| Capítulo 6 |
18.06.2008
6º dia
Já tinha anoitecido e eu me perguntava se Edward viria me buscar novamente. Além disso, toda aquela confusão ainda atormentava.
- Estou ficando carente...
Ignorei a voz do loiro ao meu lado. Mas ele continuou tentando me irritar.
- Está carente, branquela?
- Não.
- Bem, eu estou. A hora que você estiver, me avise.
Eu o olhei sem acreditar no que estava ouvindo. Ele sorriu e piscou.
- Só estou brincando. Ou não. Talvez esteja jogando verde para colher maduro. Ou branquinho.
- Sawyer!
- Veja só, branquela... nós temos que dar continuidade à nossa espécia! Podemos ser os únicos sobreviventes daqui há algum tempo.
- Não acho que eles vão dominar o mundo, Sawyer...
- Ok.
Ele encostou na grade e calou a boca. Eu notei um vulto vindo em nossa direção. Era a baixinha maligna, que sorria para mim de uma forma que me dava calafrios.
- Oi querida!
A baixinha me puxou de dentro da jaula e foi me arrastando pelo túnel.
- Acho um saco ter que ficar de babá aqui com você!
Chegamos ao lugar de sempre e Edward parou para me olhar assustado. Ele rosnou para ela e deu-lhe um tapa.
- Por que a trouxe assim?
- Assim como?
- Arrastando! Saia daqui!
Ela me olhou com raiva e me soltou, saindo rápido de lá enquanto bufava. Ele me levantou e olhou meu rosto.
- Venha...
- Onde?
Edward segurava meu braço e me levava até o banheiro. Quando vi a banheira lá, tremi. Ele ia me dar banho?
- Tire a blusa.
Mandou e foi encher a banheira. Hein? Ficar nua ali?
- Não quero... tomar banho.
- Não estou perguntando.
Então ele virou-se para me olhar e veio até mim, levantando minha blusa e arrancando-a do meu corpo. Ele se aproximou e grudou a boca no meu ouvido.
- Quer que eu tire a calcinha, ou você mesma tira?
Suei frio.
- Por que você... faz isso?
- Isso o que?
- Me trata assim?
Ele sorriu e passou um dedo pelos meus lábios.
- Porque você é tipo, como posso dizer? Meu brinquedo.
Eu odiava estar ali. Eu odiava Edward. Eu odiava a vida neste exato momento. Fechei os olhos e abaixei minha calcinha, sentindo ele me devorar com o olhar. Ele grudou em mim e alisou meus braços, depois minhas costas, com o hálito gelado no meu pescoço.
- Entre na banheira e tome um banho...
Engoli seco e abri os olhos. Ele parecia estar fora de si, com o olhar perdido nos meus olhos. Sentia o volume na sua calça, querendo me furar. Respirei fundo e tentei falar.
- Se... você me... soltar.
Ele então deu dois passos para trás e me comeu com os olhos, lambendo os lábios e sorrindo.
- Acho que vou brincar essa noite.
Parei de respirar e senti o teto rodar. Ele me segurou e beijou meu rosto, deixando a língua correr pela minha pele.
- Problemas de equilíbrio?
- A...ham...
Fui levada até a banheira e colocada lá dentro. Antes de me soltar, ele deslizou uma mão até meu umbigo e enfiou o dedo, rodando-o na cavidade. Eu me contorci com aquela sensação e gemi. Ele sorriu e se afastou.
- Até mais tarde.
Deitei a cabeça na ponta da banheira e fechei de novo os olhos, tentando relaxar.
Fiquei alguns minutos ali imersa na banheira e depois saí para me enxugar. Olhei com raiva para aquela blusa imunda sem a mínima vontade de colocá-la novamente. Ele já tinha me visto nua, certo? Acho que eu não tinha mais nada a perder. Fui para o salão, onde ele esperava quieto sentado na cama, de olhos fechados. Quem o via assim podia pensar que se tratava de algum tipo de meditação.
- O cheiro melhorou infinitamente agora.
Ele falou comigo sem abrir os olhos, parecendo apenas sentir minha presença. Parei a alguns metros de distância dele.
