Descobertas
Cap 7 – Não podia
O dia passou rápido. Rápido demais para Heero. Prometera a Trowa que contaria a Duo sobre sua doença e começara a se arrepender à medida que o tempo passava.
Já era final de tarde e o desespero dentro do japonês começava a crescer. Como contaria para ele tal coisa? Duo sentiria nojo dele, ou algo parecido? Tremeu diante da possibilidade, se ajeitando melhor no parapeito da janela, vendo as poucas estrelas que começavam a surgir.
De longe, no jardim, pode ver Holly e Ryan correndo atrás de Lana, assustando a garota com um sapo que estava na mão do menino. Quando era criança não tinha tanta responsabilidade, ou melhor, sempre tivera, mas naquele tempo Odin sempre estava ao seu lado. É difícil acreditar que crescera feito um soldado para as guerras, que nunca tivera uma infância normal.
Heero olhou para os pequenos. Não! Nunca tivera uma, nunca correra, nunca brincara. Olhou de novo para eles, vendo Lana cair e Ryan soltar o sapo em cima da cabeça dela, enquanto a pequena gritava como se tivesse sendo atacada por um desconhecido.
Nenhum deles haviam tido nada.
Merda de vida nenhuma.
Mas por que ele era o único que depois de todas as mortes, depois de tanta guerra, ainda tinha problemas? Era uma praga...Talvez.
Rodou os olhos pelo céu azulado. Talvez tenha feito algo de errado em uma outra vida.
– O que está pensando? – Heero voltou-se assustado para a porta do quarto em que estava. Duo o olhava com aquele rosto compreensivo de sempre, aqueles olhos lhe transmitindo força.
– Você esteve distante a tarde inteira. – Duo se aproximou, ficando de frente ao japonês. – Wufei e Treize estão lá embaixo, chegaram faz pouco tempo, não vai falar com eles? – novamente rebateu e Heero não teve como responder. Baixou o olhar. Não estava a fim de conversar.
Não estava a fim de nada. A simples idéia de manter Duo a par da situação, naquela noite o estava enlouquecendo.
– Hee. – Heero sorriu, ao ouvir seu nome ser pronunciado com tanto carinho e logo um leve toque em seu rosto, fazendo carinho. – Ta tudo bem?
Tudo bem...Estava longe de estar bem.
– Aa. Tudo bem. – sorriu, tentando mostrar confiança, apesar de achar ter falhado em seu sorriso. Não conseguia mentir para Duo completamente. Era uma fraqueza sua.
– Posso ficar aqui com você, ou a lua é só sua.
A lua?
As íris azuis se voltaram para o céu, vendo a pequena esfera brilhar por debaixo de uma nuvem clara. Era linda. Brilhante. Bem pequena vendo da terra.
Quando estava no espaço a lua era um cemitério horroroso. Um local rio e sem vida. Mas vendo desse jeito, dava até vontade de pegar, de brincar.
– Fique...Se quiser.
Duo sorriu abertamente, sentando também no parapeito da janela, deixando Heero entre suas pernas, as costas do menor contra seu peito.
Queria ficar assim. Agarrada com o pequeno, para nunca mais soltar. Beijou por detrás do pescoço desse e Heero se arrepiou com o toque, gemendo baixinho. Seu ponto de prazer estava descoberto. Deus! Como era sensível naquela região.
– Aquela cama parece bem tentadora, não é? – as palavras saíram mais sensuais do que deviam. Heero olhou para a cama no meio do quarto e voltou o olhar para o largo sorriso que brilhava no rosto de Duo.
– Eu te quero tanto Heero. Mas só se você me quiser.
Heero sentiu-se feliz internamente sabendo que Duo respeitara a sua vontade também. Deus! Como queria pular naquela cama e ser tomado por Duo...mas...Zechs.
– Hey...eu não estou te forçando a nada. – Duo abraçou o corpo menor com seus braços, parando a leve tremedeira que Heero tivera.
– Eu não vou fazer nada se você não quiser. – Heero arregalou os olhos, sentindo as mãos de Duo o apertando. Havia tremido, nem que seja por pouco na frente dele. Só por que aquele desgraçado...
– Não Duo. Não é isso. – Virou bruscamente, procurando as ametistas e tudo que encontrou foi o carinho nelas.
– Eu nunca vou te forçar a nada Heero. Não minto. Quero muito fazer amor com você, mas se você não quer, tudo bem, eu entendo, você tem o...
Bobo! Duo era muito bobo. Beijou aqueles lábios maravilhosos. Claro que queria fazer amor com ele, só precisava de um empurrãozinho para tirar o maldito loiro da sua cabeça.
Somente isso.
– Eu te amo Duo. Te amo muito.
ooo
– Não tem jeito. Agora que Duo subiu os dois não voltam mais. – Quatre falou, sentando novamente ao lado de Trowa, olhando para Treize e Wufei que estavam no sofá da frente.
– Finalmente aqueles dois se acertaram. – Wufei suspirou baixinho se acomodando no ombro de Treize. Agora que todos estavam acertados teve que sorrir internamente. Na época da guerra, nunca em sua vida namoraria Treize ou pensaria em relações entre os amigos.
O tempo havia passado. E muito. Haviam crescido e aprendido sobre a vida. Olhou para Quatre que segurava a mão de Trowa fortemente, enquanto falava de uma de suas aventuras com os pequenos encrenqueiros. Sentiu Treize gargalhar, mas estava pouco interessado na conversa. As lembranças revirando em sua mente.
Dos dias que brigava feio com Duo. Quando descobriu que Heero era apenas um humano qualquer, tendo fraquezas e defeitos. Acontecera tudo tão rápido. Ainda podia lembrar de quando tentara matar Treize e achara que conseguira.
Ele realmente podia afirmar que tinha uma vida descente!
– O que você acha Fei?
O chinês rodou os olhos pelo loiro que ria abertamente.
