Olá! Cá estou eu de volta. Do último capítulo nem eu gostei, mas pronto, espero que este esteja melhor. Espero que gostem!
Capítulo 7
Ataque
No dia seguinte, Yue e Kero avisaram Sakura que iam embora, tinham de voltas ao Japão segundo eles. Estavam na sala de jantar do dojo. Sakura estava sentada á mesa com o Mestre Lei. Yue e Kero estavam de pé perto da porta. Kate e Shaoran ainda não tinham acordado.
- Mas porque vão embora tão cedo? – perguntou Sakura.
- Temos assuntos para resolver. – respondeu o grande leão alado.
- Assim do nada? – questionou novamente Sakura, desconfiada. – Tu nunca me contas o que é!
- Um dia vais saber, Sakura. – voltou Kero a responder. – Agora temos que ir.
Sakura pareceu ficar amuada por Kero não lhe dizer nada. Mestre Lei ouvia a conversa passivamente, sem dizer nada.
- Está bem… se têm de ir, então vão lá… - acabou por dizer a rapariga. – Eu confio em vocês.
Kero pareceu sorrir. Yue mantivera-se impassível durante toda a conversa.
- Venham até lá fora para se despedirem de nós. – pediu o animal.
- Não esperam que os outros acordem? – pronunciou-se, pela primeira vez, Mestre Lei.
Kero pareceu pensar um pouco e só depois respondeu.
- Bem, o Li não é muito importante mesmo…e Kate… - lançou um olhar rápido a Yue, que mal se mexia sequer – não é preciso acordá-la, vou voltar a vê-la em breve.
- O Li não é o quê? – perguntou a voz de Shaoran, que entrara na sala enquanto Kero falava.
Sakura olhou para ele e corou. Lembrou-se de no dia anterior o ter visto sem camisa. Ele notou, mas não percebeu, devolveu á atenção a Kero, que lhe respondia.
- Eu não acho que sejas muito importante… - disse o guardião.
- E por acaso conheces-me para deixares de achar ou não? – disse Li.
- Nenhum Li é muito importante… - continuou Kero.
- Quem és tu para me julgar?
- Sou um guardião!
- Um guardião que, segundo eu sei, nem conseguiu cumprir a sua missão de proteger as Cartas de Clow!
- Ora, cala-te, rapaz! Não sabes o que dizes! – disse Kero, bastante irritado.
- Ah, pois! Também não gostas que te julguem! – ripostou Shaoran.
Eles dois estavam praticamente a pegar-se. Yue observava a cena, abanando a cabeça em desaprovação. Sakura não sabia se ria ou se deveria intervir. Mestre Lei, observava a cena divertido, mas resolveu intervir antes que eles lhe destruíssem a casa.
- Pronto, chega. – disse, pondo-se entre os dois.
Eles afastaram-se, mas continuaram a olhar-se furiosamente, de lado. Mestre Lei continuava divertido.
- Bem, guardiães, vamos até lá fora, para nos despedirmos. – disse o Mestre, conduzindo Kero e Yue até lá fora.
Sakura e Shaoran seguiram-nos. O dia estava um pouco nublado, o Sol espreitava entre as nuvens acinzentadas, mas não estava frio, o tempo parecia seco. Devia aproximar-se uma tempestade.
- Então é aqui que os nossos caminhos se separam, guardiães. – despediu-se o Mestre. – Vão com cuidado.
Os guardiães despediram-se de Sakura, que não os deixou ir, sem lhes dar um abraço. Kero lançou um último olhar furioso a Shaoran, que retribuiu e depois os guardiães levantaram voo. O Mestre, Shaoran e Sakura, ficaram a observá-los a voar pelo céu. O sol reflectia-lhes nas asas brancas. Ficaram a vê-los afastarem-se até não parecerem maiores que dois pássaros e desaparecerem atrás da montanha. Depois voltaram para dentro, para tomarem o pequeno-almoço. Sakura e Shaoran já tinham acabado quando a Mestre Kate entrou na sala. Mestre Lei lançou-lhe um olhar significativo que ela não percebeu.
- Jovens, peguem nos vossos bastões e esperem por mim lá fora, por favor. Podem fazer o que quiserem. – ordenou Mestre Lei.
