"Li Shaoran é uma pessoa bem reservada, bastante sério. A informação que obtive de minha chefa, confere toda. Não sei por onde começar... Não sei mesmo.

Tentei obter algo do Mordomo dele, chamado Wei, (ainda não sei seu segundo nome), mas ele contou uma historia totalmente diferente da real.

Disse-me que ele machucou a perna esquerda por esquiar na neve. Não é verdade!

Hoje pesquisei, na Biblioteca de Tomoeda, e achei alguns livros de medicina sobre algumas lesões:

Lesão de grau um é leve: Numa perna reduz a velocidade em 10% e em meio grau tanto as demais habilidades da perna ferida quanto à da outra (como chutar), a menos que o personagem use com sucesso algum recurso ou a habilidade de dominar a dor.

Uma lesão de grau dois já é séria: Na perna, reduz a velocidade em 20%, reduz a maioria das habilidades e danos que dependem da perna ferida em 10% e reduz as que dependerem basicamente da outra perna (como chutar) em meio grau.

Uma lesão de grau dois e meio: é como a anterior, no entanto reduz a velocidade em 60% e reduz em 20% a habilidade para chutar com a perna ferida e o dano que pode causar e impede que o personagem se apóie nela (não pode, portanto, chutar com a outra ou correr).

Uma lesão de grau três é grave: Uma lesão desse grau na perna o inutiliza completamente até ser curada.

Não faço a mínima idéia, de qual seja o caso de Shaoran... Há outros graus, de acordo com este livro, mas são muitos sérios, que acredito não ser o caso dele.

Tenho muita coisa para fazer, apesar de já está em um caminho meio andado, não sei ainda o porquê de ele não ter seguido o tratamento e ter se isolado.

Confesso que não queria saber do jeito que irei descobrir.

Tenho medo das conseqüências...".

"Já vou Touya-chan!". Sakura levantava-se da cadeira de sua escrivaninha, deixando a caneta e bloco de anotações lá em cima, calçava suas pantufas e ajeitava o rabo de cavalo.

Kero, até então, deitado em sua cama, levantou a cabeça, dando um grande bocejo, mas logo se deitou de bruço. Tinha comido muito, sua barriga o denunciava.

Fechou a porta com cuidado, e continuava a ajeitar o cabelo, fios insistentes, que não queriam ficar presos. Seus cabelos continuavam na mesma altura de seus ombros, sua franja continuava a mesma. Ela só havia crescido, ganhado feições de mulher, mas a Sakura de 12 anos, persistia em ficar.

"Oi!". Ela descia as escadas e viu seu irmão com cara de poucos amigos.

"A louça está do mesmo jeito que saí e que cheguei".

"Aiaiaiaiai! Estava ocupada com outras coisas me desculpa!". Disse dando língua.

Touya foi andando até a lousa que repartia os afazeres da casa, desde pequena Sakura convivia com isto.

Ele apontou sutilmente: "Monstrenga: Lavar louça e a roupa".

"Aiaiaiai" - Bufando e com a voz alterada disse – "Antes era o meu nome que devia está escrito ali! E quantas vezes irei falar que NÃO SOU MONSTRENGA!". Sakura gritou tão alto, que pareceu que a casa tinha saído do lugar.

Touya incrédulo tirou as mãos dos ouvidos e pegou o paletó que havia colocado na cadeira, foi em direção as escadas, mas antes:

"Quem organizava antes, era o papai, então ELE escrevia SEU nome..."- Com um meio sorriso, continuou – "Como não é monstrenga gritando desse jeito?" -Touya voltou e disse- "Ah! Darei aulas daqui a pouco, se for sair leve a outra chave". Deu língua e subiu.

Sakura fechou o punho com força, e ficou resmungando, logo olhou para o relógio de parede e lembrou-se que teria de devolver o livro na Biblioteca, antes de ir para a aula. Mas primeiro, os afazeres da casa a chamavam.


Biblioteca de Tomoeda- 14:35 –

"Muito obrigada senhorita". Disse a idosa senhora, detrás do balcão recebendo os dois livros que Sakura havia pegado -"Não gostaria de ficar com alguns novamente? Chegaram alguns novos, gosta da historia de dinastias?".