- Eu gostaria de vestir alguma coisa limpa...
- Talvez não seja preciso.
Então ele me olhou, levantando a cabeça e estreitou os olhos, deslizando-os por toda a extensão do meu corpo.
- Eu não posso... me vestir?
Edward levantou e veio até mim, lentamente. Colocou meu cabelo para um lado só e beijou a pele nua do meu ombro. Ele falou bem perto do meu rosto.
- Hoje você será minha. Te possuirei, como minha fêmea.
Engoli seco e senti todos os meus músculos tremerem. Seu olhar era mortal e seu sorriso diabólico. Ele deslizou uma mão pela lateral do meu corpo e apertou minha cintura, me puxando para si.
- Por favor, não...
Ele me lambeu a boca e me olhou sério. Depois me pegou pela cintura e me levantou com minhas pernas esticadas, me grudando no seu corpo e andando comigo até a cama. Ele me deitou e ficou em pé me olhando, e logo depois tirou sua calça e cueca, ficando nu na minha frente. Sentia meu coração cada vez mais acelerado e o medo tomando conta de mim. Edward deitou sobre meu corpo e beijou meus seios, lambeu, primeiro um e depois o outro. Desceu a lígua pela minha barriga, mordendo-a de vez em quando. O que eu estava sentindo? O medo misturou-se à excitação e eu já não tinha mais certeza do que queria.
Então ele parou e ficou me olhando. Ou melhor, ficou olhando "ela". Eu o vi lamber os lábios e sorrir maldoso para mim. Imaginei o que ele tinha em mente e fechei os olhos com medo. Fiquei apenas esperando, até que então senti algo frio abrindo-a e tocando-a por dentro. Era sua língua, dançando no meu sexo aparentemente ensopado.
- Achei que estivesse com medo.
Ele levantou a cabeça sorrindo.
- Estou...
- Jura? Por que então está tão excitada?
Eu não tinha nenhuma resposta plausível para aquela pergunta. Ele arqueou uma sobrancelha.
-Me pergunto por que estamos conversando.
E então ele me sugou, me bebeu com a língua, lambendo cada centímetro dela. O que eu sentia era indescritível, algo que eu nunca sentira em toda minha vida. Edward parou e levantou o tronco, me puxando mais para baixo e abrindo minhas pernas. Eu contraí meus músculos como uma forma de defesa, mas ele enconstou seu membro rígido em mim, e foi colocando devagar, mas entrando cada vez mais. Eu via estrelas, eu me sentia sendo violada, rasgada e preenchida por aquela coisa pulsante e dura. Cravei minhas unhas na cama e tentei fechar as pernas, mas ele não tirou.
- Isso só vai dificultar sua vida... abra as pernas.
- Não!
Ele me olhou sério e abaixou até meu rosto, me beijando na boca. Seu beijo era calmo, diferente do sexo. Ele sussurrou na minha boca.
- Você não é mais virgem.
Ele rebolou em cima de mim e isso me fez sentir algo maravilhoso, mesmo com a pontada de dor. Mordi os lábios e percebi que minhas pernas abriam-se involuntariamente. Meu carrasco começou a estocar, indo e vindo rápido e eu me contorcia e contraía o corpo com aquele movimento incessante. Meus olhos se fecharam e um gemido saiu de minha boca, então eu me vi passando as mãos pelo seu peito, toda vez que ele entrava e se aproximava de minhas mãos.
Ele apoiou os braços na cama e os movimentos mudaram, de longos, para curtos. Já não tirava tudo para voltar de novo. Agora ele bombava curtinho e rápido, só me deixando sentir a fricção do seu membro apertado em mim. Notei que o espaço tinha ficado mennor, ou seu membro tinha ficado maior, pois agora ele vinha com mais dificuldade. Então percebi que na verdade, eram meus músculos que se apertavam com a chegada do orgasmo, engolindo Edward com força. Ele estremeceu em cima de mim e algo gelado me inundou. Meu corpo já não encontrava mais forças para tremer e eu me vi gemendo alto e arranhando seus braços.