Sakura e Shaoran estranharam, mas assentiram e saíram da sala. Quando ficaram sozinhos, Mestre Kate perguntou:
- O que aconteceu, Mestre?
- Keroberus e o outro guardião foram-se embora. – respondeu o Mestre, calmamente.
- O quê? – Kate quase gritou.
Depois recompôs-se e perguntou mais calmamente:
- Que desculpa Keroberus deu?
- Disse que tinha assuntos a tratar. – continuou Lei, calmamente.
- Disse onde?
- Claro que não, Kate.
Kate ficou séria e reflectiu um pouco.
- A Ordem… deve ser isso… - disse.
- Tu sabes tão bem como eu porque ele veio para cá e trouxe o outro guardião com ele. – disse o Mestre – Não vieram ver treino nenhum, mas sequer deram importância a isso, eles sabem que Sakura é forte. Eles vieram cá para te vigiar, quando souberam pela Ordem que tu vinhas para cá.
Kate pareceu levar um choque, apesar de suspeitar disso, não o queria ouvir.
- Não. – negou, abanando a cabeça, sem querer acreditar. - Keroberus não faria isso. Depois de tudo… ele sabe o que aconteceu… ele sabe porquê…
- Kate pensa bem… É natural que ele ainda não confie em ti completamente, depois do que aconteceu á quatro anos… a missão deles agora é proteger a Mestre deles. – insistiu o Mestre.
Kate deixou-se cair no assento. Parecia ainda surpreendida e ficara muito branca.
- Kate? – perguntou Lei, preocupado. – Kate estás a ouvir-me?
Kate parecia não ouvir nada. Tinha os olhos vidrados e parecia fixá-los num ponto qualquer.
- Kate, porque ficaste assim…? – insistiu o Mestre, interrompendo-se e continuando depois num tom de voz muito sério. – Kate, tu não fizeste nada de mal, pois não? Não outra vez?
Kate pareceu acordar de um transe, quando o Mestre falou, os seus olhos quase recuperando o aspecto normal, mas agora parecia arder neles uma chama de raiva.
- Não, Mestre. – respondeu ela, numa voz gelada ,como o Mestre em todos os anos que a conhecera nunca tinha ouvido. – Desta vez não fui eu. Keroberus é o traidor. Ele nunca me perdoou por aquilo… Mas, desta vez não fui eu… desta fez o Guardião do Sol é o traidor.
O Mestre ficara assustado com o tom dela, mas ficou ainda mais ao ouvir o que ela dizia.
- Kate… o que dizes? – perguntou, confuso. – Tu não sabes o que estás a dizer. Não devias fazer uma acusação de traição a Keroberus, sabes que ele nunca vos trairia, seja lá o que for aquilo em que estás a pensar… tu conhecê-lo.
Kate olhou para o Mestre de uma forma estranha e sorriu de uma maneira quase sádica e maléfica. Lei viu algo nos olhos dela que não via há muitos anos: maldade…
- Mas parece que ele não me conhece… se ele tiver tempo de fazer alguma coisa, vai pagar caro. – disse Kate, levantando-se.
O Mestre praticamente ficou sem palavras: "no que está ela a pensar?" , pensou o Mestre.
- Onde vais? – perguntou Lei, vendo-a levantar-se.
Ela olhou para o velho Mestre, pois era isso que ele lhe parecia agora e nada mais.
- Embora. – respondeu.
- E os teus alunos?
- Agora não importa. Eles já não precisam de aprender muito e se precisarem o Mestre saberá ensinar-lhes. Agora tenho de ir.
Kate não deixou o Mestre dizer mais nada. Saiu apressadamente da sala e foi até ao seu quarto arrumar as suas coisas. Rapidamente, estava tudo pronto. Caminhou pelo corredor apressadamente e saiu. O Mestre ouviu os passos dela, mas não a impediu de ir, sabia que não poderia fazer nada. Apenas pensou: " Eu sabia que ela voltaria, o mal não foi completamente destruído á quatro anos… agora Keroberus cometeu o erro de a deixar desconfiada e o mal acordou… possa ele chegar em paz ao seu destino, antes que Kate os apanhe…. Agora não posso fazer nada para os ajudar, tenho os meus alunos e não os posso abandonar a meio do treino."
