Capítulo VII:

Disclaimer: Alguns personagens, lugares e citações pertencem a J.K. Rowling, Scholastic Books, Bloomsbury Publishing, Editora Rocco ou Warner Bros. Entertainment. Essa história não possui fins lucrativos.

Capítulo VII: Traição

Jim,

Me encontre no sétimo andar. Saia agora da sala que eu saio daqui a uns cinco minutos. E se apresse. Eu não tenho a vida inteira pra você, maninho.

Bex

PS: Ninguém passa por lá essa hora, certo? Porque se passam, é melhor sua mente marota encontrar outro lugar e me avisar ANTES de sair.

Um pedaço de pergaminho amassado aterrissou sobre James, que o capturou no ar com sua eterna perícia. Correu os olhos pelo papel rapidamente, jogou no fogo da lareira e ergueu um polegar para Becky, que conversava na parte oposta da Sala Comunal.

- O que foi? – perguntou Peter, erguendo os olhos de seu livro sobre realização pessoal.

- Era só a Becky me enchendo. Coisa de irmã mais nova pentelha, como ela diz – ele jogou a cabeça para trás e acrescentou: - Peter, seu idiota, se eu te ver mais uma vez com esse livro ridículo eu juro que faço você engolir ele.

A menção de uma possível ação maior, Sirius, que estivera quase morrendo de tédio, segundo seus próprios pensamentos, levantou-se e observou a capa do livro.

- Ew, que coisa mais idiota, Wormtail. Você parece as minhas primas lendo aquelas revistas adolescentes idiotas e fazendo testes pra descobrir se a alma gêmea da vida delas terá cabelos escuros ou claros – Peter ergueu os olhos para Sirius, que parecia ter um prazer sádico de atormentar sua vida e suspirou.

- Meu tio escreveu esse livro e distribuiu uma cópia para todos da família. Eu realmente preciso ler, porque TODOS que me mandam cartas perguntam o que eu achei do livro e se meu tio não é um maravilhoso escritor – em seguida ele fez um gesto de vômito nada educado.

- Deixa ele. Peter só não quer ser o único que não sabe encontrar a realização por meio da observação das cores da natureza ou seja lá o que – Remus se manifestou, erguendo os olhos de seus quadrinhos. – E, Prongs, a minha proposta de trocar de apelido com você ainda está de pé. Você é realmente muito mais aluado que eu.

James meramente se moveu com o comentário do amigo. Estava tentando se lembrar se realmente passavam muitas pessoas àquela tapeçaria no mesmo instante que outro pedaço rasgado de pergaminho chegou.

VAI LOGO.

- Pessoa bem sucinta, essa Chann – comentou Sirius, olhando de soslaio o bilhete do amigo.

- Eu tenho que ir – ele se levantou, espreguiçando longamente. – E pelo amor de Deus, arranjem alguma coisa pra fazer, antes que a gente morra de tédio aqui.

- As aventuras de Martin Miggs, o trouxa pirado são bem legais pra mim.

- Até uma cópia do Código Penal é legal pra você, Moony. Logo, você não conta – disse Sirius, se jogando no sofá de novo. - Mas nós somos três morrendo de tédio aqui e sem nada pra fazer.

- Isso porque o seu conceito de diversão envolve sempre alguém sofrendo, Pads. Não minta. Da próxima vez, você coloca um bicho-papão no meio do Grande Salão, só pra ver os calouros chorarem de medo.

Então, Remus percebeu que tinha falado demais. Demais mesmo.

- Adorei a idéia, Moony – disse Sirius, já sorridente. – E eu tenho certeza que tem um bicho- papão no armário de vassouras do terceiro andar. Mas o Filch é tão tapado que nem se deu conta.

- Isso é idiota e infantil – alertou Remus, para ninguém em especial.

- E que motivo mais a gente teria pra fazer? – disse James, já saindo.

E, por mais que tivesse que ler aquele livro, Peter achou bem mais legal planejar quando todos descessem até o Grande Salão, no dia seguinte.

