Entre Palavras não ditas, tantas palavras de amor
Essa paixão é antiga, e o Tempo nunca passou


Draco Malfoy nunca mais falara com Hermione Granger.

Mesmo depois de toda guerra quando ela veio, sozinha, completar seu sétimo ano em Hogwarts não trocaram palavras, embora sem dúvidas Draco tenha a olhado de longe, sem nunca receber um olhar de volta. Era claro que ela não queria falar com ele, e que decidira apagar de sua memória aquela coisa inominável que tiveram no sexto ano.

Formaram-se e fizeram o favor mútuo de nunca mais se verem, até aquele dia.

A grande surpresa de Draco, desde que soubera do casamento dela, é que foi ela que o encontrou. Ele já tinha memorizado o artigo do profeta diario sobre o casamento dela, sabia perfeitamente que aconteceria em uma semana, guardara o pedaço de pergaminho na primeira gaveta de sua mesa de trabalho, a Hermione da foto quase não aparecia mais, cansada - sem dúvidas - de sorrir para Draco.

Ele estava sentado nas mesas de fora de um novo restaurante no Beco Diagonal. Tomava uma cerveja amanteigada e uma refeição um pouco insonsa, ultimamente nada lhe parecia bom o suficiente - lembrava-se da comida sempre tão farta e saborosa de Hogwarts e sentia saudades de um tempo que cada vez mais, lhe parecia melhor que o presente.

Então ela parou ao seu lado. Ele não a reconheceu a principio, de fato nem olhara em sua direção, pensava ser a garçonete lhe oferecendo pela enesima vez a sobremesa que não o apetecia. Somente quando a voz dela lhe alcançou os ouvidos é que ele a encarou. Draco decidiu naqueles pouco segundos que a olhava que Hermione Granger era como Fire Whisky e que anos a mais só lhe faziam bem - Ou talvez, pensaria mais tarde, ele há tanto não a visse que quando seus olhos capturaram o marrom característico ficaram mais deslumbrados do que deveriam.

- Então, posso me sentar? Ou você ainda não se mistura com sangue-sujos, Malfoy? - Havia em sua voz um tom de humor, como se ela acreditasse ser levemente engraçado que ele não a respondesse, mas seus olhos não mostravam o mesmo humor, apenas consternação. Draco acenou com a cabeça e ela sentou-se de fronte. Ficaram alguns minutos em silêncio, a mesma garçonete irritante perguntou se Hermione queria alguma coisa, ela pediu também uma cerveja amanteigada, quando a bebida chegou e o silêncio tornou-se mais solido, Draco acertou-se na cadeira, iria falar sobre o clima se Hermione não tivesse falado antes.

- Ouvi dizer que você esta trabalhando com leis bruxas - Draco percebeu que ela não o olhava nos olhos, mas focava suas pupilas em algum ponto atrás de sua cabeça.
- Estou sim, no escritório do George Greengrass.
- Ah sim, ouvi algo do tipo, pai da sua noiva, não?
- Você anda bem informada, Granger - Draco sorriu de soslaio - E os preparativos para o seu casamento?

Draco viu Hermione achar uma nova posição confortável, apertar as mãos e principalmente olhar em seus olhos - foi como se aquilo o aquecesse por inteiro, ele viu o marrom sempre constante, sempre confortante, sempre outono.

- Vão bem, não falta quase nada - ela deu um gole um pouco maior na cerveja amanteigada - Ginny e Molly estão cuidando de tudo, só preciso aparecer lá na hora certa e de branco - riu e desviou o olhar, mais um gole da cerveja. Draco não riu, mas levantou a garrafa em sinal de brinde.
- Espero que você seja feliz, Granger.
- Eu também.