Quando Kate, saiu para o exterior, a pouco luz do sol bateu-lhe nos olhos. Ela praguejou baixinho. Shaoran e Sakura pareciam estar a lutar, mas pararam quando viram a Mestre. Shaoran e Sakura repararam que ela tinha uma mochila ás costas e levava o seu bastão dourado na mão. Repararam também no olhar diferente.
- Mestre, onde vai? – perguntou Shaoran.
Kate parecia não se ter apercebido da presença deles ali e sobressaltou-se ao ouvir a voz do rapaz. Ele e Sakura acharam-na estranha.
- Desculpem, mas tenho de ir embora. Tenho coisas a tratar. Vocês já sabem aquilo que precisam de saber, se faltar alguma coisa o vosso Mestre saberá ensinar-vos. – respondeu ela.
Os jovens ficaram perturbados pela frieza dela. Já estavam habituados, mas desta vez era diferente. Resolveram não argumentar. Kate já se preparava para descer a montanha, quando Sakura disse:
- Gostei de a conhecer, Mestre.
Kate voltou-se para trás. O seu olhar pareceu voltar ao normal por segundos e sorriu.
- Também gostei de vos conhecer. Adeus.
Quando disse isto, voltou-se outra vez e os jovens já não puderam ver o brilho obscuro de volta aos seus olhos. Ficaram a observá-la até desaparecer pelo caminho que seguia para fora da montanha. Pouco depois o Mestre Lei apareceu e foi treiná-los, dizendo que lhes daria respostas mais tarde. Parecia preocupado, mas continuava alegre como sempre ou pelo menos era isso que demonstrava.
Aquele dia de treino fora muito cansativo e algo aborrecido, pois o Mestre não falava muito com eles e mandou-os parar ainda não era noite. Entraram todos no dojo e quando estavam todos reunidos, os jovens começaram com as perguntas.
- A razão porque a vossa Mestre foi embora só diz respeito a ela. – respondeu calmamente o Mestre. – Pelos menos por agora.
Não fizeram mais perguntas, sabiam que o Mestre não responderia. O sol ainda brilhava palidamente lá fora, mas em breve começaram a cair as primeiras gotas de chuva. O sol ficou completamente tapado, pelas nuvens cinzentas e começou a chover torrencialmente, ouvindo-se os primeiros trovões. Não devia passar muito das cinco da tarde. O Mestre ficara sozinho na sala a pensar. "Estou a preocupar-me por nada. Se acontecer alguma coisa mais grave eu vou saber o que fazer, além disso ela vai a pé e eles voam. Keroberus vai saber defender-se e Yue sempre poderá ajudar, se eles não conseguirem resolver isso sozinhos, a Ordem vai ajudá-los.", pensou. E resolveu não se preocupar mais com aquilo, afinal também não era nada com ele e há muito tempo que não queria saber dos assuntos da Ordem.
Muito longe dali, onde havia sol e não chovia, mas ainda dentro da China, Yue e Keroberus voavam sobre região incerta. Já voavam há muitas horas e as asas doíam, pois tinham feito poucas paragens e ainda menos tempo tinham descansado quando as fizeram.
- Tivemos que vir embora tão depressa só por causa daquilo? – perguntou Kero.
- Keroberus, eu não quero falar mais sobre isso. Além do mais eu quero saber o que aconteceu mesmo. – respondeu Yue.
- Mas tu sabes o que aconteceu. – disse Kero.
- Mas agora quero entrar na Ordem. – declarou Yue.
Keroberus virou a sua grande cabeça para ele, surpreendido.
- Tu nunca quiseste entrar. Eles sempre quiseram os dois guardiães das Cartas de Clow, mas eu fui o único que tive razões para entrar. – disse.
- Mas agora eu quero entrar. Acho que devíamos contar á nossa Mestre, ela deve saber, mas depois falamos sobre isso. Por isso não vamos para o Japão, leva-me até á Ordem, onde quer que isso seja. E não falemos mais sobre isso, por favor. – disse Yue.
Kero concordou, voltando a encarar o céu de frente e alterou um pouco a sua rota para a esquerda. Yue seguiu-o.
