Título: Crawling
Ficwriter: Felton Blackthorn
Classificação: N-17
Casal: Harry e Draco
Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas e pertencidas a J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bros. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.
Resumo: Nem todas as prisões são feitas de grades, todos sabem disso, ou pelo menos deveriam. Porém, o que talvez nem todos saibam, é que o amor é, de longe, a mais cruel de todas elas...

Crawling

Capítulo 7

"Construindo algumas pontes"

Kimi no te de kirisaite Tooi hi no kioku wo
Kanashimi no iki no ne wo tometekure yo
Saa Ai ni kogareta mune wo tsuranuke

Com as suas mãos despedace minhas memórias
dos dias que a muito já se passaram
Dê um fim a minha tristeza
Venha, perfure este coração que anseia por amor

– Só me diz uma coisa, Harry. O laço ainda está aqui?

Demorando dois segundos para baixar os olhos, Harry pareceu subitamente surpreso...

oOo

– Claro que o laço está aí, Malfoy. Você sabe como as maldições funcionam, elas não desaparecem sem sua contra-maldição.

Draco acenou com a cabeça:

– Pensei que talvez saber que o laço está aqui pudesse desfazê-lo.

Harry ajeitou os óculos na ponta do nariz. Teve que admitir que era um bom palpite:

– Infelizmente não parece ser o caso. Venha comigo.

O ex-Slytherin obedeceu, levantando-se e seguindo Potter:

– Preciso trocar de roupa. – Draco não achava confortável desfilar pela casa de pijama.

– Claro Malfoy. Mas precisa tomar café antes.

O loiro suspirou. Mesmo que dissesse não ter fome, provavelmente Potter o obrigaria a comer através do vínculo. Por isso achou melhor seguir em silêncio, ignorando; por razões óbvias, que Harry podia captar a relutância através do elo que os unia.

HPDM

Depois do desjejum reforçado (e bem do agrado de Draco, apesar de que ele nunca daria o braço a torcer) e do Auror colocar roupas apropriadas que ele não fazia idéia de onde Potter tinha conseguido, foram para a Mansão.

– A propósito, – Harry falou – Smith está satisfeito por trabalharmos juntos.

– Está...? – o loiro soou extremamente incrédulo.

– Ocultei os detalhes, mas ainda assim ele acha uma interação importante entre o Quartel dos Aurors e o Departamento dos Mistérios.

– Aff. Podemos aparatar daqui. – revelou Malfoy. Com má vontade segurou no braço de Harry e esperou. Tinha acabado de tentar desaparatar secretamente, mas fora inútil. Deduziu que o maldito Único Dever o impedia.

– Nos leve para a Mansão Malfoy. – Potter disse simplista.

Sem mais perda de tempo Draco desaparatou.

A Mansão fazia jus ao nome que tinha. O Garoto Que Viveu estava impressionado, se não intimidado com a aparência majestosa da residência oficial dos Malfoys.

– Enfim, lar doce lar. – a voz arrastada de Draco chamou a atenção do moreno.

Seguiram lado a lado através dos portões e entraram pela porta principal, que se abriu sozinha ao reconhecer a magia natural de Draco Malfoy.

Para surpresa indisfarçável de Harry o interior não era tão magnífico quanto o exterior. Pôde ver poucos móveis no hall de entrada, todos cobertos por lençóis brancos. Parecia uma casa abandonada.

– Os Elfos Domésticos deixam tudo limpo. – Malfoy deu de ombros – Não é como se fossemos fazer todas aquelas recepções. E de longe é melhor do que as acomodações do Lord das Trevas.

Harry não disse nada. Concordava com a última colocação do Auror, mas ainda assim era desolador ver o que uma guerra podia fazer com as pessoas. Muito pouco escapara sem uma marca, uma cicatriz ou uma consequência.

Ignorando a expressão condolente do Inominável, Draco seguiu pela escadaria dupla direto para o segundo andar. Avançou pelo corredor, com Potter o acompanhando de perto, até parar em frente a uma porta muito alta, e entrar.