– Eu acho que você deveria me chamar de Wufei. – reclamou, porém brincando.
– Quer dizer que eu não posso mais chamá-lo de Wu-love? – Treize falou em seu ouvido, mais foi o bastante para deixar Wufei como um pimentão. Quatre riu do pobre chinês, nunca imaginaria o incrível justiceiro sendo chamado dessa maneira.
– Wu-love. Que lindo!
E Quatre gargalhava mais ainda vendo o acanhamento do chinês. Agora sabia como Duo se sentia ao aperreá-lo. Era maravilhoso.
Wufei estava com os braços cruzados e Treize ria internamente. Era muito fácil deixa-lo encabulado, principalmente com uma coisa tão intima. – Não ligue pro Quatre, ele não vai ter "festinhas" hoje por causa dos filhos, diferente de nós. – Treize sussurrou baixinho fazendo o garoto ao seu lado corar mais ainda.
Sabia muito bem o que era essas "festinhas", e elas estavam longe de ser com balões e bolos.
ooo
– Sra Rany? – Um homem musculoso, entrou no quarto da mulher.
Olhou por todo o ambiente, vendo a bela a sua frente. Ela estava janela, olhando para as estrelas. O cabelo preto solto, fazendo contraste com a sua pele pálida.
– Você acha que ele está vivo?
O Maior a olhou e entendeu quem era "ele". A garota se referia a Zechs Marquise o homem que arrancava desejos da sua paixão secreta. Sentiu raiva, apertando os punhos. Rany as vezes era maligna, outras vezes quando se tratava de Zechs se tornava a pessoa mais ingênua que conhecia.
Mas no fundo, aquela mulher não tinha coração. Lembrava muito bem da cisma que ela tinha com Noin. Sempre desconfiando que ela tinha um relacionamento com seu amado.
As memórias de ter estrangulado a tenente de cabelos azuis perturbavam sua mente, mesmo sendo um assassino. Sabia que Noin não havia tido nada com Zechs, apenas amizade.
– Ele morreu Sra, você sabe disso. – baixou a cabeça, vendo a raiva transparecer no olhsr da mulher. Como ela reagiria se soubesse que foi ele que matara Zechs?
– Quero ela ainda amanhã em minhas mãos. – falou brava, com o olhar de morte para o subordinado. Como ele ousara dizer que Zechs não estava vivo? Ele deveria estar em uma das colônias, fazendo uma festa surpresa para ela, e logo ficariam juntos.
Sorriu com a sua idéia, andando até a cômoda, retirando uma espada que antigamente Zechs carregava.
– Se ela não estiver aqui amanhã, eu corto sua cabeça fora.
O homem abaixou a cabeça em reverência e saiu da sala. Era melhor obedecer e rapta-la logo.
Além do que, teria com quem brincar.
ooo
– Essa não acorda por mais uns dois dias. – Duo falou, entrando no apartamento com Holly no colo. Comentando sobre o relacionamento de Wufei e Treize, porém Heero não estava nenhum pouco interessado.
Cabeça baixa, perdido em pensamentos. Era assim que ele se encontrara. Viu Duo entrar e colocar a pequena no sofá vermelho, se espreguiçando logo após. Deveria mesmo contar para ele agora? Prometera a Trowa...
Mas...
– Está com fome?
Heero arregalou os olhos diante da pergunta. Duo havia comido por dois e ainda estava com fome? O que danado esse homem tinha no estômago?
– Não acha que comeu demais?
O americano o olhou e quis dar um beijo naqueles lábios. Heero ficava lindo quando estava totalmente fora da realidade.
– Hee, eu perguntei se você está com fome. Não comeu praticamente nada, nem no almoço nem no jantar.
Queria se esconder por estar na lua. Seus ouvidos não pareciam estar muito bem. Olhou para Duo. Realmente não havia comido muita coisa. Sentia seu estomago reclamar, porém o seu nervosismo ignorava totalmente este.
– Vou ver se tem alguma comida instantânea.
– Duo, não...
– Você vai comer Heero, isso é uma ordem. – disse ríspido. Deixando o japonês derrotado. Estava prestes a ver o menor desmaiar de fome bem na sua frente se não fizesse aquela cabeça dura engolir algo.
Ambos foram até cozinha. Heero desabando sobre a cadeira. Não estava cansado fisicamente, mas o peso em sua mente estava arrastando toda a sua força para um abismo. Era agora. Sabia que o momento em que seu segredo seria revelado estava chegando. Estava pronto para isso?
Para suportar o olhar de pena sobre ele? De preocupação? De nojo talvez...de abandono?
Abaixou a cabeça, sentindo Duo procurar nas sacolas de supermercado que agora se encontravam no chão alguma comida que podia ser feita por dois idiotas de cozinha. Não tinha certeza se Duo o abandonaria. Na verdade achava que não. Seu medo maior era contar que sua doença piorou por causa do Reino, do maldito loiro.
Se Duo soubesse que ele estava sujo pelo loiro desgraçado, o que ele faria? Se descobrisse que fora um mero prostituto por tantos anos. O que faria?
– Quer macarrão ou prefere pizza?
Heero o olhou escolhendo um dos dois não se importando muito. Queria apenas que tudo acabasse. Como seria bom se ainda tivesse a expressão que deixava todos assustados. Mas não tinha, não tinha mais a sua mascara. Não conseguiria mais fingir. Não conseguiria dizer a Duo sem desabar e ter medo.
Merda de vida!
Não merecia isso. Não mesmo.
– Duo...
Quando aquelas três letrinhas haviam saído da sua boca? Droga! Não estava nem ao menos concentrado para isso.
O americano virou-se, olhando para Heero, as mãos na cabeça, pensativo, olhando fixo para a parede. Heero estava muito distraído hoje. Mal falara com ninguém, o olhar cobalto nas nuvens, em outro mundo. Percorreu o olhar pelo corpo do menor vendo quanto ele estava tenso. Sabia que boa coisa não via, não era certo pressionar, mas sentia tanta curiosidade em saber do motivo de tanto aperreio dele.