Alguns quilómetros mais atrás, Kate estava sentada na terra, de olhos fechados. Ali fazia um grande calor e o Sol brilhava intensamente. Kate concentrava-se para sentir o poder dos guardiães e saber para onde iam.
- Como eu pensava. – murmurou Kate, para si própria. – Eles vão para lá.
Abriu os olhos e levantou-se. Resolveu dirigir-se á aldeia mais próxima. Se tivesse um cavalo podia seguir caminho mais rapidamente. Tendo o cuidado de ocultar o seu poder, retomou a sua caminhada.
Sakura resolveu tomar um banho. Estivera a conversar com o Mestre Lei novamente e agora ele já lhe parecia verdadeiramente alegre como sempre. Entrou para a casa-de-banho, encheu a banheira com água aquecida de uma bacia. Correu a porta distraidamente para a fechar, mas a velha porta estava perra e não fechou completamente, ficando quase metade aberta. Sakura despiu-se e entrou na banheira, saboreando a água quente. Shaoran estava a passar pelo corredor, dirigindo-se á cozinha, viu a porta da casa-de-banho aberta e viu que saia de lá vapor. Olhou pela porta aberta e viu que Sakura estava a tomar banho. Ficou a olhar especado e completamente vermelho, apesar de ela estar deitada na banheira e ele não conseguir ver nada, apenas a cabeça dela. Ficou a observá-la alguns minutos. Ao fim de algum tempo, Sakura ia levantar-se da banheira e Shaoran engoliu em seco, mas nesse momento chegou o Mestre.
- Shaoran, que estás a fazer? – perguntou ele.
Shaoran deu um salto ao ouvir a voz do Mestre e virou-se para ele, completamente vermelho. O Mestre olhou pela porta da casa-de-banho e viu Sakura enrolada numa toalha. O Mestre começou a rir.
- Shaoran… – disse entre gargalhadas – Isso não se faz…
Shaoran ia pedir silêncio ao Mestre, mas era tarde de mais. Sakura ouvira o Mestre rir, saíra da casa-de-banho e percebera tudo o que acontecera. Olhou, vermelha de raiva para Shaoran e este mal teve tempo de fugir quando ela pegou no bastão (que estava encostado á parede) e começou a persegui-lo com ele, segurando a toalha com uma mão e o bastão com outra. O Mestre estava divertidíssimo com aquilo tudo e ria-se ás gargalhadas. Shaoran corria pelo corredor enquanto Sakura lhe dava pancadas com o bastão como podia.
- Sakura, pára! Eu juro que não vi nada! – conseguia ele dizer, entre pancadas.
Ela apenas respondia:
- Agora vais sofrer!
Por fim, o Mestre começou a ter pena do rapaz e resolveu acabar com o circo, pondo-se entre Sakura e Shaoran.
- Sakura, já chega. Ele não viu nada. Eu cheguei a tempo de o impedir. – disse Lei, a controlar-se para não recomeçar a rir de novo.
Sakura lançou um olhar cheio de ódio a Shaoran, mas murmurou:
- Se o Mestre o diz, eu acredito.
Shaoran escondia-se atrás do Mestre.
- Também quem te manda deixares a porta aberta? – provocou Shaoran.
Sakura olhou para ele furiosamente e voltou a erguer o bastão para lhe bater, mas o Mestre continuava entre eles.
- Shaoran, pára tu também! Se ela te quiser bater mais eu deixo! – ameaçou Lei, divertidíssimo.
Shaoran calou-se e ficou quieto, ainda escondido atrás do Mestre.
- Vá, agora Sakura vai-te vestir e tu, Shaoran não sejas tão curioso. – disse o Mestre, indo embora em seguida.
Sakura virou as costas a Shaoran, muito indignada e voltou para a casa-de-banho para se vestir, tendo cuidado para fechar a porta desta vez. Shaoran abanou a cabeça e prosseguiu o seu caminho. Entre tudo isto já anoitecera, apesar de não fazer muita diferença, pois o céu estava negro de nuvens, só iluminado por um relâmpago de vez em quando.
Sakura não falava com Shaoran desde aquela situação, que acontecera uma hora atrás. Ele também não tentara falar com ela, pois Sakura lançara-lhe um olhar ainda furioso quando entraram na sala de jantar. Lei parecia continuar a divertir-se e os jovens preferiam que ele fosse assim, sem preocupações. Quando acabavam de jantar, o Mestre ficou de repente muito sério.
