazendo com que Cathus franzisse os lábios, desgostoso, contudo ele não insistiu. Ela sabia que talvez tivesse sido um pouco mais rude do que o estritamente necessário, mas não queria ter de explicar ao garoto que não fazia a menor ideia do que havia acabado de acontecer ali.
Francamente, o quê, por Morgana, Sirius Black estava pensando ao dizer uma coisa daquelas? O que ela estava pensando ao contribuir com a sua mentira? Como se ela precisasse de boatos mentirosos sobre ambos percorrendo pela escola – o que, ela percebeu, seria inevitável, afinal tinha certeza de que no momento em que McLaggen saísse da reunião, diria para quem quisesse ouvir que ela, Lily Evans, havia se rebaixado ao ponto de aceitar sair com Sirius Black.
Lily estremeceu somente de pensar, mas, bem, não havia nada que pudesse fazer, afinal de contas ela mesma havia contribuído para aquilo. Entretanto, não podia negar que funcionara para despistar McLaggen. No dia seguinte, assim que tivesse chance, conversaria com Black e tentaria compreender o que diabos havia acontecido ali; por que o garoto a havia ajudado a livrar-se do corvinal? Teria sido por conta da briga estúpida dos dois? Só de pensar que fora aquilo que o motivara fazia com que ela se sentisse ainda mais idiota por ter possivelmente colaborando com Sirius Black e suas travessuras! Como se ela fosse realmente aceitar sair com ele, por Merlin! Lily já tinha incômodo o suficiente com o amigo de Black, James Potter, para que... oh, merda, ela gemeu mentalmente.
O que Potter iria achar daquilo? Ele acreditaria nas fofocas da escola ou simplesmente ignoraria? O que Black iria dizer para ele? Contaria a verdade, dizendo que fora apenas um engano ou ele mentiria e diria que, sim, eles tinham um encontro?
Somente aquele pensamento fez com que o estômago de Lily embrulhasse em nervosismo.
— Deixe de ser idiota, Lily. — Resmungou consigo mesma, esquecendo-se que não estava sozinha.
— O quê? — McLaggen, que havia sentado em uma das poltronas livres, amuado, indagou, encarando-a com o cenho franzido.
— Nada. — Lily murmurou em resposta, sentindo-se estúpida.
Não havia qualquer motivo para que se preocupasse com as reações de James Potter – assim como as reações de todo o resto da escola! Ela havia passado os últimos seis anos totalmente alheia a fofocas e não seria agora, por um motivo tão trivial, que iria mudar aquele fato.
Afastando tais pensamentos, Lily forçou um sorriso quando Mary MacDonald, a monitora lufana, adentrou, sendo seguida de sua melhor amiga e também monitora, a corvinal Alice Fawcett.
— Boa tarde, Lily. — Alice cumprimentou-a, enquanto Mary acenava para ela.
— Olá. — Lily retribuiu o cumprimento, simpática.
Sempre havia gostado de Alice, apesar de elas não terem qualquer intimidade além de cumprimentos cordiais e rondas de monitoria. A garota era quieta e não se metia onde não devia, o que, para Lily, era uma qualidade indispensável.
Assim que as garotas se acomodaram, a porta foi aberta novamente, dando espaço para mais dois monitores corvinais: Quirrell e Irma Smith. Lily acenou para eles, assim como para as outras quatro pessoas que adentraram; Amos Diggory, Emmeline Vance e sua namorada, Nicole Thomas e Benjamin Fenwick, todos grifinórios.
Logo em seguida, Elphias e Anne surgiram, sendo seguidos por Dedalus Diggle e Johanna Arnes, da Corvinal, Kingsley Shacklebolt, Hestia Jones e Rose Smith da Lufa-Lufa; Regulus Black, Igor Karkaroff, Ignez Bulstrode e Alecto Carrow, da Sonserina, entraram quase ao mesmo tempo.
Lily pôde perceber a expressão de desgosto de Anne ao ver a prima, Ignez – que retribuiu o olhar com o mesmo desprezo – e em seguida, a garota se aproximou de onde ela estava, sentando em uma poltrona logo ao lado da mesa onde a ruiva se escorava. Elphias a seguiu, sorrindo levemente para monitora-chefe.
— Muito trabalho? Não te vi durante o almoço. — O garoto comentou, encarando-a com o cenho toldado de preocupação.
— Perdi o horário essa manhã, acordei e o almoço estava terminando. Depois precisei organizar alguns relatórios e também tinha uma detenção para monitorar... — Ela suspirou e passou as mãos pelos cabelos, sentindo-se cansada somente de recordar o dia cheio que tivera. E não eram nem as sete e meia da noite!