Ele parou os movimentos e me olhou profundamente. Desceu, roçando pelo meu corpo e chegou ao meu ventre. Ficou alguns segundos me olhando e depois me deu um beijo um pouco acima da virilha, lambendo a pele e então cravando os dentes em mim.
Eu não esperava por isso, então o grito saiu forte e alto da minha boca, e meu reflexo foi agarrá-lo pelos cabelos e puxar para cima. Ele rosnou e levantou a cabeça para me olhar, com o sangue escorrendo pelo canto da boca. Eu congelei de medo quando ele lançou um olhar sinistro para meu pescoço.
- Não...
Ele abaixou de novo a cabeça e cravou os dentes novamente, no lugar que já estava furado. Senti meu sangue sendo drenado do meu corpo e isso ardia demais. A queimação era tanta que as lágrimas vieram naturalmente. Os caninos afiados incomodavam a pele ferida e faziam doer mais ainda. Agradeci a todos os santos quando ele parou e subiu de volta, alisando-se no meu corpo. Sua boca ainda estava suja, mas isso não o impediu de me beijar. Com meu próprio sangue.
- A ferida cicatrizará mais rápido do que o normal. E não, você não ficará igual a mim.
- Não?
- Não... apenas te mordi.
Ele levantou e me olhou sorrindo.
- Deixarei você dormir agora.
Fiquei olhando ele se afastar e entrar pelo túnel. Pelado? Todos se viam pelados assim? Meu corpo estava cansado, por mais que eu quisesse continuar acordada. Isso falou mais alto e meus olhos foram cedendo, até que se fecharam por completo e eu só vi a escuridão.
Senti alguma coisa encostar minha perna e acordei. Quando abri os olhos, vi Edward deitado na cama ao meu lado, deslizando uma mão por meu corpo. Eu me mexi e ele me olhou sorrindo.
- Acho que já deu tempo de você descansar.
Do que ele estava falando? Mais sexo? Não! Eu não sairia viva de outra situação dessa.
- Por favor... me deixe...
Ele franziu a testa e colou o rosto no meu, com seu hálito inebriante.
- Me engana que você não gostou.
- Eu... não sei...
Ele mordeu de leve minha boca e chupou meus lábios, subindo novamente em cima de mim e abrindo minhas pernas com as dele. Senti sua excitação à flor da pele novamente e me perguntei se vampiros nunca broxavam. Ou isso, ou se excitavam rápido demais, porque ele já estava latejante.
- Você não quer?
Ele roçava na minha entrada e eu já gemia abafado. Era ruim por estar sendo com um monstro que só me faz sofrer. Mas era bom, porque ele era irresistível. Esperei ele me penetrar, mas ao invés disso, eu senti foi seu dedo entrando e mexendo dentro de mim, enquanto ele beijava meus seios. OMG. Quando eu penso que já vivi tudo... aprendo mais.
- Edw...
- Está ruim? Eu paro.
Ele tirou o dedo e lambeu. Eu gemi mordendo os lábios. Ele sorriu malicioso.
- Não... por favor... mais.
Então ele arqueou uma sobrancelha e inclinou de lado a cabeça.
- Eu ouvi direito? Você quer mais? Foi isso?
- Aham.
Ele colocou o dedo novamente e lambeu meu pescoço. Então colocou mais um dedo e eu me contorci, agarrando-o pelas costas e puxando para mais junto de mim. Não sei o que me deu para fazer essa loucura. Meu agressor sorria satisfeito ao me ver gemer e suspirar. Então ele tirou novamente os dedos e levantou, me puxando junto.
- Onde vamos? Me solta!
Ele me virou de costas e me pôs de quatro. Fiquei tensa, muito mais tensa do que imaginava ser possível para uma só pessoa.
- O que... você quer?
- Você. O que mais seria?
Então ele me invadiu novamente, mas dessa vez com seu membro latejante, me preenchendo mais uma vez. Sentia seu quadril se chocar contra minha bunda, fazendo um barulho alto. Ele deslizava as mãos pelas minhas costas e caía pela lateral, à procura dos meus seios soltos no ar. Enquanto ele estocava forte e rápido, brincava com os dedos nos meus mamilos. Eu suava, ali olhando para a cama, eu via as gotas pingarem uma por uma.