– Hee eu já disse, você não...
– Eu to morrendo Duo.
As palavras saíram em um sussurro, mas foi o bastante para arregalar os olhos do americano. Ele havia escutado mesmo aquilo? Heero estaria louco? Buscou uma resposta no olhar dele, vendo apenas uma lágrima descer tristemente. Só podia ser brincadeira. Heero estava bem, perfeitamente...
– Eu tenho câncer. – falou baixo, olhando para a mesa, cravando as unhas em sua mão não suportando olhar para Duo. Era hora da verdade. – Eu tenho um tumor no cérebro, e caso eu faça a operação, terei pouquíssimas chances, isso se não perder a visão ou os movimentos do braço...
– Como? – foi tudo que ele ouviu. Olhou para o americano, os olhos arregalados, espantado demais com a notícia. A boca levemente aberta e a sobrancelha num misto de confusão. – Heero do que é que você está falando? Isso é algum tipo de brincadeira? – perguntou aflito, dando um pequeno sorriso tentando arrancar um "é brincadeira, seu baka" da boca do menor.
Porém tudo que houve foi silêncio.
– Heero?
– Deixa-me terminar – pediu, não agüentando mais aquela angustia, ia falar tudo de uma vez e logo estaria acabado - depois você pode me colocar pra fora da sua vida.
Duo tentou protestar, mas as órbitas azuis não deixaram. Sentou calmo na cadeira defronte ao outro, tendo toda a atenção dele. Heero precisava urgente fazer um tratamento ante neurose. Por que ia expulsa-lo da sua vida?
– O Zero System afetou meu cérebro...Você sabe que usei muito essa máquina e ela danificou minha mente, criando uma espécie de tumor em mim. Quando descobri isso, a Relena já estava em depressão e eu não podia deixar Holly sozinha...Por isso não fiz nada na época. – Heero suspirou, baixando a cabeça novamente, a mesa parecia tão importante agora – Muito tempo se passou e agora a operação pode custar minha vida, ou meus movimentos corporais, qualquer parte de nervos que esteja próxima do tumor, por isso...naquele dia eu desmaiei no hotel. Eu tive um tipo de sequela, dores provocadas pelo tumor.
– Por que não me contou antes?
O olhar agora estava sério. Duo o olhou sem brincadeiras, vendo Heero praticamente desmoronar em sua frente. Como não havia com quem deixar Holly caso algo de ruim acontecesse? O que ele era afinal? Será que a palavra padrinho significava alguma coisa naquela cabeça oca? Deus! Havia Quatre, Trowa e até mesmo Wufei que não se dava muito bem com criança. Até ele e Treize poderiam cuidar da pequena. O que o impedia afinal?
– Não pude.
– Como assim você não pode? Heero você tem noção do que está me dizendo. – levantou agressivo da cadeira derrubando essa. – Você devia ter me contado assim que descobriu, devia ter deixado Holly comigo pra fazer essa merda de operação. Você tem noção do que você fez? – gritou bravo, já perdendo todo o controle que tinha. Doía ter que falar isso pra ele, mas doía mais ainda saber que Heero ia morrer. Ele ia morrer e não poda fazer nada. Só por que a cabeça dura do seu amado era mais baka que a dele.
– Eu quis dizer quando eu descobri, mas eu não podia. – as lágrimas corriam soltas pelo rosto do japonês. Como faria Duo entender que não podia se aproximar de nenhum deles sem ter mortes e mais estupros. O maldito ainda era vivo na época, morreu pouco tempo depois, mas o trauma já estava lá. Não conseguia mais se aproximar de nenhum deles sem pensar que o loiro poderia ferir seus amigos, sua filha e até mesmo o estuprar novamente.
Quando visitara Duo há tempos atrás com Holly teve um bom castigo ao voltar. Ainda poder sentir a dor em todo seu corpo e as promessas do loiro de mandar matar Holly no meio da noite. Como faria Duo entender sem contar sua verdadeira posição de escravo que era do maldito maníaco.
Simplesmente não dava.
Era impossível.
– Hey..calma. Desculpa eu ter gritado com você.
Duo o abraçou carinhosamente por trás tentando acalmar as lágrimas, o desespero do outro. Havia ultrapassado os limites, sabia, mas agora sua mente tinha algo em sua mente o dizendo que alguém não deixava Heero os procurar. Apertou mais o pequeno entre si, cerrando os punhos com raiva. Será que Relena havia feito alguma coisa com ele? Afinal ele não a amava pra começar, e agora essa possível dominação? Era isso, Relena tinha algo que fazia Heero ser um subordinado dela?
Talvez.
– Eu queria Duo, mas não podia...
– Shh..ta bom meu amor, eu sei. – largou Heero, ajoelhando-se perto dele, fitando as lagrimas que cobriam o lindo rosto. Por Deus! Tinha que ajudar ele. Heero não merecia tanto azar na vida. – Ta tudo bem. Agente vai resolver isso.
– Eu já resolvi com Trowa.
O olhar do americano não poderia ser de maior espanto. Trowa sabia e ele não?
– Eu só quero que você cuide de Holly caso eu morra.
– E quem disse que você ai morrer? – Duo perguntou colocando um sorriso de animo no rosto. Não queria nem pensar nessa possibilidade.
– Mas..
– Nada de mais. – o silenciou, colocando dois dedos em sua boca – Você sobreviveu a uma auto destruição no seu gundam, uma operação não vai te matar.
Derrotado o japonês apenas confirmou, sabendo que as coisas não eram bem em assim.
Duo encostou a cabeça na coxa do menor, pensando agora em uma frase que lhe chamara atenção. Por que ele havia...