E Martin Miggs foi prontamente colocado de lado.

x.x

James chegou ao sétimo andar olhando para os lados. Não era realmente muito esperto ter marcado um ponto ali, ainda mais faltando quinze minutos para o toque de recolher.

Não que ele se importasse com aquilo, pensou ele, andando para lá e para cá pelo corredor. Mas McGonagall já estava bem irritada com ele, sem que Filch desse mais uma detenção por estar fora da cama depois do toque. E cumprir duas detenções na mesma noite era realmente… impossível.

E continuou andando, absorto no pensamento sobre como seria bom um lugar que Filch não conhecesse. Passagens secretas ele conhecia muitas, mas ninguém conversa dentro de uma passagem, certo?

Então Rebecca chegou.

- Que porta é essa, atrás de você? – ela perguntou, desconfiada.

- Do que você… - ele começou a perguntar antes de se virar e avistar a porta. James xingou alto de surpresa, antes de adiantar a mão para a maçaneta.

- JAMES! Você não sabe o que é!

- Por isso mesmo – respondeu ele, dando de ombros. – Vou descobrir – Rebecca rolou os olhos e apertou o punho da varinha sob as vestes. Ela que não se arriscava.

Sem ter de fazer força nenhuma, o maroto abriu a porta misteriosa. Uma sala grande, mas aconchegante, se relevou. Ao fundo, o fogo crepitava na lareira, cheia de adornos. Um belo conjunto de sofás e poltronas circundava a dita lareira, e, no centro, uma mesa de mogno com chaleiras fumegantes.

- Vem, Bex! – exclamou o animado James, já entrando na dita sala.

- Jim, você não sabe que sala é essa! Vamos pra outro lugar, anda!

- Olha lá, aqueles sofás estão PEDINDO para que a gente sente neles! – ele voltou, agarrou o braço da amiga, e a puxou para dentro – Fecha a porta – ele resmungou, já se jogando no sofá.

- Educação mandou lembranças, hein? Cadê o "Por favor, Bex querida, você poderia fechar essa porta?"

- Está nas entrelinhas… Não vai fechar?

- Muito legal da sua parte. E não, não vou fechar, porque essa sala pode resolver engolir a gente, ou nos trancar aqui até virarmos só dois montes de ossos, ou…

- Ah, pelo amor de Deus, Bex. Você lê o Profeta demais pra sua própria sanidade mental – respondeu ele, já se levantando pra fechar a tal porta.

- Ãh?

- O Profeta é muito assustador. Deus sabe que Peter quase molhou as calças na última vez que tentou ler um… Desde então só Remus tem estômago pra'quilo.

Rebecca riu alto.

- Ah, James, se você não existisse, tinha de ser inventado – imediatamente o maroto inchou de orgulho. – Retiro o que disse – ela acrescentou rapidamente, sem surtir efeito algum.

- Tome cuidado com a sua sombra, porque o Lorde das Quantas pode ter resolvido seguir carreira de mímico, hein? Nunca se sabe – e ele desatou a rir da própria piada, antes mesmo que Rebecca risse também.

- Se você não existisse, seu aniversário seria data comemorativa da sua não-existência, isso sim.

- Ai, quer me magoar, Bex? Isso lá é coisa que se faça com uma pobre alma indefesa?

- Você e indefeso na mesma frase? É pra rir ou algo assim?

- Se não fosse esse chocolate quente aqui, eu ia embora.

- Leve o chocolate com você. Jim, isso pode ser veneno sabia?

- E você devia ser proibida de ler o Profeta, sabia? Esse é um dos melhores chocolates que eu já provei. Prova.

- Eu, hein? Alguém precisa ficar vivo, pra poder levar o seu corpo pra fora daqui, quando você começar a morrer. Erm… Acho que isso vai ser nojento. Não tenho certeza se qu…

Mas nesse instante James se levantou com sua caneca de chocolate e parou de frente para ela.

- Bebe agora. Não tem desculpa. Se eu morrer, você também vai, porque foi você que me trouxe aqui. Engole agora.