"Dinastias? Li apenas os períodos Edo, Meiji, Muromachi do Japão...".

"Hum... Então porque não lê sobre alguns das Dinastias da china? Chegaram todas hoje, Dinastias Chang, Hia, Théu, Li...". Sakura sorria para a velha senhora.

"Não obrigada, é que pretendo pegar outros livros amanhã, e também preciso ir" – Sakura fez as reverencias – "Até logo".

A senhora fez o mesmo, e a viu indo em direção a grande porta da biblioteca.

Naquela tarde, a biblioteca estava cheia de crianças com seus pais, muitos estudantes e senhores. Fazia anos que tinha indo ali, a última vez que foi, ainda era pequena.

"Desculpa senhora!". Disse uma menina que havia se chocado de leve com ela.

Sakura apenas sorriu, mas nem teve tempo de dizer algo, já que a criança correu para fora da Biblioteca, mas deixou um livro para trás.

Sakura olhou para a porta e a perdeu de vista. Olhou o livro, novamente, e baixou para pegá-lo.

"Os Três Porquinhos". Sakura já ereta voltou ao balcão, viu a senhora recebendo um livro, e esperou a sua vez. Ao acabar de atender, a senhora lhe chamou.

"Uma menininha deixou cair isto". Disse lhe mostrando o livro, a velha senhora pegou da mão de Sakura, balançando a cabeça negativamente.

"Essas crianças, de hoje em dia, são muito descuidadas". O livro que havia sido deixado lá, antes de Sakura se aproximar, estava bem na beirada do largo balcão de mármore, e por um descuido da velha senhora, este, caiu no chão.

"Pegue para mim, por favor.". Sakura gentilmente se curvou para pegá-lo e aproveitou para ler o titulo:

"A Dinastia Li". O livro de cor preta possuía uma capa grossa, sendo bem volumoso.

Ela não havia assimilado uma coisa com a outra, provando que apesar dos anos, continuava ainda muito distraída.

"Com certeza este é um dos livros que acabou de chegar, sim?". Perguntou a mesma ainda com ele em sua mão. Olhava atenciosamente para a capa, reparando em seus detalhes, muito bem feitos por sinal.

Havia uma lua cheia, muito clara, e uma pessoa em pé e de costas, olhando para lua em cima de um monte. Segurava com a mão direita uma espada, e com a outra, uma bandeira suja de sangue, que como os seus cabelos balançavam para uma única direção. A pessoa é um homem, apenas usava a parte de baixo de uma armadura chinesa, suas costas estavam nuas.

"Sim, sim...". Disse a senhora estendendo a mão para pegá-lo, o que fez Sakura acordar e sorrir sem jeito a devolvendo.

Sakura despediu-se outra vez, e foi andando novamente, tinha que ir para aula de culinária. E dessa vez estava decidida a conseguir alguma coisa.

Não poderia fingir e não conseguir nada ao mesmo tempo, Mizuki estava contando com ela, e sabia muito bem que isso era um trabalho, e que ele deveria ser feito.

"Mas para isso tenho que começar...". Certa decepção surgiu em seus olhos, e os desviou para o pulso, vendo o mesmo relógio que Yukito havia lhe dando á muito tempo. Tinha encontrado naquela mesma tarde, lhe colocando bateria nova.

Guardou com muito carinho, apesar do quanto foi difícil o termino com Yukito, nunca teve vontade de se desfazer de nada do que havia ganhado dele, pois, tudo lhe proporcionou um sorriso.

Era exatamente 14h36min, Sakura acelerou seus passos, não queria atrasar nenhum minuto.

Na verdade não queria mesmo, ganhar sermão de pontualidade de Li Shaoran.

"Aiiiiii como ele me irritaaa!". Franziu a testa, mas parou de andar- "Espera... O nome é Li Shaoran" - Em seus pensamentos, Sakura, ligava uma coisa com a outra – "Shaoran Li... Sobrenome Li... Dinastia Li".

"NANI?!". Sakura se assustou ao finalmente perceber, o que poucos minutos antes, deixava escapar, o que poderia ser de algum modo, de grande ajuda (ou não) para ela.

Sakura virou seu corpo bruscamente e desta vez, seus passos em direção a Balconista eram rápidos.