- O que aconteceu, Mestre? – perguntou Sakura.
- Não ouviram? – questionou o Mestre.
- Não ouvimos o quê? – perguntou por sua vez, Shaoran.
- Passos. – respondeu Lei, inquietamente.
- Com esta chuva é difícil ouvir o que quer que seja, Mestre. Deve ter sido impressão sua. – comentou Shaoran.
- Não, tenho a certeza que não. – insistiu Lei.
- Porque está tão inquieto? – perguntou Sakura, preocupada.
- Não sei. É um pressentimento… – esclareceu o Mestre.
Alguém bateu á porta da entrada. O Mestre levantou-se bruscamente.
- Vão para os vossos quartos. Rápido. E não saiam de lá. – ordenou.
- Mas… – começou Shaoran.
- Nada de mas… Já! Vão! E não saiam de lá por nada! – ordenou Lei, com um tom preocupado como eles nunca tinham ouvido.
Sakura e Shaoran levantaram-se. Dirigindo-se, rapidamente, cada um para o seu quarto. O Mestre pegou na sua espada de bambu e foi abrir a porta. Tudo o que viu foi uma figura com um manto negro, mas sabia que não estava sozinha, conseguia ouvir os outros a mexerem-se, apesar da chuva.
- Mestre Lei, meu velho… – disse a figura, com uma voz desdenhosa e masculina. – Não dos convidas a entrar?
Lei reconheceu a voz.
- Não. – respondeu o Mestre, prontamente.
A figura riu friamente. Um riso que causava arrepios na espinha. O Mestre fechou a porta atrás de si, pegando numa candeia acesa que pousou no alpendre.
- Não precisas de ser tão hostil. – disse o homem, ironicamente.
Depois viu que o Mestre, trazia a sua espada de bambu na mão e riu mais uma vez.
- Continuas a usar esse pau em vez de uma lâmina? Não o devias fazer, nunca se sabe quem pode aparecer. – disse o desconhecido.
O Mestre ouviu risos frios, desprovidos de emoção, vindos das trevas da noite.
- Este pau ainda consegue partir ossos, Feng. Agora diz-me, o que vieste fazer aqui, com os teus "amigos"? – respondeu o Mestre.
- Parece que a velha raposa ainda tem coragem e ainda se lembra de nós! – disse Feng, fingindo surpresa.
- Vais dizer-me o que tu e o teu bando querem ou não? – insistiu Lei.
- Já que não nos convidas para um chá… – continuou Feng, ironicamente. – Queremos a rapariga.
Mestre Lei ficou surpreendido, mas não deixou transparecer.
- Para que querem a minha aluna? – disfarçou o Mestre.
- Não te faças de desentendido, Lei… – respondeu, Feng, que parecia já não querer brincar mais. – Nós sabemos quem ela é.
Mestre Lei sabia que não valia a pena disfarçar mais.
- Como..? – começou, mas interrompeu-se. – O Shaoran…?
Feng riu muito alto e os seus comparsas também.
- Claro que não. Xiao Lang nunca nos disse nada. É um traidor da própria família. – respondeu Feng, com desdém. – Dá muito valor á honra e á sua palavra, esse rapaz.
Mestre Lei ficou aliviado, por um momento pensara que Shaoran os tinha traído…
- A resposta é fácil, meu velho: espiões. Acho que estás mesmo a ficar velho, nem deste conta deles. – continuou Feng. – Então, agora entregas-nos a rapariga ou não?
- Em primeiro lugar fico aliviado por saber que o Shaoran é dos poucos que ainda tem honra no vosso Clã. Em segundo a resposta á: não. Nunca levarão a rapariga. – respondeu Lei, veementemente.
Feng suspirou, sabia que não valia a pena insistir com o velho Mestre.
- Sabes Lei, gostava que pudéssemos ser amigos… – disse. – Ataquem-no.