Aquilo escapou antes que ela pudesse se conter, ela deu mais um gole na cerveja e completou a frase com "Espero que você também seja feliz, quero dizer". Mais uma vez o silêncio desconfortável os preencheu. A garçonete oferecera a sobremesa, Draco cordialmente perguntou se Hermione queria, ela recusou, ele - pela décima vez - disse não a sobremesa. Mais silêncio até a garçonete trazer a conta, Draco recusou os dois sicles de Granger, não, ele pagaria sua bebida.

Quando finalmente levantaram-se, olharam-se nos olhos mais uma vez e Draco fez o que tinha que ser feito.

- Eu sinto muito, por ter mentido pra você por tanto tempo - Alguém que ouvisse a conversa não entenderia, mas Hermione o olhou com compreensão, era como se retomassem um dialogo que começara horas atrás, quando ele finalmente mostrara a marca negra no seu ante-braço esquerdo.
- Eu entendo - ela o olhava nos olhos sem piscar, parados diante do restaurante - Eu faria o mesmo se estivesse no seu lugar. - Ela aproximou-se dele, sua mão encontrou a dele, ela tocava as pontas dos dedos dele e Draco sentia uma energia infinita passar da ponta dos seus dedos para todo seu corpo. Então ela continuou:
- Eu queria te agradecer também - Ela desviou os olhos por poucos segundos, respirou fundo - Por bem, não ter me dedurado naquele dia, na sua casa - Engoliu em seco e encarou novamente o cinza dos olhos de Draco - teria morrido na hora se você tivesse falado quem eu era.

Ela parou de tocar as pontas dos dedos dele, e ele sentiu falta da energia morna das mãos dela. Ele pensava em várias coisas que pudessem tornar uma resposta digna.

- Eu deveria ter feito mais...
- Nós dois sabemos que não poderia - Ela o interrompeu, e para surpresa de ambos, o abraçou - Você acabaria morrendo também, enfim o passado pertence a história, eu só queria te encontrar para te agradecer por isso e... - Ela murmurou no seu ouvido - Talvez, você ache bobo, mas... Eu nunca senti que aquilo que tivemos teve um fim, sabe? Eu não poderia me casar sem ter posto um fim e...

Draco sentia o abraço meio solto de Hermione, e desejava poder parar o tempo, desejava tê-la para si. Os matizes cinzas encaravam o marrom.

- Adeus Malfoy.

Em questão de segundos, ela desvincilhou os braços dela do pescoço dele, virou-se e misturou-se na multidão.

-x-

Quando Draco chegou no escritório, Astoria o esperava com um sorriso nos lábios, sentada na cadeira dele segurava um profeta diário velho em suas mãos.

- Olá querido - levantou-se e beijou Draco nos lábios, bem de leve - Você tem que jogar fora os jornais velhos - ela indicou então o pedaço de pergaminho nas suas mãos - esse tem mais de um ano.
- Eu gostaria que você não mexesse nas minhas coisas. - Queimando de indignação Draco tirou o jornal da mão dela, e o guardou na gaveta de sempre, não a encarava nos olhos.
- E eu gostaria que você não tivesse segredos, mas a vida não é assim tão perfeita, não é mesmo? - Ela colocara as mãos na cintura e o olhava sem piscar, sobrancelhas franzidas, boca fazendo bico.
- O que você quer Astória?
- Que você me diga por que não jogou o jornal fora.
- Ainda não terminei de ler
- Qual delas é?
- Delas quem?
- Das garotas no jornal, qual delas?
- Isso, Astória, é coisa minha.

Ambos estavam de pé, um defronte ao outro, fervendo de raiva mutuamente, neste exato momento Astória o odiava por trocá-la, e Draco a odiava simplesmente por não ser Hermione Granger.

- Eu quero que você queime esse jornal, agora, na minha frente, se não o casamento acaba agora - Ela o olhava com determinação, mãos na cintura e cabeça erguida.

Naquele momento Draco pensou em largar tudo, pensou em manter consigo o pedaço de jornal, em mostrar para Granger que guardara a foto dela, em mostrar pra ela, que ora, eles poderiam sim ficar juntos, não poderiam? - Não havia nenhum mal nisso. Nos seus olhos passava uma vida toda diferente, preenchida pelo marrom calmo de Granger, ele poderia viver assim, ela também, tinha certeza. Aquilo que tiveram não precisava ter um fim.