Ela selou a boca hermeticamente, e negou com a cabeça.

- Ou eu jogo isso no seu cabelo – ele ameaçou.

- Eu limp... – ela se adiantou a responder, por força do hábito, mas o líquido imediatamente escorreu por sua garganta, e ela começou a tossir com força, rapidamente transformando tosse em acesso de riso. – Eu te odeio, sabia?

- Também te odeio – ele respondeu indiferente – Agora, o chocolate é bom, não é?

- Eu ainda acho que é veneno, mas vou beber – James fez um gesto de vitória com o braço livre, como se tivesse ganhado a guerra.

- Então, o que eu vim fazer aqui, além, é claro, de beber veneno?

- Conversar.

- Sobre?

- Sam e Sirius – James arregalou os olhos e quase cuspiu seu chocolate.

- Pra quê? – perguntou incrédulo, fazendo Rebecca mergulhar rapidamente no motivo da briga com a amiga.

- Ok, a Sam gosta do Sirius. Mas ele não gosta dela, se é isso que você queria ouvir.

- Bom, na realidade eu já sabia disso – ela bebeu mais chocolate. – Quer dizer, é o Black, ele não tem coração… essas coisas.

O maroto riu alto.

- Ele diz o mesmo de você.

- Sério? Ai, que orgulho. Espero nunca decepcionar.

- Eu posso até acreditar em Papai Noel, mas não em milagres tão distantes – ele revidou, com um sorriso irônico.

- Que bom. Esse é realmente um grande elogio…

- Pra uma pessoa tão pequena…

Rebecca estreitou os olhos.

- Hey, eu não sou baixinha; tenho 1,63 m com muito orgulho, viu?

- E isso não é ser uma tampinha… Sei… Muito suspeito, isso…

- Ah, e o que me diz de você? Pelo menos eu posso colocar um salto pra disfarçar, você não! – ela riu debochada da cara de James - Enfim, o fato é que o Sirius tem que convidar a Sam pro Baile.

- Porque você não pede isso pra ele, então?

- Porque ele nem iria me ouvir. Ele ouve você. E você sabe que ele SÓ ouve VOCÊ.

James não negou, apesar de discordar em parte; daria muito trabalho para contra-argumentar.

- E porque ele tem que convidar ela? Ok, ela gosta dele e tudo o mais, mas eu já disse que, que eu saiba, ele não gosta dela.

- Porque ela não vai no Baile se não for com ele. E, como eu sou uma amiga legal…

- Cheia de peso na consciência, por ter brigado com ela justamente por isso… - James interrompeu.

- Ah, ok. É verdade; eu estou cheia de peso na consciência. Mas eu realmente quero que ela vá… Daí, sei lá, ela pode conhecer alguém por lá e desencanar do seu amigo sem coração.

- Então, o que você está dizendo é pra que o Sirius seja o seu presente de Natal para a Sam, mas que ela vai largá-lo durante a festa?

- Pondo as coisas dessa forma fica… erm… meio calculista.

- Mas é! Quer dizer, eu não me oponho, porque eu acho até engraçado, mas o Sirius não vai querer nem um pouco.

- Você não precisa realmente relevar todo o plano.

- Supondo que eu consiga convencê-lo, Bex, tem um problema: ele já convidou a Füller, da Lufa-lufa.

A garota gemeu, mas não disse palavra. Os dois permaneceram quietos durante alguns momentos, o cérebro dela funcionando a todo vapor.

- E se ele convidar a Sam pra dançar? – perguntou, já prevendo a resposta.

- Eu acho que a Füller não vai gostar da idéia. Você gostaria?

- Não… Mas, é o Black! Ela já deve saber que ele é imprevisível.

- Se ela achasse algo assim, não teria aceito o convite – James argumentou inocentemente, fazendo a amiga rir alto.

- Ah, as coisas que você me obriga a ouvir. Há muito mais entre um convite e um sim do que você pode supor – e continuou a rir da inocência dele.

- O quê, por exemplo?

- Não acho que eu deveria te iniciar em segredos tão obscuros.