Edward curvou-se sobre mim, quase me abraçando, para poder entrar mais fundo, me levando ao céu. Aquela posição parecia ser infinitamente melhor do que a outra, principalmente quando ele soltou um dos meus seios e levou à mão até meu sexo quente e úmido, contornando um dedo pelo clitóris e gemendo no meu ouvido. Os movimentos eram no mesmo ritmo, eu me sentia uma cadela no cio naquela posição de quatro para meu carrasco. Quando eu senti ele me inundar com seu gozo, Edward saiu de dentro de mim e me puxou, deitando-me na cama de barriga para cima.
- Quero sentir seu gosto.
Ele puxou e levantou minhas pernas, com sua cabeça no meio delas, e estimulou meu clitóris com a língua, circulando, dando leves tapinhas com ela, e depois penetrando-me. Ainda com ela. Acho que uivei e chorei ao mesmo tempo. Eu não tinha mais forças para nada, nem para respirar. Deixei minhas pernas cairem em cima dele e fechei os olhos, sentindo tudo rodar á minha volta. Ali, eu dormi o sono mais tranquilo desde que cheguei na ilha. Quando acordei, vi Edward deitado ao meu lado, de costas para mim. Ele estava acordado ou dormindo? Era difícil de saber, pois seu corpo permanecia imóvel.
- Oi.
Falei baixinho para ver se ele respondia. E ele então estava acordado.
- Bom dia.
Edward virou-se para mim e me olhou fixo nos olhos.
- Seu dia hoje será movimentado.
- O... meu?
Não sei por que, mas eu sentia um certo medo nisso. Movimentado por que?
- Sim, o seu.
Ele estreitou os olhos e se aproximou de mim, cheirando meu pescoço.
- Foi bom ter te provado antes.
- Antes?
Me provado? Isso era coisa para se falar? Ok Bella, ele não é humano. Ele levantou da cama e me deu uma roupa limpa. Me deu calças também. Milagre.
- Vista-se e vá para a jaula.
Levantei sem saber do que se tratava e me vesti. Antes de sair, eu ainda olhei para ele, que estava sentado agora numa cadeira da mesa, pensativo.
- Obrigada por não me matar ontem...
- Não era essa minha intenção.
- Ok.
Saí pelo túnel e cheguei lá fora, encontrando Sawyer dormindo. O grandalhão abriu a jaula e eu deitei no canto oposto ao loiro. Agora meu corpo começava a sentir as consequências da noite anterior.
- Ai.
Gemi sem querer e acordei Sawyer.
- Branquela? Chegou cedo...
- Parece que têm planos secretos para com minha pessoa infeliz.
Ele me estudou lentamente e sorriu.
- A noite foi boa é?
Como ele tinha tanta certeza de que tinha acontecido algo? Eu o olhei surpresa e ele piscou.
- Está na cara que você fez um sexo gostoso, branquela! Homem sempre sabe!
OMG. Me enterra!
- Não quero ouvir piadinhas, Sawyer. Eu realmente não estou muito paciente esses dias.
- Claro! Mas eu só não me conformo por não conseguir o mesmo. Já vi duas mulheres boas aqui...
- Será que você só consegue pensar nisso? Mesmo na atual situação?
- Quer que eu pense em que? No cara-pálida?
E por falar em palidez, a vampira loira vinha chegando. Ela parou em frente à jaula e me olhou sorrindo.
- Vamos dar uma volta?
- Duas mulheres? Meu sonho de consumo!
- Cala a boca, Sawyer!
Eu não levantei, não queria. Mas ela abriu a porta e me puxou lá de dentro.
- Levanta essa bunda daí! Não estou convidando você!
Dessa vez eu fui levada pelo túnel, mas não em direção ao salão onde Edward ficava. Nós entramos por outra passagem que dava numa porta de aço coberta por plantas, com um símbolo nela.