— Você precisa descansar, Lily, ou vai acabar entrando em colapso. — Anne comentou, encarando-a de modo perscrutador, como se estivesse esperando que ela desmaiasse ali mesmo.
Lily poupou-se de responder, pois, naquele momento, Remus Lupin adentrou, cumprimentando os colegas com simpatia antes de prostrar-se ao lado dela.
— Olá, Lily.
— Oi, Remus. — Lily sorriu para ele e o garoto retribuiu, mas logo voltou a ficar sério.
— Gideon pediu para avisar que não vai vir. Ele pegou um resfriado e a Madame Pomfrey mandou-o ficar na Ala Hospitalar até a fumaça que a Poção para Resfriado provoca parasse de escapar de suas orelhas. Carlotta também não vai vir... ela acabou de descobrir que a mãe faleceu...
— Ah, eu entendo... — Lily assentiu, lembrando da quintanista grifinória que por vezes falava demais e era irritante, contudo, sentiu um aperto no peito ao pensar na dor que a garota deveria estar sentindo. — Foi natural ou...?
— Sim, foi. Ela pegou Varíola de Dragão. — Remus comentou, compreendendo a pergunta de Lily, sabendo que ela estava indagando se havia sido obra de você-sabe-quem, afinal a mãe de Carlotta era nascida trouxa.
— Certo. — Ela assentiu e então suspirou, voltando-se para os colegas que os observavam, curiosos. — Bem, vamos começar.
A reunião foi bastante turbulenta, o que não era surpresa.
Alguns dos sonserinos – Karkaroff e Carrow – entraram em uma discussão acirrada com os grifinórios – Fenwick e Diggory – após o tópico sobre ataques a nascidos trouxas serem levantados e as suspeitas recaírem imediatamente sobre a casa das serpentes.
Lily precisava admitir que os colegas de casa eram bons atores, afinal, caso ela não tivesse noventa e nove por cento de certeza de que eles faziam parte do clubinho de adoradores de Voldemort, teria acreditado em suas reclamações. Parecendo extremamente ofendidos, exigiram que a reunião acabasse e que uma reclamação formal fosse feita a Dumbledore. Ela precisou de toda sua força de vontade para não rolar os olhos para os colegas, mas conseguiu conter a agitação depois de refutar – mesmo que com algumas indiretas aos sonserinos mentirosos – as acusações dos grifinórios, com classe.
Seguido disso, entraram no tópico das rondas e, mais uma vez, houveram discussões. Grande parte dos monitores também faziam parte dos times de Quadribol, o que tornava bastante difícil organizar as escalas de modo que todos pudessem comparecer sem furarem algum dos compromissos.
Remus era crucial nesses momentos – sempre calmo e extremamente paciente – ajudando-a a não explodir e mandar todo mundo pelos ares. Ele conseguiu organizar o quadro de modo que que todos tivessem seus desejos atendidos – mesmo que Lily tivesse sido obrigada a fazer ronda com McLaggen todas as sextas-feiras, o que não a agradou, mas, como deveria se mostrar um exemplo, aceitou de boca fechada.
Quando, por fim, haviam terminado mais uma enorme discussão sobre supervisão de detenções – desta vez entre corvinais e grifinórios, que estavam com os ânimos bastante agitados diante da aproximação do primeiro jogo que aconteceria dali a duas semanas e queriam o máximo de tempo possível para treinar antes da partida, o que só dificultava o trabalho de Lily em organizar as escalas – ela estava pronta para se despedir de todos e sorrir verdadeiramente pela primeira vez naquele dia diante da possibilidade de poder ir para seu dormitório e se atirar sobre sua cama, quando Quirrell, o sextanista da corvinal, fez a pergunta que Lily pensara estar conseguindo evitar.
— Evans, você tem algum parentesco com a garota nova? Petunia Evans, que foi para a Corvinal? — Ele perguntou, suas bochechas extremamente coradas, enquanto a observava, expectante.
— Ah, eu nem tinha pensado nisso! — Alice comentou, parecendo surpresa e então também se voltou para encarar a monitora-chefe.
Reprimindo um gemido, Lily forçou um sorriso.
— Ela é minha irmã. — Respondeu, concisa. Antes, porém, que aquele assunto se estendesse, o que parecia prestes a acontecer devido as expressões surpresas e curiosas que se espalharam pelas faces dos colegas, Lily prosseguiu: — Certo, pessoal, por hoje era isso. A próxima reunião de monitoria acontecerá daqui duas semanas. Até lá, não esqueçam de fazerem seus relatórios semanais e, caso observem alguma atividade fora dos padrões, recorram a mim ou a Remus imediatamente para que possamos tomar as devidas providências.