– O que te fez pensar que eu não o queria mais em minha vida? – levantou a cabeça, olhando para Heero que estava levemente tremendo e ainda derramando lágrimas. – Eu nunca vou querer você longe de mim. Você pode ficar cego, paraplégico, perder um braço que eu vou continuar te amando da mesma maneira.
Deus! Como Heero amava aquele americano. Escorreu da cadeira, sendo aparado pelos braços de Duo que o apertaram em um abraça carinhoso. Só de pensar que poderia morrer e não poder ficar mais com ele o arrasava por dentro.
Não queria morrer
Não podia.
– Sente isso. – Duo pegou a mão de Heero, colocando-a em cima do seu peito.- É meu coração Hee e ele é todo seu. – Beijou a testa do menor o aninhando melhor em seus braços – Eu vou cuidar de você Hee-chan, não se preocupe.
Feliz.
Depois de tudo, era assim que Heero se sentia.
Sorriu, deixando ser consolado e abraçado pelo maior. Estava seguro.
– É melhor você dormir, já é tarde. – Duo olhou no relógio que havia em seu pulso, notando que o tempo realmente passara ali. Olhou pra Heero vendo rosto ainda vermelho pelas lágrimas. Ele precisava de descanso.
De agora em diante seria um protetor do japonês.
Herro estranhou quando Duo passou os braços pelas suas pernas. Olhou para Duo e esse apenas piscou.
– Eu sempre quis fazer isso.
– Duo! – Heero exclamou, sentindo ser levantado pelo americano, ficando nos braços dele, segurou-se em seu pescoço olhando para as ametistas dizendo um "eu posso andar" que logo foi ignorado.
Passaram por Holly e a garota nem se mexeu. Devia estar mesmo em um sono profundo. Carregou o menor até seu quarto o colocando na grande cama.
Ele era lindo.
– Hoje você vai dormir bem juntinho de mim, quero ter certeza que você está bem. – disse retirando a camisa e a calça, colocando um short para dormir.
– Se Holly nos encontrar juntos de manhã?
– Você ta falando daquela criatura que se apossou do meu sofá? Ela não acorda nem em um milhão de anos. – sorriu, pegando uma blusa e um short confortável dando para Heero.
– Aquela diaba só vai acordar daqui a dois séculos, enquanto isso ela vai permanecer hibernando.
Heero sorriu, vendo o maior empurrar as roupas totalmente embrulhadas dentro do armário, tentando fechar esse.
Ouviu ele falar algo, mas não se importou muito. Talvez essa seria a hora para finalmente retirar as marcas do loiro de si, quem sabe Duo não tirasse o medo que o desgraçado deixou em sua mente. Isso significaria que Duo teria que toca-lo? Respirou pesadamente, sentindo sua mente gritar um "não". As más lembranças estavam estampadas em sua mente, não conseguiria transar com Duo...Mesmo que fosse para tentar esquecer Zechs.
Tentar não ia matar..ia?
Talvez
– Duo...
– Não que eu me importe que o Trowa estivesse sabendo disso antes de mim, mas...
– Faça amor comigo.
Silêncio
Duo parou de falar, olhando para o menor que estava em sua cama. O que ele acabara de pedir? As íris azuis estavam passivas, demonstrando que queria mesmo isso. Mas como Heero poderia se oferecer depois de tudo que escutara. Tinha medo de machuca-lo.
– Heero eu...
– Não vou quebrar Duo, prometo. – deu um sorriso, encorajando o maior, porém em seu interior sua mente teimava em dizer que era loucura. Que nunca aceitaria passar pelo que passou novamente.Mas precisava tirar as más lembranças do loiro e colocar as lembranças com Duo em seu corpo. Queria sentir Duo dentro de si, mesmo que isso ainda o fizesse sentir medo.
Precisava dele.
– Por favor.
– E se eu te machucar. – O americano se aproximou, temendo perder o controle com tal proposta – Se por acaso afetar sua mente de algum jeito e piorar as coisas?
– Não vai Duo. Prometo que não.
Olhou para as ametistas vendo o desejo nelas.
– Me beija.
Era muita maldade. Como Duo podia suportar isso?
Sentou na cama, junto ao menor, passando a mão em seu pescoço. – Eu te amo Heero. – falou levemente, passando a mão pelos lábios entreabertos. – Muito mesmo.
Não agüentou, fechando os espaços entre as duas bocas. Ia finalmente ter aquele corpo para si. Deus! Não parecia ser real! Heero ali, se oferecendo.
Beijou-o calmamente, com carinho, passando a mão pelo seu pescoço e a outra circulando seu corpo o trazendo para junto de si. Como era lindo o doce anjo em seus braços.
– Quando quiser...que eu...pare...- Duo falou, entre os beijos, deitando Heero na cama, explorando cada parte daquele pescoço que fazia o menor se arrepiar de prazer. – Eu paro.
O japonês apenas concordou, tentando esquecer o medo, concentrando-se na língua do americano que o estava provocando, subindo agora para a orelha.
Deus! Como era sensível aos toques. Mordeu o lábio levemente não deixando sair nenhum gemido. Era bom! Não havia dor...Mas ainda sim...O medo...O trauma.
– Bom. – Duo falou, dando leves beijos e lambendo a orelha do japonês, sentindo o corpo embaixo ao seu se arrepiar. Se Heero se comportava assim com apenas isso estava por demais curioso para ver o final disso tudo. Foi descendo os beijos chegando na peça indesejada.
Rapidamente retirou a blusa do menor, a jogando longe, deitando mais uma vez. Heero viu Duo recomeçar a sua exploração e não teve como gemer ao sentir a boca provocando seu mamilo.
"Sensível" – Duo pensou, continuando a lamber ao redor do biquinho para depois beija-lo dando leves mordidas. Provocou-o, deixado o mamilo duro, enquanto Heero respirava alto por conta do prazer. Parecia que todos os toques, menores possíveis afetavam o prazer do japonês. Sorriu, engolindo o outro mamilo, começando a brincar com ele.