"Fujitaka-chan? Que milagre está em casa à hora dessas?". Sonomi, confortavelmente vestida, usava um vestido com girassóis bordados nele, estava na sala de vídeo, sentada, usando pantufas. Fez a pergunta quando escutou a porta sendo aberta, e o viu entrando.

"Quem deveria falar isto só eu, Sonomi-chan..." - Caminhava até ela, sorridente, a sala era iluminada somente pela a TV LCD tela plana, com a imagem de Tomoyo frisada – "Fiquei surpreso quando Michiru, disse-me que você estava em casa, chegou cedo por quê?".

Sonomi retribuía o sorriso, e logo Fujitaka chegou até ela lhe dando um beijo na testa. O que fez Sonomi virar o rosto e ficar brava.

Fujitaka apenas sorriu, levou a mão até o queixo de Sonomi e virando seu rosto delicadamente, lhe beijou, o que a fez corar subitamente.

"Estava cansada e resolvi dá um descanso. Só irei trabalhar amanhã, estava precisando relaxar". Disse ainda corada, olhando para o lado oposto de Fujitaka.

Apesar de casada com Fujitaka, Sonomi ainda se comportava como se fosse sua namorada.

"Estava vendo o que sobre Tomoyo-chan?". Sonomi virou o rosto e lembrou-se do que estava assistindo, apertando Play.

"É apresentação que ela fez no Festival do Cravo!". Disse olhando para a filha que a encantava.

"Ah sim, que depois você me emprestou para assistir em casa".

"Sim! Você além de chegar atrasado, trouxe aquela irritante maquina fotográfica!" - Sonomi se aconchegou ao lado de Fujitaka, ficando deitada em seu peito e sorria, estava tão feliz, mas antes de decidir aquela felicidade, havia relutado muito- "Foi naquele dia, que percebi que gostava de você". Fujitaka beijou sua testa.

Estava feliz, não fazia a mínima idéia de que encontraria a felicidade, ao lado da mulher que sempre o odiou por ter se casado com sua prima, Nadeshiko.

Ele a envolveu com o braço, e com a outra mão, encaixou sua mão na dela.

"Sinto falta de Sakura-chan... Quase não vem nós ver depois que chegou". Sonomi abriu os olhos e percebeu a voz triste do marido, se aconchegou e com os olhos abertos, disse:

"Você também não para em casa. Sempre ocupado. Como quer que Sakura-chan venha nos visitar?"- Ela fazia carinhos no peito do marido, que ainda tinha a mesma expressão e nada disse. Sonomi saiu de seus braços e ficou com sua boca perto da dele. Fujitaka tirou seus olhos da apresentação de Tomoyo, e olhou para ela curioso - "Que tal, nos mesmos fazermos uma visitinha a ela? Assim, aproveitamos para ver como está Touya-chan, que apenas nos liga... E também podemos trazer mais fotos de Nadeshiko!".

Sorrindo Sonomi, viu o sorriso em seu marido, que fez um sim com a cabeça. Ela ia voltar a deitar em seu peito, mas ele a impediu.

"Realmente, amo você"– Fujitaka segurou seu rosto apenas com uma mão, ela corada, ficou surpresa. O marido ás vezes á surpreendia com declarações do nada – "E agradeço tanto a ela, por ter nos juntado". Dizendo isto, ele a beijou.

Era um beijo carinhoso, romântico que ia sendo cada vez mais aprofundado, Sonomi podia sentir só com aquele beijo, as palavras que ele acabara de lhe dizer.

Fujitaka parou de beijá-la, mesmo com a vontade de fazer aquilo eternamente, lhe deu um selinho, levantou-se, deixando Sonomi confusa.

"Vêm, quero amar você...". O tom de sua voz foi sensual e doce, ao mesmo tempo, estendia a mão para ela, que ficou vermelha.

Ela olhou para a tela, e pegou o controle remoto, desligando, e quando fez isso, duas luzes por cima da tela, foram ligadas, não muito fortes.

Ela pegou a mão de seu marido, e o deixou a guiar. Foram para fora da sala de vídeo. E quando a porta foi fechada, as luzes se apagaram.


Escola Tomoeda 14:46

"Gome ne Sensei! Não consigo fazer isto... É muito difícil...".A garota de franja e cabelos castanhos escuros curtos, que iam até a nuca, abaixou a cabeça desapontada. Tinha uma feição triste e um olhar perdido para o piano.

