Três dias depois, Matt entrou na oficina e observou como Isabella saia debaixo de um dos carros que ele tinha reparado. Estava inspecionando o trabalho realizado como se ele não tivesse passado quase toda sua vida entre motores.

Como proprietária da oficina, tinha direito a revisar de cima abaixo cada veículo que passava pelas mãos de seu novo empregado.

Matt fez uma careta enquanto guardava uma chave inglesa no bolso traseiro, voltou a olhá-la por cima do ombro e abriu a porta do escritório.

O que viu ali fez com que parasse de súbito.

— Desculpe. — Resmungou antes de dar a volta para partir.

— Ah, você é Matt Silver. — Disse vovô Cullen levantando do assento da mesa onde tinha encurralado Tom.

— Não se vá tão depressa, filho. Ouvi que temos algo em comum.

Matt fez uma careta e apertou os dentes; logo se virou e fechou a porta atrás dele antes de enfrentar o homem que tinha sido a base de sua existência.

Seu avô. Tinha mais rugas e não parecia tão alto, mas seu rosto moreno ainda conseguia impressioná-lo e seus olhos ainda conservavam aquele brilhante tom verde-esmeralda que Matt não possuía mais.

— Temos algo em comum? — Perguntou-lhe, olhando de esguelha a expressão assombrada do Tom.

— Somos irlandeses, filho. — O sorriso do vovô deixou Matt paralisado. Aquele velho bastardo parecia saber quem era ele na realidade. — Os dois somos irlandeses.

Não podia negá-lo. Preparou-se para mentir ao ancião. Sabia que cedo ou tarde se encontraria com ele e que teria que confrontar esse momento. Mas agora que esse momento tinha chegado, simplesmente não podia fazê-lo. Não podia mentir a ele.

— Ao que parece. — Replicou Matt com cautela.

O vovô voltou a sentar-se e mudou de postura no assento. Seu longo corpo estava mais fraco que a última vez em que Matt o viu, que tinha sabido algo dele. Agora tinha o cabelo completamente cinza e não ficava nenhum indício do negro brilhante que tinha antigamente.

— Tom, vou sair por um momento. — Disse Matt tentando escapulir.

— Foge? — O sorriso do vovô desapareceu. — Os irlandeses não fogem.

Matt arqueou as sobrancelhas.

— Há alguma razão pela qual deva fugir?

O vovô dirigiu-lhe um olhar tão seguro e sagaz que Matt voltou a olhar para Tom. Mataria aquele pequeno verme se houvesse dito algo a ele.

Tom negou sutilmente com a cabeça e fez uma careta. Tal e como o tinha advertido, ocultar tudo aquilo do vovô era inútil.

— Tinha vontade de conhecê-lo. — O ancião ficou em pé e Tom também se levantou de seu assento.

— Queria ver com meus próprios olhos o mecânico que tinha alterado a minha menina. Ninguém conseguiu desgostá-la tanto desde que seu marido morreu.

— Sim, já tinha ouvido que ele havia morrido. — Indicou Matt.

Vovô assentiu lentamente.

— Bom, isso é o que nos disseram, — resmungou— mas eu disse a meu filho que não podia ser certo. Meu neto era um SEAL, sabe? Foi durante muitos anos. — O vovô negou com a cabeça e cravou o olhar em Matt. ─ Eu não acreditei nisso. Entretanto...acabei de mudar de opinião.

Matt, Edward. Marido. Neto. Irmão. Sentiu todas aquelas partes de si mesmo ante aquele ancião que sabia a verdade sem que ninguém a houvesse dito. Tinha-o decepcionado.

— Meu neto era um herói, sabe? — Disse-lhe vovô enquanto se encaminhava à porta.

— Isso é o que me disse Tom. — Replicou ele ao fim com voz baixa

Seu avô, venerável e íntimo, deteve-se outra vez e ficou olhando-o durante alguns tensos segundos.

— Esse menino sempre fazia o que tinha que fazer. O que era correto. O mais responsável. — Piscou para conter as lágrimas e Matt sentiu uma quebra de onda de dor por ele.

─ Morreu, — continuou o vovô — antes que pudesse dizer-lhe que sabia por que deixou de lutar.

Sem mais, saiu do escritório e Tom apressou-se a segui-lo. Matt tinha captado a mensagem, as palavras intencionadas, o que havia por trás delas.

Maldição! Não necessitava daquilo.