– Du-Duo...Deus!
Seu corpo estava repleto de sensações boas. Nunca tivera esses toques, em toda sua vida só tivera dor, era a primeira vez que sentia o prazer percorrer suas veias. Prendeu a respiração, notando que os beijos do americano iam descendo.
Estava pegando fogo.
Mas o medo ainda estava lá.
– Buraquinho lindo. – as ametistas olharam para o umbigo, passando a língua dentro dele. Heero nessa hora deu um pulo, agarrando-se ao lençol, tamanhas sensações.
Com movimentos circulares o maior continuou a colocar a língua dentro do pequeno buraco, lambendo, e tirando arrepios do corpo embaixo ao seu. Olhou para Heero, vendo a expressão de prazer nele, a testa coberta por uma leve camada de suor, os olhos fortemente fechados. Ele era muito tentador.
Sorriu, seguindo a baixo do umbigo, deixando leves beijos e saliva no rastro. Parou de beijar o menor, olhando agora para a segunda peça indesejável. Deus! Como adoraria prova-lo.
Retirou o short sem desgrudar um minuto dos olhos azuis. O menor estava corado, sentido-se totalmente exposto ao olhares do americano.
As ametistas pararam no já duro membro. Seu amor era realmente muito sensível a carícias. Olhou para Heero malicioso vendo-o corar mais ainda. Ele ficava lindo na cor do pimentão.
– To impressionado Hee-chan. – falou divertido e bem próximo ao membro do outro, o que fez Heero pular em antecipação. Deus! Alguém diga para o americano que aquilo se chamava tortura. – A lenda dos asiáticos serem pequenos...Foi por água abaixo.
O japonês sentiu-se corar mais ainda. Ficou feliz por agrada-lo. Isso era evidentemente ótimo. Deu um discreto sorriso que logo desapareceu, quando sentiu a língua quente em sua coxa interna.
– Duo...- suprimiu um gemido, abrindo mais as pernas. Duo era um sádico e estava adorando deixa-lo nesse estado. Beijou a coxa, bem perto da virilha, sentindo Heero soltar gemidos abafados. Sorriu lambendo mais ainda uma cicatriz fina que havia nessa. Com a mão direita pegou no membro do outro, o masturbando levemente, vendo Heero arquear as costas, mordendo os lábios em agonia.
– Por favor...D. – tentou falar, mas tudo que conseguiu foi ficar mais excitado. Podia sentir a mão do americano bombeando levemente seu pênis o impedindo de gozar. Estava dividido entre o prazer e a angustia. Deus! Nunca tivera uma coisa dessas. Buscou com as mãos algo que pudesse apertar em sua agonia. Os lençóis não mais serviam.
– DUOOOOOOO...- soltou um grito, quase se levantado quando o membro foi totalmente engolido pela boca do outro. Estava no paraíso, sentindo o maior o sugar freneticamente, pegando em suas bolas, as massageando.
Era prazer demais
Quente demais.
– Oh Deus... – gemeu mais baixo, abrindo mais as pernas, sentindo todo e qualquer controle se esvaziar de si.
"Lindo" – Duo pensou, engolindo até não poder mais o membro do menor. Sensível até de dizer chega o seu amante era. Olhou malicioso, vendo o prazer estampado em seu rosto. A boca hora aberta, hora fechada, tentando controlar os gemidos. Os músculos do abdômen tensos em puro prazer, e uma fina camada de suor em seu corpo, o deixando irresistível.
Estava louco para ataca-lo, mais sabia que tinha que deixar os desejos de lado. Tinha que ser paciente com Heero, além do que não tinha a menor idéia de como essa "brincadeira" afetaria seu cérebro.
E se o prejudicasse? Fechou os olhos tentando não pensar nisso. Não queria lembrar do quanto poderia machucar ainda mais o menor. Por hora..só prazer.
Continuou a chupar-lo, sem perder uma única reação de Heero. A mão que antes estava na coxa desceu, procurando pela entrada, massageando o lugar em círculos, pressionando de vez em quando.
Heero fechou a boca fortemente, ainda perdido em prazer, sentindo os dedos abeis de Duo apertarem contra seu ânus, mas sem investir com força. Tentou relaxar, tirando o maldito loiro da sua mente e embora Duo o estivesse enlouquecendo com aquela boca, a dor de ter sido violentado estava latejado no fundo dos seus pensamentos.
Duo diminuiu a masturbação, sentindo a resistência de Heero. Queria brincar mais com aquela linda carne que estava em sua boca, mas seu próprio membro já doía por atenção. Olhou pra Heero que mantia os olhos fechados, a boca aberta.
Quis sorrir, ele era lindo!
Afastou os próprios dedos da entrada e retirou o pênis do outra da boca. Rapidamente Heero abriu os olhos, com o olhar de "você quer me matar?" Teve que sorrir ao ver o amante com o olhar assassino pra cima de si.
– Espera aqui Hee. – falou e saiu do quarto, indo até o banheiro. Heero ficou parado, sem entender, onde danado aquele baka ia? Rodou os olhos pelo quarto e os fechou. Como pudera chegar a esse ponto? Duo era extremamente carinhoso, mas não tinha cabeça para isso, não ainda. Tinha que parar, porém seu corpo pedia por mais toques! Deus! Estava confuso!.
– Hee, vai ser um pouco desconfortável, certo?
O japonês abriu os olhos, observando o anjo a sua frente, segurando um tubo, derramando seu conteúdo em seus dedos. O Medo voltou com força total, derrubando todo e qualquer raciocínio do menor.
"Pare", dizia sua mente; "Continue", dizia seu coração.
– Quando quiser que eu...
– Eu sei Duo. – disse, tentando enfiar na cabeça do americano que não era de vidro e ao mesmo tempo convencer a si próprio que podia fazer aquilo. Abriu mais as pernas dando total espaço para o maior, ignorando a mente que chorava para que eles parassem.