- O que é isso?
Eu ainda fiz força para evitar entrar, mas óbvio que não tinha como competir. Ela abriu a porta e me puxou para dentro. Então o que eu via agora era realmente... surpreendente. Esqueça todo o mato, terra e água da ilha. Esqueça a vida selvagem. Esqueça os espaços rústicos, esqueça tudo. Porque eu agora estava dentro de um tipo de clínica. Eram paredes tão brancas e limpas que doía a vista. Um cheiro forte de éter ou algum outro tipo de esterelizante.
- Onde estou?
- Pode soltá-la, Rosalie.
O médico loiro que eu tinha visto uns dias atrás, apareceu novamente. Ele tinha um sorriso calmo no rosto, e a vampira me entregou para ele.
- Toda sua! Não aguento a voz dela... é insuportável.
- Tudo bem, deixe-a comigo. Pode ir agora.
Ela me olhou mortalmente e saiu por onde entramos. Ele falou comigo.
- Olá. De novo.
- Onde estou? O que você vai fazer comigo?
Ele me puxou e me colocou em cima de uma maca de hospital, com alguns aparelhos em volta.
- Nós vamos apenas fazer uns exames em você, ok?
- Exames? Para que?
Ele pegou um instrumento que eu conhecia muito bem. Iam fazer exames ginecológicos em mim? Tentei me levantar, mas ele me empurrou na maca novamente.
- Ou você coopera, ou vou te amarrar!
- Me solta!
- Ok.
Ele puxou umas tiras de couro que estavam presas ao ferro da maca e prendeu meus braços, depois fez o mesmo com as pernas. Tentei me soltar mas não consegui.
- Por favor... o que vai fazer?
- Prometo que serei rápido.
Ele abriu minhas pernas e eu me senti realmente na ginecologista. O instrumento gelado que me invadia me fez tremer de frio e medo. O pior de tudo, era não saber o motivo daquilo. Fechei os olhos e esperei.
- Acabei. Falei que seria rápido, não falei?
Ele tirou as luvas e guardou um vidrinho de coleta.
- Me explique, por favor...
- Outra hora.
O médico sorriu friamente e me desamarrou.
- Rosalie está te esperando no corredor. E não pense em fugir, porque só há aquela saída.
Fui em direção à porta e abri, dando de cara com a vampira nojenta. Ela sorriu cínica.
- Pronta para voltar?
Dessa vez fui puxada pelos cabelos até a jaula. Meu couro cabeludo estava dolorido quando cheguei. - O que fizeram contigo, branquela?
Fui jogada dentro da jaula e cai de joelhos. Meus olhos estavam marejados.
- Eu... eles... fizeram exame em mim...
- Exame? De que?
- Gine...cológico.
Recuperei o fôlego e levantei devagar. Os joelhos ardiam.
- Não brinca! Eles se preocupam com nossa saúde, viu?
Olhei com raiva para Sawyer, que logo seugrou minha mão e me sentou do seu lado.
- Te machucaram?
- O que você acha?
Ele esticou minhas pernas e massageou meus joelhos. Nem parecia o mesmo chato de sempre.
- Eu não entendo por que não nos mataram ainda...
- Nem eu. Não aguento mais essa tortura toda! Acho que prefiro mesmo morrer!
Apoiei a cabeça no seu ombro um pouco. Era ruim, mas poderia ser pior. Eu poderia estar sozinha e não ter nem ninguém me enchendo o saco.
- Foi um loiro de jaleco que fez o exame, branquela?
- Foi. Como sabe?
- Só queria confirmar se tinha sido o mesmo que me recebeu também.
- Foi ele? Ele falou alguma coisa?
- Não. Mas pelo menos parece ser o mais simpático daqui.
- Sem dúvidas.
Edward se aproximava da jaula agora, com um sorriso no rosto.
- Lá vem seu cara-pálida!
- Não irrite-o, Sawyer.
- Como está se sentindo?
Ele estava falando comigo? Nesse tom delicado? Tive medo de estar sonhando.
- Péssima.
O sorriso desapareceu de seu rosto e ele abaixou a cabeça.