Quando Feng acabou de falar, Lei viu três figuras encapuzadas aproximarem-se da luz da candeia. "São só três", pensou, "Eu aguento com eles". Ouviu três espadas a serem desembainhadas. Quando eles se aproximaram viu as suas lâminas brilharem, sedentas de sangue. O mais alto dos três atacou em frente, Lei desviou-se e desferiu-lhe um golpe no braço estendido. O seu inimigo gritou de dor. Os outros dois cercaram o Mestre. Atacaram ao mesmo tempo. Lei desviou-se de um, mas a lâmina do outro fez-lhe um corte no braço. O primeiro que tinha atacado voltou ao ataque, mas parecia ser o mais desajeitado dos três e Lei facilmente lhe deu uma pancada nas costelas com toda a força e ouviu-as estalarem, partindo-se. O seu adversário caiu, agarrado ás costelas e Lei não se preocupou mais com ele. Um dos outros dois, gemeu de fúria e por pouco não trespassou o Mestre, que aparou o golpe no último momento. Lei queria despachar esses depressa, para depois se livrar de Feng. O terceiro desferiu um golpe de cima, que Lei defendeu com a sua espada de bambu, ficando a marca da lâmina nela. Baixou-se e fez uma rasteira ao seu inimigo, este caiu. O segundo escorregou na lama ao tentar um ataque ao abdómen do Mestre, que lhe bateu na espada, fazendo-o largá-la e em seguida deu-lhe uma pancada muito forte na cabeça, fazendo-o perder os sentidos. O Mestre e o seu último adversário encararam-se. O encapuzado tinha o manto coberto de lama da queda. Estocou em frente, a lâmina fez um corte profundo de lado, no abdómen do Mestre. Este gemeu de dor, mas não se dobrou sobre a ferida. Enfiou a sua espada de bambu na barriga do oponente e empurrou-o para o chão, depois desferiu-lhe uma pancada com toda a sua força nas costelas dele, partindo-as. Lei ainda nem tinha respirado bem e sentira um punho bater-lhe na face. Era Feng. Começou a espancar Lei, que estava cansado e ferido da luta. Rebentou-lhe o lábio, fazendo-o escorrer sangue. O Mestre caiu no chão tentando erguer-se, mas uma força invisível impediu-o. Era magia. Feng tinha poderes, mas estivera a ocultá-los. Pontapeou Lei na barriga, que cuspiu sangue. Pegou na espada de bambu que estava caída ao lado do Mestre e espancou-o com ela, na cabeça e nas costelas.
Sakura e Shaoran, quando sentiram magia, saíram a correr dos seus quartos. Encontraram-se no corredor, fizeram um aceno positivo um ao outro e invocaram as suas armas. A espada e o bastão mágico. Saíram para fora e viram o Mestre no chão a ser espancado. O homem que o espancava, recuou ao vê-los. Feng sabia que eles dois eram mais fortes que ele, que agora estava sozinho. Fez os seus comparsas levantarem-se e obrigou-os a correr para fugirem, dobrados de dor. Assim que eles desapareceram nas sombras, Sakura e Shaoran baixaram-se para ver o Mestre. Estava inconsciente.
- Quem serão eles? Porque terão atacado o Mestre? – perguntou Sakura, preocupada com o Mestre.
- Não sei, mas tenho a impressão que os conheço… - respondeu Shaoran.
Continua…
Finalmente acabei de escrever. Bem, sei que o último capitulo não foi grande coisa, mas espero ter compensado com este. Pelo menos eu gostei, apesar de ter tanta coisa pelo meio… mas quem tem de julgar são os leitores. Talvez a história da Ordem e isso seja um pouco confusa, mas eu só vou explicar isso mais á frente. Demorei muito tempo para escrever isto e tinha muitas coisas para fazer, tive para nem postar, mas lá consegui. Daniela, sim eu sei que não foi nada de especial, ainda bem que gostaste da música, aconselho-te a ouvi-la, é das músicas mais lindas que existe, aquilo que tu me pediste já tá, espero que tenhas gostado, talvez não tenha sido como esperavas, mas pronto, beijos! Cleópatra-Cruz, brigado pelos elogios, obrigado também pelos conselhos, eu mal tive tempo de escrever este capitulo quanto mais reler o outro, mas assim que puder vou fazê-lo, depois diz-me se gostaste deste, o que achas e claro se tiver muita estupidez avisa-me, loool, beijos! Bem, por hoje é só. Até á próxima!
Beijos,
DeadLady