Precisava sim

Draco pegou a varinha, elevou o jornal no ar, bem à altura dos olhos de Astória, e o queimou. Felizmente o retrato de Granger tinha saído da foto, e não viu seu próprio fim.

- Pronto, satisfeita?

A feição de Astória mudou drasticamente, em um repente ela estava com seu sorriso leve, os braços o envolveram sem que ele nem percebesse, o perfume doce e a voz afinada lhe despertaram a paixão.

- Fico feliz que tenha escolhido a mim, Draco - O beijou nas orelhas, depois no pescoço e por último os lábios. Draco se viu tragado para o encanto sedutor de Astória, e pelo menos até ela ir embora, não pensou em Granger.

-x-

A verdade é que ele não parava de pensar nela: A cada dia que passava e mais próximo era o dia do casamento de Hermione Granger e Ronald Weasley mais desesperado Draco Malfoy ficava, não sentira que tiveram um fim, não ainda - lhe parecia infantil pensar dessa forma, mas um casamento não parecia o suficiente para por fim naquele algo inominável que el ainda sentia por Granger.

Aliás, ela sempre seria Hermione Granger, Weasley simplesmente não lhe caia bem.

Ele acreditava que eles não precisavam de um fim, só de uma outra realidade, e ele precisava contar isso a ela.

Sabia que ela o odiaria por aparecer em seu casamento, mas sabia também que lá era o único lugar que saberia onde encontrá-la, mentalizando fortemente as palavras que sempre lhe foram destetáveis, aparatou.

E encontrou-se de frente à d'A Toca.

-x-

Draco quase desistiu quando deparou-se com o edifício que o esperava, tortuoso e alto, não sabia onde poderia encontrar Granger. Haviam muitos convidados, muita gente em pouco espaço e ninguém se importava com ele. Viu uma cortina mover-se na janela do primeiro andar, tinha que ser lá.

Mais tarde ele não saberia refazer os passos que fez, mas de algum modo ninguém o notara ou o impedira de entrar, parecia haver alguma preocupação geral com detalhes do casamento muito mais importantes do que pessoas não convidadas entrando no recinto. Subiu as escadas devagar, encontrou a porta do primeiro andar entre-aberta.

Ela estava linda, vestido branco, cabelos soltos, maquiagem clara, um buquê de Narcisos amarelos - seu corpo encontrava-se de frente do espelho, mas a cabeça pendia para a janela. Draco sabia que jamais veria nada mais bonito, ele de repente perdera a fala - tinha ensaiado um discurso muito bonito sobre escolhas, sobre outono sobre ela e sobre ele mas naquele exato momento não se lembrava de nada, apenas da ideia central. Entrou no quarto bem de vagar, fechou a porta atrás de si, e falou a primeira coisa que lhe ocorreu.

- Eu escolheria você, Granger.

Lá estavam eles, adultos e pouco jovens. Draco olhava diretamente a plenitude marrom que era Hermione Granger e se sentia em paz. Ela o encarava surpresa pelo espelho, toda vestida de branco e Draco odiou mais o Weasley porque ele não merecia tê-la assim.

- O que você esta fazendo aqui, Malfoy?! Vai embora! - Se virou, o encarando, incrédula, verdade seja dita várias coisas passavam pela cabeça dela, e uma delas era que Malfoy estar ali, minutos antes de seu casamento, era talvez uma das coisas mais românticas que já aconteceram com ela.

- Eu vim aqui dizer, Granger, que eu escolheria você - olhou para o lado, atrás das cortinas via as pessoas se acomodando nas fileiras de cadeiras, Potter e o Weasley já estavam lá, suspirou pesadamente - Eu sei que você vai se casar com o Weasley, e que eu vou casar com a Astoria. - Suspirou fortemente e concentrou-se em olhá-la nos olhos - EU sei que a gente não pode mudar o passado, e nem como a gente é, mas gostaria de te dizer, Granger, que em uma versão diferente da realidade, eu escolheria você, e estaria lá embaixo te esperando.

