O Caso do Livro Roubado

Capítulo 7: Minerva.

Ele disse que também me ama e sei que foi sincero. Eu vi isso. Senti isso. É como uma fantasia antiga, talvez a mais antiga de todos elas, realizando-se muito melhor do que tinha sido quando idealizada originalmente.

Então temos um beijo avassalador.

É estranho ver como as coisas com Albus são completamente diferentes. Basta beijá-lo e sinto uma necessidade arrebatadora de tê-lo e ser dele. É algo forte demais, vem rápido demais. E pela pressão que sinto junto à minha coxa sei que é mútuo. Mesmo que faça muito tempo que eu não tenha algo desse tipo, estou certa de jamais ter me sentido assim antes com mais ninguém.

Instintivamente vamos tomando posições mais adequadas, mas sinto algo me incomodando nas costas. Afasto-o para que possa me sentar e ajeitar melhor e ele me olha suplicante. Acaso tem medo que o mande embora? Oh querido, mesmo que quisesse, à essa altura já não conseguiria.

Mostro-o o livro, motivo real de tê-lo interrompido, mas ainda assim ele me pergunta se não o estava achando muito apressado. Eu o desminto e, como ainda parece estar inseguro, ratifico minha opinião de maneira incontestável. Ele por sua vez confirma novamente suas más intenções e me arranca um suspiro.

Por um lado tenho receio do que possa pensar de mim, visto que mal deixei Lawrence para ficar com ele, não sei, pouco mais de uma hora atrás. Mas o quero há tanto tempo! Tempo demais talvez. E tenho certeza de que nunca estive tão apaixonada antes, mas... Ah, seja o que Mérlin quiser!

Atrevo-me, e não faço idéia de onde tirei tamanha ousadia para tal ato, a convidá-lo para meu quarto. Ele parece mais do que inclinado a aceitar a proposta, porém mesmo assim espera mais uma vez que eu demonstre certeza absoluta de minha resolução. Ou talvez esteja apenas me provocando, o filho da mãe.

Ainda bem que eu também sei provocar quando quero.

Escapo de seu alcance e tiro o vestido, sem dar-lhe uma boa oportunidade de ver tudo o que tenho a oferecer. Acho-me um pouco boba exagerando a tal ponto, mas é divertido ver como funciona perfeitamente. E seu olhar aturdido é uma recompensa e tanto.

Entro no quarto, me deito e o espero. Não demora nada.

Há poucas coisas que se comparam à visão da figura do homem que amo, seminu, recortada contra a luz da sala que entra pela porta. E não consigo pensar em nenhuma delas agora. Albus é bem alto e consegue ser incrivelmente imponente, mesmo estando só de roupa de baixo. Acho-o simplesmente lindo assim. E nunca antes tinha notado como seus ombros eram largos.

Sobe na cama e engatinha até mim, sem nunca tirar os olhos dos meus. A respiração arfante. É envaidecedor ver a sofreguidão com que me toma. Seus braços são mais fortes do que havia previsto.

Sua boca é exigente e muito mais quente e molhada do que a pouco foi. Mas logo se cansa da minha e desce pelo queixo. Vaga pelo meu pescoço, ombros, colo, seios e o vale entre eles. Provoca-me com o hálito, beija, chupa, roça os dentes, mordisca, lambe. Demora-se ali. Então barriga, quadril e coxas. Estremeço mais. Aí escorrega para os joelhos, depois panturrilhas, tornozelos e pés. Nunca pensei que um homem pudesse gostar tanto de meus pés.

Se ajoelha ao meu lado e desliza minha última peça de roupa até me libertar dela, olhando-me como se fosse uma criança na manhã de natal. Mais alguns beijos estrategicamente posicionados e também termina de se despir. Oh-hou. Eu inspiro fundo, surpreendida. E ao contemplá-lo assim em sua totalidade sou tomada por um incontrolável sorriso de apreciação.

– Vejo que ao menos não sou uma decepção tão grande assim – brinca e me corresponde com outro sorriso extremamente malicioso, então se deita ao meu lado.

Grande é exatamente a palavra em que estava pensando, Albus.

Rimos brevemente porque sempre foi fácil o riso entre nós, mas em meio segundo o humor é deixado de lado para coisas mais interessantes. E urgentes. Toco-o e beijo-o e ele parece gostar muito disso. Murmura qualquer coisa inconexa demais para que eu possa entender, então diz que quer me tocar também. Não está propriamente pedindo permissão, uma vez que já o estava fazendo há um bom tempo e com considerável sucesso.

E cá estou eu suspirando outra vez.

Pode-se dizer que sou uma apreciadora de mãos, na verdade esse é um dos primeiros detalhes que reparo em qualquer um. Sempre gostei especialmente das de Albus. Grandes, firmes e de dedos longos e finos, alcançam a façanha de incomumente parecerem delicadas e másculas ao mesmo tempo. Mas eu nunca poderia cogitar quão másculas elas conseguiriam realmente ser. Mãos que percorrem meu corpo numa exploração minuciosa, não aleatória, mas bem determinada. Mãos hábeis, que sabem exatamente onde devem ir e como devem agir. Mãos famintas, que agora me enlouquecem, me incendeiam.