— E, por favor, por "fora dos padrões" queremos dizer "fora das regras da escola"! Nada de suspeitas de relacionamentos ou fofocas, por favor. Temos muito trabalho a fazer para perder tempo investigando a vida alheia. — Remus adicionou, firme, relembrando do quinto ano, quando uma das colegas havia importunado o antigo monitor-chefe, Octavian Blake, inventando histórias apenas para que eles investigassem a vida amorosa de Sirius Black.
Fora um caso que repercutira por meses, sendo chamado de "Tática Skeeter". Era bastante comum ouvir "fulano está tentando dar uma de Skeeter" quando se referiam a alguém que se excedia na desconfiança em algum relacionamento.
A comoção foi geral quando todos se ergueram, acenando uns para os outros, combinando horários ou esperando colegas enquanto saíam da sala. Anne e Elphias perguntaram se ela não queria que aguardassem, mas Lily os dispensou, dizendo-lhes que ainda precisava organizar algumas coisas e que demoraria. Por fim, restaram apenas ela e Remus.
— Bem, isso foi exaustivo. — Lily comentou, soltando uma respiração longa que nem sabia estar segurando.
— As primeiras reuniões são sempre as piores. — Remus assentiu, também parecendo cansado. Suas olheiras estavam mais proeminentes e as cicatrizes em seu rosto, normalmente não muito visíveis, pareciam mais sobressalentes. Lily franziu o cenho, preocupada, mas não quis indagar a ele sobre aquilo, afinal poderia estar se metendo em um assunto sobre o qual o garoto talvez não quisesse falar.
— Sim. — Ela concordou e então sorriu. — Obrigada, você sabe, por tomar as rédeas naquela hora...
— Ah, tudo bem. Não queria ser obrigado a te dar uma detenção por conta de um assassinato em massa. — Ele piscou para ela, afastando-se em direção à saída. — Bem, Lily, separei alguns relatórios para ler, incluindo os seus. Deixei os meus na primeira gaveta, junto com os que faltam. Na próxima ronda podemos conversar sobre o que encontrarmos de interessante.
— Certo. Obrigada.
— Boa noite, Lily. — Remus disse e então acenou para ela.
— Tchau, Remus. Boa noite. — Lily acenou de volta, pensando em como Remus Lupin era uma das melhores pessoas que conhecia.
Assim que ele fechou a porta atrás de si, Lily voltou-se novamente para a escrivaninha.
Talvez estivesse sendo muito paranoica, pensou, mas poderia jurar que vira os lábios de Karkaroff moverem-se, formando as palavras "terceira sala à direita do segundo andar" para Quirrell antes de sair.
Apesar da exaustão, Lily não podia ignorar aquilo. Não quando havia decidido – tendo se motivado principalmente após a briga com Snape e, também, por ter percebido que sempre fora conivente com a mãe, que era tão preconceituosa com relação aos nascidos trouxas quanto ele – que estava mais do que na hora de se posicionar a respeito de toda aquela política absurda de purismo. Ela não queria se comparar à mãe naquele aspecto. Na verdade, ela não queria se comparar à mãe em aspecto algum.
Como não podia ir diretamente contra Voldemort – o que seria deveras imprudente –, pelo menos podia agir na escola, tentando desmascarar aqueles adolescentes estúpidos que se achavam melhores do que os outros por conta do sangue; que se achavam no direito de torturar nascidos-trouxas; que se achavam no direito de menosprezar qualquer um que não fosse como eles, nojentos como eles.
Nojentos como Severus Snape, pensou, em um ato de maldade.
Sentindo-se frustrada com o rumo dos pensamentos, abriu a última gaveta da escrivaninha e murmurou a senha, "deer", para o fundo falso, puxando de lá o objeto que havia confiscado apenas alguns dias atrás.
Sentiu-se insegura ao segurar o tecido prateado e frio em suas mãos, apreciou sua beleza e textura – tão leve quanto água – imaginando se não estaria indo longe demais ao utilizar-se de algo que não era seu.
— Não é como se Potter fosse descobrir, Lily. — Ela murmurou consigo mesma, respirando fundo antes de atirar o tecido sobre si, pasmando-se ao se posicionar em frente ao pequeno espelho que havia perto da porta e perceber-se totalmente invisível. Fosse qual fosse o feitiço que havia naquela capa, certamente era muito mais potente do que a que seu pai, Jonathan Evans, possuía.
Respirando fundo, direcionou-se para a porta, abrindo-a e saindo para o corredor, enchendo-se de coragem enquanto se encaminhava para a "terceira sala à direita do segundo andar".