— Viu o vovô? O que ele fez a ele? — Isabella aproximou-se dele, dirigiu-lhe um olhar irado e logo seguiu ao vovô e a Tom ao estacionamento.

Demónios tampouco necessitava disso.

— Vovô! — Chamou-o Isabella. O ancião colocou-se atrás do volante de seu Ranger e observou como ela se aproximava dele.

— Está tudo bem?

O ancião brindou-lhe um de seus sorrisos cheios de carinho, de afeto. Isabella podia sentir sua calidez envolvendo-a enquanto se aproximava do assento do motorista e lhe dava um abraço rápido.

— Nem sequer passou para se despedir.

O vovô sempre o fazia antes de ir.

— Só vim conhecer seu novo homem. — Respondeu o ancião.

— Os irlandeses devem-se manter unidos, sabe?

— Não é meu novo homem. — Protestou ela.

— Tom o contratou. — Fulminou com o olhar seu cunhado, porque este se negava a despedi-lo.

Três dias antes o havia enfrentado. Tinham discutido duramente, e agora falava, inclusive, em contratar outro mecânico. Um loiro enorme que, estava certa, era amigo do arrogante bastardo que pretendia tomar o controlo de sua oficina.

Mas Tom seguia mantendo-se firme, negando-se a voltar atrás. Era certo que nos três últimos dias tinham tido mais clientes, mas ela suspeitava que era apenas porque todos sentiam curiosidade pelo novo mecânico.

O vovô limitou-se a olhá-la daquela maneira paciente e sábia, e logo aplaudiu-lhe o ombro com sua nodosa mão.

— Quaisquer desses jovens irlandeses poderiam esquentar seu sangue à noite. — Disse com uma piscada travessa.

— Já tive um feroz jovem irlandês. — Afirmou. — Ninguém poderá substituí-lo, vovô.

Edward tinha sido sua alma e seguia fazendo parte de seu coração. Não podia deixar de comparar os outros homens com ele. Por desgraça, esquecia-se de fazê-lo quando Matt rondava por ali.

— Faça caso ao coração, não à cabeça, filha. — Aconselhou o vovô com suavidade. Sempre o havia dito. — E venha ver-me logo, sinto falta de você.

Ela deu um passo para trás quando ele fechou a porta e permaneceu ali alguns segundos observando como se afastava no Ranger.

— Tom, o que é que traz entre mãos? — Perguntou a seu cunhado uma vez que o vovô se incorporou ao tráfico.

A expressão do Tom era de total inocência e recordava muito a de Edward quando este tinha-lhe oculto algo. A mesma expressão, o mesmo corpo largo e forte.

— Vê muitos fantasmas, Bella. — Suspirou.

— Não vai contratar esse viking. — Disse ela.

Tom apertou os dentes com força e seus olhos verdes lançaram faíscas.

— Quer que vá embora e largue tudo, Bella? — Provocou-a. Esse indício de cólera em sua voz fez com que Bella entrecerrasse os olhos.

— Não, não quero que vá embora. — Respondeu-lhe devolvendo o cenho. — Só quero que me consulte antes de fazer algo.

— Acaso, você me consultou alguma vez? — Tom pôs os olhos em branco.

— Passaram três anos, Bella. Decidiu vir e assumir o controlo três anos depois de que Edward morreu, e a deixei, porque não sabia de que demónios precisava este lugar. Mas já aprendi e chegou o momento de que faça a minha parte. É evidente que os mecânicos que temos contratado não são eficientes.

Nisso tinha razão, mas odiava que o assinalasse.

— Eu não gosto de Matt Silver. Despeça-o e contrate o viking. Logo discutiremos o resto.

— Vamos, Bella. — Sua voz estava agora era cheia de frustração. — Você não gosta de Matt porque ele sabe o que terá que fazer e porque não se importa em dizer isso a ninguém, o não aconteceu desde Edward e você não suporta. — Acusou-a.

Isabella estremeceu, aflita uma vez mais pela dolorosa realidade da morte de Edward. Ainda a sentia como uma pressão afiada e ardente dentro do peito.

— Edward jamais discutia comigo. — Espetou.

— Não, não o fazia. — Disse bruscamente. — Porque você jamais se mostrou na realidade nem o que esta maldita oficina significava para você. Bom, pois agora alguém sabe. Briga com ele em vez de fazê-lo comigo.