- Bem, tenho boas notícias.
- Aleluia!
Edward encarou Sawyer. O loiro sorriu.
- Não é religioso, né?
Edward voltou a me olhar, ignorando-o.
- Estou satisfeito com o resultado do seu exame. Bem satisfeito.
- Ok. E...?
- E o que?
- Quais as outras boas notícias?
Tentei me esforçar e demonstrar interesse, apesar de saber que eram boas para todo mundo, menos para mim.
- Bem, é só essa mesmo. Não existem outras notícias.
- Ótimo. Fico feliz em lhe agradar.
Sawyer me olhou com um sorriso cínico. Edward fechou a cara.
- Achei que fosse gostar de saber.
- Talvez se me dissessem o que estão querendo com a gente!
Dessa vez eu aumentei um pouco o tom de voz e ele virou de costas.
- Até mais tarde, Isabella.
Edward entrou pelo túnel e eu sabia que esse "mais tarde" seria em breve.
- Hoje tem...
- Menos, Sawyer.
- Não reclama, branquela. Até agora ninguém me torturou com sexo...
- Menos, Sawyer.
Virei de lado e fechei os olhos. Fiquei pensando nas palavras que Edward usou. O que ele quis dizer com ter ficado satisfeito? Era óbvio que eu não tinha nenhuma doença sexualmente transmissível, se era essa sua preocupação.
- Branquela?
Fui cutucada pelo loiro chato. Olhei para ele, que tinha um sorriso no rosto.
- O que é?
- Acha que eu faria mal em agarrar a vampira loira?
- Depende. Tem vontade de morrer?
- Você é amarga, branquela...
- Sou realista, Sawyer. Desde quando você acha que ela vai ficar feliz com isso? A louca parece... sei lá... que tem prazer em causar dor.
- Adoro sadomasoquismo!
- Ok. Boa sorte.
Voltei a fechar os olhos enquanto ouvia ele falar sozinho sobre como seria um sexo selvagem com a vampira loira. Começava a crer que ele tinha sérios problemas mentais. Não vi o tempo passar, e já era de noite quando fui acordada pelo barulho da jaula abrindo. O grandalhão estava com cara de poucos amigos, quando me puxou pelo braço.
- Não aguento mais ficar te levando e trazendo!
- Desculpa.
Ele apertou com força meu braço, me fazendo gemer, e me arrastou rápido pelo túnel. Cheguei novamente àquele aposento, onde meu algoz me esperava.
- Pode ir, Emmet.
- Claro. Só sirvo mesmo para isso.
Ele soltou meu braço e saiu. Notei a marca avermelhada que se formava na minha pele clara. Edward se aproximou e passou os dedos pela marca.
- Me desculpe pelo tratamento... incômodo.
- Te desculpo, claro. Bobagem tudo isso...
Ele me olhou com um sorriso torto e virou de costas, andando até a cama.
- Vejo que não está de bom humor hoje. Seria por causa do exame?
- Talvez. Ou pode ser porque quebrei a unha. Vai entender!
Edward sentou na cama e apontou para a mesa, onde tinha um prato esperando por mim.
- O jantar está servido. Coelho.
- Estou sem fome, obrigada.
Ele tirou a blusa e me olhou.
- Eu perco a paciência com facilidade, sabia? E estou sentindo ela indo embora.
Que ódio! Fui até a mesa e sentei em frente ao prato onde um coelho morto me encarava.
- Não entendo por que não me mata logo!
- Sem pressa, Isabella. Sem pressa.
Comi o máximo que pude, mesmo que tenha sido bem pouco. Aquele bicho não descia direito pela minha goela. Quando acabei e levantei, ele me esperava deitado na cama. Respirei fundo e andei até lá.
- Deixarei você dormir hoje. Não te tocarei.
Eu nem estava acreditando. Me deitei devagar ao seu lado e desviei o olhar. Sentia-o me observar, mas não ousava procurar por seu rosto, para evitar que ele se arrependesse do trato. Quando ele levantou e saiu pelo túnel, eu adormeci facilmente.