James sentia-se inquieto enquanto caminhava de um lado para o outro numa das passagens secretas do quinto andar. O dia fora exaustivo, mesmo que não houvesse feito absolutamente nada depois de deixar Remus com Petunia Evans e encaminhar-se para o seu dormitório, onde ficara deitado sobre a cama encarando o dossel pelo resto da tarde.
Sua mente não parava de funcionar, em polvorosa com todas as novas informações sobre Lily Evans que havia descoberto naquele dia. Não conseguia deixar de pensar na família dela, na forma como ela parecia ainda mais fria diante da presença da irmã, o modo como falara, com tanto sarcasmo e auto depreciação, sobre o fato de pertencer à Sonserina... porque sua família – exceto ela e a irmã – era Grifinória.
Lily Evans pertencia à uma família Grifinória.
Pensar no que aquilo significava fazia com que o cérebro de James desse um nó. Por algum tempo pegou-se imaginando como teria sido sua vida em Hogwarts se Lily houvesse seguido a tradição da família e fosse uma grifinória; será que eles teriam implicado tanto um com o outro? Será que ela o desprezaria tanto? Será que ela teria sido amiga de Snape não sendo da mesma casa que ele? Será que ele, James Potter, teria se interessado por ela se ela não fosse aquela maldita sonserina irritante extremamente misteriosa e sarcástica?
Infelizmente não possuía resposta para nenhuma daquelas perguntas – embora tivesse suas desconfianças de que, independente da casa a qual ela pertencesse, continuaria sentindo-se estupidamente atraído por aqueles malditos olhos verdes – o que só o deixava ainda mais agitado e ansioso.
Odiava sentir-se daquele modo, tão desnorteado e abalado por motivos tão estúpidos. Como aquela garota havia se infiltrado daquele modo em sua mente? Como era possível que ele não conseguisse parar de pensar nela? Como era possível que, apesar de ela apenas dificultar a vida dele – exatamente como naquele momento, em que ele precisava ficar cuidando por cima do ombro a todo momento com medo de ser pego, o que teria sido evitado facilmente caso estivesse com a sua capa da invisibilidade, a qual ela confiscara – continuasse tão malditamente atraído?
Irritado com o rumo de seus pensamentos e com a falta de respostas, James soltou um longo suspiro.
— Argh, eu odeio não estar com a minha capa. — Resmungou pelo que deveria ser a milésima vez na última hora, sentindo-se extremamente frustrado.
— Hey, Prongs, fale baixo. — Sirius resmungou para ele enquanto observava o pergaminho em suas mãos com atenção. — Parece que a reunião de monitores terminou. — Disse e indicou a sala de monitoria no mapa para o amigo. — Remus deve estar indo para o dormitório... talvez se o encontrássemos-
— Não. — James o cortou. — Essa semana vai ser difícil para ele. Vamos deixá-lo dormir. Sem falar que, depois dessa reunião, imagino que ele deva estar exausto. Céus, eu posso até imaginar o caos entre os alunos por conta dos treinos. Já percebeu que a maioria dos monitores também fazem parte de algum time de Quadribol?
— É... parece que você andou prestando bastante atenção nessas coisas de monitoria, não é? — Sirius comentou, encarando-o com aquela maldita expressão arrogante que sempre exibia quando sabia mais do que deixava transparecer. — Podia ser você lá. — Adicionou, arqueando uma sobrancelha para ele.
James deu de ombros, levemente incomodado com o assunto.
— É, mas não sou.
— Porque você não quis. — Alfinetou Sirius.
— Sirius... — James murmurou em aviso, mas o outro o ignorou.
— Qual é, James, nós nunca vamos falar sobre isso? Não vai me contar porque recusou o convite de Dumbledore para o cargo de monitor-chefe?
— Porque, Padfoot, eu não quis. — James retrucou e passou as mãos pelos cabelos, nervoso. — Imagine ter de aturar a Evans durante todas essas reuniões e rondas? Sem falar nas reuniões e rondas em si, francamente, que coisa chata! Merlin me livre ter de passar por algo assim!
— Uhum. — Sirius estreitou os olhos, não acreditando em nenhuma de suas palavras. — Porque você odiaria passar algum tempo com a Evans, não é? — Bufou, fazendo com que James corasse. — Certo... então quer dizer que você não ter aceitado nada tem a ver com o fato de você adorar bancar o herói e querer fazer com que Remus se sinta orgulhoso de si mesmo, algo que quase nunca acontece porque aquele idiota insiste em se menosprezar? — E, embora suas palavras devessem parecer críticas, James podia notar os traços de admiração no olhar do melhor amigo.
— Eu... só queria que ele fosse feliz. É o último ano e ele já tem problemas peludos o suficiente. A monitoria é boa para ele. Remus merece esse cargo.