Sem mais, afastou-se com as mãos metidas nos bolsos do macacão enquanto Matt saía pelas portas da oficina.

Aqueles olhos verdes estavam fixos nela. Forte, voraz e poderoso, seu corpo captava o olhar de Isabella cada vez que estava perto, gostasse ela ou não. E, maldita fosse, não gostava. Não queria estar perto de outro homem perigoso. Mas tampouco queria um homem que sempre estivesse de acordo com ela. Pela primeira vez nos três anos desde que tirou a aliança sua mente admitiu o que seu coração já sabia. A segurança não era para ela. Jacob não era o que procurava. Entretanto, por desgraça, Matt Silver sim. Queria aquela tensão sexual, aquele palpitar do coração, aquela quebra de onda de excitação. Algo que ela não tinha sentido com nenhum outro homem, salvo com seu marido. Algo que fazia mal a ela, a encolerizava, e aumentava sua animosidade contra aquele homem.

Odiava Matt Silver do mais profundo de seu coração porque estava forçando-a a sentir coisas que só tinha sentido por seu marido.

E para a Isabella, essa traição às lembranças de Edward era pior que qualquer outra coisa que pudesse ter feito.

Não podia tirá-lo da cabeça. Enquanto o dia seguia seu curso, lutou com o computador de um veículo que se negava a cooperar, e aquele maldito homem não parecia capaz de fazer outra coisa que atrair seu olhar.

Num determinado momento, ela elevou a cabeça do interior do capô em que estava trabalhando para observar, fascinada, como ele examinava as vísceras de outro veículo ao mesmo tempo em que fazia virar lentamente uma chave inglesa entre seus dedos.

O cenho franzido daquele rosto resultou-lhe estranhamente familiar, como a maneira com que ele tinha de cravar o olhar no motor enquanto movia a ferramenta entre os dedos, e considerava o que quer que estivesse considerando.

Tudo nele a excitava. Com calça cinza de trabalho e uma camiseta de manga curta, mostrava uma imagem de um homem rude e forte a qual ela não podia evitar reagir.

— Ouça, Matt. — Chamou Tom, interrompendo os pensamentos de Isabella. — Necessito que venha aqui um momento.

Matt virou-se e olhou com o cenho franzido para o escritório.

— Já vou. — Respondeu antes de voltar a concentrar-se no motor.

— Agora! — A voz do Tom soou brusca.

A expressão de Matt tornou-se calma e perigosa, mas meteu a chave inglesa no bolso traseiro e dirigiu-se ao escritório. Parecia um predador em busca de uma presa.

A porta fechou-se silenciosamente atrás dele enquanto Tom fechava as persianas das janelas que davam à oficina. Isabella entrecerrou os olhos, tirou um trapo sujo do bolso e limpou as mãos antes de dirigir-se ao escritório. Agarrou o trinco da porta e tentou abri-la, mas se encontrava fechada com chave.

Encerraram-se em seu escritório? Isso era o cúmulo. Podia sentir como a ira lhe avermelhava o rosto quando tirou bruscamente as chaves do bolso. Estava a ponto de colocar uma na fechadura quando a porta abriu-se de repente.

— Coisas de homens. — O amplo sorriso de Tom era forçado, e em seus olhos brilhava mais a preocupação que a cólera.

— Ah, sim, coisas de homens. — Sorriu tensamente enquanto entrava no escritório para ver Matt em pé ante a mesa, com os braços cruzados sobre o peito e um duro olhar cravado em Tom.

— O que fez?

— Isabella poderia deixar, por favor, que eu me encarregue disto? — Pediu-lhe seu cunhado com impaciência. — De verdade, prometo-lhe isso. Posso ocupar-me de algumas coisas sozinho.

Tom parecia cansado. Certo, pode ser que ela estivesse sendo um pouco territorial com a oficina, possivelmente muito. Mas durante anos, tinha sido a única coisa que a tinha salvado da loucura. Tom sabia. Porque se comportava, agora, dessa maneira?

— Só senti curiosidade. — Colocou as mãos nos bolsos e dirigiu a Matt o que esperava fosse um doce sorriso. — Só me diga o que fez e irei. Vai despedi-lo? Posso olhar como o faz?

— Ótimo. — Tom não parecia feliz, e isso resultou-lhe bastante estranho. Olhou-a com cara de desgosto, quando ele jamais se zangava com ela. E seu sorriso era forçado. Mostrava todos os dentes. Quando se tornou um adulto? Já não era seu irmãozinho. — Estava olhando seu traseiro! E agora encarregue-se você do assunto.