Era o quarto da senhora Malfoy.

O amplo aposento também fora afetado. Tudo o que havia ali era a grande cama de dossel, uma cadeira a cabeceira e um guarda roupas de tamanho considerável.

Mantendo-se quieto perto da porta, Harry apenas assistiu Draco avançar e sentar-se na cadeira:

– Bom dia, Mamãe. – o loiro disse com uma suavidade que surpreendeu Potter.

Apesar do tom gentil, a senhora Malfoy não abriu os olhos nem se moveu. Não houve resposta, assim como nunca haveria. Ambos os rapazes, bem lá no fundo, sabiam disso.

Harry queria pelo menos salvar a vida daquela mulher. Mesmo que Narcisa nunca recuperasse a consciência, o fato dela ainda respirar sempre serviria como consolo e como derradeira esperança. Ele queria preservar isso para Draco.

Com cuidado Malfoy segurou a mão muito magra de sua progenitora e observou longamente:

– Ela também está amaldiçoada?

Harry fitou o laço negro rapidamente antes de concordar:

– Sinto muito.

Draco recolocou a mão de sua mãe sobre o colchão. Recostou-se na cadeira e pareceu ficar um tanto distante:

– Isso explicaria o que aconteceu com meu pai. – sussurrou – Um dia ele desapareceu. Foi bem ao final da Guerra. Sempre achei que papai tinha sido morto por alguém da Ordem e abandonado em algum lugar por aí.

Talvez seu pai tivesse sido vítima de Voldemort e daquela secreta maldição que só agora tomara conhecimento. Tentou imaginá-lo sozinho em algum lugar, morrendo lentamente de forma dolorosa. Afastado de todos que conhecia, sofrendo...

O pensamento o deixou emotivo. Sua família fora total e completamente destruída por Lord Voldemort. Não havia volta e, seguir em frente, nas atuais condições não era uma perspectiva agradável.

– Vivi a minha vida toda com medo do que ele podia nos fazer. – Malfoy disse muito baixinho. Harry teve que se concentrar pra não perder as palavras – E agora que comecei a viver por mim mesmo, acontece isso.

Dando ênfase às palavras o Auror tocou a coleira em seu pescoço. Potter prendeu o fôlego, a culpa vindo com um peso esmagador.

– Malfoy...

– Não quero viver assim novamente, Harry. Sem poder tomar minhas decisões, seguir com meus passos... Sem vontade própria. Prefiro que a maldição de Lord Voldemort faça efeito.

A sinceridade daquelas palavras era tão simples e tão pura que teve o efeito de um Cruciattus em Harry. A culpa foi tão grande que não conseguiu encarar Draco de volta. Sua impulsividade e egoísmo os levaram até ali. Sucumbira ao desejo que acalentava e usara um truque baixo para isso, para trazer o loiro pro seu lado, contra a vontade dele.

– Vou tirar isso, Malfoy. O laço e a coleira. Tem a minha palavra.

– Que você vai tirá-los não duvido Harry. A questão é quando irá conseguir.

Contra tal acusação não havia defesa. O Garoto Que Viveu apenas abaixou a cabeça, incapaz de conseguir dizer algo que melhorasse a situação. Para não deixar o silêncio incomodo reinar, disse apenas a próxima instrução:

– Podemos ficar aqui o tempo que quiser Malfoy. Mas acho melhor não demorar muito, pra termos tempo de passar na casa de Seamus.

O ex-Slytherin acenou com a cabeça, indicando que tinha entendido a sugestão.

Acabaram saindo da Mansão logo após o almoço preparado pelos Elfos Domésticos, e que estava muito bom por sinal.

Saíram juntos da Mansão até o ponto em que poderiam desaparatar sem que os feitiços protetores interferissem. Foi a vez de Harry segurar no braço de Malfoy e levá-lo para os limites da casa de Seamus e Dean.