- Então eu não te ajudo com a Sam.

Rebecca fechou a cara.

- Ah, pra quê você quer saber? O que te importa é que aceitem, não é? Aliás, quem você convidou?

- A Liz. – e completou, ante a indagação muda da ouvinte. – Elizabeth Webster, Corvinal, quarto ano.

- Nossa, agora foi a ficha completa. Só falta data de nascimento.

James a ignorou.

- E é claro que me importa porque aceitaram o convite! Isso muda tudo!

- Ah, eu e minha grande boca… Enfim, o fato é que vocês, Marotos, são – ela pareceu fazer um extremo esforço – bem… populares. Pronto, agora você vai se achar até a semana que vem.

- Nada que eu já não soubesse – desdenhou ele, sorrindo abertamente.

- Ai, Deus, daí-me paciência. Enfim, e quando algum de vocês convida uma garota, ela pode querer simplesmente… erm… exibi-los pras amigas – ela se pôs a encher sua caneca de chocolate novamente, e se prolongando muito.

- Mas eu achei que só nós fizéssemos isso… Sab…

- Ai, poupe-me dos detalhes – ela interrompeu. – Já é bastante ruim saber que tipo de conversa pode acontecer num dormitório masculino sem uma descrição detalhada.

- Fresca.

- Grosso.

- Opa! Não precisa ofender!

- Cala a boca! Foi você quem começou!

James estirou a língua pra fora da boca antes de continuar:

- Então quer dizer que vocês chegam no dormitório e - ele respirou fundo antes de encarnar uma voz extremamente aguda – "Ai, amiga, você sabe que James Potter, aquele maroto gostosão me convidou pra ir ao Baile com ele? Viu como eu sou melhor que você?!"

- Ai, porque você não pula da Torre de Astronomia pra ver o que acontece, hein? Deus, isso foi nojento.

- Mas é isso, não é?

- Nem de longe. Nós não precisamos fazer uma coisa infantil dessa. Simplesmente contamos que, por exemplo, você nos convidou pra ir ao Baile.

- E quando que vocês exibem o troféu?

- Nós não exibimos, James! É uma coisa subentendida!

- Ai, isso é muito complicado. Vamos voltar o Sirius, que pelo menos eu posso entender um pouco dessa conversa.

- Eu sabia que você não ia entender – sentenciou ela, com ar de superioridade.

- Você que não explica direito.

- Pergunte para a Liz, então – disse ela, pondo um incrível sarcasmo no nome da garota.

- É, talvez.

- Isso foi uma ironia. Se você perguntar isso pra ela, a garota vai pensar que você está insinuando que ela aceitou seu convite por interesse e vai ficar muito, muito magoada.

- Mas e se esse for o caso dela?

- Ela vai se fingir de magoada, o que dá na mesma pra você.

Ele passou um segundo em silêncio, antes de retomar a fala:

- Então, como vamos fazer com o Sirius?

Rebecca riu alto antes de expor sua idéia:

- Eu arranjo alguém pra tirar a tal Füller pra dançar. Então o Sirius fica sozinho e vai poder pedir a Sam pra dançar.

- Tem certeza que não é mais fácil simplesmente conviver com sua consciência pesada?

Ela ignorou o comentário.

- Agora o difícil é levar a Sam até o Baile… - ela comentou para o nada.

- Eu vou tirar um cochilo aqui, ok? Quando tiver o plano compl… AI! Pra que tanta violência? – reclamou ele, logo após ser acertado por uma almofada certeira. – É muita injustiça, você foi batedora e eu sou só um pobre artilheiro!

- Eu quero idéias, Jim! Eu realmente preciso fazer isso acontecer!

- Eu tenho medo que você não esteja contando pra mim todo seu plano, Bex – ele disse de repente.

A garota pestanejou.

- Porque você diz isso?

- Porque nós dois sabemos que uma dança não vai fazer diferença nenhuma. Sam não vai deixar de gostar do Sirius e nem o contrário vai acontecer. E, sabendo disso, eu não vejo porque você está tão interessada nessa dança.