Virou-se e saiu do escritório dando uma portada, deixando-a paralisada antes que se virasse para enfrentar o olhar divertido de Matt.

— Está mentindo. — Disse ela.

Ele sorriu amplamente. Estava encantado com a situação. Entretanto, voltava a perguntar-se o que tinha acontecido com a Isabella que tinha conhecido fazia oito anos. Jamais mostrava as unhas e nunca, sob nenhum conceito, metia-se entre dois homens que discutiam.

— Realmente tem um traseiro estupendo. — Assegurou-lhe, sabendo que ela não engoliu a explicação de Tom.

Isabella entrecerrou os olhos.

— Não me vai dizer que Tom despediu-o por isso?

Matt riu entre dentes.

— Foi somente uma advertência. — Tinha cometido um deslize. Edward não estava tão morto como tinha acreditado; ainda tinha alguns costumes muito arraigados como, por exemplo, o de virar essa condenada chave inglesa entre os dedos enquanto olhava sob o capô como se tentasse decifrar algum enigma.

Ela bufou ante sua resposta.

— Ele é muito irritante e conseguirei convencê-lo para que o despeça.

Ele sorriu em resposta enquanto se dirigia à porta. Antes de passar junto a Isabella deteve-se, inclinou a cabeça e murmurou-lhe ao ouvido:

— Eu também a surpreendi olhando o meu traseiro. Possivelmente deveria dizer a Tom.

Isabella agarrou seu braço quando se movia para abrir a porta, segurando seu olhar com frieza.

— Está pondo minha vida pernas para o ar. — Sussurrou. — E eu não gosto disso.

Matt ficou sério. Podia ver um indício de dor, de reconhecimento, nos olhos femininos. Durante três dias haviam rondando um ao outro como dois combatentes, aproximando-se e retirando-se, tentando que fosse o outro quem iniciasse o enfrentamento que ambos sabiam que estava por vir.

— Como estou pondo sua vida de pernas para o ar, Isabella? — Uma vez, fazia muito tempo, teria sabido. Teria conhecido a mulher que tinha diante de si, e teria jurado que poderia antecipar cada pensamento e cada movimento que ela fizesse. Entretanto, por mais doloroso que fosse, devia admitir que realmente tinha conhecido muito pouco dela.

A esposa de Edward jamais teria entrado à força no escritório. Demónios, jamais ocorreria a ela, tentar arrumar um carro, nem lhe teria feito baixar a vista. A mulher que tinha pertencido a Edward tinha oculto partes de si mesma, como Edward as tinha oculto dela.

Mesmo assim, a mulher que tinha diante de si ia pertencer a Matt.

— Crê que me pode dominar não? — Perguntou-lhe brandamente Isabella.— Que pode entrar aqui e tomar tudo o que queira.

Ele entrecerrou os olhos. Tinha pensado, sim. Embora logo se tivesse desenganado dessa ideia.

— Eu só necessito de um trabalho. — Matt forçou um sorriso e observou como a jovem escrutinava seu rosto.

— O que precisa é ter o controlo sobre tudo e sobre todos. — Afirmou afastando-se dele e dirigindo-se à mesa. — Terá a todos em fila, acatando suas normas.

Matt virou-se e observou como se apoiava contra a mesa.

Usava o cabelo preso em um rabo e tinha o rosto, o pescoço e os jeans manchados de óleo. E era a imagem mais bela que ele tinha visto. Toda uma mulher, segura de si, possuidora de uma feminilidade quase entristecedora. De repente, uma quebra de onda de luxúria atravessou o controlo de Matt e fez com que ele estremecesse de pés a cabeça.

— Não vou negar que a desejo. — Disse.

Ela aumentou os olhos.

— Não perguntei isso.

— Estou cansado de me esquivar do tema. — Grunhiu ele. — Estamos jogando um jogo que me começa a irritar, Isabella.

Um sorriso zombador curvou os lábios femininos.

— Não necessito de você, Matt. Se por acaso não se deu conta, tenho uma relação estável. Não necessito de outra.

— Não se deita com ele. — Afirmou aproximando-se dela.

A cólera iluminou as profundezas dos olhos castanhos.

— Como sabe?