— Você também, James. — Sirius disse, sério. — Você amadureceu tanto no último ano, ficou tão responsável e exemplar que estou até pensando em te deserdar-
— Você não pode me deserdar, porque sua família te deserdou. Sou o único que lhe resta.
— Sempre delicado, Prongs. — Sirius fingiu-se de ofendido antes de prosseguir: — Como eu estava dizendo: você virou praticamente um bom menino, cara. Dumbledore sabia disso, por isso te escolheu. Você merecia.
— Remus se encaixa nisso muito melhor do que eu jamais poderia me encaixar, Padfoot. — James disse, pretendendo encerrar aquela conversa.
— Certo, Prongs, você tem o seu ponto. — Sirius assentiu e, graças a Merlin, mudou de assunto. — Roockwood, Avery e Rosier estão no segundo andar e, pelo caminho que estão tomando, Carrow, Karkaroff e... Quirrell? O que diabos Quirrell está fazendo junto desses sonserinos? A Torre da Corvinal fica para o outro lado!
— O corvinal idiota que estava babando na irmã da Evans hoje? — James indagou, esticando-se para o mapa e observando os três pontinhos que Sirius estava indicando, sentindo-se confuso enquanto lembrava do sextanista que parecia estar tendo um ataque cardíaco mais cedo quando a novata havia sentado ao seu lado junto à mesa de sua casa. — Eles também estão indo para o segundo andar, ao que parece.
Sirius sorriu para ele, maroto.
— Creio que temos o que precisamos. Malfeito feito. — Disse, seus olhos cinzentos brilhando enquanto dobrava o mapa. — Certo, vamos usar o feitiço da desilusão? O que vai ser?
— Desilusão e Abaffiato nos pés, para silenciar nossa aproximação. — James disse, puxando a própria varinha e murmurando os feitiços que havia acabado de mencionar.
Sirius assentiu e então fez o mesmo.
O feitiço de desilusão não era perfeito como utilizar a capa, mas eles eram bons o suficiente em magia para tornarem-se quase totalmente invisíveis e, devido as atuais circunstâncias, aquilo deveria bastar.
Eles se afastaram da passagem, saindo debaixo de um tapete no corredor que os levaria para a Torre da Grifinória, mas ignoraram deliberadamente o quadro da Mulher Gorda, direcionando-se para a primeira escada à direita; desceram rapidamente, aproveitando o vazio dos corredores – devido ao fato de que já havia passado meia hora desde o toque de recolher – para moverem-se sem tanta preocupação em serem pegos.
Somente quando chegaram nas escadarias do terceiro andar é que precisaram se esmagar contra a parede, aproveitando-se da sombra produzida por uma grande armadura, a fim de não serem desmascarados por um casal de corvinais apaixonados que se beijaram por todo o caminho enquanto subiam os degraus.
Quando, por fim, chegaram ao corredor do segundo andar, Sirius chamou James para uma sala de aula vazia, murmurando que deveriam observar o mapa mais uma vez antes de se aproximarem para escutar.
— Juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom. — Sirius disse para o pergaminho, sem nunca deixar de se maravilhar com o trabalho precioso que haviam feito enquanto os traços se emaranhavam, formando um mapa perfeito da escola. — Vamos ver... — Murmurou, mais para si mesmo do que para James que estava encostado contra a mesa do professor, resmungando sobre o quanto era ridículo ter de usar aquela "droga de feitiço da desilusão" ao invés de utilizar a capa maravilhosa e infalível que aquela "maldita sonserina" havia confiscado.
Sirius preferiu não comentar sobre o quanto ele parecia afetado por conta da monitora-chefe sonserina, pois sabia que aquilo causaria mais desconforto do que o amigo poderia lidar naquele momento.
Não, teria de deixar para zoar com a cara de James quando eles não estivessem fazendo algo tão importante – e desmedidamente imprudente – quanto espionar possíveis seguidores de você-sabe-quem.
— Sim, eles estão à duas salas de distância. Roockwood, Avery, Rosier, Karkaroff, Carrow e Quirrell.
— Não consigo acreditar que ele também faz parte dessa merda toda. — James comentou, irritado.
Parecia que o movimento purista recebia cada vez mais novos contribuintes. Antes, James se sentia confortável em dizer a plenos pulmões que os únicos babacas que apoiavam aquela causa eram sonserinos, contudo..., contudo, após o ano anterior, quando até mesmo Peter, o garoto com quem havia convivido por longos anos, dividido incríveis histórias... havia se tornado um deles, as crenças de James haviam caído por terra.