- Você só parece um total idiota, sabia?

- Já ouvi dizer – respondeu ele, sorrindo. – Agora, qual o plano? Completo.

- É pura idiotice minha.

- Você queria juntar os dois, não é? – ela não respondeu – Você só parece sem coração, sabia?

- Já ouvi dizer – ela respondeu num murmúrio. "Idiota, idiota, idiota…", ela repetia mentalmente para si.

Caiu o silêncio novamente na sala, no qual Rebecca se encolheu no sofá, bebericando mais chocolate.

- Você sempre se culpa por tudo. Só que às vezes você não tem culpa das coisas, Bex… erm… nesse caso você tem, mas não é a regra.

- Isso não está ajudando muito – ela disse com um meio sorriso, e acrescentou: - Às vezes eu acho que você me conhece demais pro meu próprio bem.

- Agora é a parte que você me mata dizendo que eu sei demais? Porque se for eu quero escrever meu testamento.

- Bobo.

- Boba.

- Somos todos bobos, então.

- Bobona.

- Bobão.

Silêncio novamente.

- Bex?

- Hum?

- Eu acho melhor a gente voltar pra Torre, então.

- É… se você sair da linha de novo, vai pegar detenção nas férias.

- Seria um recorde, certo?

- Eu acho que não devia ter dado a idéia. Agora você vai querer pegar detenção nas férias.

- Talvez… - ele respondeu meio misterioso. – Vamos, então?

Eles se levantaram, discutindo sobre a idéia maluca da detenção. Saíram da sala, James lamentando quando a porta desapareceu.

- Eu vou descobrir que porta é essa, juro.

- Sei, sei.

- Vou mesmo!

- Claro, Jimmy. Claro.

Eles viraram o corredor certos de que ninguém passava ali àquela hora. Mas não tiveram tanta certeza assim, momentos depois.

- Rebecca?!

x.x

O coração de Rebecca falhou uma batida quando percebeu a situação como um todo. E falhou outra quando ouviu a voz de Henry pela segunda vez.

- O que você está fazendo aqui? E com… ele?

- Calma, Smeath. Nós somos só amigos, ok? – disse James, que aparentemente também entendera perfeitamente o que o capitão queria dizer.

Ela queria falar. Queria se explicar. Mas… essa não era a primeira vez que Henry desconfiava dela com James. Será que isso tudo não era para mostrar pra ela que ele não conseguia confiar nem o mínimo do necessário nela?

Por isso, permaneceu calada.

- Eu sabia que vocês dois tinham alguma coisa! Aquele dia de visita à Hogsmeade, você ficou todo surpreso comigo… Claro que você achava que era VOCÊ que sairia com ela, não é?

- Não! Eu só fiquei surpreso, eu já tinha par! – respondeu James, se irritando com o silêncio de Rebecca. Porque ela não falava nada?

Mas Henry o ignorou pela segunda vez.

- Depois, no dia seguinte vocês ficaram conversando durante quase todo o café. Com certeza você queria explicações, não é, Potter? Daí, vocês devem ter terminado o casinho de vocês…

Rebecca cerrou os punhos, enquanto uma forte sensação de enjôo a dominava. Sentia tanta raiva que poderia vomitar a qualquer minuto; ele estava entendendo tudo errado.

- Mas você sentia saudade dele, não é? Por isso esteve tão estranha. Não eram suas amigas… ERA ELE! Por isso, também, que você nem ficou tão alegre quando começamos a namorar… você não queria a mim… Então, reatou seu caso e ficou toda alegre de novo… nunca foram as suas amigas. Sempre foi uma farsa - ele tomou fôlego. – Você é nojenta, Rebecca.

A garota continuava impassível. Simplesmente não valia a pena explicar nada. Não moveu praticamente um músculo ao dizer:

- É isso que você tinha a dizer?

- Por quê? Tem algum detalhe que eu esqueci? Ah, me desculpe, é que são tantos…!