– Da última vez que estive aqui as coisas andavam bem ruins.

A revelação de Potter fez Draco parecer pensativo. Juntos entraram na casa do irlandês. Finnigan estava sentado no sofá da sala, com uma aparência cansada.

– Harry. – não pareceu surpreso. O Inominável tinha liberdade de fazer aquilo, liberdade dada pelo próprio Seamus desde que tudo acontecera.

– Seamus, como você está?

O ruivo franziu as sobrancelhas, dando a impressão de que nunca parara pra pensar em si mesmo até então:

– Levando. Tenho esperanças, Harry. Sente-se. – só então voltou para o loiro e cumprimentou – Malfoy.

Draco acenou com a cabeça levemente desconfortável. Podia ver o bracelete de Seamus muito bem. De alguma forma a presença do ex-Gryffindor o intimidava de um jeito que nunca acontecera antes.

– Então arrumou um submisso? – Seamus perguntou observando a coleira de Draco – E um Malfoy... Nunca imaginei isso antes.

– Grande coisa. – Malfoy resmungou com voz arrastada tentando afastar a sensação ruim.

– Malfoy, sente-se aqui. – Harry indicou a poltrona ao seu lado e foi prontamente obedecido, de má vontade, mas foi. – Como Dean está?

Seamus empalideceu:

– A Mancha Rósea alcançou o braço. – revelou meio sem forças. – Harry, isso me assusta.

– Consegui avançar, Seamus. – o Garoto Que Viveu informou – Meu Bem de Direito passou pro nível dois. Logo vou ter acesso a outras áreas do Pub.

Seamus observou Malfoy e Harry. Apesar de tudo ele parecia um tanto distante dali, como se sua mente estivesse em outro lugar. Provavelmente o irlandês percebeu os olhares estranhos que recebeu, pois explicou:

– Eu tive que sair do quarto por um instante. Me sinto tão culpado pelo que aconteceu... Olhar pra Dean dói.

– Não é culpa sua. – Harry afirmou.

O ruivo levantou-se do sofá:

– Vou pegar algo pra bebermos. Acho que nós três precisamos disso.

Assim que o dono da casa saiu da sala, Malfoy voltou-se para Harry com uma expressão de extremo desgosto:

– Desde quando Finnigan pintou o cabelo? Aquele tom de ruivo definitivamente não combina com ele. E está longo demais... aff.

O Inominável relaxou no assento. Um sorriso suave adornou-lhe os lábios. Eles tinham toda aquela confusão sobre eles, a revelação da nova maldição colhera Draco de surpresa, haviam acabado de sair de uma visita triste a Mansão Malfoy, mas o Auror ainda encontrava tempo e disposição de depreciar a aparência física de um ex-colega de escola.

– Porque o sorrisinho? – Draco soou ofendido.

– Nada. Acho que o ruivo caiu bem pra Seamus.

– Claro. Você passou sua vida toda cercada pelos ruivos pobretões. – desanimado, Draco cruzou os braços e recostou-se melhor no sofá.

O Garoto Que Viveu não viu opção a não ser sorrir novamente. Uma vez Malfoy, sempre Malfoy.

Seamus voltou para a sala com uma garrafa de Firewhisky e três copos. Serviu-os com doses generosas da bebida.

– Tem que tirar isso da cabeça, Semaus: não foi sua culpa. – o moreno afirmou depois de dar um gole.

– Foi sim, Harry. – depois da última visita o rapaz parecia bem mais refeito do choque e da dor de ver o homem que amava adoecer de forma tão grave. Seamus parecia mais estruturado, o que não significava que a dor e o medo se foram. – Estávamos tão bem. Era tudo tão perfeito. Não sei por que aceitei esse convite idiota e levei Dean comigo.

– Dean sabia das regras. – Harry tentou consolar – E nenhum dos dois conhecia a Doença Misteriosa, Seamus. Não coloque uma culpa sobre os ombros que não lhe pertence.