E, agora que ele sabia que haviam pessoas de todas as casas capazes de apoiar aquelas monstruosidades, era apenas muito incômodo ter de admitir aquilo em voz alta, afirmando que estivera errado e que fora preconceituoso por todo aquele tempo. Entretanto, não deixava de ser esquisito e extremamente decepcionante saber que Quirinus Quirrell, o sextanista corvinal que sempre parecera tímido e franzino, estava a apenas duas salas de distância, confraternizando com aquele bando de babacas.
— Certo, vamos...? — Começou a dizer, mas então percebeu a expressão no rosto do amigo ao observar o mapa. — O que foi, Sirius?
— É que- — Sirius começou a falar, sentindo-se completamente abismado ao observar quem havia acabado de adentrar na sala de aula onde os aspirantes a comensais se encontravam. Mas não podia ser, podia? Não fazia o menor sentido! Não depois do que acontecera mais cedo... não depois... a menos que... sim, deveria ser. Precisava ser. Sirius se orgulhava de ser um ótimo juiz de caráter, portanto não quereria perceber-se enganado. Não de novo. — Nada. Vamos, vamos nos aproximar da sala em que eles estão, James, não quero perder o que eles estão falando.
E assim eles fizeram. Aproximando-se vagarosamente, Sirius guardou o mapa dentro das vestes, ignorando o "talvez seja melhor continuarmos com ele" de James, não querendo que ele visse...
Havia um feitiço abafador protegendo a sala – o mesmo que eles haviam lançado sobre os próprios pés para não fazerem barulho – o qual James desativou, utilizando o contrafeitiço, enquanto aproximavam os ouvidos da porta.
—... já falou com ele. Está tudo pronto. — A voz arrastada de Roockwood ressoava, quase fraca demais para que compreendessem.
— E você acha que é uma boa ideia? Quero dizer, nós sabemos que... — A voz de Karkaroff baixou tanto que eles não conseguiram ouvir as próximas palavras, até que: — Lua Cheia!
James e Sirius se retesaram ao escutarem aquilo, imaginando o que deveria significar.
Mais alguns murmúrios foram ouvidos pelos próximos minutos, todos eles ininteligíveis, como se estivessem sussurrando e então Avery comentou, impaciente:
— Lucius explicou a situação, mas Narcissa se recusa a colaborar.
— Que se dane a Cissy! Bella já se dispôs a fazer isso em seu lugar. — Foi Rosier quem disse, definitivo. Houve um ruído de concordância e então o garoto prosseguiu: — Precisamos nos organizar de modo que ninguém desconfie da nossa saída...
— O que nos leva a você — Alecto Carrow, em sua voz fina e enjoativa, disse e Sirius podia imaginá-la sorrindo de forma malévola. — Terá de arranjar isso, Quirrell, se quiser ser aceito.
— Eu vou. — A voz do corvinal saiu muito mais firme do que normalmente parecia, o que fez com que James quisesse socá-lo.
— Ótimo. — Carrow disse. — Então vai ser na sexta-feira que vem?
— Sim.
— Em plena Lua Cheia?
— Não queremos correr riscos... vai ser muito mais fácil de desviar a atenção com... — Avery adicionou algo que fez com que os outros rissem, satisfeitos.
— Ah, isso vai ser perfeito. Principalmente porque- — Mas o que quer que Roockwood estivesse falando, ficou abafado demais em meio ao som de passos se aproximando da porta. James e Sirius se afastaram rapidamente para o outro lado do corredor, prostrando-se atrás da sombra de uma gárgula, enquanto a porta da sala era aberta.
Aparentemente, a curta reunião havia terminado.
— Vamos logo, não quero ter problemas com a nossa querida monitora caso ela nos pegue. Evans é um saco com relação aos horários. — Roockwood murmurou assim que saiu para o corredor. Rosier, Avery e Karkaroff o seguiram, todos com expressões iguais de satisfação, como se houvessem acabado de tramar algo que faria você-sabe-quem regozijar de prazer. O que, pensou James, deveria ser exatamente o que haviam acabado de fazer, apesar de não ter compreendido metade do assunto.
— Se ela soubesse do que somos capazes, não seria tão arrogante. — Avery bufou, irritado ao pensar na colega de casa que insistia em tratá-lo como uma ameba. — A melhor coisa que Snape fez foi largar aquela garota.
— Ele não a largou, Pierce. Francamente, nenhum cara largaria a Evans. Você já viu ela? — Karkaroff comentou, apreciativo. — Ainda tenho esperanças de que ela venha para o nosso lado. Ela seria perfeita.
— Ah, que monte de merda! — Carrow, que saía da sala acompanhada de Quirrell, parecia enciumada ao resmungar. — Evans seria tão perfeita quanto uma porta. Aquela monitorazinha estúpida que se acha dona da lei seria completamente inútil.