Mas agora não podia.
Essa era a única forma de tirar o maldito de seus pensamentos.
Duo ficou entre as pernas abertas do japonês, olhando para a entrada que logo seria invadida. Deus! Como desejava ignorar a preparação e tomar aquele corpo.
Mas sabia que não era bem assim.
Forçou o primeiro dedo, sentindo o corpo do menor resistente. Olhou pra Heero o vendo tentar relaxar.
– Relaxa Hee, não vai doer. – falou calmo, com sorriso no rosto. Temia machuca-lo, mas também não estava mais agüentando de prazer e tesão. Precisava daquele corpo. Ia ter um colapso nervoso se não andassem logo com isso.
– Du..
– Shhh..relaxe. – forçou e dessa vez sentiu seu dedo entrando devagar. Mordeu o lábio quando notou que Heero era muito apertado. Ia morrer quando entrasse naquele corpo.
Devagar foi forçando, fazendo movimentos circulares.
Heero não podia afirmar que doía, era desconfortável, sentia suas paredes alargando depois de tanto tempo, mas não chegava a doer. Cerrou os olhos, sentindo Duo prepara-lo. Duo! Não era Zechs! O loiro não estava ali. Não era Zechs!
– Ta doendo?
Negou, abrindo os olhos, vendo a preocupação no rosto americano. Deus! Que estava fazendo? Não estava preparado para isso. Não tinha como se entregar a Duo e não pensar no loiro. Seu corpo ainda estava traumatizado, sua mente principalmente.
Chorou internamente, sentindo agora outro dedo dentro e si o alargado. Era MUITO desconfortável. Sabia que era só o começo, mas ainda tinha medo do desconhecido. Fechou os olhos e não conseguiu conter o gemido, quando terceiro dedo se atreveu a penetra-lo.
– Machuquei você? - Duo perguntou, movendo os dedos no interior do menor, vendo a expressão nada confortável dele. As íris azuis teimaram em abrir, o rosto contorcido. – Shh...relaxe amor. – falou perto do seu ouvido, tentando achar o local de prazer dentro do outro.
Procurou, movimentando em círculos várias vezes os três dedos.
– Duoooooooooo..- Heero gritou e o maior teve que sorrir, satisfeito com a sua descoberta. Viu o menor se contorcer em prazer enquanto atacava a sua próstata sem piedade.
– Quer que eu pare? – perguntou sarcástico.
– NÃO – gritou seu corpo, mas internamente sua cabeça produzira um "SIM"
Duo teve que sorrir mais uma vez. Deus! Aquele japonês era muito sensível. Ficou assim por algum tempo, provocando Heero, retirando gemidos da doce boca.
Foi quando o membro esquecido e intocado do traçado reclamou. Até podia ouvi-lo dizendo: "tem alguém que quer participar da festa também!" E ria desconfortável. O Volume em suas calças grande bastante.
Retirou os dedos de dentro de Heero, ouvindo protesto dele. Seu amado havia mesmo gostado daquilo.
– Hee, agora vai doer, e eu quero que você me diga se quiser parar, certo?
Assentiu com a cabeça, sua mente reclamando, chorando para parar com aquilo. Queria o prazer, mas o medo era maior.
Precisava de Duo.
Mas tinha medo.
O americano retirou o short, revelando seu duro membro. Heero o olhou pasmo, ficando pálido na mesma hora. Lembranças de Zechs acertaram sua cabeça. A dor. Aquela carne grossa o penetrando por trás. O Machucando. Não podia.
Não iria conseguir.
Sem saber a luta pela qual Heero estava passando, Duo estava pegando fogo. Precisava entrar naquela bunda apertada ou iria morrer. Pegou o frasco de lubrificante derramando sobre o próprio membro. Enquanto em mente repetia como uma manta: "controlecontrolecontrole"
Só via a hora de perder a cabeça e atacar Heero. Se o fizesse teria certeza de se matar depois.
– Hee você vai precisar relaxar.
Esse apenas ficou calado. Olhando para o membro do maior. Não podia fazer isso consigo próprio. Já estava sendo masoquista demais. Achava que conseguiria, mas estava enganado.Gostava dos toques, era bom sentir aquelas sensações, mas...não podia se entregar novamente.
Não podia.
Com cuidado, Duo trouxe as pernas do menino para sua cintura, deixando seu membro na altura da apertada entrada. Passou mais lubrificante nessa, não querendo machuca-lo e então forçou a ponta do seu pênis.
Heero sentiu o membro forçando a sua entrada e chorou, as lágrimas começaram a cair, manchando o rosto. Não! Eram traumas demais! Não havia como.
Olhou pra cima e o que viu o fez pular, se afastando do americano, protegendo seu corpo nu, enquanto tremia levemente.
– Hee? O que houve? – Duo perguntou preocupado, vendo o menor chorando e tremendo, porém Heero não o enxergava.
Os cabelos de Duo estavam loiros, seu rosto estava mais sério, o corpo era mais velho. Deus! Era Zechs! O maldito estava na sua frente.
– Hee? – Duo chamou novamente, olhando o medo nas íris azuis. O que acontecera afinal?
Heero balançou a cabeça, ouvindo a voz asquerosa o chamando de "meu putinho". Não queria ouvir. Não queria ver. Era demais para ele. Foi quando sentiu os braços de alguém o abraçando, olhou para cima vendo o rosto de Duo preocupado.
Duo...era Duo...?
"Sou eu, seu puto" – a voz cortante latejou em sua mente, e Heero novamente pode ver a imagem de Zechs em Duo.
Chorou freneticamente, empurrando o maior para longe.
Precisava...sair dali.
Sentia-se mal.
Entrou no banheiro aos prantos, jogando-se no sanitário, vomitando a pouca comida que havia em seu corpo.