"Repetindo isso de novo..." - O homem, de costas para ela, olhava pela janela e sua feição era de extrema irritação – "Se quer mesmo aprender, não gaste o seu tempo reclamando, tente!". Ainda triste, decidiu tocar mais uma vez, e errou a nota Si seguida de Fá. -"Qual é o problema Nakagaws? Estamos nisso, mais de meia hora!".

Touya se virou extremamente irritado. Ela tomou um susto e se encolheu não vendo o professor se aproximar dela – "É nisso que dá você perde seu tempo reclamando e não se esforçando mais e mais".

"Mas eu..."- Ela engoliu seco e com a cabeça baixa, continuou- "Eu... Eu tenho ensaiando em casa...".

"Não é o que parece! Talvez você pense que ensaiar apenas meia hora por dia, vai ajudar você! Pois eu digo, não ajuda!". Touya estava tão irritado, que não percebia que seu tom de voz estava alterado, tudo o que pode escutar, da tímida aluna foi um simples:

"Gome ne sensei...". Ficaram em silencio, alguns segundos.

Touya respirou fundo, depois de constatar que tinha exagerado. Talvez estivesse descontando sua frustração, em Nakagaws.

É, estava descontando nela.

Kaho era o motivo de tanta irritação. Não conseguia entender o seu "Não".

"Nakagaws..."- Touya que estava escorado no piano de braços cruzados, a chamou com uma voz mais calma. Ela levantou a cabeça lentamente, e ficou surpresa com o sorriso tímido de Touya -"Desculpe-me está bem? Exagerei um pouco "- Touya suspirou e levou sua mão esquerda ao seu cabelo –" Na verdade, exagerei muito, não foi minha intenção lhe deixar assim". Touya a olhou novamente, e cruzou os braços.

Ela escutava tudo muito surpresa, mas deu um sorriso tímido, o mesmo de Touya.

"Tudo bem, Sensei... Mas o senhor tem razão em brigar comigo...". Touya saiu de onde estava e ficou quase de joelhos ao lado de sua aluna corada pela aproximação dele.

"Não é verdade, só está muito distraída hoje" - Touya pode ver o olhar triste dela, olhando para o lado – "É a minha melhor aluna, vamos, não desanime". Touya colocou a mão no ombro dela, o que a fez tomar um susto e ficar ainda mais vermelha.

Sorrindo Touya levou o dedo na ponta do nariz dela, em um movimento rápido- "Vamos continuar, só lhe peço atenção!". A menina robótica balançou a cabeça rapidamente e se voltou para o piano, estava vermelha e feliz.

Ele voltou para a janela, e pode acompanhar a melodia que soava com mais personalidade e alma. Fechou os olhos e tudo o que pode pensar, foi em Kaho.

Não conseguia tirá-la de sua cabeça, sua voz lhe dizendo o contrário do que ele queria, o deixou frustrado e triste. Olhou para trás e viu sua aluna concentrada. E isso o fez sorrir.

"Kaho...". O vento balançava seus cabelos. A aluna tocava, ao mesmo tempo em que o via olhando pela a janela, para o pátio do colégio. Ele tinha o olhar fixo para a fonte do pátio.

Flashback

"Às vezes você me surpreende Touya-chan". Disse o rapaz que depois de escutar o amigo, disse, ao mesmo tempo em que jogava pedrinhas na fonte – "Se você a ama tanto assim, peça ela em casamento".

O mesmo parou e ajeitou os óculos se sentando ao lado do amigo, que de braços cruzados, tinha no rosto, uma feição seria.

"Como vou pedir ela em casamento, se ainda estou no colegial Yukito?" - Touya deu tapinha de leve na cabeça do amigo, que levou a mão até a cabeça. – "Kaho não vai querer viver com um pirralho igual a mim, e eu não ia querer ser sustentado por ela".

"Se vocês se amam, isso tudo é besteira". Yukito foi encarado pelo amigo, que virou o rosto e começou a jogar pedrinhas na fonte –"Touya-chan, lute por ela".