James não podia negar que já havia pensado sobre Evans quase da mesma forma que Alecto, contudo, a forma como a garota havia dito, tão cheia de desprezo, fez com que ele sentisse vontade de ir até ela e ensiná-la um pouco de bons modos.
— Certo. Alecto, Igor, se alguém perguntar, digam que nos encontraram saindo de uma reunião com Slughorn, afinal, antes de virmos até aqui, estávamos mesmo conversando com o velhote. — Roockwood, que estava na metade do corredor, comentou. — Andem.
Eles murmuraram mais alguma coisa enquanto se encaminhavam para o fim do corredor, deixando Quirrell para trás sem sequer despedirem-se dele. O garoto fitou os cinco sonserinos que se afastavam por algum tempo, pensativo, antes de finalmente voltar-se em direção às escadas e começar a subi-las, provavelmente indo para a Torre da Corvinal.
James e Sirius, que ainda estavam sob a sombra da gárgula, esperaram até que ele estivesse longe o suficiente para voltarem a se mover.
— Prongs... — Sirius sussurrou, chamando o amigo. — Porque você não segue o Quirrell enquanto eu dou uma olhada na sala para ver se eles deixaram alguma coisa para trás?
— Seguir o Quirrell? — James indagou, perplexo.
— Sim, cara. Talvez ele esteja indo fazer o que mandaram: dar um jeito em seja lá o que eles queiram fazer na sexta-feira que vem. Anda, James, se apresse antes que ele se afaste muito.
— Certo, certo. — Ele bufou, levemente contrariado embora soubesse que Sirius tinha razão. Suspirando, fez o que o amigo disse, afastando-se pelas escadas, seguindo os passos de Quirrell de forma silenciosa.
Esperando até que James tivesse desaparecido nas escadarias, Sirius adentrou a sala de aula que estivera espionando, olhando com atenção para todos os lados sem encontrar nada. Agitando a varinha, desfez o feitiço da desilusão, encaminhando-se até a mesa dos professores onde escorou-se, despreocupado.
— Parece que os seus colegas de casa não vão muito com a sua cara. — Comentou para a sala vazia, imaginando que pareceria muito idiota caso estivesse enganado.
Alguns instantes silenciosos de passaram e Sirius já estava começando a sentir-se inquieto, quando, por fim, ela respondeu:
— Pensei que você tivesse concordado em não fazer nada que pudesse te levar à alguma detenção, Black. — E então, com um movimento fluído, Lily Evans tirou a capa da invisibilidade que a cobria, aparecendo sentada numa das últimas classes da sala, encarando-o com a habitual expressão de tédio.
— Sabe de uma coisa, Evans? Por alguns instantes, pensei que você também fizesse parte dessa seita estúpida... até que lembrei que você era certinha demais para concordar com esse tipo de coisa.
— Fico tocada em perceber que você me conhece tão bem, Black. — Ela disse, rolando os olhos para ele.
Sirius baixou o olhar para as mãos dela, encarando o tecido prateado muito conhecido.
— Tsc, tsc, Evans. Se James souber que você está usando a capa dele... — Balançou a cabeça em desaprovação. — Ele demorou longos meses para me deixar experimentá-la.
— Potter não vai saber sobre isso. — Lily comentou em um tom de finalização, fazendo-o rir.
— Tem razão. E você vai me dever mais uma por isso. — Sirius comentou, divertindo-se ao observar o tom avermelhado subir pelo pescoço da garota, tingindo seu rosto.
— Não me leve a mal, Black, eu realmente aprecio a sua ajuda, mas... qual o motivo de estar sendo tão prestativo? — O sarcasmo de Evans era palpável. Sirius não podia negar que a admirava por conseguir utilizar aquele tom de voz que ele mesmo havia demorado muito tempo para aprimorar.
— Você não diria que eu estou sendo prestativo caso soubesse das minhas intenções. — Sirius comentou, casual, fazendo-a corar ainda mais.
Merlin, aquilo era tão divertido.
— Black... — Ela começou a dizer, parecendo constrangida.
— Não me entenda errado, Evans, você é realmente bonita, contudo o meu interesse em você não é esse. — Piscou para ela, observando-a enquanto se aproximava de onde ele estava.
— Então o que você quer? — Desconcertada diante do olhar perscrutador de Sirius, ela questionou.
— Bem, eu quero saber o que você ouviu. — Ele disse, arqueando uma sobrancelha para ela enquanto indicava a sala em que estavam e de onde os aspirantes a comensais haviam acabado de sair.
— Você vai me dizer como sabia que eu estava aqui?
— Um mágico não revela seus segredos. — Sirius disse, fazendo-a rir de modo irônico.
— Esse é um ditado trouxa que não se encaixa nessa ocasião, Black. — Ela disse.