— Porque, agora mesmo, tem os mamilos duros. — Espetou ele, baixando a vista aos pequenos topos que se erguiam orgulhosamente contra o tecido. — Porque está fazendo tudo o que pode para se afastar e se aproximar de mim ao mesmo tempo. Porque sente a química que há entre nós igual como eu.

Isabella respirou fundo e desejou não havê-lo feito, porque debaixo do aroma de óleo estava o aroma de homem. O suor húmido e luxurioso, poderoso. Aqueles penetrantes olhos, a tensão que enchia seu corpo, que a envolvia, recordava-lhe que fazia muito tempo que não estava com um homem. Desde a última vez que Edward a havia tocado, recordou a si mesma com desespero.

— Não quero falar disso. — Separou-se da mesa e dirigiu-se à porta, só para encontrar-se com um corpo muito maior que o seu bloqueando seu caminho.

— Ignorar não vai fazer com que desapareça. — Assegurou Matt com suavidade, agarrando-a pelos ombros e mantendo-a no lugar.

— Não tenho que ignorar algo que não vai ocorrer e que nem sequer existe. — Replicou ela com aspereza, elevando a cabeça de repente para enfrentar a ele.

— Vai ocorrer.

Isabella ficou quieta. Deveria lutar contra Matt, correr, gritar ou algo do estilo. Qualquer coisa, salvo permanecer ali parada, sentindo como se afrouxavam as pernas enquanto ele baixava a cabeça para aproximar inexoravelmente seus lábios dos dela, sem deixar de lhe sustentar o olhar um só instante.

— Não o faça. — Sussurrou a jovem quando seus lábios estavam a um fôlego dos seus. — Não o converta numa guerra.

— Já é uma guerra. — Sentenciou ele com aquela voz rouca e áspera. Estranhamente, ela percebeu nesse momento as cicatrizes que havia sob a barba.

— Beije-Me, Isabella. Está desejando. Os dois desejamos.

Estava falando contra seus lábios e ela os separou involuntariamente. Suas mãos se aferraram à cintura masculina, enquanto algo em seu interior palpitava com desejo, com ânsia.

— Já basta. — Deu um passo para trás, mas ele a atraiu para si.

Antes que Isabella pudesse reagir, antes que pudesse escapar, alagou-a uma quebra de onda de prazer.

Os lábios do Matt pousaram sobre os seus, cobrindo-os e separando-os até que ela se sentiu perdida. O beijo fez com que vibrasse em lugares que não sabia que pudessem vibrar e sentiu-se invadida por uma força escura, dominante e possessiva.

Ao cabo de alguns segundos, Matt a empurrou contra a porta, elevou-a para seu corpo e introduziu-lhe a língua na boca enquanto Isabella ouvia seu próprio grito, mescla de medo e um entristecedor prazer.

— Isto é o que quer. — Acusou-a levantando a cabeça de repente, com a luxúria flamejando em seus olhos e fazendo com que o sangue ardesse nas veias dela. — Quer isto, Isabella. Assim, quente e descontrolado. Tome cuidado, carinho, tenha muito cuidado, ou pode ser que o consiga antes que esteja preparada para isso.

O olhar de Isabella cravou-se no dele com surpresa. O prazer a atravessava; o escuro poder daquele beijo dominante tinha despertado algo que ela não queria admitir. Algo para o qual não estava preparada.

Afastou-se lentamente.

— Diga a Tom que o verei na hora de fechar.

— Foge? — Grunhiu ele quando ela se virou, encaminhando-se para a porta que dava ao estacionamento.

Isabella voltou-se para ele e o percorreu com o olhar, vendo o grosso vulto nas calças, a voracidade que brilhava em seus olhos.

— Mantenha-se afastado de mim, Matt. — Disse em tom sombrio. — Não necessito de você. Não o desejo. Tudo o que quero é que vá embora.

Mentiras. Não eram mais que mentiras, o que ela dizia, e ela as reconheceu, enquanto saía do escritório e percorria quase correndo a distância entre a oficina e a casa da colina. A casa que tinha compartilhado com o único homem capaz de fazer o que acabava de fazer Matt. O único homem que tinha despertado um desejo que ela não podia controlar, que não podia combater. Se não se afastasse dele já, Isabella sabia que se exporia de novo à dor e à perda. Matt não era dos que ficavam. Não era dos que amavam para sempre. Não era seu marido.

Notas Finais:

Olá.

Aqui está mais um capítulo, espero que gostem.

Comentem, beijos.