"E o que exatamente você quer que eu faça?". Touya continuava a jogar as pedrinhas que minutos atrás, era seu amigo quem jogava. Yukito colocou a mão em seu ombro e disse:

"A questão não é o que eu quero que você faça. Mas sim, o que você quer fazer".

Touya parou de jogar e olhou o amigo. Escutaram o sinal de seu colégio, virou-se soltando as pedrinhas, colocando as mãos nos bolsos.

"Vamos, temos que voltar para o colégio". Yukito com uma expressão preocupada, seguiu Touya.

"Hei vocês dois!" - Um senhor vestindo uniforme, os repreendeu, fazendo os dois se virarem – "O que pensam que estão fazendo aqui? O colégio de vocês é do outro lado! Vocês não podem ficar aqui! Digam-me os nomes de vocês, o diretor vai saber disto!".

"Hei Touyaaa vamos correr!". Disse Yukito já se aquecendo, corria, mas não saia do lugar, arrancando o sorriso de Touya, que assentiu com a cabeça.

Fim Flashback

"Que vento bom". Touya despertou dos pensamentos, vendo Nakagaws, ao seu lado, que sentia o vento, abrindo os olhos sorrindo, continuou – "Como o mundo e as pequenas coisas que fazem parte dele, são bonitas!".

Touya ficou com uma expressão séria no lugar da expressão serena, que havia tido em seu rosto. Ele olhou o céu e falou o que uma vez, Mizuki tinha lhe falado.

"O mundo é bonito? Como pode ser belo, se nele existem tantas coisas feias?". Sua aluna o fitou rapidamente, vendo sua expressão.

Estava pensativo novamente, a deixando curiosa: "O que será que ele tanto pensa?".

"Touya me desculpa, mas não posso. Tenho muitas coisas para fazer aqui, que não podem ficar pendentes. Não sei se agora é o momento de tentar entrelaçarmos nossas vidas..."- A voz doce dela ecoava em sua cabeça -"A minha vida sempre será sua, você comigo ou não... Kaho-chan".


"Hum... Cadê todo mundo?". Sakura bateu na porta, mas ninguém veio abri-la, levou a mão até a maçaneta, e a abriu, pensou se entraria ou não, mas estava na hora da aula. E decidiu entrar.

Foi andando até a sala de estar, não ouvindo um ruído sequer. Nem mesmo Wei veio até ela, que por sinal, não estava em casa.

Sakura tirou a boina preta a segurando com as duas mãos, olhou para o seu relógio de pulso e viu que não estava atrasada, tinha chegado cedo. Avistou o sofá e resolveu sentar nele, decidida a esperar por alguém.

Sakura vestia um vestido rodado no quadril, de cor cinza, com bordados pretos no final dele e no busto. Sentada com os joelhos encostados entre si, e com os pés opostos, não hesitava em olhar os portas retratos da casa de Shaoran.

Num estralo, lembrou-se do livro que guardava na bolsa de crochê, que estava ao seu lado, e decidiu lê-lo, guardou a boina na bolsa e o pegou.

Abrindo, viu duas iniciais bem grandes na primeira pagina.

"R.C" e o titulo escrito em Chinês. Já na segunda pagina, havia o Índice composto por oito capítulos. Sakura folheou e resolveu ler o Prefácio, enquanto esperava por alguma alma viva.

"A historia desta dinastia cresceu conforme o seu devido merecimento, e quis contribuir com isto para minha própria satisfação, mas sempre com a esperança de que este meu trabalho interessasse outras pessoas.

Resolvi escrevê-la por dois motivos; o primeiro ver e ler como foi escrito a Dinastia Chang. Sinceramente, não gostei. Faltou complementos e ordem em todo o livro, ninguém está interessado somente em datas, mas sim, o porquê de elas terem sido citadas. Outro motivo, é que tive a oportunidade de conhecer a dinastia Li de perto. Sim meu caro eleitor ou eleitora, sei de segredos da família Li, mas ainda não sei se os colocarei aqui, pensarei no assunto enquanto escrevo.

Mas para que não (perdão da palavra) morram de curiosidade, e descubra os outros segredos (Se os colocar), digo um; os homens da família Li sabiam cozinhar divinamente. Tiveram que aprender, difícil de imaginar. Mas o porquê, explicarei em outra pagina deste livro. Só não "direi" qual [...]"