O que ele estava fazendo afinal? Quase que ia sendo estuprado novamente. Era isso? Ele queria ser estuprado?
Não...mas...Zechs morrera, ele não podia estar ali.
– Shhh...calma Hee-chan, ta tudo bem, já passou. – novamente os braços o abraçaram, acariciando suas costas. Era Duo! O olhar sereno de Duo.
Mas...e o maldito?
Estava tudo tão confuso.
Afastou-se dele, vendo o olhar magoado do maior em cima de si. Mas não podia. Sentou no chão frio do Box, abraçando as pernas, chorando. Havia confundido Duo com o loiro...era isso? Havia visto o loiro em Duo?
Chorou mais ainda, tentando entender. Queria agradar a Duo, queria fazer amor com ele, queria tirar o loiro, os traumas, mas sua mente não deixava.
Suas lembranças não deixavam.
Do outro lado do banheiro o americano anda estava sem entender. Heero estava com medo dele, era isso? Olhou para o pequeno. Ele estava tão indefeso, chorando. Droga! Havia feito Heero chorar. Não devia ter aceitado aquele pedido.
Apertou os punhos, raivoso, observando o menor se contorcer. Alguém havia traumatizado seu amor. Isso era claro. Ninguém agia daquela forma sem um grande trauma por detrás de tudo. Deus! Quem deixara Heero nesse estado?
– Hee...sou eu...- falou baixinho, mas ele se contorceu mais ainda contra a parede, colocando as mãos no ouvido.
Duo estava com vontade de socar o desgraçado que deixara Heero assim. Se o visse com certeza o mataria. Como alguém pudera ferir tanto seu pequeno?
Suspirou pesadamente, temendo em aproximar-se e causar mais dor a ele. Olhou mais uma vez para Heero e depois para o próprio membro que ainda se encontrava desperto.
Era inútil tentar algo agora. Derrotado saiu do banheiro, deixando Heero sozinho, precisava se acalmar para depois saber quem era o desgraçado que o perturbara.
ooo
"loucoloucoloucolouco" Sua mente repetia dolorosamente, o lembrando da estupidez que ia fazer.
Era normal sentir a necessidade de querer tirar toda a sujeira que o desgraçado deixara em si. Queria ficar limpo..mas
Não ia conseguir isso se entregando a Duo, ignorando seus medos e se expondo novamente. Quando vira o pênis de Duo, quando o enxergara como o loiro. Deus! Havia doído! Era como se todas as lembranças, todos os estupros, as humilhações, as dores daquele sádico voltassem.
Abraçou mais ainda os joelhos, descansando sua cabeça neles. Se fechasse os olhos, podia ver claramente o maníaco o cortando com o canivete. Podia sentir a dor.
E ela era insuportável.
Apertou os punhos, sentindo-se com raiva, com nojo do que iria fazer a agora a pouco. Ia estuprar sua mente, seu corpo mais uma vez, mesmo que fosse com Duo.
– Duo...- suspirou baixinho. O que esse pensaria agora? Deus! Teria que contar a verdade para ele?
Levantou-se cambaleando até o vaso sanitário, vomitando mais ainda. Seu estômago dando reviravoltas.
Não estava bem.
Nunca estivera bem.
Sentou-se novamente, tentando por os pensamentos em ordem. A pessoa que estava no quarto não era Zechs, era Duo e ele nunca o machucaria, sabia disso.
Fora ele que pedira para fazer sexo, Duo não o forçara, ele não o atirara na cama, obrigando a se oferecer sob ameaças. Não era Zechs.
Era seu amor.
Permitiu sorrir, levantando-se, ficando de frente para a porta do banheiro. O americano deveria estar confuso, a culpa não havia sido dele afinal.
Era sua a culpa...toda sua.
ooo
No quarto o corpo já indisposto estava sentado na cama, os pensamentos revirados, tentando entender melhor. Se alguém realmente havia machucado Heero...por quanto tempo fora isso?
Duo suprimiu um gemido, tentando se controlar. Heero nunca fora assim! Ele sempre comandava as coisas e na época da guerra até pensara que ele seria o "seme" da relação. Tudo mudara com o repentino casamento dele com Relena. Foi ali que ele começou a fraquejar, que o guerreiro forte se tornou apenas um mero humano com fraquezas. Aquela desgraçada havia feito coisas imperdoáveis com seu Heero? Era isso?
Chegava a ser tão traumatizante, o bastante para deixa-lo chorando como uma criança.
– Maldita vagabunda.
– Não a culpe. – a voz saiu baixa, quase como um sussurro. O americano olhou para o banheiro, vendo Heero lá, parado na porta, os olhos ainda chorosos, mas bem mais calmo. – Por favor não a culpe.
Heero tornou a repetir, sabendo que seu amante não era burro e provavelmente estaria pensando em Relena. Não fora ela quem o deixara assim. Longe disso! Às vezes chegava a agradecer dos dias em que ela grudava em si, impedindo Zechs e os seus planos. De certa forma Relena havia sido boa com ele.
Ela não sabia da sua condição. Mas também já não o tratava mais como marido depois de um tempo. Ela o tratava como amigo e sempre o ajudava.
Até lembrava dela o apoiando para ir ao encontro do americano. Teria ido, se o loiro não o ameaçasse.
– Quem foi Heero? – Duo perguntou com a voz baixa tentando manter o controle. Sabia que Heero não ia dizer a ele. Talvez algum trauma de infância que fora novamente desperto.
O japonês não respondeu, olhando para o chão. Não podia dizer a Duo que fora Zechs. Não podia simplesmente dizer para ele que fora estuprado pelo maldito por mais de quatro anos.
Era nojo demais.
Humilhação demais.
