Disclaimer: Nenhuma personagem, feitiço, lugar, etc. que reconheçam me pertence. São todos pertencentes a J.K. Rowling.

Capítulo Sete

Algum Tempo Depois

Mais uma vez ela encontrava-se em frente ao espelho, mas desta vez não sorria. Fazia muito tempo que ela não sabia fazer isso, era como se tivesse se esquecido de como se sorria ou do que significava um sorriso. Era o dia do seu casamento, o segundo da vida dela, mas seria seu primeiro matrimónio. Sempre que se lembrava do maldito dia em que tinha sido abandonada no altar, sentia-se afundar um pouco mais naquela escuridão que preenchia o seu espírito. Aquele grito que a sufocava a toda a hora não iria embora tão cedo. Sua vontade era morrer. Mas havia uma vida dentro de si que a mantinha viva. Se não estivesse grávida, já teria se suicidado. Sentia-se tão vazia que quase nada valia a pena. Os dias passavam demasiado devagar, as horas pareciam estacionadas e aquela solidão desoladora engolia-a cada vez mais. E, por mais que tentasse, não conseguia deixar de olhar para a porta, esperar que Draco entrasse com aquele sorriso arrebatador e a beijasse. Mas ele nunca vinha e era como se a tivesse abandonado mais uma vez.

Foi até a janela. Desta vez não havia muita gente no jardim: familiares, amigos mais próximos e, claro, o seu futuro marido já esperava por ela.

Alguém bateu na porta e Ginny virou-se para ver quem entrava.

Bill sorriu-lhe. Era um sorriso reconfortante, mas triste.

-Continuo a achar que não devias casar.

Libertou um suspiro. Não tinha forças para discutir aquilo com Bill, mas não iria desistir de casar com Colin.

-Vocês não se amam...- continuou Bill.

-Mas gostamos um do outro e respeitamo-nos. O Colin será um óptimo pai... Se não fosse ele, não sei onde estaria agora!

-Vocês vão prender as vossas vidas para quê?

-Para o bem do meu filho ou filha. Esta criança precisa de um pai!

-Mas não precisas casar. O próprio Colin disse que não quer que a criança tenha o sobrenome dele porque ele não é o verdadeiro pai...

-Sabes perfeitamente que este casamento é para abafar comentários. Eu não quero ser a mãe solteira, sem emprego e que vive a custa dos pais. Colin prometeu que me ajudava. Eu só estou fazendo o que acho certo. Por favor, não me julgues...- disse, sentindo as lágrimas nos olhos. Andava tão fraca, tão morta por dentro...

-Desculpa. Só quero o teu bem.- Bill murmurou, abraçando a irmã.

-Então apoia-me, deixa-me tentar viver.

Bill não disse nada e continuou abraçando-a.

-Estão todos te esperando!- a voz de Ron veio da porta. Bill e Ginny afastaram-se.

-Já vou.- murmurou, tentando ainda controlar as lágrimas. Não gostava de ainda ser afectada daquela maneira por uma coisa que havia acontecido fazia mais de um mês. Mas o que era um mês afinal comparado com dois anos inteiros? O que era um mês, afinal, quando havia passado todos os segundos, de todos os minutos, de todas as horas, de todos os dias daquele mês esperando que Draco entrasse pela porta da sua casa e apagasse aquela dor que corroia o seu ser, transformando-a num cadáver ambulante? O que era um mês quando ela ainda conseguia sentir o cheiro dele no ar, quando a voz dele ainda ecoava por todo o lado, quando ela ainda tinha o rastro do seu toque na sua pele, quando a imagem de Draco ainda era tão presente como se tivesse acabado de sair? O que era aquele tempo se ela ainda se recordava dele como se ele estivesse ali, ao seu lado?

-Espero que sejas feliz, Gin!- Bill disse, virando-se para sair.

-Claro que vai ser feliz! Vai casar com um homem decente e não com um canalha que teve o descaramento de fugir sem deixar nem um bilhete!- Ron resmungou.

Ginny sentiu seu coração se apertar e não conseguiu conter mais uma lágrima, que fugiu pelo canto do olho. Ela estava tão imersa na sua própria dor que nem se perguntou como Ron sabia que Draco não havia deixado um bilhete. Ela não comentara com ninguém aquele assunto além de Bill e Colin.

-Cala-te, Ron!- Bill disse duramente. Ron conseguia ser muito inconveniente às vezes.