Mas aí ele pára. Ri brevemente do meu desvario e me encara com olhos escuros, e ainda assim brilhantes. Um brilho que nunca vi antes, um fogo tão profundo que chega a ser um pouco assustador. Então beija o meu pescoço e...

Esqueça as mãos. Isso é muito melhor.

Aí, assim... Isso. Isso. ISSO!

De novo? Sim!

Não acredito que estou gritando desse jeito. É quase constrangedor. Mas é tão... tão... frenético.

Mais?

Hummm. É bom, muito bom.

Estou apertando suas costas com muita força, eu sei. Só que é involuntário e... AH!

Começa a gritar meu nome. Grita outras coisas também, lisonjeiras e indecentes. Se derrama em mim. Aos poucos vai baixando o tom de voz até que não passa de um sussurro. Demora-se mais um pouco, beijando a base do meu pescoço e subindo lentamente até minha boca de novo. Sua barba está grudada no nosso suor e não sei porque, mas gosto disso.

Então deita-se novamente ao meu lado, faz com que apóie minha cabeça sobre seu braço e continua acariciando-me suavemente. Encosta a cabeça na minha e suspira.

– Você é uma mulher fantástica, Minerva.

– E fantástico nem começaria a descrevê-lo, meu querido.

Eu o beijo e ele me responde com ternura. Continuamos algum tempo assim, calados e simplesmente contentes demais para conseguir dormir. Mas logo seus carinhos vão se tornando mais intensos e vejo seu desejo reacender novamente, tão voraz quanto antes. Surpreendo-me, ele meio que se explica dizendo que há muito tempo não tinha ninguém e em tom de brincadeira afirma que estava se guardando pra mim. Eu sorrio e me entrego a ele outra vez.

Ajeita a barba de lado para que não fique entre nós, coloca-me sobre si com facilidade e espera que eu me acomode. Mas não o faz em silêncio.

– Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio ou flechas de cravos que propagam o fogo: – Albus diz num tom baixo e rouco, pouco mais que um sussurro – te amo como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma.

Não sei se ainda é efeito das duas últimas taças de hidromel ou das atividades recentes, mas não compreendo imediatamente o que ele está falando. Ainda mais quando faz uma pausa para me beijar do modo mais provocante que eu imagino ser possível, sugando meu lábio inferior enquanto trabalha com as mãos na base das minhas costas, quadris e nádegas.

– Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra – prossegue, forçando uma certa cadência ritmada nas palavras, apesar de já estar ficando sem fôlego.

Então eu me movimento, cada vez mais incentivada pelo que diz e pelo que sinto. Não consigo absorver tudo o que está dizendo, mas ainda que não fosse tudo tão bonito bastaria-me sua voz, assim esbaforida, para multiplicar todas essas sensações maravilhosas que me tomam agora. E já são tantas!

– Te amo sem saber como, nem quando, nem onde – admira-me o esforço que ele faz para prosseguir, entre gemidos e a respiração ruidosa...

E só então eu finalmente entendo. É poesia!

Eu não acredito que ele está declamando outro poema pra mim enquanto nos amamos. Como se já não fosse o bastante...

Isso é lindo demais.

Ah, Albus. Amor.

Albus!

Trêmula e tomada de arrepios sem fim, sufoco minha euforia noutro beijo longo. Mas logo continuo, aumentando ainda mais o ímpeto, até que sinto-o também tremer sob mim.

Busco seus olhos sorrindo, enquanto aguardo que ele recupere a respiração.

– Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho: – faz uma curta pausa para inspirar profundamente, ainda me apertando contra ele – assim te amo porque não sei amar de outra maneira.

Volta a me deitar na cama, mas não afrouxa em nada seu abraço. E eu permaneço em silêncio, esperando que continue.

– Senão assim deste modo que não sou nem és, tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha, tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Luto contra o sono, mas é difícil não dormir estando tão cheia de paz e embalada por seu calor e sua respiração. E, só em estado semi-desperto, lembro-me de ordenar para minha boca que diga as palavras que me saltaram na cabeça a noite toda. Agora do modo como eu realmente queria dizê-las.

– Albus... te amo.


Uhura: Claro que continuo, kkkkk. E, se vc já estava sem fôlego antes, como estará agora?

Nana Snape: Beleza, seu pedido é uma ordem! Obrigada pelos elogios, vc conseguiu me deixar encabulada aqui, e isso não é tarefa fácil.

A quanto tempo eles estão apaixonados? Bom, já que eu deixei subjetivo a época em q a fic acontece, não posso definir bem. Apenas digo esse amor surgiu gradativamente, conforme a amizade deles foi se desenvolvendo.

Mamma Corleone: Errr, ponto de vista da cama ou da lua seria absurdamente difícil. Mas se vc quiser eu posso fazer no pov do Albus... Que tal?

No a Uhura: Sei, uhum, ok...*olhar desconfiado*

n/a: Oh, espero que tenham gostado. É muito engraçado (e por engraçado entendam estranho e constrangedor) escrever essas coisas em primeira pessoa XP

Pra quem curtiu o poema, saibam que trata-se do soneto XVII do livro Cem Sonetos de Amor, de Pablo Neruda (autor que eu AMO).

Ah, e isso vale pra todo mundo aqui: façam como a Naná e a Uhura e mantenham-me sempre nos seus e-books *sorriso igual ao do Lockhart*, porque isso me deixa muito contente.

Um abraço e até logo.