— Está errada mais uma vez, Evans. Esse ditado é simplesmente perfeito para esta ocasião. — Sirius comentou, pensando no mapa que havia em seus bolsos internos, lembrando-se do momento em que vira o pontinho com o nome "Lily Evans" movendo-se para dentro daquela sala de aula. Alegrou-se ao perceber que, pelo menos por enquanto, seu juízo sobre Evans estava acertado: ela não fazia parte dos adoradores de você-sabe-quem.
A garota o encarou por alguns segundos, seus olhos verdes e brilhantes perscrutando-o, avaliando-o. Por alguns instantes, Sirius perguntou-se o que ela estaria vendo, se seria capaz de enxergar o que ele não costumava deixar à vista para os outros. Aquele pensamento o inquietou, contudo, antes que pudesse desviar o olhar, ela suspirou.
— Tudo bem. — Disse, em tom de rendição.
— Pensei que fosse ser mais difícil te convencer. — Sirius comentou, verdadeiramente surpreso ao observá-la.
Foi a vez da garota sorrir.
— Como você mesmo disse: estou te devendo uma.
— Duas.
— Uma, Black, porque eu não vou te dar outra detenção por estar do lado de fora à essa hora da noite. — Ela disse, fazendo-o rolar os olhos, contrafeito.
— Certo, uma. — Sirius concordou, embora não parecesse apreciar do gosto das palavras em sua boca, o que a fez sorrir um pouco mais.
— De qualquer forma, eu não gosto de dever para as pessoas. — Lily concluiu, fazendo-o encará-la com renovado interesse.
Sirius estava prestes a responder quando o som de algo se movendo pelo corredor chamou a atenção de ambos.
— É melhor se cobrir, Evans. Vamos ter de adiar nossa conversa. — Sirius murmurou, voltando-se para ela com urgência.
Ela assentiu, mas então acrescentou:
— Quando?
Sorrindo de forma marota, ele piscou para ela.
— Você mesma disse, Evans: amanhã, antes do período duplo de poções. E é um encontro.
Ele a observou corar de forma absurda antes de cobrir-se com a capa de invisibilidade, desaparecendo completamente no exato instante em que a porta da sala de aula foi aberta e uma sombra esquisita adentrou. Em segundos, James desfez o feitiço da desilusão, passando as mãos pelos cabelos antes de aproximar-se de Sirius, totalmente alheio de que tinham companhia.
— Quirrell não fez nada. — Disse. — O segui até entrar na Torre da Corvinal e, pelo caminho até lá, ele não fez nada além de resmungar consigo mesmo coisas do tipo "talvez se...", "poderia...", "mas seria...". Nem um pouco diferente do habitual.
— Também não achei nada aqui. — Sirius comentou, não tão decepcionado quanto seu tom demonstrava, e então suspirou. — Talvez seja melhor voltarmos para a sala comunal antes que alguém nos encontre. Com o seu azar, Evans pode estar se aproximando nesse instante, pronta para te dar mais uma detenção.
— Ha ha. — James rolou os olhos para ele, mas assentiu logo em seguida. — Mas, é verdade, eu encontrei o Pirraça enquanto vinha para cá... consegui desviá-lo, dizendo-lhe que Filch estava na sala de troféus, mas eu acho que seria bom nos apressarmos antes que ele decida fazer alarde.
— Certo. — Sirius anuiu, dando uma última olhada para o local onde Lily havia desaparecido, sorrindo levemente antes de murmurar o feitiço de desilusão mais uma vez, sendo imitado por James.
Os garotos saíram da sala, fechando a porta silenciosamente atrás de si.
Por vários minutos, Lily ficou lá, parada, apenas observando o lugar por onde eles haviam desaparecido, imaginando que diabos estava acontecendo com ela e o porquê de, de repente, ter tantos grifinórios sabendo mais sobre a sua vida do que seus companheiros de casa.
Suspirando, apertou ainda mais a capa da invisibilidade contra si e saiu para o corredor, caminhando lentamente em direção às masmorras, pensando no que havia ouvido ao infiltrar-se na reunião dos comensais e imaginando o que faria com aquela informação. Sabia que, talvez, a ajuda de Black fosse muito bem-vinda caso quisesse intervir – o que ela queria – afinal não podia deixar que uma coisa daquelas acontecesse... não com Remus.
N/A: E aí, amores?
Espero que tenham gostado! Não esqueçam de me contar o que estão achando, sim? Sempre fico feliz quando os vejo por aqui, seus lindos :)
Beijinhos e até breve :)
Obrigada a Liel, Juliete Chiarelli, Larissa Nunes, Ninha Souma e Carol pelos comentários incríveis! Vocês iluminam meus dias, amores *-*