Hermione ficou muda, ela lembrava-se com mais clareza do que nunca todo aquele romance mudo e secreto que ela e Malfoy tiveram no sexto ano. E era verdade que na última semana ela se pegava pensando nele e em tudo que poderia ser diferente se aquilo tivesse ido a diante. Hermione não dizia em voz alta, e nem gostava de pensar, mas ela sabia que sentira por Malfoy algo único e inominável e que gostava te ter sentido aquilo.

Se encararam. Draco respirava profundamente, sentindo-se fraco, confessar aquelas palavras simples foi, talvez, uma das tarefas mais árduas de sua vida - já havia se declarado para Astória algumas vezes, é claro, mas falar o que sentia para Granger era mais importante e mais real. Estava satisfeito em estar ali de frente dela, a vendo como noiva antes de Weasley.

- Eu não entendo, Malfoy - Hermione disse por fim, virando novamente para o espelho, preferia encarar o reflexo de Draco, tornava tudo aquilo menos irreal - por que você esta aqui? Agora? Antes do meu casamento!

- Você disse que precisava de um fim, eu precisava de um final também - Suspirou pesadamente - Eu queria falar com você uma última vez enquanto você é Granger, e não Weasley, dar o meu final sem fim - Parou de olhar os matizes castanhos, e decidiu observar as partículas de poeira no ar - E era isso, agora vou embora - virou-se em direção a porta - Eu espero que você seja feliz, de verdade.

Hermione viu Draco ir embora, queria pará-lo. Ela iria se casar, e queria ficar ali, naquele quarto pequeno, conversando com Malfoy. Eu escolheria você. As palavras de Malfoy ressoavam na sua cabeça. Em uma versão diferente da realidade, eu escolheria você.

O tempo parecia ter parado, Malfoy ia embora e a escolheria - o cérebro tão racional de Hermione se rendia a um sentimentalismo urgente, ela viu toda uma nova história do que poderia ter acontecido, ela viu a continuidade daquele romance efêmero do sexto ano, ela se via ali toda de branco.

- Espera, Draco! - Ele estava prestes a sair, parou ao ouvir a voz dela tão baixa e tão leve o chamando, pela segunda vez, de Draco, ela cruzou o comodo, quebrando o pequeno infinito entre eles, quebrando a estável realidade que os circulava, e o beijou. Foi um beijo cheio de uma magia inominável que nenhum dos dois entendia muito bem, havia todo um mundo lá fora que jamais lhes permitiria aquele beijo e, mesmo assim, estava acontecendo.

Da mesma forma decidida como foi beijá-lo, Hermione desencostou seus lábios dos dele, observou bem de perto o rosto de Malfoy, sorriu levemente, andou decidida até a porta e a atravessou - Antes de fechá-la encarou os olhos ainda surpresos de Draco, falou de um jeito sério e bonito:

- Eu escolheria você também.


Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você

Fim


Pois é, acabou! que aperto no coração,
Primeiramente eu quero pedir desculpas, demorei demais para terminar a fic, juro que o final já estava pronto há um bom tempo, mas a ponte entre o final e a história me deu um certo trabalho.

Principalmente, quero agradecer, vcs que se deram ao trabalho de ler a fic, de comentar! de favoritar, obrigada por fazer esse coração (não tão velho assim) mais feliz.
Eu espero de verdade que gostem do final, que pro meu gosto ta até romântico demais, mas enfim - é isso

minha primeira longfic concluída, e isso graças, a vcs - muito muito muito obrigada

beijos

ps: eu revisei, mas se vcs encontrarem alguns erros podem me avisar =D

beijos e cerveja amanteigada pra vcs!