O ruivo desviou os olhos e começou a girar o copo entre os dedos:

– Só estar ao lado dele era suficiente. A risada de Dean era tão contagiante. E... – olhou em volta, fixando os olhos no quadro com a tempestade de areia – o talento dele pra pintura sempre foi fantástico. Eu...

– Pare de falar no passado. – a voz arrastada de Malfoy cortou o desabafo do Gryffindor – Thomas ainda não morreu, morreu?

Seamus moveu-se desconfortável. Desviou os olhos evitando a mirada intensa do único Slytherin presente na sala.

– Não. Dean não morreu. E Merlin não permita que isso aconteça. Eu não saberia mais o que fazer da minha vida.

– Harry disse que irá encontrar a contra-maldição. – Malfoy soou decidido – Ele venceu o Lord das Trevas. Depois disso qualquer coisa é fichinha.

A frase firme do loiro surpreendeu tanto Potter quanto Finnigan.

– Malfoy...

– Não diga nada, Harry. – apontou o próprio pescoço – Tenho que acreditar nisso, porque eu também tenho uma coleira aqui. E não é nada legal.

A leve acusação na voz do loiro fez o Inominável sentir-se ainda mais culpado. De repente entendia perfeitamente a postura de Seamus. Tinha que afastar os pensamentos pessimistas de si e manter foco na investigação:

– Seamus, você não se lembra de mais nenhum detalhe?

O ruivo ficou pensativo. Ergueu os olhos de leve e escrutinou o teto, enquanto sua mente fazia todo o esforço possível para recordar algum detalhe, mínimo que fosse, mas que ajudasse a salvar o homem que amava:

– Sinto muito, Harry.– o sofrimento na voz era tão forte que causou arrepios em Malfoy e encheu Potter de preocupação – Eu repasso essa história dia após dia e é sempre igual. Não há um detalhe, um mínimo "senão" que me faça parar e pensar. Foi tudo sempre natural, sempre como deveria ser. Acredite, passo vinte e quatro horas do dia ruminando isso.

Não havia motivo para que pressionassem Finnigan ainda mais. Ele já sofria o bastante e era como ele dizia: se soubesse de algo importante, teria mencionado.

– Caso se lembre de algo, mesmo que pareça besteira, nos fale. Está bem?

O ruivo concordou com a cabeça:

– Claro. Tudo para salvá-lo.

– Amanhã irei ao Libertinus novamente. Vou todos os dias e falar com Monroe. Ele terá que dizer alguma coisa, escorregar em algum momento. Como último recurso, posso colocar todas as cartas na mesa e exigir a verdade.

– Não, Harry. – Malfoy discordou – Ele pode ter algum tipo de feitiço pra "varrer" as pistas do mapa. Monroe não correria o risco de ser preso por isso.

Potter pensou por um segundo e acabou concordando:

– Certo. Mas vou lançar mão disso como último recurso.

Finnigan mordeu os lábios com força, parecendo querer conter sua angústia antes de dizer:

– Sabe meu único consolo? – nem esperou resposta e continuou – O vínculo. Através dele sei que Dean não está sofrendo. – nesse ponto foi impossível para o ruivo conter as lágrimas – Quero acreditar que ele está tendo apenas lindos sonhos.

Cobriu os olhos com uma das mãos, incapaz de suportar o sofrimento. Harry respirou fundo e sentiu um nó o sufocar. Não queria encarar os fatos, mas a verdade era uma só: sua treinada intuição dizia que o tempo estava acabando.

Continua

Harry & Draco

A música do começo é um trecho de "Melissa" do anime Full Metal Alchemist.

Muito obrigado a todos que continuam acompanhando e não desistiram dessa história. Rsrsrs. Pensei que mal seria lembrada! Fiquei feliz. Se tudo der certo posto toda sexta-feira, quando meu tempo na Internet é maior. Então, vejo vocês semana que vem.