Ginny limpou rapidamente a lágrima e esboçou um sorriso que não se parecia nada com o que deveria ser. Não era um sorriso, eram apenas rugas de dor em torno dos lábios. Parecia que usava uma máscara de porcelana, uma mentira que deveria parecer contente, mas apenas mostrava amargura. Ela não se importou. Só queria se casar de uma vez e poder voltar a se trancar num quarto.

-Vamos?- Bill perguntou. Ginny acenou e deu-lhe o braço. Caminharam até ao jardim, e percorreram o tapete branco até ao pé de Colin, que sorriu para Ginny. Não mudou a expressão teatral que tinha.

Ginny sentia como se estivesse assistindo a um filme. Como se não estivesse integrada naquela acção. Como se as pessoas que a rodeavam fossem actores e Ginny apenas estivesse assistindo. Nada lhe parecia real. As palavras do Juiz chegavam-lhe á cabeça muito distantes. Não conseguia sentir Colin lhe agarrando na mão. Não era real, não podia ser real.

Toda a cerimónia passou como se fosse um sonho. Um sonho muito rápido e tonto. Aquela não parecia ser a vida dela. Quando o padre perguntou se aceitava casar com Colin, ela respondeu como uma automata:

-Sim!

Depois da cerimónia, depois de ter a aliança no dedo e de beijar Colin na cara, ela fugiu para o quarto. Alguns ficaram surpreendidos, mas Bill apenas sentiu que a sua irmã iria se arrepender do que havia feito. A ruiva conseguira fingir que se havia apaixonado por Colin muito bem. Nem os seus pais duvidavam, mas ele conhecia-a melhor do que qualquer outra pessoa e sabia que Ginny estava pior do que nunca. Charlie também parecia ter percebido que algo estava errado, mas nunca tivera a cumplicidade que Bill tinha com a Weasley mais nova. Os restantes queriam tanto esquecer a existência de Draco Malfoy que nem notaram que era tudo fachada.

Colin também desapareceu. Bill sabia que ele tinha ido tentar confortar Ginny. O facto dos noivos não estarem presentes na pequena comemoração fez com que as pessoas pensassem que já tinham ido em Lua-De-Mel.

Ginny atirou-se na cama e chorou até não poder mais. Não estava arrependida por ter casado com Colin, apenas estava sentindo uma agonia ainda maior do que experimentara nos últimos dias. Agora que tudo passara, que ela já estava casada com Colin, a realidade embatia com toda a frieza e dureza que tinha. Não estava casada com Draco, não estava grávida do seu marido e não amava o homem que iria ser pai adoptivo dos seus filhos. Nada estava certo na sua vida, nem ela mesma estava correcta. Não era suposto uma pessoa ser capaz de sofrer tanto e não morrer de dor! Ela devia morrer, assim acabava com aquela dor de uma vez... Não! Tinha que viver. Não podia ser egoísta, tinha uma criança em que pensar. Mas nos momentos que estamos tristes, sozinhos, quando a solidão nos engole, apodera-se de nós um sentimento de egoismo, uma sensação de que não existe mais nada no mundo senão um silencio agonizante preenchendo nosso corpo. É como se não conseguíssemos ver mais além da nossa dor, como se aquela única ferida reunisse toda nossa atenção nela. É como se fosse preciso concentrarmos todas as nossas forças naquela dor para que começasse a cicatrizar. E depois passamos nós mesmos a ser a solidão e a mágoa. E a depressão é tudo o que nos resta.

Mas não podia se render, não podia deixar de tentar fugir daquele buraco negro que a cada dia a engolia mais.

Uma mão acariciou-lhe os cabelos. Nem abriu os olhos para ver quem era. Não importava. Podiam estar todas as pessoas da Europa ali que ela continuaria se sentindo sozinha, pois só havia uma pessoa capaz de fazê-la para de chorar, e era essa mesma pessoa que a fazia derramar lágrimas carregadas de dor todos os dias.

-Um dia vai passar, Ginny! Um dia vai passar...

Ela sabia que um dia passaria, mas enquanto não passava, ia se destruindo. Toda a força e determinação que um dia fizeram parte de Ginny Weasley tinham sido levadas com Draco Malfoy. Por dentro, a verdadeira Ginny Weasley estava morrendo.

Mas, um dia, passaria. Um dia, ela nasceria de novo e voltaria a viver. Um dia, teria uma nova chance.Uma nova chance para ser feliz. Um dia...

Continua...

Continuação: Uma Nova Chance

N/A: Capítulo muito pequeno mas é que ficou por aqui mesmo. Eu disse que seria uma fic pequena. Obrigada pelas reviews w não deixem de colocar mais umas.