"Mas o que você está fazendo aqui?!". Sakura parou de ler, e pôde reconhecer a voz, recuperando-se do susto, fechou o livro e cruzou seu olhar com o dele.

"Mas que pergunta é essa? Errar de casa, não errei, vejo o professor mais perfeito do mundo...". Disse com tom de desdém, chegou a hora de enfrentá-lo.

Shaoran lhe deu um de seus famosos olhares fulminantes. Ele estava na cadeira de rodas elétrica, e a acionou, saindo do médio corredor que havia, entre a porta de entrada e o escritório.

A casa de Shaoran era pequena por fora, mas grande por dentro, sendo de dois andares. As paredes em geral eram amarelas, apenas na cozinha elas eram brancas. Os móveis de marfim davam um ar de simplicidade a casa. Havia três quadros que Shaoran havia comprado, agora, o resto das coisas foi mobiliado por Wei.

"Então você não estava em casa..." - Shaoran que por uma descida de sua casa, (feita especialmente para ele) pôde chegar perto da sala, com expressão séria de sempre, continuou – "Pedi que Wei ligasse para todos os alunos e avisasse que hoje não daria aula, mas pelo o visto você foi à única que não soube a tempo". Sakura levantada "coçou" a cabeça e deu um meio sorriso.

"Bem... Nesse caso vou indo". Ela se virou com o intuito de pega a bolsa e o livro... Mas...

"Espera aí Kinomoto Sakura! Você já está começando bem, o enfrentando! Esta é sua chance de descobrir algo mais sobre Li Shaoran... Não pode desperdiçar essa chance!"- Concluindo seu pensamento, virou-se com o sorriso no rosto, colocando as mãos para trás– "Posso saber o motivo por não dá aulas hoje?". Shaoran ao ouvir a temida pergunta, engoliu seco.

"Errr... Bem... É que tenho uma visita". Disse suspirando inconformado.

"E onde está? Não vejo ninguém... Senhor Li, por acaso está mentindooo? Que coisa feia!" - Sakura inclinada, para frente, balançava o dedo indicador na direção dele, tendo o olho direito fechado. Ele ia abrir a boca, mas Sakura foi mais rápida- "Mas tudo bem! Deixo essa passar me ajudar com uma receita!"- Shaoran com cara de poucos amigos, ia falar, mas pela segunda vez, bem sucedida, ela não permitiu- "Então vamos!". Guardou o livro na bolsa e foi andando em direção a ele, ficando atrás do mesmo.

Colocou as mãos na cadeira de rodas, o levando para a cozinha, e ele com os braços cruzados, balançava a cabeça negativamente, ela sorria, mas na verdade era um sorriso nervoso. Passando pelo vasto corredor, chegaram a cozinha.

"Que cozinha mais limpa! Me diz, você quem é organizado assim ou é Wei?". Perguntou ainda segurando a cadeira de roda, olhando para todos os cantos da cozinha, que brilhavam.

"Você não está vendo que não tenho capacidade de andar por aí e organizar tudo? Ou acha que é meu hobby andar de cadeira de rodas ou usar muletas?". Sakura tomou um susto pelas as palavras secas de Shaoran e deu dois passos para trás.

"Gome ne, não quis ofender...". Disse com o olhar baixo e se sentindo mal.

Shaoran sem dizer nada, acionou a cadeira para andar mais á frente. O que mais o incomodou era o fato de Sakura ter o conduzido. Ele não gostava disso, nem mesmo Wei havia tocado na cadeira. Não havia se dado conta disso, até que Sakura parou.

Ela continuava parada, ainda com o mesmo sentimento de culpa. Não era sua intenção magoá-lo, na verdade nem queria passar perto disto.

"É difícil, organizar tudo nesse estado"- Sakura levantou a cabeça e o olhou – "Como você viu, não tenho problemas com as duas pernas, mas a dor desta esquerda, não me permite fazer movimentos repetidos. Apesar disso, não me arrependo das escolhas, que um dia fiz, e nem das que relutei a querer".

"Desculpa-me, não quis ofender você. As escolhas que fazemos na vida, sempre são 50%, não é mesmo?". Sakura deu passos leve até um enorme balcão.