A garota não alterou suas feições enquanto avançava rapidamente até o capitão, e desferiu um tapa certeiro no rosto dele, mas ele segurou seu punho.

Mantendo o sangue frio, ela vociferou:

- Nunca mais me ofenda desse jeito, ouviu? – depois, puxou seu braço.

Mas Henry não soltou.

- Você não vai embora. Temos muito que conversar.

- Eu não tenho nada a conversar com alguém como você. Agora, faz favor de me soltar? Você me enoja tanto que eu vou vomitar a qualquer minuto.

- Não vou soltar até eu falar tudo que quero falar – ele revidou, uma veia pulsando em sua têmpora. E, antes que Rebecca pudesse dizer mais alguma coisa, um soco acertou em cheio o rosto de Henry, que soltou a garota, enquanto tentava se equilibrar para não cair.

Ela sentia o pulso arder, tamanha era a força que ele colocara ali. Mas não ousou olhar; não daria esse prazer de tê-la machucado. Ao invés disso, virou-se para James, que empunhava a varinha.

- Ela só conversa com você se ela quiser – naquele momento, Pirraça, o poltergaist do castelo apareceu, guinchando de prazer com a desgraça alheia.

- Vamos, Jamesie, acerte o outro olho dele! Vai!

Rebecca e Henry (com o olho que lhe restava intacto) olharam surpresos para Pirraça, que flutuava zombeteiro acima de tudo. Então, James gritou para o homenzinho.

- Acerte as contas com ele, sim? – e o poltergaist desapareceu, prometendo a Henry que voltaria daqui a pouco.

- Não vai brigar como homem, hein? – resmungou o capitão.

- Ah, olhe pra você! – James revidou – Se alguma coisa ainda funciona na sua cabeça, corre pro seu quarto, antes que Pirraça volte – encerrou, sem esconder seu sorriso de vitória.

Henry pareceu desconcertado por um minuto, antes de voltar-se para Rebecca, que permanecera calada todo esse tempo, tentando não vomitar.

- Quanto a você, Chann, fique sabendo que está tudo acabado entre nós. Eu nunca tive tanto nojo de alguém como de você. Agora, vamos ver se você arranja um outro idiota pra enganar até o Baile.

- Mas eu já tenho um, querido. E ele não é nem um pouco idiota, como certas pessoas.

E, voltando-se para James, puxou o maroto pelo colarinho, beijando-o.

x.x

N/A: Por Deus, que confusão que eu armei! Espero que ninguém fique muito confuso com tudo... qualquer coisa, é só as referências que o Henry faz se explicam nos capítulos 4 e 5.

Bom, gente, perdoem-me por demorar tanto. O problema era que eu já tinha o capítulo 7 pronto, e ele era TOTALMENTE diferente desse. Só que eu não queria colocá-lo no ar, porque ele não faz mais parte da história... mas eu gostava dele, então minha mente TOTAL travou pra tentar reescrever. Foi um verdadeiro parto pra escrever esse capítulo!

Cá entre nós, eu gostei de toda essa briga (66)... E tipo, perdão a quem gosta da fic só quando fala dos marotos e suas peças e tal... Mas é que, sendo época de Baile, fica difícil não cair na discussão sobre namoros e tudo ;)

Mas, cap que vem, eu JURO, vai ter peças marotas! .

E quanto a James/Becky... Bem... OBVIAMENTE, o shipper ainda é James/Lily, mas, vejamos o que meu humor me dita no próximo capítulo... Tenham MEDOOOOO!

E, por favor, comentem. Essa é uma fic relativamente difícil de escrever, já que eu tenho mais facilidade com textos em 1ª pessoa, então eu acho que, quando vocês gostam, não custa nada comentar, ou adicionar em alguma dessas listas... Não é nada demais! É só pra que eu saiba se vale a pena continuar!

E, por fim, mas não menos importante, MUITO obrigada a quem já comentou até agora!

Beijos,

Muffim.

PS: Próximo capítulo vem até segunda, dia 14.07;

PPS: Se não gostarem, podem comentar dizendo que não gostaram também!