– Me desculpe por não notar. – Heero o olhou admirado. Por que Duo estava pedindo desculpas? Ele não teve culpa. A culpa era dos seus traumas, da sua mente que não aceitava em ser maltratada novamente. Duo não tinha nada haver com seus pensamentos. – Se eu tivesse notado, teria dito "não" quando você pediu para fazer amor comigo.
– É um problema meu Duo...você não tinha que notar, a culpa é minha. Eu que fiz a merda, eu que...
– Não sei o que aconteceu com você Hee, mas eu te amo e nunca faria mal a você. – Duo abriu os braços, o olhar sereno no rosto. – Não importa o que essa pessoa fez a você, eu não sou ela, mas nunca vou te forçar a nada.
Ele era o baka mais encantador do mundo!
Heero ainda nu andou até a cama, jogando-se nos braços do americano. Sentiu esse o abraçar, dizendo que o amava e esperaria o tempo necessário para que a mente te concordasse com o coração.
Não era Zechs!
Era seu Duo.
E ali dormiu.
Protegido
ooo
Era 6:00 da manhã quando a pequena bocejou, abrindo os olhos. Bendita seja à vontade de ir ao banheiro em plena manhã.
Levantou do sofá, cansada, cambaleando.
Holly parou espantada quando abriu a porta do quarto do americano, pensando ser o banheiro. Olhou para cena horrorizada. Seu pai e seu tio abraçados e nus.
Ok
O que era isso afinal. Tentou sair dali, as idéias revirando sua mente, porém bateu em um copo que estava em cima da cômoda, o derrubando.
Só teve tempo de sair correndo dali, quando Heero abriu os olhos, vendo a garota sair correndo.
Só podia ser brincadeira.
Levantou-se assustado. Holly não podia ter visto aquilo nunca. Pegou o short, vestindo-o, ignorando o próprio corpo cansado e os protestos de Duo que estava acordando.
Tinha que ir atrás dela.
Saiu do quarto, deixando Duo neste. Olhou pela casa e nada da menina. Deus! Onde ela estava?
– Filha? – perguntou calmo, como explicaria a sua menina que estava tendo um relacionamento com seu tio?
Foi quando a porta do apartamento lhe chamou á atenção. A chave balançando.
Não!
Ela não ousaria fugir.
Saiu do apartamento, aos prantos, ignorando os chamados de Duo. O que aquela garota tinha em mente afinal?
Correu nas escadas, sentindo o coração apertado. Sua filha o odiaria? Deixaria de ter orgulho dele?
Balançou a cabeça, ignorando seus pensamentos. Não ia agüentar ver o olhar magoado, o olhar de nojo da pequena, não dela.
Chegou ao térreo suando, gritando pelo hall o nome da pequena, olhando desesperado para todos os cantos.
– Ela correu pra fora Sr Yui.
O porteiro avisou e o japonês correu novamente, sentindo sua cabeça pesar, começando com as dores.
Olhou por todos os lados, tentando manter o olhar focado.
Foi quando ouviu o grito.
– PAAIIIIIIII... – Holly gritou desesperada, sendo segurada por um homem forte, a atirando dentro de um carro preto.
Só podia ser brincadeira!
– HOLLYYYYYYY...- gritou, correndo atrás do carro que começara a andar. Não podia estar vendo mesmo o que seus olhos mostravam. Gritou mais uma vez pela filha, mas o carro sumiu a levando enquanto o japonês caía no chão, segurando a cabeça com as mãos.
Haviam levado sua filha! Sua pequena Holly havia sido seqüestrada!
– HOLLYYYYYYYYYYYYYYYYY...- gritou mais uma vez, forçando sua mente que latejava intensamente. Não podia perde-la. Não ela. As lágrimas caíram, o corpo começando a tremer.
– Hol..- tentou mais uma vez, mas tudo que conseguiu foi cair sobre o chão frio, gemendo de dor, sentindo facadas em seu cérebro.
Maldita doença!
Chutou-se mentalmente, tentando levantar mais uma vez.
Porém tudo que conseguiu foi cair novamente no chão, inconsciente!
Continua...
Tan tan tan tan...hahahhaha...gente...por favor, não me matem pelo fim do cap, e pelo lemon não acabado!(desvia das pedras) Comentários por favor!(desvia de mais pedras)
Well..vai ter bastante coisa pela frente! Muito angust mesmo! Hihihihih...to com pena da Holly e do Hee, acham que peguei pesado demais? Esperem pelo próximo cap XD
Well...vamos as respostasLitha-chan: Pois é Litha! O Hee sofreu pra caramba! To sendo muito má com ele? (sorriso cínico) Hey, a Holly não precisou ir pa casa do Q pra o (quase) lemon acontecer, e aew? Gostou? Pena que não foi até o final!Well..um bom coment ajuda muito! Valeu por me apoiar garota! E se acalme...eu não vou sumir..não precisa me caçar (karin com medo) Beijos fofa
Darksoul: Calma! Não morra! O cap veio! Gostou do quase lemon? (eu realmente sou insegura quanto a isso) Beijos
Shanty: valeu pelo coment! Espero que tenha gostado!
Arashi Kaminari: Todas as suas perguntas foram respondidas Arashi? Tentei me concentrar nas respostas das suas dúvidas. Em fim...gostou? Beijocas!
Ino-chan/Carol: Posso te chamar de Carol? Hihihihih...fico feliz que pessoas novas estejam se interessando pela fic! Eu amo o loiro, mais era preciso que ele fosse o vilão da história...gomen ' Uma das mais lindas que você já leu? Nossa! Quanta honra! (karin sorrindo) Beijosssssss.
Aryam:Pfffff..erros de histórias...eu realmente não esclareci quem estava cuidando do pais quando o Hee foi atrás do Duo. Gomen!Nos próximos caps eu vou dar um jeito de tocar neste assunto, valeu pelo toque garota Beijos
E quero agradecer a Dhandara, que me deu várias idéias. Obrigada moça
Fico por aqui pessoinhas! Até o próximo cap
Karin-chan