Shaoran ouvindo a pergunta percebeu que estava falando demais, estranhamente, não queria parar. Não conversava com alguém sobre o que sentia á anos, a pena que poderiam sentir, seria a gota d'água, e ele é orgulhoso demais para isso.

"Sim, mas tento lembrar os 50%, esquecendo da sua outra metade. A que me fez feliz.". Shaoran tinha um sorriso em seu rosto, o que impressionou Sakura, que não pôde tirar os olhos.

"A felicidade é o melhor caminho". Sakura continuava o olhando, estava perdida em seu sorriso e só saiu dele, quando ele se desfez.

"Quando a vida se torna injusta, felicidade se torna pequenos momentos. Se não é pra ser, mas como antes, não dou a mínima". Ela não entendeu o que ele quis dizer, ficou o olhando e ele também, perdido nos olhos verdes.

Os dois não sabiam o que dizer, Sakura mordia o lábio inferior, e Shaoran ficou louco ao ver aquilo. Ela tinha lhe roubado a atenção, desde o primeiro desentendimento entre eles.

O jeito que ela retrucava, de como ficava raiva... Fazia-lhe, estranhamente, bem.

"Xiaolang!". O momento foi cortado por uma voz estridente, feminina, vindo da sala.

Shaoran suspirou inconformado.

"Quem é?". Ele nem teve tempo de responder, em questão de segundos, a garota estava agarrada em seu pescoço.

"Xiaolang! Já estava com saudades!". A mulher de cabelos pretos compridos soltos, e com uma franja até as sobrancelhas, esfregava sua bochecha na de Shaoran, e ele não estava a vontade com aquilo.

Sakura olhava incrédula, não sabia que Shaoran tinha uma irmã, e nem entendia o que ela dizia, achava que era mandarim.

Sua atenção foi voltada para a chegada de Wei, que trazia consigo sacolas de compra, assim que a viu, sorriu.

"Senhoria Sakura, como está?". Sakura retribui o sorriso e fez as reverências.

"Quem é ela Xiaolang?". A garota lhe lançou o olhar fuzilador, que a incomodou. Sakura com seu sorriso foi ficando sem graça.

"Olá, me chamo Kinomoto Sakura, sou umas das alunas de Li, prazer". Ao ouvir aquilo saiu do pescoço dele, ficando parada em frente à Sakura. Sem simpatia alguma, cruzou os braços cruzados, dizendo:

"Senhor Li para você, nada de Li". Virou o rosto e surgiram gotas nos três.

"É sua irmã?". Perguntou Sakura, mas antes que ele pudesse falar, foi interrompido por uma risada escandalosa.

"Ha ha ha ha... Chamo-me Meilin Li, a noiva de Xiaolang!". Wei guardava as compras na geladeira sorrindo, Shaoran levou a mão ao rosto, balançando a cabeça negativamente, Sakura permanecia feito uma estatua.

A "vilã" continuava dando risadas fatais...


Continua...


Oi pra todos!Desculpa demora...Semana que passou muito triste pra mim...Perdi duas coisas muito importantes pra mim, a mais recente que ainda dói, é meu coelho Blankão... sem vontade de entrar na net, e escrever...Sem animo pra com ajuda e carinho, to aqui..

Sei que, meu cachorro lindo e meu coelho, tão sendo bem cuidados pela minha irmã.Tenho certeza.

Ano de 2006...Deveria ter começado direito pra não se pode desistir né?

Michael e Blankão pra sempre:).

Gostaram da historiaa?Espero q esse capitulo tenha sido mais empolgante ou algo do pelos comentários foveramente!Obrigada mesmo.

Nova historia a caminho: Kisu'S. Esse é o titulo, conta a historia de quatro rapazes e uma garota, que juntos são a sensação do Rock e baladas româ, é sobre uma que gostem.(Não se já fizeram por aqui, não to plagiando!)

Bem é isso!Um feliz ano novo hiper atrasado, que tudo tenha/esteja/dê certo pra todo mundo!Se não der, paciência!

Minha outra historia, vou continuar...Só penso um tempo, tentei escrever, mas fiquei muito emocionada por causa do meu coelhinho...;/.

Bjo pra todo mundo!

Michael e Blankão pra sempre:).

Qualquer erro é só avisar...Té.